Sob a Aurora
9 Tormentas
Notas iniciais
Uma pequena casa coberta por samambaias e afastada da aglomeração de Hafnarfjörðu era o local onde aquele homem morava. A casa tinha um cheiro de lodo e úmida; não era tão espaçosa. O homem olhava os flocos de neve escorregando pela janela e de relance, olhava para o fogão, onde um bule com água estava entrando em estado de ebulição. Ao perceber que a tampa do bule já se movia com a intensidade do calor, ele correu até o fogão para retira-lo.
— Não! – esqueceu que não tinha poderes relacionados ao fogo e acabou se queimando um pouco diante de tamanha afobação. Ouviu batidas na porta. Ele revirou os olhos.
Parece que o sossego da hora do chá ia ter que ser adiado. Colocou o bule quente sobre á mesa e foi atender a porta. Seja quem fosse, estava impaciente pelas batidas insistentes.
— Ancião. – ele cumprimentou a visita com um simples sorriso. – Eu não sabia que viria.
— Estava caminhando e resolvi aparecer por aqui. – disse o homem sinceramente.
— Pode entrar, Madara. – ele entrou e o anfitrião o levou para a pequena sala, o ancião revistou o lugar e pairou o olhar sobre a coruja branca e de olhos intensos pretos em cima da lareira. – Ela está crescendo a cada dia mais e é gulosa. – disse orgulhoso de seu animal de estimação. – Quer um chá? – ergueu a sobrancelha em interrogação.
— Obrigado Orochimaru. – o homem sentou-se em um dos bancos de madeira.
— Sabe, aproveitei um pouco para andar hoje pela manhã e passei pelo campo de batatas, as batatinhas. A neve não cai sobre elas, magia é incrível.– o homem de cabelos pretos compridos até a cintura e pele extremamente pálida falou empolgado. – Magia. – não pôde esconder tamanha alegria.
— Bruxos são habilidosos e sabem fazer algo necessário, quando se é preciso. – o ancião falou.
— Bruxos. Sabe, ás vezes... – ele pausou, sabia que ia falar algo não respeitoso. – Vou dizer, ás vezes eu acho que Loki andou influenciando o grande Odin. – Madara o olhou surpreso. – Imagine...os bruxos controlam á agua e alguns tem o dom de petrificar a água, eles são atormentados pelas lavas dos vulcões e o clã do fogo, é afrontado pelo rigoroso inverno. Me diga caso não parece uma travessura?
O ancião assentiu. Era de veras que ele já tinha pensado sobre esse assunto diversas vezes, porém nunca atribuiu essa condição ao Loki, seria desrespeitoso para Odin. Mas no caso, como foi o oráculo que disse. – O que acontece em nossa vida é um mistério, creio que quando for a Valhala perguntarei pessoalmente a Odin. – sorriu de lado.
— Será uma boa conversa. – ele serviu uma xícara de chá para o visitante. – Agora, me diga o que quer?
— Não se pode esconder muita coisa de você, meu caro. – o oráculo era um velho conhecido de Madara, tinham uma parceria longeva. Oráculos eram respeitados nos clãs, já que eles eram conhecidos por interpretar as respostas dos deuses. Era um intermediário com a divindade. – Quero notícias de Denmag. Não consigo tirar da cabeça.
— Claro, claro. Tive visões pela noite. Eles expulsaram os Nottikins de lá. – Madara sentiu um alívio. – Porém, creio que não será nada tranquilo o retorno.
— Por ?
— As vezes egos são maiores que objetivos. – Orochimaru tinha um tique, ele sempre gesticulava com as mãos quando falava. – Vi ceifeiros.
Madara não escondeu sua inquietação.
— Mas, vi uma dança entre fogo e água.
— Ela? – ele assentiu animado.
— Você viu que ela entraria em nossas vidas, mas não me disse o motivo. Meu nome está em cheque. Não confio em feiticeiros, eles são poderosos.
— Se eu pudesse contar as visões extraordinárias que tenho. – não escondeu a quietude, queria contar, mas não podia. – Apenas confie meu velho amigo. Odin está preparando algo grandioso, porém antes de acontecer terá muitos espinhos dolorosos.
— Seus segredos, enigmas.
— Apenas confie. – rapidamente ele mudou de assunto. – Sim, fiquei sabendo que os Nottikins invadiram Fljótsdalshreppur, um verdadeiro campo de batalha sangrento.
