A aurora dava seu espetáculo no céu, cores que fulgiam claras e roxas dançavam de forma magistral e divina acima dos mortais que ali celebravam. Era a primeira noite delas tecendo o infinito céu. Pela lenda nórdica, as auroras eram espíritos dançantes de humanos que se foram e estavam celebrando no céu, então sua primeira aparição era algo de celebrar. Em volta de uma fogueira mulheres dançavam e homens tocavam seus mais rústicos instrumentos de sopro, fazendo aquela melodia ecoar pelo vilarejo.

As flamejantes labaredas da fogueira esquentavam os que estavam ao seu redor e assavam os peixes por ali. Um pouco afastado da aglomeração, Itachi conversava com Shisui, eles estavam atentos que o líder iria anunciar algo durante os próximos dias, porém eles não sabiam o conteúdo e o que ele faria. Desde da última discussão ele ficou de longe o que se sucedia com o seu avô, porém isso não o impediu de continuar sua campanha suja influenciando alguns vikings a se rebelar contra Madara. Nada novo sob a aurora, já pensava Madara, qual não era tolo e sabia das intensões do neto.

Ambição aquilo que nos faz criar o nosso próprio caminho. Itachi trilhava o seu como uma formiguinha antes do inverno ajuntando os seus alimentos até a chegada da grande estação.

Mikoto observava algumas crianças correrem ao longe, elas estavam descobrindo aos poucos como lidarem com os poderes que emanavam de suas mãos. O fogo.

Não deixou de recordar de seus dois filhos e quando eles tinham essa idade, ela mesma cuidou de ensina–los, já que seu marido sempre vivia no mar e cuidava dos assuntos do clã. Aquela velha nostalgia bateu nela, se perguntou como não viu o tempo passar, seus filhos agora eram homens grandes e responsáveis.

— Onde está o Sasuke? – Madara se aproximou dela. – Ele perdendo a festa das luzes?

— É, eu não notei ele por aqui.

— Ele anda sumido, Obito disse que ele mal aparece na taberna. – a cada palavra dita pelo ancião o coração de mãe recebia uma pontada. Só podia ser algo relacionado a feiticeira.

— Madara, o que pretende fazer com ela? Depois do inverno deixará ela ir ou a matará? – o líder franziu o cenho. – Não podemos esquecer que ela é de um clã inimigo. Ela pode contar informações valiosas.

— Eu sei. Eu estou pensando nisso, Mikoto. – e cada pensamento do que fazer era como uma jogada de xadrez, precisava ser pensada, porém seu oráculo insistiu que ele não ia precisar em muita coisa e com o tempo tudo aquilo iria se suceder. Devia confiar no seu oráculo? Ele nunca tinha falhado. Ele olhou ao longe e viu o oráculo, era raro ele sair de sua casinha ao leste. Orochimaru era um homem interessante e de hábitos estranhos. Poucos por ali na aldeia o conheciam, já que ele tem um estilo reservado e gostava de passar o tempo na companhia de sua coruja.

Porém, ninguém resistia a dança das auroras.

— Amanhã cedo irei na casa dele. – diariamente ela levava incensos ao alto da montanha em um pequeno altar para Odin e ali fazia suas preces.

“ Afastai qualquer sentimento entre eles.”

— Ela não parece ser má. É culta e tem uma boa conversa. – Madara falou, em algumas ocasiões ele falava com ela. – Uma jovem interessante.

— Em qual sentido? – a mulher o perguntou.

— Poderosa.

— O poder dela pode ser interessante, mas creio que é outro tipo de coisa que interessa o meu filho.

— Novamente com essa ideia. Sasuke não se envolveria com ela, ele sabe. – Mikoto revirou os olhos, pensou que a idade do Madara poderia estra prejudicando o seu julgamento.

Itachi estaria certo? No entanto ela não queria pensar nisso no momento só Sasuke a interessava.

**

Na pequena casa com o telhado coberto por grama antes verde e agora um branco congelado, os dois moradores da casa estavam em um aparente silêncio. Estavam deitados no chão perto da lareira observando o fogo consumir a madeira pouco a pouco.

Os dois não tinham professado uma paixão ou sentimento parecido com amor, completamente longe disso.

Eram apenas duas pessoas que dividiam a mesma casa e que estavam atraídos, não podiam negar a alta atração que sentiam um pelo o outro. Era como o imã cargas diferentes que se atraiam. Lei da física ou a simples lei da convivência, ou se ama ou odeia. Eles estavam em um meio termo.

