Sob a luz das estrelas

15 Capítulo 15: Confronto


Notas iniciais
N/A: Oi gente. Dessa vez fui rápida. Cap sem betagem, mas relido. Perdoem redundâncias e possíveis erros de pontuação. Olho está viciadinho e velhos hábitos custam a morrer! Gosto desse cap! Espero que curtam tanto quanto eu. Beijos e aproveitem!

“Do amor verdadeiro nunca estão ausentes a abnegação e o sacrifício.” -Carlos Pecotche


Rapunzel precisava pensar. Sua cabeça estava a mil. Ela tentava entender como nunca associou aquelas coisas. Como esteve no festival das lanternas e não associou o que houve. Também tentava engolir a história de Eugene. Aquilo significava muito e ele sequer se importou. Estava ocupado demais tendo um ataque por causa da origem dela. Rapunzel não podia acreditar. Como ela podia ser a princesa perdida? Sentia-se tão não-princesa. Desceu a rua em direção ao centro, mas parou ao ver dois homens grandes e ruivos andarem para si de maneira ameaçadora. Virou e voltou para a pensão. Olhou por cima dos ombros e os viu andando mais rápido atrás de si. Sentiu o vento do inverno cortar seu rosto conforme acelerava o passo. Começou a correr, mas foi tarde. Puxaram –lhe pela trança e a levaram para trás das casas. Taparam sua boca e a puxaram violentamente. Logo estavam em meio às árvores:

–Olha só! Rider estava escondendo o jogo de nós há um tempo. Mas ele sempre quer safar a própria bunda. Estávamos prestes a matá-lo caso não nos entregasse algo mil vezes melhor que a coroa. –Jogaram Rapunzel no chão e amarraram seus pés e mãos.

–Então ele nos ofereceu a fonte da eterna juventude!

–Vamos ver se é verdade B.

–Basta cantar, não é? O encanto da cura.- Rapunzel olhou-os com horror tentando entender como sabiam daquela informação- Pois é coisinha deliciosa.- Benjamin falou se aproximando e lhe segurando os fios loiros com força. Cheirou o pescoço de Rapunzel e gostou da textura. Há tempos não tinha um contanto feminino, ficando todo aquele tempo na estrada atrás de Rider- Aquele patife te entregou na nossa mão. Para safar o próprio pescoço. Bem típico.- Rapunzel começou a arfar ao sentir a mão grande do ruivo de tapa olho subir por seu espartilho- Agora cante para nós.- Ela olhou nos olhos de seu captor e engoliu em seco:

–Acho que a belezinha precisa de persuasão. – O outro ruivo saiu em direção às árvores e voltou algum tempo depois com outra pessoa amordaçada. Com horror Rapunzel reconheceu Gothel. Mas ela estava cheia de rugas e o cabelo grisalho, mesclando o preto com cinza:

–Mamãe veio lhe dizer olá. Garotinha fujona.- Peter colocou uma faca no pescoço de Gothel e Rapunzel arregalou os olhos.

–Isso não vai funcionar.- Gothel sussurrou olhando nos olhos de Rapunzel. A loira sentiu culpa- Ela não se importa.

–Tudo bem! Tudo bem! Eu canto. Só não a machuquem.- Pediu com a voz trêmula.

– Primeiro você vai concertar o olho do B.

–Depois já sabemos para quem te alugar.- Peter riu de canto- Um velho rico e tarado. Pagaria qualquer preço para ter a juventude de volta e de quebra ganhar uma diversãozinha.- Benjamin cheirou o pescoço de Rapunzel de novo- Até abraçaria Rider pelo prêmio que nos deu. Mas ele já está muito ocupado agora. — os dois riram. Rapunzel olhou com horror para Gothel. Peter jogou a velha mulher no chão e andou até o irmão- Como faremos belezinha?

–Enrole um pouco do cabelo sobre o olho que falta. Eu cantarei e então o terá de volta.- falou sem disfarçar a tristeza na voz, mas antes que Benjamin pudesse fazer o que ela disse foi surpreendido com uma porrada na cabeça. Rapunzel arregalou os olhos. Gothel estava de pé. Com um grosso galho de árvore nas mãos. Peter desmaiado mais atrás:

–Como você se soltou?

–As cordas estavam meio frouxas.- murmurou fingindo medo- Vamos Rapunzel. Vamos antes que acordem.- puxou a faca da bainha do vestido e cortou as cordas dos pés e pulsos da jovem- Venha minha flor.- segurou-lhe pela nuca, tocando os cabelos- Está bem? Está tudo bem com você?- abraçou-a e checou os cabelos fazendo carinho nos fios com tanto alivio que até suspirou- Estava tão preocupada.- Rapunzel franziu o cenho ao sentir o abraço da mulher.- Venha. Vamos indo.- Segurou a mão da jovem e voltaram para o vilarejo- Onde está hospedada?