— O clã do Ar. Mito está batalhando?
— A anciã não tem mais forças, seu filho e neto estão na linha de combate. Só não compreendo os Nottikins por lá. – disse estreitando os olhos.
Madara encostou-se na parede e disse:
— O clã Uzumaki é responsável por criar criaturas mágicas e tem o controle do ar, no entanto uma antiga lenda diz que esse clã era responsável por cuidar dos dragões. Então, os Nottikins tomaram para si os dragões e causaram desolações pelo mundo. Vendo toda devastação criada, um guerreiro de nosso clã, utilizou de seu poder ocular místico para selar a dinastia dos dragões e trazer de volta á paz.
— Poder ocular místico? – perguntou curioso.
— Antigas lendas relatam que esse guerreiro tinha um olho chamado de reencarnação, o olho ao invés de ficar vermelho, o globo ocular tinha cor roxa e um certo padrão de ondulação.
— Incrível! – exclamou.
— É lenda.
— Cada lenda tem de seu pouco de verdade.
— Os Nottikins acreditam nessa lenda. Creem nesse olho, para trazerem os dragões de volta. Vivem uma ilusão.
— Querem controlar o mundo. Genial. – o ancião o olhou, sabia que seu oráculo tinha de lá suas extravagâncias. – Como se chama esse olho mesmo?
— Rinnegan. – falou. – É uma lenda, já que nunca vi alguém de nosso clã com tal poder.
— Compreendo. – com certeza, ele iria passar dias e mais dias procurando sobre esse tal olho e não cansaria até obter tal resposta.
— Diga-me, em sua visão falou que egos eram maiores que objetivos, é algo com Itachi?
O oráculo encolheu-se e passou a fitar sua xícara de chá de hortelã. – Seu neto tem um gênio indomável.
— A ambição de Itachi me preocupa. –pausou, ele sabia do comportamento do neto e o quanto ele estaria disposto para tira-lo do poder, já havia captado as insinuações do neto. Lamentava todos os dias a morte do seu primogênito, mas procurava entender que foi o desejo de Odin. – Obito prefere ser aventureiro e construir barcos. Ele tem bom coração, mas não é um líder.
— Tem o Sasuke. – falou.
— Me vejo nele, mas ele não aceitaria e muito menos desafiar o irmão. Sasuke é um excelente guerreiro.
— O urso. – Madara sorriu do comentário do oráculo, sim, o urso era o animal com que Sasuke se identificava. O urso era conhecido por sua força e ferocidade, ele conseguia enxergar tais talentos no neto, mesmo ele se apresentando tão pacifico.
Denmag
Sakura não se cansava de contemplar aquela belíssima imagem ao horizonte. Um presente de deus. O pôr do sol de longe era a sua favorita dali.
Sentia o vento levantar o seu cabelo e o quão acolhedor ele parecia ser. Estava á beira daquele abismo e não deixou de lembrar do dia que literalmente foi lançada com ele. Denmag iria fazer falta, mas com certeza deixaria suas marcas.
Quando terminasse o inverno voltaria para casa e nunca mais retornaria para aquela ilha. Queria gravar cada lembrança daquele local.
Voltar para casa.
Era o seu anseio mais profundo, mas temia uma certa possibilidade de não retornar.
— Vai querer ficar aqui mesmo? – Sasuke apareceu silenciosamente por trás dela causando um pequeno susto. Ela colocou a mão sobre o peito. – Estamos partindo.
— Hm. – ele ergueu a sobrancelha, ela sabia ser irritante quando ela queria.
— Gostou daqui, não foi? – Sakura continuava a olhar o horizonte á sua frente, o vento fazia seu cabelo voar. Ela esquivou-se da resposta. – Tente tirar o seu orgulho uma vez e responda. – ela permaneceu de boca-fechada.
Ele queria derrubar ela dali. Segurou-se.
Sakura sempre foi cheia de si; era uma habilidosa feiticeira, logo se mostrou uma excelente líder e isso trouxe orgulho ao seu pai “ a menina dos olhos dele” ela sempre teve seu lado soberba e não tolerava desaforos.
Custava ela admitir alguma coisa, mesmo se estivesse errada.