Desde da confissão de Sasuke e uma discreta aceitação de Sakura, os dois não tocaram no assunto. Porém a carga elétrica existia, mas do que adiantava se não podiam.

Aliás...por Sasuke já teria ocorrido uma certa aproximação do jeito dele, mas ela era arisca e cabeça dura.

— Então o seu outro cachorro se chamava urso? – ela perguntou e aquela pergunta tinha um alto teor de sarcasmo.

— Sim. Ele era branco e tinha uns olhos negros. Muito esperto. – lembrou do antigo animal companheiro de caça e o que dividia sua cama. – Urso. – e assim passou os dez minutos dissertando sobre as peripécias do cachorro.

— Dormia com você? – Sakura segurou o riso.

— Está com ciúmes? – ele revidou.

— Me poupe. – ela levantou–se e foi em direção da janela. A aurora ali dançando. Não demorou muito para ele se aproximar por trás dela e rodear a cintura dela com as mãos. Era como um urso grande e quente a abraçando, ela estremeceu.

— Na sua terra é assim? – ele apoiou a queixo dele no ombro dela.

— Sim.

“Como ele era persuasivo.”

— Da mesma cor. Acho que somos agraciados pelo o mesmo céu, devemos agradecer a Odin. – ela disse contemplando a aurora.

Ele estreitou os olhos, ali era uma palavra que ele nos últimos dias estava detestando “Odin”

O deus nórdico ao invés de ajuda–lo, estava atrapalhando.

— O–din. – falou separando as palavras. Ele nunca fora considerado um crente, ia nas celebrações ao deus apenas por ir, também não era um descrente. Mas naquele momento com ela entre os seus braços estava quase se declarando um ateu.

Sakura sentia a respiração dele em seu pescoço cada vez mais perto e até aqueles lábios roçarem e ela se soltar dele igual um gato pulando com medo da água.

— Que deus chato. – disse frustrado.

— O quê? – ela não tinha escutado bem.

— Que noite fria. – falou. – Que noite fria. – ele disse fitando o olho dela e tentando disfarçar o sorriso cínico que surgia em seu rosto.

Tê–la e não poder toca–la, era insuportável.

— É, está um pouco fria.

— Quer que eu te esquente? – se ofereceu com as melhores intensões.

— Não.

— Humpft, morra congelada. – resmungou e se retirou para o quarto dele. Ela não se incomodou, já sabia como era o habitual humor do Uchiha e isso era o seu diferencial, ele não negava o que sentia e como reagia, em alguns casos era engraçado.

E aliás, morrer congelada não seria uma péssima ideia, já que por dentro ela estava pegando fogo, contudo alguém tinha que ser racional ali de alguma maneira, ela não queria ser amaldiçoada pelo deus, por ceder aquela tentação.

Sucintamente ela sentiu uma sensação estranha de ser observada e virou–se em direção da janela, Sakura podia jurar que tinha visto alguém ali na janela a olhando.

Akureyri

Os pequenos tremores quase não eram mais sentidos por ali. Sai retornava para a vila, no entanto parou no alto do cume para contemplar a imagem daquele lugar. Não havia uma outra maravilhosa para ele, quiçá Valhalla poderia ter uma beleza de tão grande magnanimidade.

Descer significava ter que enfrentar seus problemas. Era desconfortante e eles tinham um nome: Ino. Jamais imaginou que aquela garota poderia se revelar alguém tão frio e calculista, era de se espantar.

Seria uma longa descida pelo terreno íngreme e rochoso; ele colocou a sua bolsa de pano nas costas, pesava um pouco, já que ele pegou algumas obsidianas, uma espécie de vidro vulcânico formado pela solidificação do magma. Ele forjava armas pontiagudas com o tal mineral.

**

Se houvesse alguém abalada com o último acontecimento no palácio, essa seria Tsunade. A mulher estava desolada, até o seu marido tinha notado tamanha tristeza. Por outro lado, a noiva já tinha se recuperado de sua tamanha simulação. Ela não reclamou do tratamento especial que recebeu esses dias. De certa, a jovem feiticeira teria que agir rapidamente, pois já que o noivo morreu, o irmão dele seria o seu futuro pretendente, o que a fez se lamentar, deveria ter colocado também na bebida dele.

Aquilo iria atrapalhar.

Ela trançou o cabelo e colocou um vestido preto, o luto.

A viúva negra em si.

Ela precisaria falar com o seu pai de alguma forma sobre o Sai, como fugir.