–Ali.- Apontou para a pensão da vovó. Ao ver a entrada do lugar seu coração deu um salto- Eugene.- Saiu andando na frente e Gothel a seguiu com uma expressão de poucos amigos. Entraram e não havia ninguém na recepção. Rapunzel correu para as escadas ouvindo os passos da mais velha atrás de si. Andou rápido até a porta do quarto e abriu com pressa:

–Eugene!- o coração dela deu um salto fraco. Franziu o cenho confusa. O moreno estava deitado na cama e ela entendeu porque os gêmeos falaram que ele estava muito ocupado. Uma mulher, deitada na cama com ele – O-o que?- A mulher levantou a cabeça, tinha um jeito vulgar, maquiagem pesada e cabelos claros. Era muito diferente de Rapunzel, estava nua onde o cobertor não cobria e os seios eram fartos. A jovem engoliu em seco ao ver que o moreno nem se mexeu:

–A camareira! –Olhou-a com malícia- Sinto muito, acabamos de nos cansar, muito. Pode vir mais tarde?- Rapunzel ainda os olhava de olhos arregalados- Não quero acordar meu amante.- A vulgar mulher levou o dedo aos lábios- Shiu.- Riu de maneira afetada- Nosso segredinho. – Rapunzel sentiu um gelo no peito, não conseguia entender o que estava acontecendo.

–Rapunzel, acho que entramos no quarto errado.- Gothel sussurrou puxando-a pelos ombros- Não queria te incomodar. Desculpe.- Simulou e saiu andando puxando a loira delicadamente. Virou a jovem e antes de sair jogou algumas moedas no chão. Olhou por cima do ombro e mexeu os lábios para a prostituta “os guardas”. A vulgar mulher assentiu e sorriu para o dinheiro jogado no chão. Ao fechar a porta atrás de si Gothel viu Rapunzel parada no corredor, apoiando-se na parede.

–Como te encontraram e como te associaram a mim?- Gothel se aproximou e ignorou a pergunta.

– Flor?- Rapunzel não respondeu, continuou calada, de olhos arregalados, completamente devastada- Foi muito chocante, não? Ver os seios daquela mulher da vida. Onde é seu quarto? Está sozinha, não é? Hora, o que estou perguntando, claro que está sozinha.

–Preciso de ar.- Murmurou saindo depressa. Gothel sorriu ao fitar as costas dela. Seu plano saindo conforme o planejado. Guardas indo buscar aqueles ruivos psicopatas e Rapunzel desacredita, não iria querer ver Rider nem por um decreto. Ela não voltaria para a torre. Iriam para um lugar mais seguro. Sem que aquele pilantra as encontrasse, caso ele conseguisse fugir da forca. Ao ganhar a rua seguiu Rapunzel. A garota andou a esmo e sentou num dos banquinhos da praça. O dia estava muito frio e a neve começava a cair, o que deixou o vilarejo deserto, a não ser por elas duas e um ocasional passante:

–Rapunzel. Eu gostaria de entender porque fugiu.- a jovem continuou calada- Pensei que ficaria feliz em me ver. Eu quero entender o que houve.- a garota continuou calada, olhando para as próprias mãos. Rapunzel abraçou-se e suspirou de maneira sofrida. Gothel ficou quieta, olhando para o chão, a paciência indo embora:

–Eu não entendo.- A loira sussurrou. Sentia-se tão mal, mas ao mesmo tempo não conseguia acreditar no que viu. Como podia ser diferente? Tinha uma mulher na cama com Eugene! Uma mulher tão diferente dela mesma. Suspirou sentindo lágrimas virem aos seus olhos.

Como aquilo tinha acontecido? Ela se perguntou se era tão inocente a ponto de não ter visto um sinal de mentira em Eugene. Estava tudo muito confuso, ele tinha ficado chocado com a noticia de ser pai, ele estava muito bravo com o fato dela ser a princesa perdida, se é que ela era, mas não entendia, o que ele estava fazendo dormindo daquele jeito quando tinham guardas atrás dele? Rapunzel não conseguia encaixar o que viu com a lógica. Ele não a tinha buscado no castelo, mas tinha toda aquela história da mãe dele, da realeza... Ele não podia ter inventado tudo aquilo apenas para ficar com outra mulher. Ele teve toda a manhã para fazer aquilo e teve tantas outras tardes. Ou será que a paixão deles era tão forte que ele não pode se conter? Rapunzel suspirou. Eugene não era burro, a não ser que ele quisesse se livrar dela não seria tão descuidado. Engoliu em seco tentando processar as coisas que seu pensamento buscava:

–Hora Rapunzel, já chega. Não sei por que está surpresa! Aquele homem iria esmagar seu coração! Eu avisei.- Rapunzel fungou e a olhou confusa.