Queria dizer algo, formulou algumas frases em sua palavra, mas tudo que consegui foi:
— Talvez. – no entanto seu brio não deixa se render facilmente. Sasuke riu de deboche.
— Vamos. – ele falou firme, não queria prolongar em uma outra briga com ela. Sakura ocultou sua insatisfação, não queria ir agora. Pelo ao menos queria ver o ultimo pôr do sol á tarde.
Caminhou com ele descendo a escarpa. Sasuke desviava dos galhos das árvores, e foi assim até parar em uma com frutos em formato de bolinhas de cor roxa. Pegou um cacho delas. Era doce.
A feiticeira o olhou saboreando e parecia ser bom, ele a olhou de relance e percebeu a cobiça dela. A ignorou.
Chegaram á costa, onde os vikings já se preparavam organizando os barcos; colocavam suplementos para viagem de volta. O tempo parecia colaborar com a partida deles. O céu estava límpido, tão azulado como nunca. Não havia sinal de tempestades, porém era instável.
— Amoras são deliciosas. – disse Sasuke para o tio sob olhares furiosos da mulher de cabelos róseos.
— Temos algumas caixas carregadas dela. – Obito falou, enquanto carregava seus armamentos. – Ajude a colocar na dracar.
Sasuke pegou uma caixa com alguns suplementos e deu para Sakura, a pegando surpresa. – Ajude. – sorriu sacanamente.
A feiticeira apenas murmurou.
Alguns vikings iriam ficar para cuidar da segurança de Denmag, os Nottikins poderiam retornar algum tempo depois. Houve despedidas de filhos com os pais, irmãos e etc.
A garotinha de cabelos cumpridos que Sakura encontrou apareceu na frente dela. – Oi. – a feiticeira falou gentilmente. A menina nada disse, mas a entregou um ramo de flor de cereja. – Para mim? – a bruxa ficou maravilhada. A menina assentiu e logo foi embora para o encontro de seu avô.
Sasuke comtemplou a cena ao longe. A orgulhosa tinha aceitado um presente.
Após empilhar algumas caixas, Sakura entrou na dracar e os presentes a encaravam friamente. Durante a estádia em Denmag, Itachi declamou discursos inflamados contra a feiticeira “ de nada ela servia.”
Seus discursos não passavam de uma campanha disfarçada contra o seu avô, para ele, Madara já precisava descansar e que alguns de seus atos já não eram em plena consciência. Queria criar uma atmosfera favorável para ele como futuro líder.
Almejava esse cargo e não pouparia os esforços.
Sakura sentou-se na extremidade do fim, próximo da âncora. Sasuke sentou ao lado dela.
— Que Odin nos proteja. – falou o prepotente Itachi em pé, como um verdadeiro líder. Não podia negar que via sua luta contra os Nottkinks como um verdadeiro ato de vaidade.
“O céu colaboraria com aquela viagem.” Pensou, esse seria o seu triunfo.– Remem!
Akureyri
Ino não tinha saído da cama naquela manhã. Sentia-se indisposta.
Tsunade trouxe alguns mimos para a irmã, suspeitava que ela estivesse doente. Comeu apenas uma maçã. Disfarçou bem para sua irmã, utilizou do artefato feminino: cólicas. Sua irmã logo compreendeu e a deixou em paz.
Do outro lado do vilarejo, Sai estava inconformado e um sentimento raro se apossou de si, fúria.
Conseguia lembrar tudo o que fez com Ino. Sentia vergonha de si. Gostaria de compreender o porquê daquela garota ter feito aquilo, enfeitiça-lo daquele modo. Cansou de criar teorias em sua mente. Trocou de roupa e tinha um destino certo: confronta-la.
Caminhou pela rua da vilarejo de cabeça baixa. O que Hashirama iria fazer com ele?
Claro que o líder não iria acreditar que a sua filha caçula seria capaz de um ato desses.
— Oi. – ele cruzou com uma amiga. – Apressado?
— Um pouco Rin. – disse acelerando os passos. A amiga estranhou o comportamento dele, Sai sempre foi tão prestativo e com certeza em dias normais notaria que ela estava com um outro semblante em seu rosto. Estava feliz.
— Para onde está indo? – perguntou.
— Preciso ir ao castelo.
— Estou indo para lá e já que não perguntou, eu mesma direi, –ele seguiu caminhando. – Eu serei a nova auxiliar de poções do palácio. Discípula de Kurenai.
