Sob a Aurora
10 Florescendo
Notas iniciais
Akureyri
O dia tinha amanhecido e estava a pleno vapor no clã dos bruxos, literalmente. Alguns bruxos subiram até a cume da grande montanha, ali havia um vulcão ativo. Pela madrugada houveram alguns tremores de terra, eles sabiam que quando isso acontecia, as lavas desciam causando destruição por todo vilarejo.
Sai estava liderando os outros e ficaria ali por um bom tempo, nunca se sabia quando o vulcão entraria em erupção. Perto da cratera vulcânica, ele podia ver as lavas borbulhando, o calor era insuportável, a cada vinte minutos, alguém ia observar trocando de posto.
De lá o jovem bruxo podia avistar de longe as casas do vilarejo, pareciam tão pequenas de cima e mal podia ver seus habitantes, aliás, ele não via e a neblina ajudava.
Olhou para cima e as nuvens pareciam tão próximas de sí, sentiu uma calmaria transitar em sua alma, porém aquilo não demoraria muito.
Quando descesse todo inferno estaria de volta.
Então ficar ali tão perto dos deuses não seria mal.
**
O tremor não garantiu uma boa noite aos residentes do castelo, Hashirama não dormiu e ficou de vigília com a população durante á noite, as lavas poderiam ter descido e destruído tudo, naquele momento, ele sabia que a população não podia enfrentar tamanho desastre natural.
Ino passou á noite acordada, mas o tremor pouco lhe assustou, aliás para ela, aquilo tinha acontecido em um péssimo momento.
Acalmado os ânimos, o chefe do clã voltou ao castelo, ele teria reuniões o dia todo e tinha uma em especial, o futuro noivo de sua filha. O acordo comercial com o Ebisu seria de bom proveito para o clã. E por falar nele, o homem chegou cedo, estava trajando uma roupa preta, era franzino e jovem, tinha um jeito de andar esquisito, puxava de uma perna e tinha um queixo comprido.
Asqueroso, era a definição que a sua futura noiva usou para classifica–lo.
— Soube do susto que pairou por aqui ontem á noite. – ele beijou a mão do líder.
— Foi um susto, mas em qualquer caso, mandamos uma equipe monitorar o vulcão. Precaução nunca é demais.
— É claro, um bom líder sempre averigua.
— Me diga, qual sua pressa em falar comigo? – o ancião sentou–se em sua cadeira, como estava cansado, suas pernas o fatigavam, fez de tudo para esconder um bocejo.
— Sobre o noivado. Eu gostaria de acelerar o casamento. – disse pegando o ancião de surpresa. – Eu terei que viajar e gostaria de já ir compromissado.
— Para quando pretende?
— Se assim permitir, amanhã mesmo gostaria de casar com sua bela e adorável filha. Não precisa de uma grande festa.
— Entendo, que assim seja feito vossa vontade.
**
Ino soube poucos minutos depois que o seu matrimonio tinha sido apressado. No momento, sua irmã Tsunade a abraçava, quase a sufocando. A mais velha estava emotiva, sua irmã caçula iria casar e tão rápido. Tsunade ofereceu o seu vestido para a irmã, que aceitou gentilmente.
— Eu te visitarei toda nova estação. – comentou. – Aqui ficará tão solitário sem você. Sakura morreu...
— Sakura não morreu. – disse ríspida, interrompendo a irmã. – Creio que ela está viva em algum lugar por ai. – ela não odiava a irmã e tinha uma admiração, a única coisa dela que almejava era o seu noivo e isso não iria perder.
— Gostaria de ter a sua fé. Seu casamento será pela manhã. – ela começou a trançar o cabelo da irmã. – Lembro de você pequena.
— Sem dramas, Tsunade. Eu vou me casar e não morrer. – disse e logo um sorriso resplandeceu do seu rosto, a irmã viu pelo reflexo do espelho e achou adorável, sua irmã estava empolgada.
Porém, foi apenas uma ideia macabra que passou pela sua mente.
Após sua irmã trançar seu cabelo, chorar, dar dicas de um bom casamento e lhe contar detalhes aflorados...Ino foi até a sala de porção, onde encontrou a nova ajudante de Kurenai.
Tinha que dar um jeito de tira–la dali, não poderia pegar o que queria com alguém ali. Atrapalharia seus planos.
— Ah, olá! – disse Rin.
— Olá! – ela falou, era uma boa mentirosa e logo encontraria uma saída. – A kurenai pediu que você procurasse sementes de Lupino. – recriminou–se, não devia ter usado o nome da Kurenai, agora era tarde. Deu um sorriso amarelo.
Rin limpou suas mãos no avental e logo o retirou. – Creio que no quintal de minha casa tem algumas. Com licença.
