So Far Away

40 Um grande privilégio.


Notas iniciais
Olá meninas. Eu sei, DEMOREI MUITO Não tinha a intenção gente, é sério. Entretanto não foi apenas um capricho meu ficar todos esses meses sem postar. Com a chegada do final de ano não tive realmente tempo, mas logo assim que o ano novo chegou tive tempo, porem acabei ficando sem internet. SIM ACREDITEM, fiquei sem internet durante dois meses e logo depois meu note parou de funcionar e isso porque já estava com o capitulo praticamente quase pronto. Então tive que mandar o note pro concerto e então quando ele voltou já não tinha arquivos nenhum, pedi tudo o que tinha no note :( Mas só depois, a algumas semanas atrás que voltei a ter internet E vocês estão se perguntando porque eu não postei a algumas semanas atrás então, eu respondo a vocês. O motivo foi que FINALMENTE consegui um emprego e estou me dedicando ao máximo. E é por isso meninas. Depois de meses sem internet e pra completar sem note, eu voltei hoje pra postar esse cap. Ainda não é o ultimo, mas vou ao MÁXIMO não demorar a próxima vez. Cruzem os dedos para o note e a net funcionarem muito bem por aqui. Espero que me perdoem por mais essa demora E quanto a fic ter uma terceira temporada, acho que não vai acontecer. No prox cap explico melhor o porque. Bejus Espero que gostem e mais uma vez me perdoem pela demora.

Os sons eram abafados enquanto tudo permanecia negro.

Ela tentava respirar, mais se sentia sufocando aos poucos , era como se o ar tivesse sendo sugado do alcance dela.

Piscando os olhos ela começou a ver borrões, mas nada que fizesse sentido.

Ela nem mesmo se lembrava de onde estava.

Ainda sem forças, ela apalpou o chão e começou a ouvir com mais clareza os sons a sua volta. Eram como passos que ficavam próximos e um pouco distante a cada instante, como se alguém estivesse caminhando de um lado para o outro. Não foi preciso mais tanto tempo para que os acontecimentos, de quem sabe quanto tempo atrás, lhe voltasse a memória.

A visão voltou, assim como ar a correr pelos pulmões, a medida em que ela se levantava com desespero.

Diante dela estava o homem sem expressar nenhuma reação, permanecendo parado apenas a observando. Os olhos estavam vidrados, como se tivesse feito o uso de alguma substância, mas Andressa sabia que não passava de loucura.

–Não a matei.-ele falou finalmente, rompendo os sons de gritos do lado de fora da cela. A voz soava tranquila, sem culpa alguma ou rastro de qualquer outro sentimento.

–Por quê?-Ela perguntou enquanto dava um passo a frente e percebendo que deveria ganhar alguns tempo já que ainda não sentia firmeza nas pernas como gostaria.

–Você já foi útil como queria, mesmo descobrindo o que eu tinha em mente, por algum tempo consegui a enganar e quase acaba mais uma vez...

–Com a vida das pessoas?-perguntou enquanto observava o rosto dele.-Ou com a sua própria? Porque, se eu me lembro bem, não sou eu que estou presa, isolada de todos que amo e que logo vai... Morrer.-falou a ultima palavra como um sussurro debochado.

–Não temo, pois quem eu amava já não está mais aqui.-o homem respondeu agora com o olhar distante, parecendo lembrar de alguma coisa.

–Sim, você a matou.-as palavras tiveram a reação que Andressa queria, foi como se uma faísca tivesse entrado em contato com algo inflamável. Quando ela se deu conta, o homem já estava próximo a ela, com as mãos sobre o pescoço dela apertando.

Sentindo cada vez mais a falta de ar, ela segurou as mãos do homem as apertando e arranhando, nem mesmo sentiu quando a unha quebrou, rasgando a carne e fazendo o dedo sangrar.

–Para.-pediu entre um sussurro sufocado, mas ele não parou, continuou apertando.

Ela tentou de todas as formas, mas a esse momento já havia perdido as forças, o corpo já não obedecia, lhe faltava oxigênio.

Era um inferno.

Quando ela pensou que ia desmaiar, sentiu quando as mãos do homem a soltou, o corpo dela foi direto ao chão, tossindo, engasgando com o ar assim que o inspirou com força.

–Ainda acha que sou um monstro?-ele perguntou com ar superior enquanto rodeava ela mais uma vez.-Poupei novamente sua vida, Andressa.

–Obrigada.-debochou do homem, enquanto começava a rir.-Você é tão misericordioso.-a ironia praticamente transbordava dela.-Serei eternamente grata a você.