— O que tanto queria, parabéns! – Rin percebeu que ele não estava muito interessado na felicidade dela e resolveu caminhar ao lado dele em silêncio. Pelo ao menos tentar, já que ele estava quase correndo.
**
Hashirama sabia das invasões no clã Uzumaki e discutia isso com o seu genro. Esse clã era neutro, porém os bruxos não se relacionavam bem com eles, pois acreditavam que os Uzumakis tinham uma certa preferência pelo clã Uchiha, inimigos mortais.
— Se caso pedirem ajuda... – sugeriu Dan.
— Pediram aos amigos. – disse irônico, descartou o líder. Olhava no mapa a localização de Fljótsdalshreppur, não o primeiro clã a ser atacado nas redondezas. Procurava indícios de possível ataque, o que não seria uma surpresa, acaso isso acontecesse seria de longe uma tragédia, já que o clã estava em um momento frágil. Temia essa possibilidade.
— Vatnajökulsþjóðgarður também foi atacada. – ele voltou a olhar no mapa.
— Sakura faz falta. – disse pesaroso, lembrava da garotinha de olhos verdes que desde pequena ficava brincando de bonequinhos de chumbo e simulando guerras. Sakura cresceu conhecendo estratégias com o pai, e ele confiava nela. Possivelmente ela seria sua substituta. – Ela era uma boa estrategista. Estou ficando velho para isso. – coçou os olhos.
**
Sai soube por uma das empregadas que Ino estava no seu quarto, e foi imediatamente ao quarto da loira. Ele não bateu na porta, como faria de costume e logo entrou. Ino estava lendo um pergaminho, assim que viu o moreno á sua frente, sentiu o sangue de seu rosto sumir. Ficou pasma. No entanto, com um rápido instinto foi logo guardando aquele pergaminho.
— Sai! – ela sabia que cedo ou tarde iria revê-lo.
Ele trancou a porta do quarto. – Precisamos conversar. – disse enfático e caminhou até ela. Ino ficou encostada entre a quina de sua escrivaninha, Sai afundou as mãos nos braços dela. – Quero explicações de tudo? – vociferou de forma exasperada.
A bruxa sentiu uma leve hiperventilada, suas pernas tremerem. – Calla. – ela tentou conjurar um feitiço.
— Ekki.— apertou o maxilar dela. – Sem feitiços, apenas a verdade. – ela inclinou-se para trás.
Sentiu-se encurralada.
— Eu não sei bem o que eu faço, pois o que eu faço é o que eu não quero. – disse com certa dificuldade, porém não o convenceu.
— Me conte. – seus braços com certeza ficariam com umas marcas roxas.
— Eu não quero me casar. – disse sincera. – Por isso. – foi tomada por uma súbita coragem. – Apenas isso.
— Eu não acredito em você. – ele a soltou. – Sabe o que seu pai irá fazer quando o seu pai descobrir?
— Eu mesma irei conta-lo. – ele a olhou transtornado.
— Eu sou noivo da sua irmã.
— Sakura está morta! – ela gritou, ele não queria admitir essa verdade, mas pelo o tempo. – Convenhamos, você nem a ama de verdade.
— Você não tem esse direito. – protestou, ele sentou-se na cama, seus cotovelos estavam encostados na perna e suas mãos no rosto.
— Sabe que é verdade. – ela se ajoelhou na frente dele. – Sabe que é verdade. Fique ao meu lado e prometo que não se arrependerá.
— Do que fala? – ele liberou suas lágrimas. – Você me usou em um plano, Ino. Isso eu não posso perdoar.
— Eu sei o que estou fazendo. – ela segurou as mãos dele. – Não chore e não se sinta usado, eu o amo, sempre o amei.
— Não justifica seus atos. – ele tirou as mãos dele sobre ele.
— Eu errei confesso. – ela o domaria em questão de tempo e sem precisar apelar para a feitiçaria novamente.
No entanto os planos de Ino iam além do que o bruxo poderia imaginava. Eram obscuros.
Ártico
Denmag já não aparecia ao longe; água e mais água era o cenário. Eles navegavam tomando o rumo do leste, geralmente eles se baseavam pelo vento e pela famosa corrente marítima do labrador, um fenômeno natural que ocorria naquela parte do globo e uma espécie de bussola solar, parecia um disco feito de madeira e de esteatita triangular e no centro havia uma haste na forma vertical que projetava a sombra do sol. Pela noite as estrelas os guiavam, pela mitologia, era Odin que dava as coordenadas brilhantes no céu.
