So Far Away
33 Tudo termina aonde começa.
Notas iniciais
Andressa esfregou os olhos confusa, olhou para Rachel que a abraçava desesperadamente enquanto chorava nos braços da morena.
–Andressa.-Thor apareceu apenas vestido de uma calça de moletom, viu a expressão os olhos confusos da morena o encarar rapidamente e logo depois olhar a sua frente, para a mulher que agora ia escorregando direto para o chão, ficando de joelhos.
–Por favor, por favor.-implorava segurando as mãos de Andressa, a morena tentou recuar mas Rachel a segurou com mais força, pelas pernas.-Por favor.-pediu angustiada com as lágrimas escorrendo pela face completamente machucada.
–Thor, pegue uma pano molhado por favor.-pediu minutos depois, empurrou a porta a fazendo fechar e abaixou até a mulher que tremia.-Rachel.-chamou a mesma mas Rachel apenas olhou pelos lados assustada.-Rachel.-os olhos azuis de Rachel se fixaram nos da morena e ela pode sentir o medo, o pavo que ela sentia.
–Ele vai me matar quando descobrir que eu fugi, vai matar a mim e o meu bebê.-sussurrou no ouvido de Andressa-E depois virá atrás de você.
Andressa sentiu os pelos do braço se eriçarem, o ar do apartamento havia ficado frio de repente, viu Rachel tremer violentamente, mas sabia que não era por frio, mas sim pelo medo e a adrenalina que começava a se dissipar do corpo da mulher.
–Quem é ele?-perguntou tentando transparecer calma enquanto pegava o pano molhado que Thor lhe estendia, mas o deus viu que as mãos dela tremiam com temor. Rachel permaneceu em silêncio, olhando por todos os cantos do apartamento, como se Kevin pudesse sair a qualquer minuto de algum comodo e mata-la assim como o bebê.-Rachel.-virou o rosto da mesma, mas os olhos não paravam em nenhum ponto por mais de cinco segundos.-Olhe para mim.-Pediu com a voz calma enquanto passava o pano molhado lentamente nas mãos sujas de sangue da mulher.-De quem é esse sangue?
–Meu. Meu, meu, meu.-disse sem controle.-segurando o rosto de Andressa com as duas mãos encostando a testa das duas.-Ele... ele... ele vai voltar.-murmurou e olhou em volta. Thor olhava atento a toda cena, Andressa sentada ao chão, junto de Rachel, enquanto a mesma voltava a ficar de joelhos. Sentiu pena da mulher, ela estava completamente suja, os cabelos emaranhados de forma estranha, as roupas largas e rasgadas, a calça e a assim como as mãos sujas de sangue, mas o mais triste era a forma como estava esquelética, a barriga parecia enorme, apenas dos poucos meses de gravidez.-Ele, vai voltar.-deu um grito de pavor recuando para trás como um animal acuado.
–Quem, Rachel? Quem vai voltar.-embora soubesse a resposta, Andressa queria ouvir da boca de Rachel. Se aproximou dela com cuidado, devagar, para não assusta-la. Mas se surpreendeu assim que a mulher a abraçou.
–Kevin.
...
Do outro lado da sala, Andressa observava Rachel sentado no sofá, o rosto da mulher como estava machucado, a aparência esquelética e a barriga que abrigava um bebê, filho de Kevin.
Se antes restava alguma duvida de que o homem estava vivo, havia acabado no momento em que Rachel dissera o nome dele. Mas Andressa se perguntava como ele ainda estava vivo, se alguns anos atrás havia acertado um bala no meio da testa dele, sem chances para que ele sobrevivesse. Thor estava ao lado dela, mas diferente dela, Thor a observava, o deus estava preocupado com ela, preocupado com o que podia acontecer a ela.
A madrugada se estendia, gélida e chuvosa, Andressa subiu e restirou a blusa de Thor e se vestiu com as próprias roupas, pegou um lençol e voltou a descer, encontrou Rachel encolhida se balançando para frente e para trás.
Abrindo o lençol colocou sobre os ombros magricelos da mulher e caminhou até Thor, entregando a blusa do mesmo que logo a vestiu. Agora só era questão de minutos para que Clint chegasse com uma equipe da Shield.
...
A campainha tocou, Rachel olhou alarmada para a porta, pensando que poderia ser Kevin para cumprir o que falara. Andressa caminhou até a mesma e a abriu, viu Clint que beijou a testa dela rapidamente, o arqueiro entrou no apartamento mas se limitou a olhar para a mulher no sofá. Em seguida outros agentes que Andressa conhecia entraram no apartamento, eles caminharam até Rachel e conversaram com ela durante alguns minutos, a unica coisa que a mulher fazia era assentir, tinha consciência de que não concordasse poderiam fazer algum mal ao bebê, talvez a separar do mesmo quando nascesse, pelo menos aceitando aquelas coisas que proponham a ela, ela estaria a salvo de Kevin, até pelo menos a raiva passar, depois de algum tempo ela voltaria a falar com ele e falaria que o aceitaria de volta, Andressa jamais ficaria com ele, jamais, ela agora estava com o deus Asgardiano, depois que Kevin caísse em si, entenderia que ela era a mulher certa para ele, pois fora ela quem sempre permaneceu ao lado dele.
Os irmãos e o deus viu quando tiraram Rachel do apartamento, Andressa pegou a chave em cima da bancada da cozinha e caminhou para fora, Bob correu atrás dela, e Thor e Clint ficaram paralisados a olhando.
–Andressa, acho que não deveria ir, eu vou estar lá, cuidarei para que ela fique o melhor possível.-Clint tentou explicar, caminhando até ela.
–Sei que cuidará, mas eu quero está lá.-Disse séria, Clint e Thor sabiam que nada que dissessem mudaria a opinião dela, saíram junto dela e Bob e foram para a base.
...
Do lado de fora do laboratório da enfermaria, Andressa observava o médico examinar Rachel. Já haviam tirado sangue dela para fazer uma bateria de exames, minutos depois uma enfermeira entrou e a limpou, a deixou no quarto, dormindo, talvez e com sorte até tranquila.
–Como ela está, o bebê está bem?-perguntou ao médico assim que o viu preenchendo uma ficha.
–É difícil dizer agora, ela está desidratada e me parece também que passou fome durante algum tempo, isso pode ter afetado o feto que pode não sobreviver.-falou e viu a face da morena cheia de dor. Ela sabia como era perder um filho, e não queria que isso acontecesse com Rachel, nem mesmo com ela.-Mas faremos o possível para que ela melhore e o bebê também.
Andressa assentiu e permaneceu por alguns minutos olhando a mulher, depois caminhou pela base até dar de cara com Thor e Clint e Bob que quando a viu abanou o rabo inquieto.
–Ela está bem?-Clint perguntou preocupado enquanto cruzava os braços.
–Mais ou menos, está desidratada e parece que passou fome durante um certo período, e o médico disse que com isso o bebê pode não sobreviver, mas também há chances do bebê viver, é difícil dizer.-explicou ao irmão que a abraçou.
–Me desculpa por ter duvidado de você.
–Tudo bem, acho que no seu lugar eu também faria o mesmo.-beijou a testa do irmão carinhosamente dando um pequeno sorriso.
–Vá para casa, descanse, tenho certeza de que isso foi um grande susto para você, eu fico de olho nela, qualquer coisa eu aviso para você.
Ela pensou por alguns minutos mas depois decidiu ir embora, não havia mas nada que pudesse fazer. Se despediu de Clint e caminhou abraçada de lado com Thor até o estacionamento, lá pegaram o carro e ela dirigiu rapidamente de volta ao apartamento.
...
Observavam a porta da sacada molhada pela chuva, como as gotas escorriam pelo vidro numa dança imperfeita e sem controle, o céu era completamente negro e a lua não podia ser vista. Sentindo o calor do corpo de Thor, Andressa, se aconchegou mais nele e juntou as mãos dos dois.
–Thor.-o chamou em um sussurro que ela mesmo nem conseguiu ouvir, mas que ele pode ouvir.
–Diga.
–Quero te pedir uma coisa.-disse séria, mas em nenhum momento se moveu, preferiu encarar a sacada, a porta molhada. Ele se manteve em silêncio esperando que ela falasse.-Quando Kevin me encontrar, e eu sei que ele vai, e sinto que não irá demorar muito pois sei que ele já sabe aonde eu estou, quero que me prometa que não irá interferir.
–Como assim?
–Vamos nos confrontar e eu não quero que você interfira, isso é uma briga minha e eu quero acabar com isso.-explicou e sentiu o peito de Thor ficar rígido sobre as costas dela.-Quero que entenda que eu preciso fazer isso e você não pode interferir.
–Eu entendo.-falou segurando com mais força as mãos dela enquanto observava, assim como ela, a porta molhada.-Farei o que me pediu.
–Obrigado.-virando de frente a ele o beijou, logo deitou a cabeça sobre o peito musculoso dele e dormiu.
O deus permaneceu acordado, acariciando as costas da morena, sentindo o cheiro dela e a preocupação se acumular dentro dele.
...
Ele se preparava para dormir em seu pequeno dormitório da shield, achava patético um deus Asgardiano dormir num minusculo quarto daqueles e odiava a ideia de não poder usar os poderes. Ele via como os outros olhavam para ele, alguns com pena, outros com ódio, as vezes o ridicularizavam, mas existia uma pessoa que não, que quando o olhava parecia intende-lo.
–Maria Hill.-pronunciou o nome da mulher, apreciou a sensação que o nome pronunciado causava nos lábios dele, sentiu um súbito calor se alastrar pelo corpo e o formigamento dos lábios.
Sentou na cama, que era desconfortável, e riu. Ainda lembrava da face surpresa da mulher ao vê-lo a poucos minutos atrás aonde ele gostava de observar as estrelas, deixou um gargalhada escapar ao lembrar de como o corpo dela ficou tenso quando ele lhe agarrou a cintura e de como os lábios se curvaram em busca da boca dele.
O mais estranho era o calor que ele sentia, nunca havia sentido nada parecido em toda a vida. O sorriso sumiu do rosto pálido assim que ele teve a pequena ideia de que poderia está se apaixonando por ela, que poderia está gostando de uma humana, de uma simples e insignificante humana.
Se levantou como um pulo e caminhou pelo quarto, o plano era apenas brincar, usar ela e não sentir o coração acelerado quando estava perto dela, não sentir prazer quando os lábios dos dois se tocarem, assim como havia acontecido a minutos atrás.
Se tacou na cama uma ultima vez e fechou os olhos, se forçando a dormir.
...
Ao acordar, se viu sozinha, Thor não estava mais na cama, já era dia. Se sentou na cama e ajeitou os cabelos, a chuva da noite passada não havia passado e o céu estava tomado por nuvens cinzas. Ela agarrou o corpo pelo frio que tomava o quarto e levantou preguiçosamente, Bob que estava deitado no pé da cama levantou e se despreguiçou no chão dando um alto latido.
–Bom dia, querido.-beijou a testa do cachorro e caminhou para fora do quarto, o corredor do apartamento estava silencioso e as portas dos quartos das amigas fechadas. Bob desceu correndo, como um cão de guarda que checa se está tudo bem. Ouviu a agitação no comodo de baixo, o cachorro parecendo se divertir, quando chegou na escada desceu a mesma, viu Thor sentado no sofá e Bob sobre o deus lambendo o mesmo que ria e acariciava a cabeça do cachorro. Quando viu a imagem da morena na escada se levantou e caminhou até ela, a abraçando.-O que foi?
–Como?
–Não estava na cama, pensei que tivesse voltado para Asgard, mas vejo que me enganei.-olhou para ele e viu os olhos dele aflitos.-O que foi?
–Nada, só não consegui dormir até tarde, levantei pois... Pois quis vim aqui em baixo beber um copo d'água.-mentiu a soltando e caminhando de novo para o sofá.