–Como sabe dele?- Murmurou num tom de voz fraco.

–Eu encontrei sua pintura na parede e livros que nunca te dei no quarto. Não sou tola. Dei uma volta pelo reino tentando te encontrar antes que fosse tarde e então... Vi seu cartaz! Rapunzel, por que acabar com sua vida com um tipo daqueles? Olha o que ganhou! Uma traição e um coração partido! Estava tão preocupada que te magoassem ou te machucassem. Eu só queria te proteger.- Gothel encolheu-se na capa de frio quando o vento bateu mais forte- Vamos. Voltaremos para casa.

–Eu não quero.- Murmurou- Preciso olhar nos olhos dele e entender- A voz da jovem estava chorosa- Ouvir da boca dele, o que o levou a isso.

–Ele é um homem! E o mundo é assim Rapunzel, quando vê qualquer sinal de felicidade o destrói!- Rapunzel suspirou.

–Preciso encontrar Pascal. Ele estava passeando por aí.- Gothel suspirou.

–Vamos para casa querida. Você é procurada, precisamos ficar num local seguro.- Rapunzel estava tão desnorteada que levantou e começou a seguir a mãe- Eu estou disposta a perdoar sua atitude egoísta e impensada. Foi tudo culpa daquele rapaz. Colocando caraminholas em sua cabeça inocente.- Gothel parou e virou para Rapunzel. Passou a mão pelo cabelo dela. A loira sentiu aquela sensação opressiva, que sempre sentiu quando morava na torre, a mão da mulher em seus cabelos fazia o mesmo efeito que todos aqueles anos de culpa. Suspirou longamente:

–Mãe.- Se afastou e olhou-a de maneira séria- Você nunca amou alguém além de mim?- A pergunta foi sincera. Gothel a olhou analiticamente e fechou mais a capa contra si.

–Rapunzel, o amor...-Estalou os lábios- Não é o que esse rapaz disse a você. Amor é o que tínhamos, tratava-se de confiança e entrega. Confiança a qual você quebrou. Eu a amo e estou disposta a perdoá-la. Tudo voltará a ser como antes. Mas terá de esquecê-lo. Aquele patife partiu seu coração, deitou com outra mulher da mesma maneira que deitou com você.- Rapunzel baixou os olhos e Gothel teve ganas de apertá-la com raiva. Era a confirmação que não precisava- As pessoas aqui fora só querem nos usar. Mas eu estou aqui agora, eu tinha razão quanto a sua saída. Uma vez que o fez quis fugir.- Suspirou- Espero que isso não se repita.- Rapunzel olhou-a nos olhos, ainda tentava entender a lógica do que presenciou, mas não encontrava nenhuma explicação.- Pelo menos o pior não aconteceu.

–Mãe.- Olhou-a sem forças para discutir- Estou grávida.-Revelou num sussurro tenso. Gothel ficou paralisada, olhando-a com horror. Em poucos segundos o rosto da mais velha passou de choque para fúria.

–Como assim? Você não cansa de ser burra Rapunzel? Já não basta ter acreditado naquele salafrario metido a sedutor, ter dormido com ele e feito o mesmo que aquela prostituta que estava na cama dele você ainda...-Olhou para o ventre dela com nojo- Ainda fica grávida.-Rapunzel a olhou em choque- Tudo bem... Tudo bem.- Gothel suspirou buscando calma — Vai ficar tudo bem. Vamos voltar para casa e ficaremos bem. Nós ficaremos... Só precisamos...Nos livrar dessa coisa.- Apontou para a barriga dela de novo-E tudo ficará bem.

–Mas é meu filho.- Sussurrou levando as mãos ao local protetoramente- Como pode...

–Essa coisa será só a lembrança do seu erro, te lembrando durante todos os anos o quanto você foi descuidada. Será uma coisinha pequena e chorona que vai sugar toda sua juventude e acabar com a sua vida!

–Foi isso que pensou quando ficou grávida?- Gothel a encarou com preocupação e raiva ao mesmo tempo — Como pode ter uma reação dessas? Você é mãe!- Então a loira piscou e a olhou de um jeito diferente. Com um desprezo que Gothel nunca tinha sentido- Ou será que devo mesmo lhe chamar assim?

–Rapunzel. Não mude o foco da conversa!

–Eu sou a princesa perdida, não é?

–Não seja ridícula.

