So Far Away

39 Não. Não desistiria de você nunca.


Notas iniciais
Olá Meninas. Olha, dessa vez não demorei tanto, não é mesmo?! Semana passada não pude postar, mas estou aqui hoje e com o cap terminado. Bem, como pedi no cap anterior,quero que digam sobre o que acham de uma terceira temporada. Mas PRECISO que responda. E as que responderam, muito obrigada, estou realmente feliz por terem sido sinceras. Mas devo dizer que So Far Away só terá mais um cap, eu acho kkkkk Sim, pois sobre o que tenho em mente, tenho como colocar em um capitulo, é claro, será um capitulo bem grande, mais ainda assim um cap, mas se não for o caso de terminar a fic no próximo, dividirei eles em cinco e assim postarei mais rápido. Mas, ainda assim, tenho em mente em fazer apenas um capitulo. Agora já chega Kkkkk Já as confundi demais. Mas, COMENTEM O QUE ACHAM DA TERCEIRA TEMPORADA. Obs: A terceira temporada que tenho em mente não será grande. Obss: O próximo cap irá demorar um pouquinho a mais para sair. Desculpem os erros Bejusss

Mesmo com a forte chuva escorrendo sem parar pelo vidro do carro, Andressa pode ver que Thor estava do lado de fora, olhando para ela que estava dentro do carro. O coração dela estava acelerado, não imaginava que Thor poderia voltar antes do tempo que havia dito, e as palavras que antes ela tinha planejado dizer para ele, já não eram tão claras assim.

Ela respirou fundo, tentando buscar um pouco de coragem, no momento ela sabia o que fazer, mas não queria. Não queria magoa-lo, não queria destruir com palavras o que ele sentia por ela. Mas assim que se deu conta de que ele não iria sair da estrada, não teve outra alternativa a não ser ir até ele.

Ela saltou do carro e se encolheu assim que as gotas frias de chuva lhe tocaram a pele. A medida que se aproximava do deus, mais perdida e sem palavras ficava, e um emaranhado de sentimentos crescia dentro dela, como medo, fúria, raiva e amor.

Toda a estrada estava vazia, nenhum carro passava, as ruas estavam iluminadas pela mal iluminação dos postes espalhados pelo meio do caminho.

Ao ficar de frente para ele, não soube o que falar, apenas encarou os olhos azuis dele.

–Estava indo embora.-Thor falou, mas ela notou que ele não havia perguntado, mas sim afirmado.-Por quê?

Ela não respondeu, apenas olhou para os lados, tentando buscar uma explicação plausível.

–Olha, Thor...

–Por que não explica olhando para mim?

–Tudo bem.-ela respirou fundo e olhou para o mesmo.-Será que pode fazer o meu carro pegar?-ela falou depois de segundos.

–Não fui eu que fiz seu carro parar de pegar.-o loiro falou simples.

–Não foi você? Thor, por favor, estou cansada, tudo o que eu quero agora é...

–Ir embora? Como você estava fazendo?

–Será que você pode fazer meu carro voltar a pegar?

–Não fiz nada com o seu carro.

–Não, então...-ela se calou assim que viu um pequeno sorriso divertido nos lábios de Thor, mas logo se deu conta de quem estava por trás daquilo.-Loki?-respirando fundo ela cruzou os braços.-Sério? Irmãos unidos?

–Não...

–Mande ele parar, Thor.

–Por que ia embora?

–Thor.

–Por que você ia embora?-ele perguntou novamente olhando para Andressa que parecia que iria perder a calma a qualquer minuto.

–Aquele imbecil.-a morena falou se virando e caminhando até o carro, estava irritada. Mesmo longe Loki conseguia ser mais irritante do que de costume, ela pensou. Mas ao sentir a mão Thor a segurar, foi obrigada a parar de andar.-Me solta.-falou em tom ameaçador, mas o deus não a largou, apenas riu dela.-Me...

–Por que ia ir embora?-agora sério, ele voltou a perguntar.

–Por que eu quis.-tentando se livrar as mãos dele que a segurava, ela disse.

–Por que você quis?-Thor repetiu as palavras rindo, mas ela pode notar o tom de repulsa daquelas palavras.-Mesmo me dizendo na noite anterior que me amava e se entregando para mim como nunca havia feito antes?

–Eu menti.-Ela fechou os olhos para não ver o rosto dele ao ouvir as próximas palavras que ela ia dizer, não queria ver o quanto ia magoa-lo, achava que assim seria mais fácil, que doeria menos.-Era mentira, não te amo.-ela disse, mas em nenhum momento o olhou nos olhos.

–Aé?-o loiro ria ainda a segurando.-Então porque não diz isso olhando para mim, porque não diz olhando nos meus olhos, Andressa? Por que não olha para mim e diz isso?

–Não posso.-Andressa falou tirando a água que escorria pelo rosto.-Você sabe que eu não posso.

–Por quê?

–Você não vê?-a voz dela estava baixa, cansada. Ela estava cansada, de tudo, e só queria poder ficar bem.-Odin não nos quer juntos. Só estou facilitando as coisas, só estou fazendo o que é...

–Não me diga que vai falar certo.-Thor a encarou mais uma vez, ela se retraiu assim que viu os olhos do loiro, como pareciam queimar com fúria e raiva. Ela podia ver que estava o magoando com cada palavra que falava, mas não tinha outra alternativa no momento.

–Eu sou uma humana, uma simples humana, droga. Completamente ferrada, cheias de traumas, vai por mim, você não vai me querer ao seu lado para sempre, ou eternidade, seja lá quanto tempo vamos viver.-se soltando da mão dele, ela caminhou de um lado para o outro, a esse momento a chuva continuava forte e ela estava completamente encharcada assim como ele.-Eu vou embora e...-segurando o choro ela respirou fundo e caminhou até o carro, mas assim que voltou a falar com a voz rouca por conta do choro.-Eu vou embora e por favor, Thor, não venha atrás de mim. Eu sei que vai doer, mas... Mas eu preciso, você precisa ficar longe de mim...

–Eu não vou te deixar, Andressa.-Thor nem mesmo se moveu, continuou parado no mesmo lugar olhando para ela.-Eu não me importo com o que você fez...

–Eu matei pessoas, Thor. Tenho as mãos sujas de sangue.-gritou para ele, na tentativa de acorda-lo para o que ela dizia.

–Eu não ligo.-ele a segurou novamente, mas sentiu quando ela tentou se livrar das mãos dele.

–Thor, por favor, eu preciso ir embora.

–Ir de novo, sem ao menos se despedir de todos? Fazendo com que eles busquem uma explicação para tentar entender o porque de você ter ido embora, sem olhar para trás mais uma vez, sem dar noticias?