–É pelo o que eu disse ontem?-cruzou os braços e viu quando ele a olhou sentado do sofá. Ele não disse nada, permaneceu calado e voltou a atenção para a enorme tela de plasma que estava a frente.-Thor.-o chamou, mas ele não se moveu, desceu o ultimo degrau e caminhou até ele no sofá, sentou sobre as pernas dele e o encarou durante alguns minutos.
–E se ele te matar?-a voz estava baixa, mas Andressa sentiu a preocupação, dando um pequeno sorriso, passou os braços sobre o pescoço dele.-Está rindo? Acha isso engraçado?
–Na verdade, acho!-riu mais ainda ao ver o rosto dele sério.-Deus, eu aprecio a sua preocupação, aliais, adoro quando se preocupam comigo.-deu um pequeno beijo nele.-Você fica mais lindo ainda preocupado, mas devo dizer que não tem com o que...
–Se preocupar?
–Exato.
–Tem certeza do que está dizendo?-questionou tentando se levantar, mas ela o impediu.
–Thor, eu sei que está preocupado, vejo em seus olhos.-séria, o encarou.-Eu sei muito bem com quem estou lidando e sei que quem tem que acabar com isso sou eu! Não você, nem ninguém. Apenas Eu. E não quero que interfiram, muito menos você, porque você sabe que eu sou capaz e vou sair bem dessa.
–To tentando acreditar nisso.
–Pois acredite, Deus.-sorrindo o beijou enquanto sentia as mãos dele sobre as coxas, as apertando.
–Humana.-disse num murmurio e aprofundou o beijo mais, tirou a blusa que ela vestia e riu assim que ela tirou a dele, atrapalhados se livraram das ultimas peças enquanto Thor a deitou no sofá, colando o corpo no dela, unindo os corpos lentamente e ouvindo o pequeno gemido dela.
Não se importaram se alguém pudesse chegar, continuaram se entregando um para o outro até estarem saciados.
...
1 Semana Depois.
Ela ainda pensava se deveria ou não fazer que tinha em mente, se olhando uma ultima vez no espelho, relembrou da ultima vez que havia estado no local.
O desespero o medo e a decepção.
O choro inconsolável.
Respirou fundo, passando as mãos no rosto, talvez não devesse insistir na ideia, ela havia prometido a ela que nunca mais iria por o pé naquele lugar.
Os passos confusos preenchiam o quarto, o som oco e sem vida. A sacada estava aberta, com as portas escancaradas, mas mesmo assim ela se via sem luz. Respirou o ar com força uma ultima vez e decidiu que encarar aquilo de cara, frente a frente era mais fácil, pegou a bolsa sobre a cama e desceu, a casa estava vazia, Jason e Carolina passavam a maior parte do tempo na base e Clint e Marie no apartamento dele. Ela não se importava, sabia que eles estavam felizes daquele modo, juntos cada um a sua maneira.
Deu um pequeno sorriso enquanto Bob caminhava ao lado dela, fechou a porta do apartamento e correu para pegar o elevador, Bob correu animado.
Pensou em Thor, o Deus havia voltado para Asgard fazia três dias e ela já estava com saudades e com medo por se sentir tão dependente dele. Tentava lidar com a realidade da melhor forma possível, mas só em pensar do que havia acontecido na vez anterior, o estomago revirava. Se Thor estivesse na terra não deixaria ela fazer aquilo, nunca.
Mas ela precisava.
Desceu até o estacionamento com Bob ao lado e caminhou até o carro, entrou no mesmo e dirigiu, agitada, para o lugar que ela pensou que jamais voltaria.
...
TORRE STARK:
Tony, ouvia AC/DC num volume que ele achava que não poderia deteriorar a audição do filho, mas assim que viu Howard com o pequeno boneco do homem de ferro, o pequeno presente que Andressa havia lhe dado a alguns anos atrás, correu até o mesmo, antes que o filho abocanha-se o boneco e deixasse as marcas dos primeiros dentinhos que nasciam.
Dando um sorriso amargo, Tony observou o pequeno boneco nas mãos, lembrou exatamente do dia em que ela havia lhe dado de presente, do sorriso no rosto dela por finalmente ter tirado o gesso do braço, e também de como ela havia ficado furiosa pela presença de Pepper na mansão.
Caminhando pela oficina da torre, deu um sorriso bobo ao lembrar da discussão que tiveram, do jeito infantil e frágil dela de dizer que preferia chocolate quando ele dissera que ela fugia das brigas e voltava quando as coisas eram flores novamente, lembrou também de como fizeram amor, do corpo dela, de todos os detalhes, de como ela chamava o nome dele perdida pelo desejo que sentiam um pelo outro. Ainda podia sentir como era toca-la, da pele macia, do cheiro dela, do maravilhoso cheiro que ele sentia falta todos os dias que acordava sem ela. Sentiu o nó na garganta ao pensar que provavelmente havia sido aquela vez que ela engravidara do filho, ou melhor, filha deles que nunca havia chegado a nascer.
Respirou fundo e colocou o pequeno boneco num lugar seguro de Howard. A música havia acabado e agora tocava Black Sabath, tentando deixar todas aquelas lembranças para trás, ele voltou até a mesa que havia algumas peças da nova armadura que ele montava, envolvido pela musica nem mesmo percebeu que o elevador estava em movimento e o chamado de Jarvis para avisar que alguém estava chegando.
–"Senhor, SENHOR."-o volume do computador estava alto demais, Tony tomou um pequeno susto, mas por fim saiu do transe.
–Sim Jarvis.-respondeu se levantando e caminhando até o frigobar e pegando uma garrafa lacrada de água, abriu a mesma e deu longos goles.
–Senhor, o senhor tem uma visita.
–Seja quem for, mande ir embora J, estou ocupado demais montando aquela nova armadura.
–Senhor, a visita já está no elevador.
–Quem é?-perguntou mal humorado, caminhando até Howard que estava no cercado que ele havia montado na oficia, brincando com alguns legos, montando formas indecifráveis, que faziam sentido apenas na pequena cabeça dele.
–"A visita pediu para não falar, pois quer fazer uma surpresa."
–Hora, Jarvis, diga logo quem é está pessoa, odeio surpresas.-irritado Tony se sentou novamente de frente a mesa e voltou a mexer em algumas peças soltas da armadura.
Nem mesmo percebeu quando ela saiu do elevador com o cachorro atrás de si.
–Eu realmente esperava uma recepção mais calorosa.-com ar decepcionado, viu Tony virar no mesmo instante e encara-la boquiaberto.-Olá, Tonyzinho.
...
Talvez ele estivesse imaginando, já que havia passado grande parte do dia pensando nela, ou talvez até mesmo tivesse caído e batido a cabeça no chão da oficina, e agora estava lá, estirado no piso branco, com a cabeça em uma poça do próprio sangue. Tentou processar outros motivos para ver Andressa sorrindo de frente para ele na torre. Talvez fosse a falta de alimento, já que ultimamente ele mais bebia do que comia, não que ele voltasse a beber como antes, mas agora só trocava as refeições pela bebida.
Segurou sobre a pequena mesa de metal que sustentava pequenas partes já montadas da armadura, que ele construía, fechou os olhos com força.
Sim. Logo aquela imagem tão real dela iria desaparecer.
Mas a voz? Ele havia escutado a voz, o chamando por aquele apelido tão ridículo que ele adorava, com aquele tom sensual que ele amava ouvir.
–Não é um sonho, Tonyzinho.-dessa vez ele abriu os olhos ao ouvir novamente a voz dela preencher o lugar.
Andressa sorriu entrando mais na oficina com passos incertos, sentindo os pés pesados e segurando a alça da bolsa enquanto fincava a unha no coro tentando não pensar nas coisas que haviam acontecido. Bob a seguia, assim como um segurança segue um ídolo, tentando protege-lo de todos perigos.
–Aposto que está surpreso por me ver aqui, não é mesmo?-parou olhando em volta, respirando calmamente, inspirando aquele chairo tão familiar. Viu num canto brincando sozinho com peças de lego coloridas, Howard.-Também pensei que jamais voltaria aqui.-largou a bolsa a bolsa em uma mesa que havia apenas papeis. Caminhou até o bebê que assim que a viu ficou de pé, sorrindo com os braços gorduchos esticados para que ela p pegasse. Ela não exitou em pega-lo
O pequeno encheu o rosto de Andressa de beijos enquanto ela ria.
–Ele realmente é seu filho, olhe só o ar de conquistador. Howard, você me conquistou meu coração, se não fosse tão novo, poderíamos namorar.-disse brincalhona e segurou o pequeno com mais firmeza assim que ele se agitou nos braços dela parecendo entender o que ela havia dito.
–Ele te adora.-Tony falou finalmente.
–Também o adoro.-disse e Tony sabia que era sincero da parte dela, até porque o filho era apenas o fruto do erro que ele e Pepper haviam cometido.
–Eu realmente pensei que nunca mais fosse te ver aqui. deu um passo em direção a ela, mas parou ao perceber o olhar desconfiado de Bob, que parecia pronto para o atacar.
–Olha só, você esta formando frases sem pedir desculpas.-Debochou enquanto sentava na cadeira que havia ali.
Tony riu e lembrou ao olhar para ela que eles haviam transado sobre a mesa que ela estava em frente.
–Acho que percebeu o quão irritante é ficar pedindo desculpa a todo momento.
–Descu...-eles riram e ele se calou antes de terminar a palavra.
–Antes que você se pergunte o que vim fazer aqui, vim ver esse menino lindo.-apetou os pequenos braços de Howard de forma carinhosa, esse que se agarrou a ela.-E você.
–Depois de tudo o que eu causei a você?-incrédulo andou de um lado para outro.
–É, sabe como é né? Mulheres, sentimentalismo, essas coisas. Você pode ter ferrado comigo, mas... Sempre será muito importante para mim, na minha vida.
Viu quando ele apenas assentiu passando as mãos sobre o rosto e dando de costas, caminhando até a enorme janela de vidro.
–Ora, vamos lá, Tony, não chore.-pediu enquanto voltava a por o pequeno no cercado e caminhou até Tony que olhava a imagem de NY, o céu escurecendo a medida que a noite chegava, a chuva aumentava , caindo generosamente do céu cinza desbotado.
Viu a face do mesmo molhada pelas lágrimas que ele havia tentado conter, mas que não se envergonhava em derramar na frente dela.
–Você... É tudo, e vejo a cada dia que passa que fui o pior...
–Tony... Não, não precisa pensar, nem mesmo falar.
–Eu só queria entender como você consegue...
–Falar com você? Olhar para você?-perguntou agora agora de um lado para o outro.-Bom, não sei ao certo.-Parou encarando Tony.-Talvez ainda tenho um pouco de humanidade em mim.-sorrindo enfiou as mão dentro dos bolsos da calça jeans.-O que estou tentando dizer é que isso já passou. Já te perdoei.
–Não consigo aceitar isso tão fácil.-admitiu.
–Por quê? Se eu...
–Porquê fui eu quem te fiz mal, porque foi por causa de mim que você quase morreu e perdeu a nossa filha, porque eu fui um babaca que não me controlei, não pensei no que você já tinha passado, eu fiz da sua vida um inferno.-Explodiu, pôs tudo para fora que ele pensava.-Não consigo entender.
–Não seja tão duro consigo mesmo, Tony.-deu de ombros enquanto caminhava pela oficina, observando sobre as pequenas mesas algumas peças soltas da armadura.
–Como não?
