Sob a Aurora
2 Insaciáveis
O crepúsculo da tarde já surgia na em Hafnarfjörðu, a baia de aguas esverdeadas ganhava um tom escuro sob o luar da noite. Aos poucos os habitantes da vila iam se acolhendo em suas cabanas em busca de um local quente para se esquentar. Na pequena doca da baia, um barco de pesca tinha retornado depois de uma longa jornada em mar aberto. Os barris presentes no barco estavam repletos de peixes e principalmente o bacalhau, espécie farta por aquelas águas.
Alguns homens que estavam aguardando a chegada dos pescadores celebraram a vinda e da fartura dos barris. Um por um, ajudava a retirar o barril dos barcos. – Foi uma excelente pescaria, Sasuke. – um dos tripulantes falou para o homem de cabeleiras negras curtas, qual organizava seus pertences e saia em direção para terra firme. Ele era conhecido por ser um experiente pescador de mar alto, desde pequeno se aventurava com seu pai e tio nas pescarias. Ele caminhou sozinho rumo sua pequena cabana, depois de uma semana no mal tudo que ele precisava no momento era comer algo e descansar.
— Sasuke. – seu irmão apareceu ao seu lado. – Como foi?
— Boa. – disse o irmão caçula, seu irmão já o conhecia muito bem, sabia que ele costumava ser taciturno e reservado. Os flocos de neve caiam lentamente sobre os dois, fazendo o homem levantar a carapuça do seu casaco de pele de urso branco, qual ele mesmo matou.
— Hoje encontrei uma feiticeira nas proximidades, eu queria mata-la, no entanto o nosso avô disse para manter como prisioneira. Ela vai ficar sobre a sua responsabilidade. – o caçula parou sua lenta caminhada e olhou o irmão de soslaio, já estava pronto para recusar. – É temporário.
— Humpft. – ele voltou a caminhar nada satisfeito com a nova responsabilidade. – Onde está ?
—Na sua cabana, está amarrada e está sem sua varinha, inofensiva. – Itachi parou, já considerava fim de conversa.
— Hn. Quando forem decidir qualquer coisa para mim, antes me consultem. – deu de ombros e foi em direção á sua casa. Teria que tomar conta de uma prisioneira, essa ideia nada o agradou, porém queria evitar qualquer mal entendido com o irmão. Os dois eram conhecido por serem dois cabeças quentes e era difícil os dois entrarem em unanimidade.
Ele entrou em sua casa, não era lá tão espaçosa e organizada. Era casa de um homem que mal parava em terra firme. Ele iluminou o local com lenha , causando uma luminosidade tênue no local. Não demorou muito para ele avistar sua visita não grata sentada em posição fetal abraçando ás próprias pernas. Parou para observar e logo voltou para suas atividades. Ele foi ao sótão, onde guardavam o alimento sempre estocado em grandes quantidades, devido ao rigoroso inverno nórdico. Pegou um pedaço de bacalhau desidratado e batatas inglesas. Colocou os dois em um enorme caldeirão e acrescentou algumas ervas como tempero. Não era um grande cozinheiro, mas se virava sozinho desde cedo.
A feiticeira de cabelos róseos estava em uma situação desconfortável sentada naquele cubículo e sem se mover por um bom tempo, suas pernas já apresentavam pequenas câimbras. Quando o bárbaro chegou seu coração disparou, ela não sabia quis eram as verdadeiras intenções por estar aprisionada ali. Ela observava atentamente o homem comendo seu ensopado de peixe com batatas, o cheiro tomou conta do pequeno e sua barriga ronronou, estava com fome.
O silêncio entre os dois foi quebrado por batidas ritmadas na porta, o que deixou o morador dali surpreso. Quem seria naquela hora ? Ele levantou-se contra gosto, queria terminar de saborear apropriadamente sua refeição.
— O que foi, tio ? – perguntou ele para o homem de cabelos negros curtos.
— Estão organizando uma pequena celebração para os pescadores em volta da fogueira, terá mjöd á vontade, não quer ir ?