–Não me trate feito tola. Como pode... Me mandando...Me mandando ficar a salvo e escondida de gente que queria usar meu cabelo quando eu devia ter passado todos esses anos longe de você!

–Rapunzel!- Gothel começou a andar atrás dela, a jovem ia em direção à pensão- Ele não estará lá esperando por você!

–O que fez com ele? O que fez com Eugene?

–Aquele criminoso pagará por seus crimes.- A jovem a olhou chocada- Os guardas estão a caminho da pensão, daquele seu quartinho imundo onde partilharam maravilhosas horas de prazer rindo em minhas costas! Ele será enforcado!

–Foi você!- A loira a olhou com nojo- Armou aquela cena no quarto! Não quer que eu fique aqui, que descubra a verdade. Quer tirar meu filho de mim como tirou a filha da rainha!

–Rapunzel. Chega dessa história querida. Vamos. Eu posso esquecer essa história. Vamos voltar para casa.- O tom começava a ser de desespero- Tomar um chá para resolver esse seu pequeno problema.- Apontou para a barriga dela- E então tudo ficará bem...-Desceu a mão até os cabelos dela, mas Rapunzel segurou seu pulso com força.

–Não!- Gritou olhando-a com raiva- Você estava errada sobre o mundo e estava errada sobre mim! E eu nunca mais vou deixar você usar meu cabelo de novo! –Soltou-a com força e a mulher caiu. Rapunzel deu as costas para Gothel, disposta a ir atrás de Eugene, tão concentrada em sair dali não percebeu a mulher embeber um lenço num líquido suspeito.

___________Tangled___________

Joe desceu as escadas correndo e em pouco tempo estava no pátio do castelo. Passou por Ana feito um furacão deixando a jovem ruiva confusa. Precisava encontrar Eugene e confrontá-lo com sua tia. Ela não conseguia acreditar na verdade. Era prima de Eugene, prima de lei de Rapunzel! Saiu apressada ignorando os chamados dos guardas e sentindo os pés afundar na neve acumulada do chão. Abriu os portões da frente com dificuldade e ficou paralisada com a cena a sua frente.

–Eugene?- Joe gritou quando o viu sendo arrastado pelos guardas para dentro do castelo- O que está fazendo aqui? Como veio...Isso só pode ser um engano. O que estão fazendo com meu amigo?- Empurrou o guarda que segurava Eugene e olhou-o com preocupação.

–Lady Lambert. Sinto muito, mas a senhorita deve estar se confundindo. Esse é Flynn Rider. – O capitão de Corona pontuou surpreso.

–O que roubou a coroa da rainha?

–Sim. Esse mesmo.

–Claro que não. Esse é Eugene Fitzherbert.- O capitão bufou.

–Eu disse isso a eles.

–Calado Rider.- Uma movimentação atrás deles os fez calar. Todos olharam para trás.

–Olha só. Aquela senhora tinha razão. Os cúmplices de Rider estavam perto da pensão da vovó.- Um dos guardas riu enquanto ajudava os outros a arrastarem dois ruivos enormes e desmaiados.

–Senhora? Que senhora?

–Calado Rider.

–Que senhora?- Joe perguntou preocupada.

–Uma de vestido vermelho e cabelos cheios.- Eugene olhou com pânico para Joe.

–Joe. É a mãe dela. A mãe de Rapunzel.

–A que ela tem medo?- Ele assentiu.

–Lady Lambert, não permitiremos que fique de papo com esse ladrão pervertido. Ele conseguiu ser denunciado por uma prostituta!

–Olha o linguajar soldado.- O capitão lembrou olhando para Joe:

–Desculpe senhora.

–Não pedi sua opinião senhor. E eu sei o que é uma prostitua! Soltem esse homem. Agora!

–Não podemos. É problema de segurança nacional.

–Vamos falar de segurança nacional? Que tal sobre o capitão de Corona exercer autoridade em outras terras?- Encarou o homem com ferocidade- Solte esse homem.

–Temos ordem da rainha Natália.- O capitão de Corona quase cuspiu no rosto de Joe. Não queria perder Flynn agora que tinha as mãos em cima dele- Passei mais de dois anos atrás desse pilantra e não é porque ele dormiu com você que vai se safar agora!- Joe bufou e deu um soco no capitão da guarda roubando a espada dele.

–Solte-o.- Enfiou a espada no pescoço do homem- Agora!- Rosnou enfiando mais. O capitão esticou as chaves e outro guarda soltou as algemas de Eugene.

–Joe. Ela está em perigo. Aquela mulher não é a mãe de Rapunzel. Aquela mulher foi quem a roubou da rainha Eleonor...- Gritou desesperado.

–O que? Como assim?- Perguntou no meio da fala dele.