–Sim, dessa vez talvez não doa tanto. Não deixei nada que pudesse dar uma explicação. Eles vão tentar entender o porque durante um tempo, irão tentar me encontrar, mais não vão, e com o tempo vão voltar a viver a vida deles, como sempre fizeram e daqui, quem sabe em seis meses, eles já nem lembrem mais que eu estive presente um dia.

–Isso não vai acontecer.

–Vai, é claro que vai, é assim que nós vivemos, Thor.

–Está deixando tudo para trás.

–Talvez... Eu não sei.-ela sabia. Sabia principalmente que se fosse embora perderia todos, inclusive Thor.-Preciso ir.-ela sentiu quando as mãos dele a soltaram, sentiu que ele não queria deixa-la ir. Lentamente ela caminhou até o carro, mas assim que abriu a porta, parou ao ouvir a voz dele.

–Só preciso que me diga uma coisa antes. Se disser, eu a deixo ir.

Andressa permaneceu calada, se virou até ficar de frente para ele e esperou que ele dissesse. As lembranças as atingiram em cheio, tudo novamente, voltando repetidas vezes, todos os momentos ao lado dele. As noites que passavam juntos e os dias que acordavam um ao lado do outro. Ele sempre presentes nos momentos difíceis, a apoiando, dando força para ela e as vezes um motivo para acordar no dia seguinte, dando felicidade, amor e paz. A acolhendo nos momentos difíceis, como na perda do bebê, na superação do fim do relacionamento do Tony, dos traumas dos medos.

–Quero que diga.-a voz dele a acordou dos pensamentos.-Olhando nos meus olhos, Andressa, que não me ama e que não me quer ao seu lado.-ele disse, mas apenas viu que ela agora olhava para os lados, completamente perdida naquilo tudo.

–Não posso.-ela disse, mas não olhou para ele.

–Olhando para mim, Andressa. Diga que não me ama, olhando nos meus olhos.

–Não, não posso.-ainda olhando pelas estradas vazias ela negou com a cabeça, e agarrou o próprio corpo que tremia pelo frio.-Você sabe que eu não posso.

–Por quê?-ele perguntou se aproximando novamente dela a impressando contra o carro.

–Você sabe que eu não posso, Thor. Não posso falar isso, não posso dizer isso.-ela gritava agora tentando afasta-lo de perto dela.

–Por quê?-ele perguntou novamente dessa vez gritando.-Só diga.-a voz dele agora não passava de um sussurro ao pé do ouvido dela.-Por quê?

Ela não soube em qual momento mais quando se deu conta, estava chorando, as lágrimas se misturando com as gotas gélidas da chuva.

–Porque eu te amo.-falou, a voz abafada pelo choro preso.

Se antes ela tentava afasta-lo, ela agora o puxava para mais perto, na busca de sentir a pele dele junto a dela, querendo sentir o calor dele, o cheiro dele.

–Porque eu te amo, Thor. Porque tudo o que eu mais quero é você, e estou com medo de não poder te-lo, de Odin nos separar, de... De não poder mais tocar você, de não poder mais ouvi-lo dizer que me ama, de não te ter mais ao meu lado cuidando e me protegendo.-Levantando o rosto e olhando para o deus, pode ver que ele tinha um pequeno sorriso nós lábios.

–Ninguém vai nos separar.-foi a única coisa que ele disse.

–Mas Od...

–Nem mesmo ele.

–Thor...

–Eu te amo, Andressa. E tenho certeza que se você for embora, vai se arrepender, vai jogar tudo o que tivemos um dia fora.

–Eu não quero fazer isso, Thor. Só estou tentando fazer o certo, mas parece que...

Thor não a deixou terminar de falar, a agarrou e a beijou segurando o corpo dela contra o dele com firmeza, até sentir ela se entregar nos braços dele.

–Vamos ficar juntos.-Thor falou novamente.

Naquele momento quando ela olhou nos olhos azuis dele, ela soube que aquilo era verdade, que ele faria tudo para sempre ficar ao lado dela, a mantendo protegida e a amando sempre, e ela percebeu que não podia deixa-lo não podia dar as costas para ele.

Se aproximando dele, ela o segurou pelo rosto e lhe beijou a boca. Os lábios se encontraram e eles sentiram uma onda de calor atravessar o corpo, trazendo a tona a lembrança do primeiro beijo na cachoeira e as mesmas sensações. Ela riu entre o beijo assim que sentiu quando ele a pegou no colo e a imprensou novamente contra o carro, lhe tocando o corpo por debaixo da regata molhada que ela usava. Dando um pequeno gemido, ela ouviu quando um raio explodiu no céu e o clarão tomou conta do lugar.

A Forte luz foi por apenas alguns segundos, mas ao ver os olhos azuis de Thor, ela soube que o amaria para sempre.

...

Dentro do carro, Andressa observava a estrada molhada pela chuva que continuava a cair. Ainda era noite e ela se perguntou se Clint havia notado a ausência dela. Talvez não, provavelmente o arqueiro estaria dormindo naquele momento.

Thor a observava, via como ela olhava a rua, com os pensamentos distantes. Ele não a culpava, sabia que ela queria protege-lo, e principalmente se proteger. Ele não se importava e nem mesmo achava que era egoísmo da parte dela, pois sabia que ela ainda estava magoada, com cicatrizes profundas, ainda sarando, mas que se sofresse mais algum trauma, alguma decepção a destruiria de novo. Mas ele não iria deixar que aquilo acontecesse.

Eles ainda estavam vestidos com as roupas molhadas. Ao sentir uma onda de frio, ela agarrou o corpo, se encolheu no carro e continuou a observar a rua, tentando por em ordem os pensamentos.

–Está com frio.-Thor falou enquanto a puxava para perto do corpo dele.

–Um pouco.-ela se agarrou a ele, mas sentiu apenas o tecido da blusa dele molhada.-Mas acho que tem algo a ver com essas roupas molhadas.-ela falou com sarcasmo e viu quando ele riu.-Acho que devíamos nos livrar delas.-os dois riram.

–Acho que é uma boa ideia.-ele ainda ria quando se livrou da blusa que usava e logo depois a calça junto com a cueca.

–Você é bem rápido, deus.-ainda rindo, ela se livrou da regata que vestia e ficou de costas para ele.-Pode me ajudar?-a voz dela soou como um sussurro apenas, mas ele ouviu. Lentamente ele levou as mãos as costas dela e as desceu até o fecho do sutiã, o abrindo. Ele não parou, distribuiu pequenos beijos pelo pescoço e nos ombros dela.