–Será que você não entende que eu não preciso poupar sua vida?-ele estava completamente desesperado agora, gritava como um louco enquanto levantava Andressa do chão a puxando pelos cabelos.-Você não é nada na minha vida, agente Andressa. Posso te matar a hora que quiser!

–E porque ainda não matou?-com o rosto próximo de mais ao do homem, a ponto de poder sentir a respiração descompassada dele, ela perguntou, observando os olhos azuis que por um instante pareceram está livres da loucura que tomava ele.-Vá em frente.-desafiou, e sentiu quando as mãos dele começaram lhe apertar o pescoço.

Dessa vez ela foi mais rápida, passou os braços por cima dos dele, fazendo com que ele soltasse o pescoço dela. Viu que ele parecia confuso com a rápida reação dela, mas ela não esperou até que ele volta-se, correu na direção dele, o fazendo cair no chão, sentiu quando o homem lhe acertou a barriga com um chute, ela caiu para o lado com a dor , quando percebeu ele já estava sobre ela novamente.

Negando a dor, ela passou a perna sobre a cabeça dele, imobilizando ele.

–Se tentar sair, quebro seu pescoço.-disse ao sentir o homem agitado. Segundos depois, ela só conseguia ouvir o som da respiração cansada dele e os gritos que ecoavam do lado de fora da sela.

Andressa soltou o homem e se levantou, mas assim que percebeu que ele ia mais uma vez ataca-la, não exitou em chuta-lo com toda força no rosto o fazendo desmaiar.

Ainda sem ar pelo chute que havia levado, ela observou o homem desmaiado no chão uma ultima vez e caminhou até a porta para finalmente sair do lugar.

Quando a porta se abriu, pode ver do outro lado Clint chegar correndo, junto de outros agentes.

–Só está desmaiado.-informou a um dos agentes enquanto começava a sair da área das solitárias.

–O que você tem na cabeça?-Clint perguntou não deixando de lado a raiva e a frustração que sentia da irmã no momento.-Pensei que ele ia matar você antes...

–Não matou, estou aqui. Podemos dizer que... Ele não tinha motivos para isso.-disse sarcástica dando um meio sorriso.

–Você está bem?-Clint perguntou enquanto a segurava pelo braço e a fazia parar no meio do corredor. Observou o pescoço da irmã completamente vermelho e inchado.

–Estou ótima, Clint.-respondeu de má vontade.

–Não está, vamos até o...

–Não, não mesmo.-cortando o que ele ia falar, ela disse, enquanto voltava a caminhar.

Parado no meio do corredor, Clint apenas observou a irmã indo embora, mas começou a correr na direção dela quando a viu desabar inconsciente no chão.

...

4 Horas Depois — Base Da SHIELD Enfermaria (06:00 da Manhã)

Ela não lembrava de muita coisa, a última coisa que tinha em mente era do longo corredor das selas solitárias, no final do mesmo a imagem de Thor e logo tudo ficar negro. Abrindo os olhos lentamente, ela piscou os mesmo com força ao ver a luz florescente. Gemeu ao sentir a cabeça latejar pela dor, assim como a barriga.

–Acho que você não estava nem um pouco ótima.-a voz cheia de sarcasmo de Clint a fez fazer uma careta ainda de olhos fechados, mas quando ela voltou a abrir os olhos viu a imagem ainda um pouco desfocada do irmão a sua frente.

–Aonde...-ela ia perguntar aonde estava, mas logo se deu conta.-SHIELD.-falou com má vontade enquanto tentava se mover na cama, mas reclamou ao sentir todo o corpo dolorido.-Droga.

–Poderia está morta.-Clint dessa vez estava sério.-Sabe o quanto ele é perigoso.

–Não queria... Ele me usou apenas para o plano ridículo dele, queria ao menos dá uma lição nele.-ela falou como uma criança, enquanto tentava cruzar o braço numa tentativa falha, já que em uma das mãos a sonda com soro estava presa.

–Você realmente parece que não pensa, Andressa. Cansa ter que ficar...

–Se preocupando comigo?-ela completou. Encarou os olhos verdes do irmão e viu quando o rosto dele se contorceu ao perceber o que ele ia dizer.-Por que não me deixa novamente? Por que não vai embora mais uma vez e me abandona?

–Andressa...

–Quero ficar sozinha.-interrompeu ele. Clint apenas se calou e saiu do quarto, mas antes deu um pequeno beijo na testa dela e sussurrou um pedido de desculpas.

Sozinha no quarto, ela voltou a fechar os olhos, queria que a dor de cabeça que estava sentindo passasse. Sentia como se a cabeça dela fosse explodir.