– E para usá-la em beneficio próprio!- O moreno continuou- Ela faria qualquer coisa para prender Rapunzel de novo. – O desespero de Eugene cortou o coração dela- Joe! Rapunzel está grávida.

–Como? Meu deus! Eugene! Ela corre perigo?

–Sim. Muito. Essa mulher é capaz de tudo! Qualquer coisa pode afetar nosso filho ou deixá-la muito debilitada. Precisamos correr até a pensão da vovó agora!

–Vai logo Eugene!- Gritou e ouviram um relincho.

–Max?- Olhou chocado para o alazão branco. Na cabeça do cavalo o camaleão fazia um sinal de joia- Pascal? Vocês são demais! Max Rapunzel está em perigo. Preciso que cavalgue rápido! O mais rápido que puder!- Subiu no cavalo num pulo preciso, o animal relinchou e saiu disparado. O capitão parecia ferido com a cena que viu.

–Roubou meu cavalo.- Sussurrou.

–Agora vocês vão me ouvir. Temos uma situação de segurança nacional aqui!

–Claro que temos. Você deixou aquele patife escapar no dia em que o navio para o velho mundo está no porto.

–Não é isso seu idiota.- Tirou a espada do pescoço do capitão que a olhou desconfiado-Vai bonitão levanta!- O homem de bigode corou com a piscadinha de Joe.

_____Tangled___

–Eugene querido!- Georgia gritou correndo na rua e quase escorregou na neve que derretia no chão. Estava a duas quadras da pensão. Aquilo não podia ser boa coisa- Rapunzel estava discutindo com uma mulher estranha.- A senhora rechonchuda começou a arfar, as bochechas rosadas pelo frio. E estava chorando filho! Eu voltava da feira e vi tudo! A mulher colocou um pano no rosto da menina e ela desmaiou. Saiu daqui desmaiada com uma mulher estranha. Tentei impedir e ela me bateu. Fui procurar Rudy, mas ele está no Fiorde! Oh céus Eugene! Sequestraram sua noiva.- O homem engoliu em seco- Não os vi o dia inteiro, pensei que estavam embarcando as malas para o navio...- Eugene não tinha tempo para questionar como ela sabia do destino deles:

–Em que direção elas foram?

–Para fora de Arendelle. Em meio à floresta. Eu não sei!

–Max. Você sabe qual o cheiro dela. Vamos! O mais rápido que pudermos!- E o cavalo começou a farejar a rua. Depois de alguns segundos, que pareceram horas para Eugene, ele correu para fora da vila. Max começou a se embrenhar em meio ao mato e o moreno sentia o estomago dar voltas. Seu peito estava tão apertado em angústia que ele só sentia desespero. Seu rosto estava fechado em raiva.O maxilar tenso e as mãos apertando Max com força. Mal sentia as pontas dos dedos tamanho frio e tensão. O cavalo sentia sua urgência e corria mais rápido. Parou num certo ponto e cheirou mais a terra. Diminuiu o trote e olhou para Eugene. O homem ouviu uma movimentação e desceu do cavalo. Sentiu-se meio estúpido por não ter pego uma espada ou faca. Tinha baixado a guarda todo aquele tempo em Arendelle. Suspirou e concentrou-se nos ruídos. Ele era esperto e ligeiro. Ele saberia ouvir quem estava ali. Aquela característica já tinha lhe poupado ser pego em inúmeros casos.

Ficou calado, tão imóvel quanto à floresta e então ouviu. Os ofegos assustados. Andou devagar, sem fazer barulho, em direção à montanha. As árvores se fechavam mais dando a impressão de que entrava num ninho perigoso e mortal. A temperatura era mais fria ainda. Chegou num ponto onde as árvores se uniam tanto que Max não podia passar. Eugene desceu de sua montaria, se encolheu e passou rastejando, numa pequena bifurcação cheia de espinhos, se arranhando neles e molhando a roupa na neve do chão. Sentiu Pascal seguindo-a apressadamente. Então ele viu deitada no meio da floresta- com os cabelos soltos feito um colchão para seu corpo frágil- Rapunzel. Ofegou e esquecendo a cautela pulou os galhos espinhosos e correu. O barulho a fez levantar os olhos. Estava amordaçada. Gritou algo, mas ele não entendeu. Precisava ver se ela estava bem, se o vestido fechado estava esquentando-a o suficiente. Saber se nada de ruim tinha lhe acontecido. Precisa senti-la em seus braços mais uma vez. Ele correu, esticando a mão, mas antes que pudesse tocá-la a dor o cegou. E em dor e agonia ele caiu no chão. Sentindo algo queimar na altura das costelas. Quando sua visão voltou ao normal pode ver Gothel ao lado dela:

–Está vendo o que você fez Rapunzel? Agora ele vai morrer e é tudo sua culpa.