— Toda.
Pegou uma chave onde a Kurenai escondia atrás de um vaso de flores. Colocou a chave na fechadura de um velho armário com uma porta única, conseguiria o que procurava naquele local.
Erva de lobo.
Pegou algumas folhas e guardou.
— Não! – recriminou–se, tentou largar aquilo, mas logo acatou. – Sim!
**
Não foi difícil descobrir que o seu noivo iria fazer uma festa de despedida de solteira em uma taverna local. Era costume beberem e celebrarem antes de casarem.
Não era tão tarde, sabia que o seu pai estaria preocupado com as invasões em outros clãs e o tremor, não a notaria saindo dali.
Pegou sua varinha e abriu um pergaminho antigo, diante do espelho conjurou algumas palavras. – Snúa.— seus cabelos loiros mecha por mecha ganhavam uma nova coloração, um preto escuro.
Seus olhos azuis ganharam uma cor escura e uma pele pálida, dando lhe uma feição fria. Praticamente uma nova mulher. Era um feitiço de transformação.
Alisou as madeixas cuidadosamente. – Não é tão ruim. – admirava o seu próprio reflexo, seu olhar concentrado, sabia que nada daria errado. Ia seguir como uma dança, qual ela repassou os passos mentalmente.
Aliás, ela também merecia se divertir, era sua despedida da vida de solteira.
**
Pingos de chuva caiam, as ruas estavam enlamaçadas e sua capa preta encharcada. Empurrou a porta com certa força e entrou na taverna, estava lotada e uma verdadeira algazarra acontecia ali.
Tochas iluminavam o lugar, porém o lugar ainda era escuro. Os bruxos tinham um jeito estranho de celebrar e quando ficavam bêbados, ás vezes conjuravam feitiços desconexos, no caso, Ino percebeu que ali tinham feito isso, havia alguns bonecos de neve dançando no meio de uma mesa e um outro contando uma piada.
Qual a diferença entre o boneco de neve e a boneca de neve? As bolas de neve! – contou o boneco, com um estranho nariz de cenoura, fazendo os homens sorrirem.
Mulheres seguravam grandes taças de bebidas e distribuíam pelas mesas, era um lugar degradante e todo tipo de escória estava por ali. Uma jovem como Ino nunca deveria ir em local como aquele.
Sentiu um homem fungando seu pescoço, tratou de afastar. Seu rosto demostrava nojo e impaciência. Parece que o seu futuro marido tinha um péssimo gosto, era um selvagem.
Avistou o homem comemorando em uma mesa, bebia uma enorme caneca de bebida e admirava outras mulheres.
Aquilo seria fácil, deduziu. Caminhou até o grande barril e encheu uma caneca de cerva, tirou de seu decote um líquido e despejou ali.
De um outro lado, dois homens brigavam por causa de uma mulher, um segurou uma cadeira e arrebentou nas costas do outro. Ino sorriu, tinha seu lado sádico.
Porém, não iria perder o tempo vendo uma briga qualquer, caminhou até á mesa onde estava o seu marido.
— Mais? – ofereceu a caneca, o homem logo aceitou.
— Que linda! – exclamou um outro, ela soltou um beijinho para ele. Era o irmão do Ebisu. – Vamos um outro brinde ao meu irmão, amanhã está com a sua esposa! – ele fez um gesto obsceno. Ino lamentou ter colocado todo seu estoque de erva do lobo na bebida do Ebisu, seu irmão também merecia.
Observou com satisfação o seu futuro marido beber daquilo com todo prazer. Sorriu e deu um jeito de desviar a atenção do futuro cunhado. Saiu discretamente da taverna, nem a chuva a incomodava mais. Mal podia aguardar pela manhã seguinte.
**
Pela madrugada um fraco tremor foi sentido, mas nada grave. Logo pela manhã, Tsunade a acordou para a preparar para o casamento, viu que o rosto da irmão reluzia a felicidade, se alegrou com aquilo. Afinal sua irmã caçula merecia tudo de bom!
Ino estava feliz; pediu para sua irmã fazer uma trança embutida em seu cabelo e a ajustasse um pouco do busto do vestido e claro o decote.
Após terminar a preparação, seu pai a aguardava para leva–la até o noivo. Abraçou sua pequena menina e beijou sua testa.
— Papai, se o verem chorando, o que vão achar? – disse ela, causando risos no pai. Ela segurou o braço dele e caminharam. – Sempre o escreverei, todos os dias.
— Aguardarei minha filha. – quando chegaram no salão, o noivo já estava lá com alguns familiares. Caminhou vagarosamente, fazia cálculos mentais. Já deveria ter acontecido.