Os antigos Vikings costumavam a dizer para nunca confiar no mar, pois ele é traiçoeiro. Itachi começou a perceber isso. Nuvens apareciam no horizonte e estavam carregadas. Podia-se ver as manchas escuras ao longe, ali estava forte e justo na rota deles.
Sasuke conversava com o tio sobre pescaria de atum e estava empolgado ao falar sobre isso, ele e o tio trocavam técnicas, coisa que o jovem viking adorava ouvir a experiência do mais velho. Ele tinha pausado de remar para tomar água por alguns minutos.
Ele ofereceu água para a feiticeira, mas ela recusou. A mulher estava ali apenas olhando os homens remando e escutando os relatos do viking sobre como deveria ser preciso o corte do atum.
“Ele é idiota.” – admitiu para si mesma.
O balançar das ondas pareciam não fazer bem para ela, já que ás vezes sentia uma certa ânsia de enjoo.
Logo ela.
Itachi estava centrado na aproximação da tempestade ao longe, seu olhar era atento como de uma águia. Se o mar era traiçoeiro, as ondas eram instrumentos dele. – Remem!
Sasuke voltou á posição, faltavam poucos metros para adentrarem na tempestade. Ventos frios causavam arrepios na espinha.
Rajadas com chuviscos eram sentidas causando incômodo.
— Não vai ser essa tempestade. – murmurou.
Obito lembrou da fatídica expedição que foi com o seu irmão mais velho, Fugaku. Não pôde deixar de assimilar, a tempestade que vitimou o seu irmão começou parecida com essa que vinha. Ele largou o remo e foi até o Itachi.
— Precisa desviar da rota. – disse preocupado, o sobrinho apenas balançou a cabeça em forma negativa. – Entendo que tem planejado, mas olhe o tamanho de tal tempestade, veja os sinais, pássaros estão fugindo de lá.
— Iremos por lá e pronto.
— Isso é arriscado. – as ondas já batiam no casco de madeira de carvalho da dracar com mais intensidade. – Obito voltou para o lugar se segurando, teve que segurar o mastro durante uma onda que quase inundou o barco. Foi tão de surpresa, que nem a própria Sakura conseguiu se proteger. Estava igual á todos, encharcada.
Olhares assustados e preces para os deuses já podiam ser observados naquele momento. Os céus pareciam que tinham se transformados em trevas, tamanha era a escuridão. A feiticeira se surpreendeu com o tamanho de uma onda, era altíssima. Aquilo causaria estragos.
O mar estava bravio e como ventava forte, aumentava a intensidade.
— O outro barco está saindo da rota. – Shisui apontou.
Itachi assistia de forma estática e apenas ordenava os vikings remarem.
— Vamos sucumbir! – gritou um Viking.
Outra onda cobriu o barco. Izumi foi arrastada para longe e bateu de costas no casco interno. Uma forte pancada. Alguns homens saíram de posição devido ao forte impacto. Sakura foi a única que se manteve firme, pois a onda não a atingiu.
— Cuidado! – disse ela para o Uchiha em escárnio. A própria sabia que aquela situação iria piorar, não temia por si. Nunca viu o mar tão agitado antes.
Sasuke olhou para a dracar sendo inundada, não poderia ficar daquele jeito. Ele largou o remo e caminhou com certa dificuldade, já que a dracar balançava bastante. Chegou no local onde Itachi estava e nessa altura, ele já remava.
— Volte ao seu posto Sasuke! – ordenou ríspido.
— Não! – Itachi o estranhou. – Isso aqui irá sucumbir, não percebe?
O mais velho levantou-se. – Está me desafiando? Acha que não sei lidar com isso?
— Não sabe, está botando todos em risco. – vociferou.
— Vou desviar da rota. – disse com certa aversão, cairá sua ficha um pouco tarde.
— Agora? – debochou. – Não tem escapatória, vamos afundar. – Itachi olhou ao redor e viu o medo entre os tripulantes sendo disseminado. Ele não admitiria que cometeu tamanho erro.
Sasuke percebeu que o irmão estava tão á deriva quanto o barco. Ele subiu um degrau próximo ao timão.