Ela sentia o frio se dissipar do corpo a cada toque dele em cada centímetro dela. Quando ela se virou, tirou a calça que vestia com a ajuda dele, de forma desajeitada entre risos e esbarrões dentro do veículo.

–Você está bem?-ele perguntou ainda sorrindo.

–Estou.-Andressa respondeu ofegante enquanto ria sobre ele. Mas quando viu que ele a olhava o beijou. As bocas se chocaram quando se encontraram.

As mãos de Thor acariciava o corpo dela delicadamente. Ele a puxou para mais perto e pode sentir o corpo dele junto ao dela.

Quando ela se afundou nele, deu um longo gemido, mas logo começou a se mover lentamente, sentindo o corpo roçar ao peito dele, sentindo aos mãos dele a segurando, se movendo pelo corpo dela, desesperadas com as sensações que cresciam.

Se movendo sobre ele, ela pode ver os olhos azuis a observando, com desejo e cheio de outros sentimentos. Se movendo mais rápido, sentiu as mãos dele lhe apertar o corpo e jogar a cabeça para trás, se perdendo nela. Ela riu e foi mais rápido, gemendo, não se importando com nada, apenas o sentindo nela. Sentindo o coração aos saltos, e os pensamentos perdidos, sem conseguir pensar com clareza, quando sentiu as mãos dele lhe apalpar os seios e logo os tomar na boca, lhe mordiscando.

–Thor.-Chamou o nome dele confusa, mas a única coisa que ouviu foi a risada rouca dele lhe causando arrepios e demonstrando o quando ele estava adorando a deixar daquela maneira. Mas ela não parou, continuou se movendo nele, sentindo ele lhe morder o ombro o pescoço e o queixo.

Não conseguindo mais, ela sentiu quando o orgasmo tomou conta do corpo dela, de forma intensa e devastadora e trazendo consigo uma sensação deliciosa.

...

Ofegantes e agarrados um ao outro, eles riam.

–Não conhecia essa sua versão.-Andressa falou quanto acariciava o peito de Thor, ainda sobre ele. Ainda podia sentir as sensações, distantes, mais ainda assim podia sentir.

–Versão?-Thor perguntou sorrindo enquanto lhe acariciava as costas, descendo as mãos do pescoço até o fim das costas dela, lhe causando arrepios.

–Sim.-ela disse sorrindo.-Você hoje foi... Nossa.

–Isso é bom?-ele perguntou confuso.

–Sim, é ótimo.-respondeu.-Posso te perguntar uma coisa.-perguntou depois de minutos em silêncio. Olhando pela janela do carro, pode ver que começava a amanhecer e que agora apenas chuviscava.

–Por favor.

–Se eu conseguisse dizer que não te amava, olhando nos seus olhos, você iria embora?-agora ela olhava para ele e mesmo que ele ainda não tivesse respondido, ela sabia a resposta depois de olha-lo.

–Não. Não desistiria de você nunca.-ele sussurrou e abraçando com mais força.

Ela riu, era bom saber aquilo, pois sabia que ele falava a verdade, que sempre estaria ao lado e de que faria de tudo por ela. E, ela sentia também que a partir daquele momento, ela faria tudo por ele.

...

Ela não sabia por quanto tempo, mas quando acordou ao lado de Thor, ainda nus e abraçados, ela notou que já era dia e que os carros já passeavam na estrada, que ainda estava molhada pela chuva que havia caído a noite toda. Se movendo lentamente, percebeu que Thor estava acordado e que lhe acariciava as costas, como fazia antes dela cair no sono. Olhando para ele, ela riu, viu que ele tinha o olhar vago direcionado ao céu.

–Bom dia.-ela falou com a voz rouca pode vê-lo sorrir e logo a olhar.

–Bom dia.-a voz dele estava rouca e grave.

–Acho que deveríamos nos vestir, o que acha?-ela perguntou enquanto se levantava de cima dele e pegava o amontoado de roupas encharcadas no chão do carro.

–Eu gosto de como estamos.-ele falou. Andressa observou o rosto dele e viu que ele falava sério.

–Também gosto, mas acho que ficar nua dentro de um carro, junto de você, enquanto passa outros carros lá fora não é muito legal. Mas acho que podemos voltar a ficar nus quando chegarmos no meu...-ela pensou nas palavras e riu.-Podemos dizer "na nossa casa?"-ela tinha os olhos semi-cerrados enquanto olhava para ele.

–Acho que podemos.-ele concordou, enquanto começava a vestir a calça de forma desajeitada dentro do carro, que Andressa notou que parecia ficar pequeno para ele.

–Então assim que chegarmos na nossa casa, podemos ficar nus, por quanto tempo quisermos.-ela vestiu a calça e logo depois o sutiã e a blusa.

–Devo dizer que é uma ótima ideia.-ele a beijou lentamente, e ela pode sentir a língua quente dele lhe explorar a boca despertando os sentidos dela.

–Se continuarmos assim não sairemos daqui.-ela murmurou ao sentir que Thor lhe beijava o pescoço, sentiu os pelos do braço se eriçarem e logo abriu a porta do carro e desceu do mesmo, antes que eles arrancassem a roupa um do outro.

Ela pode ver que Thor ria e riu também, fechando a porta do carro e dando a volta no mesmo, até se sentar no banco do motorista. Viu que ele fez o mesmo e se sentou no banco do carona ainda sorrindo.

–Acho melhor irmos para casa. E acho que Loki não precisa mais para-lo. Prometo que não vou mais fugir-ela disse sorrindo enquanto ligava o carro e acelerava pela estrada molhada.

...

Eles riam enquanto Andressa abria a porta.

–Eu disse que não era uma boa ideia ir com a roupa encharcada até uma lanchonete comprar café.-a morena falava enquanto via Thor entrar no apartamento com os cafés que eles haviam comprado na lanchonete.

–Você disse que estava faminta.-Thor respondeu enquanto caminhava até a cozinha.

–Você disse também que queria comer algo. E tivemos que parar na lanchonete já que aqui não tem nada para comer.-ela caminhou até a cozinha e abriu a geladeira e pode ver que a mesmo estava quase vazia. Quando se virou, pode ver o loiro sem blusa enquanto bebia o café que haviam comprado.-Eu realmente poderia me acostumar a vê-lo assim.-ela falou ainda o olhando, mas logo caminhou até a bancada e se serviu de um dos cafés que havia comprado, enquanto começava a comer o pedaço de bolo que também havia comprado na lanchonete.

–Eu também poderia me acostumar com isso.-Thor disse caminhando e se sentando ao lado dela enquanto comia do bolo que ela lhe oferecia.

–Com o que? Que eu me lembre, ainda continuo com a minha roupa molhada.-perguntou e logo comeu mais um pedaço do bolo.