–Rapunzel.- Ele chamou esticando a mão. Mas estava com muita dor. Tudo começou a ficar embaçado e ele foi se arrastando em direção a sua garota. Engoliu em seco, sentia tanta dor que foi como se seus ouvidos só processassem um zumbido chato. Esticou a mão, ao ver que Gothel arrastava Rapunzel para longe. Com todas as suas forças tentou chegar até ela, mas não pode. Enquanto se arrastava sentiu algo abaixo de si e notou ser a faca que o atingiu. Agarrou-a. Sua visão começou a embaçar e ele tinha apagões em intervalos de segundos.

Sentia o sangue sair por aquele ferimento. Sentia a vida indo para longe, mas não podia ir enquanto não fizesse algo por ela. Enfiou a mão na mistura de grama, terra e neve, fazendo força. Levantou e conseguiu se aproximar enquanto Rapunzel ainda brigava com Gothel tentando se arrastar para junto dele. Eugene não entendeu o que aconteceu. Num segundo estava indo na direção dela e no outro tinha caído em algo pontudo. Caído de cara, sentindo toda a dor do mundo. Uma dor tão excruciante que o fez gritar. A dor invadia seus olhos e ele só podia senti-la. Era tão forte que não ouvia mais nada. Nem os gritos de Rapunzel, nem o arroubo de ódio de Gothel. Apenas dor. Sentiu alguém puxá-lo e a pressão que fazia em seus olhos saiu, mas a dor continuou, com mais força se possível. Sentiu algo escorrendo por seu rosto, mas não soube o que era. Ainda estava escuro, tudo escuro:

–Rapunzel.- Chamou sentindo dor ao mexer o rosto.

–Eu-Eugene! Aqui! Eu estou aqui...Eu só...- Ele ouviu sua voz chorosa e queria poder ver seus olhos, mas não conseguia.

–Por que está tão escuro?

–E-ela t-te j-jogou nos espinhos. Você caiu de cara neles...-Ela chorava em meio a explicação- Mas eu vou te curar.

–Ela deixou?- perguntou com muito esforço:

–Não importa. Você ficará bem.

–Rapunzel...-Soluçou sentindo dor- Não quero...Não quero que use esse cabelo.- Sussurrou com dor- Não pode...- Engasgou, sem força para continuar a falar, mas precisava que ela entendesse.

–Mas você vai morrer...

–Rapunzel... Só me deixa sentir você. – Esticou a mão procurando-a em meio a escuridão e a dor.

–Está doendo muito?

–Sim.

–Já vai passar.

–Shiu...-Eugene tateou e segurou-lhe a nuca. Podia sentir o fio afiado da faca na outra mão. Pode sentir a respiração dela muito próxima de seu rosto. Tentando ignorar a dor que sentia apenas por se mover levantou o cabelo e passou a faca nele, com medo de feri-la no processo. Ouviu o ofego horrorizado de Rapunzel. Deixou os braços caírem para os lados, não tinha forças para mais nada.

–Não! Não!- Ouviu a voz desesperada de Gothel gritar. Tudo estava barulhento e cheio de gritos, mas ele não se importava. Rapunzel estava livre, mesmo que ele fosse morrer. Estava livre. Ele jamais se perdoaria de amarrá-la aquele cabelo por sua causa. Se ela o curasse jamais cortaria e jamais se veria livre de Gothel. Sentiu a mão dela pegar seu braço. Estava desesperada cantando aquela música, tentando salvá-lo:

–Rapunzel.- Murmurou num último momento. Estava com frio, tudo estava escuro,mas não estava sozinho. — Eu só queria poder te ver uma última vez.- Murmurou com a voz embargada. Eugene sentiu a mão dela segurando a sua contra o rosto e ficou feliz de poder sentir sua pele. Ela estava tão quente contra sua mão. Sentiu vontade de chorar, mas no lugar das lágrimas veio apenas dor. Ouviu os soluços dela- Você foi o meu novo sonho.- Sussurrou sentindo a voz sair num fio.

–E você o meu.- A voz chorosa dela sussurrou e foi a última coisa que Eugene escutou. Sentiu a escuridão abraçando-o lentamente, junto com o silêncio aterrador. Segurava a mão da morte, pronto para ir, para partir. Ele merecia depois de tudo, ficar no escuro para sempre. Mas então viu, em meio a toda aquela noite, um pequeno raio de luz, uma pequena gota dourada. E ela se expandiu um pouco e depois mais, e depois mais um pouco. Então ele pode não só ver, mas ele pode ouvir o sol. Primeiro sussurrando, depois cantando a mais bela melodia que sua alma já tinha ouvido.