— Precisamos conversar. – Kurenai a puxou pelo braço.

— Em que posso lhe ajudar? – disse angelicamente.

— Você disse para Rin que eu precisei de sementes de lupino. Desde quando?

Ino comprimiu os lábios. Kurenai estava em seu limite, estava cansada das atrocidades que ela vinha cometendo. – Eu sei que foi você, tudo que está acontecendo tem a sua mão. Você é má!

— Me desculpe.

— Dissimulada, hipócrita, eu sei que matou o seu noivo.

— Devia tomar cuidado com que fala Kurenai, isso pode se tornar um estorvo para você futuramente. Eu não quero que nada de mal lhe aconteça.

— Fique fora do meu lugar, não te quero ver por ali nunca mais, entendeu?

— Sim. – ela abaixou a cabeça, no entanto quando ergueu ela sentiu um novo olhar, o rosto angelical tinha se esvaído.

Kurenai recuou, ela tinha tanta coisa para dizer para aquela garota, mas silenciou. Não era mulher de titubear diante situações, porém em seu intimo sabia que teria que sair, ela temeu estar diante daquela garota franzina, já que sentia que tinha algo ruim emanando dali.

Voltou para a sua sala de poções e lá estava Kabuto conversando com a Rin.

— Estava falando com a sua assistente, é uma moça muito esperta e terá talento.

— Obrigada oráculo.

— Kabuto, eu acho que fiz algo errado, me intrometi onde não devia.

— O que foi?

— Rin, por favor poderia ir lá fora?

— Claro. – ela se levantou da banqueta onde estava. Kurenai esperou por ela sair.

— O que fez?

— Eu deixei meus sentimentos falarem e acabei enfrentando ela. –– Kabuto tomou um susto, suas pupilas dilataram–se. – Eu fiz, eu não devia.

— Kurenai, que loucura foi essa?

— Sabe que eu fiquei com um nojo daquela garota depois do que ela fez com o noivo.

— Não!

Ele começou a anda em círculos. – Não deveria.

— Alguém tem que para–la, eu simplesmente não pude, mas recuei. Kabuto entrelaçou as mãos em formato de oração, estava aflito. – Por que está assim?

Há alguns dias atrás o oráculo dos vikings tinha novamente entrado em contato com ele e lhe mostrou uma visão, assim Kabuto compreendeu parte do que passava.

Porém era de segredo, não poderia contar a todos o que se passava.

— Kurenai, eu lhe peço que tire um tempo e saia daqui.

— Está ficando louco? Eu não irei sair daqui por causa dela, eu sei me defender. Isso aqui é a minha vida.

Ele mordeu os lábios. Prometeu guardar segredo, já que o oráculo disse que seguiria o caminho natural, mas diante dessa situação, visto que sua amiga estava em risco. – Não a temo.

— Não é ela! – ele gritou e depois levou a mão a boca.

— O que?

— Tinha quebrado a promessa. – Apenas vá.

— Me conte o que sabe! – ordenou.

Kabuto se viu sem saída, desviou o olhar para todos os lados. – Me promete que irá embora?

— Dependendo.

— Ela, a Ino não é a Ino. – ele começou a falar baixo como estivesse com medo. – Elaestápossuída. – disse tão rápido que ela mal entendeu. – Ela está possuída por algo, não é ela.

— Odin! Quem?

— Eu não sei, o oráculo não me contou, mas é algo muito mal, mal. Eu zelo pela sua vida Kurenai, não quero te perder minha amiga, então saia daqui imediatamente.

— Como ela ficou possuída? – a bruxa estava mais branca que as nuvens.

— Eu não sei, mas por um momento eu agradeço por ter sido a Ino. – ela o olhou sem entender. – Vá embora, creio que a garota Rin irá cuidar de tudo e eu a auxiliarei no necessário.

**

Kurenai cruzou a porta do palácio antes do cair da noite e sem um destino certo; Kabuto a viu indo embora pela janela do seu quarto. Só assim ela poderia salvar a sua vida.

Depois que o oráculo dos vikings o contatou, enfim ele pode descobrir o que significava aquela mancha negra em volta de Ino, como não se tocou que era algo ruim a possuindo?

Bateu na testa diversas vezes.

Queria seguir e contar para Hashirama, mas não podia, já que o Orochumaru disse que iam seguir a dança natural, novamente ele mencionou “ gelo e fogo”

O que ele queria dizer com aquilo.

Voltou–se para perto de sua bola de cristal e ali viu algumas visões. Sakura naquela terma,

“ de novo?” –pensou.

