So Far Away

34 Um Tiro Fatal.


Notas iniciais
Olá meninas. Eu sei, UM MÊS e alguns dias a mais que não posto. Quero pedir mil desculpas, mas tive um super bloquei, fiquei dias sem escrever, e quando vinha algo na cabeça, eu não tinha vontade de tocar no note. Mas espero que intendam, estou tentando me erguer aos poucos. Queria agradecer pelos comentários, muito obrigado, é muito bom ver que mesmo com a demora vocês não desistiram de ler a fic. E queria MUITO agradecer a Night e a Ju por sempre estarem ao meu lado, me mandando mensagem sempre conversando comigo, me alegrando quando eu acho que não é possível. Esse cap foi mega dificil de escrever, não sei se ficou muito bom, mas quase que não posto mais a fic. QUero informar a vocês que eu tentarei fazer o ultimo cap no prox, mas se ficar MEGA grande eu vou ter de dividi-lo em dois ou três, me desculpem, mas pelo o que eu tenho em mente vai ter que dividir em dois. E que provavelmente demorarei mais um tempinho para postar ele também, pois quero que fique bem colocado as coisas. E esse cap ficou bem grandão, mas pelo menos compensa a super demora. Mais uma vez desculpas. Bejusss.

O céu brilhava diante dos olhos verdes, as nuvens brancas como algodão se espalhava pelo infinito azul. Ela sorriu se sentindo em paz. Liberta.

Os pés ficaram úmidos com a chegada da onda. Quando se sentou viu o mar diante dela, a praia vazia, a areia fina e branca. A onda voltou, mais forte, lhe molhando perna. Tocando a areia, a sentindo gelada, quando tirou a palma, viu a forma marcada com perfeição.

O som das ondas quebrando, da água lambendo a areia a alcançava. A onda voltou e se foi, mas a marca continuou ali, como se não pudesse ser apagada. Confusa, esfregou a areia para apagar a marca, mas a marca continuou ali, como um passado que jamais seria esquecido.

A onda voltou mais forte. O céu agora estava cinza escuro sem sinal do azul. Ela se levantou com desespero assim que viu o mar ficar vermelho.

Como sangue.

O som das ondas agora eram gritos de desespero, atormentados, berrando pelo nome dela. Recuando de costas, enquanto fugia das ondas que se estendiam pela areia, sentia quando as costas bateu em algo. Algo firme, como uma pessoa. Um homem. Sentiu quando as mãos quentes lhe tocou o corpo, numa forma de abraço.

Ela virou assustada e sentiu como se alguém lhe acertasse um soco no estomago.

Os olhos azuis que ela jamais esqueceria, olhavam para ela cheios de vida e amor. Os cabelos negros estavam arrepiados no mesmo corte de anos atrás, quando o virá pela primeira vez.

–Kevin.-sussurrou o nome dele ainda assustada. O que ele estava fazendo ali? Se perguntou recuando um passo ao sentir que ele iria toca-la. Ela não queria ser tocada por ele, nunca mais.

–Sim meu amor, sou eu mesmo.-ele sorria quando tocou o rosto dela com delicadeza.-Você está linda.-segurou as mãos dela que estava paralisada com o toque e a forma que ele agia. Ele beijou as mãos dela, uma de cada vez, lentamente, enquanto ela sentia arrepios aos sentir os lábios quentes dele.

–O mar.-disse apavorada ainda com a imagem da água vermelha cobrindo a água azul. Viu quando ele olhou para o mar e riu, como se achasse a paisagem mais linda.-Está vermelho.-dessa vez quem olhou foi ela, e se assustou ao ver que a água havia voltado a ser azul.-Estava a vermelha, como sangue, Kevin.-tentou explicar, mas ele a calou com um beijo.

–Está tudo bem meu amor, isso é apenas fruto da sua imaginação, não há mar vermelho.-o tom da voz dele a irritava, aquele tom maldito e calmo, compreensivo até, como se ela fosse uma louca que via coisas.

–O mar estava vermelho.-disse novamente nervosa.

–Tudo bem, está tudo bem agora.-riu docemente para ela acariciando os braços dela.-Eu te amo, Andressa. Obrigado por me dar o melhor presente do mundo, sou o homem mais feliz e completo.

–Presente.-ela perguntou com os olhos cerrados, tentando compreender sobre o que ele falava.-Do que está falando?

–Do nosso bebê, do nosso lindo bebê que você logo terá.-falou com orgulho, toda glória irradiando por ele.-Vai ser um lindo menino, vai ser igual a mim.

Ela viu quando ele sorriu e abaixou os olhos, ela seguiu o olhar dele e viu a própria barriga, enorme, guardando uma criança ali dentro. Um filho, dela e de Kevin. Sentiu uma pontada partir de dentro dela e pode ver a barriga se mexer.

Como o chute de um bebê.

–Logo ele vai nascer, e você terá para sempre um pedaço de mim. Sempre se lembrará de mim.

–Não.-ela falou sentindo o pânico começar a tomar conta do corpo e mais uma pontada partir de dentro dela. Com força. Desconfortável, como se não fizesse parte dela.-Não. Não.

–Nosso bebê. Nosso lindo bebê.-Kevin sorria com loucura observando ela se afastar.

Ela tropeçou e caiu de costas no chão, sentindo dor, se arrastando para trás, as mãos afundando na areia molhada de sangue, sentia o cheiro podre de carniça penetrar as narinas. A dor que veio a seguir quase a deixou sem visão, irradiando de dentro dela, da barriga dela, como se fossem garras a rasgando de dentro para fora, como se a mordessem. Ela gritou, as mãos seguraram um punhado de areia encharcado de sangue, na tentativa de suportar a dor. Berrou até sentir a garganta doer, na tentativa da dor cessar, mas cessou.

Mesmo com a visão embaçada, ela podia vê-lo, diante dela, sorrindo com demência, mas ela sabia que agora não era mais aquele antigo Kevin, aquele que havia se apaixonado um dia, mas sim o que a fez sofrer, o que a estuprou e a espancou inúmeras vezes e chamas cobrindo o corpo.

Sentiu o impulso, a visão embaçada não passava de um borrão, imagens indistintas surgiam, mas ela entrou em pânico assim que sentiu dos braços a envolver num abraço.

–NÃO TOQUE EM MIM.-berrou se contorcendo, tentando de todas as formas se livrar do abraço.-NÃO TOQUE EM MIM.-repetiu as palavras com pavor, arranhando e socando quem a segurava, numa tentativa falha se se livrar.

–Andressa. Calma, sou eu, Clint. Está tudo bem. Está tudo bem.-ele falava na tentativa de acalma-la, mas ela parecia fora se si, completamente apavorada.-Está tudo bem.-repetiu a segurando com mais força.-Estou aqui, fica calma.-dessa vez sussurrou próximo ao ouvido dela e sentiu quando ela parou aos poucos de resistir. O corpo ficou mole nos braços dele e a cabeça pendeu até está pousada sobre o ombro do irmão.-Está tudo bem, tudo vai ficar bem. Acabou, ele não pode mais te machucar.-a acolheu nos braços assim que sentiu o corpo dela tremer e ouviu o choro desconsolado preencher o quarto.

–Não está, Clint.-disse em meio ao choro, o abraçando.-Você tem que tirar o que está crescendo dentro de mim, eu não posso ter esse filho dele, não posso, Clint.

–Não vai ter filho algum, você não está grávida dele, fica calma.-disse mas sentiu assim que ela voltou a se agitar.

–Ele me estuprou, Clint, me estrupo.-disse se soltando dos braços dele, piscou os olhos, mas a visão ainda estava embaçada, tudo que conseguia ver era borrões brancos e um borrão preto que ela sabia que era Clint, vestido com o uniforme da Shield.

A enfermeira rompeu a porta do quarto como um furacão, carregando uma seringa com um calmante, aplicou no soro da morena minutos depois ela ia voltando a ficar calma, o corpo perdendo a força e a consciência indo embora.

–Não posso deixa-lo nascer, Clint, não posso.-a voz agora não passava de um sussurro fraco, a sonolência a atingiu aos poucos.

–Vai ficar tudo bem, já cuidei para que isso não aconteça.-foi a ultima coisa que ouviu do irmão, antes de voltar a cair em sono profundo.

Clint a ajeitou na cama e observou a enfermeira jovem e ruiva começar a limpar os ferimentos que a irmã havia no pulso.

–Acho que quando ela acordar novamente vai estar tão agitada?-perguntou aflito, ele odiava ver o quanto ela sofria com tudo aquilo, se perguntava se o que tudo o que ela já havia sofrido já não era bastante.

Até que ponto uma pessoa pode suportar uma dor sem enlouquecer, ou acabar com a própria vida?

–Não posso lhe informar isso, mas provavelmente ela não terá sonhos. Geralmente quando a pessoa esta sedada, como é o caso dela, não há sonhos, é como se o cérebro não recebesse estimulo algum, como se as lembranças ou memórias ficassem retidas por um tempo, ou então quando sonham, são sonhos bons, nada que as estressem dessa forma como ela estava.-a voz séria e centrada da enfermeira, o acordou dos pensamentos.-E esperamos que ela não fique tão agitada, os pulmões ainda estão debilitados por causa da fumaça que inalou, e caso ela fique nervosa novamente pode vim a ter uma crise, ficar sem ar e ter até mesmo uma parada respiratória.

–Sim, entendo.-cansado, o arqueiro passou as mãos sobre o rosto de forma exaustas. Sentia o corpo pesado pela falta do sono.

–Bem, curativos trocados. Provavelmente ela terá alta assim que acordar, já que ela está se recuperando muito bem.-riu enquanto se livrava das luvas.-Só terá que repousar, e logo ela ficará boa-sorriu simpática para Clint e se retirou do quarto, deixando os irmãos novamente sozinhos.

Clint se aproximou da cama e deu um pequeno beijo na testa dela, que agora dormia tranquila, sem pesadelos. Ele caminhou até a pequena poltrona que havia do outro lado da cama e se sentou, adormeceu segundos depois.

Acordou horas depois com o pescoço doendo, a cabeça pendia para frente de forma desajeitada, segurou a nuca e voltou a se encostar na poltrona, quando abriu os olhos, levou um pequeno susto ao ver Thor. O Deus estava sentado na beirada da cama de mãos dadas com a morena, mas o loiro tinha os pensamentos distantes.

–Thor.-Clint disse esfregando os olhos com as mãos, a voz estava rouca pelo sono, mas ele logo se levantou.

–Clint.-Thor disse, olhando agora o rosto da morena, segurou com mais firmeza a mão dela assim que sentiu ela se mover na cama.

–Ela irá acordar logo. Bem, eu espero.-deu de ombros e cruzou os braços. Sorriu pequeno.

Thor sentia como se lhe dessem socos cada vez que via o rosto dela com os hematomas, e sentia como se os socos fossem mais fortes ao saber que o corpo também estava coberto por eles, mas sabia que esses hematomas espalhados pelo corpo não eram nada, que logo a dor passaria e que eles sumiriam, sem deixar rastros ou cicatrizes, como se nunca tivessem existido. Mas as marcas dentro dela, os medos e os traumas vividos, eram o que o preocupava, pois ele sabia que esses nunca seriam esquecidos e que talvez, jamais fossem superados.

Ela se moveu na cama, apertando mão de Thor e murmurando algo incompreensível. Ela abriu os olhos, mas logo os fechou por causa da Claridade, esperou alguns segundos e voltou a abri-los aos poucos, até ver o Deus na frente dela.

–Deus.-sorriu e o viu sorrir de volta. Sentia o corpo cansada e pesado por causa do calmante que havia sido aplicado horas antes para que ela dormisse.

–Humana.-sentiu emoção por vê-la ali, acordada e bem. A última vez que a havia visto, estava suja, vestida apenas um um casaco vomitado, nua das pernas para baixo e com o rosto escuro pela fumaça que consumia o comodo da casa que havia sido mantida. Completamente apavorada e perturbada.-Está bem?

–Estou. Meu corpo está pesado, pelo calmante que a enfermeira aplicou no meu soro, mas fora isso estou bem. Só preciso saber que Annabely está bem. Como ela está?

–Ela está bem.-ouviu a voz vinda do outro lado do quarto, ela olhou pelo mesmo e viu Clint.

–Clint, tem certeza? Ela... Não acho que ela esteja bem realmente, aconteceu coisas...-abaixou o rosto porque a cabeça girava e sentia os pulmões arderem.-Droga.

–Ela está bem, chateada por não ver você e preocupada, mas está ótima, já está em casa. E você deve descansar, seus pulmões estão debilitados pela fumaça que inalou, por isso deve está sentindo a falta de ar.-Clint disse e a viu assentir.

–Tá legal. Mas não acho que ela esteja bem, como disse, aconteceu coisas terríveis, ela viu Kevin me surrar, e...-Gemeu pela dor que sentiu no corpo assim que se sentou na cama com a ajuda de Thor.

–Precisa descansar, não fique pensando nisso agora.-Thor pediu.

–Não, não preciso, preciso saber apenas se ela está bem, e se disse se viu algo... Preciso saber o que ela viu, apenas isso.

–Provavelmente nada, ela me disse apenas que estava preocupada com você, foi apenas isso. Ela está bem, não tem com o que se preocupar.

–Eu sei que ela não está.-gritou praticamente, mas logo fechou os olhos, sentia falta de ar.

–Como tem certeza disso, como tem tanta certeza de que ela não está bem?-Clint perguntou andando de um lado para o outro, ficando nervoso.

–Porque ela viu ele me estuprando.-a palavra fez com que o coração dela desse um sobressalto. Clint assentiu triste, olhando para os pés, com vergonha de encarar ela. Thor se levantou do lado dela, e observou a porta aberta do quarto, olhando o corredor lá fora vazio.-Não sei se ela viu de fato...

–Não precisa relembrar isso.-Thor falou, não a encarando, encarando o corredor vazio do lado de fora. Não queria ouvir que ela havia sido abusada novamente, que ela havia revivido aquilo tudo.

–Pedi para que ela fechasse os olhos, mas... Ela ouviu.-fechou os olhos os apertando, tentando fazer com que a imagem da menina encolhida no chão sumisse da memória para sempre. Mas ainda ouvia o som, a respiração nojenta e ofegante dele.-Eu queria morrer, tenho nojo e vergonha de mim, deixei que ele me tocasse que...-controlou a respiração assim que sentiu os pulmões arderem.-Eu não podia deixar que ele tocasse nela, ele ia estupra-la. Ia estuprar ela.-falava tentando controlar novamente a respiração. Secando as lágrimas que escorriam pelo rosto.

Thor não queria deixar ela, mas não suportava mais ouvir aquilo, não quando achava que havia errado, que nunca devia ter feito o que ela tinha pedido. Não olhou para trás, apenas se retirou do quarto rapidamente.

–Vou chamar uma enfermeira.-O arqueiro falou, já na porta.

–Não, não precisa, já estou bem.-forçou um meio sorriso, pois sentia ainda os pulmões arderem.

–Tem certeza?

–Tenho sim.-soltou o lençol que apertava por conta da dor, se ajeitando na cama com dificuldade, mas logo Clint a ajudou.-Preciso ver Annabely.

–Você, verá assim que sair daqui.

–Tudo bem.-falou triste e uma lágrima escorreu pelo rosto assim que ela se lembrou.- Ele matou o Bob.

Base da Shield Enfermaria ( 08:30 da manhã )

A enfermeira trocava pela ultima vez vez os curativos nos pulsos da morena antes dela voltar para casa. Andressa já estava vestida com a roupa que Carolina havia levado para ela, a pedido de Clint. Já ele, estava na porta do quarto, vendo a enfermeira trocar o curativo e como Andressa balançava as pernas impaciente enquanto fazia algumas caretas infantis e conversava sobre alguns cuidados que deveria para não ferir mais os pulmões. Thor não havia voltado, mas ela o queria ai, mesmo que sentisse receio em ser tocada novamente.

–Pronto.-a enfermeira anunciou sorrindo.-Quando chegar em casa, poderá se livrar desse curativo se quiser. Logo as marcas irão sumir, mas não por completo, mas a marca não ficara tão visível. E depois você só vai precisar passar alguma pomada ou álcool para limpar.