Será que falhou? Perguntou–se, mas logo viu que não, até que algo estranho foi notado pelos convidados, o noivo estava passando mal. O irmão o amparou.
Logo os burburinhos foram aumentando. Hashirama deixou Ino e foi ver o que acontecia.
— Tsunade! – a chamou, a primogênita era curandeira do clã.
Ino olhava curiosa a situação. – Que azar. – o oráculo ficou do seu lado. – Será que vão ter que adiar o seu casamento, eu já estava festejando por você ir embora, sua alma negra. – ele era um dos mais animados com o casamento dela.
Ela o olhou de soslaio. – Parece que vai ter que me aguentar por muito mais tempo. – disse séria.
Ele a olhou sem saber o que significava aquilo, viu em seu rosto uma expressão calculista e fria.
Ouve gritos perto do noivo, choro.
— O noivo está morto! – exclamou Tsunade chocada.
— Você? – o oráculo a olhou aterrorizado. Ino levou a mão a boca e fingiu estar em choque.
Erva de lobo ou seu nome cientifico Aconitum lycoctonum, era uma planta extremamente venenosa, que crescia nas regiões montanhosas, elas possuíam uma grande quantidade de veneno, que era capaz de matar um homem em questão de horas.
Hashirama a acolheu, enquanto os convidados estavam perplexos diante da situação. O sorriso arteiro da bruxa para o oráculo foi a última coisa que ela fez, antes de fingir um desmaio.
Hafnarfjörður
Madara não estava nada calmo com aquela situação; logo após chegarem de viagem, Obito relatou os acontecimentos ao pai, qual ficou furioso com o seu neto. Por uma decisão orgulhosa, Itachi quase causou a morte dos guerreiros.
Itachi estava adiante dele e não diferente do avô, estava bufando pelas narinas.
— Agiu como uma criança, irresponsável, desnaturado!
— Eu pensei em fazer o melhor. – esbravejou.
— Quase matando a todos.
— O que queria? Eu não iria me render aquela criatura repugnante. – ele tinha ódio profundo por Sakura e a cada dia, se arrependia de não ter a matado onde a encontrou.
— Graças a Odin seu irmão tomou a iniciativa.
— Me desautorizou na frente de todos. Me humilhou!
— Agradeça sua vida a ele. – Itachi trincou o maxilar, fechou o punho, estava dentro de um cálice de ira.
Sasuke...ele ainda iria arrumar um jeito de arrumar e acertar as contas com o irmão.
Madara percebeu o ódio do neto e resolveu lançar mais chamas na fogueira inflamada de Itachi. – Agradeça a ela também.
— A defende tanto ela, o que é? A deseja como mulher, tem um caso com ela?
Madara ergueu de onde estava, cerrou o punho e desferiu um golpe no queixo do neto, Itachi pensou em atacar. – Venha! Seja homem, sabe que eu nunca teria nada com ela, seria uma afronta a Odin.
Itachi limpava o sangue de sua boca. – Sabe que eu sou melhor que você, estou jovem e irei te substituir.
— Não conte com isso por enquanto, ainda tenho muita vida pela frente e trate de sair daqui agora, ou esquecerei que sou seu avô.
Saiu da casa do líder furioso, nem respondeu a sua mão que estava adentrando na casa.
— Isso não vai ficar desse jeito. – disse.
— Como foi? – perguntou Shisui, qual o esperava na saída.
— Aquele velho anda me subestimando. – sorriu. – Ele mal espera.
— O que fará? – sabia das intenções de Itachi em ter o cargo do avô.
— Eu vou aguardar até a próxima ordem dele e assim, analisarei bem o que eu vou fazer e isso cabe a ela, aquela bruxa mal perde por esperar. – sua mente era ardilosa e sua ambição trabalhava em conjunto, tinha em mente o que faria, porém precisaria de um pouco de tempo e principalmente aliados, o que não seria difícil, pois ele mesmo atuava fazendo uma campanha negativa para o seu avô.
**
Sem saber que a poucos metros dali alguém conspirava contra ela, Sakura olhava a janela. Estava completamente entediada por estar ali. Nos últimos dias, Sasuke tinha saído e ficou uns dois dias na baia pescando, a deixando em casa trancada.
Como não tinha muito com o que passar o tempo, acabava fazendo algumas tarefas domesticas e xingando o viking por aquilo. Ela era uma bruxa poderosa e lá estava fazendo comida para o Viking que a aprisionou.
Bufou.
Pela janela ela via algumas crianças se divertindo com a neve colorida, estavam fascinadas e não tinham ideia que aquilo era uma magia. Prontamente viu Sasuke parado ali olhando os flocos de neve colorido caindo, olhava com certa estranheza para aquilo.