–Só não seja! Você quer se castigar por isso porque acha que merece essa dor, porque acha que provocou isso.-sentou sobre a mesa e riu.-Deveríamos saber, deveríamos ter previsto antes de causar toda essa dor em nos. Nos envolvemos, nos apaixonados, mas acabamos por esquecer que paixão passa...-se apressou a falar quando viu que ele abria a boca.-Sim, sei que me ama, assim como te amo, mas como já disse, é apenas carinho, compaixão, preocupação. O que tivemos nunca vai ser esquecido, até porque seria impossível de esquecer. Lembra das nossas loucuras? De como transamos em cima dessa mesa depois que cheguei de uma missão?
–Devo dizer que assim que a vi sentada na cadeira lembrei desse dia. Lembro também que estava preocupado porque você não ligou para falar que estava bem.-se deu ao luxo de sorrir e caminhou até ficar de frente para ela.-Acho que se eu der mais um passo em sua direção seu guarda-costas irá me atacar.
–Bob?-Olhou para o cachorro que estava de pé, olhando para Tony, firme.-Bem, ele realmente está com um olhar ameaçador, deveria ter muito cuidado.-alertou ele com cautela.
–Tomarei.-eles riram e Howard riu também de dentro do cercado.
–Sabe o que quero comer?-perguntou com um bico infantil.
–O quê?
–Paraíso.
–Pizza. Sabe que já perdi a conta de quanto tempo não como pizza?
–Tá legal, quero que me responda com sinceridade. Há quanto tempo não se alimenta direto?
–Para ser sincero?-perguntou caminhando lentamente e se sentando ao lado dela na mesa, a viu assentir atenta e deu um meio sorriso.-Desde que nos separamos.
–Claro que sim.-pensou em deitar a cabeça no ombro dele, mas percebeu que ainda não estava preparada para aquele contato tão intimo e próximo.-Tudo bem, hoje serei sua solução contra a fome.
–O que quer dizer com isso?-perguntou confuso vendo ela se levantar e tirar o casaco e o jogar sobre a bolsa, e em seguida de livrar do tênis que calçava ficando apenas de meia.
Tony riu, ela parecia tão confortável, infantil e feliz.
–o que quero dizer é que vou faze-lo comer. Jarvis, peça duas pizzas, uma de 4 queijos e a a outra de calabresa.
–"Sim, senhorita Barton."
–Ele atende as suas ordens mais rápidos do que as minhas.-resmungou fazendo Andressa rir.-Deveria ser ao contrário, eu quem criei ele ele deveria me atender sem pestanejar um segundo.
–Isso se chama charme feminino, até os computadores não resistem, mesmo que tenham sido criados por você.-explicou se sentindo superior.-Agora vamos lá, me conte o que está planejando.
Ele ficou confuso, tentando entender porque ela estava fazendo aquilo, mas percebeu que ela queria quebrar o gelo, queria deixar aquele clima tenso de lado. Caminhou pela torre com ela junto dele, ouvindo tudo o que ele falava atentamente.
...
Tony riu sentado no chão, observando Andressa dançar com Howard que dava gritinhos de satisfação.
Minutos depois o elevador se abriu e Happy saiu de lá com duas pizzas e uma bolsa de plastico com latas de refrigerante. Ele ficou durante vários minutos com os dois, comendo pizza enquanto contava a aventura que havia vivido por conta de Tony, quando Mandarim havia atacado, logo depois desceu voltando a deixar os dois sozinhos novamente.
–É sério, ficarei um bom tempo sem comer pizza.-ela falou se deitando no chão e se espreguiçando. Viu Tony a observar, os olhos dele percorrendo todo o corpo dela.
–Você fez a mesma coisa quando veio morar na torre, se deitou no chão e se espreguiçou.
–Velhos hábitos demoram a morrer, não é mesmo?!-perguntou voltando a se sentar, pegou um pedaço de pizza e tacou para Bob.
–Sim, demoram.
–Vim lhe trazer uma coisa.-ficou de pé e caminhou até a bolsa sobre a mesa, tirou de lá um pequeno saquinho aveludado e voltou até ele o entregando.
Ele pegou o pequeno saco e o abriu, foi invadido por lembranças assim que viu o que era.
–Eu dei para você.
Nas mãos dele havia o cordão que ele a havia presenteado no aniversário dela.
–Sim, sei que deu para mim, mas foi apenas por se sentir culpado. Eu sabia que havia algo errado naquele dia, você estava tão diferente, tenso, vi em seus olhos.
–Não lhe dei o cordão por me senti culpado. Lhe dei o cordão porque quis. Era seu aniversário e eu queria lhe dar algo especial, que se parecesse com você, nada mais justo que uma asa de anjo.-sorriu para ela.-Quero que fique com você.
–Tony...
–Por favor. Sei que não irá usar, mas guarde-o.-se levantou caminhando até ela, pegou na mão dela e colocou o cordão e voltou a fecha-la.-É seu. Você era e irá permanecer sendo meu anjo.
–Obrigado, Tony.-riu enquanto voltava a guardar o cordão no pequeno saquinho de veludo e caminhou até a bolsa, aonde o guardou novamente. Quando se virou, os olhos dela encontraram a pequena miniatura, a boneco do homem de ferro que ela havia o presenteado.-Você guardou.-caminhou até o brinquedo e o pegou, ela riu, parecendo emocionada.-Pensei que havia ficado em Malibu, perdida no mar, quando a mansão foi atacada.
–Não, quando voltei para a torre no dia do seu aniversário eu a trouxe na mala, foi algo... Estranho. Antes de voltar eu desci até a oficina, não me lembro o que ia pegar, mas a vi sobre a mesa, quando percebi já estava pondo ela na mala e partindo para o aeroporto.
A música ainda tocava, quem havia escolhido havia sido a morena, era um som calmo e romântico. Quando ela voltou a colocar o brinquedo aonde o havia achado, sentiu as mãos de Tony, uma no ombro e a outra sobre a cintura dela, a virando de frente para ele, com delicadeza. Segundos depois eles dançavam e rodopiavam pela oficina como numa ultima dança, ela fechou os olhos e se entregou ao momento, assim como ele. Dançaram abraçados um no outro, até sentirem que podiam flutuar.
Quando a música acabou, eles abriram os olhos, voltando para a realidade e deixando a ilusão momentânea de lado. Atrás de Tony, ela observou a janela de vidro, o céu negro, sem rastros do entardecer. Se afastou dele sorrindo.
–Preciso ir.-anunciou já calçando os tênis e logo vestindo o casaco, pois sabia que ainda chovia e ainda estava frio lá fora.
–Mas já?-perguntou com desespero, como uma criança, a fazendo rir.
–Sim, já, e a propósito. Já são oito, quase nove da noite. Quando cheguei aqui já passava das quatro.
–Não vejo problema nisso.
–Não espera que eu passe a noite aqui, não é mesmo?-pegando a bolsa, a colocou de lado e caminhou até Howard que brincava com um cachorro de pelúcia, beijou a testa do mesmo e sentiu as pequenas mãos lhe segurar o rosto e logo o mesmo lhe beijar a ponta do nariz e sorrir batendo palmas e em seguida cair sentado.-Até, Howard. Quem sabe daqui a alguns anos não podemos ter um caso? Sei que irá ficar mais lindo do que já é.-piscou para o mesmo que dava pequenos gritos.-Tome seu cachorro de pelúcia, deveria chama-lo de Bob, ele será um cão especial.
–Ele teria sorte.-Tony falou assim que ela levantou e fez uma cara confusa.-Digo o caso.
–Eu é que teria, iria extorqui-lo.-riu junto de Tony. Se abraçaram, sentiram o corpo, notaram que não havia mas aquela sensação, aquele calor, notaram apenas que havia... Amor de amigos.-Quero ouvir noticias sua, quero ouvi-las no rádio, ve-las na TV, quero aquela armadura no céu, causando muita encrenca, Anthony Stark!
–Farei isso.-Segurou o rosto dela de modo delicado olhando os olhos dela.
–Quero também ouvir nos noticiários as pessoas questionando quem você pensa que é e quero ouvi-lo dizer que é Anthony Stark, o homem de ferro.
–Não acha que assim eu estaria inflando o meu ego demais?-perguntou com os olhos semi-cerrados.
–Não seria Tony Stark se não tivesse um super ego, não é mesmo?-perguntou dando um pequeno beijo na testa dele que fez o mesmo com ela.-Quero ver aquela lata velha no céu, Tony, brilhando reluzente.-se soltou dos braços dele e caminhou até o elevador.-Vamos, Bob.-chamou o cachorro que correu e entrou no elevador, se sentou e a esperou quieto. Já dentro do elevador, ela se virou ficando de frente para ele, que tinha as mãos dentro do bolso da calça e as mangas da blusa comprida dobradas no braço até os cotovelos, ele sorria e tinha os olhos, castanhos, marejados.-Seja feliz. Nos vemos em breve, Tonyzinho.
As portas do elevador se fecharam, Andressa se apoiou nas paredes espelhadas e fechou os olhos, contendo as lágrimas, mas não de tristeza, ódio ou dor, mas sim de paz, como se tivesse tirado um enorme peso das costas e alívio.
De volta para casa, recebeu uma ligação do irmão. Clint havia dito que os exames de Rachel estavam bons, assim como os do feto e que ela estava acomodada numa cela especial da Shield.
Se sentiu aliviada, mesmo achando que não deveria, voltou a dirigir para o apartamento com cautela, ainda chovia demais e as estradas estavam perigosas.
Já na porta do apartamento, Bob arranhava o chão com desespero para poder entrar.
–Ei, fica calmo, mocinho.-falou e Bob sentou, mas mesmo assim continuou olhando a porta de forma esperançosa, enquanto gania.-Bob, pare com isso.-falou irritada.-Já vou abrir essa droga de porta, se esperar um minuto.-vasculhou a bolsa enquanto recebia olharem fulminantes do cachorro.-Não me olhe desta forma, já estou procurando a chave.-falou até que finalmente conseguiu encontrar a chave. Bob latiu se levantando assim que ouviu o barulho do chaveiro.-Já estou abrindo, calma, se não irá acordar todo o prédio.-falou quando ele deu mais um latido alto, parecendo dizer. "Vamos lá, não seja tão molenga.
Quando Andressa abriu a porta, Bob correu com desespero esbarrando no que havia pela frente.
.-Tá lega, isso que eu chamo de sentir saudades de casa.-debochou fechando a porta, andou até a sala se sentindo cansada, deu de cara com Thor, que estava sentado no divã.-Por isso que ele estava com toda aquela pressa para entrar.-se referiu a Bob, que agora estava deitado com a barriga para cima, enquanto recebia carinho na barriga de Thor.-Seu vendido!-falou frustrada e viu Bob abanar o rabo com satisfação.
Largou a bolsa sobre o sofá e riu para Thor, ele que se levantou e caminhou pelo comodo escuro se mantendo calado.
–Thor.-o chamou, mas ele se manteve em silêncio.-Aconteceu algo?-perguntou caminhando até ele o abraçando por trás, mas sentiu o corpo dele se enrijecer com o contato dela. O virou de frente para ela, mas ele continuou não olhando para ela.-Pode por favor me olhar nos olhos?-perguntou em tom rude, mas ele não a olhou.-Se não quer falar.-caminhou até a escada e quando pisou no primeiro degrau, parou quando o ouviu respirar fundo, ela se virou com calma enquanto cruzava os braços e esperava.
–Você foi vê-lo!-disse como uma acusação, mas a morena se manteve calma enquanto afirmava com a cabeça.
–Sim, fui vê-lo.-desceu o único degrau que havia subido e parou a poucos passos dele.-Não vejo problemas nisso, você vê?-ela não esperou pela resposta dele, sabia o que estava acontecendo ali, ou pelo menos tinha uma vaga ideia.-O que você acha que aconteceu?-perguntou alto.-Acha que transamos?-indignada, deu um passo à frente.-Me responde.-exigiu com fúria.-Mas tome cuidado com o que vai falar, Thor, pois pode me perder para sempre.