–Parece que anda dando preocupações.-a voz grave a fez sorrir.

Voltando a abrir os olhos ela viu Thor na frente dela.

Os olhos azuis a encaravam com atenção e Andressa não podia negar que amava aquilo.

–Acho que... Só um pouquinho.-falou enquanto via ele se aproximar e sentar ao lado dela na cama, enquanto se curvava até ela e lhe beijava a testa e logo em seguida a boca.-Pensei que tivesse ido para As...-ela se calou assim que Thor a beijou novamente.

–Tem que parar de fazer isso, humana.-ele respondeu sem folego com a testa junta a dela.

–Quando você diz "Isso" quer dizer...

–Você entendeu, sabia que corria riscos indo até aquela sela.

–Sim, como andar na rua e não saber se algo vai lhe acontecer.-rebateu de forma nervosa. ela sabia que o Deus se preocupava, mas ela sabia também como se defender.

–O fato é que... Não quero perder você.

–Não Thor, o fato é que você acha que eu sou uma humana fraca e que...-ele a calou novamente com um beijo, ela tentou resistir, mas logo se rendeu aos lábios dele.

–Só quero que fique bem.-falou parando o beijo e a olhando nos olhos, mas logo voltou a beija-la. Os lábios quentes envolvia ela numa onda de prazer. Ela queria resistir, queria conversar, falar como se sentia com tudo aquilo, mas acabou se dando conta de que tudo aquilo parecia tão pouco quando ele estava com ela.-Eu te amo, Humana.

–Eu também te amo.-sussurrou com o rosto colado ao dele, logo viu ele se afastar um pouco, o olhar suave era como um remédio para as dores que ela sentia.-Você estava lá.

–Sim, estava. Mas não interferi pois sabia dos seus motivos, mesmo colocando sua vida em risco.

–Obrigada.-pediu sorrindo enquanto segurava na mão dele.

–Por quase deixa-la morrer?-perguntou divertido fazendo ela rir.-Tudo bem, mas saiba que não deixarei acontecer novamente.

As horas se passaram até que ela recebeu alta, não havia acontecido nada de grave, apenas alguns hematomas.

Caminhando lentamente pela base, ela e Thor iam calados, Andressa agora pensava na pequena discussão com o irmão mais cedo. Ela simplesmente odiava ter de discutir com Clint, mas as palavras que ele havia dito mais cedo, ou a falta delas, haviam a magoado. Sabia que o mesmo só havia dito aquilo no momento, que jamais a deixaria novamente.

Quando ela estava no estacionamento com Thor, pode ver Clint e Marie no mesmo, os dois pareciam conversar, Clint tinha a cabeça baixa enquanto concordava com algo que Mary falava. Ela não sabia do que estavam falando, também não pensou que poderia ser uma discussão entre eles, já que os dois estavam dando um tempo, mas mesmo assim ficou curiosa.

–Não pode dirigir.-Thor falou parando em frente a ela. Ela olhou o homem um tanto confusa, mas logo entendeu o que ele havia dito.

–Am... Sim, claro que posso. Só estou dolorida e com alguns hematomas, não quebrei nada.-falou enquanto procurava a chave do carro dentro da bolsa dela que Thor carregava.

–Você acabou de quase morrer sufocada e já está querendo dirigir?-Mary perguntou enquanto caminhava até ela.

–Já se passou horas desde o ocorrido.-Andressa falou séria enquanto encarava o irmão que permanecia calado atrás de Mary.

–Mas ainda assim não está em condições para dirigir. Então eu irei leva-la para casa.-Mar falava divertida enquanto tomava a chave da mão de Andressa e caminhava até o carro.-Vai ser uma corrida emocionante.

Caminhando lentamente ao lado de Thor, Andressa não conseguiu não rir, simplesmente adorava a amiga. Mas ao sentir a mão de Clint a segurando pelo braço ela parou.

–Podemos conversar?-ele perguntou enquanto via Marie entrar no carro completamente animada. O arqueiro olhou para Thor que apenas fez um pequeno gesto com a cabeça e deixou ele e Andressa sozinhos.-Eu sei que...

–Está tudo bem, Clint.-falou cansada enquanto passava a mão pela garganta aonde ainda tinha marcas das mãos do homem.-E...

–Eu não deveria ter falado aquilo.

–Você não falou, só deixou sub entendido.

–Não deveria.