Só podia ser ela...
— Olha, olha essa. – uma das crianças falava. – É rosa! – o mostrou maravilhada com aquilo.
Sakura travou uma briga consigo mesmo, deveria ou não deveria, enfim entrou em uma conclusão: Deveria.
Sasuke não admitiria, mas estava achando incrível os flocos coloridos caindo, não demonstrava o seu entusiasmo como as crianças que pulavam e jogavam uma na outra, mas por dentro se sentiu um pouco de nostalgia de sua infância.
— Está bem tio? – uma criança o perguntou, logo após ele ser atingido por uma bola de neve de cor rosa e bem no rosto. Ele limpou o rosto e outras mais vinha em sua direção. – Tio?
Ele começou a se desvencilhar das bolas, para gargalhadas das crianças que se divertiam com a cena.
Alguns minutos ele entrou em casa, a bruxa estava bebendo uma caneca d´agua, só assim conseguiu parar com sua crise de riso.
— Você! – apontou para ela.
— Eu? – apontou para si mesma. – Eu o quê?
— Adivinha. – ela deu de ombros. Ela foi dar outro gole na água.
— Merda! – estava quentíssima. – Você! – apontou para ele.
— Eu? – disse sarcasticamente. – Muito engraçada você, bola de neve.
— Doeu ursinho? – o provocou.
— Queimou abelhuda? – ela passava o dedo nos lábios, estavam bem vermelhos. – Você que iniciou.
Frysta. – disse, passava gelo em seus lábios. – Você me paga.
— Tem comida? – ele retirou a sua pele de urso, Sakura viu vários flocos de neve caindo no chão e a bota cheia de lama do Uchiha sujar o piso que ela tinha limpado.
Sasuke viu a face da bruxa transformar em fúria, Sakura estreitou os olhos e estava ficando vermelha.
— Você! – ela já estava iniciando uma conjuração de feitiço.
Estendeu a mão em sua direção. – Eu vou limpar, calma. – disse rapidamente. A última vez que viu alguém com esse olhar foi Mikoto Uchiha e não terminou bem, uma vassoura foi quebrada nele.
**
Sasuke comia com uma certa pressa, o ensopado de lentilhas que estava delicioso, ele não tinha do que reclamar da cozinha dos bruxos, os pratos eram deliciosos e temperados. Tão diferentes.
— Por que tanta pressa? – ela a questionou.
— Tenho que sair, tenho que ir acima das colinas perto da floresta.
— Para?
— Lá há colmeias, que um casal de idosos cuida, porém nessa época alguns ursos aparecem por lá atrás dos favos de mel, vou ajuda–los.
— Vai me deixar sozinha aqui novamente? – ela o encarou.
— Você é a minha prisioneira, abelhuda. Ou você sente minha falta quando eu fico longe?
— Sonhe. Não tem nada para fazer por aqui, é entediante.
— Seria mais fácil dizer que sente minha falta. – sorriu.
— Olha, parece que alguém quer ficar sem comida. – seu sorriso logo se desfez. – Aliás, eu não sou sua escrava para ficar limpando, varrendo e cozinhando para você.
— Você é uma prisioneira e geralmente quando capturamos pessoas, o fazemos de escravos.
— Não comigo. Eu faço para passar o tempo. – ela encostou seu queixo sobre a mão.
— Pode vim comigo, mas nada de gracinha. – ele se solidarizou com ela.
— Excelente! – disse, ela sorriu de canto a canto, ele gostava de vê–la sorrindo, admitia que gostava da companhia dela. – Ótimo, quando terminar de comer, lave os pratos e iremos. – ele fechou o rosto.
**
Após terminar de lavar as louças, ele trocou uma nova roupa e colocou sua pele de urso. Pegou o seu machado e colocou atrás das costas. Ajeitou a bota e desceu, Sakura estava arrumada com trajes típicos do clã dele, uma calça, bota e uma blusa de mangas compridas preta. Ele retornou ao quarto e pegou uma outra pele de urso. Desceu e praticamente jogou nela.
— Lá faz muito frio.
— Eu não tenho problema com frio. – disse, então ele revirou os olhos e lembrou do elemento dela.
—Seu poder é água, como congela as coisas?
— Feitiço.
— O tal do frysta, frysta. – ela riu quando ele fez uma voz fina para tentar imita–la. – Todos conseguem em seu clã?
— Não, nem todos conseguem. – ela ainda sorria, ele a encarou. – Foi engraçado você falando.
— Hm...
Ela pegou a pele de urso, era pesada. Sasuke a pegou e a colocou sobre ela, a cabeça do urso servia como um capuz, o que não deu muito certo com a bruxa, já que sua cabeça era pequena.