–Estar do seu lado, observa-la, todos os dias.-ele falou e notou quando ela largou o garfo, pode ver o rosto dela ficar tenso.

Andressa o observou, tentando entender se naquilo que ele havia dito havia algo a mais, ou era apenas aquilo mesmo.

–O que quis dizer com isso?-ela sorria para ele até que ouviu sons vindo da sala, quando olhou para a mesma pode ver Clint, que caminhava na direção da cozinha, notou que o mesmo estava sério, provavelmente por conta da pequena discussão que tiveram na noite anterior, ela concluiu enquanto voltava a olhar para Thor, esse que agora estava sério também.

–Andressa, preciso conversar com você.-ela ouviu a voz de Clint, mas não tinha percebido que o mesmo estava agora ao lado dela, pois ela ainda encarava Thor que permanecia em silêncio e sério, diferente de como ele estava antes dela ouvir Clint se aproximar.

–O quê?-ela perguntou ainda confusa olhando agora para o arqueiro.-Se é sobre ontem eu não...

–É sobre ontem, mas não é só isso.-Clint falou.

–Então o que é?-perguntou um tanto sem paciência, não estava entendendo o porque de tanto suspense.-O que aconteceu, Clint?

–Rachel entrou em trabalho de parto.

...

A morena estava ao lado de Clint dentro da sala de espera na enfermaria da base, já havia se passado uma hora e Rachel ainda não havia conseguido ter o bebê. Andressa se sentia estranha, talvez com um pouco de nojo ao lembrar de Kevin e que ele havia estuprado Rachel. Sentia nojo em saber que ele havia destruído Rachel e a transformado naquela mulher com vários problemas, assim como ele havia tentado fazer com ela, mas por sorte, Andressa havia sido um pouco mais forte e com a ajuda dos amigos havia se recuperado.

Era bom saber que ele estava morto e que não poderia mais machucar e nem destruir ninguém.

Ela notou Clint, que estava ao seu lado parecendo nervoso. Mas ela sabia o motivo, e era que mesmo depois daquele tempo ele ainda sentia algo por Rachel, ou para ele, Jenny. Não era mais amor, ela sabia, talvez pena, ou dor por ela. Ela não sabia ao certo, só sabia que Clint sentia algo pela mulher, mesmo depois de tudo aquilo que ela havia causado na vida deles.

Ela não queria pensar naquilo, não agora, mesmo com tudo aquilo ela sabia que Rachel não era completamente culpada, que Kevin tinha feito grande parte daquilo tudo.

Respirando fundo, ela olhou para o fim do corredor e esperou.

...

1 Hora Depois.

Já era tarde quando a morena pode ver o médico romper a porta. Caminhando até a morena e o arqueiro, o homem exibia o rosto cansado. Clint que antes estava sentado numa pequena poltrona que ali havia, se levantou. Já Andressa se arrumou na cadeira enquanto esperava pelo o que o homem tinha a dizer.

O doutor parou diante deles, e antes mesmo dela ou Clint falarem o homem disse.

–Ela está bem.-falou e logo deixou um pequeno sorriso escapar. Andressa pode ver Clint respirar um pouco aliviado e os ombros do mesmo relaxarem, como se um peso fosse retirado.-Tentamos o parto normal, mas ela teve uma pequena complicação que nos levou a optar pela cesariana.

–Mas ela e a criança estão bem?-Clint interrompeu o médio.

–Estão, estão bem sim.-o homem respondeu sorrindo olhando para o arqueiro e logo em seguida para Andressa que olhava para o chão do hospital parecendo pensar.-Estão ótimo, na verdade.

–Podemos vê-los?-Clint perguntou um tanto esperançoso.

Andressa se levantou na tentativa de falar com o mesmo de que não queria ver Rachel, mas o médico a impediu, sem perceber, de falar.

–Ela está anestesiada e não acho que devem vê-la agora.-o homem de cabelos grisalhos e cavanhaque informou olhando para Clint.-Mas se quiserem ver o bebê.

–Sim, o veremos sim. Obrigado, doutor.-Clint falou enquanto apertava a mão do homem de cabelos grisalhos e elegantes.

Segundos depois o homem se retirou, deixando apenas os eles. Andressa não sabia o que pensar. O filho de Rachel com Kevin havia acabado de nascer.

Filho de Kevin.

Kevin.

O homem que era um sonho para ela, mas que no final havia se tornado um completo pesadelo, a fazendo reviver os terríveis momentos que havia sofrido com o pai de Clint. O homem que havia a violentado, espancado, humilhado e desprezado ela.

Tentando controlar a respiração, ela pensou que agora estava tudo bem, que agora ela tinha Thor, e que agora ela sabia que o loiro não a deixaria.

–Vamos?-Clint perguntou. Ela piscou algumas vezes e viu o rosto do irmão em frente ao dela, notou que os olhos do mesmo pareciam preocupados.-Você está bem?

–Sim.-respondeu depois de alguns segundos.-Estou bem.-forçou um meio sorriso e logo começou a caminhar ao lado dele pela enfermaria, mas parou assim que viu no final do corredor o quarto de Rachel.

–O que foi?-ouviu a voz de Clint, quando olhou para o lado pode vê-lo.

–Não quero.-dando alguns passos para trás, ela quase esbarrou em uma lixeira. Viu o irmão caminhar até ela, ma se desvencilhou das mãos dele assim que o sentiu a segurar pelos braços.-Não, não...

–Não quer ver ela?-Clint perguntou viu quando ela negou com a cabeça em resposta.-E o bebê?

–Me desculpa, mas... Não consigo, eu fico pensando no que ele fez com ela, em como ela apareceu desesperada na porta do meu apartamento, chorando, completamente suja e espancada por ele e... grávida.-fechou os olhos para não deixar as lágrimas escorrerem.-Ele ferrou com ela, a engravidou, Clint... A própria irmã.-encarou os olhos verdes dele.-E eu fico pensando que eu podia ter impedido isso de alguma maneira, pois... Antes de eu ir embora, Rachel era normal. É claro que...

–O que está dizendo? Que ela está assim por sua culpa?

–Eu poderia te-lo matado, Clint, desde a primeira vez que ele me machucou, deveria ter matado ele.-falou aflita.

–Você disse que antes mesmo de você matar o meu pai, Kevin Já abusava ela.-Clint falava enquanto a observava.-E mesmo se o tivesse matado antes de partir, não bastaria, pois ele já teria violentado ela.

–O que quero dizer, Clint é que mesmo que ele já a tivesse violentado, se eu o tivesse matado assim que deixei ele para trás, ela não sofreria tudo isso.