Tinha alguém com ela ali, ele não conseguia ver bem, mas depois de um tempo viu que era um homem.

— Parece que Sakura está se divertindo. – ele riu, após ver que ela estava nua com um homem. – Quem é?

A porta do seu quarto foi aberta e a jovem de cabelos loiros e de alma tão negra ali entrou.

Ele sentiu o mal vindo dela.

— Tem pessoas que não conseguem segurar a língua. – ela falou, suas mãos estavam para trás e ela olhava bem o quarto e depois passou a sua curiosidade para o cristal.

— Eu já sei que não é você. – ela riu de lado.

— Para um oráculo você é bem lerdo. – aquilo o doeu, mas ultimamente ele não podia fazer grande coisa e não tinha a capacidade de enxergar tão longe, assim como o Orichimaru.

— O que quer?

— Acha que irei dizer? – ela tocava o cristal.

— Seja o que quer, tem algo lhe atrapalhando. – ele disse e o espírito que assolava a Ino assentiu.

— Esse corpo.

— Seu alvo não era ele, certo? – os dois se encaravam.

— Sim, a de cabelos róseos era meu alvo, mas ela sumiu. – ele sentiu um certo alívio. Sakura era poderosa e temia o que faria se estivesse possuída.

— Quem é você? – ele insistia.

— Desculpe, em não lhe responder.

— E como entrou na Ino?

— Eu apenas prometi o que o seu coração desejava e aliás, eu não a procurei.

— Ela foi até você?

— Não, nos encontramos. Sua amiga teve uma sorte, eu estava indo para mata–la, no entanto eu a encontrarei por ai e eu completarei o serviço, ninguém me desafia. Eu vim lhe dar esse recado.

— A Ino sabe das maldades?

— Em alguns momentos ela tem consciência e tenta me parar, é uma bruxa esperta para a pouca idade dela, mas eu arrumei um jeito de controla–la. – ele levantou–se. –Por acaso, sabe onde está a outra?

— Não tenho a mínima.

— Eu sei que mente, mas é o seu direito, apenas não me atrapalhe, sim estava possuída nem de longe era aquela menina.

— A onde vai?

— Irei satisfazer o coração dessa menina boba. Até mais Kabuto e saiba, meu intuito não é fazer mal a vocês, mas caso peguem no meu pé.

— Eu irei descobrir quem você é.

— Boa sorte. – assim ela saiu. Hafnarfjörður

“O que ele quer de nós?” Era a pergunta que ecoava na cabeça dele.

Hafnarfjörður

Ela estava sentada borda de um estaleiro de madeira, seus pés estavam sendo lavados pela água fria do mar da baia. Sasuke estava ao lado com Obito, eles estavam dando alguns retoques numa draccar que ele tinha acabado de construir. A construção dessas embarcações era uma verdadeira obra de arte. Eles não tinham um esboço de como fazer, apenas escolhiam as melhores árvores, como carvalho e pinheiro.

— Devia ter feito um local maior para comportar mais peixes. – Sasuke comentava. A água estava em sua cintura, eles estavam testando a embarcação.

— Precisam–se de homens para pescar, para remarem. Deixe de ser reclamão, nem tudo pode ser peixe.

— Teríamos mais lucros. Vamos testa–la, essa é a minha perfeição. – os dois entraram na draccar. – Ela não vem?

Sasuke gritou: – Vem cá! –ela fez uma expressão enjoada. – Vem cá. – as vezes não tinha jeito, ela se levantou e foi caminhando pela água.

“Claro, ela tinha que caminha pela água.” Pensou ele.

Ela parou do lado de fora da draccar, Obito ainda achava aquilo muito curioso. A mulher flutuava.

— O que querem? – ela perguntou e olhava para o animal esculpido na proa. – O que é? – ela perguntou apontando.

— É um dragão. O nome draccar vem de uma homenagem aos dragões. – respondeu Obito orgulhoso da obra dele.

— Quer entrar e parar de se exibir ai flutuando.

— Não tenho culpa que o meu elemento é me proporciona esse tipo de coisa. – ela deu de ombros e entrou e ele estreitou o olho. Aquela criatura as vezes o estressava. As ondas moviam a draccar. – Vão se afastar da baia?

— Não, só estamos testando. Vamos ali ao meio e vamos ver se temos sorte de encontrar algum peixe.