Ele piscou os olhos confuso por ouvir as palavras dela. Não, ele não achava que eles haviam dormido juntos, pois sabia que ela seria incapaz de fazer aquilo. Tinha certeza porque a amava.
–Não! Tenho certeza de que você não faria isso comigo e nem mesmo com você. Confio em você, Andressa.-a viu assentir e voltar a cruzar os braços, e nem mesmo se assustou quando um trovão rompeu no céu, com um som que fez os vidros da janela tremerem.
–O que acha então?-a voz havia voltado a ficar baixa, quase impossível de se ouvir por causa da chuva lá fora.
–Por que foi ver ele?
–Por que não iria, Thor? Só porque ele me magoou?
–Andressa...
–Me senti no dever, fui ver Tony pois ele é, e continuará sendo importante para mim, mesmo com tudo o que vivemos, com tudo o que aconteceu.
–Não consigo entender...
–Como o perdoei? Como perdoou Loki?
–São coisas diferentes.
–Sim, é claro que são, são escolhas diferentes, motivos, pessoas e circunstâncias diferentes. São as minhas, Thor, as minhas escolhas, você pode não entender, mas é assim que as coisas são, é assim que funciona!-Se livrou do casaco o tacando sobre o sofá junto da bolsa.
Thor se calou enquanto a observava.
–Eu não quero e nem vou brigar com você, ainda mais por causa de Tony, por uma coisa que já está no passado, enterrada!
–Também não quero brigar com você.-o abraçou respirando fundo.-Mas eu tenho medo de te perder e de que ele possa voltar a fazer mal a você como um dia fez.
–Isso não vai acontecer, Thor!
–Como pode ter tanta certeza?-sussurrou com o rosto colado no cabelo dela, sentindo as mãos dela o apertar o puxando para mais perto.
–Porque eu sei que você não vai deixar.-Segurou o rosto dele entre as mãos o olhando nos olhos, naqueles olhos azuis cheios de amor por ela.-Porque eu escolhi ficar com você. Porque eu quero você, Thor, e não ele. Porque.-respirou fundo fechando os olhos.-Você é tudo pra mim.
–O quê? Pode repetir?-paralisado, encarou os olhos dela a vendo sorrir.
–Porque eu quero você, Thor. Porque você é tudo para mim.
Ele riu a pegando nos braços, rodopiando com ela pelo apartamento escuro. Com o coração aos saltos, a beijou intensamente.
–Quero que você entenda isso de uma vez por todas, Thor.-ela disse ofegante por causa do beijo, ele não respondeu nada, apenas assentiu.-O divã.-falou tentando buscar o ar. Thor se virou e encarou o minusculo sofá de couro preto, mas que logo caminhou e se sentou no mesmo, deixando ela sentada sobre as pernas dele, de frente para ele.
O beijou com sofreguidão, sentiu a língua de Thor lhe explorar a boca, as grandes mãos do deus acariciar o corpo e as sensações aumentarem cada vez mais dentro dela.
–Eu quero você, Thor.-murmurou contendo gemidos ao sentir os dentes de Thor lhe morder o pescoço, os ombros e os seios por cima da blusa, em pequenas mordidas, que fazia o corpo dela acordar mais a cada segundo que passava.
Arrancou a blusa do corpo dele, sentindo as mãos de Thor entrar em baixo da blusa que ela usava e tremeu com o contato. Se sentia pulsando no meio das pernas apenas pelo toque dele, o querendo dentro dela agora, que ele a levasse ao limite, como já havia feito.
Thor despiu a blusa do corpo dela e logo o sutiã, abocanhando um dos seios dela e sentiu quando ela jogou a cabeça para trás, segurando os fios loiros dele, não se importando se estava puxando com força demais.
–Thor.-gemeu o nome dele, assim que sentiu os dentes dele mordiscarem o outro seio dela, mas ele apenas riu, um sorriso pequeno e provocante de quem se deliciava com tudo aquilo.
Ela se levantou com as pernas bambas enquanto ele desabotoava e tirava o jeans e logo a calcinha do corpo dela, a deixando nua. Ela o puxou em seguida, o fazendo levantar e levou as mãos até o jeans que ele usava, o desabotoando e o abaixando junto da box preta que ele usava. Voltou a empurra-lo para o divã e sentou sobre ele, o beijando com força, se uma forma que sentia o coração e o resto do corpo doer.
Sentiu as mãos dele sobre o quadril, a puxando para mais perto, quando o sentiu, se afundou nele. os gemidos se misturaram, loucos, inebriados de tanto prazer. Ela começou a se mover num vai e vem lento, mas logo aumentou o ritmo enquanto rebolava nele, gemendo mais alto, sentindo a sensação crescente dentro dela. Apoiou uma das mãos no sofá e a outra no ombro de Thor, aonde cravou as unhas com desespero.
Fechou os olhos perdendo as forças, Thor a segurou pelos quadris e a ajudou, a fazendo subir e descer, querendo que ela parasse e continuasse ao mesmo tempo, sentindo os músculos do corpo del se contraírem, assim como a feminilidade dela se contrair sobre o membro dele quando ela atingiu o orgasmo, ao ouvir o gemido dela, ele não aguentou mais e se deixou ir.
...
A chuva ainda despencava do céu com fúria, os raios provocavam clarões sobre a sala do apartamento, mas eles não ligavam.
Enroscados um no outro, Andressa beijou o peito de Thor e descansou a cabeça, pode ouvir o coração dele bater e sentiu o dela no mesmo ritmo, como se fossem apenas um.
Se levantou lentamente e puxou Thor, subiram a escada juntos trocando beijos e rindo pela nudez dos dois. Ela abriu a porta do quarto de forma atrapalhada, pôs Thor lhe mordia a nuca.
O quarto estava imerso na escuridão, as cortinas pretas impedia que qualquer luz penetrasse no comodo. Eles pescaram algumas vezes até os olhos se acostumarem com a escuridão, como animais selvagens.
–Droga.-exclamou assim que o pé bateu contra a poltrona que havia ali.-De onde saiu essa droga? Essa poltrona não estava ai!-reclamou ouvindo o riso de Thor. Logo ele a peou nos braços e caminhou até a cama.-Não ia mais esbarrar nas coisas.
–Quis prevenir.-sorrindo, encontrou os lábios dela na escuridão, a beijando com urgência.
–Sabe que, quando comprei aquele divã, foi pensando em você?-revelou sorrindo. As vozes ecoavam pelo quarto escuro, se misturando com o som da chuva, que continuava castigando NY.
–Foi?-Thor perguntou beijando o pescoço dela, enquanto descia os beijos por todo o corpo, a ouvindo suspirar segurando os lençóis da cama com força.
–Foi sim.-gemeu as palavras quando sentiu os lábios de Thor, beijando e mordendo a parte interna da coxa dela.-Não pensei no sexo. No momento apenas pensei em você, mas depois quando estávamos arrumando o apartamento, vi seus olhos sobre mim, ai sim pensei em sexo no divã.
–Uma ótima escolha por sinal.-ressaltou ele voltando a subir os beijos pelo corpo dela.-Naquele dia, enquanto arrumávamos o apartamento eu estava louco por você. Te imaginei nos meus braços, nos imaginei fazendo amor.
–Como? Como nos imaginou? Me mostre, Thor.-sussurrou no ouvido dele que não exitou em demonstrar a ela.
...
NEW YORK
Kevin permanecia entre a sacada e a sala de seu apartamento com um binóculo em mãos e o fone de ouvido, ouvindo tudo que acontecia no apartamento de Andressa.
Ele a viu junto de Thor, ouviu toda a pequena discussão e depois o sexo, ouviu os gemidos de Andressa e quando ela havia dito que queria Thor, que havia escolhido ele.
Kevin sabia que aquilo não passava de mentiras, que Andressa amava ele e que nunca o deixaria de amar. Ele faria a faria suspirar, tremer, gemer e gozar nos braços dele, como ela havia feito com Thor. Faria ela implorar para ter ele, e eles fugiriam juntos e levariam Annabely e formariam uma família, linda e perfeita.
–Em breve estaremos juntos querida.-voltou para dentro do apartamento e sorriu, tinha que pensar com mais cuidado no plano, ainda havia alguns buracos, algumas falhas. Tinha que ocorrer tudo perfeito.
...
Em algum lugar de New York.
Jason e Carolina caminhavam de mãos dadas pelas ruas movimentadas de NY, sorriam felizes como um casal de adolescentes no auge da paixão.
–Sabe que tenho que agradecer para Andressa?-Jason perguntou sorrindo enquanto puxava a mulher pela cintura e lhe roubava um beijo.
–Posso saber pelo o quê?-Carolina perguntou empurrando o homem e correndo alguns metros se desviando das pessoas.
–Por ter posto você na minha vida.-gritou na rua e correu atrás dela a alcançando a beijando novamente.
–Sendo assim, senhor Jason, vou agradecer a ela também, por ter posto você na minha vida.
–Sim, iremos agradecer, só que outro dia pois hoje iremos para o meu apartamento.
–Quem diria que você, Jason. Assassino profissional iria se apaixonar, um dia.
–E quem diria, que você, Carolina, iria se apaixonar por um assassino profissional sem escrúpulos.
–É, estamos no mesmo ramo.-sorrindo, eles caminharam até o apartamento de Jason.
...
1 SEMANA DEPOIS.
Ela caminhou pela base, havia chegado de uma missão fazia poucos minutos. No rosto e pelo corpo trazia pequenos hematomas e sentia a chegada de uma dor de cabeça, mas o que sentia que precisava era ver Thor e sair com os amigos, como faziam. Beber, jogar conversa fora, e esquecer dos problemas, queria até mesmo que Jason fosse.
Caminhou até o dormitório aonde tomou banho e se trocou, ligou para Clint que prometeu encontrar com ela no bar de Carlos. Ligou depois para Carolina e em seguida para Natasha, as duas prometeram que iriam assim como Clint. Pegou a bolsa sobre a cama e saiu do dormitório, caminhou distraída até que encontrou Rozz.
–Ei china, vamos sair?
–Sair? Para onde?-perguntou terminando de comer uma pequena barra de chocolate.
–Bar do Carlos, você irá gostar, todos que foram nunca reclamaram e os outros estarão lá.
–Então vamos.-falou e se juntou a ela e mais a frente encontraram Loki, que caminhava distraído pelos corredores da base.
–Cunhada.-falou provocativo, Andressa revirou os apenas e respirou fundo.
–Sabe se Thor já voltou de Asgard?-perguntou a contra gosto, ela realmente achava desnecessário falar com Loki. No fim do corredor avistaram Thor, caminhando despreocupado.-Obrigado, você foi bem útil, Loki.-debochou e caminhou até o Deus, que a abraçou e logo lhe beijou a boca.
–Senti saudades humana.
–Também senti saudades, Deus.-divertida encarou o rosto dele e o viu sorrir.-Vamos ao bar do Carlos? Os outros vão estar lá, o que acha?
–Ela fez ótimos elogios sobre esse bar.-Rozz disse passando por eles caminhando para o estacionamento.
–É realmente um lugar muito bom.-falou enquanto Rozz assentia sorrindo e sumia no corredor.-Mas me lembro que a ultima vez que fomos lá, não estávamos bem.
–Mas dessa vez estamos.
–Sim, estamos.
Loki observava a cena calado, pensando como tudo aquilo era patético. O irmão, o Deus do trovão, apaixonado por uma humana errante e arrogante. Para ele, Thor estava apenas se magoando aos poucos, ele já podia ver o fim que esse relacionamento teria, e seria ainda pior e mais doloroso para Thor, do que Jane Foster.
Vendo os dois sumirem no fim do corredor, ele fez negativo com a cabeça e voltou a caminhar pela base.