–Isso não é por sua culpa.

–Como você sabe disso? Como pode ter tanta certeza, Clint?-a voz soou com ironia, ela recuou um passo ao ver que ele iria abraça-la na tentativa de confortar ela.

NÃO É A SUA CULPA.–Clint gritou em meio ao logo corredor.-Não tem que ficar se culpando, isso NÃO é sua culpa.-ele pode vê-la abaixar a cabeça, completamente casada, deu um passo na direção dela e a abraçou, sentindo quando ela o abraçou também.-Isso não foi por sua culpa.

–Eu... Eu poderia ter impedido...-murmurou ainda abraçada a ele.

–Não, Andressa, não poderia e não pode ficar se culpando por tudo de ruim que acontece na vida das pessoas.-a voz dele não passava de um sussurro no ouvido dela. Minutos se passaram enquanto eles ainda permaneciam abraçados no corredor silencioso da enfermaria, até o silêncio foi quebrado pelo choro dela.

...

Caminhando lentamente pelos corredores da base, ela observava o lugar, fazia tempo demais que ela apenas corria por eles, pronta sempre para uma nova missão. No fim do corredor ela pode ver a saída, e não exitou em caminhar o mais rápido até ela.

Ela havia deixado Clint no quarto de Rachel. Optou por não ver a mulher e nem o bebê, não estava preparada para vê-los. A última lembrança que tinha da mulher era dela completamente suja e machucada batendo a porta do apartamento dela, para conseguir fugir de Kevin.

Já do lado de fora ela caminhava para longe da base no terreno vazio. Ela parou assim que percebeu que estava se afastando demais. Olhando para o céu negro e estrelado ela inspirou o ar e fechou os olhos enquanto algumas lágrimas escorriam pelo rosto dela, ainda pensava no que Clint havia dito, só que era difícil para ela pensar que não fosse culpada, quando as pessoas se aproximavam dela e algo ruim acontecia na vida delas.

–Não parece bem.

Dando um pequeno sorriso, ela se virou e pode ver Tony.

–Vou ficar.-falou forçando a voz para não soar trêmula e frágil. Tudo que ela não queria era parecer e ser frágil, pois nos últimos meses era como ela vinha se sentindo e ela odiava aquela sensação.-Eu preciso ficar, não é mesmo?!.-falou enquanto secava as lágrimas que haviam escorrido pelo rosto.

–Você sempre fica, só tem que dar um tempo.-o moreno falou enquanto caminhava até ela.-O que acha de uma viagem em uma de minhas armaduras?-quando viu que ela sorria, percebeu que estava indo pelo caminho certo.

–Para eu me jogar de mais de 200 metros que nem daquela vez?-perguntou irônica, enquanto cruzava os braços.

–Não acho que faria aquilo novamente.

–Não mesmo, você já sabe, eu optaria por outra coisa.

–Ainda não perdeu a mania de me surpreender?

–Acho que não.

–Sabia que adoro quando age assim?-Tony perguntou e a morena apenas riu enquanto cruzava os braços e o encarava.-Você não mudou nada.

–Obrigada, Tony, mas devo informa-lo que você tem alguns cabelos brancos agora.-ela falou se aproximando e passando a mão sobre o cabelo dele aonde via alguns fios brancos.-Bem aqui, então não posso dizer o mesmo. Aparentemente, você está envelhecendo.

–É, mas resolvi deixar os grisalhos, dizem que as mulheres se interessam por homens mais velhos.-dando de ombros, ele enfiou as mãos no bolso e fez um pequeno bico.

–Você ainda é um idiota, senhor Stark.

–O que posso fazer, é a força do hábito.

–Tenho certeza que sim.

–Olha, será que posso leva-la a um lugar especial?-ele perguntou e a viu ficar calada, parecendo pensar.

–Acho que não é uma boa ideia, Tony.

–Tudo bem, eu sei que não quer retomar o contato comigo, mas acho que você vai gostar de ir nesse...

–Não é isso, Tony, mas hoje...

–Sei que você não está bem, e é exatamente por isso que tenho que leva-la a esse lugar hoje. Vamos?

Ela não sabia para onde ele iria leva-la, mas ainda assim decidiu ir.

...

No alto da montanha, ela podia sentir o vento frio lhe tocar o rosto. Ela riu se sentindo feliz e ao ver a imensa cidade iluminada diante dela.

–O refúgio.-a voz dela soou melancólica.-Obrigada, Tony.

–Tudo bem.-ele disse enquanto voltava a descer a montanha.

–Faz muito tempo que eu não venho aqui.-ela falava ainda observando a vista da cidade, os pontos brilhantes.-Tempo demais.

–Eu venho aqui sempre.-ele agora estava parado a observando.-Esse lugar me lembra você e... Você sabe.-ele não disse mas nada, apenas caminhou novamente até ela lhe beijou a testa e foi embora a deixando sozinha.

Se sentando no chão, ela ficou a observar tudo a sua frente. Não ficou pensando, apenas apreciou a vista.

...

Já havia se passado horas desde que ela havia chegado ao "refúgio" com Tony.

Se levantou e suspirou longamente, observando uma ultima vez antes de voltar para o apartamento. Decidida, voltou para casa caminhando, embora fosse uma longa caminhada, mas ainda assim ela adorou, foi bom para por algumas coisas em seu devido lugar e até mesmo não pensar mais nelas.

Quando chegou ao prédio, encontrou com o porteiro idoso e o cumprimentou rapidamente e logo depois subiu para o apartamento aonde encontrou Clint, Marie, Nastasha, Steve, Jason e Carolina, além de Thor. Ela riu, gostava de ver os amigos juntos, era bom.

Ela percebeu que ninguém havia ouvido ela chegar, fechando a porta sem que ninguém notasse, caminhou até a cozinha, aonde se serviu de um copo de suco e se sentou em frente a bancada, aonde ainda continuava a rir com as coisas que Jason falava, ele era um idiota declarado, mas também tinha que admitir que gostava um pouco dele.

–Rindo sozinha?-a voz grave e firme soou atrás dela como um trovão, ela não disse nada, apenas esperou ele se aproximar mais.

–Você sabia que eu havia chegado, não é mesmo?-ela não esperava uma pergunta, pois já sabia a resposta, apenas se levantou e ficou de frente para ele.

–Devo admitir que sim.-o loiro falou e a viu sorrir.-Está bem?

–Sim.-ela disse simples e viu quando ele se aproximou e logo a segurou pela cintura.-E tenho certeza que você sabe o porque, deus nódico.-falou com a voz baixa enquanto envolvia os braços no pescoço dele, aproximando os rostos e finalmente colando os lábios, sentindo a boca dele buscar pela dela, lentamente, aproveitando cada segundo.