A brisa fria era sentida, o cabelo dela esvoaçava ao vento, Sasuke remava e a olhava. O quanto queria esgana–la era o quanto que queria abraça–la sentir o gosto da boca dela. Ela tentava segurar o cabelo, mas não tinha jeito. Ele não sabia disfarçar e o tio notou. Algum tempo depois, eles estavam afastados da costa, Sakura via de longe as pequenas casinhas.

Sasuke jogou a rede no mar, ele e Obito olhavam na esperança de aparecer algo, mas não conseguiram muito. Os dois olhavam atentamente para o mar e nada, então Obito voltou o olhar para o outro lado onde ela estava. – Sasuke. – ele puxou a camisa do sobrinho. – Sasuke!

O viking olhou e logo viu a cena inusitada.

— Por Odin! – exclamou Sasuke assustado. Tinha um cardume de milhares de peixes flutuando acima da embarcação. Ele se aproximou dela ainda embasbacado pelo o que via. – Como você fez isso?

— Pescando oras, como seria?

— Por acaso, a pescaria do seu povo é fazer peixes flutuarem?

— E como mais seria? – ela perguntou e ele a encarou incrédulo. Obito quase caiu do barco. – Separar os peixes da água, certo?

**

O caminho de volta para costa foi tranquilo e provou que a draccar estava em excelentes condições, já que tinha quase uma tonelada de peixes por ali. Sasuke trazia a cesta de peixes, já que a feiticeira se recusou a segurar. Os dois retornavam no caminho para casa e Sasuke a cercava de perguntas.

Sua reputação de maior pescador estava arriscada e por uma feiticeira.

— Não costumamos a pescar, moramos longe do mar. – ela dizia tranquilamente. – No entanto quando se pesca é assim. – aquela mulher sozinha podia pescar aquilo tudo, era imaginável. – Cuidamos de animais, como vacas, ovelhas e por ai.

— Peixe não?

— Não, eu já te disse mil vezes.

Quanto tempo ele demoraria para pescar aquilo tudo? Uns dois dias.

— Pare de olhar assim, como se eu fosse alguma aberração.

No meio do caminho eles fizeram uma pausa no e foram na casa de um dos amigos do viking, Sasuke tinha se escondido de pegar o filhote que tinha prometido pegar.

O viking passou bom tempo observando os filhotes de Rusky e qual deles que mais se parecia com um urso. O que fez Sakura quase bate–lo e ali mesmo iniciaram uma briga de qual filhote escolher, por fim a bruxa escolheu um e assim foi.

— Floki. – ela segurava o cachorro.

— Não. – na verdade ele ainda estava pensativo sobrea pescaria de mais cedo e o quanto ela seria útil em suas próximas pescarias, já que a mesma mostrou uma aversão para tal atividade.

— Se você falar urso mais outra vez, eu juro que eu lhe afogarei.

— Floki. Que tipo de nome é floki? – saiu resmungando pelo caminho.

Os entraram na entrada da casa do viking, Sakura estava concentrada brincando com o cachorrinho. O viking percebeu que tinha alguém dentro da casa dele, já que a porta estava entreaberta. Os dois adentraram em casa; sua mãe estava na cozinha experimentando algo que Sakura tinha deixado no fogão de lenha.

— A onde estava? – a mulher o perguntou.

— Estava com o tio Obito. – ele colocou alguns peixes perto do fogão. – Demos uns ajustes na nova draccar, está linda! – ele se aproximou da mãe e a beijou no rosto.

— Está fedendo a peixe. – ele sentiu o próprio cheiro e achou normal. – Que comida é essa?

— Fisk hidromel, é um prato comum em meu clã. – a bruxa falou, esse prato os seus ingredientes principais eram peixes, limão, mel e água. Sem que a Mikoto visse, a Sakura silabou para o Sasuke prende–la, o viking entendeu o recado e voltou a acorrenta–la, trazendo um certo alívio em Mikoto.

“Ela ainda era uma prisioneira.” – pensou a matriarca para sua própria ilusão.

— Um novo cachorro, vai se chamar urso também?

— Floki. – Mikoto franziu o cenho como se perguntasse que tipo de nome era aquele. – Quis mudar. – a matriarca achou estranho, pois desde o primeiro cachorro do filho, ele sempre o nomeava como “urso” – Quais bons ventos do leste a trouxeram por aqui?

— Vim arrumar sua casa, mas está em ordem. Ah, seu irmão será pai.

— Já estava na hora de ser avó. – ele disse e nem percebeu o tamanho da gravidade dessa frase, praticamente chamou a mãe de velha.

— O que insinua?