...
Bar RED.
Andressa havia acabado de estacionar em frente ao bar, mas já se sentia animada, pois já via o carro de Clint, a moto de Steve e a Ferrari de Jason estacionados.
Saiu do carro com um pulo e caminhou de mãos dadas com Thor no estabelecimento. O bar estava cheio, como de costume. Ela reconheceu alguns motoqueiros e os cumprimentou sorrindo, se jogou praticamente no balcão e abraçou Carlos.
–Ei menina, a quanto tempo você não aparece por aqui.-Carlos falou feliz por vê-la ai.
–Trabalho, e alguns problemas Carlos, mas estou aqui agora, não estou?-desceu do balcão sorrindo.
–Está sim, e seus amigos e seu irmão já chegaram, estão lá no canto.-apontou para um canto do bar e viu os mesmos conversando animados.
–Obrigado, Carlos.-abrindo espaço, eles caminharam entre as pessoas até chegarem na mesa, os amigos e o irmão riam como adolescentes do cantor que cantava musicas antigas de Rock.
–Meu Deus, sério que alguém paga pra esse cara pra cantar?-Rozz perguntou chegando segundos depois fazendo uma careta, pela voz rouca e desafinada do homem.
–Ei china.-Carolina falou surpresa e todos riram pelo apelido.
–Tá vendo, Andressa, Ninguém me respeita por sua culpa.-falou indignado se sentando numa cadeira vazia ao lado de Carolina.-E a propósito, sou coreano.
–Tanto faz.-falaram todos em uníssono.
Depois brincarem mais com Rozz, e Jason relembrar que ele quase havia transado com Francesca e depois ter quase sido assassinado pela mesma, eles pediram mais cerveja. Jason fez questão de pedir ao cantor uma musica para Carolina, outra para Andressa por ter apresentado eles e para todos eles.
Andressa conversava com Natasha sobre o relacionamento da ruiva com Steve, esse que conversava com Thor animado, enfim parecia que eles haviam encontrado um assunto em comum. Andressa perguntou sobre Catherine para Natasha, já que não sabia noticias deles fazia três dias, desde quando ela havia partido em missão, mas Natasha disse que a doutora havia piorado, sentia dor o dia todo, e desconfortos e por isso estava sendo medicada grande parte do dia. Pensou em Annabely, em como a menina deveria está apavorada, lembrava ainda da ultima vez que havia visto a pequena e como ela tinha medo de Catherine morrer, decidiu que no dia seguinte iria na casa de Bruce e de Catherine.
Observando o bar, viu quando Tony chegou, os olhos deles se encontraram e eles sorriram um para o outro, o mesmo caminhou quieto, tentando não se notado e se sentou em um banco de frente para o bar, aonde pediu uma cerveja. Ela se levantou, quando deu o primeiro passo sentiu a mão de Clint a segurar.
–Vai falar com ele?-perguntou olhando de relance para Tony. Steve que antes conversava com Rozz se calou assim como todos os outros.
–Sim, vou chama-lo para se sentar conosco.-soltou a mãos de Clint do braço, mas se manteve no mesmo lugar.-Algum problema?
–Se você consegue olhar na cara dele depois que depois de tudo o que ele fez com você.-dando de ombros, o arqueiro voltou a se sentar e beber a cerveja.
–Me desculpe, Andressa, mas se Tony se juntar a essa mesa eu irei me retirar.-Steve falou arrancando uma pequena risada da morena.
–Do que está rindo?-Clint perguntou sem humor algum.
–Okay, tudo bem.-voltando a se sentar ao lado de Thor, prendeu o cabelo que caia sobre o rosto.-O problema, foi comigo. Não, ainda não acabei.-alertou assim que viu Steve abrir a boca para falar.-Eu sei, o que Tony fez comigo foi... sem explicação, posso dizer para vocês que superou até mesmo os abusos que sofri, mas não digo pela traição, mas sim pela perda do bebê.
–Por esses motivos o Stark deveria ter jogado limpo com você.-o capitão falou sério.
–Sim, concordo, mas eu também deveria ter jogado limpo com ele. a verdade é que não fomos honestos um com outro, no fundo sabíamos que estávamos apenas cuidado um do outro, cuidado das feridas abertas. Chegamos a nos envolver tanto que acabamos achando que nos amávamos como... Você ama Natasha.-falou sem medo, afinal, todos sabiam do envolvimento deles.
–Mas isso não justifica toda a dor que ele lhe causou.-Steve insistiu.
–Não, com certeza não.-Mas eu consegui perdoar ele, porque você não consegue? Porque vocês não conseguem?-observou o rostos, todos sérios e pensativos, Steve tinha a cabeça baixa.-Tenho certeza nenhum de nós pode puni-lo mais do que ele mesmo.
Voltou a se levantar, deixando todos pensativos, caminhou até Tony rodopiando e rindo com os motoqueiros que tentavam dançar com ela. Quando chegou ao balcão se debruçou sore o mesmo e pegou a garrafa de cerveja que Tony bebia.
–Ainda não tive noticias da lata velha pelo céu.-riu para Carlos que deu uma piscadela para ela e foi atender outros clientes.
–Tirei algumas horinhas para relaxar.-explicou tentando pegar a garrafa das mãos dela, mas não conseguiu.
–Desde quando se dá ao luxo de horinhas de férias, enquanto está construindo suas armaduras?
–Desde que você entrou na minha vida.
–Me senti importante.-falou divertida colocando a mão livre sobre a cintura e sorrindo.
–Você é importante! Mas poderia me devolver minha cerveja?
–Tá legal, devolvo se você aceitar se sentar conosco.-propôs esperançosa. Tony fez negativo com a cabeça enquanto voltava a vestir a jaqueta de couro.-Vamos lá, Anthony Stark, está com medo dos seus amigos?
–Olha... Não diria medo, diria que sou cuidadoso e que quero me manter vivo pois tenho um filho para cuidar.-viu Andressa sacudir a cabeça e dar um riso fraco.-Sei o que está tentando fazer, mas acho melhor não.
–Por quê?
–Porque tem um cara lá que é seu irmão e que atira flechas de olhos fechados no alvo, e que vale ressaltar, me odeia.
–É verdade, Clint te odeia.-concluiu olhando para Tony que ria.-Mas veja pelo lado positivo, ele não trouxe as flechas.
–Sim, mas ele pode está com uma arma.
–Tony, não acha que se fosse para Clint te mantar, ele já não teria feito?-perguntou e o viu ficar pensativo durante alguns segundos.
–Não.-disse simples.-E acho até mesmo que ele deixou esse tempo passar só para pensar em como me matar de uma forma mais dolorosa.
–Sério?-perguntou incrédula encarando o mesmo.
–Tem também o soldado, não vamos esquecer.
–Steve é seu amigo.
–Temos a ruiva também, dois assassinos e dois agentes treinados pelos melhores agentes da Shield.
–Marie não conta, ela não é uma agente oficial, ainda.
–Ainda. E acho que ela não precisa, pois ela é treinada em grande parte por Clint e você.-a morena assentiu satisfeita enquanto fazia um bico concordando com o que ele havia falado.-E não vamos esquecer o Deus.
–Tony...
–O cara controla raios e vem lá do... Arco iris.
–Engraçado.-deu um sorriso sem graça.-Tudo bem, se não parar de surtar quem vai te matar sou eu.
–Posso saber como?
–Sua cerveja.-Olhou para a garrafa na mão e logo voltou a olhar para ele.-Quebro ela e a acerto em sua garganta, direto na jugular. Você irá morrer esguichando sangue.
–Sempre adorei esse seu lado agressivo. É encantador e excitante.-gesticulou com as mãos.
–Sei que sim, é o meu charme especial.-o abraçou de lado e o obrigou a andar em direção aos outros.
–Se Howard ficar sem pai, será por sua culpa.
–Cale a boca, Tony.
–Tá legal. Me sinto em desvantagem, estou sem minha armadura.-falou mais próximo da mesa.
–Não está completamente desarmado, está com a sua garrafa.-entregou a mesma para ele que riu, tentando imaginar alguma forma de sair apenas extremamente machucado e não morto.
Quando chegaram até a mesa a única pessoa que falou com ele foi Natasha.
–Ruiva.-respondeu tenso, nem mesmo conseguindo se mover.
Viu Andressa e Thor trocarem olhares e logo em seguida o Deus sorrir para ela que também sorriu.
–Bem, eu acho melhor eu ir...-Tony falou, mas foi interrompido por Clint que levantava da mesa.
–Andressa não foi lá atoa te buscar.-o arqueiro se levantou bebendo o resto da cerveja que havia na garrafa.-Sente e beba, ou ao menos termine essa cerveja.
–Obrigado.-Tony falou.
–Sem sentimentalismo por favor, se eu tivesse minhas flechas ou uma arma eu não exitaria em acabar com você.-levando Marie junto, foi para a pista de dança e começaram a dançar.
–Vocês realmente são irmão.-Tony disse esboçando um pequeno sorriso e se sentando na cadeira que o arqueiro ocupava, ficando de frente para Andressa e Thor, essa que ria com toda a situação.
–Stark.-Steve cumprimentou finalmente o homem.
–Capitão.-Tony disse bebendo a cerveja que já estava acabando.
–Sério, nada de apelidos? Como picolé?-Steve perguntou olhando o mesmo desconfiado, enquanto Natasha e os outros riam.
–Como não estou com minha armadura, estou tentando me manter vivo então pensei comigo mesmo que nada de apelidos enquanto ela não fica pronta.-explicou olhando o mesmo que assentiu, como um aluno aprende algo que o professor explica.
–Sábia escolha, lata velha.-Steve falou fazendo com que os outros caíssem ainda mais nas gargalhadas.
–Então vai ser assim, me atacando desta forma?-fingindo falsa indignação levando a mão e a colocando sobre o peito e fingindo secar uma lágrima que não existia. Voltando a postura aceitou a cerveja que que Jason lhe oferecia.-Obrigado.-agradeceu abrindo a cerveja, olhando para todos.-Sei que... os erros que cometi.
–Não, nunca poderiam ser esquecidos e apagados, mas não podemos viver no passado, todos aqui vimos o quanto você já se castigou por isso.-Natasha falou se levantando e puxando Steve junto.-Só vamos esquecer e voltar a ser aquela ridícula equipe.
–Infelizmente precisamos do homem de ferro, melhor, do cara que veste aquela armadura horrorosa.-Steve brincou já caminhando para a pista atrás de Natasha.
–Desde quando o picolé ficou engraçadinho.-Tony perguntou fazendo uma careta enquanto Jason e Carolina levantavam da mesa sorrindo.
–Provavelmente isso é devido a você e as piadas que fazia.-Andressa respondeu olhando pelo bar, vendo Clint dançar com Marie enquanto sorria feliz.-Agora diga, nem foi tão ruim assim.
–É verdade.-com um ar tranquilo e sonhador, Tony se recostou na cadeira.-O que é uma ameaça de morte, para um cara que já foi dado como morto?
–Viu só, não pode me culpar mais por Howard ficar sem pai.
–Isso realmente é tranquilizador.-se levantou ainda sorrindo.
–Aonde pensa que vai Anthony?-a morena perguntou o olhando.
Ele observou a cena, Andressa e Thor, um ao lado do outro com as mãos dadas e descansadas sobre a perna do Deus. Eles faziam um belo casal, pensou dando um sorriso amargo, triste e feliz ao mesmo tempo.
–Para casa, ver Howard e... minha armadura, afinal, você disse que quer ouvir noticias dela.
–Tá legal, mas diga a Howard que mandei um beijo para aquele lindo.
–Falarei.-caminhando em direção a saída, ele parou entre as pessoas e olhou para Thor e Andressa, que trocavam sorrisos e olhares apaixonados. Viu quando o olhar dele cruzou com o de Andressa e logo depois com o de Thor.