–Sei o porque, você estava com Tony.-Thor falou com a testa grudada na dela, mas sentiu assim que ela afatou o rosto do dele com uma expressão que ele não conseguia saber o que ela estava pensando.

–Não acredito.-séria, o encarou. Logo depois um sorriso cresceu nos lábios dela, o tom de ironia na voz do mesmo só denunciava uma coisa, e ela teve que admitir que gostava um pouco.-Está com ciúmes?-quando o viu olhar para os lados, ela soube a resposta.

–Só não gosto de te ver perto dele, sinto como se ele fosse magoar você novamente.-falou, mas não encarava os olhos verdes dela, ele olhava para a janela aberta da cozinha, vendo o céu negro, sozinho, sem estrelas.

–Não vai.-ela disse simples dando de ombros. Viu quando ele a olhou, ainda sério.

–Como pode saber?-perguntou.

–Porque você disse que não irá deixar mais ninguém me magoar.-ela viu quando os lábios dele se curvaram em um sorriso charmoso de lado.-E eu confio em você.-ela sentiu quando as mãos dele lhe apertaram mais o corpo, fazendo com que ela pulasse nos braços dele. Ela tentava conter os gemidos ao sentir os lábios dele sobre o pescoço dela, lhe beijando e mordendo. Sentiu quando ele a colocou sobre a bancada da cozinha, derramando o copo de suco, enquanto colava o corpo mais ao dela e os lábios, novamente, aos dos dois, lhe beijando com vontade e acordando todos os sentidos dela, ela podia sentir a parte mais íntima dela pulsa, pelo desejo que crescia a cada segundo.

Ela ainda achava estranhamente perfeito com um único toque dele no corpo dela, já a deixava louca, e querendo ele ardentemente.

Quando ela sentiu as mãos de Thor lhe tocar os seios por debaixo da blusa, deixou um pequeno gemido escapar, mas foi obrigada a se afastar dele assim que lembrou que os amigos estavam na sala.

–Thor.-o chamou em meio a um suspiro, mas o mesmo não se afastou, tomou novamente os lábios dela enquanto lhe acariciava o corpo.-Não podemos, não agora.-falou sem folego, dando um pequeno sorriso.

–Tudo bem.-o mesmo falou se afastando, também ofegante e rindo.

Andressa desceu da bancada com a ajuda dele e deu a volta na cozinha, aonde pegou um pano e começou a limpar o suco que havia derramado, mas parou assim que ouviu passos se aproximarem, quando ela olhou para a porta que dava acesso a cozinha, pode ver Clint, as mão do arqueiro estavam segurando latas vazia de cerveja.

–Você está bem? Sumiu o dia todo depois que saiu da base.-Clint perguntou enquanto caminhava até a lixeira e jogava as latas de cerveja.

–Estou, precisava pensar um pouco, ou não pensar. O importante é que eu fiz os dois.-terminando de secar a bancada, pegou a bolsa que havia deixado sobre a banqueta vazia e começou a caminhar para sair da cozinha, mas parou assim que ouviu o irmão chamar ela.-Eu sei que...

–Desculpa por não ter te contado.-Clint falou, ele queria esclarecer tudo aquilo com a irmã, pois simplesmente não gostava de ficar sem falar com ela, ou sentir que havia algo interferindo entre eles.-Sei que você acha que há alguma coisa...

–Clint, por favor.-se virando para olha-lo, ela pediu. não queria falar, não queria discutir novamente com o arqueiro, não depois de ter passado o resto do dia bem.-Está tudo bem, se você não contou, com certeza deve ter sido por algum motivo e eu entendo, até porque você não tem que me contar tudo.

–Mas eu quero contar.

Respirando fundo, ela caminhou novamente até as baquetas, se sentou em uma e segurou a bolsa no colo enquanto esperava explicação do irmão.

–Ele não mentiu.-se referiu ao assassino.-É uma ex agente da Shield, assim como a esposa dele.-o arqueiro cruzou os braços e se encostou na pia, enquanto continuava a contar.-Faz muito tempo, essa é a verdade. Antes de você chegar, talvez até um mês antes até de você chegar na base, eles ainda estavam lá. Fury nunca gostou muito dele, pois ele era... instável, mas já para a mulher Fury não ligava, sabia que podia manipular ela para que ficasse do nosso lado. um dia, Fury os mandou em uma missão para prender ou matar alguns agentes que não são da Shield, mas ao chegarem lá aquele babaca decidiu que não iam prende-los pois, não achou realmente um bom motivo o que eles haviam feito.

–O que fizeram?-perguntou ouvindo a história.

–Mataram uma pessoa muito especial para Fury.-Clint falou abaixando a cabeça, parecendo pensar em tudo o que estava contando.-Para mim, e para Natasha também.

–Quem?

–A filha adotiva dele.

...

Ainda confusa com tudo aquilo, a morena olhava para o mármore da bancada a sua frente.

–Não sabia que Fury tinha uma filha adotiva.-agora olhando para o irmão, podia vê-lo apoiado na pia, com a cabeça baixa respirando fundo.

–Quase ninguém sabia.-Clint respondeu se virando para ela.-Fury era super protetor.-dando um sorriso de lado, caminhou até a geladeira e pegou a garrafa de suco.-Eu e Natasha treinávamos ela para ser uma agente, mesmo que Fury fosse contra. Olivia era louca pelo pai, mas nunca abriu mão de ser uma agente, quando morreu, nem mesmo tinha se tornado uma agente de verdade.

–Como ela...

–Morreu?-Clint completou. Era difícil para ele, já que o arqueiro considerava Olivia como uma irmã, já que ele tinha a certeza de que Andressa havia morrido junto com os pais.-Eu estava com Fury, eu e Natasha, nós conversávamos sobre ela e como tentávamos ao máximo resgata-la das mãos daqueles malditos, foi por isso que enviamos aquele maldito e a namorada dele para resgatarem ela, pois depois de mim e de Natasha eles eram os melhores, mas ao chegarem lá eles decidiram que a vida dela não valia tanto a pena e de que não iriam salva-la. Ficamos sem saber o que fazer, o mais óbvio era pegar um voo e ir para o pais para aonde haviam levado ela, mas não tínhamos tanta certeza quanto a isso. Depois de pensar junto a Fury e Natasha, decidimos ir, mas quando estávamos dentro do jato recebemos uma mensagem com a foto dela já morta. Aparentemente a espancaram, a violentaram, enforcaram ela e a deixaram morrer afogada.

Olhando para o chão, Andressa ouvia o que o irmão falava, não tinha coragem de encara-lo, pois sentia a dor na voz dele. Sem sobras de dúvidas, Clint também havia sofrido enquanto estava longe dela.