— Nada, nada. – ele passou a mão na cabeça tentando sair do assunto.

— Sabia que a filha do ferreiro já está na idade de se casar? Se quiser eu a peço para você, ela tem dezessete é linda. Belos cabelos negros na cintura e é bem prendada.

— Não precisa.

— Você iria gostar dela. É bem afeiçoada, se é isso que se importa e sei que é. – até Sakura o olhou e isso de alguma forma confirmava um pouco de sua teoria que ele estava apenas com desejos nela, não era algo profundo e digno de arriscar. Ela mesma não negava que era uma mulher bonita e chamava a atenção.

Não iria se arriscar por um desejo carnal.

Mikoto ficou por um tempo ali prozando com o filho, não tinha muitos assuntos a falar e além do mais, conversar com Sasuke era uma forma de aumentar os fios de cabelos brancos dela, seu filho era alheio a tudo e totalmente relaxado. Poucos minutos de pois dela ter ido embora, Sasuke soltou Sakura.

— Bem afeiçoada. – ela disse em um tom brincalhão. – Por que não tem ninguém, não escolheu ninguém?

— Sempre fui focado nos meus planos e trabalho. Acho que nunca encontrei que me despertasse isso...até você.

Ela desmanchou–se.

Ele sentou na cama dela, se aproximava lentamente. – Eu gosto de você.

— Você é atraído por mim, é diferente. – ela se afastou um pouco receosa, no entanto ele a derrubou para trás.

— Você também está. – ele pairou sobre o corpo dela. – Não negue isso favo de mel. – ela tentou desviar o corpo, mas ele segurou o queixo dela.

Ela tinha lindos olhos verdes olhando de perto e sua boca, estar tão perto aumentou a intensidade dos desejos de beija–la, saborear.

Tão perto.

— Oh não, você está fedendo a peixe. – ela o empurrou.

Tão longe.

— Huh?

— Peixe, está fedendo e é forte. – Sasuke voltou a se cheirar.

— Está normal. – ele sentiu até o odor da axila. – Senti nada.

— É um porco mesmo. Está fedendo!

**

Tomar banho diariamente não era de fato uma tradição do povo viking, talvez pelo frio ou pelo o longo costume disseminado, eles não se preocupavam muito com isso.

As auroras já dançavam no céu quando Sasuke injuriado, resolveu ir em uma das termas para banhar–se, Sakura foi com ele, no clã dela não tinham tanto costume, mas quando chegava em situações extremas, o banho era necessitado.

Os dois caminharam alguns minutos até chegarem numa terma ao sopé da montanha. Mesmo com a noite, podia notar que as águas tinham um tom especial, era tão azul. Por ser uma fonte termal, sua água era naturalmente quente e fumaça saia dali, já que era aquecida por uma “caldeira geotérmica” provindo das rochas quentes.

Sasuke foi tirando os trajes dele e jogando sobre uma rocha, Sakura via de longe, não estava afim de tomar banho. Ela o viu de costas nu, não era tão ruim a visão.

Ele era bem apanhado e tinha um traseiro redondo bem firme. Ela riu disso. Sasuke entrou na terma, era tão relaxante aquela sensação, ele afundou para molhar o cabelo e logo retornou. Ela estava próximo das bordas sentada nas gramíneas e brincando com o Floki.

— Não vai entrar?

— Não e é você que está fedendo. – ele jogou água nela. – Hey!

— Entra, acho que vou precisar de ajuda para escovar minhas costas com a esponja. – era uma bucha vegetal de fibra natural que nascia dentro de uma casca que mais parecia um pepino. – Me ajuda.

— Eu só tenho essa roupa, não irei molhar.

— Tira, se esse for o problema eu não olho.

— Não!

— Então se aproxima daqui e escova, nem precisa se molhar, ou é isso ou ficarei com o cheiro de peixe.

— Fedor. – ela largou o cachorro e foi até a borda, pegou a esponja e iniciou uma esfregação nas costas dele. – Eu não sou sua empregada, escrava e por ai...

— É só um favor. – se ela soubesse das intenções dele, ela se afastaria dali e não demorou para ele concretizar o plano dele, já que segurou as mãos dela e ela foi puxada para a terma. Submergiu nas águas e depois regressou. – Não está quentinha? – ele debochou dela.

— Eu não sei como acreditei e cai nisso. – disse brava. – Eu só tenho essa roupa intacta e agora?

— Eu a esquento, só tirar a coloca–la ali, eu faço a água evaporar devido o calor.

