So Far Away
29 Desde quando eu me tornei tão previsível?
Ainda se lembrava da noite anterior, de Marie dizendo que a mãe e Bruce havia saído para uma festa e a deixou com ela e Clint. Ela gostava deles, e gostava de Bob, mas sentia falta de Andressa, queria ver a morena, queria sair com ela novamente, ela havia se divertido tanto no dia do aniversário dela. Ainda deitada na cama, deixou a mão pendurada para fora da cama até que sentiu a língua de Bob, lambendo a mão dela, dando uma gargalhada sapeca ficou com a metade do corpo para fora enquanto acariciava a cabeça do cachorro que abanava o rabo sem parar.
Forçou os braços na cama e se levantou, Bob foi junto pulando por mais carinho, ela correu pelo quarto animada com o cachorro atrás que latia animado parecendo dizer "Hey, vamos lá, me leve para passear."
–Bob, não fique latindo, irá acordar Clint e Marie.-parou olhando o cachorro que abaixou a cabeça.-Não estou brigando com você.-acariciando a cabeça dele sentiu mais uma vez a língua dele quente lambendo as pernas. Saiu do quarto saltitante com Bob ao lado. Sentou no sofá, não sabia se deveria ou não acordar Clint e Marie.
Deitou no sofá e logo viu Bob levantar e começar a latir para a portar.
–Bob, shii, irá acordar eles.-olhou para a porta no fim do corredor assustada.-Shiii, Bob.-mas o cachorro se recusou a parar, segundos depois Clint abria a porta coçando os olhos e xingando um palavrão, mas quando se deu conta que Annabely já estava acordada tentou concertar o erro.
–Bob, calado, eu já vou abrir a porta, já vou te levar para passear.-ouviu o cachorro se calar e riu para Annabely.-Eu disse porta, okay, Bely?-viu ela sorrir corada.
Minutos depois Marie levantava e caminhava ainda sonolenta para o banheiro, lavou o rosto e escovou os dentes, saiu do banheiro como rosto lavado e avistou Bely, sentada no chão com Bob.
–Acho que precisamos de café da manhã.-disse por fim enquanto se sentava no sofá e Clint ia para o banheiro.-O que acha Bely? Vamos sair e comer panquecas.
–Adoro panquecas.-falou animada se levantando e Bob junto.
–Bob adora você.-Marie disse olhando os dois.-Assim como adorava Andressa.-sussurrou para si mesma, era estranho ver Bob tão animado com outra pessoa a não ser com Andressa, ela só se lembrava de de ver o cachorro assim com a morena. Talvez fosse impressão, ou até mesmo fosse verdade, sabia que cachorros adoram crianças.
Se arrumaram rapidamente e saíram, Clint colocou Bob na guia e deixou que Annabely o levasse, mas se manteve atento caso o cachorro tentasse correr, tinha certeza de que a menina não conseguiria conte-lo nesses casos. Entraram na cafeteria e deixaram o cachorro preso no lado de fora comeram panquecas enquanto trocavam gargalhadas.
Clint ria observando a menina, como ela era parecida com a irmã, não apenas pela história triste, mas também com a parecia de Andressa quando pequena, os olhos verdes, o cabelo castanho escuro. Ele observava a pequena menina, como ela era tão parecida com a irmã, até no jeito de comer, quando as vezes ficava distante parecendo pensar nas coisas que jamais conseguiria esquecer. Acabou por perceber naquele momento que Andressa tinha novos traumas, como a traição de Tony, ele sabia o quanto aquilo havia magoada, despedaçado, a irmã; e pior, a perda do bebê, aquilo realmente havia sido a gota d'água.
Ainda lembrava o estado, quanto físico e emocional dela. Emagreceu muitos quilos, os olhos verdes haviam perdido o brilho e os longos cabelos já não eram os mesmos; ela não era a mesma. Lembrar disso tudo ainda doía, talvez nunca passaria. Entretanto, ele não queria que passasse, queria sentir aquela maldita dor para saber que tinha sido de verdade, que em momento algum todos aqueles acontecimentos foram apenas meros sonhos da cabeça dele. Ele ainda tinha medo de acordar e tudo isso, inclusive ela, ser um sonho.
Mesmo não sabendo o que de fato estava acontecendo entre a irmã e Thor, ele sabia que grande parte da alegria que ela demonstrava era por parte dele, que o Deus estava a deixando bem, e que em grande parte do tempo ele não havia feito nada para ajudá-la. Sabia que se culpar agora não iria trazer ela de volta, que nada iria mudar.