–Sim, as vezes dizemos coisas que não deveríamos, mas só porque estamos cansados, chateados e até mesmo estressados.-ela falou sorrindo enquanto passava a mão sobre o rosto dele de forma carinhosa.-Está perdoado.-disse com a voz infantil o fazendo rir e abraça-la com força a fazendo reclamar pela dor no corpo.

–Desculpa.-falou ainda a abraçando.

–Tudo bem, você é meu irmão mais velho e isso te dá o direito de ser idiota a maioria das vezes.

–A maioria das vezes?-ele perguntou agora enquanto eles caminhavam até o carro, aonde Thor e Mary os esperavam.

–Vamos lá gente, está na hora da corrida emocionante.-já dentro do carro, Andressa se ajeitou no banco de trás ao lado de Thor e esperou até Marie começar a dirigir.

E realmente foi uma corrida emocionante.

2 Meses Depois — IWOA- Missão da SHIELD.

Dentro da vã, Andressa e Natasha riam de Jason.

As únicas coisas que as duas conseguiam ouvir era a respiração ofegante do mesmo, que do lado de fora continuava a correr em plena rua atrás do alvo da missão.

–Fala sério, Jason. Ele tem apenas 17 anos, é um menino.-Andressa falava sorrindo, enquanto pesquisava informações sobre o Hacker que Fury estava atrás.

–Que corre muito...-a voz dele era abafada e a morena quase não conseguia entender o que ele havia dito.

–Parece que está na hora de se aposentar, Jason.-A ruiva falou sorrindo, ao lado de Andressa essa que continuava a pesquisar.

–Fury disse que queria que nós levássemos esse garoto até a base, mas não disse o porque.-A morena falava agora séria e desconfiada.-Tudo o que tem aqui na ficha dele é que ele é um Hacker e que os pais morreram em um acidente... Parece que foi um atentado... Algo parecido com uma explosão e...-ela se calou ao ler a ultima parte da ficha do garoto.

–Acabei de ver que próximo de vocês está acontecendo uma festa de rua.-Natasha falou, agora a ruiva tinha a expressão séria.-Você tem que de algum jeito, Jason, pegar esse garoto. Se ele entrar na festa que está acontecendo na rua, você vai perder ele. E não podemos perder ele.-Natasha falou apreensiva pois ela sabia o que o garoto representava a SHIELD.

–Depois de tudo, pensei que Fury finalmente falaria as informações essenciais para resolvermos o que é necessário, mas vejo que me enganei.-Andressa falou enquanto levantava de frente do computador e arrumava a arma presa ao suporte.-Pelo visto, só um de nós sabe realmente o que está em jogo aqui.-lançando um olhar de fúria para a ruiva, ela abriu a porta do veículo desceu da mesma, logo correndo em direção a festa.

–O que deu nela?-Natasha perguntou completamente confusa, mas ao olhar para a tela do computador que Andressa antes ocupava, viu a ficha do homem exposta e nela, algo confidencial, que ela e Fury sabiam, revelado.

...

–Jason, consegue me ouvir?-ela perguntava enquanto corria em direção da festa, aonde já podia ver a rua interditada e pessoas dançando e bebendo com o som alto de uma música conhecida do momento. A resposta do homem não passou de um murmurio, que a levou aos rios.-Preciso que me diga o número da rua, aonde a festa começa.

–Ele entrou na festa, perdi ele de vista. Repito, o alvo fugiu do meu alcance.-Jason repetia ofegante e nervoso ao mesmo tempo.-O alvo não está em meu campo de visão.

–Jason, preciso que me diga qual o número da rua em que a festa começa.-ela falou com a voz calma, mas séria para tentar trazer ele de volta a si e responder a pergunta dela.-Jason, responda logo.-dessa vez ela começava a perder a paciência.

–Não sei... Acho que 35... 36... Não consigo ver ao certo.-ele respondeu confuso, olhando em volta, tentando de alguma forma encontrar o homem que havia adentrado a multidão.

–Tudo bem, agora descase, Jason, eu cuido dele.-ela falou sorrindo, olhando o ultimo número da rua, era o 59, e pelo o que ela pensava ele deveria está no máximo próximo a saída do lado que ela estava, já que não havia outras saídas.

Foi então que ela viu, o garoto magro, quase esquelético, romper a multidão, andando, como se nada tivesse acontecido. Os olhos azuis atentos como de uma água faminta. Andressa sabia bem o porque, para quem ele trabalhava com certeza ele não tinha paz ou qualquer outra coisa a não ser ameaças.

Olhando para ele mais uma vez, viu quando os olhos dos dois se encontraram, numa tentativa rápida de que ele não percebe-se que ela iria prende-lo, ela desviou o olhar, olhando para o lado, para o grupo de pessoas que a esse momento já pareciam está tomadas pelo efeito da bebida.