–Obrigada.-Andressa disse dando um pequeno sorriso e se levantou da cama e caminhou até Clint que a esperava, carregando a bolsa dela. A Abraçou de lado e começaram a andar pelos corredores para irem até o estacionamento, mas no meio do caminho encontraram Rozz.

–Vejo que está ótima.-ele falou parando de frente aos dois com um enorme sorriso nos lábios. Os olhos brilhavam com admiração ao ver a morena, Rozz simplesmente a adorava, assim como ela o adorava também, se sentiam quase irmão de consideração, mesmo que com pouco tempo de convivência um com outro. Ele gostava da força que ela transmitia, e sabia que mesmo com todos aqueles altos e baixos ela iria se recuperar e ser feliz no fim das contas.

–Pode ter certeza, China. Ande, diga que sentiu minha falta. Diga que ficou morrendo de preocupação.-disse divertida o vendo coçar a nuca e abaixar a cabeça sorrindo.

–Fiquei mesmo.-agora sério, voltou a encarar ela, a vendo ficar sem palavras.-Fazer o que não é mesmo? Infelizmente eu fiz a burrada de me importar com você.-Viu ela sorrir, e logo fazer um bico, olhando pelo corredor atrás dele e as paredes brancas, tentando prender as lágrimas.

–Droga, china, não pode me fazer chorar.-deu um leve tapinha sobre o peito dele e o abraçou.-Meus pulmões estão uma porcaria.

–Tem certeza que já pode voltar para casa? Seus pulmões estão uma porcaria.

–Não vou ficar mais nessa enfermaria.-Desfez o abraço ainda sorrindo e secando uma lágrima que havia escorrido.-Preciso ir para casa. Mas ficarei boa logo e voltarei para sairmos juntos em missão. Até logo, China.-Clint fez um pequeno gesto com a cabeça para o agente sorrindo e voltou a abraçar a irmã de lado, logo dos dois caminhavam novamente para o estacionamento.

–Espero que volte logo mesmo, estou ansioso.-Rozz falava sorrindo a vendo caminhar pelo corredor.

...

–Tem certeza que não quer que eu fique?-Clint perguntou, segundos depois que havia estacionado o carro de frente ao apartamento da irmã. Via que ela estava distante, o rosto ainda tinha hematomas, mas que já começavam a sumir. Não queria que ela ficasse sozinha, mas também não queria que ela se sentisse pressionada.

–Tenho sim, mano.-pondo os óculos escuros ela abriu a porta e desceu do veículo, forçou um sorriso e o olhou pela janela aberta, mas voltou rapidamente dando um beijo na testa dele.-Vou ficar bem, não se preocupe.

–A noite ligo para você.

–Tá legal, senhor Barton.-sorriu uma ultima vez e entrou no prédio. Cumprimentou o porteiro, o senhor de meia idade e logo subiu até o andar do apartamento.

Em frente a porta, discutia com ela mesma, se perguntando se não era melhor ir para o apartamento de Clint e só voltar quando estivesse preparada, mas sabia que deveria encarar tudo de frente pois tudo finalmente havia acabado. Porque Kevin estava finalmente morto.

Se prolongar mais aquilo, girou a chave na fechadura e abriu a porta de uma vez.

Nada.

Nada aconteceu.

Tudo permaneceu em completo silêncio. Nenhum latido e nada de correia pela casa, esbarrões nos móveis e nada de correr atrás do cachorro.

Bob não estava ali e doía mais ainda saber que ele nunca iria voltar, que ela nunca mais o teria sempre por perto a acolhendo com lambidas.

O pequeno filhote que havia chegado para ela com um laço azul, já não respirava mais e nunca mais dormiria na cama, ao pé dela.

Enquanto secava as lágrimas, trancou a porta e caminhou até a sala. Os olhos foram de encontro aonde encontrou o filhote agonizando e ganindo imerso na dor antes de partir para sempre. Tacou a bolsa no sofá e se livrou do casaco, o jogando junto da bolsa. Caminhou até o divã, mas assim que sentiu pisar em algo fofo, parou. Olhando para o chão, as lágrimas botaram mais ainda dos olhos, escorrendo pela face, assim que viu o urso que Bob, brincava, assim como viu a cama acolchoada dele no canto da sala. Abaixou e pegou o urso e o abraçou com força enquanto voltava a caminhar até o divã. Se deitou no mesmo e chorou até os pulmões arderem, até não sentir nada.

Se encolheu sobre o divã, e dormiu abraçada ao urso.

...

As horas se passaram e ela acordou horas depois sentindo frio, um vento gélido envolve-la. A cabeça latejava pela dor de cabeça causada pela crise de choros de horas atrás, abriu os olhos e viu a sacada, mas notou que ela não estava vazia, e ela não estava mais sozinha.

Thor estava lá.

O Deus observava o céu cinza com atenção.

Ela se levantou lentamente do divã, abraçando o próprio corpo, ainda segurando o urso se Bob, começou a caminhar em direção a escada, mas parou assim que o ouviu dizer.

–Vejo que acordou.-a voz dele era fria, mais ainda do que o vento gélido que invadia a sala.

–Vejo que voltou.-rebateu furiosa subindo o primeiro degrau.

–Eu estava preocupado.-entrou no apartamento e ficou a encarando.

–Aé? Nem percebi, porque você me deixou sozinha ontem naquela droga de hospital.-Gritou com ele.-Eu precisava de você. Porque simplesmente virou as costas e foi embora?

–Porque eu não suporto ouvir o quanto você sofreu e ainda sofre com isso.-explicou e a viu sorrir com ironia.

–Não suportava ou não queria ouvir?

–Não suporto.

–Por quê?

–Porque eu me sinto culpado por ter deixado isso acontecer à você, ver como ele te machucou...

–Thor, você não fez isso.

–Como não?-dessa vez ele que gritou.-Eu não devia ter...

–Concordado em fazer o que eu pedi? Com o que eu havia pedido?-caminhou até ficar de frente dele, até poder encarar os olhos dele.-Não deve se culpar por isso, pois fui eu que quis, foi uma escolha minha.-a voz já havia voltado ao tom normal, ele assentiu e deu um passo para ficar mais preto, quando ia tocar no rosto del viu ela desviar do toque dele rapidamente.-Não quero discutir com você, Thor. Vou tomar um banho.

Ele ficou lá, parado, a observando subir com o urso de Bob na mão e o medo de ser tocada novamente.

...

Sentia a água fria escorrer pelo corpo, e esperava que toda a dor e medo fossem junto a ela, descendo ralo abaixo.

O arrependimento por ter fugido do toque de Thor de maneira tão brusca, a fazia sofrer, mas ela não conseguia ser tocada novamente daquela forma. Não ainda.

Sabia que Thor jamais a machucaria, mas assim que sentiu as mãos dele lhe tocar a cintura o coração acelerou com pânico. Sentia como se todo o corpo dela gritasse para que ela fugisse.

–Não.-murmurou fechando os olhos com força, assim que as mãos dele subiram até a barriga.-Não.-choramingou completamente imóvel e apavorada. Sentiu as mãos dele abandonando o corpo dela aos poucos. Respirando fundo, sentiu quando ele deixou o box. Fechou o chuveiro e encostou a cabeça sobre a parede molhada e fria de azulejos.

Kevin estava morto e não podia e nem mesmo tinha direito de assombra-la. Ela não podia ter medo de Thor, do homem que a amava, que a ajudava a superar tudo, como queria agora. Viu quando ele pendurou uma toalha sobre a cintura e começava a sair do banheiro, mas ela não iria deixar que ele saísse daquela forma. Abriu a porta do box e saiu molhada e nua caminhando até ele.

–Thor.-o chamou com desespero, quando ele ficou de frente para ela, ela se jogou nos braços dele o abraçando e o beijando com urgência.-Desculpa.-pediu ofegante, enquanto sentia as mãos de Thor a pegar no colo, envolveu a cintura do Deus com as pernas e sentiu quando ele começou a caminhar de volta para o quarto.-Me ame, Thor. Faça amor comigo.-pediu ofegante.

Os passos incertos de Thor os levaram logo até a cama. Sentiu as costas sobre o colchão macio assim como as mãos do loiro, acariciando as coxas dela com delicadeza e carinho. Os lábios de Thor beijavam o corpo dela, quentes, em chamas pelo desejo.

Por mais que quisesse sentir ela, ele foi devagar, acariciou o corpo dela a tocando como o mais precioso bem que possuía, ouvindo os gemidos dela clamando para ter ele, sentindo as mãos dela percorrer desesperadas pelo corpo dele, o puxando para mais perto.

Levou as mãos até as coxas dela e as afastou delicadamente. O recebeu com um longo gemido, se misturando com as respirações, quebrando o silêncio do quarto. O Deus lhe beijou os ombros, o pescoço, a testa e os lábios. Os olhos se encararam de uma forma que eles podiam ver a alma um do outro. Ela segurou os rosto dele com as duas mãos e o beijou, assim que ele começou a se mover lentamente. Ele queria daquela forma, com carinho, amor e que ela apagasse o que havia acontecido antes, não queria que ela sentisse medo de ser tocada por ele novamente.

O suor se misturava com a água dos corpos que se movimentavam em busca do prazer, em busca um do outro, que pareciam se encaixar como um quebra cabeça de apenas duas peças, feitos uma para o outro.

...

O céu ia escurecendo a cada instante, ela riu, se movendo de forma preguiçosa sobre Thor, sentiu as mãos do Deus sobre a cintura se moverem, arrastadas, até os ombros nus dela. Ela não queria se mover mais, não queria levantar da cama, queria apenas continuar ali, na presença dele, não queria voltar e encarar a dura realidade, a vida infeliz que levava a anos.

Tudo o que ela queria era está ao lado dele.

–Não quero mais levantar.-a voz soou arrastada e satisfeita, Thor deu um pequeno sorriso e logo beijou cabeça dela.-Não quero mais ficar longe de você.

–Não fique.-disse simples.

–As coisas poderiam ser bem simples assim, não é verdade?-juntou a mão dos dois e observou como se encaixavam.

–E são, basta a nós querer.-levou a mão dos dois até os lábios e distribuiu pequenos beijos.

–Queria acreditar que as coisas são assim, que acontecem dessa forma.

–Porque não acredita?-observou ela se levantar e se enrolar no lençol. Os cabelos estavam caídos lindamente sobre um lado apenas do ombro, a pele parecia brilhar e ela parecia completamente satisfeita.

–Porque as coisas não são assim! É a lei humana, quando está fácil demais é porque algo está errado.-explicou dando um meio sorriso de lado.

–Já não acha que já passamos por coisas difíceis demais, para achar que algo ruim ainda vai nos acontecer?-levou a mão sobre a nuca dela a puxando para um pequeno beijo.

–Talvez.-Não, ela Não achava que as coisas ruins haviam terminado, achava que apenas haviam dado uma pequena pausa e que estavam apenas no meio daquela louca viagem sem volta.-Não me deixa.-pediu voltando a deitar sobre ele, o abraçando com força.

–Nunca.-disse apenas, e logo o quarto ficou em silêncio.

Thor viu que ela não passava de uma menina, presa num corpo de mulher.

...

Base Da Shield. 01:30 da Madrugada. ( Dormitórios )

Ele permanecia no minusculo quarto, lendo um livro idiota para humanos, nada que fizesse muito sentido para ele. O exemplar de física avançada foi atirado no chão do cubículo com frustração.

O que um gigante como ele estava fazendo naquele mundo pequeno? Vivendo com aqueles humanos pequenos e errantes, que matavam por pedaços de dinheiro que diziam ter valor? Talvez estivesse na hora de partir, de voltar novamente para Asgard. Odin, pai de todos, o aceitaria novamente sem sombras de dúvidas.

Mas algo o impedia de ir adiante naquilo.

Algo tão... Absurdo e inaceitável.

Uma humana. Fraca e pequena, tão insignificante e que havia feito parte do grupo de agentes que havia ajudado os vingadores contra o exercito dele de chitaures.

E ele, que tanto havia julgado o irmão por se envolver com uma humana.

Esticou a mão até a pequena luminária ao lado da cama a apagando, o quarto era penas iluminado pela luz da lua, pela pequena janela que havia no quarto. Fechou os olhos na tentativa de adormecer, mas o som de passos se aproximando o manteve atento. Os olhos se arregalaram assim que a porta do quarto foi aberta, ele se levantou rapidamente, mas deixou um sorriso brincar nos lábios assim que viu a silhueta dela, ouviu a porta ser fechada e trancada. Ele se manteve de pé, observando cada passo dela, como ela se movia de forma silenciosa em direção dele. Pode ver o rosto rapidamente sobre o feixe de luz que penetrava no quarto pela minuscula janela.

Sentiu as mãos o tocando o abdomem e logo a nuca, puxando o rosto de encontro ao dela, unidos os lábios. Ele a beijou, com força e desejo, um beijo desconhecido por ambos.

–O que faz aqui, agente Hill?-perguntou assim que ela tirou a blusa que ele vestia. Mas ela não respondeu, apenas voltou até ele, beijando o peito frio do mesmo enquanto levava as mãos até a calça que ele vestia, a desabotoando e logo depois a deixando ir de encontro ao chão.-Cuidado para não se arrepender depois, agente Hill.-provocou assim que ela o livrou da box, o deixando completamente livre, vendo o quanto ele estava excitado. Ela nada respondeu, apenas o empurrou para a cama o fazendo ficar sentado.

De pé, diante dele, viu nos olhos verdes frios um misto de emoção. Abriu o fecho do uniforme da Shield que usava, mas parou assim que ele a puxou para perto, terminando de abrir o fecho a despindo vendo os pequenos e firmes seios dela, a deixando apenas com uma pequena calcinha vermelha, a tirou do corpo dela rapidamente a deixando completamente nua. Observou os olhos azuis dela, mesmo com a pouca luz, sem pudor algum, tomados pelo momento de excitação.

Voltou a beija-lo e logo subiu sobre ele, sentando sobre o membro firme. Eles gemeram rente a boca um do outro. Ela começou a se mover sobre ele, de forma intensa, segurando sobre os ombros frios e contraídos de Loki, que observava com fascínio aquela mulher se mover sobre ele.

Segurou os quadris dela, a ajudando no ritmo, ouvindo os gemidos que ela deixava escapar. Ele fechou os olhos, sentindo que já estava próximo de explodir.

Os corpos se chocaram, o frio no quente, eles sentiram todos os músculos contraírem e chegarem ao orgasmo. Loki se deixou cair na cama, ainda desfrutando a sensação do orgasmo. Hill, tinha as mãos espalmadas sobre o peito frio do mesmo, mas se manteve calada, sentindo as ultimas sensações correr pelo corpo dela. Com as pernas ainda bambas e o coração acelerado, ela se levantou e vestiu o uniforme que estava no chão, sabia que Loki a observava, mas não ligou, fechou o fecho e caminhou até a porta, a destrancando e sumindo segundos depois atrás da porta fechada.

Ela saiu, assim como havia entrado, em completo silêncio.

Loki observou a porta durante alguns minutos tentando entender o porque dela ter ido embora daquela maneira, mas logo adormeceu.

...

Apartamento de Andressa.

Ela acordou ainda abraçada ao Deus, o céu estava nublado, coberto pelas nuvens cinzas que levava chuva e frio para a cidade. Os sons de buzinas impacientes preenchiam o ar, assim como xingamentos de motoristas insatisfeitos pelas estradas ocupadas por outros veículos. Apitos de guardas de transito se destacava entre a barulheira toda, tentando fazer o transito fluir de alguma maneira. O som de um helicóptero que passava acima do prédio a fez acordar mais. Se remexeu manhosa nos braços do Deus se sentindo feliz por ele ainda está ali.

–Bom dia.-se sentou na cama ainda sonolenta.

–Bom dia.-beijando a testa dela, se levantou ainda nu e começou a se vestir. Ela riu o observando, adorava o ver tão a vontade.

–Precisa voltar para Asgard?

–Sim, estava apenas esperando você acordar.

–Muito atencioso da sua parte, Deus.-se levantou enrolada apenas no lençol e deu a volta na cama, caminhando até ele que estava de costas. O abraçou e colou o rosto nas costas dele, inspirando o cheiro viciante que ele exalava, acariciou o adomem do mesmo e se afastou lentamente.