— É pesada! – reclamou.
— Eu usava essa quando eu adolescente, foi o primeiro urso que matei e tinha uns treze anos – disse orgulhoso.
— Não perguntei. – ela torceu o nariz. Os dois andaram pelo vilarejo, olhares curiosos eram lançados sobre Sakura, não tinha uma única pessoa que não olhava. A bruxa não se incomodava com os olhares, dava uma boa esnobada, não se deixava levar com isso, até gostava dos holofotes.
— Como está Sasuke? – um viking apareceu, Sakura logo lembrou que ele estava na viagem para Denmag. – Feiticeira. – a cumprimentou, a deixando surpresa.
— Estou bem, Anilka. Como está a família? – ele continuava andando.
— Vão bem, estou indo até o ferreiro, até mais Uchiha e você. – ela apenas meneou a cabeça positivamente.
Sakura olhava o movimento da vila, era simples e um pouco diferente da sua. Notou que todos respeitavam Sasuke, sempre o cumprimentavam e o Uchiha correspondia discretamente.
— Sasuke! – uma menina pequena de aparentemente uns sete anos apareceu, o viking a pegou nos braços. – Papai mandou eu avisar que já tem filhotes novo. Eles estão bem grandinhos.
— Diga ao seu pai que irei passar mais tarde por lá e pegarei. – ele apertou o nariz dela.
— Vou dizer a ele. Sasuke, essa é a bruxa?
— Sim, essa é a bruxa. – Sakura a ignorou.
— Ela é diferente do que a mamãe disse. – disse a menina. – Ela é muito bonita.
— Hm...é sim. – o Viking concordou com a menina. – Porém, é muito chata.
Sakura protestou.
— Eu estou indo até a floresta acima da colina, quer ir comigo? – a menina negou. – Então, terei que deixa–la aqui, pequena. Diga ao seu pai, que quando retornar passarei por lá. – a menina pulou do braço de Sasuke. – Vamos nos apressar um pouco, caso chegaremos apenas ao anoitecer.
— Filhotes?
— Cão. Para caça, o meu morreu por idade um tempo atrás. Quando Itachi a encurralou, ele tinha cães, lembra?
— Como esquecer. – disse irônica. Seguiram, pouco tempo depois estavam afastados do vilarejo, caminharam em linha reta, Sakura avistou a enorme colina de forma íngreme ao longe, seria uma longa subida e cansativa, pois ela estava coberta por neve.
Antes de alcançarem o sopé da colina, havia uma rio de baixo percurso e com algumas rochas visíveis, já que suas águas eram cristalinas. Sasuke pulou a primeira rocha e em seguida Sakura, depois de pularem as rochas, Sakura se abaixou e foi encher um cantil com a água doce e gelada.
A vegetação estava congelada, pinheiros assumiam uma forma branca, outras arvores tinham perdidos suas vastas folhas, exibindo seus galhos com neve. Era uma paisagem única, dando a impressão de ser um novo mundo, totalmente branco.
Eles foram subindo, o silêncio ali era de se apreciar, só conseguiam ouvir o barulho das pisadas e quando quebravam alguns galhos de árvores. Uma raposa branca cruzou a frente dos dois, logo fugiu. Era uma espécie adorável e muito bonita, parecia um lobo, exceto pelo tamanho.
Sasuke apontou para uma formação rochosa, onde havia um pinheiro retorcido brotando da íngreme Rocha. – Uma linda vista, não é?
Sakura preferiu o ignorar e abriu o seu cantil para beber um pouconde água. — Você é tão soberba, cheia de si. – ele pronunciou. – Nunca vi alguém como você. Não custa falar, sabia?
— Temos que andar, não é?
— Humpft. – ela riu. – Parece que gosta de me fazer raiva.
— Um pouco. Você é bem idiota, eu me divirto.
— Ser superior, me desculpe. – usou do sarcasmo. Ele subiu uma rocha e estendeu a mão para ajuda–la. – Obrigado. – insinuou, ela não agradeceria mesmo.
— Hm.
— O que você fazia no seu clã?
— Trabalha com o meu pai, ele sempre me enviava em missões, negociar mercadorias, expedições e sempre cuidava das estratégias. – ele a olhou um pouco incrédulo e duvidando. – O que foi?
— Nada. – havia uma outra rocha pela frente, era um pouco escorregadia, novamente ele deu a mão e ela subiu. Ele escorregou para trás e ela caiu por cima dele. – Esse não é um bom lugar para ficar em cima de mim. – insinuou um sorrisinho, antes que Sakura o batesse, ele colocou a mão sobre a boca dela.