O silêncio foi embora. Eugene seguiu o som, sentindo tudo quente, calmo e transformador. Então finalmente abriu os olhos e quando assim o fez estava enxergando! Ele estava vendo, estava enxergando Rapunzel, e ela o olhando em choque, depois surpresa e finalmente abraçando-o com força:

–Eugene!- Gritou enquanto o abraçava. O moreno sentiu o coração acelerar e um peso em igual tomar todo seu corpo.

–Eu estou vivo?- perguntou sentindo a voz tremula. Abriu mais os olhos para ter certeza que enxergava e que não tinha dores.

Suspirou choroso e a abraçou, deitando o rosto na curva do pescoço. Não queria sair dali, não queria deixá-la, não queria sequer lembrar que existia algo além daquilo. Soluçou e deixou lágrimas caírem. E elas caíram, ao invés de dor ele sentiu apenas as lágrimas escaparem. Se afastaram e ele a olhou sem acreditar. O cabelo estava curto, muito curto, e castanho. Ele nunca pensou que ela pudesse ser mais linda do que já era, mas ali estava. Finalmente livre daquele peso. Livre daquela maldição, linda.

–Eugene?- Ela o chamou rindo com alivio- Você...

–Hey.- Ele sorriu de lado e piscou-lhe um olho- Já te disse que tenho uma coisa por morenas?- Ela riu e puxou-o pela gola do colete beijando-o. Eugene suspirou contra a boca dela e beijou-a apaixonadamente de volta. Sentia-se tão feliz por fazer aquilo, tão feliz que nunca, nada que sentiu na vida, foi igual à sensação sublime que sentia no momento. Segurou-lhe a nuca e suspirou puxando-a para si com necessidade e volúpia. Poder sentir o cheiro dela, a respiração contra seu rosto, a língua quente e macia, o corpo colado contra o seu. Era tudo real e maravilhoso. Soltou um suspiro meio gemido enquanto a beijava. A deitaria ali, em meio aquelas folhas, e faria amor com ela, apenas para saber que realmente estava ali, que realmente estava vivo. Ela se afastou e sorriu bobamente. As lágrimas ainda molhando seu rosto:

–Oh Eugene. Eu pensei...Pensei que tinha te perdido para sempre.- Murmurou com a voz chorosa.

–Fiquei com medo.- Confessou. Suspirou e abraçou-a novamente, sentindo emoções nunca antes experimentadas. O calor do corpo dela contra o seu lhe deixando mais calmo- Hey Goldie.- Ela riu- Eu te amo.

–Goldie?

–Sempre. Sempre minha Goldie, Blondie...Raio de sol.- Ela o encarou divertida e ambos riram- Como foi que isso aconteceu?

–Bem...Eu não sei. Estava muito triste. Comecei a cantar, não sei por que fiz isso, então...Quando minha lágrima tocou seu rosto, você começou a brilhar, cada vez mais, seus olhos, que estavam tão feridos- Ela tocou perto dos olhos dele com a ponta dos dedos- Voltaram ao normal e você inteiro começou a brilhar e daí...Você acordou. – Eugene franziu o cenho- Eu não consigo entender o que houve.

–E aquela mulher?- Rapunzel baixou os olhos e suspirou triste.

–Quando você cortou meu cabelo ela...Ela começou a ficar velha, velha e cada vez mais velha até que...-Apontou para uma capa jogada no chão. Eugene arregalou os olhos. Aquilo era loucura demais.

–Virou pó?

–Sim.

–Como alguém vira pó? Assim, do nada, como....

–Eugene!- o encarou risonha- Você acabou de recuperar sua visão e voltou da vida, por causa de uma lágrima!

–E eu vou te falar Blondie. Isso não é nada, nada normal.- Rapunzel riu e ele continuou exclamando sobre as loucuras que vinham com a vida dela. Rapunzel olhou para o céu, vendo as primeiras estrelas brilharem no firmamento. O vento tinha soprado as nuvens para longe e embora o frio a deixasse trêmula a adrenalina ainda a impedia de se incomodar com aquilo.

–Olha.- Ela apontou- A estrela cão. – Eugene olhou sorrindo- A que você me deu.- Então a morena o olhou com carinho- Ela te trouxe de volta pra mim.

–Então foi um bom presente. Eu sempre acerto.- Rapunzel revirou os olhos e lhe deu um tapinha no ombro.

–Convencido.- Eugene beijou-a e em seguida olhou para o céu.

–Obrigado.- Murmurou fixando os olhos na estrela.

