So, How About A Date?
1 Risadas Ao Por Do Sol
Notas iniciais
Aproveitem o capitulo!
Jack estava confuso. E também zangado. Oh sim, ele estava muito zangado.
E o pior era a razão de toda essa raiva. Não era algo que ele pudesse simplesmente explicar para seus amigos, nem para si mesmo.
Por que, a razão de ele estar com raiva, era nenhuma outra senão a seguinte:
Rapunzel estava saindo com Hans.
Não que aquilo fosse crime, porque certamente não era. Ele deveria ter visto que era apenas uma questão de tempo ate que alguns dos garotos mais velhos começassem a convida-la para sair. Ela era linda afinal, além de ser inteligente e meiga.
Mas o que não o deixava descansar tranquilo, e estava, consequentemente, causando suas notas no NOMs e em poçoes caírem cada vez mais era que ele simplesmente não conseguia vê-la nos braços de outro cara.
Não que ela já tivesse sido sua, mas, a visão era agoniante, dolorosa. E tudo o que ele conseguia pensar enquanto os observava era que ele queria estar no lugar dele.
Hans era aluno da sonserina, monitor, capitão do time de Quadribol e arrasador de corações da maioria das garotas. Ele só não achava que ele acabaria conquistando Rapunzel. Sua Punzie.
Riu sarcástico de sua própria cegueira. Ela nunca fora sua, e, muito provavelmente nunca seria.
Sim, ela era sua melhor amiga no mundo. Eles haviam crescido juntos, estudado todos os anos de Hogwarts juntos, mas agora, no quarto ano, é que ele finalmente começava a desvendar os sentimentos que tanto o cutucaram ao longo dos anos.
A sensação de falta de ar quando ela se aproximava. O aconchegante calor dos braços delicados quando ela o abraçava. Ate mesmo sua risada, contida e cheia de alegria fazia seu peito encher ao ponto que ele achava que iria explodir.
Sacudiu a cabeça e bagunçou os cabelos, agora castanhos pela quantidade de estresse que ele estava sofrendo.
Veio a sua mente a imagem dos dois abraçados no corredor, os cabelos longos dela, chegando até depois da cintura e descendo, de um loiro estonteante, dourado como raios de sol. Mordeu os lábios com força. O que ele não daria para ser Hans naquele momento.
Poder abraça-la e beija-la livremente, sem a preocupação de outros estarem vendo. Sem ter que desviar o olhar quando notava que passara tempo demais observando-a. Sem ter que solta-la quando sentia as bochechas corando.
Porque, sim, ele queria que ela fosse sua namorada, mais que qualquer coisa no mundo, e desde sempre. Só não percebera isso até esse momento.
Mas agora era tarde demais. Complicado demais.
Não foi para Soluço e Merida, uma vozinha soou em sua cabeça, instigando-o, questionando-o.
É, ele ainda se lembrava de como, do nada, os amigos haviam começado a namorar. Foi um choque, mas eles estavam tão felizes, que logo Jack se esqueceu de que, apenas alguns anos antes eles estavam brigando e atirando livros um contra o outro.
Mas com Rapunzel era diferente. Ela nunca o vira como nada mais que seu melhor amigo. Ate mesmo seu irmão mais velho.
E isso era o que fazia seu coração torcer-se dentro do peito, doendo mais do que ele achava que poderia.
Ela nunca o amaria.
Será que não? A voz perguntou mais uma vez, e o fantasma de sorriso brincou em seus lábios por um instante. Porem, o sorriso desapareceu ao se dar conta da impossibilidade de tal coisa.
De repente, saída dos recantos mais sombrios, uma ideia cintilou em sua mente. Jack levantou-se de súbito, pulando da cama e escorregando pelo corrimão do dormitório ate a sala comunal.
Olhou pela janela para constatar algo. Sim, lá estava ele. Hans, o senhor perfeição estava treinando agarradas em frente aos aros.
Ele havia encantado a goles para que esta tentasse passar pelos aros.
O sorriso do garoto se iluminou com um sorriso travesso e seus cabelos se tornaram brancos novamente, espelhando seu humor. Que, é preciso dizer, estava muito bom naquele momento.
Ele saiu correndo assim que a parede da masmorra se abriu e só parou ao chegar em frente á sala comunal da Corvinal.
Cruzando os dedos para que o enigma da águia não fosse difícil, ele rapidamente se transformou em Hans. Sentiu os cabelos se tornarem castanho avermelhados, costeletas crescerem em ambos os lados de seu rosto.
Ficou mais alto, e músculos podiam ser vistos, mesmo por baixo das roupas.
Como um bruxo metamorfo, ele achava muito divertido transformar-se em outras pessoas, mas nunca antes fizera isso com tanta seriedade e nervosismo.
Postou-se a frente da águia dourada e fez seu pedido.
- Pode chamar com Rapunzel, por favor?
Sua voz estava grave e elegante. Como Punzie poderia sequer olhar em sua direção com alguém como ele á frente de si?
A ave começou a elaborar um enigma, mas nesse momento, e ele agradeceu aos céus por isso, porque tinha certeza que ele não saberia a resposta da pergunta, algum estava saindo da sala comunal.
Uma cascata de cabelos dourados apareceu antes mesmo que o rosto da garota.
Quando ela olhou para cima, tomou um susto, arregalando os olhos verdes.
- Hans! O que esta fazendo aqui? Pensei que tinha treino.