–Voltarei logo.

–Espero mesmo.-respondeu sorrindo se sentando na cama o observando por a blusa.

–Eu te amo.-falou e logo sumiu.

–Ainda é difícil aceitar isso.-murmurou sozinha no quarto, mas logo se levantou e caminhou até o banheiro, tomou um banho frio para espantar um pouco da sonolência que parecia querer permanecer. Depois de se vestir, decidiu que um café a ajudaria decepar todo o sono, caminhou lentamente pelo corredor em direção a escada, as portas dos quartos fechadas, sem sinal de vida.

Na sala ela riu com tristeza ao observar o porte de ração e água de Bob, caminhou até os recipientes e andou até a cozinha. Jogou a ração no lixo, e a água sobre a pia. Não conseguiria se livrar assim, ainda tão cedo dos pertences do cachorro, foi por isso que decidiu deixar os potes ao lado da porta da cozinha. Depois de colocar pó e água na cafeteira, caminhou até a sala, aonde o celular tocava dentro da bolsa. Pegou o aparelho e viu que era Clint, atendeu rapidamente.

–Oi, mano.-disse cansada se sentando no divã.

–Porque não atendeu o celular quando liguei ontem?

–Desculpa, assim que cheguei acabei adormecendo na sala, quando acordei Thor estava aqui e tivemos um pequena discussão, decidi subir para o quarto e acabei deixando o celular no sofá dentro da bolsa na sala.-explicou se levantando e caminhando pela sala até chegar a sacada, se sentando na pequena poltrona que ali havia, observando alguns pombos voarem para um destino desconhecido.

–Tudo bem, imaginei que ele pudesse está com você, por isso decidi não ir até ai. Mas, vocês já estão bem?-a voz tinha um tom preocupado que fez Andressa rir.

–Sim, está tudo bem agora.

–E com você?

–Foi difícil voltar e ver as coisas de Bob pelo apartamento, e como tudo fica silencioso sem ele.

–É sobre isso que eu queria falar com você.

–Sobre?

–Bob.-o silêncio se estendeu por alguns segundos, mas logo ele voltou a falar.-Estou estacionando aqui em frente ao seu prédio, daqui a alguns minutos estou ai.-disse por fim e encerrou a ligação.

Minutos depois ele já estava lá, e tomava café junto dela.

–O que quer falar sobre Bob?-perguntou se sentando ao lado dele na banqueta da cozinha.

–Aonde pretende enterra-lo?

–Não sei, Clint, sinceramente não sei.

–Vem comigo?-perguntou se levantando e colocando as xícaras de ambos sobre a pia vazia.

–Para aonde?-caminhou até a sala em busca da bolsa e do celular e logo se juntou a ele na porta.

–Você logo verá.-dando um meio sorriso, a conduziu até o elevador, desceram até a portaria e logo estavam na estrada, Clint dirigia e ela observava o caminho pela janela do veículo, já conhecendo o trajeto, mas se manteve calada.

Vinte minutos depois ele estacionava em frente a casa de Bruce e Catherine, o quintal estava vazio a casa parecia deserta. Eles desceram do veiculo e caminharam até a porta, sentindo as pequenas gotas de água cair do céu. Clint tocou a campainha e esperou assim como a morena que observava a rua deserta. O som de passos pode ser ouvido, mas mesmo assim Andressa permaneceu olhando a rua atenta, observando com pânico o carro que aparecia no fim da estrada.

Abraçando o casaco junto do corpo por conta do frio, ela viu quando o veiculo negro passou em frente a casa lentamente, por um momento pensou ver Kevin, mas se deu contra de que aquilo não poderia mais acontecer, que ele havia morrido e que não voltaria mais. Deu um passo para trás assim que sentiu quando lhe abraçaram a cintura, ainda assustada olhou e percebeu que era Annabely.

–Bely.-observou os olhos verdes da menina que pareciam assustados pela reação dela, se pôs de joelho e abraçou a menina que riu e a abraçou de volta.-Desculpa.-pediu beijando a testa da menina.

–Estava com saudades, Andressa.-falou se afastando fazendo um bico infantil.

–Também, Bely.-a morena falou secando as lágrimas, sorrindo enquanto se levantava.

–Eles não me deixaram ver você no hospital.-cruzou os braços, olhando para Clint, fazendo uma cara feia.-Clint também não deixou.

–Você estava desacordada.-tentou se explicar assim que viu as duas o olhando de braços cruzados.-Tá legal, vocês duas são imbatíveis.-quem dessa vez fez um bico inconformado foi ele enquanto fechava a porta e ouvia a risada as duas.

Annabely caminhou de mão dadas com Andressa, a conduzindo até a sala, Clint ia atrás das duas enquanto resmungava tentando de alguma forma explicar para a pequena menina e a irmã do porque não te-la deixado ver Andressa no hospital da base.

–Tudo bem, Clint, entendemos porque não deixou Annabely me ver.-Andressa falou cansada.

–Mamãe e Bruce estão lá fora.-Annabely informou apontando a porta da sala que dava para o longo quintal.-Ela hoje queria ver o dia, sentir o sol na pele, mas se decepcionou ao constatar que o dia está nublado e frio. Venham, vamos vê-los.

Eles acompanharam a menina, viram Catherine sentada em uma cadeira de balanço olhando para Bruce que estava ao lado dela, com a mão sobre a barriga de oito meses da doutora.

–Temos visitas.-Bruce falou sorrindo olhando os irmãos. Catherine olhou para a porta e viu os mesmos, deu um pequeno sorriso e estendeu a mão para Andressa, que a segurou e abaixou ao lado da mesma.

–Doutora, está melhor?-a morena perguntou sorrindo para Catherine.

–Sim, um pouco.-mentiu.

–Podem me deixar conversar com Catherine por um momento?-a agente perguntou e viu quando Bruce deu um beijo rápido na testa da esposa e logo entrou junto de Clint e Annabely.-Não está com frio, Cath?

–Não consigo sentir nada além das dores.-disse com a voz fraca observando Andressa ajeitar a manta sobre ela.-Não se incomode.

–O bebê está bem?-se sentou no banco que Bruce ocupava antes, ao lado da doutora.

–Sim, está muito bem, ótimo. E pelo o que tudo indica, sem alterações no DNA, nenhum indicio de raios gama.

–Isso é bom, mas não consigo entender porque você...

–Porque estou morrendo? Talvez seja porque eu me recusei a anos atrás ter um filho e agora que eu quero esse bebê eu esteja condenada a morrer.

–Não, tenho certeza que não é nada disso, as coisas não acontecem dessa forma, Cath.-segurou a mão dela com força, enquanto olhava nos olhos abatidos de Catherine.

–Eu sei que vou morrer, mas eu queria tanto pelo menos uma vez pega-lo no colo, sentir que fui capaz de gerar uma vida.-passou as mãos sobre a grande barriga enquanto chorava.

–Catherine, você não vai morrer.-Andressa falou firme encarando os olhos da doutora.-Não vai. Você vai ter seu bebê nos braços, vai poder ama-lo, você, Bruce e Annabely.-elas se calaram observando uma a outra, a doutora assentiu ainda chorando e voltando a acariciar a barriga, aonde sentiu o bebê chutar.

Annabely rompeu a porta correndo até elas, avisando de que estava na hora da doutora tomar o remédio, Andressa ajudou a mesma a entrar e esperou até que Bruce a levasse para o quarto.

–Está bem?-Clint perguntou assim que viu a irmã distante, ela apenas assentiu e se manteve calada, esperando que Bruce voltasse.-Não parece.

–Estou bem, Clint.

–Ela dormiu, estava cansada, ficamos bastante tempo lá fora observando o dia.-Bruce falou aparecendo na sala e se sentando ao lado dos amigos.

–Acha que ela vai morrer?-Andressa perguntou ainda com um tom distante, não se importou em perguntar pois Annabely não estava ali.-Porque está agindo como se ela fosse morrer, Bruce?-o doutor não respondeu, apenas tampou o rosto com as mãos respirando fundo.-Ela não vai morrer!-se levantou inconformada, andou de um lado para o outro tentando pensar em algo.-Cath já tem oito meses, completados recentemente, mas tem, porque não tentam uma cesariana de emergência?

–Já conversamos, ela não quer isso, quer ter o bebê na hora certa.-Bruce respondeu segurando a nuca.-Eu já tentei, mas ela se recusa.

–Isso não cabe a ela apenas, ela tem que pensar em você, em Annabely e principalmente no Bebê, que ele não deve crescer sem a mãe.-Ela se calou assim que viu Anny descer as escadas, com uma boneca de pano nas mãos.

–Bely, o que acha de levar a Andressa para aquele lugar?-Clint perguntou olhando a menina que apenas assentiu triste.

–Para aonde?-Andressa perguntou enquanto voltava a caminhar para fora da casa, indo para o enorme quintal.-Para aonde está me levando, Bely?-perguntou para a menina.

–É um lugar muito especial agora.-disse apenas e Andressa resolveu não perguntar mais nada, caminhou junto dela até aficar distante da casa alguns metros. Annabely parou alguns passos distantes de uma pedra no chão e apontou para a mesma. Andressa observou confusa, tentando entender o porque dela levar ela ali.

–O que foi, Bely?-perguntou completamente perdida.

–Bob.-disse apenas e a morena se deu conta de que era aonde o cachorro havia sido enterrado, as lágrimas escorreram pelos olhos dela que tentava não deixa-las rolarem pela face.-Acho que ele merecia um lugar especial.-a morena apenas assentiu, sentia o nó na garganta apertar, e sabia que se tentasse falar, choraria.-Clint concordou.

–Sim, ele merece um lugar especial.-secou as lágrimas sorrindo para Annabely enquanto beijava a testa da menina.

–Mamãe e Bruce também concordaram e ficaram muito tristem por ele ter ido embora, mas eu sei que ele está no céu, brincando de correr com os anjos.-Annabely sorriu olhando Andressa que assentia também sorrindo, vendo como a menina era doce, assim como um dia ela havia sido.-Estou terminando de fazer uma placa para ele, com tinta que não sai com água, quer me ajudar a terminar?

–Claro, com certeza, Belly. Mas agora eu queria ficar um pouquinho aqui, pode ser?- a viu assentir ainda sorrindo.-Por que não volta para a casa e pega as tintas para terminar-mos?

–Tudo bem.-disse feliz e deixou Andressa sozinha.

A morena não disse nada, apenas se sentou no chão e afundou o rosto nas pernas. Minutos depois se levantou e caminhou até a casa novamente, ouviu as vozes animadas de Anny, Bruce e Clint vindas da cozinha e caminhou até a mesma. Clint estava sentado à mesa com um caderno rabiscando algo que Andressa não conseguia ver, Annabely desenhava também sobre a mesa. Havia um cachorro sobre as nuvens que olhava para a "terra" aonde havia uma mulher de mãos dadas com um homem grande e com cabelos até os ombros, tinha também um outro homem com outra mulher ao lado, e ao lado deles havia mais um homem, com cabelos que pareciam ondulados e pequeno com uma mulher ao lado, segurando um bebê e com uma menina feliz ao lado, segurando a mão dessa mulher.

–Quem são essas pessoas?-Andressa perguntou se sentando ao lado dela, embora soubesse, queria ouvir dela, que a menina explicasse e até dissesse os motivos.

–Somos nós. Eu.-apontou a menina.-Mamãe com o meu irmãozinho.-apontou o desenho na folha a mulher que era Catherine.

–Como sabe que é um menino? Sua mãe não quis saber se era menino ou menina.

–Eu acho que é um menino, sinto como se fosse um menino.-disse simples dando de ombros.-E aqui é o Bruce.-apontou o homem ao lado de Catherine com o bebê, e viu que ele exibia um enorme sorriso.-Esse é o Clint com a namorada dele.-apontou para os dois de mãos dadas.

–Eles parecem felizes, não é mesmo?-perguntou observando a menina que continuava a dar detalhes no desenho.

–Sim, eles estão muito felizes, e eles se amam muito. Assim como você e Thor.-apontou para o ultimo casal da folha, o enorme sorriso que Thor dava e o que ela no desenho dava.-Como acha que se desenha uma enorme barriga podendo caber mais de um bebê ali dentro?

–Como assim? Barriga? Em quem?

–Em você, quero desenhar a barriga em você.-explicou estudando o desenho, tentando de alguma forma fazer uma grande barriga na morena.

–Belly, não estou grávida.-Andressa disse divertida, olhando Clint e Bruce que riam.

–Eu sei, sua barriga não está grande como a da minha mãe.-decidiu que deveria apagar a parte reta e fazer algo oval para que a barriga pudesse ser vista.

–Não é só pela barriga grande, não pretendo ter bebês, Belly.-explicou sorrindo pequeno, observando o rosto de Annabely que parecia confuso, mas que logo um enorme sorriso se abriu no mesmo.

–Mamãe disse que quando os casais se amam, eles tem bebês. Você e o Thor se amam, não é mesmo?

–Sim, mas...

–Vocês vão ter bebês, mas não agora, pois sua barriga não está grande!-Andressa apenas riu, sabia que nada que falasse naquele momento faria Annabely mudar de ideia.-E o cachorro lá em cima é o Bob, no céu, olhando a gente. Ele está feliz com os anjos, agora.

–É claro que está.-Clint falou estendendo o caderno que rabiscava para a irmã que o pegou e sorriu encantada ao ver o desenho. Era uma menina de costas, o cabelo longo preso em uma trança e grandes lindas asas de anjos saídas das costas.

–É perfeito, Clint.-Andressa falou enquanto passava as mãos sobre as asas desenhada com grafite.

–É você, quando pequena. Sabe que era assim que eu a via as vezes?-o arqueiro se levantou e caminhou ao lado de Bruce, aonde pegou uma xícara sem cerimonia alguma e encheu de café fresco que havia acabado de ser feito pela cafeteira.

–Obrigado, mano.-disse nostálgica ainda olhando o desenho, desenhado com perfeição.

–É seu.-voltando a se sentar a mesa, pegou o caderno e arrancou a folha, aonde anotou a data e entregou para a irmã.-E então Belly, o que quer que eu desenhe para você?

–Quero que desenhe eu e a Andressa.-disse parecendo distraída, ainda observando o desenho que havia acabado de desenhar e começava agora a pintar.

–Tá legal artistas, enquanto vocês pintam e desenham suas obras de artes, eu vou conversar com Bruce um pouco.-ela falou arrancando sorrisos de Annabely e de Clint. Dobrou cuidadosamente o desenho que Clint havia feito para ela e o guardou dentro do bolso, andou junto de Bruce até a porta da cozinha aonde conversaram sobre o o que havia acontecido dias atrás. O homem relatou que Annabely chorou grande parte do dia querendo ver a morena, e que Catherine não havia ficado sabendo do acontecimento.-Acho que é melhor ela não ficar sabendo disso até ter o bebê.

–Também acho, foi por isso que conversei com Belly e ela concordou, disse que Catherine não pode se aborrecer e que ela quer o irmãozinho.-os dois riram olhando a menina, que pintava alegre o desenho.-Ela disse que você lutou para salvar ela.-observou o rosto de da morena, ainda havia alguns hematomas, mas que já perdiam a cor.

–Ele ia estupra-la.-Bruce sentiu o coração disparar ao ouvir as palavras.-Ele me estuprou na frente dela, não tive escolha, era eu ou ela e não podia deixar ela passar por aquilo de novo.

–Sinto muito e agradeço ao mesmo tempo, não sabe como sou grato por não ter deixado nada de ruim acontecer a ela.-disse Bruce, emocionado. Ele sabia bem, como era difícil para a morena falar dos abusos que sofrera no passando. Imaginava como ter sofrido mais um abuso depois de todos aqueles anos poderia a destruir, mas que mesmo assim ela não deixou que nada de ruim acontecesse com Annabely.

–Como disse, não podia deixar ela passar por aquilo mais uma vez. Com o passar do tempo isso te destrói por dentro de uma forma que...-ela respirou fundo, uma onda de emoções do passado a tomou, ela pode ver como era ela quando pequena, tão sozinha e afastada de tudo, com medo de que todos fizessem mal a ela como o pai de Clint um dia havia feito. Lembrou também o que havia acontecido entre ela e Thor no dia anterior, como ela sentiu medo que ele a tocasse.-Annabely não merecia isso, ela é apenas uma menina.

