No instante em que Iruka saiu da sala, Naruto se levantou de um salto.


Antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa, ele atravessou a classe a passos largos até o fundo, onde Hinata estava sentada. Sem hesitar, agarrou o pulso dela e a puxou para fora.


— Naruto-kun?


— Não fala nada. A gente precisa sair daqui. Agora. — disse, sem diminuir o ritmo.


A expressão de Hinata endureceu imediatamente, entendendo que aquilo não era apenas pressa — era urgência. Ela não resistiu, apenas apertou o passo para acompanhar o loiro.


Em poucos minutos, os dois deixaram a academia para trás, correndo pelas ruas de Konoha até um pequeno campo de treinamento próximo.


Era um lugar que os alunos costumavam usar para praticar, mas como a formatura tinha acontecido poucos dias antes, não haveria ninguém ali até a próxima turma chegar, dali a semanas.


Naruto olhou ao redor, atento, tentando sentir se havia alguém por perto.


Nada.


Suas habilidades sensoriais não respondiam como deveriam. O fluxo de chakra parecia estranho, limitado — como se seu corpo não conseguisse lidar com aquilo.


Provavelmente ainda não tinha controle suficiente.


Enquanto sua mente continuava a de um homem de trinta e um anos, seu corpo era o de um garoto de doze.


Naruto não precisava que ninguém lhe dissesse o óbvio.


Teria de se acostumar novamente àquele corpo. Redescobrir seus limites. Reconstruir sua força do zero.


E treinar como um condenado para recuperar tudo o que havia perdido.


— Hinata, use o Byakugan e veja se há alguém por perto — pediu, a voz baixa, apenas o suficiente para que ela o ouvisse.


Sem hesitar, Hinata ativou seu kekkei genkai.


Sua visão se expandiu em todas as direções. Árvores, animais, o fluxo de chakra no ambiente — até variações sutis de temperatura se tornaram claras.


Mas, ao tentar ver um pouco mais longe…


Uma dor aguda explodiu em suas têmporas.


— Ittai! — exclamou, levando as mãos à cabeça enquanto o Byakugan se desfazia.


— Hinata! — Naruto a segurou imediatamente pelos ombros, puxando-a para si. — O que aconteceu?


Ela não respondeu de imediato. O rosto estava contorcido de dor, os olhos apertados.


Após alguns segundos, a respiração começou a se estabilizar.


— Meu limite… — murmurou. — Tentei enxergar além de um quilômetro… mas não consegui.


Naruto suspirou baixinho. Ele deveria ter avisado antes.


O alcance de Hinata costumava ultrapassar vinte quilômetros — mas aquilo fora conquistado com anos de treino e dedicação. Naquela época… seu limite mal passava de um quilômetro.


— Não se force, Hinata — disse com suavidade, erguendo a mão para tocar o rosto dela com extremo cuidado. — Nossos corpos voltaram ao nível que tínhamos quando nos formamos na academia. Vamos precisar treinar para recuperar tudo.


Hinata mordeu o lábio inferior, abaixando o olhar.


— Vou tomar cuidado… — sussurrou.


Mas, no fundo, fez uma promessa silenciosa.


Treinaria dez vezes mais. Cem vezes mais, se fosse preciso.


Ela não podia ser fraca.


Não quando precisava lutar ao lado dele outra vez.


Naruto a observou por um momento em silêncio.


Ainda era estranho ver sua esposa naquele corpo pequeno e juvenil.


"Maa… Hinata ainda é Hinata."


Não importava se era uma criança ou uma adulta. Ela continuava sendo a pessoa que ele mais amava no mundo.


Um sorriso tranquilo surgiu em seus lábios enquanto seu polegar acariciava suavemente a bochecha rosada dela.


Hinata ergueu o olhar.


Aqueles olhos perolados — lindos, gentis e firmes — que ele conhecia melhor do que qualquer outra coisa.


— Naruto-kun… o que aconteceu? — perguntou Hinata, a voz tremendo visivelmente.


— Não sei. Não parece um genjutsu. Você sentiu algo estranho?


Ela balançou a cabeça.


— Não havia sinais de distorção… nem de interferência no nosso sistema de chakra.


Naruto soltou um suspiro longo e pesado.