Respirou fundo partindo mas um pedaço das panquecas que tinha no prato e sorrindo assistindo a Marie e Annabely fazerem bicos para manter o bigode de massa de panquecas com mel. Eles se assustaram assim que ouviram Bob latir do lado de fora, olharam pela porta de vidro o viram sentado, parecendo dizer "Ei, me tragam panquecas, eu também mereço um docinho." Annabely guardou sem que Clint e Marie vissem alguns pedaços de panqueca num guardanapo dentro do casaco que usava, saiu quando viu que Clint pagava a conta no caixa e Marie o acompanhava, deu sem que eles vissem a panqueca para Bob que comeu como um louco.
Depois voltaram para o apartamento. Marie levando Bob na guia e Annabely nos ombros de Clint, como uma família feliz.
NY: Casa de Bruce e Catherine. (10:30 da manhã) (2 Dias Depois)
No quintal, Annabely brincava despreocupada com os brinquedos, era sábado e ela não tinha trabalho de casa para fazer. Catherine estava dentro da casa arrumando o escritório, já que dentro de alguns meses, ela começaria a atender os clientes em casa, seria por pouco tempo, pensou guardando mais um livro na estante, olhou pela janela do escritório e viu a filha, como seria que ela reagiria assim que soubesse da noticia?
Catherine se sentia preocupada, não queria que a menina de sentisse deixada de lado em momento algum. Olhou pelo quintal, a grama verde, o canteiro com flores vivas e coloridas, dando um pequeno sorriso, voltou a arrumar a prateleira colocando os últimos livros. Tudo ficaria bem, não tinha nada para se preocupar, tentava convencer a si mesma, mas algo dentro dela doía quando olhava Annabely, como se algo ruim acontecesse a pequena.
–Nada vai acontecer a ela, Catherine.-repreendeu a si mesma, respirou com força enquanto saia do escritório, apagou a luz e fechou a porta.
...
Do lado de fora, ninguém notou o carro estacionado do outro lado da rua, a pessoa dentro dele observava com um enorme sorriso doentio a menina brincando no gramado com as bonecas, como conversava com as mesmas pela falta dos amigos. Assim como Andressa um dia fizera.
–Annabely.-verificou como o nome soava na boca, soava deliciosamente como Andressa um dia tinha soado.-Minha pequena menina.- olhou a foto de Andressa e de Annabely sobre o banco do carro, ao lado havia doces. Sabia que a menina gostava de doces, assim como Andressa gostava.-Vou te dar tanto amor, Annabely. Você vai ser minha menina, minha doce menina.
Espanha (3 Semanas Depois.)
Abraçados na varanda do quarto, eles observavam a praia, a paisagem, um casal com um bebê brincando, o dia nublado.
Andressa respirou fundo segurando com as forças os braços de Thor que estavam em volta dela, os dois estavam em pé, já não sabiam a quanto tempo, mas não se importavam.
–Thor.-chamou o mesmo ainda com os pensamentos distantes, olhando o horizonte, a brisa fria os atingindo fazendo a blusa de Thor voar sobre o corpo dela assim como o cabelo de ambos.
–Sim.-respondeu beijando o topo da cabeça dela.
–Decidi que irei voltar, amanhã.-virou de frente a ele e o viu sorrir e logo a beijar.-Vou considerar isso como algo ótimo.-os dois riram se virando novamente e entrando para o quarto, a cama ainda estava bagunçada assim como algumas roupas estavam jogadas no chão.
–Como pretende voltar?-o deus perguntou se sentando na cama a observando dar passos perdidos pelo quarto.
–Vou agendar uma passagem.-disse distraída, agarrando o próprio corpo.-Me sinto nervosa sabe? Não como da primeira vez em que cheguei, nem depois que voltei por causa de Clint.-ainda andava de um lado para o outro quando sentiu as mãos de Thor a segurar pelos braços, encarou os olhos dele entendendo a mensagem.-Eu sei que tenho que me acalmar.-disse enquanto bufava.-Mas... Thor, sinto algo estranho sabe? Você não sente?
–Não.-disse simples e viu ela revirar os olhos, a abraçou mais uma vez afagando o cabelo dela, sentindo as mãos dela percorrer as costas dele.-É apenas nervosismo por voltar.
–Não, não é!
–Então o que é?