–Assim como você era.-disse ele.

–Sim, assim como eu era. Mas sabe que há diferenças na nossa vida, Bruce.-dessa vez ela ficou de frente para o doutor.-Quando comecei a sofrer os abusos, tinha alguns anos a mais do que Belly. Acho que foi até mesmo por isso que suportei tudo aquilo por todos os anos, tinha um pouco mais de experiência na vida, se é que posso chamar assim.-deu de ombros sorrindo cansada.-Tinha também o fato de eu achar que Clint iria voltar, mais um dos motivos para que eu mante-se a minha fé.-debochou cruzando os braços.-Isso também me manteve, bem, vamos dizer assim. E...

–Não há justificativa com o que ele fez com você.-Bruce disse a encarando.

–Não, com certeza não, não é isso que estou tentando explicar, estou apenas querendo dizer que...-dessa vez ela respirou fundo, passando a mãos sobre o rosto, esfregando os olhos com as mãos, tentando encontrar as palavras certas.-Estou querendo dizer que, talvez esses anos a mais que tinha na época, podem ter sido o grande motivo para eu está aqui hoje, e principalmente saber que Clint estava vivo em algum lugar, e que se eu conseguisse superar tudo aquilo eu o encontraria.-o silêncio se estendeu enquanto Bruce assentia.-Ou talvez há a possibilidade de que as coisas deveriam ser assim, dessa forma. Que eu deveria sofrer os abusos.-voltou a olhar Annabely, que cobria de canetinha marrom, com perfeição, o cabelo de Andressa no desenho.

–Está querendo dizer que... Você merecia o que lhe acontecia?-Bruce perguntou incrédulo, observando ela que nada disse, mas que apenas continuou olhando a menina.-Não merecia, Andressa.

–Então porque aconteceu?-a voz dela soou com aparente impaciência.

–Eu não sei te respon...

–Eu também não. E quer saber? Eu me pergunto todos os dias a Deus, mas não encontro respostas.-caminhou até a sala nervosa, sentindo as lágrimas invadirem os olhos, olhou para Bruce que tinha a face repleta de dor.-Já sentiu como se tivesse pagando por erros que nunca cometeu?-Bruce caminhou até ela a abraçando.

–Sei exatamente como se sente.-disse num sussurro. E ele sabia mesmo, até hoje se perguntava porque aquele maldito acidente acontecera com ele, porque ele tinha que se transformar num monstro verde sem controle, ameaçando a vida de quem estivesse por perto. E ele ainda não conseguia compreender também o porque de Catherine está quase morrendo, justamente agora, que eles haviam construído uma família.

–Eu simplesmente estou cansada disso tudo.-disse ela cansada, se afastando do mesmo enquanto olhava pela casa impecável.

–O que aconteceu?-Clint perguntou assim que entrou na sala e viu a irmã chorando.-Andressa.-caminhou até ela a abraçando.

–Está tudo bem, só estava conversando com Bruce sobre Belly.-disse olhando o irmãos ainda abraçados, Clint apenas assentiu e logo beijou a testa dela.-Te amo mano.

–Também te amo.-os dois voltaram para a cozinha e Bruce foi para o quarto de Catherine, ver se a mulher havia acordado, ou se estava bem. Andressa se sentou lado de Annabely que terminava de cobrir todo o desenho. Não conteve o riso ao ver os cabelos de Thor loiros cobertos pela canetinha amarela. Ela e Thor sorriam, mas ela notou que Annabely havia mudado algo no desenho. Uma das mãos de Thor estavam sobre a barriga dela e a mão de Andressa parecia estar junta da dele. Ela sorriu, realmente havia gostado daquele desenho.

Minutos depois as duas pintavam a pequena placa de madeira a qual havia mencionado, para por aonde Bob fora enterrado. Andressa escreveu o nome do cachorro e pois a data, e deixou que Annabely se encarregasse com o resto, a menina desenhou pequenas flores assim com alguns corações, minutos depois as duas ficaram conversando até que a placa secasse, por fim as duas colocaram a placa aonde Bob havia sido enterrado e voltaram para a casa. Depois de assistir TV com Annabely e a menina dormir, decidiu que era hora de ir embora, se despediu de Bruce, assim como Clint, e os dois partiram para o apartamento dela.

–Obrigado.-ela disse abraçando o corpo já dentro do carro, o aquecedor estava desligado e ela pode ver a fumaça da própria respiração. Clint apenas assentiu e ligou o aquecedor.-O desenho... Ficou perfeito.-Sentiu dentro do bolso a folha com o desenho.

–Não ficou tão bom.

–Tá brincando não é mesmo?-os dois discutiram que nem duas crianças, como faziam na infância até chegarem no apartamento. Clint subiu e os dois pediram pizza, comeram enquanto assistiam a um filme. Clint falava o quanto o enredo era idiota, Andressa ria olhando o irmão, como havia sentido falta dele todo o tempo em que eles ficaram distantes.

A lembrança veio como uma pancada, ela ainda pequena como sempre no quintal da casa brincando com as Barbies, já estava cansada, queria uma amiga, alguém que pudesse brincar com ela. Já havia pedido a Clint, mas ele sempre se recusava, sempre estava ocupado com as garotas feias da escola dele, mas sentiu uma pontada de esperança ao se dar conta de Clint estava em casa, provavelmente fazendo o dever da escola, enquanto não dava o horário dele ir trabalhar na lanchonete da cidade. Correu sorridente com as barbies nas mãos, mas assim que chegou na escada ouviu os gritos, as batidas com fúria na porta. Ela sabia, sabia o que estava acontecendo lá em cima.

O chão acolheu as Barbies enquanto a menina corria pela escada, chegou ao fim da mesma mas não parou, ela correu até o quarto de Clint, aonde a porta estava trancada, tentou abrir, mas não conseguia. A porta estava trancada. Com o coração apertado podia ouvir o pedido do irmão para que o pai parasse de agredi-lo.

Ela gritou, batendo com todas as forças que tinha na porta, chutou até os pés doerem, socou até as pequenas mãos começarem a ficar vermelhas, mas nem mesmo os pedidos desesperados e aflitos dela parou o que acontecia lá dentro. Ela não podia fazer nada a não ser esperar, sentou de frente a porta e orou pelo irmão. Quando tudo cessou dentro do quarto, ela ouvia apenas a própria respiração ofegante e os sussurros em busca de Deus.

A porta abriu, mas ela não olhou para cima, não queria ver o rosto do pai de Clint com a satisfação que ele sentia depois de espancar o filho. Ele saiu sem dizer nada, nem mesmo mandou que a menina voltasse para o quintal para brincar com as bonecas. Quando a porta do quarto da mãe se fechou no fim do corredor, ela correu até Clint, que estava sentado no canto do quarto, com o rosto coberto de sangue.

–Clint.-chamou o irmão chorando, ele nada respondeu, mas quando ela se aproximou e o tocou ele se retesou escondendo o rosto nas pernas.

–Vá embora, Andressa. Volte a brincar com as suas Barbies.-a voz soava abafada e cheia de dor.

–Não, você está machucado, preciso te ajudar.-tocou novamente no irmão, mas dessa vez ele não reagiu, logo o choro dele ficou mais alto e cheio de dor.-Clint, não chore.-pediu sentindo o coração apertado e uma dor que nunca havia sentido antes.-Por favor.-pediu enquanto as lágrimas escorriam pela face. Imediatamente o irmão parou, mas não se moveu, permaneceu na posição que estava, com o rosto escondido.

Ela correu novamente até o banheiro aonde a mãe havia dito uma vez que guardava uma pequena maleta com coisas para limpar machucados. Usou a própria lixeira do banheiro como um degrau, já que o armário que abrigava a pequena maleta era alto demais para que ela pegasse sozinha. Subiu na lixeira tampada, abriu o armário com cuidado para não se desequilibrar e tirou de lá a pequena maleta, não achou o bastante, pegou outras coisas que viu dentro do armário e voltou a fechar o mesmo, se segurando na pia desceu com cuidado de cima da lixeira, as pernas tremiam assim como o braço que segurara com toda a força a pia, sabia que não devia cair, sabia que não podia se machucar pois Clint já estava machucado e ela devia cuidar dele. Quando finalmente estava com os dois pés no chão, ela respirou fundo, pensando que havia sido difícil, mas que era o que deveria ser feito para ajudar o irmão.

Pegou sobre a pia a maleta e as outras coisas e caminhou atrapalhada pelo corredor, quando chegou no quarto do irmão, ela ainda estava no mesmo canto, na mesma posição. sentou diante dele e colocou as coisas que havia pegado no chão. Abriu a maleta e ficou confusa, ela não sabia para o que servia o que, só sabia que deveria usar o algodão com algum produto.

–O que está fazendo, Andressa?-ouviu o irmão perguntar, mas ela não o olhou, permaneceu olhando para a maleta.

–Pode me dizer o que tenho que colocar no algodão para limpar seu rosto?-perguntou tirando um chumaço de algodão.

–Soro, ou água. Mas você não vai fazer nada, eu vou limpar meu rosto e...

–Achei o soro.-falou animada enquanto encharcava o algodão.-Porque não quer que eu o ajude, sou sua irmã...

–Pequena.

–E daí? Você não tem outra irmã, e nem a mamãe está em casa para te ajudar, apenas eu.-falou furiosa.

–Tá legal, mas eu tenho primeiro que lavar o rosto, tem muito sangue e esse pequeno pedaço de algodão não resolveria.-debochou dela e se levantou sorrindo, mas parou enquanto olhava as coisas que ela havia pegado.-Andressa, para o que você pegou o creme de rosto da mamãe?-abaixou e pegou o pote de creme facial da mãe.

–Pensei que fosse algo para o rosto.-abaixou a cabeça.

–Mas é algo para o rosto, e não para machucado.-ele riu abaixando e pegando as coisas que ela havia pegado.-Venha, vamos guardar isso e você pode fazer os curativos lá no banheiro.- Mesmo com a dor que estava sentindo Clint não conseguiu deixar de rir. Lavou o rosto e deixou que ela fizesse os curativos de forma desajeitada, querendo colocar band-aind rosas.-Você é o meu pequeno anjo da guarda.-falou e a viu sorrir, na boca, faltava um dente de leite que havia caído a poucos dias.

Quando ela piscou tudo havia voltado ao normal, a lembrança fora embora e ela estava novamente no próprio apartamento com o irmão ainda falando como o ator principal atuava mal. Secou a lágrima que iria rolar pelo rosto e sentou ao lado dele, encostando a cabeça sobre o ombro dele e o abraçando.

Clint não entendeu o porque do abraço, mas se deu conta de que não precisava de um motivo, a abraçou com força e beijou a cabeça da irmã. Quando o filme acabou ele notou que ela dormia, a pegou no colo e a levou até o quarto, a colocou na cama e a cobriu, como havia feito diversas vezes na infância, a ouviu reclamar e riu, deu um beijo na testa dela e sussurrou.

–Te amo mana.- e saiu do quarto, precisava voltar para a base.

1 Semana Depois.

De volta a base, ela se sentia feliz, ignorou os pedidos de Thor e de Clint para que ficasse mais tempo em casa descansando. Simplesmente não queria, e também não podia, já havia ficado tempo demais em casa, simplesmente não suportava mais, simplesmente precisava se mexer. Caminhou pela base até a sala de Furry, lá teve uma pequena conversa com ele que sobre como ela se sentia e se estava preparada para voltar.

Assim que deixou a sala do homem encontrou com Rozz, esse que caminhava distraído.

–China.-se pôs ao lado dele sorrindo.

–Ai meu Deus, ela voltou.-falou fingindo estar amedrontado.-O que faz aqui? Deveria está em casa descansando.

–Já estou bem.-disse frustrada, sentia como se todos a quisessem longe da base.

–Não parece, ainda tem essa marca no rosto.

–Você ver bem, já nem quase dá para ver.

–Como você mesma disse, eu vejo bem.-piscou para ela e depois sorriu ao ver o olhar matador lançado a ele.-Então, o que você vai fazer.

–Adivinha só.-parou no corredor cruzando os braços encarando o mesmo que parou junto dela.

–Não faço ideia.-enfiou as mãos no bolso do casaco olhando pelo corredor, enquanto tentava pensar em algo.

–Para aonde você está indo agora?-voltando a caminhar deixou ele parado no corredor pensando.

–Para aonde eu estou indo?-repetiu a pergunta olhando para o chão.-Bem, estou indo para um treina...-ele olhou para ela que já estava no fim do corredor, parecendo dar pulos de alegria. Ele sabia agora quem iria treina-lo.

–Vamos lá, China. Seu novo treinamento vai ser bem puxado.-com ar de deboche, ela sumiu no fim do corredor, em direção ao setor que iria treinar o mesmo.

–Era só o que me faltava.-se pois a andar em direção ao setor, sorrindo.

...

–Vamos começar com golpes simples.-já dentro do setor preparados para lutas corpo a corpo, a morena e o agente haviam se posicionado assim como ela havia mandado, agora ela caminhava na direção dele enquanto ria, ao constatar o rosto dele contraído de medo.

–Você vai acabar comigo, não vai?-recuou um passo amedrontado.

–Pode contar com isso.-ela disse e logo riu sem controle.-Tá legal, vamos lá Rozz, não seja covarde.

–Só estou querendo me poupar para as próximas missões, lembre-se, não pode me ferir gravemente.-avisou enquanto voltava a se aproximar dela que revirou os olhos.

–Tá legal, não pretendo te machucar muito, só o bastante.-disse segurando o braço direito dele e puxando com força, ele nem mesmo percebeu, mas quando se deu conta, já estava preso por uma chave pelo próprio braço.-Agora se livre disso.

–Tá legal, mas quero dizer que...-Andressa enfiou uma das pernas entre as do mesmo e logo o fez cair, ele gritou pelo susto e pela dor, logo estava sufocando enquanto sentia todo o corpo ficar dormente.

–Você ainda não aprendeu muita coisa.-debochou e logo o soltou, antes que ele desmaiasse.

–Você não avisou que ia... Droga, Andressa, quase me matou sufocado e quebrou meu braço.-reclamou deitado no chão segurando o braço e tentando controlar a respiração.

–Claro que não avisei, em uma missão quando há luta corpo a corpo o adversário avisa que vai te dar um soco ou um chute?-perguntou rodeando o mesmo com as mãos atrás das costas.

–Não, mas aqui estamos em um treinamento, por isso que pensei que fosse me avisar.-reclamou se levantando encarando a morena que ainda o rodeava.-Estou me sentindo uma presa encurralada pelo predador.-debochou e os dois riram.

–Tá legal, você está reclamando demais. Vamos lá, me mostre o que sabe, vamos lutar.-desafiou o mesmo que arregalou os olhos no mesmo minuto.

–Tem certeza, eu não quero te machucar. Acho que isso seria meio covarde e bárbaro até.-A morena viu o medo nos olhos dele, afinal, ele sabia que não ia ganhar aquela luta, já que grande parte das coisas que havia aprendido ela quem o tinha ensinado.-Por mim tudo bem.-deu de ombros com desdem, a olhando fechar e abrir os punhos como numa ameaça mortal.

–Se está tudo bem, então vamos lá.-desafiou novamente sorrindo, ainda abrindo e fechando as mãos e se aproximando aos poucos dele.-Vou te dar uma pequena vantagem, tá legal? Você começa.

–A não, primeiro as damas.-falou fazendo um bico e cruzando os braços.

–Não banque o cavalheiro aqui, Rozz.-falou ficando irritada, sabia que o mesmo queria apenas adiar a luta.-Se isso te faz ficar tranquilo, não vou te machucar... Muito.

–Pode ter certeza que isso me deixou tranquilo, muito tranquilo.-dessa vez quem deu um passo a frente foi ele, colocou braços na defensiva e partiu pra cima dela, lhe dando um soco na barriga.-Me Deus.-ele disse apavorado ao perceber que havia a acertado.-Andressa, me desculpa...-Andressa que estava debruçada sobre o braço do mesmo fingia dor, mas assim que viu que ele não estava mais atento a luta, passou o braço direito no pescoço dele e pulou nele envolvendo as pernas na cintura no mesmo, quando sentiu que ele ia cair pela falta de ar, soltou ele e pulou para trás, antes que os dois despencassem.-Você... Ainda... Vai me matar... Sufocado.-ela riu assim que viu ele segurar a garganta.