— Daqui a pouco apareço por lá. – ele não era tão antissocial para desperdiçar uma mjörd. Ele apreciava as celebrações e mais quando eram em comemoração aos seus feitos.
Ela aguardou ele ir embora, enfim pôde se mexer. Infelizmente estava acorrentada e sem sua varinha não podia fazer grandes feitos.
Ela estava com fome e muita.
Como tinha escutado parte da conversa do bárbaro, sabia que ele iria demorar para voltar. Ela foi se arrastando pelo chão com a corrente pesada e uma bola de metal. Aquilo iria deixar marcas roxas. Foi vagarosamente e depois de alguns minutos daquela situação desconfortável. Apoiou suas mãos sobre á mesa e com esforço conseguiu subir, alcançou o caldeirão com aquela gororoba e não escondeu a careta a ver aquilo. Com as próprias mãos lambuzou-se dentro do caldeirão, estava esfomeada.
Comeu muito até ficar saciada.
Tinha uma presença feia, mas o gosto era bom. Ela assentiu.
Voltou para o seu cubículo se arrastando. Praguejou todos os bárbaros que a prendeu e se conseguisse sua varinha de volta, ela não pouparia ninguém dali, estava furiosa por estar passando por aquela situação.
Ela fitou sua mão e concentrou-se - Vatn. – de seus dedos água começaram a jorrar com uma pequena fonte foi limpando os resíduos de alimento de suas mãos. A mulher olhava serenamente para suas mãos e com um certo ar nostálgico, lembrou da primeira que vez que realizou esse feitiço e o quão ficou entusiasmada com o seu pequeno feito e a empolgação era tanta que ela praticava em todos momentos, até uma vez ficar descontrolado e o seu quarto ter inundado. Não escapou do sorriso que se formou em seu semblante.
Estava com saudades de casa e não sabia o que estava acontecendo por lá. Houve traidores dentro do seu clã que tentaram usurpar o poder do anciã, o braço direito do seu pai o traiu e de maneira pífia.
Encostou sua cabeça na fria madeira e se pôs a ponderar sobre a sua atua situação, se sentiu inútil por estar naquela condição e não poder ajudar seu clã.
***
A pequena celebração em volta daquela fogueira de lenha flamejante estava agradável para ele. Assistia crianças dançando e se enfartando dos peixes adquiridos. Era importante aquela pesca, pois o inverno estava vindo e eles precisariam armazenar muitos em estoque. Era extremamente perigoso cruzar ás aguas geladas do mar Nórdico, nessa época as ondas alcançam níveis altos e grande parte dele está coberto por gelo, o que prejudica a navegação.
— Itachi deixou a feiticeira sobre sua responsabilidade ? – seu tio lhe perguntou, quando deu uma pausa em seu copo com vinho de mel, comum daquela região. – O que achou ?
— Ele e suas manias de colocar parte de suas responsabilidades sobre mim.
— Se você quiser eu a coloco sobre minha responsabilidade, — Obito era um homem pacato e sempre cuidou do Sasuke
— Não, não quero implicar com ele. – o homem voltou a observar as flamas da fogueira, ali do outro lado uma mulher dançava dedutivamente aos ritmos das tamboriladas do tambor, querendo alcançar a atenção do Uchiha.
— Por que não vai se divertir ? – sugeriu seu tio ao perceber o esforço que a donzela de cabelos pretos fazia para o seu sobrinho. – Ela está te olhando desde cedo. Passou uma semana em um barco com vários homens, é bom aliviar um pouco. – ele batei no ombro do sobrinho que apenas sorriu.
***
Sasuke levou sua acompanhante para sua casa, ele a jogou na cama e não quis se prolongar.
Do outro cômodo do quarto Sakura não conseguia enxergar bem o que acontecia, mas ouvia claramente os gritos exagerados da mulher
— Bárbaros. – murmurou em voz alta. – O que esperar deles. – os vikings eram considerados brilhantes guerreiros, porém esse brilho esvaecia-se quando referiam-se aos seus modos. Sempre foram considerados ignorantes e de pavio curto. Sakura acrescentou outro adjetivo para os bárbaros: insaciáveis.
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