–Cuide dela Deus.-gritou para que pudesse ser ouvido por causa da música que estava alta. Thor assentiu sorrindo e dizendo um "pode deixar" mudo.-Se não eu acabo com você, barbie.-Dando um ultimo sorriso, olhou para Andressa que sorria.-Seja feliz, agente. É uma ordem.-ficando de costas para os dois, se enfiou entre as pessoas do bar e logo sumindo da vista dos dois.
...
Deitados na cama, Andressa observava o teto do quarto, agarrada a Thor podia ouvir a respiração serena dele. Thor tinha uma mão embaixo da cabeça e a outra acariciava as costas nua da morena.
–O que você fez por ele foi...
–Não, o que Clint, Steve, Natasha fizeram que foi incrível. Eles poderiam simplesmente abandonarem a mesa, mas escolheram ficar, falar com Tony.
–Depois do que você disse todos nós pensamos.
–O que disse foi apenas verdades, não havia motivos para se tratarem daquela forma, sendo que eu já o havia desculpado.
–Tem razão.-beijou a testa dela.-Tenho uma grande responsabilidade agora.
–O quê?
–Cuidar de você, você ouviu a ameaça do Stark.
–Mas você já faz isso, muito antes de eu me dar conta.-se sentou na cama e se debruçou sobre ele, lhe beijando a boca, logo depois se acomodou nos braços dele e adormeceu.
...
1 Dia Depois.
Andressa havia acabado de chegar na casa de Bruce e Catherine. Carregava animada Annabely no colo que sorria feliz e contava que havia tirado a nota máxima na prova de português e que havia sido razoável na de matemática.
–Acho que o importante é que você não ficou de recuperação em nenhuma matéria, já contou a sua mãe?-perguntou pondo a menina sofá e se sentando ao lado dela.
–Não, mamãe sempre passa a maior parte do tempo dormindo agora.-disse descansando as mãos sobre o vestido rosa que usava, os cabelos estavam soltos sobre o rosto triste.
–Não fique triste, Annabely.-pegou a pequena mão da menina.-Sua mãe logo estará bem, com seu irmão ou irmã, só precisa ter um pouco mais de paciência.-puxou a pequena para mais perto a abraçando enquanto afagava os cabelos dela delicadamente.
–Andressa.-Bruce disse aparecendo na sala, sorriu e caminhou até a morena que levantou e o abraçou.
–Vim visitar essa menina aqui.-agarrou Annabely de lado.-Como Catherine está?-perguntou séria.
–Annabely, será que pode deixar que eu converse um pouco com Andressa sozinho?-Bruce perguntou a menina que assentiu e caminhou até o quarto adaptado de Catherine no comodo de baixo, quando se certificou que a menina não poderia mais ouvir, Bruce voltou a falar.-Catherine não te passado muito bem, as vezes há uma pequena melhora, mas essas ultimas semanas ela tem estado... mal, bem pior do que antes.-falou de forma cansada enquanto passava as mãos sobre os cabelos negros.
–Sinto muito.
–Você quer beber algo?
–Bruce, não se incomode com isso, okay? Sente-se.-fez o mesmo se sentar e caminhou até a cozinha voltando a sala com um copo d'água.-Beba.-entregou o copo ao mesmo que deu apenas um gole e colocou o copo sobre a mesinha da sala.-Sei que está preocupado e até mesmo se sentindo culpado.
–Eu deveria ter evitado tudo isso, essa aproximação. O que eu estava pensando? Eu sou um monstro, Andressa.
–Você é uma pessoa, Bruce. Não havia como vocês saberem que isso iria acontecer, mas vocês se amam, Catherine o ama e logo tudo isso vai acabar, bem antes do que você pensa.
–Eu não sei o que fazer, tenho medo que ela morra e eu não conseguirei me perdoar por isso.
–Não vai ter que se perdoar porque ela não irá morrer, Catherine é muito forte, ela vai lutar para ter esse bebê e vai conseguir.-o olhou nos olhos.-Ela vai ser mãe e vai cuidar do bebê junto de você e Annabely vai ter um irmão.
Ele assentiu deixando algumas lágrimas rolarem dos olhos, Andressa o abraçou mais uma vez tentando conforta-lo.
–Annabely também tem andado muito triste por ver Cath assim, tentei fazer com que ela passeasse com os vizinhos, mas ela simplesmente não quer sair de casa, só vai apenas para escola.
–Posso tentar sair com ela, anima-la um pouco.-sugeriu se levantando e seguindo Bruce até o quarto de Cath.
–Obrigado, Andressa.
–Está tudo bem.
Dentro do quarto ela viu Catherine deitada na cama sorrindo enquanto contava para Annabely uma história sobre uma menina que se transformou numa mulher e depois de sofrer demais ela finalmente encontrou o príncipe encantado e foi feliz para sempre.
–Linda história doutora.-disse caminhando e se sentando numa cadeira vazia ao lado da cama.
–Andressa, que ótima surpresa.-a doutora falou segurando a mão de Andressa que a segurou apertado.-Sim, é a história de uma pessoa muito especial que conheço.
–Como está?
–Agora melhor um pouco, sem dores, só um pouco cansada.
–Mamãe, tirei nota A em minha prova de português.-Bely anunciou feliz.
–Isso é ótimo filha, estou muito orgulhosa.-Catherine falou sorrindo olhando a menina, logo se remexeu na cama dando um pequeno gemido.
–Bely, o que acha de fazermos algo bem gostoso para você comer?-Andressa perguntou sorrindo para Annabely. Havia visto que a doutora voltava a sentir dores e que precisava descansar.-O que acha de... hambúrguer e sorvete como sobremesa?-perguntou e viu Annabely olhar para Catherine esperançosa.-Sua mãe liberou hoje, então aproveite.
–Vá Bely, e coma tudo pois sei que não está se alimentando direito.-Catherine falou forçando um sorriso. A menina beijou a mão da doutora e logo saiu do quarto junto de Andressa. Depois de Annabely comer e tomar o sorvete em frente a TV assistindo desenhos, ela adormeceu no colo da morena.
Andressa subiu com ela no colo e caminhou até o quarto cor de rosa e roxo, com várias bonecas e ursos de pelúcia, colocou a menina na cama e ajeitou os cabelos dela, pegou um cachorro de pelúcia e colocou ao lado dela, deixou o abajur ligado e a deixou no quarto dormindo tranquila, voltou a descer e encontrou Bruce na sala com uma xícara de chá, se preparando para voltar a ficar ao lado de Catherine, se despediu rapidamente do mesmo e informou que voltava no dia seguinte para ver Catherine e levar Bely para passear.
Já no apartamento, ela saia do banho, se enrolou na toalha e saiu do banheiro encontrando Thor sentado na poltrona que havia no quarto e que algumas semanas atrás ela havia batido o pé tentando chegar até a cama no escuro.
–Quando entrei no banho você não estava ai.-sorriu enquanto vestia a calcinha e logo em seguida uma regata.
–Não, não estava.-levantou da poltrona e sentou junto dela na cama.-Como foi?
–Catherine está ainda pior, Bruce está apavorado com a ideia de que ela possa morrer e se sentindo culpado por tudo isso. Annabely Também está abalada com isso tudo, ela é apenas uma criança Thor, já passou por tantas coisas e mais isso.
–Acha que Catherine pode...
–Não, sei que ela vai aguentar, sei que ela irá ficar bem.-disse com certeza o abraçando e deitando a cabeça sobre o peito dele e adormecendo antes mesmo de se dar conta.
...
2 Mês Depois.
Animadas, Annabely e Andressa sorriam depois de chegarem do cinema no apartamento da morena, aonde a pequena iria dormir. Thor estava com as duas e levava Annabely sobre os ombros. Andressa abriu a porta do apartamento mas sentiu que havia algo errado, Bob não estava na porta para recebe-los e o apartamento permanecia em um maldito silêncio.
–Bob.-chamou pelo cão, mas não ouve resposta.-Bob.-chamou novamente e sentiu o coração bater mais rápido, nada, o cachorro não apareceu.
–Bob.-Annabely quem chamou desta vez, assim que Thor a colocou no chão.-Bob.
–Bob.-Andressa chamou com um nó na garganta, caminhando até a sala, escura, mas viu ao pé do sofá o cachorro deitado.-Bob.-chamou mais alto, mas ele não levanto, apenas balançou o rabo. Correu até o mesmo e se ajoelhou diante do cachorro.-Thor, ligue a luz, há algo de errado com Bob.
–Bob?-Annabely gritou correndo até a morena e se ajoelhando ao lado dela.-O que ele tem, Andressa?-perguntou passando a mão sobre a barriga do cachorro que ganiu.
–Não sei Bely.-Andressa disse tentando levantar o cachorro, mas não conseguindo.-Bob, ei garotão, levante.-tentou mais uma vez levantar o mesmo, mas não adiantou, ele permaneceu no chão, ofegado e babando enquanto gania com desespero.-Bob.-chamou o cachorro mais uma vez e viu o rabo do mesmo balançar fracamente, observou os olhos do cão que pareciam vidrados.-Thor.-gritou pelo mesmo que correu até ela.-Tenho que leva-lo para o veterinário, rápido.
Andressa observou o amado pegar o cão no chão e Annabely chamar por ele enquanto acariciava a cabeça do mesmo, ela pendeu as lágrimas e engoliu o nó na garganta ao pensar no pior. Dirigiu o mais rápido que pode até o veterinário mais próximo.
...
Imerso nas sombras do apartamento, ele permanecia sorrindo, a primeira parte do plano havia ocorrido como o planejado, ele não pretendia matar Bob, mas sabia que aquilo era o melhor a ser feito, Andressa esqueceria o cachorro depois de alguns dias e tudo iria ficar bem. As coisas seriam ainda mais fáceis, Annabely estava com a morena, ele poderia pegar as duas e levar elas para casa, aonde ele havia visto Andressa pela primeira vez.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Aonde eles haviam se apaixonado.
...
No pequeno corredor da Clinica veterinária, Andressa esperava impaciente por noticias do cachorro. Andando de um lado para o outro, lembrou de como o cachorro estava, a língua para fora da boca, a respiração ofegante, os olhos vidrados e como ele não reagia aos chamados dela e de Annabely.
Tentava imaginar o que poderia ter deixado o cão daquela forma. O som dos saltos dela ecoavam pelo corredor, mas ela não se dava conta. Annabely, dormia com a cabeça nas pernas de Thor que permanecia acordado olhando ela caminhar de um lado para o outro aflita.
A porta da sala que Bob havia sido levado se abriu, Andressa inspirou fundo ao ver a veterinária sair da mesma e caminhar em direção a ela.
–Tentei fazer o possível, mas ele chegou aqui num nível muito alto de envenenamento.-a doutora informou com a voz baixa e suave.
–Como, envenenamento?-Andressa perguntou confusa, cerrando os olhos enquanto olhava a doutora.
–Sim, ele foi envenenado. Só não entendo como ainda estava vivo e sã quando chegou aqui, pois tinha uma grande quantidade no intestino dele de veneno para ratos.
–Então quer dizer que ele morreu?-as lágrimas agora escorriam sem controles dos olhos de Andressa.
–Não, mas ele não irá resistir, está vivendo os últimos minutos e vim lhe perguntar se não quer se despedir dele.-Andressa assentiu e entrou na sala, aonde viu o enorme cachorro sobre a mesa, acariciou a cabeça dele e sentou no banco que ali havia, próximo a maca.