–A, nunca baixe a guarda.

–Eu pensei que tinha te machucado.-falou inconformado olhando para ela.

–O soco, foi bem forte. É, doeu sim.-sentindo a dor, ela se curvou respirando fundo.-Mantenha esse soco, Rozz. Foi muito bom, muito mesmo.-ela estava sem folego, mas logo voltou a postura.-Acho que quem vai me matar sem fôlego vai ser você.-brincou e o viu sorrir vitorioso, como se tivesse recebido o maior e melhor prêmio de todo o mundo.-Tá legal, vamos continuar.-viu ele dar apenas de ombros como se não ligasse mais para aquilo. Dessa vez quem começou foi ela, mas não o atacou, apenas correu pelo setor, subindo pelos ferros da parede para a plataforma que havia acima dele.-Vai continuar ai parado?-sorriu pequeno ainda subindo, com um pouco de dificuldade, o soco do homem havia sido forte demais ainda lhe tirava o fôlego. Rozz começou a correr e subir de forma atrapalhada, quando chegou na plataforma, se viu sozinho, Andressa havia sumido nos pontos escuros que havia no setor. Tudo estava em absoluto silêncio. Tudo foi rápido, sentiu apenas o corpo ir para frente e quando percebeu já estavam caídos na rampa, a morena se levantou e Rozz logo em seguida, dessa vez ele quem a atacou, a levando direto a plataforma. A dor se alastrou pelo corpo dela de forma apavorante, mas ela não parou, o afastou com as pernas e se arrastou na tentativa de se levantar, quando voltou a olhar a frente, dessa vez ele que tinha sumido nos pontos escuros do setor.

Ela riu se levantando, ele estava fazendo o mesmo que ela, mas também por ele ser tão tolo, já que a respiração dele o denunciava, sentiu quando ele se aproximou pelas costas dela, mas antes que ele pudesse atingir, ela abaixou, virando rapidamente e agarrando a perna dele, o fazendo cair de forma desajeitada, quando ele tentou escapar do ataque dela, acabou virando para o lado e caindo da plataforma. Fechou os olhos e esperou pela queda. Segundos se passaram e nada aconteceu, ele chegou até mesmo se perguntar mentalmente quantos segundos levaria para chegar ao chão.

–Rozz.-a voz da morena soava ofegante.-Rozz, seu imbecil.-ele abriu os olhos e viu que ela o segurava. puxou ele com força ate que ele mesmo conseguiu segurar na plataforma e voltou a subir na mesma.

–Pensei que fosse cair.-ele disse jogado na plataforma tentando acalmar os batimentos.

–É eu percebi, já que você nem mesmo se moveu durante uns quinze segundos.-olhando o mesmo apenas riu.-Sua respiração te denunciou, por isso percebi que você estava atrás de mim.

–Vou me lembrar disso na próxima vez.

Viram a porta do setor ser aberto e Steve entrar no mesmo, ele coçou a nuca enquanto olhava pelo mesmo em busca dos agentes, quando ele olhou para o alto viu os mesmos e deu um pequeno sorriso tímido.

–Andressa e agente Rozz, Fury quer que saiam em missão em uma hora, o jato já estará esperando por vocês na pista.-fez um pequeno gesto com a cabeça e se retirou do setor.

–Ele é tão sério.-Rozz falou fazendo uma careta, fazendo Andressa rir.

–Ele é um soldado, dos anos...

–Ele está no futuro, deveria se acostumar.-Desceu assim que a viu na porta.

–Se fosse você, não acharia estranho esse mundo? Imagine você dormir por muitos anos e acordar em um mundo completamente diferente do que quando você dormiu, e imagine ter de viver nele.

–Eu me adaptaria bem.-saiu logo atrás dela no setor e começaram a caminhar em direção aos dormitórios.

–Sim, com certeza você se adaptaria, você já é do futuro esqueci, os chineses...

–Sou Coreano!

–Tanto faz! O que eu quero dizer é que os olhos puxados, sejam chineses, coreanos ou japoneses estão sempre na nossa frente em questão de tecnologia, então por isso se acostumariam mais rápido.-explicou.-E, tenho certeza que não se adaptaria, não mesmo, imagine só, você dormir um dia e acordar anos depois e for usar seu celular super moderno agora, provavelmente não teria rede, pois essa tecnologia já seria velha demais. Então imagine mais uma vez você, tentando mexer em toda aquela nova tecnologia, aqueles aparelhos transparentes e minúsculos, ou grandes demais, não ficaria confuso?

–Vendo por esse lado.-ele falou depois de pensar, o que ela havia dito realmente fazia sentido.

–Viu só como eu tinha certeza?-riu vitoriosa digitando a senha na porta do dormitório dela.-A, e não pense que o treinamento terminou china.

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–Meu Deus.-disse fingindo cansaço e caminhando até o dormitório dele.

Andressa riu e entrou no pequeno comodo, olhou a hora e percebeu que ainda tinha tempo para um banho, se despiu e tomou um banho frio, se livrou do suor causado pelo treinamento que havia feito com Rozz, saiu do banho e vestiu a roupa que havia no armário, uma calça jeans de lavagem escura e uma regata preta, prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e se sentou na cama para calçar o tênis All Star. Ouviu a porta ser aberta, mas não se incomodou para ver quem era.

–É.-foi a unica coisa que a pessoa pronunciou, mas o bastante para ela reconhecer de quem era a voz.

–Loki, que grande surpresa... Desagradável.-debochou olhando para ele que apenas riu enfiando as mãos no casaco que vestia.-O que te trouxe até aqui, cunhado?-lançou um sorriso de escânio para ele e o viu assentir abaixando a cabeça.

–Uma dúvida, vim lhe perguntar uma coisa, acho que saberá me responder já que é uma humana.-ele deu mais um passo até está completamente dentro do quarto e a porta se fechar atrás dele.

–Então é algo com nós humanos fracos, seres insignificantes.-ela não olhava mais para ele, mas também sabia que não era preciso para saber que ele estava sorrindo, assim como ela, quando terminou de calçar o outro par, ficou de pé de frente para ele, o olhando nos olhos.-Diga Loki, no que posso lhe ajudar, creio que deve ser algo bem importante para que você busque a minha ajuda.-esperou que ele dissesse, mas viu dúvida nos olhos frios dele.-Sim, algo está lhe perturbando.

–Como... Uma pessoa entra em seu quarto na madrugada e...

–E?

–Como posso dizer?-pensou em algumas palavras, mas nada que o ajudasse a explicar.

–Se não me contar não posso esclarecer essa coisa que está lhe incomodando.-disse ainda o olhando, mas ficou curiosa com o que poderia está tirando a paz do Deus, sé que ele tivesse alguma.

–Uma pessoa entrou no meu quarto de madrugada e...

–Que pessoa? Daqui da base? O que queria?

–Sim, uma pessoa aqui da base, mas prefiro não dizer quem é.

–Tudo bem, mas o que essa pessoa fez com você?-perguntou.

–Está preocupada?-ele riu, se perguntando porque ela estava se preocupando, logo com ele. Mas percebeu que essa talvez seria uma virtude, ou um terrível defeito deles humanos, perdoar ou ter algum sentimento pelo que não devia.

–Quer falar logo, Loki. Estou ficando sem tempo.-disse irritada.

–Tudo bem.-andou pelo pequeno espaço livre, de um lado para o outro, até que parou.-Se uma pessoa entra no seu quarto de madrugada e tem... relações com você, entra e sai sem dizer nada, acha que ela pode sentir algo por você?

–Talvez essa pessoas só tenha lhe usado para suprir uma necessidade sexual dela... O quê? Quem entrou no seu quarto e transou com você?-ela estava completamente confusa e assustada com aquela descoberta.

–Como disse, prefiro não dizer o nome.

–Tá legal.-quem estava confusa e sem palavras agora era ela, abriu a boca mas voltou a fechar assim que se viu sem o que pensar.-Loki... É... Você sente algo por essa pessoa?

–Talvez.

–Hoje com certeza é dia das revelações.-passou a mão sobre o rosto tentando pensar em algo que fizesse sentido.-Am, é, talvez essa pessoa também possa sentir algo por você, ninguém invade o quarto de outra pessoa, transa com ela e vai embora sem pelo menos não sentir uma atração. Mas você disse que... Ela não disse uma palavra.

–Não, não disse nada.-a voz dele tinha um tom amargo, imerso na tristeza.

–Os humanos não são muito diferentes de vocês, Loki, ou vocês não são tão diferentes de nós humanos, o que quero dizer é que vocês tem apenas poderes que os diferenciam, mas sentem, assim como nós. Vejo nos seus olhos, está confuso, se sentindo talvez até rejeitado e isso te destrói por dentro.

–Para uma humana, você sabe bastante.

–Creio que o necessário.-sorrindo, vestiu o casaco e pegou a pequena mala que já tinha preparada, faltava apenas dez minutos para ela chegar no jato e partir em missão. Saiu do quarto aonde Loki a esperava no meio do corredor.

–Você vai fazer meu irmão feliz.-disse afinal, sorrindo assim que viu o rosto dela surpreso.-Não é tão ruim quanto pensava.

–Tentarei fazer ele feliz.

–Acho que vai conseguir.

–Desde quando ficou tão sentimental, Loki?

–Convivência em excesso com humanos fracos.

–Com certeza. Até mais, cunhado.-falou sarcástica andando apressada pelo longo corredor.

–Até mais, cunhada.-disse divertido a vendo sumir no corredor.

...

Nas pista, Andressa lia o relatório que havia recebido minutos atrás de Maria Hill, a mulher falava sobre o que eles deveriam fazer. Rozz, tentava conter um bocejo a todo custo, já que ouvir Hill falar lhe dava sono, era como ouvir a música mais lenta depois de beber um calmante mais forte. Andressa encarou a mulher assim que ouviu ela parar de falar, a viu encarar um ponto atrás deles com tensão. Seguiu o olhar dela e viu Loki caminhando solitário.

Havia acabado de descobrir quem tinha invadido o quarto dele.

–Hill, podemos partir?-Rozz perguntou cansado de esperar. Ela assentiu sem dizer uma palavra, ainda observando Loki, que se afastava cada vez mais.

–É.-Andressa se aproximou da mulher e disse no ouvido dela.-Não é educado invadir o quarto de uma pessoa em plena madrugada, fazer o que quiser, e não dizer uma única palavra que for.

–O que ele disse?-Hill perguntou se afastando um passo de Andressa que apenas ria com ironia, vendo a face assustada da mulher.

–Nada, quem disse algo foi você.-caminhou até o jato e assim que subiu o primeiro degrau, se virou, olhando a agente.-Podia ter pelo menos pedido "obrigada"-disse por fim e logo terminou de subir e logo atrás dela o piloto fechou a porta.

O jato decolou sumindo no céu e Hill continuou parada na pista pensando em Loki, em como ele havia ficado com ela na semana anterior, sem exitar em nenhum segundo. Chegou a se perguntar mentalmente se ele talvez pudesse sentir algo por ele.

–Deixe de ser patética.-repreendeu a si própria.-Ele não passa de um deus presunçoso cheio de si, apenas joguei o jogo dele e ganhei,não tenho que explicar meus atos a ninguém.-falava furiosa, se perguntando que Andressa achava que era. Acordou dos pensamentos assim que Walkie Talkie chiou e a voz de Fury soou perguntando num tom irritado aonde ela havia se metido.

–Já estou indo, diretor.-respondeu rapidamente e foi de encontro a sala do homem, não iria ficar pensando em Loki, muito menos em Andressa, tinha que fazer outras coisas melhores e necessárias

1 Dia Depois. Kansas

Eles corriam pelo centro da cidade, Rozz havia levado um soco do "alvo" e o tinha deixado escapar, Andressa tentava pensar um jeito de poder pegar o homem, mas nada lhe vinha na cabeça, já que não conseguia pensar com clareza, pois colocava a atenção para não esbarrar nas pessoas e gritar para que saíssem da rua. Viu quando o homem virou no final da rua, correu mais rápido, mas assim que virou a esquina, caiu no chão, não sabia bem o que havia acontecido, apenas via o homem correr mais, ela levantou sentindo a cabeça girar, passou a mão pela testa e viu sangue.

–Filho da puta.-sussurrou quando se deu conta de que havia levado uma pancada na cabeça, se sentia tonta, mas sabia que não podia parar, podia ver o homem se afastar aos poucos, mas mesmo assim voltou a correr atrás dele.-Rozz.-falou no comunicador.

–Sim.-a voz do homem soou abafada tanto pelo cansaço, quanto pela dor que sentia nas pernas.

–Ele está indo para o Norte, vá para a droga do Norte.-berrou irritada. Parou subitamente assim que viu um beco, observou o trajeto do homem e viu que faltava metros até que ele chegasse no fim da rua, ela sabia que ele viraria já tinha notado que ele estava correndo em círculos, só que ela ia acabar com aquilo. Entrou no beco e correu até sair na outra rua, aguardou atenta com cuidado recuperando o fôlego, viu quando o homem surgiu no fim da rua, agora ele andava e olhava a rua atento, por mais que ele tentasse disfarçar. Ela riu, seria fácil demais, pensou, mas assim que olhou para o lado inverso da rua avistou Rozz, ele ainda corria.-Rozz, Rozz.-gritava praticamente na escuta.-Para, para de correr.

–O quê?-perguntou confuso, enquanto parava a corrida aos poucos.-Conseguiu pegar ele?

–Estou quase, mas preciso que você pare de correr droga.-Falou aflita olhando o homem que se aproximava mais a cada segundo, mas que não havia visto Rozz.

–Já parei, mas, ele...

–Sim, eu sei, apenas faça o que eu estou mandando.-falou dura, pois sabia que só desta forma ele faria o que ela pedia.-Agora vire e volte, só que desta vez caminhando, como se fosse um trabalhador.-falou baixo, o homem estava mais próximo.

–Não sei se você percebeu, mas no Kansas não tem muitos Coreanos.-debochou dando de costas e fazendo o que ela pedia.

–Cale a boca e faça o que eu pedi, china.-observou o homem se aproximar, mas viu quando ele parou olhando nervoso para a frente, ela fez o mesmo e viu Rozz, assim como outras pessoas caminharem para longe.-Merda.-respirou fundo assim que percebeu que o homem reconheceu Rozz pelas costas, respirando fundo esperou alguns segundo até que saiu do beco correndo, quando viu que o homem caminhava no sentido oposto de Rozz.

Sem que ele pudesse reagir, no impulso ela levou os dois para o chão, mas ela não parou, por mais que sentisse dor pela queda, se levantou e agarrou o casaco que o homem vestia. Desviou do soco que ele tentou acertar nela e logo deu um chute no mesmo.

–Piranha.-cuspindo sangue, o homem falou enquanto tentava ficar de pé.

–Vai se arrepender de ter dito isso.-sorrindo o puxou novamente pelo casaco, o fazendo ficar de pé, ele tentou a acertar com socos mas ela se defendia. Pessoas em volta gravavam com o celular, e ela teve quase certeza de que ficaria conhecida no You Tube, alguns adolescentes gritavam eufóricos, quando ela viu Rozz se aproximar se descuidou e sentiu o punho do homem a acertar no estomago, com força, a fazendo ficar sem ar e cair no chão.

–Piranha fraca.-o homem disse com desdém a observando no chão, enquanto se contorcia pela dor. Ele cuspiu no chão quase atingindo o rosto da morena. Negando a dor, ela puxou as pernas dele o fazendo cair com a cara no chão, quando o viu tentar se afastar ela o agarrou trocando socos e pontapés com ele quando ele tentou ir para cima dela. Posicionou as duas pernas e o chutou com força, o fazendo bater contra a parede e cair direto no chão. Ela se levantou e viu Rozz se aproximar com uma algema em mão.