_________Tangled________

Eugene e Rapunzel ficaram de mãos dadas parados no hall de entrada. Joe os olhava de braços cruzados e um sorriso besta. Ela não conseguia acreditar na sorte que o casal tinha. Conforme os minutos passavam a ansiedade no peito do moreno crescia. As portas de algum lugar abriram e o homem sentiu o ímpeto de fugir quando viu o capitão de Corona ao lado do de Arendelle.

Apertou a mão de Rapunzel sem perceber o que fazia. Ela acariciou seu braço deixando-o mais calmo. Em meio aos guardas dos dois reinos o rei e a rainha de Corona surgiram. Eugene sentiu o coração disparar ao ver a semelhança gritante. Se não fossem as marcas ao redor dos olhos e os fios brancos que começavam a aparecer Eugene diria que a rainha e Rapunzel eram irmãs e não mãe e filha. A monarca se aproximou da garota, os olhos cheios de sentimentos. A dor e a esperança nítidas. A mais velha ficou face a face com Rapunzel e estendeu a mão tocando-lhe o rosto. Eugene não soube definir o que viu no olhar de sua garota, mas ela estava emocionada, tão emocionada quanto à rainha. O rei se aproximou e olhou a garota de maneira incrédula e emocionada. Ele olhou para sua mulher e depois para a jovem. Continuou olhando de uma para a outra durante alguns minutos até que, sem se conterem, eles se abraçaram. E ao se abraçarem caíram no chão, ajoelhados. Eugene pode ver o corpo da rainha soluçar e também viu Rapunzel fechar os olhos emocionada. Joe se aproximou dele e o empurrou com o ombro:

–Bom trabalho Rider.

–Por favor, se você puder...Não uso mais esse nome.

–Bom trabalho primo!- O moreno sorriu sem jeito. Teria seus próprios problemas de família para resolver se não fosse embora logo. Quando pensou em se afastar viu a família real se levantar e parou, pronto para as explicações que deveria dar:

–Meu nome é Eleonor, esse é Frederic...

–Eu sou Rapunzel. – Todos os presentes notaram o suspiro feliz da rainha- Vocês são meus pais?- Eleonor assentiu.

–Eu não sei como isso foi acontecer, mas... Que bom que seu nome continua o mesmo.- A jovem de cabelos curtos sorriu ternamente- Como foi que...Como foi...- A voz da rainha estava tremula e rouca.

–Rapunzel.- Frederic sorriu para a filha- Ao te olhar foi como se...Como se voltasse ao tempo e visse Eleonor aos 18 anos.- A garota sorriu tímida.

–Também notei a semelhança.- Sussurrou tímida e com uma expressão contente- Mas eu preciso esclarecer uma coisa muito importante.- O casal a olhou com atenção- Se não fosse por Eugene.- Apontou para o moreno parado atrás deles- Eu jamais teria saído de onde estava presa e jamais...Jamais estaria aqui hoje.

–Certo.- O rei declarou. Frederic e Eleonor encararam o ex-ladrão- Vamos entrar. Está frio aqui e precisamos de um lugar mais à vontade para conversar.- E decidiram ignorá-lo. Os dois saíram abraçados com Rapunzel para dentro. Eugene e Joe os seguiram mais afastados. O moreno sentia uma angustia no peito. Se perguntou se de agora em diante ela sempre seria tirada de perto dele. A família entrou numa sala a qual Eugene foi impedido de seguir. Ele encostou na enorme janela do corredor e cruzou os braços. Estava de cenho franzido e maxilar tenso:

–Eugene.- Joe chamou de maneira hesitante. Ele a encarou de semblante fechado- Pode vir comigo, por favor?

–Não vou sair daqui. Se ela precisar de mim...

–Eugene.-Joe o encarou com determinação- Rapunzel está conhecendo a família. Está na hora de conhecer a sua.- O moreno franziu os lábios numa expressão de extremo desagrado.

Notas finais
N/A: Oi gente, e aí, que acharam? Eu pararia o cap quando o Eugene agradece a estrela, masss quis deixar essas questões no ar! Hehe! Que acharam? Tentei deixar o mais parecido com o desenrolar do filme, espero que tenha dado certo. Achei muito fofo no filme o Eugene ter pensado primeiro nela quando corta o cabelo, porque ele era um ladrão que só fazia as coisas por si e então ele corre para um perigo e se dispõe a morrer por ela. Ele não sabia que a lágrima dela curaria tudo. Brinquei com elementos do conto original. Acho bonito o príncipe encontrar a Rapunzel porque ela está cantando (no conto original) e essa coisa de ficar cego sendo jogado nos espinhos é tão...Um elemento que não consegui deixar de fora. Mereço comentários? Que acharam? Bjus até a próxima atualização!