–Ei garotão.-secando as lágrimas, beijou a cabeça do cachorro, observou os olhos do mesmo que pareciam distantes e se deu conta de que tinha apenas segundos antes de ele partir para sempre.-Lembra quando você chegou até mim? Eu lembro, você era meu pequenininho, lindo com uma fita azul no pescoço, o melhor presente da minha vida.-esperou alguns segundos até conseguir falar novamente.-Lembra a primeira vez que você andou de carro, como ficou com a cara para fora tomando ar enquanto sua orelha voava?-respirando fundo acariciou o focinho do mesmo e juntou a cabeça na dele.-Obrigado, Bob. Obrigado por sempre permanecer ao meu lado, você é o melhor cachorro do mundo, meu pequeno.-quando se afastou Bob tinha os olhos fechados e não respirava mais.
O silêncio da sala foi quebrado pelo choro de Andressa.
...
Thor a viu sair da sala, o nariz estava rosado e os olhos inchados, se levantou com cuidado para que Annabely não acordasse e caminhou até ela a acolhendo nos braços, ouvindo o choro de dor dela.
–Vai ficar tudo bem.-falou tentando reconforta-la.
–Ele o matou, matou Bob, ele o matou Thor.-inconsolada o abraçou com mais força enquanto chorava mais. Minutos se passaram até que ela parou de chorar e olhou para ele.-Foi Kevin que fez isso.
–Como?
–Bob foi envenenado e eu sei que foi ele, mas isso não vai ficar assim. Vou mata-lo.-falou com ódio encarando Thor. Viu ele ficar sério, distante, e olhar para o fim do corredor.-O que foi?
–Asgard.
–Vá. Vou ficar bem.
–Tem certeza?
–Tenho, absoluta.-ela não tinha certeza, queria que ele ficasse ao lado dela, que a levasse para casa e dormissem abraçados, que tampasse a dor que ela sentia naquele momento, mas ela sabia que ele devia ir, que devia lutar para manter o mundo dele bem. Sentiu os lábios dele sobre a testa.-Quero que faça o que pedi. Não quero que interfira em nada.
–Não sei se poderei fazer isso.
–Você prometeu. E isso sou eu quem tenho que fazer.
–Tudo bem.-disse dando um ultimo beijo nela e se afastando e sumindo.
Andressa permaneceu no corredor por mais alguns minutos, em seguida pegou Annabely no colo e a colocou no banco de trás já que a menina ainda dormia, dirigiu lentamente até o apartamento, observando as ruas, as pessoas caminhando felizes.
Quando algo estava dando certo para ela, outra coisa vinha e destruía tudo aquilo, talvez fosse aquela a leia da vida.
Nenhuma felicidade era eterna.
...
Com Annabely dormindo nos braços, Andressa abriu a porta do apartamento e entrou no mesmo, bateu a porta com o pé e caminhou com a menina até a sala, aonde a luz ainda estava acesa, colocou a pequena sobre o sofá de forma confortável e a cobriu com o casaco que havia tirado. Apagou a luz e caminhou até a cozinha. Abriu a geladeira e pegou a garrafa de vinho, encheu uma xícara mas não conseguiu beber, o estomago se embrulhou e ela quase vomitou apenas por sentir o cheiro da bebida. Sentou no chão, e abraçou as próprias pernas e se deixou chorar mais vezes até que adormeceu por alguns minutos, quando voltou a acordar ouviu que Annabely conversava com alguém.
Andressa se levantou com cautela enquanto tentava ouvir a conversa sussurrada que vinha da sala, era difícil pois ela tentava não se concentrar na dor de cabeça que a estava matando aos poucos, ela se sentia tonta, parecendo que havia bebido todas as bebidas de uma vez só. Se segurando nas paredes conseguiu chegar até a sala, acendeu a luz e se assustou, sentiu o pânico tomar conta dela, quase não conseguiu respirar.
Kevin estava sentado ao lado de Annabely, a menina estava de cabeça baixa, parecendo assustada e respondendo as perguntas. O homem levantou o rosto olhando de Annabely, para Andressa.
–Como se sente, querida?-perguntou se levantando e andando em passos lentos até Andressa, que piscava os olhos tentando fazer com que o enjoo passasse.-Está enjoada? Logo esse efeito irá passar, foi apenas um medicamento que injetei em você para ficar calma.-a abraçou com força, Andressa tentou se afastar mas não conseguia,estava sem forças se sentindo cansada.-Esse efeito vai durar apenas alguns minutos, mas o bastante para eu poder te aplicar outra dose e levar você e Annabely para casa.
–Você matou Bob.-caminhando forçada por ele, se sentou no sofá ao lado de Annabely que a abraçou com desespero.
–Me desculpe, não queria, mas não tive escolha, fazia parte do plano.
–Eu vou matar você.
–Como da ultima vez? Vai me dar um tiro na testa? Ou melhor, vai dar o tiro na testa de um agente com uma mascara perfeita de meu rosto, achando que era eu?- caminhou lentamente pela sala, jogando a cabeça para trás enquanto sorria.-Você pecou, Andressa. Sabe que não pode me matar, eu quem fiz de você quem é.
–Isso é o que você pensa.-falou, tentando engolir a bile que subia pela garganta.
–Teremos bastante tempo para conversar sobre isso. Agora preciso que vista seu casaco para irmos embora.-pegou o casaco que estava sobre o sofá e se ajoelhou em frente a morena, ela deixou que ele a vestisse com o casaco, não reagiu, sabia que não conseguiria, estava sem forças e se tentasse e não conseguisse matar Kevin, seria pior ainda.
–Andressa.-Bely a chamou aflita e com medo.
–Vai ficar tudo bem Bely.-se levantou com a ajuda da menina e caminhou até a porta aonde Kevin esperava por elas sorrindo.-Para onde vai nos levar?
–Para casa. Aonde tudo começou, aonde nos apaixonamos, querida.-a abraçou de lado e saíram do apartamento, caminhou até o elevador e quando Andressa se deu conta, já estava dentro do carro com Annabely agarrada a ela.
Era difícil pensar com razão quando a cabeça parecia que iria explodir, mas ela se manteve calma e pensou no que Kevin havia dito, que a levaria para casa, para aonde eles haviam se apaixonado. Ela sabia para aonde estava indo, e sentia o coração acelerar, ela estava voltando para casa.
...
Abriu os olhos, mas voltou a fecha-los pela claridade, sentiu as pernas vacilarem e os pulsos doerem, a boca tinha um gosto metálico e a cabeça ainda doía com a mesma dor. Respirou o ar com força e sentiu o enjoou voltar, sentia o cheiro de mofo e lodo misturado pelo ar. Voltou a abrir os olhos aos poucos tentando se acostumar com a claridade.
Notou que estava em pé, e as mãos amarradas acima da cabeça, olhou pelo lugar e avistou Annabely, a menina estava encolhida sentada numa cadeira coberta por uma manta velha e gasta, parecia dormir, mas Andressa sabia que ela estava apavorada com tudo aquilo que acontecia. O quarto velho era invadido pela luz cortante do sol, havia uma cama de casal que não tinha colchão e um guarda roupas também velho de madeira que ela reconhecia. Controlando a respiração, ela percebeu que estava no quarto dos pais de Kevin.
Ouviu os passos se aproximarem atrás dela, junto com uma musica cantarolada alegremente e logo Kevin aparecer diante dela, com uma bandeja de café da manhã aonde havia comidas de Fast-Food espalhadas.
–Vejo que acordou querida.-dando um sorriso doentio, colocou a bandeja sobre a cama sem colchão, sobre as madeiras antigas e voltou até Andressa, tirando o pano que lhe tampava a boca.-Trouxe café da manhã para você e para nossa filha.-caminhou até Annabely e afagou o cabelo da menina que tremeu com o contato.
–O que quer, Kevin? Brincar de casinha?-falou balançando a cabeça tentando controlar a vontade de vomitar, pela mistura de cheiros no ambiente, sentiu o impacto da mão de Kevin sobre o rosto e não conseguiu segurar o vomito, vomitando e sujando o quarto e a própria roupa.
–Efeito do calmante, logo seu intestino voltará ao normal e esse enjoou e dor de cabeça que você deve está sentindo irá passar.
–Vá para o inferno.-falou querendo vomitar novamente pelo cheiro do próprio vomito.
–Acho melhor se comportar, se não acabo com Annabely e com você.-ameaçou comendo uma batata frita que ele havia levado.-Eu entendo que deve está assustada, e até mesmo se sentindo culpada por ter tentado me matar, mas saiba que eu te perdoou, Andressa.
–Me perdoa?-gargalhou firmando os pés no chão forçando a corda amarrada aos pulsos disfarçadamente.-Obrigado Kevin, você é tão generoso.-irônica voltou a gargalhar e sentiu quando os cabelos foram puxados para trás, voltou a abrir os olhos e viu Kevin a sua frente, os olhos azuis a encaram com fúria.
–Eu a perdoei porque a amo e sei que me ama também, Andressa. Mas não ficarei suportando a forma que está agindo.
–O que irá fazer então? Me matar? Me estuprar como fazia? Eu não ligo mais para isso.
–Você não, mas quem sabe Annabely?-ele viu que a tinha afetado assim que os olhos verdes se arregalaram com pânico.-Ela é tão jovem, tão linda e inocente como você era.
–Não vai tocar nela.-falou como uma ameaça sentindo todos os músculos do corpo se retraírem de medo e o enjoou voltar.
–Então é melhor agir como uma boa menina.-falou por fim e deu um pequeno beijo nela e saiu do quarto.
–Annabely.-Andressa chamou a menina que levantou o rosto, ver os olhos da pequena vermelhos e inchados acabou com a morena, ela respirou fundo contendo o choro.-Ele lhe machucou? Tocou em você?
–Não. Mas ele machucou você.
–Não, não, Bely, está tudo bem comigo.-forçou um sorriso.
–Como vamos sair daqui?-Annabely perguntou com a voz baixa e assustada.
–Não sei Bely, mas vou tirar você daqui.-tentou pensar em algo, mas só conseguia pensar em NY, em Thor, em Clint como ele ficaria sabendo o que havia acontecido, como tiraria Annabely daquele lugar.-Annabely, você está presa?
–Não.-respondeu se levantando e ficando diante de Andressa.
–Veja se o meu celular ainda está no bolso.-pediu e logo Annabely vasculhou o bolso do casaco e do jeans de Andressa, encontrando o aparelho.-Coloque ele no silencioso.-ordenou e assim a menina fez.-Agora escreva uma mensagem para Clint, diga que estou em Iowa, na nossa antiga casa e que Kevin nos sequestrou.-viu os pequenos dedos de Annably digitar no celular, as mãos tremiam com medo. Tentando soltar as mãos, Andressa usou força, mas não sentia a corda afrouxar, continuou a puxar o pulso até sentir as cordas machucarem. Os passos voltaram a ficar próximos. Olhou para Annabely que ainda escrevia a mensagem.-Bely, envia a mensagem, envia agora.-pediu e viu a menina selecionar Clint na lista de contatos e logo encaminhar a mensagem.-Sente-se e esconda o celular.-Assim que Annabely se sentou, e voltou a se cobrir com a manta o homem entrou no comodo.
–Pensei ter ouvido uma movimentação.-caminhou pelo quarto olhando Andressa.-Se continuar tentando se soltar vai machucar ainda mais seus pulsos. Annabely, coma o café da manhã.-falou sério observando a menina, pegou a bandeja e levou até a menina que se recusou a comer.
–Coma, Bely.-Andressa pediu.-Está tudo bem, vai ficar tudo bem.-viu quando Annabely pegou um hambúrguer e começou a comer. Pediu mentalmente que o celular não caísse no chão e que Kevin não desconfiasse de nada.
–É claro que vai ficar bem.-se levantou e voltou até ficar de frente a Andressa.-Nos amamos e vamos formar uma linda família. Eu, você, Annabely e o bebê que vamos ter.
–Não vamos ter bebê algum, Kevin.