–Não, mesmo.-alertou ao amigo ofegante. Rozz não se aproximou, pois sabia e esperava ver ela acabar com o homem de forma majestosa. Quando o homem estava de pé novamente, ela acertou o rosto dele com diversos socos, em seguida, segurou com uma mão na gola do casaco que ele vestia e com a outra segurou a cabeça dele e bateu com o rosto do mesmo contra o joelho. O largou, vendo o mesmo cambalear e logo ir direto para o chão, mas quando ele ia levantar, ela abaixou até ele o fazendo ficar com o rosto rente ao chão quente ao lado do próprio cuspe.-Todo seu, Rozz.-soltou o homem e logo Rozz o algemou, ele não resistiu, não tinha forças. Andressa sentou no meio fio da calçada e esperou junto de Rozz que o outro agente chegasse com a van para busca-los.-Na próxima vez, eu acabo com você também.-ameaçou Rozz que arregalou os olhos.-Qual é o seu problema?-irritada voltou a se levantar.

–Ele me deu um soco.-explicou.-Perdi a visão, quando me dei conta ele já estava fugindo pela saída de emergência do prédio, então tive que avisa-la, sabia que se não fizesse ele iria fugir.

–Já entendi, Rozz. Só que da próxima vez, eu pego o cara.-disse por fim e subiu na van, que havia acabado de estacionar.

...

O jato pousou na pista da Shield, os dois agentes desceram rapidamente e viram Clint e Natasha conversando, parecendo algo sério, Andressa caminhou até eles e percebeu quando eles se calaram.

–O que aconteceu?-perguntou nervosa, o rosto dos dois estavam sérios demais.

–Catherine entrou em trabalho de parto.-Clint informou.

–Aonde ela está? Já teve o bebê?-Viu quando o irmão abaixou a cabeça e Natasha olhou para o horizonte, não a encarando.-Ela morreu?-perguntou com o nó na garganta se apertando mais, sentiu o estomago revirar e como se fosse cair.

–Não, não, ela não morreu, está agora em uma cesariana, mas... Achamos que ela não vai resistir, está fraca demais.-quem falou dessa vez foi a ruiva, Andressa fitou os olhos verdes assim como os dela.-Bruce está péssimo e Annabely está arrasada.

–Annabely está aqui?-perguntou quando voltou a andar para entrar na base.

–Sim, ela estava com Catherine quando ela sentiu as dores e pediu que chamasse Bruce, ela fez questão de vim, não queria ficar longe da mãe.-ouviu a voz de Natasha ficar mais distante a cada passo que dava.

–Andressa.-Clint a chamou, ela parou mas não virou.-Ela não vai sobreviver.-caminhou até ela lentamente.

–Foi isso que te disseram?-viu o rosto do irmão confuso com a pergunta.-Quando eu quase morri naquele acidente?-ele voltou a abaixar a cabeça, não respondendo, mas Andressa sabia a resposta, que ninguém em nenhum momento havia perdido a esperança de que ela sobrevivesse. Os deixou para trás e voltou a caminhar para dentro da base, os corredores estavam vazios, como de costume. Ouviu os passos soarem apressados atrás dela e logo a mão a segurar, a fazendo parar no corredor. Ficou surpresa assim que viu Hill a sua frente, a mulher parecia com raiva, os olhos azuis tinham um traço de frustração que Andressa não pode deixar de notar.-O que quer agente, Hill, se for sobre o relatório saiba que eu irei faze-lo assim que voltar da enfermaria.

–Que se dane o relatório.-disse enquanto apertava mais o braço de Andressa.-Acha que pode se meter daquela forma na minha vida? Acha que pode me criticar só porque teve uma infância difícil, porque era estrupada? Acha que isso te torna melhor do que eu?-soltou o braço da morena assim que a mesma apertou o pulso dela com tanta força que ela achou que iria quebrar. Andressa não disse nada, apenas voltou a caminhar, mas parou e se virou encarando Hill.

–Se tocar em mim novamente, eu quebro as suas duas mãos.-ameaçou, Hill permaneceu em silêncio engolindo em seco. A morena voltou a caminhar, viu poucos agentes dentro dos setores sendo treinados por agentes mais experientes, quando se deu conta, já estava dentro da enfermaria, perguntou aonde Catherine estava e foi informada de que a mulher estava na sala de cirurgia, mas que os parentes a esperavam na sala de espera. Voltou a caminhar, dessa vez mais rápido, rompeu a porta e viu Annabely no colo de Marie, chorando.

O som das portas sendo abertas chamou a atenção de todos, Andressa viu quando a menina a olhou e levantou do colo de Marie correndo pulando nos braços dela.

–Andressa.-a voz não passava de um sussurro entrecortado pelo choro.-Ela vai morrer.

–Não, Belly, vai ficar tudo bem, ela não vai morrer.-se sentou numa cadeira ao lado de Marie e acariciou os cabelos da menina que a abraçava.-Fica calma, tudo vai ficar bem.-a colocou no colo de Marie novamente e lhe deu um beijo na testa.-Preciso falar com Carolina, já volto.-Annabely assentiu, e a morena caminhou até a amiga que estava do outro lado conversando com Jason.-Aonde Bruce está?

–Ele entrou, Catherine pediu para que o chamasse.-Carolina disse baixo, não queria que Annabely escutasse.-Ele estava tão perdido. Belly não parava de chorar até você chegar.-Andressa assentiu e voltou até Belly a pegou no colo novamente e a ficou acariciando a cabeça da menina até que viu que ela havia adormecido.

Minutos se passaram e Clint e Natasha voltaram até a sala, Clint sentou ao lado da irmã e de Marie e esperou. Minutos a mais se passaram e nenhuma noticia.

A porta do centro cirúrgico foi aberta e de lá Bruce saiu, chorando e com sangue sujando a roupa que havia recebido. Todos permaneciam calados, Andressa sentia o coração acelerado a cada passo que ele dava e se aproximava. Quando Bruce chegou até eles, foi como se todo o ar fosse sugado.

–É um menino.-ele disse finalmente depois de longos minutos.-Catherine está bem.-Foi impossível manter o silêncio. Tony que havia chegado fazia poucos minutos abraçou o amigo o parabenizando, os outros se abraçavam entre si sorrindo completamente felizes.

Ele viu que Andressa permanecia sentada observando tudo, viu que no colo dela estava Annabely que parecia assustada com toda a barulheira. Caminhou até as duas e se abaixou diante delas.

–Bruce.-Annabely o chamou assim que o viu, ainda tinha os olhos tristes, mas estava também confusa tentando entender o porque de todos gritarem e sorrirem.-Porque todos estão felizes? Aonde está minha mãe, e o bebê?

–Seu irmão nasceu, e sua mãe está ótima.-não teve tempo de reagir, quando percebeu já estava sentado no chão e Annabely o abraçava chorando de felicidade.

Andressa se levantou lentamente e se retirou, caminhava pelos corredores com os pensamentos distantes, sentiu a mão que ela já conhecia sobre a cintura a segurar, ela parou sorrindo enquanto se virava, envolvendo os braços sobre o pescoço de Thor.

–Deus, posso saber o que faz por aqui?-perguntou brincalhona sentindo os lábios de Thor sobre a testa e logo sobre os lábios dela.

–Vim lhe ver.

–Isso é ótimo, mas já acabou o que tinha que fazer em Asgard?-voltou a caminhar o levando junto.

–Por enquanto sim.-a agarrou enquanto a imprensava numa parede que ficava atrás de uma enorme pilastra.-Senti saudades.-grudou os lábios dos dois com ferocidade, Andressa ficou assustada, mas logo acompanhou o ritmo dele, o beijando com vontade, sentindo o calor dele. Sentiu as mãos dele lhe tirarem o casaco, os beijos descerem dos lábios para o pescoço.-Não posso ficar longe de você.-sussurrou ofegante.

–Não tem que ficar.-Andressa disse afastando o rosto dele, o fitou nos olhos e viu que algo não estava certo, algo o deixava angustiado.-O que aconteceu?

–Nada com que eu deva me preocupar agora.-a abraçou apertado, pressionou o rosto contra a cabeça dela e inspirou o cheiro dela.

–E eu, algo com que eu deva me preocupar?-passou as mãos sobre o peito dele o sentindo tenso.-Algo com nós?

–Não precisamos pensar nisso agora.

–É seu pai, não é mesmo? Odin não o aceita com uma humana.-ele não respondeu, mas ela já sabia a resposta.

–Nada vai me afastar de você, Andressa, nada.-disse determinado a olhando nos olhos.-Não vou desistir de você.

–Nem eu de você, Thor.-ela devia falar, sabia, mas não conseguia, não agora. Respirou fundo e o abraçou.

–Não vamos pensar nisso.-pediu a vendo abaixar e pegar o casaco que estava no chão e logo o vestir.

–Não, não vamos.-deu um pequeno sorriso e o beijou, saiu de trás da pilastra o puxando pela mão. Ele a abraçou de lado e caminharam pelo corredor.

–Para aonde vamos?

–O que acha de irmos para casa?

–Casa?

–Sim, a nossa aqui na terra.-os dois caminharam um ao lado do outro sorrindo.

...

Ele observava o céu, a lua solitária na imensidão negra. Pensava em casa, em mais uma discussão que tivera com o pai enquanto esteve em Asgard. Andressa dormia esparramada na cama, coberta apenas pelo lençol, os cabelos escuro estava em contraste com o lençol branco da cama. Acariciou com as pontas dos dedos o ombro dela percorrendo o caminho até a mão dela e voltando novamente ao ombro descoberto. Ela se moveu soltando um gemido que o fez dar um pequeno sorriso, viu o cordão ainda no pescoço dela, o pequeno martelo parecido com o dele. A beijou no ombro e ajeitou o lençol para a cobri-la mais já que a madrugada estava fria e se levantou da cama procurando pelo jeans que estava no chão e o vestiu, a deixou no quarto dormindo e desceu para a sala, lá sentou no sofá ainda remoendo a pequena discussão que tivera com o pai em Asgard.

Inquieto se levantou e caminhou até a sacada, o céu negro foi rasgado por um raio e logo o som do trovão invadiu o apartamento, os vidros frágeis tremeram com o som estrondoso, com os raios a seguir veio o clarão e logo a chuva, invadindo NY, como uma intruso que não era bem vinda. Respirou fundo, a voz de Odin invadia a mente dele "Ela não é digna para um filho meu, não passa de uma humana, sem poderes."

A chuva caia agora com mais força, o loiro tinha os punhos cerrados e os olhos fechados, levou um pequeno susto quando sentiu as mão dela o abraçar por trás, sorriu as segurando e as levando até a boca, beijando as duas.

–Pare de lançar raios contra a cidade.-disse brincalhona.

Ele riu se virando de frente para ela, a viu enrolada no lençol e o rosto inchando pelo sono.

–Você ainda está tenso.-o observou e o viu dar de ombros.-Venha.-caminhando o puxou até o sofá e o deixou sentado no mesmo enquanto caminhava até a cozinha, pegou rapidamente um pote de sorvete e uma colher e voltou até a sala, aonde ele ainda estava sentado a esperando. Sentou de frente para ele nas pernas dele e abriu o pote de sorvete.-Coma.

–O quê?-perguntou confuso, viu ela encher a colher e oferecer a ele.

–Sei que a coisa que mais gosta de comer é sorvete, espero não está enganada.-viu ele sorrir e logo comer metade do que tinha na colher. Tomou a colher da mão dela e a fez comer também.-Não estou tensa.-falou dando um selinho nele. Segurou o pote e o viu comer mais uma colher e logo oferecer outra a ela que não recusou.-Sabe que ainda lembro da vez em que estávamos no apartamento de Clint comendo sorvete e nos beijamos.-os dois riram com a lembrança.

–Realmente adorei aquele dia, mesmo depois que você me deixou na sala ainda confuso com o beijo.-admitiu deixando o pote de sorvete de lado.

–Desculpe, estava tão...

–Shiii. Eu entendia, sei que estava magoada com Tony e queria se proteger.-deu um pequeno beijo no pescoço dela e sentiu o corpo sobre ele tremer ao sentir os lábios gelados pelo sorvete. Eles não disseram mais nada, apenas agiram. A morena o beijou lentamente, sentiu a língua dele invadir a boca e se chocar com a dela, como numa dança lenta e saborosa.

As mãos de Thor foram até os ombros e depois descendo pelas costas lentamente a livrando do lençol que ela estava enrolada a deixando nua, invertendo as posições, ele ficou sobre ela enquanto acariciava e distribuía os beijos pelo corpo dela, sentiu as pernas dela empurrar o jeans que ele vestia e sorriu, se livrou da peça com facilidade e voltou até ela.

Os dois suspiraram quando os corpos de chocaram, quentes em busca um do outro, em busca do desejo, do prazer extremo.

...

1 Dia Depois Base da Shield. (16:00 da tarde)

Andressa ainda ria observando o pequeno bebê nos braços, observando o quanto ele era tão lindo e frágil, como a inocência exalava do pequeno. Ela caminhava de um lado para o outro dentro do quarto o ninando para que o mesmo dormisse, quando viu que ele dormia o colocou novamente no pequeno berço que havia no quarto e sentou na cama ao lado de Catherine, essa que apenas ria observando o filho.

–Ele é lindo demais.-Andressa disse sorrindo, olhando assim como Catherine o pequeno dormir.

–Sim, ele é lindo.-A doutora se sentia a pessoa mais feliz do mundo, completamente realizada, sentiu as lágrimas invadir os olhos, respirou fundo as secando e olhou para Andressa que sorria.-Desculpe, ainda estou muito sensível.

–Qual nome você e Bruce escolheram?-Andressa perguntou caminhando novamente até o pequeno berço aindo o pequeno dormia. Observou o pequeno rosto, as minusculas mãos e minúsculos pés cobertos pelo macacão branco com o desenho de um urso.

–Escolhemos dois, como não sabíamos o sexo, pensamos um para menina e um para menino.-Catherine se ajeitou de forma confortável na cama e viu Andressa assentir.-Se fosse uma menina ela teria o seu nome.

–Catherine.-voltou a atenção para a doutora que ria.-Vai me fazer chorar assim.-respirando fundo e contendo o máximo que podia as lágrimas, voltou a se sentar ao lado de Catherine e a abraçou.

–Não é preciso, mas eu e Bruce conversamos e decidimos que se fosse uma menina ela teria o seu nome. Você sempre disse que tudo ia ficar bem, manteve nossa esperança quando ninguém mais acreditava, nem nós mesmos. Eu pensei que fosse morrer sem nunca pegar ele nos braços, mas desde a ultima vez em que nos vimos e você disse que ia ficar tudo bem eu fiquei mais tranquila.

–Porque tudo ia dar, como deu certo.

–Sim, ainda bem que tudo deu certo. Sentir ele nos braços foi a melhor sensação do mundo, ouvir o choro dele, o calor do corpinho, supera tudo, toda a dor que passei. Com certeza passaria por tudo isso novamente por ele. Ele mal acabou de nascer e eu já o amo tanto que sinto que daria minha vida para salvar a dele.

–É claro que daria, você é mãe agora.-acariciou o rosto cansado de Catherine que chorava a olhando.

–Antes que eu transborde mais uma vez em lágrimas.-secou o rosto ainda sorrindo.-O nome que Bruce e eu escolhemos com a ajuda de Annabely é Cameron.

–Sim, Cameron combina com ele.-se levantou dando rapidamente um beijo na bochecha de Catherine e logo caminhou até o berço.-Preciso ir, tenho que sair em uma nova missão.-revirou os olhos fazendo a doutora rir.-Temos vilões demais pelo mundo afora. Seja bem vindo, Cam. Cresça logo e se junte aos super heróis.-acariciou o pequeno rosto e logo se retirou do quarto, aonde encontrou Bruce e Thor. Se despediu rapidamente do doutor e caminhou junto ao Deus pelos corredores.

–Tem certeza que tem que ir para essa missão?

–Certeza não tenho, mas... Tenho que ir.-enlaçou os braços no pescoço dele e lhe deu um ultimo beijo antes de partir.-Prometo que assim que chegar vou ser toda sua.

–Pode apostar.-sorrindo deu um ultimo beijo nela, antes de a ver partir.

2 Dias Depois.

Andressa e Clint haviam acabado de chegar, os dois caminhavam agora direto para a sala de Fury. Assim que terminaram os relatórios foram para o estacionamento, queriam ir embora estavam cansados e a missão havia sido mais difícil do que eles pensavam, mas em meio ao caminho foram informados de que Rachel não passava bem.