–Vocês precisam parar de beber.-Andressa falou se aproximando do grupo de pessoas embriagadas e do garoto que parecia ter parado para observar as pessoas da festa.-Estão bêbados demais, quem vai os levar para casa.

–Você é policial daqui, gata?-um dos homens perguntou com a voz embargada pela bebida.-O que acha de me prender na sua cama?-quando Andressa percebeu o homem já estava a abraçando, fazendo os dois irem de encontro ao chão sujo.

ela não viu muita coisa, quando percebeu já estava no chão e o garoto magricelo, corria pela rua. De um ponte que ela não viu, Jason surgiu correndo como uma carro em alta velocidade e pulou sobre o garoto levando os dois para o chão. empurrando de cima dela o homem bêbado, ela se levantou correndo e foi até os dois caídos no chão, esses que lutavam com todas as forças, trocando socos e chutes.

–Até que você bate com força.-Jason debochou ao levar um soco no rosto do garoto que permaneceu sentado no chão, olhando para o homem de forma amedrontada.-Mas tenho certeza que eu... -Ele se calou, não soube o que estava acontecendo, só sentiu quando as costas foi de encontro ao chão com força, o homem magricelo havia lhe dando uma rasteira e agora corria pela rua novamente enquanto Andressa ia atrás.-Droga.-relaxando o corpo no chão duro, murmurou imerso na dor.

...

Ela corria atrás do homem, a cena de Jason sendo derrubado pelo garoto menor que ele era fresca como água na cabeça dela. Jason podia ter certeza que levaria tempo para ela deixar de comentar aquele assunto. Voltando a atenção ao garoto, pode ver quando o mesmo entrou em um beco e sumiu do olhar dela, mas ela não parou, continuou correndo mais rápido, até finalmente entrar no beco e vê-lo encurralado no beco sem saída.

–Você não entende, se eu falar, eles vão me matar.-os olhos azuis estavam arregalados pelo pânico.

–Ninguém vai te matar, a SHIELD não vai deixar.-falou na tentativa de acalmar o garoto que parecia que ia enlouquecer.

–Você não conhece eles.-ele gritou olhando para os lados, tentando de alguma forma encontrar uma saída, inexistente, daquele beco.-Você não tem ideia do que ela é capaz.

–Ela quem?-fez se uma pausa, Andressa observou a face amedrontada do garoto a sua frente sentiu pena.- A HIDRA?-quando viu os olhos azuis vidrados nela, ela deu um pequeno sorriso em mais uma tentativa de acalmar o garoto.-Nada vai te acontecer, a SHIELD não vai deixar.-falou, a voz era calma.

–A SHIELD não liga para mim, ela só quer saber o que eu sei.

–Pode até ser verdade, mas eu prometo que nada vai te acontecer.

–Como se você pudesse resolver isso, como se dependesse apenas de você.

–Não, não depende, mas pode ter certeza que vou fazer o que estiver ao meu alcance.-a voz dela soava baixa e tranquila, ela queria passar o máximo de confiança para ele, já que ela podia ver o medo, a impotência nos olhos dele.

–Não, não posso, eles vão me matar.

–Não vão, eu não vou deixar isso acontecer.

–Você não tem controle de nada agente, Andressa.- o homem falou rindo, observando o rosto da morena que não expressava nada.-Acha mesmo que a HIDRA não sabe de você, da sua vida, da infância sofrida que teve? Os estupros, quando seu irmãozinho a deixou sozinha, quando se envolveu com Tony, de seu acidente e da perda do bebê.

Andressa engoliu em seco, não porque não sabia do que a HIDRA era capaz, mas sim porque não tinha ideia de que a organização tinha informações sobre a vida dela.

–E acha mesmo que ela não sabe que você agora está com o deus nórdico? Ela te observa há tempos, bem mais perto do que pode imaginar.

–Thor.-ela sussurrou olhando para o garoto que apenas sorria.

–A HIDRA sabe de tudo. Ela está e sempre estará uma passo a frente de todos.

–Pode até ser verdade, mas, porque ela ainda não apareceu?-ela perguntou olhando para os lado e se aproximou rapidamente ao ver o garoto fazer o mesmo.-Talvez ela não esteja tão na frente.-disse num sussurro, quando o homem olhou para frente levou um pequeno susto ao vê-la tão próxima, quando ele tentou correr, já era tarde demais, tudo havia ficado negro.-Peguei ele. Primeiro beco depois da festa.-informou pelo ponto que usava enquanto via Jason entrar correndo no beco.