A mente de Jack estava trabalhando a mil por hora, tentando inventar uma boa desculpa.
- Bem, eu ia, mas então eu resolvi te fazer uma surpresa.
- Ah é? Que tipo de surpresa? – A curiosidade em sua voz já aparente.
- Venha. Vou te mostrar.
Ele então a tomou pela mão e a conduziu em direção à torre de astronomia. Os minutos passavam velozes e a única coisa que ele conseguia pensar era como a sensação de sentir a pele dela contra e dele era boa. O leve calor que emanava dela, fazia sua temperatura normalmente fria aquecer-se.
Eles finalmente chegaram à torre e ele virou-se para ela.
- Onde estava indo antes que eu chegasse?
Ela desviou os olhos do dele, mordendo o lábio insegura.
- Estava indo falar com Jack. Ele tem me ignorado á alguns dias e eu queria saber o por que. É só que... Eu não posso suportar que ele esteja me deixando. Ele é meu melhor amigo no mundo.
Ele sentiu a boca amarga diante da confissão dela. Ele estivera sim, ignorando-a, porque simplesmente não conseguia ficar perto dela com tantos sentimentos explodindo por seu corpo. Mas não tinha ideia de que isso a tinha afetado dessa maneira.
Antes que pudesse pensar sobre o que estava fazendo, deu um passo a frente e a envolveu com seus braços, aproveitando o doce aroma dos cabelos dela quando ela encostou a cabeça em seu peito.
Hans era muito alto para ela, não combinava, nem mesmo dava certo para abraça-la da maneira correta.
Da maneira que ele a abraçava. Como seus braços a circulavam e sua cabeça não precisava se abaixar muito para poder descansar na curva do seu pescoço. Como as mãos dela alcançavam, sem muita dificuldade, a parte arrepiada dos cabelos dele.
O por do sol iniciara sua lenta pintura do céu, de rosa para laranja, de laranja para vermelho... E ele não pode mais aguentar.
Sentindo a brisa fresca mais forte ali na torre, ele jogou para o alto a cautela. Ele só queria passar um tempo com Punzie. Tinha sentido tanta falta dela. Mas agora, ele já não se importava com o certo ou errado.
Quando inclinou sua cabeça em sincronia com a dela, quando seus rostos se aproximaram, e quando, por fim, seus lábios se tocaram, ele não se sentiu nem um pouco mal por fazer aquilo.
Puxou o corpo dela de encontro ao seu enquanto ela colocava as mãos em seu rosto, brincando com seus cabelos.
Grunhiu de frustação quando ela se afastou dele, respirando em busca de ar.
Ela abriu os olhos verdes como grama em um dia ensolarado, ainda sem soltar os lados do rosto dele.
- Jack?!!
O grito dela o trouxe de volta do transe. Olhou para si mesmo e percebeu que havia voltado ao normal. Ele era Jackson Overland de novo. Se descontrolara e suas emoções tomaram conta. Pela primeira vez na vida, viu seus poderes falharem.
- P-Punzie, eu posso explicar... – Ele não queria explicar, mas viu nos olhos dela que se mentisse, estaria cometendo o maior erro de sua vida.
- Ok, explique-se então. Porque se transformou no meu namorado, por que, — Ela suspirou, sua expressão seria. – Por que me beijou?
- Por que... Por que eu te amo, Rapunzel.
Ela parou estática por alguns segundos, os olhos selvagens, muito abertos.
- Você o que Jack?
- Amo você Punzie. – Ele estava com medo agora. Gaguejando desculpas, esperando e torcendo para que ela não odiasse. Mesmo sabendo que isso era o mais sensato á se fazer. – Eu não devia ter me transformado no Hans, mas, e-eu achei que essa seria a única maneira para você me notar.
Ela estava em silencio. Olhando para longe, para as nuvens que estavam ficando azuis agora.
Quando ele estava quase perdendo as esperanças de que ela fosse responder, ela disse num fio de voz:
- Seu idiota. Seu grande picolé sem noção.
Ele estava surpreso, mas entendeu que merecia aquilo. Esperou um pouco mais e então se virou para a porta de madeira.
- Espere Jack.
Ele congelou no lugar. Virou seu rosto lentamente para encara-la e viu que lagrimas enchiam seus olhos. Contudo, um sorriso brilhante decorava seu rosto delicado.
- Seu bobo! Realmente achou que eu preferiria Hans ao invés de você?
As palavras dela o deixaram sem ação, a boca aberta em choque e surpresa.
- Mas, você começou a namorar ele e...
Ela riu, gargalhando e tentando cobrir o som com uma das mãos.
- Eu só comecei a namorar ele porque achei que você estivesse gostando da Tooth. Pensei que talvez assim pudesse esquecer você. Eu, eu também te amo Jack, acho que sempre amei.
Ela sorriu as bochechas ficando cor de rosa.
Ele estava ouvindo, mas sua mente se recusava a acreditar. Foi só quando viu as sardas destacando-se na pele dela, que agora estava vermelha, foi que ele despertou.
Pegou-a pela cintura e a abraçou forte, girando pela torre com ela em seus braços, gostosamente próxima de si. Sua risada estava tão alta e forte quanto o vento que soprava na torre de astronomia com a chegada da noite.
E nunca houve nenhum som igual aquele, onde uma risada delicada e uma exageradamente alta fizessem uma melodia tão agradável.
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