— Isso não é possível. – retrucou.

— É sim. O calor consegue fazer isso. Minha palavra, se for mentira pode me afogar.

— Eu farei. – ela mergulhou para atrás dele. Desabotoou os botões frontais do vestido e por fim retirou, o jogando na rocha. Seu cabelo comprido cobria os seios. Ela olhou as costas deles, haviam tantas cicatrizes. – De onde são tantas?

— Lutas com clãs inimigos, brigas e ursos. – ela pegou a esponja novamente e esfregou as costas, dedilhando as cicatrizes pela costa larga dele.

Ele afundou na água e quando retornou estava diante dela, não escondeu que seu olhar foi aos seios dela cobertos com os cabelos. Ele tentou tirar e ela bateu na mão dele, mas não resultou muito, quando ele a puxou para o colo dele encaixando os quadris desnudos. Sakura se afastou um pouco, pois estava bem lá em cima daquilo...

— Não podemos. – ele a puxou mais para sí. Ela tremia, era tão agoniante.

— Eu não vou fazer nada que não queira, pode notar. – ele referiu–se ao fato de não estar ereto.

— Não teme Odin e sua maldição?

— O que ele faria? Ia jogar o martelo em nós?

— Esse é o Thor.

— Não me apego nesses detalhes.

— Herege. – ele afastou o cabelo dela de um dos seios e apalpou com sua mão, couberam tão certos. – Pare!

— Você está gostando. – ele disse baixinho no ouvido dela. – Eu quero você e não é um desejo carnal, se é que pensa. Eu não ligo se você é feiticeira, se é estranha ou se temos uma maldição sobre nós. Eu apenas quero você. – ela sentiu os lábios dele no pescoço. – Você é tão medrosa, não precisa ter medo de se entregar. – ela já sentia aquilo friccionando entre as pernas dela. – Eu não vou te pressionar e juro, que se Odin vim tirar satisfações eu o enfrento pessoalmente e direi que fui o causador.

— Não fale bobagens. – ele se afastou dela, os dois afundaram.

**

Ele cumpriu com o que disse e as roupas dela estavam secas novamente. A volta para casa foi tão silenciosa que podiam ouvir as pisadas no chão.

Se entregar não era uma palavra tão fácil para ela e mesmo ele dizendo que gostava dela.

Ela sorriu quando ele colocou o filhote na cabeça e o coitado latia de assustado. Ele era tão único, seu jeito de ser. Se ela não tivesse testemunhado ele lutado com urso e os nottikins, ela nunca diria que ele era um guerreiro tão habilidoso e poderoso.

Chegaram em casa e demoraram um pouco mais que o costume, já que eles estavam olhando as auroras. Ele abriu a porta e o cachorro logo entrou, ela ficou contemplando a aurora. Ela nunca cansaria de olhar para aquelas luzes solares.

— Está frio. – ele disse. – Entra. – claro, ele era cuidadoso com ela.

Um bárbaro carinhoso, se falasse isso em seu clã seria uma piada.

Sasuke pegou na mão dela, eles ergueram as entrelaçando. – Gosta tanto de mim assim que enfrentaria Odin? – seu olhar alcançou o dele.

Ele perderia feio. – nada modesto. Ele se aproximou dos lábios dela e aos poucos ela cedia ao beijo, ela segurava o rosto dele entre suas mãos qual começou apenas como um reconhecimento de terreno. As mãos e os braços dele, agarravam sua cintura, a enlaçando para si. Era bem quente...demorado...envolvente... sem medo de nada e só a aurora como testemunha.

Ele a segurou e as pernas dela enlaçaram a cintura dele; entraram em casa e a única coisa que ele lembrou foi de fechar a porta. Sakura ainda o beijava e ele respondia, nem olhou o que via pela frente, seguiu a carregando até o quarto. Sasuke a colocou na cama e sua mão deslizava sobre o vestido dela.

Não tinham muito o que dizer, já que naquele momento eles assinaram a sentença. Ela desabotoou o vestido ficando novamente exposta para ele que se apressou em tomar os seios dela em um beijo para si, á medida que ele a beijava aumentava o calor do corpo dela, a fazendo gemer.

Porém toda intensidade foi pausada quando ouviram um barulho de batidas na porta. Os dois se largaram imediatamente, Sakura catou o seu vestido e colocou entre os seios para cobri–los.

— É Odin? – ela perguntou assustada.

— Ele bate na porta? Educado, não? – ele disse, já sentindo sua ereção indo embora.

