So Far Away
5 Informações - Para relaxar.
Notas iniciais
A pessoa que me “atacou”, era Lucy. Ela estava batendo tão freneticamente que, ao abrir a porta, levei um belo soco, fazendo com que eu cambaleasse para os lados. Acho que isso vai ficar roxo.
–- Oh, meu Deus, Erza!—Exclamou a loira levando as duas mãos sobre a boca. – Não era minha intenção, sinto muito.
–- Se fosse intencional, nesse momento eu estaria escondendo seu corpo em algum lugar, Lucy. – Disse, seguindo em direção à cozinha para pegar gelo, enquanto a loira fechava a porta.
–- Erza, está doendo? – Pergunta a loira já atrás de mim com certa culpa.
–- Não se preocupe, vou ficar bem. E então, o que lhe trouxe aqui? – Perguntei enquanto amarrava o gelo em um pano.
–- Vamos para a sala, é uma longa história. – Disse a loira pegando um pote de sorvete da geladeira. – Credo, Erza. Só tem doce nessa casa?!
–- Pega um pedaço desse bolo para mim, no momento não poderei acompanhar você no sorvete. – Respondi, ignorando sua pergunta, enquanto pegava um garfo e uma colher.
–- Por quê? – A loira já se dirigia para a sala, tirando os sapatos e sentando-se no sofá.
–- Peguei uma gripe que não conseguia nem me mexer de manhã, mas depois que dei uma boa dormida, ela deu uma boa melhorada, então acho melhor prevenir.
–- Agora entendo porque não foi ao colégio, e isso, nos leva ao motivo de eu ter vindo aqui. – Falava ela com a colher cheia de sorvete em mãos.
–- E qual é?
–- Menina! Me conte tudo sobre a sua perseguição ao Jellal ontem!
–- Não acredito que veio por isso. – Falei eu, já cansada de ouvir o nome “Jellal” se repetindo na minha cabeça. – E não foi uma perseguição. – Retruquei.
–- Ué, achou mesmo que eu me esqueceria disso? – Disse ela, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Até porque, ele veio me dizer hoje que está precisando falar com você, e ele pareceu bem envergonhado ao vir falar comigo, exibindo a maior carinha de “cachorro abandonado” que já vi. – Ela falou mostrando um sorriso devasso, que me deixou bastante encabulada.
–- N-Não é nada do que esteja pensando, Lucy!
–- Aham, aham, sei. – Falou de forma descrente. – Erzaaa, conte-me o que fez com o azulzinho, vai, vai!
–- Tá bom, tá bom, Lucy... – Disse eu, bufando um pouco. – Mas não foi nada parecido com qualquer coisa que esteja pensando, sua loira enxerida.
–- Tá, agora me conta! – Ela falou, soltando uns risinhos, e se mostrando totalmente interessada.
Contei-a sobre minha estranha e estressante, experiência com ele no rio. Ela se demonstrou uma boa ouvinte, perdoando-me pelas referências que eu fazia, sobre um passado que ela não conhecia e tendo paciência, pelos parênteses que eu abria para explicá-la, e também perdoando as pausas que eu fazia para comer alguns doces na cozinha.
–- Nossa! Essa dor de cabeça dele foi muito estranha! – Falou ela, também estranhando esse acontecimento incomum do azulado.
–- Pois é! Por sorte o taxista estava perto e me ajudou a levá-lo para o hospital!
–- Hm... Mas ainda não me conformo por ele ter simplesmente esquecido da história de vocês... Será que ele perdeu a memória ou algo do gênero? – Falou ela, num tom pensativo.
–- Perda de memória? Acha que ele realmente pode realmente ter esquecido de tudo, e não estar com raiva por alguma coisa? – Falei eu, um pouco esperançosa, mas ao mesmo tempo angustiada. Ele ter perdido a memória seria ainda pior! Perguntava-me como conseguiria refazer os laços que fiz com ele.
–- Sim, talvez... Mas se ele tivesse perdido a memória, teria de ter sofrido algum acidente... E acho que eu saberia se tivesse acontecido... – Falava ainda num tom pensativo. Parecendo mais uma detetive, do que a loira que eu conhecia — Ah, e também tem o fato dele ter saído do hospital rápido...
–- Sim! Ainda tem isso!
–- Eita! Mas você me falando em raiva me lembrou de uma coisa! Você não sabe da maior!
–- Oh... O que aconteceu?
–- Estão rolando uns boatos que Gray começou a se desfazer de Juvia ontem na natação! Só que Juvia se revoltou contra ele começou a jogar umas coisas na cara dele, dizendo que ele se achava, que era tinha um coração de gelo e coisas do gênero! E no final disse que desistiu de conquistar ele!
–- Não acredito nisso. – Pasmei. Não poderia acreditar que Juvia faria isso. Ela sempre se mostrou estranhamente devota para Gray, mesmo ele não merecendo, as vezes.
–- Pois acredite. Eu mesmo a vi dando um gelo nele hoje! Ele tentou falar com ela, mas ela simplesmente ignorou!