–O que ela tem, agente James?-Andressa perguntou caminhando ao lado do homem, enquanto o seguia até a enfermaria.

–A única coisa que sei é que ela foi encontrada na cela dela sangrando e desmaiada e que depois disso foi levada imediatamente para a enfermaria.-o agente caminhava com dificuldade, já que era manco, por um maldito acidente que havia sofrido em uma missão. Ele sabia que nunca mais voltaria a caminhar normalmente, e não entendia porque Fury o deixava naquele cargo, como um faz tudo sem valor algum. Não que quisesse ser tratado de maneira especial, mas queria o devido respeito que um agente como ele, que quase havia perdido a vida para salvar aquela base, merecia.

No entanto em todos aqueles anos, tudo o que recebia em troca pelo ato era desprezo de todos, principalmente de Fury. Ele tinha ódio de tudo aquilo, daquela maldita base, daqueles malditos agentes perfeitos e de Fury.

–Com licença.-James se retirou assim que chegaram até a enfermaria, os irmãos entraram rapidamente e foram diretamente até o pequeno quarto que a mulher estava. Andressa viu que ela dormia, parecia tranquila, completamente diferente de quando apareceu completamente suja, perdida e maltratada no apartamento da morena. A porta do quarto se abriu e eles viram quando o doutor, o mesmo que cuidou dela quando havia sofrido o acidente e perdido o bebê, sair ainda anotando no prontuário de Rachel algumas recomendações.

–Doutor, como que ela está?-Clint perguntou antes mesmo de Andressa. Os dois esperaram a resposta do homem que parecia cansado.

–Agora está sim, quase perdeu o bebê, mas agora está bem. Ficará em observação durante alguns dias e receberá sangue já que perdeu bastante.-o homem disse passando a mão no rosto, exausto.-Desculpem, hoje foi um dia cansativo aqui, uma missão que envolvia muitos agentes não saiu como o planejado e tudo ficou muito movimentado. Mas não precisam ficar preocupados, ela ficará bem.

–Obrigado doutor.-Andressa falou e logo o homem os deixou no corredor. Ela pensou em entrar no quarto e ver mais de perto Rachel, mas decidiu por não entrar e olhar do lado de fora pela janela de vidro.

–Não vai entrar?-ouviu Clint a perguntar, olhou o irmão e notou que tinha um traço de sofrimento no rosto dele.

–Não, acho melhor não.

–Tudo bem, acho melhor irmos, o doutor já disse que ela ficará bem.-a abraçou de lado e a viu assentir, permaneceram durante alguns minutos ainda olhando a mulher dormir, mas logo se retiraram e foram para o estacionamento, ainda se separaram e foram para seus apartamentos.

...

Ela se sentia cansada, os pés doíam, as costas, as pernas e todo o resto do corpo. Tudo que ela queria era um banho frio, mas antes de subir para o quarto caminhou até a cozinha, pegou uma garrafa de suco de laranja e bebeu a mesma enquanto subia a escada. Quando chegou no quarto, tirou as botas e deixou a bolsa sobre a poltrona que havia no mesmo. Caminhou até o banheiro e se despiu, deixando a roupa no chão, não se importando com a bagunça, entrou no box e abriu o chuveiro no mais forte. Deu um alto gemido de prazer assim que sentiu a água fria lhe atingir o corpo, os músculos relaxaram e ela sorriu de prazer.

Minutos depois ela se enrolou no roupão e saiu do banheiro.

–Ainda não sei porque me surpreendo quando te vejo.-sorrindo, caminhou até Thor que estava sentado na cama.

–Nem eu sei porque me surpreendo quando te vejo sair desse banheiro enrolada apenas nesse roupão.-Thor falou se levantando a pegando no colo, sentindo as pernas dela se prenderem na cintura dele.

–Ainda nos surpreendemos.-sorrindo, sentiu os lábios de Thor sobre o pescoço e logo depois nos lábios.-Sabe, pode continuar a me surpreender dessa maneira, Deus.

–Com toda certeza vou.-Thor se sentou na cama com ela ainda nos braços beijando o corpo dela. Quando sentiu os lábios de Thor distribuindo beijos pelo corpo, percebeu que o que precisava era dele. Logo deixou que ele a conduzisse.

...

1 Mês Depois.

A morena e Rozz treinavam enquanto, Thor, Clint, Natasha, Steve e os outros observavam os dois.

–Ela é muito boa.-Steve falava enquanto observava as técnicas que a morena usava. Sabia que ela não estava lutando nem metade do que costumava, mas mesmo assim não deixava de ser brilhante, principalmente como ela escapava tão antecipadamente dos ataques de Rozz, parecendo ler o que o homem pensava.

–Com certeza.-Clint falava orgulhoso, enquanto observava a irmã levar Rozz mais uma vez para o chão, esse que já nem mesmo fazia questão de levantar.

Thor sorria observando a amada, via ela correr de um lado para o outros, subir e usar técnicas de luta desconhecidas por todos ali, mas sabia também que não era todo o potencial que ela tinha nem de longe. A olhando, tinha certeza de que ele a amava, de que ela era a mulher ceta para ele, independentemente do que Odin, pai de todos, pensava.

...

–Por favor, vamos dar um tempo.-Rozz pediu jogado no chão. Ele não lembrava a quanto tempo haviam começado a treinar, mas parecia que já era o bastante para ele por todo o resto do ano.-Andressa, me dá um desconto, por favor.-implorou praticamente.

–China, vamos-la, faz apenas meia hora que começamos.-ela falava caminhando pelo setor de treinamento, mas não conseguiu nãos rir do amigo que parecia exausto.

–Meia hora é tempo demais.-ele rebatei, ainda ofegante enquanto bebia água com desespero, sentia o coração acelerado.

–Cinco minutos.-disse e se sentou no chão assim como ele.-Provavelmente em uma perseguição você seria pego.

–É, eu tenho essa sensação.-debochou e logo respirou fundo.

–Acho melhor falar sobre isso com Fury.

–Falar o que? Se disser e ele resolver me deixar apenas na base, cuidado dos computadores, invadir sistemas como antes, você nunca mais me terá na missões. imagine só as missões sem mim?-fez um bico de desdem a olhando.

–É, com toda certeza, as missões sem você não seriam mais as mesmas. Nunca mais ninguém quase fará sexo com a mandante dos crimes cometidos, nunca mais terei que correr atrás de bandidos quando você deveria prende-los sem eu ter que agir e principalmente, nunca mais quase serei morta porque você perdeu a comunicação comigo.-Se referiu da missão que tiveram na Rússia.

–É, vendo por esse lado as coisas são bem...-Rozz se calou assim que ouviu o som estridente soar por todo o lugar, o som de uma sirene irritante que penetrava nos ouvidos.-O que está acontecendo?-Se levantou assim que viu que Andressa corria para fora do setor.

–Clint.-a morena gritou assim que viu o irmão passar correndo logo depois de Steve, viu ele parar no meio do corredor e voltar até ela.-O que está acontecendo?

–A base está sendo invadida.

...

Ela ainda encarava o irmão, o som do alarme nem mesmo a incomodava mais. Agentes corriam de um lado para o outro, pessoas apavoradas com tudo aquilo que estava acontecendo.

–Como assim a base foi invadida?-perguntou assim que se deu conta de que Clint a arrastava novamente para dentro do setor.

–Inimigos, a Shield tem bastantes deles para dizer a verdade, e parece que os filhos da mãe resolveram se juntar e nos atacar.-explicou e a viu assentir.-Querem acabar com Fury. Não disse nada, mas um mês atrás ele sofreu um ataque, poucas pessoas sabem disso, para falar a verdade apenas Steve, Natasha, eu e Hill, mas ninguém. Tentamos falar com Fury assim que o alarme soou, mas nada, ele não respondeu e nem mesmo sabemos se está na base.

–Mas, você disse que estamos sendo invadidos.-ela estava confusa, não conseguia compreender ainda o que estava acontecendo. Fury havia sofrido um ataque? Ela não se surpreendia muito, já que ele era odiável sempre que possível, mas porque estariam invadindo a base, já que era Fury que queriam?

–Antigos agentes, cientistas, físicos e tudo o mais são os nossos inimigos. Não estão aqui hoje porque Fury não os quis, porque Fury não os achou dignos para pertencer a Shield, por isso querem acabar com tudo, inclusive nós, agentes que mostramos que somos bons.

–Tá legal. O que vamos fazer?-Rozz perguntou e viu quando os dois olharam para ele.-Pelo que percebi Fury está desaparecido, e não acho que tenham o tirado daqui de dentro.

–Não tenho muita certeza disso...-Clint disse, mas se calou assim que viu a irmã começar a falar.

–Sim, Rozz tem certeza, não faria sentido.-Andressa falou enquanto caminhava até as coisas dela que estavam no chão, incluindo a arma.-É algo... Como morrer no lugar que ele sempre tentou proteger, cair na fortaleza dele, vamos dizer assim, é como se nós não fossemos merecedores disso tudo, já que eles conseguiram invadir a base.-colocou a pistola no suporte assim que viu que a mesma estava carregada, mas sabia que apenas aquela não bastaria, voltou a caminhar pelo setor e foi até o pequeno arsenal que ali havia. Clint e Rozz se aproximaram e pegaram assim como ela algumas armas e munição.

–Eles inverteram tudo, filhos da mãe.-Rozz arfou de forma inconformada já irritado com o som irritante do alarme.-Esse alarme está me matando.

–Acho que não vai ser apenas isso que vai nos matar, se não agimos logo.-Clint.

Em seguida tudo foi rápido demais, a morena não conseguia ver nada com clareza, a audição estava confusa, a visão começou a voltar ao normal e ela pode ver Clint, pode ouvir os chamados dele, mas não conseguia assimilar as coisas, tudo estava longe, levou mais segundos até que ela entendesse que uma bomba granada havia sido explodida. O setor estava destruído e coberto pela poeira.

–Andressa. Andressa.-Clint gritava enquanto olhava a irmã caída no chão, dando tapas de leve no rosto dela.

A audição voltou como um soco, o alarme irritante ainda soava, agora mais distante, Clint berrava o nome dela, e Rozz havia sumido em meio a poeira toda no setor, tentou ver entre a poeira mas não conseguia, sentia a cabeça dor, provavelmente pela queda de minutos atrás

–Andressa, está me ouvindo?-Clint ainda gritava, ela assentiu enquanto forçava os braços no chão para poder se levantar, mas parou assim que viu a sobra de uma silhueta se aproximar, pegou a arma de Clint se jogando sobre ele e atirou no homem que se aproximava. Ouviram o som da arma que o mesmo carregava assim como o como o som do corpo tombar no chão.-É, pelo visto está bem.-ele falou assim que a viu levantar, viu também que sangue escorria da testa dela.-Está sangrando.

–Está tudo bem, Clint.-afastou a mão do irmão assim que a sentiu tocar a testa.-Aonde Rozz se meteu?

–Mandei que ele saísse, que fosse ajudar os outros.-pegou a arma que a morena o estendia e a seguiu.

–Tá legal, para aonde vamos agora?-perguntou enquanto colocava o pequeno comunicador no ouvido.

–Acho que para fora.-o arqueiro falou e começou a correr, logo ela o seguiu, o corredor estava vazio, mas grande parte do lugar estava destruído por tiros. Quando chegaram no lado de fora, respiraram fundo, o lugar parecia um campo de guerra, jatos tombados em chamas, assim como diversos carros e caminhões da Shield.

–A Shield não poderia ter uns inimigos melhores não?

–Só espero que não tenham queimado o meu carro.-sorrindo, o arqueiro se afastou correndo.

Andressa correu para o lado oposto, aonde lutavam Natasha, Carolina e Jason. Viu um homem se aproximar de Jason, esse que atirava em um homem que havia tentado atirar em Carolina. Ela apontou a arma e atirou, Jason olhou assustado para ela que sorriu enquanto voltava a correr.

–Agora não lhe devo favor algum. Salvei sua vida, Jason.-ela disse enquanto se afastava dele, que apenas sorriu com tudo aquilo.

Ela assim como os outros lutavam bravamente, dando tudo que podiam mas parecia que os inimigos que a Shield tinha, era um enorme exercito, cheio de pessoas capacitadas. O tiro veio como uma pequena dor, mas logo tomava o corpo todo, em uma fração de segundos ela já estava no chão, sem saber de onde havia vindo. Pressionou a mão sobre a barriga e sentiu doer mais. Se arratando contra um carro que não havia sido incendiado, parou para respirar, a mão estava encharcada de sangue e ela notou que a bala ainda estava alojada ali.

–Merda.-murmurou mordendo o próprio lábio. Pegou o pedaço de gazes que havia na roupa, abriu o fecho do uniforme e colocou sobre o ferimento, sabia que em menos de cinco minutos aquela gazes não iria adiantar de nada, mas era a única coisa que podia fazer no momento, e também não podia parar. Voltou a se levantar atirando contra os agentes inimigos, continuo a lutar mesmo com.

–O verdão parece que perdeu novamente o controle.-ela ouviu a voz de Jason pelo ponto comunicador, logo Natasha também falava.

–Parece que Thor está levando uma surra dele.-a ruiva falou, a voz dela soava ofegante.

–Aonde eles estão?-Andressa perguntou correndo para o lado oposto para aonde ia.

–No laboratório, parece que o grandão destruiu tudo.-Jason informou, parecia até mesmo animado.

–Inclusive quase a mim.-Natasha interferiu.-Foi a segunda vez que Bruce quase me mata.-Andressa notou que ela estava irritada.

–Vamos lá pessoal, ele está sobre estresse, deixem o grandão extravasar.-quem falou dessa vez foi Tony, Andressa não sabia aonde ele estava, assim como os outros, ela apenas corria em direção da base, para poder ir até o laboratório.

–Cale a boca Stark.-Natasha disse e logo as risadas ecoaram pelo pequeno comunicador que a morena carregava no ouvido.

Ela não ria, se sentia nervosa ao pensar em Bruce, ou melhor, Hulk acabando com Thor a deixava angustiada, mesmo sabendo que ele era um Deus extremamente forte e capaz de se livrar do Hulk, assim como havia feito duas vezes.

Avistou no meio do corredor a figura de cabelos negros, trajando uma roupa verde com preto, cantarolando uma musica desconhecida por ela, enquanto jogava uma pedra para cima, como uma bola.

Loki sorriu assim que a viu, se desencostou da parede e caminhou até ela, fazendo parar.

–Agora não, Loki.-falou impaciente tentando passar, mas ele a impedia.-Porque não vai procurar a Hill e me deixa em paz?

–Nossa, essa realmente doeu.-colocando a mão sobre o peito, fez uma cara de sofrimento, mas logo voltou a sorrir.-Essa base nunca esteve tão ótima, parece até que... Estou em um filme dos que vocês produzem.

–Loki, saia da minha frente.-empurrou o mesmo que nem chegou a se mover.-O que quer? Me deixe passar.

–Não posso, Thor me pediu para que a segurasse caso vinhe-se para esse lado, sabe, o monstro verde está arrasando com tudo.-com ar tranquilo, jogou a pedra de lado e apenas ficou sorrindo a olhando.-Logo ele deixará tudo sobre controle.

Ela não acreditava, não porque era Loki quem estava falando, mas sim pelos sons vindo do fim do corredor aonde ficava o laboratório que Bruce fazia grande parte das pesquisas. Os sons eram de coisas se quebrando e até mesmo a voz de Thor, tentando fazer com que Bruce percebe-se que agora estava tudo bem.

–Desculpa.-Loki não entendeu o porque dela falar aquilo, mas segundos depois quando estava caído no chão, sentindo a dor do chute que ela havia dado nele, entendeu o pedido, tentou segura-la, mas já era tarde demais, a morena havia acabado de entrar no laboratório.

Ela não viu nada assim que entrou, mas bastou alguns segundos até ver Thor voando em direção a uma parede do lugar. Bruce logo apareceu, gritando coisas incompreensíveis enquanto caminhava novamente em direção ao Deus, que não havia se levantado, continuando inconsciente no chão. Agindo por impulso, ela pegou uma pedra dos destroços no chão e tacou no monstro verde, antes dele conseguir alcançar Thor. Quando o Hulk notou a presença dela na sala, gritou correndo até ela.