Um bramido alto foi ouvido.
Sakura o olhava, estava com os olhos arregalados e nada satisfeita com a situação, já que uma outra mão dele estava em sua costa.
Um outro bramido e agora perto. Sakura ergueu sua cabeça aos poucos, não muito longe ela viu um urso e ele não parecia estar feliz. Desvencilhou da mão de Sasuke e falou baixo:
— Tem urso enorme ali. – esperou que a reação do Uchiha fosse de medo, susto ou algo, mas ele nada demonstrou.
— Eu sei que está bom ficar em cima de mim, mas terei que cuidar daquilo.
Ela mostrou indignação.
Ele a derrubou de lado, ela praticamente caiu de cara na neve. – Como ousa?
Sasuke nada disse e andou até o urso, chamava sua atenção com um galho de árvore. O urso branco, conhecido como polar, tinha um metro e noventa e aproximadamente uns quinhentos quilos.
Sakura o assistia irritando o urso.
— Ele é louco ou o quê?– falou vendo aquilo, só a mão dele era maior que a cabeça dele.
“ Ele provavelmente vai usar seu poder.” – pensou.
O urso deu uma patada, Sasuke desviou com extrema habilidade. O mamífero de grandes patas, bramia cada vez mais alto. Sasuke aproveitou um momento de distração e aproveitou para pular nas costas dele, segurou o seu pescoço, o urso movia–se inquietamente. Alcançou sua costa e pegou o machado, o acertando e inclinou para trás, o viking apressou–se em sair dali.
A pele branca havia rastros vermelhos, não machucou muito, no entanto conseguiu aumentar a fúria do animal, que enraivecido veio com tudo, jogando o Uchiha, próximo de Sakura, ele caiu ali, a neve o aparou.
A bruxa o olhou aterrorizada. – Oi, se divertindo? – disse em um tom brincalhão.
— Você é louco!
Ele levantou–sene estralou os dedos. – Fica ai, abelhuda, eu resolvo!
Ele partiu para cima do urso, qual o esperava de pé, travaram quase um desafio de braços, cujo Sasuke media forças com urso, ali só corria um risco: o urso abocanhar sua cabeça.
Ele poderia muito bem usar os seus poderes, tanto o ocular quanto seu elemento, mas ele preferia enfrentar braçalmente, já que o urso significa em sua cultura o símbolo do guerreiro nobre, qual lutava pela sua vida e nunca se abatia.
Sasuke se equilibrou nos braços do urso e ali ergueu suas pernas dando um chute no estômago do animal, era um ponto fraco dos ursos, qual tropeçou para trás e caiu. Suas patas tentavam afastar o homem, ainda conseguiu machuca–lo com suas unhas amoladas, rasgando a pele de seu braço e lombar, Sasuke revidou com um ponta–pé nele, sua intenção não era mata–lo e sim o afugenta–lo.
Sasuke ficou de pé e começou a imitar o som do bramido, o urso desorientado andava na direção do viking. Sakura viu que o urso voltava e por impulso fez um feitiço, uma flecha de gelo foi na direção dele que deu um passo trás. Sasuke ainda o afugentava, até que ele foi embora correndo, um claro sinal para os outros ursos qual saíram dali.
O viking pegou o seu machado no chão e caminhou até a bruxa, qual retirava a neve de si.
— Quem te deu autorização? – ele não gostou do que ela fez. – Estava com medo que eu me machucasse? – encostou perto dela, podia sentir a fumaça de gelo saindo de sua boca. – Ficou com medo? – a encurralou, fazendo ela bater de costas na árvore. – Teve medo que eu me machucasse?
— Não. – o que era mentira, ela teve medo.
— É?– ele a persuadia.
— Você está sangrando. – tratou de mudar de assunto, viu que sua lombar tinha um corte.
— Nem estou sentido, gosto da dor. – Sakura estreitou os olhos.
— Que tipo de maluco é você? – ele a surpreendeu, aquele homem era insano, porém corajoso, não podia negar que sim, poderia chama–lo de urso, já que ele lutou força a força com um.
— Do pior tipo que tem. Vamos. – alguns metros, Sakura avistou uma aconchegante casa de madeira com duas janelas no meio da neve, seu telhado estava repleto de gelo e o nível nival dali cobria as paredes.
Cada passo, suas botas afundavam na neve era difícil se locomover por ali. Chegaram na porta da casa e Sasuke bateu, imediatamente uma senhora veio abrir. Tinha cabelos brancos e estava em coque.
— Bem que eu ouvi os bramidos, era você brincando com eles. – disse gentilmente a senhora.
“ Brincando?” pensou a bruxa.
