So, How About A Date?
2 Tombos em Quadribol
Notas iniciais
Soluço estava cansado. Cansado das brigas com Merida. Cansado do continuo assedio da loira sonserina, Astrid. Cansado de ter que fingir que não sentia nada pela ruiva pelo bem da amizade.
Enquanto caminhava pelos corredores em direção aos jardins, seus pensamentos corriam em uma velocidade absurda. Já tinha imaginado mil e uma maneiras de dizer a ela o que sentia, mas todas as vezes que chegava perto, desistia pelo medo de passar vergonha se ela o rejeitasse.
Droga!
Os portões do castelo estavam abertos naquele sábado, e ele se permitiu respirar fundo ao ser tocado pelo sol brilhante do lado de fora.
Estava com uma calça jeans e a gravata de Lufa-Lufa. Ele estava orgulhoso de fazer parte da casa agora, ainda que antes as pessoas zombassem dele por isso.
Ele provara que lufanos podiam ser muito mais corajosos do que aparentavam.
Quando chegou perto da arvore onde seus amigos estavam, uma garota materializou-se á sua frente.
Astrid. Ele soltou um gemido descontente.
Desde que ele conseguira domar um dragão descontrolado á três meses, ela não saíra da sua cola, sempre chegando de surpresa, abraçando-o e flertando.
No começo, ele amou a nova atenção, o que ele não teria dado para que Astrid Hofferson ficasse grudada nele?
Mas agora, ele não estava tão animado assim. Desde que descobrira sentimentos pela melhor amiga. Ou melhor, desenterrara sentimentos.
– Soluço, meu amor! – Ela exclamou, saltando no pescoço dele e dando lhe um beijo na bochecha. – Onde estava? Te procurei a manha toda!
– Estava, ãn, estudando. – Ele deu uma desculpa qualquer, esfregando a parte de trás do pescoço.
Ela colocou as mãos na cintura e reclamou que ele se preocupava muito com essas coisas.
– Nada de estudar hoje, vai ter um jogo de Quadribol, Grifinoria contra Sonserina. Vai ser épico!
O moreno tentou mostrar animação, mas seu sorrido forçado logo desapareceu ao perceber um par de olhos azuis o encarando tristes.
Ele deu uma desculpa qualquer para Astrid, e correu ate a sombra do Carvalho, mas, quando fez menção de sentar-se, Merida se levantou, recolheu a vassoura e os livros e saiu, sem dar explicações.
Rapunzel e Jack encolheram os ombros, sem entender.
Mais tarde, todos os alunos de encaminhavam ao campo de Quadribol. Soluço viu uma cabeleira ruiva indo em direção aos vestiários e a seguiu. Antes que ela entrasse, ele a agarrou pelo pulso.
– O que... O que quer Haddock? – A voz da garota estava afiada como nunca.
– Mer, eu queria conversar...
– Por que não vai falar com Astrid? – Ela disparou, antes mesmo de conseguir conter-se.
– Eu... – Ele tinha começado, mas então seu rosto adquiriu uma expressão raivosa. – Qual é o seu problema? Por que esta tão nervosa comigo?
Ela abriu a boca para dizer algo, mas então abanou a mão e entrou apressada no vestiário.
– Porcaria. – Ele murmurou, andando com os ombros caídos ate as arquibancadas.
Todos conversavam animados, fazendo apostas e se acomodando para ver a partida. Soluço nunca fora um grande fã de Quadribol, ainda que gostasse de montar em animais mitológicos perigosos.
Olhou para cima, apertando os olhos por causa da luz intensa. Os jogadores já estavam no alto e o apito soara.
Merida lançara a goles para MK, que jogou de volta para Anna. As artilheiras estavam fazendo um maravilhoso trabalho em equipe, e o garoto riu, pensando na coincidência de todas possuírem cabelos ruivos.
O jogo seguia violento. Jhonny, o goleiro da Grifinoria recebera um balaço no nariz, mas, ninguém sabia como, o garoto ainda continuava na vassoura.
O time da Sonserina não estava melhor. Cabeça quente colidira com força contra o irmão e os dois agora discutiam, mal prestando atenção aos balaços.
E a goles era atirada de mão em mão, roubada, e... Ela passou pelo aro dos sonserinos!
Soluço se pôs de pé para comemorar. Vanellope voava atrás do pomo veloz, sendo seguida de perto por Flecha. Eles estavam cabeça a cabeça e...
Alguém o puxou para baixo, obrigando-o a sentar-se. Oh, não.
– Por que esta torcendo pela Grifinoria lindinho? Tem que torcer pelo time da minha casa. – Ela sorriu, pegando o rosto dele com as duas mãos.
E, sem mais nem menos, o apito soou, o pomo foi capturado e Astrid o beijou.
Ele arregalou os olhos, espantado. Involuntariamente, seus orbes se voltaram em direção a Merida, que olhava a tudo com a expressão mais terrível que ele já vira. Seu coração murchou ao vê-la triste daquela maneira.
Nesse momento, Melquento, um dos artilheiros, furioso pela derrota, atirou um balaço contra Merida com toda força.
A ruiva estava distraída. A bola a acertou em cheio, arrancando-a da vassoura. Ela não estava muito longe do chão, mas ainda assim, o golpe fora violento.
Soluço empurrou Astrid zangado. Correu pelos bancos em direção ao campo sentindo as lagrimas em seus olhos.
Alguns curandeiros já haviam se reunido ao redor da ruiva, checando os danos. Ela tinha o rosto machado de sujeira e lágrimas, os cabelos presos num rabo de cavalo bagunçados por suas costas.
O garoto se espremeu por entre alguns professores e curiosos, ignorando as ordens para que ficasse longe.
Ele não iria ficar longe. Já estava cansado de tentativas fracassadas por seu medo.
Ajoelhou-se ao lado da amiga, que o olhou, confusa e assustada. Tomou as mãos dela nas suas e olhou em seus olhos, contendo o nervosismo que fazia seu estomago revirar.
Mesmo coberta de terra e com o rosto contraído pela dor, ela estava linda, as bochechas beijadas pelo vento, o nariz longo e arrebitado e os lábios avermelhados.
– Merida, você quer namorar comigo?
Tinha consciência da plateia que os observava inclusive Astrid, que estava soltando fumaça.
– Soluço eu... – Ela riu e ele sentiu medo como nunca antes. Seria envergonhado em publico, oh Odin poderoso! — É claro, seu magricelo idiota!
Dizendo isso, ela pulou sorridente no pescoço dele, pesando pouquíssimo, tanta era a alegria que enchia seu peito. Enlaçou os dedos pelos cachos dela e murmurou um “eu te amo” contra o rosto dela. Coisa que, vale mencionar, ela repetiu, ao aproximar-se dos lábios do garoto.
Afinal, eles perceberam, quedas em Quadribol não eram tão horríveis assim.
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