–Pode ter certeza que ele bate forte.-sorrindo, ela se retirou do beco e deixou Jason sozinho com o garoto magricelo, enquanto resmungava alguma coisa como que não estava preparado para o golpe que o homem havia lhe aplicado.

...

Base da SHIELD (05:30 da Manhã)

Caminhando sozinha pelos longos corredores da base, Andressa pensava na missão de algumas horas atrás, como sempre, Fury continuava a esconder coisas dela, mas dessa vez o que a incomodava era o fato de apenas Natasha saber, aparentemente.

Entretanto, o que mais a incomodava era o fato da HIDRA saber tudo sobre ela. Parando no meio do correndo ela começou a pensar no que o homem havia dito para ela.

"Ela te observa há tempos"

Por que a HIDRA estava a observando? O que a HIDRA queria com ela?

O som alto do telefone tocando a fez levar um susto nos corredores vazios da base, pegando rapidamente o aparelho dentro da bolsa, ela pode jurar que aquele toque estava mais alto e estridente do que o normal.

–Clint.-falou após ver que era o irmão que estava ligando.

–O que acha de irmos para o bar do Carlos hoje a noite?

–Comemorar o que exatamente?-perguntou sorrindo enquanto voltava a caminhar pelos corredores desertos enquanto deixava de lado os pensamentos.

–Desde de quando precisamos de um motivo para comemorar?-a voz do arqueiro era descontraída e animada.

–Deixe-me adivinhar...-ela parou mais uma vez enquanto pensava, abrindo um largo sorriso enquanto se dava conta do motivo para a animação do irmão.-Fez as pazes com a Mary?

–Sim.-o arqueiro respondeu sem graça.

–Tudo bem, que horas nos encontramos no bar do Carlos?-perguntou, mas não esperou pela resposta do irmão.-O que acha das nove, é um ótimo horário e vou ter tempo de ir para casa e tomar um banho relaxante, e com sorte quem sabe até dormir.

–Tudo bem, acho que nove da noite está ótimo.-falou animado.

A morena riu ao ouvir a voz de Mary do outro lado da linha gritando que o horário estava ótimo, em seguida se despediu do arqueiro e desligou o telefone e voltou a caminhar pelos corredores. Como já havia feito o relatório da missão, tudo o que precisava era ir para casa e descansar, pensou até mesmo em ir para o dormitório da base, mas acabou decidindo ir para o lar já que lá teria tudo que precisava.

No estacionamento, caminhava lentamente enquanto ouvia musica nos fones de ouvido, o rock melódico era como um calmante para ela no momento. Ao parar do lado do carro, viu a Ferrari vermelha escandalosa de Jason e notou que o mesmo estava dentro dela falando ao telefone. Sorrindo, ela fez um pequeno aceno com a cabeça para o mesmo e começou a procurar a chave do carro dentro da bolsa, mas parou ao ouvir o som abafado de porta de carro batendo, quando olhou para trás não conseguiu não rir ao ver Jason, e o hematoma que agora estava no rosto dele.

–O que você ia dizer para o garoto mesmo? Que ele não bate tão forte quanto você?-perguntou irônica, enquanto parava a música e retirava os fones de ouvido.

–Não vai esquecer isso, não é mesmo?-Jason perguntou parecendo cansado, mas também não deixando de rir assim como ela.-Pensei que ele não passava de um nerd que não sabe se defender.

–Percebi.-ela falou ainda sorrindo, mas logo voltou a procurar a chave do carro na bolsa.

–Aceita uma carona?-Jason perguntou.

–Não obrigada, eu...-parou de falar enquanto tentava encontrar a chave na bolsa, mas não encontrava.-Estou com... O... Mas que droga, aonde essa maldita chave se enfiou.-perguntou frustrada enquanto revirava mais uma vez a bolsa.

–Vamos lá, afinal, vamos para o mesmo lugar.-ele falou. Andressa observou o rosto do homem e o sorriso brincalhão que ele tinha nos lábios.

–É realmente sério? Tive que suporta-lo na missão e ainda terei que aguenta-lo na minha casa?

–Eu sei que você me adora, Andressa.-falou convencido e viu o olhar matador da morena para ele.

–Jason, eu já lhe disse que apenas suporto você por causa da Carolina, já que ela é minha amiga.-Andressa falou simples enquanto dava de ombros e fazia um biquinho.-Mas tudo bem, já que insistiu tanto, vou aceitar sua carona.-disse por fim enquanto entrava na Ferrari..