— Prestem atenção em mim, todos! – falou para a tripulação. Eles o olharam sem entender nada. Tinha viking de olho fechado e fazendo todo tipo de voto para Thor.
Sakura o olhou surpresa por tal ação.
— Parem de remar agora! – ordenou, causando espanto e olhares desorientados.
— Está louco Sasuke! – esbravejou Itachi.
— Remar já não adianta de nada, apenas iremos nos desgastar mais ainda e se afundar, não termos como nadar. Você! – apontou para Sakura, ela arregalou os olhos instantaneamente. – Seu elemento.
Ela olhou para os lados, a situação não estava das melhores, o mar estava em fúria.
— Ela? – Itachi o olhou, estava com os dentes cerrados, sentiu tanta raiva no momento que viu ela se levantando ficou sem palavras.
Sasuke se aproximou dela e a puxou pelo braço. – Se tentar alguma gracinha, eu a enforcarei com minhas próprias mãos.
— Vai? – ela o olhou com uma das sobrancelhas erguidas o interrogando.
— Não me desafie. – ele estava sério, demonstrava austeridade.
— Tudo bem, mas são vocês que estão correndo perigo.
— Adeus varinha. – ele sussurrou no ouvido dela. Sakura se desvencilhou dele. Passou a olhar o oceano e suas fortes ondas. Que golpe baixo ele usou.
— gróft sjó. – os vikings a olhavam curiosos. – Mér. – ela estendeu um dos braços. – Mér.— notaram que a outra embarcação estava se aproximando deles. “Até mim” dizia com notoriedade.
— A dracar está retornando! – falou um dos tripulantes pasmo. Sasuke a olhava com certa curiosidade.
Se seu avô confiava nela, tinha algum motivo e ele iria saber. O outro barco se aproximou em segurança, contudo as ondas não cessavam.
Sakura olhou para Sasuke, o viking viu que os olhos da feiticeira brilhavam e um sorriso de lado se apresentava. – Me mostre o que você pode fazer. – ele disse claramente a desafiando.
Todos os olhos estavam nela, era como um picadeiro igual a um circo.
— Apenas observe. – ela o respondeu confiante. Sakura saiu do barco. – Vera enn. – estendeu seus braços.
— Ela...ela, ela anda sobre ás águas. – falou Shisui quase engasgado.
Sakura caminhava sobre o tempestuoso mar como fosse terra firme. – Vera enn.
As ondas não podiam derruba-la. Elas atendiam ao mandar dela. Sakura ninava o agitado oceano. Com o movimento de suas mão, ele foi acalmando seguindo o comando da feiticeira. As ondas diminuíram, outras quebravam quando ela abaixava as mãos.
— Vera enn. – ela repetia com vigor. Era primeira vez que fazia algo daquele modo, acalmar tão contingente de água. Uma árdua tarefa.
No barco a plateia estava deslumbrada assistindo ao espetáculo. Sasuke ergueu o queixo triunfante e aos poucos os vikings perderam o medo. Estavam salvos!
Um por um se aproximou de Sasuke para cumprimenta-lo, dando tapinhas no ombro dele. Porém o a visão dele estava focada nela. Sentiu uma mão afundando em seu ombro, era o seu tio.
— Bom trabalho. – não conteve a alegria. Ele bateu no ombro do tio.
— Não, foi dela.
— Você tomou o controle. – preferiu não comentar. Sabia que tinha desafiado o irmão e era uma grave ação, porém com a insensatez e o orgulho dele, todos poderiam estar mortos nas águas geladas do ártico. Sasuke olhava para ela e percebeu aos poucos que ela estava afundando, de repente não se via mais Sakura.
— Ela afundou? – um disse.
— Ela estava ali e sumiu. Eu vi. – a cada comentário Sasuke ficava apreensivo, ele mordeu o lábio inferior e meneava a cabeça.
— Foi levada pelo deus do mar?
— Sasuke? – Obito o chamou, viu o olhar do sobrinho o Mangekyõ sharigan, ele procurava por ela no vasto oceano. Não teve tempo de responder ao tio e se jogou nas águas mergulhando de cabeça, cada vez mais para dentro. Não se importou com a água congelante, pareciam agulhas entrando em seu corpo. Olhava alguma coisa para encontrar algum vestígio dela.
Sua visão vasculhava as águas agora escuras.
