Sob a Neve

8 Capítulo 8


Notas iniciais
Há uma diferença de mais ou menos uma semana entre o capítulo 7 e 8, o.k. pessoal? O capítulo 7 começa em um domingo e termina na segunda; o capítulo 8 acontece na sexta-feira. Só para vocês não ficarem confusos. Bjos e Abraços.

—Vamos rápido Chloe, você está me deixando sem paciência! —Gritou Eliza.

—Eu já disse que não vou a lugar nenhum até você me contar o nosso destino! —Falei e cruzei os braços, batendo o pé com força. —Eu passarei o final de semana nesse lugar misterioso, então eu mereço ao menos saber onde eu vou ir.

—Você está parecendo uma criancinha, e eu lhe ordeno que desça aqui imediatamente e entre na porra daquele carro antes que eu suba ai e te puxe pelos cabelos.

—Você não pode me ordenar nada, eu sou mais velha. —Mostrei a língua para ela. O.k. eu estou até pareço uma criancinha.

—Dois meses, Chloe, dois meses. —Dei de ombros ao comentário dela e me sentei, vendo-a lançar os braços para cima em sinal de rendição. —Tudo bem, Chloe, você venceu. Vamos à uma casa perto do lago com os meus amigos, e antes de qualquer comentário, sim, eu tenho amigos. —Olhei surpresa para ela. —São, a maioria, universitários.

—Mas o lado não está congelado nessa época do ano? —Perguntei me levantando.

—Exatamente. Por ser extremamente frio e no meio da floresta praticamente ninguém vai lá, o que é perfeito, e já que eu tive de te contar pegue os seus patins.

Fui saltitando até o meu quarto e peguei os meus patins e mais um cachecol e mais um suéter, eu não era uma das melhores patinadoras do mundo —para falar a verdade eu nem conseguia me equilibrar em cima de um patins— e provavelmente ficaria com as minhas roupas encharcadas, mas se era isso que Eliza queria fazer, eu faria.

—E ai boneca, já está pronta? —Perguntou Eliza dando um sorriso bobo na porta do carro.

—Afinal, você sabe dirigir? Porque eu não vou a lugar nenhum com alguém que não saiba dirigir!

—Não vamos de carro até lá, só até o velho estacionamento do playground, e eu espero que você nos leve até lá, depois disso Chris vai nos levar.

—Quem é Chris?

—Meu amigo.

—O.k. então, vamos até o playground e depois patinaremos com uns universitários gostosos. —Eliza me olhou confusa e então revirou os olhos.

—E ai Liz, achei que não fosse vir. —Disse o garoto quando nos aproximamos.

—Desculpa ai Chris, é que a boneca quis fazer birrinha. —Ele olhou por cima dos ombros de Eliza e me analisou com calma.

—E ai boneca? Conte-me sobre você: idade, status de relacionamento, comida favorita, estilo musical, e essas coisas. —Disse Chris indo até mim.

—17 anos; Na verdade, eu não sei. —Disse pensando em Mason, afinal, depois de tudo o que aconteceu, ainda existia algo entre nós? —Ou melhor, não, eu não tenho um namorado; gosto de lasanha; e pop.

—Você não estava namorando Mason? —Questionou Eliza.

—Ele é um babaca, nunca gostei dele. —Dou de ombros e paro ao lado de Eliza sussurrando para ela. —Vamos? Estou ansiosa para conhecer mais universitários gostosos.

—Tire os olhos do Chris. —Ela falou sussurrando, e eu a olhei espantada.

—Vocês são namorados?

—Não, é que não vai adiantar nada você olhar para ele e nem desperdiçar seu charme, ele é gay.

Oh!

Olá M., você ainda se lembra de mim? Sou a sua namorada, ou melhor, eu era a sua namorada. Não sei se ainda estávamos namorando depois de tudo o que aconteceu, mas quero esclarecer logo para que não seja desencadeiado mais problemas. Caso você ainda não tenha percebido, isso é um fora.

Espero que possamos ser amigos mesmo depois disso.

Na verdade eu não espero isso, você é um babaca assim como todos os outros.

Tchau-tchau.

–Chloe

Olhei uma ultima vez para a mensagem e respirei fundo, enviando-a antes que eu me arrependesse, desligando o celular logo depois.

—Venha logo, boneca! —Gritou Chris, olhei mais uma vez para o celular e o joguei no banco, pegando as minhas coisas e olhando-o mais disfarçadamente possível, e Uau! Que moreno! Que disperdiçio de corpo!

E então eu corri até o encontro dos outros, universitários que se diziam excluídos e tinham diferentes estilos, do mais nerd ao mais punk.

—Todos estão prontos para patinar? —Gritou uma garota, Helen, que tinha metade do cabelo raspado, e a metade que lhe restava de seu cabelo parecia um arco-íris. —É bom que a resposta seja sim, pois vamos patinar agora de um jeito ou de outro!

Sentei-me em um tronco mais afastado dos demais, observando os universitários patinarem e até mesmo caírem, levando na maioria das vezes umas duas ou três pessoas junto com elas.

E então meus olhos pararam em Eliza, que parecia mais feliz do que nunca enquanto girava com Chris na neve, os flocos de neve deixando os seus cabelos mais negros do que nunca e então antes que eu pudesse desviar o olhar, ela estava vindo em minha direção, com um grande sorriso no rosto, embora parecesse um pouco tonta.

—Viu boneca, só para avisar que só quem patina ganha bebida, então trate de se levantar desse tronquinho e colocar esse corpinho de ex-líder de torcida para funcionar. —Ela me puxou pelo braço e eu deixei que me levasse, o que eu poderia perder?

Mas é claro que isso ia ser um desastre, eu não fazia a minima ideia de como ficar em pé então assim que Eliza me soltou eu desequilibrei e fiquei tentando me manter em pé com sacudidas de braços e movimentos de pernas até cair de bunda no gelo.

Eu até poderia não perder nada patinando, mas eu com certeza ganharia uns belos roxos.

—A boneca não sabe patinar? —E então as risadas, senti o calor subindo as minhas bochechas e mal vi quando Chris e uma outra garota que eu reconheci como Bia pararam ao meu lado. —Fique calma, nós iremos ajuda-la. — Os dois me puxaram e ajudaram-me a ficar parada.

—Acho que como responsável por Chloe eu é que devia estar a ajudando, não é mesmo? —Disse Eliza num som autoritário para os dois, que me passaram para os braços dela.

—Seus amigos são legais. —Disse baixinho, para que apenas ela escutasse. Senti ela dar de ombros.

—Eles sabem o que é ser um excluído e já passaram por muitas coisas, é como um grupo de apoio, sabe? —Ela pensou um pouco e balançou a cabeça. —Uma família, na verdade. Sempre que preciso de ajuda tenho um deles em prontidão. Fico feliz que você tenha se juntado a família.

Então por que você ligou para mim e não para qualquer um deles? Por que pediu a minha ajuda? Por que jogou todo o peso para cima de meus braços? Por quê?

Pensei em perguntar, mas tirei essa ideia de minha mente, eu não queria que ela se lembrasse disso, não agora.

—Também fico feliz por ter me juntado a família. —Falo jogando qualquer outro pensamento para o fundo de minha mente.

Aqui está tão bom, por que me preocupar as coisas ruins?