–É claro que teremos.-levou as mãos até a cintura dela colocando as mãos de baixo da blusa dela.-Faremos amor e teremos um lindo bebê. Lembra quando eramos adolescentes e você disse que queria viver para sempre comigo e que queria ter um filho comigo e fugir da sua família?
Ela lembrava, havia sido numas das noites que ela havia conseguido fugir de casa para não sofrer os abusos do pai de Clint. Naquela noite ela havia encontrado Kevin em frente a casa dele e havia chorado nos braços dele. Caminharam até o rio que havia perto da casa e ficaram conversando até ela cair no sono se sentindo segura.
Ela tentou não lembrar da cena, pensou apenas que Clint logo chegaria e tudo aquilo iria acabar.
...
NY- Apartamento de Clint.
Acordou com o susto do som do celular ao lado da cama, se levantou assustado e pegou o aparelho, notou que era uma mensagem apenas. Largou o celular sobre a cama e se levantou, quem quer que fosse teria que esperar até ele terminar o banho.
Entrou no banheiro se livrou da cueca que usava entrou no box, tomou um banho morno rápido e logo saiu do banheiro com uma toalha sobre a cintura, saiu do quarto tentando se lembrar do pesadelo que estava tendo antes do celular tocar e o acordar. Viu Marie sentada no sofá enquanto assistia televisão num canal de noticias.
–Bom dia.-caminhou até ela lhe beijando a testa.
–Bom dia, gavião.-respondeu sorrindo enquanto se ajeitava e roubava um beijo dele.
–Recebeu alguma mensagem?-caminhando até a cozinha, perguntou distraído, pegou uma xícara de dentro do armário e encheu de café, se encostou sobre a pia e olhou em frente, não conseguia se lembrar do sonho, só sabia que envolvia a irmã.
–Mensagem? Que mensagem?-a mulher perguntou aparecendo na cozinha e pegando alguns biscoitos doces e o observando.-Está preocupado com algo?
–Não sei.-largou a xícara na pia e andou até a sala novamente.-Talvez, tive um pesadelo com Andressa.
–Andressa? E como foi?
–Não me lembro, acho que isso que está me deixando nervoso.
–Porque não liga para ela e vê se está tudo bem?
–É, vou ligar.-deixou Marie na sala e voltou até o quarto, vestiu uma cueca e logo depois um jeans, passou a toalha sobre os cabelos molhados e a colocou sobre os ombros. Pegou o celular sobre a cama e desbloqueou a tela, viu a mensagem que havia chegado a meia hora atrás e riu ao constatar que era da irmã, abriu a mensagem e começou a ler.-Marie, Marie.-gritou enquanto vestia a blusa de mangas com desespero.
–Clint, o que foi? Aconteceu algo a Andressa?
–Kevin pegou ela.
...
Base da Shield. (14:00 da tarde)
–Ela esta com Annabely e aquele maldito pegou ela e a levou para Iowa, aonde morávamos, só Deus sabe o que está acontecendo lá, e eu não vou esperar nem mais um segundo.-Clint disse com fúria batendo a mão sobre a mesa da sala de reuniões aonde os outros estavam reunidos.
–Clint, só temos que ter um plano, algo pensado, como você mesmo disse, eles estão com Annabely então não podemos simplesmente chegar lá desta forma.-Natasha falou na tentativa de acalmar o amigo.-Sei que está preocupado, mas tudo vai sair bem, confie em mim, Clint.
...
Iowa (18:00 da noite)
O sol ia se pondo aos poucos dando lugar a noite, Andressa observava a janela com os pensamentos distantes, com memórias do passado, algumas até mesmo doces e felizes, mas partes delas tristes cheias de dor e angustias. As pernas estavam bambas e doíam, os pulsos estavam em carne viva pela tentativas incessantes de se soltar. Os enjoos haviam parado, mas a dor de cabeça permanecia.
Annabely permanecia quieta e Kevin andava de um lado para o outro no quarto.
–Kevin.-chamou o homem que sorriu para ela.-Preciso me sentar, minhas pernas não suportam mais.
–Deveria ter pensado nisso antes de bancar a engraçadinha. Quem sabe mais tarde, depois de dizer que me ama?
–Eu não te amo, eu te odeio, você é um filho da puta maldito e doente e quando eu conseguir me soltar vou acabar com você por ter envenenado meu cachorro e o matado.
–Já pedi desculpas por Bob.-ele parecia arrependido, mas Andressa não ligava, ela iria mata-lo se pena, e iria fazer muito mais que dar um tiro na testa dele, iria soca-lo até os punhos doerem.
–O que você fez com Rachel?-falou na tentativa de se acalmar um pouco.
–Rachel? Ela era apenas um passatempo.-deu de ombros se encostando na parede ao lado da janela, pegou no bolso da calça um maço de cigarros, tirou um e acendeu.
–Ela está grávida.
–Sim, um pequeno acidente.
–Acidente?
–Sim, assim como foi quando você tentou me matar.
–Aquilo não foi um acidente, eu tentei te matar, e hoje vou matar, e desta vez não vou falhar.
–Não vai me matar porque me ama, Andressa.-disse tranquilo jogando o cigarro no chão e pisando para apagar.-Diga Andressa, diga que me ama.-andou até ficar de frente a ela,lhe tocando o corpo por de baixo da blusa. Ela respirou fundo, mas não conseguia se mover, não conseguiu reagir.-Diga Andressa, diga que me ama. Se não disser vou ter de conversar com Annabely, vou ter de fazer coisas com ela obrigado.-sussurrou no ouvido da morena.
–Não.-choramingou imóvel sentindo as mãos de Kevin lhe acariciar os seios.-Kevin, por favor.
–Diga.
–Não.-sentiu as mãos de Kevin abandonar o corpo e ele se afastar dela.
–Annabely.-Chamou a menina que o olhou assustada.-Tenho que ter uma conversa com você.
–Kevin, não toque nela.-Andressa falou de forma ameaçadora, mas Kevin apenas riu com deboche.-Venha Annabely.
–Não. Andressa.-chamou pela morena chorando enquanto se levantava e corria para o canto.-Andressa.-Gritou com desespero pela morena que tentava se soltar, puxando com todas as forças, ignorando a dor nos pulsos.-Andressa, por favor, não deixa ele me fazer mal.-as lágrimas escorriam pelo rosto da menina sem controle.
–Annabely, Annabely.-ouviu os gritos da menina assim que Kevin a puxou, rasgando o vestido que a pequena usava.-Kevin. NÃO, NÃO.-gritou e o viu parar.-Eu te amo.-murmurou chorando.-Eu te amo. Façatudo o que quiser comigo, mas não a machuque, não machuque ela, por favor.
–Eu também te amo meu amor, sempre soube.-agarrou a morena e a beijou, Andressa virou o rosto e viu Annabely completamente assustada no canto, tremendo e chorando.
–Feche os olhos, Annabely.-disse assim que sentiu as mão de Kevin abrir o jeans que ela usava. Annabely fechou os olhos tampou os ouvidos enterrando o rosto nos joelhos.
Andressa fechou os olhos e segurou as cordas com força, assim que ele a penetrou, seco com força, ela apertou os olhos engolindo um grito de pavor. Respirou fundo esperando que aquilo acabasse logo. Ouviu ele murmurar coisas sem sentido, pronunciar o nome dele perdido no desejo. Abrindo os olhos ela olhou pelo quarto e viu Annabely ainda encolhida tampando com força os ouvidos. Os gemidos de Kevin a trouxeram de volta, soltando as pernas dela ainda tonto.
Com as pernas ainda bambas pelo estupro que sofrera, Andressa as firmou no chão e chutou Kevin com toda força que conseguiu no meio das pernas, o homem caiu de joelhos no chão diante dela, que não parou, segurou com mais força a corda presa ao teto e prendeu as pernas no pescoço dele, numa chave.
Ele tentou se levantar, mas sufocava pela falta de ar, tentando soltar as pernas de Andressa do pescoço, dando socos e tapas, mas ela não soltou, apertou mais.
O nol da corda se soltou a fazendo cair de costas no chão, Kevin aproveitou o espaço de tempo partindo para cima dela, a estrangulando.
–Annabely.-gritou com dificuldade.-Corra, fuja.-arranhou a garganta dele, arrancando a pele fazendo o sangue escorrer.
Annabely levantou do canto do quarto e correu até a porta, Kevin tentou segura-la, mas Andressa o acertou com um soco, o fazendo cair para o lado.
–Corra Annabely.-Andressa gritou quando viu a menina paralisada, logo Annabely sumiu de vista. Andressa, se levantou e chutou Kevin, logo puxou o mesmo pela gola da camisa, o fazendo ficar de joelhos, ele levantou e a empurrou contra a parede, acertando o rosto dela com um soco, quando ele ia acertar o rosto dela novamente, Andressa desviou o rosto e chutou o abdômen do homem, quando ele deu um passo para trás, ela o acertou no rosto com mais um chute e em seguida um soco, o fazendo cuspir sangue. Ele caiu com o rosto grudado no chão, mas Andressa não parou, puxou ele novamente o virando de frente para ela, sentou sobre ele o enforcando. Kevin segurou as mãos dela invertendo a posição ficando sobre ela e lhe socando o rosto, distribuindo vários socos sobre o rosto e a barriga.
–Maldita. Eu te perdoei e é assim que retribuiu, eu te salvei, Andressa, te salvei.-berrava enquanto continuava a golpeá-la. Andressa não reagiu mais, deixou o corpo mole.-Andressa.-Kevin chamou ela a sacudindo pelos ombros.-Andressa meu amor, acorde.-desesperado acariciou o rosto dela. Se levantou e caminhou de um lado para o outro, pensando ter matado ela.
Andressa se levantou silenciosamente e olhou pelo quarto, viu num canto uma garrafa de vodka, caminhou a pegando e avistou do outro lado o isqueiro que Kevin havia usado para acender o cigarro.
–Kevin.-o chamou escondendo a garrafa atrás de si, Kevin a olhou sorrindo com demência.
–Andressa. Andressa.-falou caminhando até ela.
–Isso acaba aqui.-tacando a garrafa ao pés do homem, viu quando o vidro se espatifou, derramando toda a bebida, ela se tacou no chão com desespero em busca do isqueiro.
–Eu te amo, Andressa.-Kevin falou sorrindo como um louco.
Ela acendeu o isqueiro e o tacou na poça de bebida inflamável sem pensar. O fogo se espalhou pelo chão molhado de vodka com rapidez, Kevin gritava pela dor, tentando se livrar das chamas que cobria o corpo. Berrava o nome dela, enquanto as chamas se espalhavam pelo quarto. Ela pensou em levantar, mas não tinha forças e pensou que talvez fosse melhor morrer ali, aonde tudo havia acontecido, aonde, ela deveria ter morrido anos atrás.
Poderia ter poupado tantas coisas, tantas dores.
–Andressa. Andressa.-Kevin berrava o nome dela.
Andressa apenas fechou os olhos e se encolheu no canto, pedindo para que aquilo tudo acabasse, para que o fogo a consumisse, para que a dor acabasse.
–Hey jude, don't make it bad, take a sad song and make it better. Remember to let her into your heart, then you can start to make in better.-Cantou baixinho, ignorando os chamados desesperados de Kevin.
O som do tiro deixou tudo em silêncio.
Andressa abriu os olhos e viu o corpo de Kevin caído no chão, inerte, com os olhos abertos olhando em na direção dela, enquanto as chamas tomava o corpo morto.
Ela viu quando Thor rompeu a porta, atrás dele Clint tinha o rosto cansado, os olhos cheios de lágrimas. A vista embaçou aos poucos e ela se sentiu sufocada, tentou respirar mas não conseguiu por conta da fumaça que tomava o quarto.
Logo, tudo se tornou negro.
Fale com o autor