Bolhas saíram de sua narina. Ele sabia que não tinha tempo, logo iria precisar retornar para superfície.
“Onde está ela?”
Sua traqueia já sentia a falta de ar. Bolhas de ar.
Em cima os vikings estavam vasculhando o oceano. Itachi era o único que permanecia sentado ao lado de Izumi. Sua expressão era indecifrável.
Nunca se sentiu tão humilhado. Traído pelo irmão e por quem? Ela.
Sasuke já não conseguiria manter o ar, seu pulmão implorava por qualquer resquício de oxigênio e seu diafragma estava entrando em pressão. Mesmo ele não querendo retornar, teria. Água não era seu elemento.
Quando pensou em subir, ele a viu. Tudo que podia era vê-la diante daquela escuridão.
Sakura estava á sua frente, seus olhos verdes e cabelos que na água pareciam ainda mais róseos. Ela chegou perto dele.
— Veio me salvar? – ele a olhou pasmo, ela podia falar debaixo de água. O corpo dela se aproximou dele. – Pensou que eu iria me afogar? – riu.
Até ali ela o escarniava. – Viking bobo. – ele fez uma careta. Ela passava por ele como uma sereia, ele observava cada movimento dela e então caiu em si, estava respirando ali. Passou a mão no rosto. Como?
Ela segurou as duas mãos dele e o trouxe como fosse uma dança silenciosa. Fogo e água dançando dentro das profundezas do oceano, apenas a água os segurando.
Ele estava maravilhado.
Estamos quite, não é? – referia-se quando ele se exibiu despencando da escarpa, seus braços estavam envolta do pescoço dele.
Aquilo era tão normal para ela.
O homem a puxou pela cintura, seus corpos roçavam um no outro. Tão próximos, o cabelo dela estava flutuando para cima. – É melhor voltamos ou vão achar que você se foi. – ele assentiu.
Nos barcos só havia um comentário: Sasuke foi tragado por ela e foi uma armadilha. Obito tentava acalmar o burburinho instaurado. No entanto, nem o próprio viking tinha fé.
Sasuke estava submerso e havia um bom tempo.
— Querido Thor... – foi interrompido.
— O que é aquilo ali? – apontou o homem.
— Sasuke! – Shisui exclamou boquiaberto.
Ele caminhava pelas águas com ela. Obito estava incrédulo.
Sasuke olhava para baixo e via apenas um abismo de água em seus pés. Estava bobo, caminhando pelo mar.
Parece que estamos quites. – disse, Sakura acatou com um sorriso de vencedora estampado em seu rosto.
Eles dirigiam em direção da dracar, Sasuke foi o primeiro a subir e em seguida se mostrou até um pouco cavalheiro, estendeu a mão e ela pegou. Na dracar havia uma mistura de admiração e raiva, essa vindo por Itachi e seus lacaios.
Sasuke não disse nada e apenas olhou para ele e subitamente gritos de comemoração ecoaram. Estavam celebrando!
— Vamos voltar para casa meus companheiros, verão suas mães, esposas e amantes. – ele disse e alguns sorriram. – Agora remem!
Sasuke sentou-se ao lado da bruxa no mesmo local de antes. Não falaram do que tinha acontecido lá, teve algo diferente, uma química estranha. Ele ofereceu amoras para a feiticeira, que dessa vez aceitou sem hesitar – estava louca para experimentar daquelas frutinhas. Ainda tinha um bom caminho de volta para Hafnarfjörðu.
**
Da baía de Hafnarfjörðu um garoto brincava fazendo castelos de neve, enquanto contemplava sua obra com esmero, percebeu ao longe duas embarcações. Eram eles. Saiu correndo e sem se importar da quantidade de neve que tinha no local, cruzou o vilarejo em alta velocidade até chegar na casa do ancião.
Mikoto tricotava na varanda e viu o garoto passar como um relâmpago.
— Ancião, ancião eles retornaram!
A tormenta tinha se passado e os bravos desbravadores olhavam a costa com empolgação, poucos metros de terra firme e suas famílias. Sakura estava adormecida no chão da dracar e coberta pela pele de urso de Sasuke.
Quando desceram do barco, foram recebidos por festa pela população, parece que todos tinham saído de sua casa e ido cumprimentar cada um. Madara e Mikoto estavam no meio.