— Sasuke! – as batidas insistiam. – Sasuke!

— Vai lá, você disse que ia enfrenta–lo.

— Eu? – ela ficou pasma. – Brincadeira. – ele saiu da cama e foi em direção da porta, deixando uma Sakura aflita por lá e já fazendo preces para o deus.

— Sasuke! – ele reconheceu a voz e sentiu a frustração o abate–lo.

— Tio. – disse nada humorado.

— O líder está te chamando na cabana dele, teremos uma reunião.

— Só pode estar de sacanagem. – disse quase bufando.

— Ande!

**

Na cabana do ancião todos os guerreiros estavam ali ansiosos pelo o anúncio, menos Sasuke que estava emburrado e desejando que tudo se explodisse.

Estava tão próximo dela.

— Acalmem–se, acalmem–se. – Madara levantou–se de sua cadeira. – Ventos bons vieram até nós. – eles vibraram, quando ouviam isso, sabia que era alguma visão do oráculo. – Nosso oráculo viu algo e de grande importância para nós, novas terras.

Eles gritaram celebrando. – Ele viu que esse lugar deve ser conquistado por nós! É um terra rica de recursos e iremos lá!

Sasuke bocejou de longe. Só de raiva ele decretou em sua mente que não iria para essa expedição.

Itachi observava tudo, já crente que ia ser o capitão da expedição, aliás, não teria outro por ali capaz de exercer o cargo.

— Dias de glórias estão se aproximando para nós. Para essa expedição eu escolhi o meu neto Uchiha Sasuke para guia–los, sei que ele será capaz de cumprir bem essa missão. – todos o olharam, Obito apertou o ombro dele. O tio estava mais contente que ele.

Sasuke estava sem reação alguma, por dentro queria acreditar que teria outro Uchiha Sasuke por ali.

Os vikings o empurraram para frente. – Desculpa, mas não posso lidar com isso. Eu repasso, meu irmão sempre foi o líder, deixe com ele.

Se Sasuke estava bufando minutos atrás por não ter saciado o seu desejo, Itachi estava se controlando para não abrir a boca ali.

O ódio tomava conta dele.

— Será você e eu decidi, quer embater comigo? Amanhã cedo prepare as draccars e pela tarde partirão. Escutou Sasuke?

— Aham.

Itachi mal esperou terminar a reunião e saiu dali possesso de raiva.

— Como ele pôde? – esbravejava. – Velho maldito!

— O que vai fazer? – perguntou Shisui em companhia de outros.

— Começarei arruinando essa viagem e depois vamos apressar o plano para tira–lo do poder. – disse.

**

Seu tio minutos antes tinha o perguntado pela carranca que ele expressava em seu rosto e ele ocultou os fatos. Se já estava com raiva de não ter consumado a noite com Sakura, agora estava ainda mais furioso por ter que ir nessa expedição e ser o líder.

Seu avô só podia estar mal da cabeça.

Praguejou todo caminho de volta e chutou a neve.

Seus planos não era ser líder, não era para ele. Só podia ser uma maldição e justo quando os seus planos estavam indo bem.

Ele olhou para o céu. – Agora entendi o lance de maldição. Muito criativo, hein? Excelente! – em seu íntimo ele sabia que não era maldição e sim a culpa tinha disso do Itachi e sua infantilidade na última viagem.

Entrou em casa e viu o cachorro dormindo no feno que a feiticeira dormia. Seguiu para o quarto, talvez a noite podia ser salva.

Encontrou Sakura dormindo esparramada na cama dele.

— Favo de mel? – ele a chamou, mas ela estava em um sono profundo. – Mereço.

Retirou as roupas e vestiu a de dormir e deitou–se ao lado dela. ela era espaçosa.

Ele sabia que o sono ia custar a vim naquele momento, dai colocou a mulher sobre o seu peitoral e começou a alisar a cabeleira dela, Sakura dormia igual uma pedra.

Até que o dia não foi tão mal e ele concordou por um minuto e além do mais descobriu que parece que Odin não se importava com beijos.

— Interessante. – concluiu.

Notas finais
Olha os peixinhos da Sakura http://likefotos.com/wp-content/uploads/2014/11/mergulho-cardume.jpg O menino Sasuke estava tão perto e...dançou. Bem, sobre a Ino estava na cara e só nos resta saber quem possui ela. Itachi tem ninguém possuindo não, ele não presta hehehe Fato! Próximo capítulo vamos descobrir novas terras, Sakura vai encarar uma bruxa e por ai vai!