–- Nossa... No dia que eu falto a escola, ela vira de cabeça para baixo! E na boa, eu até concordo com a Juvia. Gray é muito insensível. Chegava a dar pena a forma como ele a tratava.
–- Né? – Disse ela, dando mais uma colherada no pote e enchendo a boca de sorvete.
–- Hm... Mas, sabe Lucy, agora você vai me responder umas perguntinhas. – Falei eu, mostrando um sorriso vingativo.
–- Er... Como assim? – Falou ela, enfiando novamente a colher na boca.
–- O que fez com o Natsu ontem?
–- Ah... É... Nada de mais. Depois que ele acordou, gritou um pouco por eu ter chutado ele, mas, depois de enrola-lo um pouco, ele esqueceu...
–- A é? Sabe... Dizem que você tem uma queda por ele na escola. Soube até que já saíram juntos algumas vezes...
–- D-Dizem? — Respondeu um pouco nervosa.
–- Gaguejou? Isso não é muito comum, vindo de você... – Retruquei de forma desconfiada. – Fechou a boca dele com seus lábios ontem?
–- Erza! – Ela corou. Ver a loira vermelha foi impagável. Agora seria a minha vez de deixá-la envergonhada.
–- Hora essa! Não é todo dia que se vê Lucy Heartfilia com vergonha! – Falei, gargalhando.
–- Humpf! Pode rir, vai. Mas eu não tentei beijá-lo.
–- Não negou que gosta dele? Então você gosta mesmo do Natsu!?
–- Hm... Mais ou menos isso.
Com isso, continuamos conversando por horas. Lucy declarou que era louca por Natsu há muito tempo mesmo, porém o mesmo não se importa muito com relacionamentos do gênero. Só pensa em vadiar com os amigos e jogar videogame. Nunca notou o que Lucy sentia por ele, e ela não quer se declarar, com medo de estragar a amizade que eles firmaram.
–- Você deveria se declarar para ele, Lucy. – Falei, convicta.
–- Ah, Erza, você sabe que Natsu é muito infantil! – Ela retrucou, dando desculpas para o medo de ser rejeitada – E você também não tem moral para falar isso. Ainda não se declarou para o Jellal.
–- Eu não estou apaixonada por ele. – Respondi de forma ríspida.
–- Erza, você e eu sabemos que isso não é verdade. – Lucy falou, com uma expressão muito séria, parecendo prestes a me dar um sermão.
Mas ela não estava errada. Eu não conseguia admitir o que já tinha aceitado. E como poderia? Como poderia dizer a um garoto que mal demonstra se importar comigo que gosto dele? Como eu poderia dizer a alguém isso? Eu tenho meu orgulho.
___x___
Depois de horas conversando e engordando, a loira foi embora. Resolvi matar meu resto de tempo fazendo algo útil. Primeiro decidi fazer uma faxina na casa, mas como eu fazia isso todos os dias, ela não se encontrava em tanta desordem. Decidi ouvir um pouco de música. Comecei ao som de “7th Trigger” de Uverworld. Empolguei-me, e quando percebi já estava cantando. Aquela música me fazia querer dançar, era uma ótima sensação, como se eu tivesse recebido uma boa dose de adrenalina no corpo. Escutei algumas outras, como “Limitless” que também era de Uver, “No Scared” e “The Begining” que eram de One Ok Rock. Quando eu já estava terminando de varrer, não me controlei ao ouvir “Mighty Long Fall” de One Ok Rock, usei a vassoura como microfone e guitarra, aquilo era tão... divertido? Há quanto tempo não me sentia assim? Há quanto tempo não me preocupava com nada, a não ser a pouca duração da música? Estava me sentindo... livre.
Quando terminei toda a arrumação já estava noite, o céu com poucas estrelas, e a Lua não havia aparecido está noite.
Fui tomar um banho para relaxar, demorei certo tempo, mas assim que sai, já pronta pra dormi, me direcionei para a cama, e de tão esgotada que estava adormeci.
Hoje o azulado não havia predominado meus pensamentos, aquilo tudo fez com que eu esquecesse qualquer tipo de preocupação e medo, mas sabia que teria muitas emoções pela manhã.
___x___
Acordei ao ouvir o “amado” despertador, levantei e fui ao banheiro fazer minha higiene matinal, coloquei o uniforme e o blazer vinho, diferente dos demais alunos, que usavam um suéter. Não era habituada a tomar café da manhã, então apenas peguei minha mochila e fui para o colégio.
O caminho foi tranqüilo, não encontrei Lucy e nenhum colega por ele. O clima estava ótimo, não havia sinal de chuva, ou seja, nada de roupa molhada hoje.
Quando avistei a entrada do colégio, Jellal estava encostado na parede ao lado do portão, segui em frente receosa, afinal, Lucy havia dito que ele queria falar comigo. Quando fui passar reto por ele, senti sua mão agarrando meu braço, sabendo quem era, me virei. Nossos olhos se encontraram, não sabia decifrar os deles, e não sei se ele conseguia decifrar os meus, mas eu tinha certeza, estávamos sentindo a mesma coisa.
–- Precisamos conversar, Erza.
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