— Então… estamos mesmo no passado.


As mãos de Hinata, ainda trêmulas, se fecharam com força no tecido da jaqueta dele.


Naruto a observou, alarmado ao ver o medo puro refletido em seus olhos.


— Hinata?


Ela hesitou, como se tivesse medo da própria pergunta.


— As crianças… Boruto e Himawari… — sua voz falhou. — O que aconteceu com eles?


Um nó apertou o peito de Naruto com violência.


Era o mesmo peso sufocante que sentia sempre que imaginava seus filhos em perigo.


Sem pensar duas vezes, Naruto puxou Hinata para um abraço apertado, como se quisesse garantir que ela realmente estava ali.


Sua mente corria por todas as possibilidades. Eles não sabiam como tinham sido lançados ao passado — muito menos se poderiam voltar.


Era possível que tivessem de viver toda a linha do tempo novamente.


Isso significava…


Boruto e Himawari teriam de nascer outra vez.


Naruto apertou o abraço.


— Em oito anos, Boruto vai nascer… e em dez, Himawari — murmurou com firmeza. — Nós não os perdemos. Só vamos ter que esperar um pouco para vê-los de novo.


Um pequeno sorriso confiante surgiu em seu rosto enquanto ele acariciava suavemente os cabelos escuros dela.


— E… bem… não é como se fazer isso de novo fosse um sacrifício pra gente, né?


Hinata riu baixinho com a última frase, um tom rosado mais intenso espalhando-se por suas bochechas.


A preocupação ainda estava ali. Não saber se veria seus filhos novamente apertava seu coração. Mas a confiança e a determinação na voz de Naruto faziam o medo recuar.


Ele sempre fora assim.


Não importava o desafio, ele sempre encontrava forças para continuar avançando.


Naruto a encarou com seriedade.


— Hinata… eu sei que tudo isso é uma loucura. Estamos no passado. Estamos mais fracos. E… a verdade é que eu não consigo ficar parado esperando as coisas acontecerem como antes.


Seus olhos azuis brilhavam com a mesma chama inabalável de sempre.


— Muita gente morreu. Pessoas importantes pra nós dois. Eu nunca ia conseguir viver comigo mesmo se deixasse tudo acontecer de novo.


Ele respirou fundo.


— Talvez o futuro mude. Talvez nada seja como antes. Mas uma coisa eu prometo…


Sua voz se tornou firme, absoluta.


— Boruto e Himawari ainda vão fazer parte do nosso futuro.


Hinata entrelaçou seus dedos aos de Naruto.


— Juntos. Vamos fazer isso juntos, Naruto-kun — disse, um sorriso suave iluminando seu rosto.


Naruto retribuiu o sorriso — mas, antes que pudesse responder, uma dor violenta atingiu seu estômago.


Ele se curvou abruptamente.


— Ittai! Meu estômago! — gemeu, abraçando o abdômen enquanto caía de joelhos.


— Naruto-kun!


Hinata ajoelhou-se ao lado dele sem hesitar, as mãos envoltas em chakra verde enquanto pressionava suavemente o estômago do loiro. Bastou um instante para perceber o problema.


— Naruto-kun… você está com uma inflamação gastrointestinal aguda — disse, preocupada, começando a aplicar o Shōsen no Jutsu. — O que você comeu?


Naruto soltou um gemido quando o alívio começou a surgir.


— Eu só comi duas tigelas de lamen… o Shikamaru trouxe no almoço…


Não havia como estar estragado. Era do Ichiraku!


Hinata franziu a testa.


— Não. Isso foi o que o Naruto de 31 anos comeu. O Naruto de agora… o que ele comeu?


Naruto abriu a boca — e a fechou.


Tentou se lembrar. Sabia que naquele período vivia passando mal. Antes das missões com o Time 7, sua dieta era basicamente lamen instantâneo… e lamen do Ichiraku.


Lamen instantâneo não estraga… e o Ichiraku nunca faria algo ruim…


Então a lembrança veio como um soco.


Havia outra coisa que ele consumia absurdamente naquela época.


Leite.


Muito leite.


"Só pode ter sido isso… kuso…"

Notas finais
Obrigado por lerem ❤️ Comentários alegram meu dia✨✨ Até o próximo capítulo ✨❤️