–Tudo bem, desculpe tocar e trazer tudo isso de volta.-pediu enquanto caminhava até o mesmo e o abraçava acariciando a cabeça do irmão com carinho.

–Está tudo bem, só queria que você soubesse o real motivo de não termos contado quem ele era de fato. Sei que se sentiu enganada e até mesmo traída.-desfazendo o abraço, o arqueiro deu um pequeno sorriso.-Mas, só não queríamos tocar nessa ferida, não queríamos trazer a tona toda lembrança.-eles se calaram e os sons que ecoavam pela casa eram das vozes empolgadas dos amigos que continuavam a conversar.-Fury nunca disse, mas toda vez que ele a vê, lembra de Olivia.

–O quê?

–Vocês se pareciam, não na aparência, mas na personalidade. E esse era um dos motivos para eu gostar tanto dela, porque ela me fazia lembrar de você.-caminhando até a porta ele parou e olhou para ela novamente.-Quando descobrimos a morte dela, foi a única vez que vi Fury chorar.

Respirando fundo, a morena havia acabado de se dar conta do que o assassino estava fazendo.

–Aquele desgraçado.-falou, a voz da morena agora estava tomada pelo ódio.

–O que foi?-Clint perguntou.

–Imbecil.-gritou praticamente, calando os amigos que estavam na sala.-Ele me manipulou.-rindo, enquanto andava de um lado para o outro, ela passava toda a conversa que havia tido com o homem na cabeça, enquanto voltavam para NY.-Como pude ser tão idiota?-ela ria, mas não achava graça em nada daquilo e não parava de se perguntar como podia não ter visto o quanto estava sendo manipulada.-Tentou me colocar contra vocês, contra a base.

–Andressa...

–Ele realmente achou que eu ia ficar tão magoada e acabar com a base, fazendo o plano idiota dele acontecer.-voltando a pegar novamente a bolsa sobre o banco, caminhou até a porta aonde parou ao ouvir Clint a chamar.

–Aonde você vai?-Clint perguntou, ver a forma que ela estava nervosa o assustava de certa forma, pois a ultima vez que ela havia saído daquele jeito tinha sofrido o acidente que quase a havia matado.

–Não se preocupe, maninho. Vou resolver um pequeno problema.-ela disse por fim. A ultima coisa que Clint pode ver foi ela passar pela porta e antes um sorriso de lado no rosto dela que ele não via desde a volta dela.

...

Base da S.H.I.E.L.D (Solitárias) 23:58 Da Noite

O som do salto contra o piso ecoava pelo pelo longo corredor.

Andressa caminhava com fúria até a ultima cela. Ela estava no nivél mais baixo, aonde os mais perigosos ficavam. Olhando para o fim do corredor, ela pode ver uma grande porta de ferro, como as outras a sua volta, mas naquela porta de ferro havia algo que as outras não tinham igual.

Naquela grande porta de ferro blindado, para impedir qualquer fuga futura, havia o nome que ela procurava. Os lábios puros, sem rastros do batom vermelho, se abriu em um pequeno sorriso de lado. Se posicionando em frente a porta, a morena digitou a senha no pequeno painel que havia na parede de concreto sólido. Logo a porta de abriu soando um pequeno clik.

Ela pode vê-lo, deitado no colchão sobre o chão, parecia dormir, mas ela sabia que era mentira. Caminhando para dentro da sela, ela viu como o lugar era sujo e também pode ver que havia uma cadeira no lugar. Colocando a bolsa no encosto da cadeira, ela se sentou na cadeira e cruzou as pernas, enquanto observava o homem.

Foi preciso dois minutos até que o silêncio foi quebrado pela voz grossa do homem, que preencheu toda a cela.

–Pensei que nunca mais fosse vê-la, agente Andressa.-se movendo lentamente no colchão, ele levou a mão direita até a cabeça, apoiando a mesma enquanto encarava o teto descascado.-Estava começando a ficar triste. Talvez um pouco solitário.-olhando para ela, viu quando a mesma sorriu, enquanto descansava as mãos sobre as pernas cruzadas.-Mas agora posso dizer que estou... Animado.-completou se levantando para ficar sentado.

–Animado?-Andressa perguntou sorrindo com ironia.

–É, ou talvez excitado.-disse enquanto fitava os olhos verdes dela cheios de raiva.-Não parece sentir o mesmo.

–Você é muito bom observador.-sarcástica, ela forçou o riso e o viu sorrir também enquanto se levantava do colchão.-Eu estou curiosa, será que você pode me contar uma coisa?-observou enquanto o mesmo se movia pela cela. Andressa se perguntava se ele achava realmente que ela não tinha percebido o canivete escondido no cós da calça dele, ou se ele queria que ela dissesse que havia visto o mesmo.

–Claro, pode me pedir, perguntar e fazer tudo o que quiser comigo.

–Pode ter certeza que eu vou fazer tudo o que quero com você.-um sorriso apareceu nos lábios de ambos, o do homem, cheio de segundas intenções, como se a morena não soubesse bem o que ele tinha em mente, mas ela também tinha um pequeno plano, uma carta na manga, e para o azar dele, não envolvia nada do que ele tinha em mente.

...

–Sabe para onde ela foi?-Natasha que agora estava junto de Clint na cozinha, perguntou ao mesmo enquanto o ajudava a limpar toda a bagunça que Jason havia feito.

–Não, mas tenho uma pequena ideia.-o arqueiro respondeu enquanto jogava algumas garrafas vazia de cerveja no lixo.

–E qual é a sua pequena ideia?-a ruiva perguntou sorrindo enquanto parava o que fazia e encarava o amigo.

–Para a base, acho que ela foi ver aquele maldito que deixou Olivia morrer. Contei para ela toda a verdade e os motivos para não termos contado tudo para ela.-o arqueiro explicou e logo deixou a ruiva sozinha, enquanto ia até a sala, pode ver Marie dormir no sofá, ele sorriu com a imagem. A relação dos dois não era mais a mesma, mais ainda assim eles se gostavam, mesmo que estivessem afastados um do outro, dando um tempo.

Não havia sido fácil, eles se gostavam, mas sabiam que se continuassem daquela maneira, sempre discutindo, desgastando a relação entre eles, seria pior.

Lentamente ele a pegou no colo e começou a subir a escada do apartamento, quando chegou ao quarto dela, a colocou na cama e deixou um bilhete sobre o criado mudo, junto de um copo cheio d'água, para ela beber assim que acordasse. Ele achava que ela iria precisar, já que havia bebido um pouco a mais. Quando saiu do quarto, pode ouvir a voz de Natasha e Steve, os dois conversavam. Quando desceu encontrou os mesmos.