Jason apenas riu e voltou a entrar no veículo em seguida, após ligar o rádio ligou o carro e dirigiu em direção ao apartamento.

...

Havia se passado poucos minutos desde que ela e Jason haviam chegado no apartamento, ela havia ficado na cozinha, dizendo para Jason que iria pegar um copo com suco, mas acabou se distraindo com os pensamentos e permaneceu na cozinha olhando para a janela, aonde o céu estava azul sem nuvens, nem mesmo havia se dado conta de que girava o copo cheio do suco que nem mesmo havia bebido.

–O suco não está tão bom?-a voz grave de Jason a fez volta dos pensamentos, sorrindo um tanto sem graça, Andressa deixou o copo de lado e se arrumou na banqueta que estava sentada.-Não está estragado está?

–Não, vá em frente.-empurrando o copo na direção do homem, viu quando ele se aproximou e sentou ao lado dela.-Acabei... Você sabe.

–Se distraindo com seus pensamentos?-ele perguntou sorrindo enquanto pegava o copo que ela havia lhe empurrado, logo depois se calou ao tomar um longo gole do suco.-Olha, está refrescante, acho que você deveria tomar um pouco.

–Não, não estou com fome, Jason.-falou com a voz baixa e cansada enquanto via Jason encher mais um copo e entregar a ela.-É sério...

–Tem que tomar, não comeu nada o dia todo.-Jason falava insistente enquanto empurrava o copo novamente na direção da morena.

–Desde quando se importa comigo, Jason?

–Desde sempre, você é minha amiga, não é verdade? Sei que me adora, Andressa, mesmo dizendo que só me suporta por causa de Carolina.-ele falou se sentando novamente ao lado de Andressa ria pelo o que ele havia acabado de falar.

Concordava com o que ele havia dito, gostava dele, mas não falava porque sabia o quanto Jason era convencido.

–Tudo bem, talvez eu me importe um pouco com você, mas é algo com 0,00000000000001%. Poderia viver sem você.-os dois caíram no riso. Logo o silêncio tomou mais uma vez o ambiente, Andressa pegou o copo e bebeu o suco lentamente, logo depois se levantou e caminhou até a geladeira, aonde pegou pedras de gelo colocou em um pano e caminhou até Jason e permanecia calado, imerso nos próprios pensamentos.-Parece que não é apenas eu que estou pensativa hoje, não é mesmo?-sorrindo ela se sentou de frente para ele e lentamente colocou o pano com o gelo no olho inchado dele.

–Está doendo.-Jason reclamou enquanto tentava afastar o rosto.

–Jason.-falou repreendendo o mesmo que apenas riu como uma criança, mas que logo voltou a ficar quieto, calado, apenas observando ela.-Logo vai desinchar.-ela falou enquanto avaliava o olho roxo do amigo.-Mas o hematoma vai demorar algumas semanas para sumir.

–Carolina vai ter que se contentar apenas com meu charme.-falou convencido enquanto fazia um pequeno bico. Andressa apenas negou com a cabeça dando um pequeno sorriso, mas logo voltou a colocar o pano com gelo no olho dele.-Estava pensando nele, não é mesmo?-Perguntou olhando nos olhos dela, mas ela não olhou para nos olhos dele, continuou a prestar a atenção no que estava fazendo.-Em Rozz, estava pensando nele, não é mesmo?

–Sim.-respondeu desanimada.

–Foi a missão, não é mesmo? Te fez lembrar dele.

–Faz perguntas que já sabe a resposta?-perguntou irônica enquanto caminhava até a pia e despejava as pedras de gelo que usava para colocar no rosto de Jason, na mesma. Ela apenas ouviu o riso de Jason abafado soar atrás das costas dela.-Mas a resposta é sim. Tudo aquilo me fez lembrar dele.

–Ainda sente a falta dele, não é mesmo?-perguntou, mas Jason sabia que não precisava ouvir dela a resposta, já que era óbvio demais.

–Mais do que pode imaginar.-falou se virando finalmente para Jason e ele pode ver os olhos dela marejados.-Ele era um grande amigo, não merecia... Não deveria ter morrido daquela forma.-falou, mas o som da voz dela já não era quase ouvido por conta do choro que ela insistia em prender.-Não mesmo.-desabafou completamente destruída.

–Desculpe fazer você...

–Está tudo bem, Jason.-ela falou enquanto forçava um sorriso e secava as lágrimas, que haviam escorrido pelo rosto, com as costas das mãos.-Vou subir. Acho que... Quer dizer, necessito de um banho.-falou por fim e caminhou até o quarto, deixando Jason sozinho na cozinha.