— Pode entrar. Oh, que adorável mulher, vejo que encontrou sua ursa, Sasuke.
— Está mais para abelha azucrinante. – riu, ao contrário da bruxa que o encarava séria.
— Que linda viking, fazem um lindo casa! – ela deu um abraço apertado em Sakura, qual não teve reação. Sakura abriu a boca para falar, mas foi repreendida por Sasuke. – Esses ursos nos atrapalham tanto, há vários dias que estamos sem sair de casa.
Um senhor apareceu, tinha poucos cabelos na cabeça e eram brancos. – Se não é o urso! Agradeço a Odin por ter vindo. Poderei ver as abelhas.
O senhor pegou uma capa e as visitas o acompanharam até o fora, haviam muitas arvores por ali e em cada galho tinha uma colmeia. – Fizeram um pequeno estrago.
— No verão irei providenciar cercas. – Sasuke disse.
— Agradeço muito, Uchiha. – o homem ajeitava com uma escada e inspecionava as colmeias. – Enfim achou alguém.
— Hm? – disse em entender.
— Ela. – apontou. – É muito bonita.
— Sim. – disse, observava Sakura qual prestava atenção em alguma coisa que a senhora falava. Tinha dias que não tirava ela da cabeça. Ela já estava com há um mês, os dois compartilhavam a mesma casa, costumes, brigas. O único momento que se entendiam era durante as refeições. Ele já estava tão acostumado com a presença dela, era como alguém de anos ali.
Não era fácil ter ela por ai, afinal era uma mulher e ele um homem com desejos.
— Aqui sua recompensa. – a senhora o entregou uma cesta repleta de favos de mel. – Vai ficar para o jantar?
— Não, estamos voltando. – disse.
— Sempre tão apressado. – Sasuke se despediu do casal de idosos, Sakura levava a cesta, sentiu um pouco de tristeza ao lembrar que iria refazer todo o caminho de volta.
**
No percurso e depois de uma boa caminhada, Sasuke sentou–se abaixo de uma árvore e assim a bruxa o acompanhou. Ele abriu a cesta e pegou um favo e a ofereceu, qual não recusou.
Era delicioso, um verdadeiro néctar dos deuses. O viking se lambuzava naquilo. Sakura era um pouco mais discreta.
— Bom, não é? Hm, não sei porque te pergunto.
— É bom. – respondeu. – Muito gostoso.
“ O mel fazia milagres.” – pensou ele.
Sakura cruzou as pernas e olhava a visão, um campo branco de neve com arvores.
– Você deve sentir falta do seu povo, não é?
— Sim.
— Tem irmãos?
— Duas irmãs.
— Sentem sua falta? – ele mastigava um favo.
Imagino que sim, elas meu pai, meu...meu noivo.
Após escutar essa palavra, ele pode jurar que o doce se transformou em fel, não gostou de saber disso.
— Noivo? – balançou o cabelo.
— É. – falou.
— Gosta dele? – ele a olhava e por dentro se perguntava por que não gostou de saber daquilo.
Gosta dele era uma pergunta difícil para Sakura, se fosse “ gosta dele como amigo” ela responderia facilmente.
— Gosta dele? – ele perguntou incisivo.
— É complicado. – ela encostou–se no tronco da árvore. – Ele é meu amigo. – percebeu que ele queria saber mais. – Meu pai descobriu que dormimos juntos uma vez e para evitar boatos, nos pediu, em outras palavras ordenou.
— Dormiram. – disse sorrateiro. – E ficou noiva por isso?
— É. – falou e encostou a cabeça no tronco.
— Ele é do tipo que enfrenta um urso? – se sobrepôs.
— Ele é ajuizado. – riu. A pergunta do viking a fez refletir um pouco, sentia falta de casa, suas irmãs, seu pai, porém seu noivo era tão vago.
Amizade.
Ela e Sai costumavam a falar sobre isso e sempre caiam na possibilidade que não funcionaria, mas pelo respeito pelo líder.
— E você, o que faz da vida? Além de dormir, sujar a casa e brigar com ursos.
— Sou pescador. É inverno, não saio para pescar em alto mar, porém pesco. Tenho uma sociedade com o meu tio, ele constrói os barcos e eu pesco, fornecemos nossos peixes por ai. Temos clientes fixos, muitos clãs importantes, como os Uzumakis, conhece?
— Sim, eles fornecem cereais, não é? – ele assentiu.
— Não pensa em ser o líder do seu clã?
— Não, isso não é para mim e não tenho interesse. – falou ríspido. – Isso é para o meu irmão, o sonho dele.
— Não creio que ele tem capacidade. – sentiu o dedo de Sasuke no canto de sua boca.