A emoção de estar de volta era sem comparação.
Itachi foi um dos primeiros a descer e emburrado. Madara tentou conversar com ele, mas o neto ignoro-o, deixando o avô sem reação.
— Depois lhe explico meu pai. – disse Obito.
Sasuke até tentou acordar a feiticeira, mas não teve sucesso, ela estava em um sono profundo. Não teve escolha e a pegou nos braços adormecida, sob olhares pasmos de Mikoto.
O ancião olhou para o filho, tinha acontecido algo ali. – Explicarei tudo.
— Sasuke? – Mikoto chegou até ele. – Tem coxas de frango assadas, levarei para você. – o filho assentiu. Mikoto não disfarçava o olhar sobre ela.
Ela não teria outras escolhas, teria que sacrificar alguma coisa para Odin, seria inevitável.
**
Sakura despertou aos poucos;Seus olhos ainda sonolentos e embaçados, foram aos poucos voltando ao normal e mal acreditou que estava ali novamente.
Terra firme era um alívio.
Bocejou um pouco e sentou-se sobre seu colchão de feno improvisado, notou que havia melhorias ali, até apalpou para comprovar se era verdade. Alguém colocou feno novo por ali.
Viu que estava trajando um vestido preto e atacado em sua cintura. – Antes que fale, foi minha mãe. – viu o Uchiha sentado e comendo algo.
Sentiu a barriga roncar.
Levantou-se, percebeu que a casa estava limpa e organizada. Puxou uma cadeira e sentou-se á frente dele. Sasuke empurrou o prato com coxas de galinha assadas para ela. Notou que ele as devorava com a mão.
Ela recriminou tal ato. – Porco! – ele deu de ombros.
— Prático. – retrucou. Ela estava com preguiça de ir pegar talheres, então cedeu.
Ela a encarava com um sorriso. – O que foi? – perguntou ela.
— Porca rosada.
— Ha ha. Estou faminta e para seu governo, não sou uma porca.
— Verdade, você é azucrinante, – ela ergueu uma sobrancelha. – Azucrinante como uma abelha. Abelhuda.
—Ora seu...
— Pode me chamar de grande urso branco.
— Urso? Está mais para um filhotinho de urso.
— Calúnia, sou um ursão.
— Pode se iludir. – ela falou.
— Abelhuda. – os dois continuaram entre as trocas de farpas por um bom tempo, contudo o clima entre eles não estava tão pesado quanto antes.
**
Orochimaru tinha terminado de alimentar sua coruja e voltou para sua biblioteca estudar. Desde da visita de Madara, sua mente trabalha em descobrir sobre essa lenda antiga do olho com poderes de despertar dragões.
Pergaminhos e mais pergaminhos.
Indra, fundador do clã Uchiha.
Antigos contos relatavam da história desse guerreiro. Segundo o conto, esse guerreiro tinha o poder ocular supremo, o olho da reencarnação. Era um guerreiro de extrema habilidade e se destacava entre os tantos.
— Magia. – Orochimaru pausou. – O tal guerreiro utilizava magia. Como? – indagou para si o oráculo.
Foi folheando páginas e mais páginas.
Haviam manuscritos sobre o tal olho e tais desolações que ele causava, gerações passadas falavam sobre, no entanto esses relatos eram sempre associados á magia. – Então tem uma base de verdade. – folheou mais algumas páginas. – Os Nottikins se baseiam em poderes absolutos para porventura, abrir tal selo, então é por isso que eles provocam batalhas por onde passam, eles buscam poder para ressuscitar tal olho.
Ele pegou a bola de cristal e posicionou as mãos sobre ela. Sua mente o perturbava. Entreabriu a boca e aos poucos partiu para um estado de transe.
Suas visões o levaram para um vilarejo, era o clã dos feiticeiros. Ele caminhava atrás de uma jovem de cabelos dourados trançados. Sua visão era bem realística, dava a sensação de estar lá. Não entendia o motivo daquela visão.
Ele seguia a jovem bruxa que entrou no palácio e cumprimentou quem encontrou pela frente. Ela foi andando até a biblioteca e entrou em uma área proibida, pergaminhos secretos.
Ela lia com atenção cada palavra dali e conversava sozinha. Orochimaru sentiu um arrepio e sua visão foi cessada.
— Tudo está explicado. Que Odin os ajude!
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