Ela não demorou, tomou o banho rapidamente e se vestiu com um vestido simples branco com alças, calçou a bota, deixou o cabelo solto sombre os ombros, passou apenas batom nos lábios e delineou os olhos com um traço fino e simples, por ultimo voltou a pegar a bolsa e o óculos dentro da mesma. Quando desceu até a sala, viu Jason na sala, o homem estava largado no sofá enquanto assistia TV, esperando a chegada de Carolina.

–Você e Carolina vão para o bar?-ela perguntou enquanto procurava a chave do carro dentro da bolsa.

–Sim, Clint nos avisou.-Jason respondeu despreocupado, nem mesmo se movendo do sofá.

–Droga.-reclamou ao lembrar que havia deixado o carro na base.-Tudo bem, nos vemos a noite lá.-falou enquanto caminhava até a porta, teria de pegar um táxi para chegar ao lugar desejado, mais isso não seria nenhum problema.

–Não vai voltar para casa para irmos juntos?-dessa vez ele havia se movido, e agora observava a morena que parecia apressada.

–Não. Vou direto.-ela respondeu abrindo a porta, mas parou ao ouvir novamente Jason.

–Aonde vai?-ele perguntou curioso.

Andressa pode sentir a curiosidade na voz dele, mas apenas sorriu e respondeu por fim antes de sair do apartamento.

–Visitar um amigo.

Sorrindo ele voltou a assistir TV assim que o som oco da porta ecoou pela sala pois sabia quem era o amigo que Andressa ia visitar.

...

Empunhando uma única rosa vermelha na mão, ela caminhava com pesar pelo lugar mórbido e deserto. A longa grama verme se estendia pelo chão como um tapete quase sem fim, acabando apenas no horizonte. Ainda lembrava bem o número, a localização exata. Não estava longe. Sentia que cada passo que dava era como se lhe arrancassem um pedaço do coração. Os passos cansados cheios de pesar pararam até finalmente encontrar o lugar, aquele pedacinho que ela desejava não ter de voltar, aquele pedacinho que ela desejava que não existisse.

Com pesar, ela se sentou na grama verde, ao lado da placa de metal de cor dourada, aonde a foto de Rozz estava estampada. O largo sorriso, os olhos puxados, quase fechados, estampavam a alegria que ele sentia no momento.

Uma bela foto.

E ele não passava daquilo agora.

Meras lembranças, impressa em pedaços de papel e em pedaços de cada pessoa que um dia ele conheceu e conquistou.

Levando a mão lentamente até a lápide do amigo, Andressa passou a mesma sobre a foto e deixou uma lágrima escorrer pelo rosto.

–Parece que você tem recebido visitas frequentes.-falou sorrindo enquanto observava as flores que começavam a murchar sobre a lápide dele.-Sei que estou em falta com você, mas... Para falar a verdade você não merece a visita de ninguém, e sabe o porque? Por ser um idiota. Um grande idiota, metido a herói.-dessa vez ela estava séria, com os olhos fechados com força.

Completamente irritada.

Irritada por não ter mais o amigo ao lado dela.

–O que você queria?-perguntava, mesmo sabendo que não teria resposta.-Qual era a sua intenção agindo daquela forma? Eu realmente sabia que você era burro, mas não a esse ponto.-a voz dela estava alterada, era quase um grito no meio do lugar deserto.-Você ia ser pai! deixou Teresa sozinha para cuidar do bebê de vocês, Rozz.-esbravejou olhando com advertência para a foto feliz do amigo.-Por que você tinha que fazer aquilo?-dessa vez a voz não passava de um sussurro cansado, exausto.-Sinto sua falta, todos os dias e isso não é um privilégio apenas meu. Sim, um privilégio. Porque mesmo você sendo um idiota, um completo imbecil, ainda assim, foi um grande privilégio conhece-lo e fazer parte da sua vida. Obrigada por ter sido um grande amigo.

E mais uma vez se fez silêncio, não um silêncio que incomodava, mas aquele tipo de silêncio acolhedor. Andressa permaneceu durante horas no lugar, contando conversando com o tumulo do amigo, tudo o que havia acontecido desde o dia em que ele havia partido.

–Sinto sua falta, China.-ela falou sorrindo, olhando mais uma vez, antes de partir, a foto do amigo.-Muito obrigada por fazer parte da minha vida.-disse por fim colocando a única rosa vermelha sobre a lápide, sem dizer mais nada, ela se levantou da grama e caminhou com lágrimas escorrendo dos olhos para a saída do cemitério.