— Estou apenas limpando. – disse, enquanto passava os dedos sobre os lábios dela, logo percebeu que o contornava.
Ela ficou imobilizada. – Tem mel.
Ele cessou o movimento, lembrou do que o seu avô disse. Ela era proibida.
Em alguns instantes de seu dia se deflagrava pensando nela, era engraçado do modo que ela empinava o nariz. Não era de um tipo qualquer, tinha opinião, ela era poderosa.
Enquanto ela comia o favo de mel, a mente dele guardava aquele momento.
Ainda está sangrando. – pegou o braço dele. – Consegue lidar com uma fina camada de sangue para coagular o sangue?
Eu lutei com um urso.
Eu sei, eu entendi, eu vi! – ele riu, era adorável. Ela assim fez uma leve camada de gelo sobre o corte dele.
Você é linda! – disse olhando em seus olhos. – Posso te dizer algo? – ela assentiu um pouco desconfiada. – É uma pena você ser uma bruxa, porque você é o favo de mel, qual sempre procurei. – precisava dizer aquilo. – Vamos.
Desejava a mulher proibida.
**
Ele tinha ido para uma taverna com o tio, assim que retornou. Obito contava alegremente seus planos, estava dando inicio a uma nova dracar. Mostrou os planos e Sasuke ficou empolgado com a ideia. Pelo ao menos algo o deixou o feliz ali.
Noiva.
Ao pensar nessa palavra, deu um gole na brennivín, era uma bebida forte, como uma cachaça dos vikings, boa parte de seu liquido era extraído das batatas e fermentada.
— Vou aproveitar o inverno e construir. – disse empolgado. Uma velha conhecida de Sasuke chegou perto dele.
— Iremos procurar novos mercados pelo leste, eles não tem cultura de pescar e fornecem alguns metais em troca. – falou.
— Oi urso. – passou a mão nos ombros dele. – Esqueceu de mim? – falou manhosamente. Obito olhava curioso e não escondeu o sorriso. – Sinto sua falta.
— Estou ocupado.
— Não me deseja mais? – ele a olhou, claro... se ela tivesse, cabelos rosados, olhos verdes e fosse uma bruxa. Sim, a desejaria.
— Eu tenho que ir. Até mais, tio. – se retirou da taverna, deixando o tio inquieto.
“Sasuke recusou uma mulher? ”– ecoou na cabeça dele.
Foi uma longa caminhada até retornar, martelava tantas questões em sua cabeça, queria retira–la de lá, ela era a causadora daquilo. A única.
Não era um homem que fugia de seus desafios, gostava de encara–los de frente e não era tão orgulhoso a ponto de não expressar o que sentia.
Ela que era orgulhosa.
Gelada.
Sakura estava deitada olhando para o teto.
O favo de mel que sempre procurei...
Ela pegou o travesseiro e afundou em seu rosto. Ursos gostam de mel. Ele gostava dela? Pensou porque não foi capaz de dar uma resposta. Aquele urso...
...é, é lamentável você ser um viking.
Sasuke chegou em casa, assim que o viu fechou o rosto. Novamente o tédio tomava conta dela, ficar sozinha ali era uma prova mental que a consumia e mais com aqueles sentimentos.
Os dois cruzaram os olhares por breve momento.
Sasuke decidiu ir para o seu quarto, ela bufou e afundou–se no colchão.
Tinha uma atmosfera entre os dois, estava densa e podia sentir, ela sentia o mesmo, no entanto não iria demonstrar.
Era um sentimento confuso.
Assim que fechou os seus olhos. – Sabe o que é horrível? – ela despertou, ele estava á sua frente. – É gostar de uma pessoa e não poder toca–la, isso é uma merda. – ela sentou–se no colchão.
O que ele estava dizendo?
— Mas, sabe o que é ainda pior do que isso? É sentir esse sentimento por uma mulher, que tem um gelo em seu coração e orgulhosa, qual nunca irá admitir que sente o mesmo. Isso é uma merda maior ainda. É! Você não tem a mínima ideia do que eu penso de que fazer com você, você não tem ideia do quanto eu quero você, desejo você. – ela continuava inexpressiva, o que fez pensar que estava expressando seus sentimentos para um iceberg, porém precisava desabafar.
Assim se sentiu bem e agora ela tinha as respostas.
— Eu sou uma bruxa e você um viking, água e fogo, tão diferentes. – disse em um tom amargurado. – Seremos amaldiçoados por Odin se ousamos fazer algo, eu não sei das consequências.
Ela sentia o mesmo, aquilo tirou um peso de si.
Definitivamente aquele favo de mel proibido, era o mais delicioso, ele queria saborear e nem Odin poderia o deter disso.
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