Ela não sabia o que fazer, então fez a única coisa que achou coerente no momento.

Correu.

Para dentro do laboratório, sem direção, se sentindo em uma gaiola sem espaço e claustrofóbica, sentiu como se as paredes se apertassem nela assim que viu Bruce se aproximar. As pernas perderam a força e ela foi direto para o chão, ouviu apenas o som do concreto se quebrar pelo soco que o homem havia dado na parede, engatinhou rapidamente passando por debaixo das pernas do mesmo que tentava soltar a mão que havia ficado presa na parede. Quando ela se pôs de pé novamente, sentiu o corpo voar e logo bater contra a parede, o corpo atingiu o chão com violência.

Bruce a havia acertado.

Não conseguia respirar, se sentia engasgada, tossindo, se sentou com dificuldade de cuspiu sangue, o gosto de ferrugem na boca era ruim, e a deixava mais enjoada ainda, mas assim que viu Bruce correr novamente na direção dela, apenas fechou os olhos e esperou pelo fim.

–Já faz tempo que eu queria ter esse acerto de contas.-ela abriu os olhos, Loki estava na porta do laboratório sorrindo olhando para Bruce, parecendo encantado.-Sabe que aquela vez eu estava despreparado, por isso não reagi.-falou divertido, Bruce correu na direção do trapaceiro, mas Loki já estava do outro lado da sala, enquanto a imagem projetada por ele sumia aos poucos.-Posso fazer isso o dia todo.-Empolgado, viu quando Bruce o olhou novamente. Logo o que havia sobrado do laboratório estava repleto de Lokis.

A morena pensou que aquilo poderia ser um pesadelo, a não ser pela intensa dor que sentia, o uniforme já estava repleto de sangue pelo tiro que havia levado, mas mesmo assim ela se levantou rapidamente e foi até Thor.

–Thor.-chamou o mesmo que balbuciou algo sem sentido.-Meu amor.-o chamou novamente passando a mão sobre o rosto dele. Viu quando ele se moveu e logo abriu os olhos.-Graças a Deus.-disse sorrindo assim que viu os olhos azuis dele.

–Você está ferida.-o Deus falou preocupado.

–É um pouco, nada grave.-mentiu negando a dor e forçando um meio sorriso.

–Abaixa.-ela não pensou, apenas fez o que ele pediu, não viu o que aconteceu, apenas ouviu mais uma vez o barulho de concreto se quebrar e logo o barulho de algo grande e pesado ir ao chão.

–Droga, Thor, eu estava acabando com ele.-ouviu Loki reclamar, se levantou com a ajuda de Thor e viu o enorme buraco na parede e Bruce do outro lado. Ele havia voltado ao normal e estava nu, de bruços, desmaiado no chão.

–Você está muito ferida.-sentiu a mão de Thor sobre o tiro e deu um pequeno gemido.-Precisa de...

–Estou bem, sério.-encarou os olhos dele, mas viu que não convenceu. No pequeno comunicador, ouviu a voz de Rozz, não passava de um sussurro, mas o homem pedia que fossem até a enfermaria.-Preciso ir.

–Mas você está sangrando.-Thor a segurou, mas ela se soltou rapidamente e andou mancando até a porta.

–Estou bem, mas preciso ir agora, Rozz achou Fury.-saiu deixando os dois irmão sozinhos e ouvindo Loki reclamar mais uma vez de que estava tudo sob o controle dele.

...

Ela caminhava rapidamente pelo corredor, prestes a entrar na enfermaria, ma foi interrompida assim que sentiu a agarrarem pelas costas, lhe tampando a boca enquanto a arrastavam para uma sala vazia, que provavelmente era usada por quem limpava a base para guardar os produtos de limpeza, ela não reagiu, pois se tentasse se soltar gastaria as ultimas forças que lhe restava. Agiria assim que a soltassem, se a soltassem.

E foi o que aconteceu, ela agiu de forma rápida, imobilizando o homem o deixando com a cara para a porta que havia sido fechada enquanto segurava as duas mãos dele atrás das costas do mesmo.

–Andressa, sou eu.

–Rozz?-soltou o homem e assim que viu o rosto do mesmo se apoiou na parede, se sentindo tonta pela falta de sangue.-Por que me segurou daquela forma?

–Estava apenas querendo te salvar. Nossa, você tá um lixo.-observou o rosto pálido dela de desagrado e como a roupa estava rasgada e coberta de sangue.

–Obrigado.-ela disse olhando pelo armário, viu no mesmo um saco com panos limpos, abriu o pacote, assim como o macacão, se livrando das gases encharcadas de sangue e pressionando o pano limpo sobre o ferimento.-Aonde Fury está?

–Lá dentro da enfermaria, mas ela está cheia de agentes invasores, por isso pedi para vocês vim, tudo tem que ser feito rápido... Acho que você deixou suas pegadas de sangue no chão.

–Alguém tem que sangrar por aqui, não é mesmo?-se virou para ele enquanto voltava a fechar o macacão, sentindo a dor cada vez mas forte e se sentindo fraca.-Você pelo contrário está em perfeito estado, a não ser pela poeira no seu cabelo e essa marca roxa no seu rosto.

–É parece que encontrei o caminho mais fácil.-debochou dela, mas se calou assim que a ouviu dar um pequeno gemido pela dor.-Você tem que ficar aqui, sente-se, não pode mais perder sangue.

–Cale a boca china, o que preciso... O que precisamos fazer agora é salvar Fury lá de dentro, o quanto antes possível.-mordeu com força o lábio até sentir o gosto de sangue.-Clint. Natasha. Steve. Preciso de vocês na enfermaria, agora. Rozz encontrou Fury, mas não podemos agir sozinhos, ele está cercado.-informou pelo pequeno comunicador.

–Já estamos a caminho.-Ouviu a voz de Clint como resposta.

–Eles estão vindo...

O som de um disparo dentro a enfermaria os assustou, Rozz deixou a sala e olhou pela porta, aonde Fury havia sumido e agentes inimigos gritavam um com o outro para que achassem o homem.

–Precisamos entrar.-Rozz falou já na porta, mas a morena o segurou.

–Não sozinhos, precisamos esperar pelos outros.

–Ele vai morrer.

–Não vai, Fury sabe se defender, e só precisamos de mais alguns...-Rozz se soltou as mãos dela e entrou na enfermaria.-China idiota, o que ele tem na cabeça?-falou do lado de fora, respirando fundo, rompeu a porta com as duas pistolas em mãos, encontrou o homem atirando enquanto tentava se desviar dos tiros, quando viu que alguns agentes se aproximavam dele, atirou nos mesmos.-Não fique bancando o valentão, China.-mirou para o lado oposto que ele atirava atirando nos agentes que se aproximava.

–Não estou bancando.-gritou para que pudesse ser ouvido.-E sou coreano.

–Dá no mesmo.-ela gritou de volta, não precisava ver o rosto do homem para saber que ele sorria. Mas assim que as balas da arma acabaram o sorriso que ela trazia no rosto sumiu. Rapidamente jogou Rozz no chão para que ele não fosse atingido por algum tiro e pegou uma das armas de algum agente já morto, atirando, assim como Rozz.

Mas os tiros cessaram assim que Fury apareceu, rendido por uma figura que Andressa assim como todos ali conheciam bem.

Andressa e Rozz não acreditavam no que viam, o médico, o doutor que tratou dela quando havia sofrido o acidente e perdido o bebê, apontava uma arma para a cabeça do diretor da Shield. Para a cabeça de Fury.

–Pelo rosto de vocês vejo que estão bem surpresos.-o homem já de meia idade falava sorrindo.-Eu também me surpreenderia, quem iria desconfiar que um médico dentro da base, que sempre cuida de vocês não passaria de um farsante, mentiroso.

–Eu confiava em você, Nicholas.-Fury falou com dificuldade ao sentir o pescoço ser apertado com mais força.

–Você não confia nem em você mesmo, Fury.-o homem parecia se divertir com tudo aquilo. Andressa que antes achava que aqueles olhos eram bondosos, via que aquilo não passava de loucura incoberta.-Sabe que eu pensei em não fazer isso tudo, realmente não queria destruir a base desta maneira e nem queria tantas mortes, sou médico e sabe que valorizo a vida, mas foi necessário. Mas devo dizer que se você não tivesse escapado e morrido naquele ataque, nada disso teria acontecido.

–Por que fez isso?-Andressa perguntou na tentativa de ganhar tempo, pois ouvia a voz do irmão soar no comunicador dizendo que já estava próximo.

–Quer mesmo que eu responda? Será que não vê, como ele age com os agentes aqui dentro, como se não fossem nada, ou um lixo descartável?

–É apenas por isso?-perguntou, pois já podia ver Clint junto com os outros se aproximarem silenciosamente, mas continuou com os olhos grudados no homem e nos agentes que estavam atrás dele prontos para matar quem estivesse no caminho.

–Não acha o bastante? As pessoas não merecem ser tratadas como lixos. A forma como trata agentes que não podem mais contribuir, pois ficam aleijados, incapacitados, quando perdem um braço ou uma perna, poderia ter um pouco mais de consideração.

–Acha que pode lutar por isso junto a outros agentes que foram descartados por não serem confiáveis, que lutam por vingança apenas? Esses que nem mesmo perderam um braço ou uma perna por esse lugar? Se a resposta for sim você vai está bem errado.

–Não importa pelo o que eles lutam, no fim, todos nós temos apenas um objetivo que é matar Fury.

–Belo argumento, mas não para quem valoriza a vida.-Sabia que o tempo que estava ganhando era precioso, quando se levantou sentiu uma arma que ela havia prendido, quando ainda estava no setor com Clint e Rozz.-Acabou de dizer doutor que valoriza a vida, mas vai matar um ser humano?-se sentia tonta, piscou com força na tentativa de que a cabeça parasse se girar, mas foi em vão, firmou os pés no chão para que não caísse, tentando de alguma forma lembrar se havia ou não deixado a pistola destravada.

Não conseguiu lembrar, mas tinha que arriscar, não podia esperar os outros se aproximar, caso o fizesse, não teria tempo para salvar Fury. Então sacou a arma rapidamente e apertou o gatilho.

O tiro percorreu o ar em fração se segundos atingindo o ombro do homem o levando para o chão. Clint assim como os outros romperam a porta atirando e lutando com os agentes inimigos que pareciam se multiplicar, Fury sacou a arma e lutou com alguns agentes que tentavam a todo custo mata-lo. Andressa lutava com as ultimas forças que possuía, a dor do tiro se misturavam com outras espalhadas por todo o corpo se tornando insuportável.

Minutos depois tudo havia acabado, os tiros haviam cessado, sobrando o cansaço assim como a dor. Clint segurou a irmã assim que notou que ela podia cair. Natasha observava a sala com atenção, mas quando avistou o homem já era tarde demais, o doutor já havia atirado, a bala percorrendo o ar em direção de Fury, sem volta.

–Fury.-gritou na tentativa de alerta-lo, para que o mesmo pudesse fugir, mas já era tarde demais.

...

Fury permanecia de pé, à salvo. No chão, estava o agente James, que salvara o homem do tiro. O homem manco que era desprezado por Fury, havia lhe salvado a vida, o homem que ele se questionava todos os dias porque ainda insistia em manter na base, por causa da deficiência que o impedia de sair em missões, de ser mais util. Talvez agora ele soubesse a resposta.

–James.-Fury ajoelhou diante do homem que respirava com dificuldade, o tiro havia o acertado no colete que o mesmo usava.

–Senhor.-conseguindo controlar novamente a respiração, James olhou para Fury e pela primeira vez na vida o viu sorrir.

–Obrigado.-Fury agradeceu enquanto ajudava o homem a levantar.-Muito obrigado.

Jason caminhou até Phillip, que ria com demência. Levantou o doutor que era incapaz de fazer qualquer coisa. A mancha vermelha intensa no jaleco, só aumentava por conta da perda de sangue do tiro que havia levado.

–Precisamos de um médico.-Clint falava segurando a irmã.

–Eu estou bem.-disse se afastando dele e sorrindo.

–Está sangrando e pálida, vai morrer se não parar esse sangramento.

–Só preciso de mais um pano e uns minutos para respirar.

–É o que todos nós precisamos.-Rozz falou caminhando até ela sorrindo.-Pode falar como sou demais.

O liquido quente espirrou a atingindo, ela não sabia o que era, apenas deu um passo para trás por conta do pequeno susto que havia levado, sentindo algo escorrendo sobre o rosto, passou a mão no mesmo e sentiu o peito palpitar ao notar que era sangue. Piscou algumas vezes confusa, tentando entender de onde tinha vindo aquele sangue. Mas assim que olhou para a frente, pode ver que Rozz fora atingido no peito.

Ela não sabia de onde havia vindo o tiro, não havia ouvido sequer o som do disparo, mas podia ver Rozz perder as forças das pernas e tombar para frente, caindo se joelhos, com as mãos sobre o peito sangrando enquanto deixava um gemido angustiante de dor escapar dos lábios. Sentindo o corpo tremer, o pavor tomar conta dela, se deixou cair de joelhos em frente a ele, o deitando completamente no chão.

–Rozz.-Chamou o homem abrindo com dificuldade o casaco que ele vestia, logo depois rasgando com dificuldade a blusa preta que ele usava.-Aonde está o médico?-Gritou pressionando o pedaço da blusa do mesmo contra o ferimento que não parava se sangrar.-Vamos lá china.

–Sou Coreano.-ele sussurrou sorrindo fracamente para a morena que também sorriu amedrontada para ele.-Eu fui demais hoje, não fui?

–Foi, foi sim. Rozz? Rozz.-chamou o mesmo que não respondia mais, sentiu a pulsação dele fraca assim como a respiração.-Vamos lá Rozz.-começou a tentar reanima-lo.-Aonde está o médico?-gritou mais uma vez, mas não tirando os olhos do mesmo, enquanto aplicava primeiros socorros nele, não se importando de se sujar com o sangue dele.-Vamos lá, Rozz.-pedia sentindo as lágrimas se acumularem nos olhos.-Eu prometo que nunca mais o chamo de china, mas por favor não morre.-checou mais uma vez a pulsação do mesmo e não conseguiu sentir mais nada, ele já não respirava.-Não. Não.-gritava voltando a aplicar os primeiros socorros.-Vamos lá seu filho da mãe, não faz isso comigo, por favor. Vamos, Rozz, acorde, respire.-suplicava.

Todos assistiam a cena dramática. A morena tentando de todas as formas fazer Rozz voltar a respirar. O sangue sobre as mãos, assim como no chão, o rosto dela e os braços sujos. Clint tentou puxa-la mas ela se recusava a parar até que um médico chegasse. Sem escolha, a agarrou com força, a tirando de perto do corpo já sem vida enquanto ela se debatia, lutando para voltar.

–Não posso parar, ele vai morrer, preciso voltar, Clint. Me solte.-gritou angustiada, olhando o irmão. Viu quando Thor se aproximou, nem mesmo o viu chegando, mas ele estava ali.-Thor. Thor, ajuda ele.

–Andressa.-segurou o rosto dela entre as duas mãos, viu os olhos assustados, imerso em um medo que ele não via desde quando a havia deixado anos atrás, quando ela ainda era apenas uma criança que era deixada para trás.

–Façam alguma coisa, ele vai morrer, ele vai parar de respirar.-se soltou dos braços de Clint e sentiu logo em seguida Thor a segurar, a apertando contra o peito dele. A pequena picada no braço a assustou, mas logo sentiu o corpo relaxar, perder as forças gradativamente, enquanto a visão embaçava ao poucos e a fala ficando cada vez mais difícil, pelo efeito do que haviam injetado nela. Mas mesmo assim ela continuava a resistir.-Rozz. Rozz. Vocês tem que ajuda-lo. Rozz.-escorregou para o chão com o Deus ainda a segurando. Agarrada agora a Thor, viu um médico se aproximar de Rozz e verificar a pulsação.-Ele não pode morrer, não pode.-as lágrimas escorreram pelos olhos uma ultima vez e ultima coisa que viu foi os olhos azuis de Thor.

Logo tudo se tornou negro e silencioso.

O corpo do amigo continuava no chão, deteriorado por um tiro fatal que o levara a morte.

Rozz, não respirava mais.