–Fury ligou, pediu para nós irmos até a base.-Natasha falou caminhando até a porta, logo atrás dela estava Steve.

–Ele disse o motivo?-Clint perguntou se juntando a eles, mas a ruiva não respondeu.

...

Os sons eram ouvidos do lado de fora da cela.

Não era necessário ver para saber o que acontecia lá dentro.

Os sons de gritos agudos e angustiados preenchia ecoava por todo o corredor, causando uma pequena euforia entre os presos isolados em suas celas solitárias.

Se desviando do soco, Andressa segurou a mão do homem com força enquanto dava um giro e prendia as pernas do mesmo contra as dela, levando os dois ao chão.

–Você não respondeu a minha pergunta. Por que a deixou morrer, por que deixou que a matassem?-a morena apartava com mais força as pernas contra as do homem na tentativa inútil de quebra-las.-Vamos lá, não consegue responder?-ela ria, a ironia na voz dela o irritava.

–Não iria arriscar a minha vida pela dela.-as palavras não passaram de sussurros cheios de dor, ele sentia que a qualquer minuto poderia ficar com as duas pernas quebradas.

Andressa não soube como, mas quando se deu conta, o mesmo já havia se soltado e a acertava com um chute na barriga com tanta força que a fez perder o ar. Se arrastando pela cela imunda, ela olhou para os lados, não viu nada que pudesse a ajudas para se proteger, ou para tentar acertar o homem, que caminhava na direção dela com um olhar feroz, que a fazia se arrepiar.

–Ela era uma vadia, não passava disso, o que fizeram com ela não foi nada demais.-o homem falou, a voz estava num tom baixo e ameaçador sinistro, fazendo Andressa recuar mais ainda ao ver o sorriso, que fazia o belo rosto do homem tomar uma forma horrorosa.

–Uma vadia.-repetiu as palavras dele, na tentativa de ganhar tempo. Mas assim que sentiu a mão tocar a parede a suas costas, se deu conta se que não havia para aonde escapar. Ela tinha que encara-lo e acabar com ele, tinha que fazer o que tinha ido fazer.

Quando viu ele se aproximar, ficando de pé bem na frente dela, não perdeu tempo, lançando a perna para o auto, viu que o pé uma na direção do meio da perna do homem, mas isso não chegou acontecer. Ainda confusa, a morena sentiu quando o pé havia sido agarrado.

–Não está jogando limpo, agente Andressa.-segurando com força o pé da morena, ele ria com a loucura estampada no rosto.-Seria golpe baixo.

–Não era isso que eu pretendia fazer.-sentindo ainda o pé direito ser apertado pelas mãos do homem, ela puxou a perna, fazendo o homem se desequilibrar e tombar para frete dela, mas antes que ele caísse sobre a morena. Andressa o acertou com um chute no rosto com a perna livre, o deixando quase sem sentidos caído no chão.-Você é um idiota manipulador.

–Aé?-a voz do homem era tremida, mas ela podia ver que ele sorria.-Mas parece que a agente aqui caiu direitinho nela.

–Não cai na sua história, pois você disse a verdade, mas não me disse o porque de Fury querer seu pescoço.-Se levantando com dificuldade, ela caminhou até a cadeira e procurou algo que pudesse usar para imobilizar o homem durante algum tempo antes que a tirassem da cela.-Agora sei, você se recusou salvar a vida da filha dele, mas eu vejo nos seus olhos de que não é apenas por isso.

–Fury poderia ter salvo a vida da filha dele, mas ele não quis colocar a própria vida em risco.-o sorriso que antes estava nos lábios do homem, havia sumido, trazendo a tona a face seria.-Sabe por que agente Andressa? Porque ele não passa de um egoísta, que só pensa nele.-agora o rosto do homem estava contorcido pela dor.-O acordo era a vida dele pela dela, mas ele achou que me mandando lá eu a salvaria.

–Por que não a salvou?-Andressa perguntou agora paralisada olhando para o homem, como ele era frio. Foi ai então que ela se deu conta, havia algum motivo para ele agir daquela forma.-O que ela fez para você?

–Como?

–Ela fez alguma coisa para você. Ela te magoou não foi?-ela perguntou enquanto via o mesmo se recuperar da dor e se levantar ao poucos, pronto para partir para cima dela novamente.

–Sim, foi exatamente isso. Ela disse que me amava, ficamos juntos durante dois anos escondidos sem que ninguém soubesse ou desconfiasse, mas de um dia para o outro ela terminou comigo, disse que eu não era o cara certo para ela e que achava melhor que fossemos apenas amigos.-ele ria enquanto andava em círculos pela cela, tocando a parede, olhando para o teto mofado e descascado.

–Você é doente.-ela falava enquanto observava o mesmo.-Não passa de um doente, sádico. Deixou ela morrer porque ela não queria mais ficar com você.

–Não, não, não.-ele se aproximou a morena, mas antes mesmo de ela agir, notou que não seria necessário, que ele naquele momento não oferecia mal algum para ela. Olhando nos olhos dele, viu o quanto ele estava perdido com tudo aquilo e se perguntou se não poderia ser mais fingimento.-Tenho pena de você.-falou com nojo enquanto o via sentar no chão segurando a cabeça.-Você é patético.-disse por fim enquanto caminhava até a cadeira e pegava a bolsa, a colocou de lado e caminhou até a porta, aonde fez um pequeno acendo de cabeça para que o segurança abrisse a porta.

Foi tudo rápido.

Quando ela se deu conta, já estava no chão, o som da mão colidindo contra a porta de aço a acordou em tempo de se desviar do chute que também atingiu a porta, assim como o soco. Tentando se afastar do homem ela jogou o corto para o lado, ficando perto da cadeira. Quando tentou levantar sentiu o peso do homem a jogar para o chão novamente, mas só se desesperou ao sentir as mãos dele sobre o pescoço dela, a estrangulando. Tentando com o máximo de força que tinha ela tentou se livrar do homem, mas sentiu quando as mãos ficaram fracas e formigando, assim como a visão que ficava embaçada a cada minuto que passada. Ela usava as unhas para arranhar o homem, mas o mesmo não parecia sentir dor, quando olhou para os olhos do mesmo sentiu pânico, ela jurava que podia ver Kevin.

Podia ver o sorriso doentio dele, o prazer nos olhos do mesmo, prazer em machuca-la, prazer em mata-la.

Ela olhou para os lados em busca de algo para poder acertar o homem, mas não encontrou nada, nada que a ajudasse.

Aos poucos poucos ela foi perdendo os sentidos, até tudo se tornar negro.