–Não sei, Thor.-se sentindo frustrada tentou se livrar do abraço, mas ele não a largou, respirando fundo afundou o rosto no peito dele, sentindo as mãos do mesmo lhe acariciando os braços.-Tudo bem, já me acalmei.-passou o braço sobre o pescoço dele sorrindo, sentiu a onda de calor se espalhar pelo corpo quando as mãos dele lhe seguraram a cintura.-Acho melhor ir tentar arrumar minha passagem, se não tenho certeza de que a poucos minutos estaremos naquela cama.-olhou para a cama e Thor riu.-E tenho certeza que esteremos suados e nus. Não queremos que isso aconteça não é mesmo?
–Não queremos?-franzindo a sobrancelha, ele apertou os lábios em um bico e a viu morder os lábios.-Mas, sabe que não precisamos está na cama, não sabe?
Fazendo negativo com a cabeça, ela riu e deu um pequeno beijo nele, logo resolveu descer para a sala, lá pegou o telefone e agendou a passagem com uma identidade falsa, a mesma que usara para encontrar com Clint a primeira vez. Permaneceu na sala pensando no que poderia ser aquilo que a afingia, que estava a deixando nervosa, levantou espantando os pensamentos, voltou para o quarto aonde encontrou Thor na cama.
–Pronto, passagem agendada, essa noite pego o voo e logo estarei de volta em NY.-andou até o lado da cama. Deu um pequeno grito quando o deus a puxou a fazendo cair na mesma.-Suados e nus?-sentiu a boca dele contra a dela e quando se deram conta já estava perdidos um no outro.
...
Arrumou na mala as poucas coisas, algumas peças de roupa apenas. Ainda faltava três horas para o voo, mas ela preferia ir cedo. Se arrumou com uma calça jeans os saltos pretos uma regata da mesma cor que os saltos e um blusão vermelho, se maquiou apenas com batom vermelho e delineou os olhos, os cabelos prendeu em um coque com o mesmo, se olhou uma ultima vez no espelho antes de descer, se sentia nervosa, mas feliz pois iria ver o irmão, Bob e os amigos. Pegou a mala em cima da cama a colocando no ombro e desceu enquanto mexia no IPod de Carolina, desenrolou os fones descendo a escada distraída, quando chegou ao ultimo degrau parou, colocando os fones no ouvido e ligando o aparelho, colocou a primeira música para tocar e deu um pequeno sorriso, era uma música que ela amava, balançando a cabeça no ritmo encontrou o olhar de Thor, ele estava em pé entre a cozinha e a sala. Rindo, caminhou até ele e o abraçou.
–Ainda se parece com a mesma de anos atrás.-beijou a testa dela que deu mais um sorriso.
–Ainda sou a mesma, com umas pequenas mudanças, mas a mesma não é verdade?-deu um pequeno beijo nele deixando a mala cair no chão, ele abaixou e segurou até os dois saírem da casa e pararem em frente a rua a espera de um táxi, quando viu que um se aproximava estendeu a mão para que ele parasse, enquanto o carro estacionava eles de despediam.-Sabe que eu posso está indo para outro lugar, não sabe?-dando um meio sorriso, caminhou abrindo a porta do carro.
–Sei que pode, mas não está.-com as mãos dentro do bolso, ele deu um pequeno sorriso.
–Desde quando eu me tornei tão previsível?-indignada, tacou a mala no banco de trás do carro e o encarou mais uma vez, mas foi pega de surpresa quando ele a agarrou a beijando.
–Não disse isso.-ainda ofegante manteve a testa dos dois grudadas.
–Tudo bem.-suspirou afastando o corpo do dele lentamente.-Nos vemos na base em poucas horas.-entrou o carro e olhou uma ultima vez para ele ainda na calçada, informou o destino ao motorista que logo acelerou em direção ao aeroporto.
O trajeto não demorou, Andressa entendeu o que Carolina havia feito. Sabia que a amiga tinha comprado a casa, mas em pontos estratégicos, perto do aeroporto, de portos e aonde havia muitos meios de transportes, não podia negar que era inteligente da parte dela, mas que ao mesmo tempo não era, pois já que ela tinha vários meios de fugir, quem estivesse atrás dela também teria muitos meios de chegar até ela, mas Andressa sabia que a amiga sabia dessas coisas, sabia que Carolina não era apenas uma amadora. Ainda lembrava de como a havia conhecido, as duas jovens, Carolina com apenas 19 e Andressa com 16, logo após o abuso final do pai, quando ela o havia matado. A ruiva trabalhava junto a Kevin e Rachel junto a outras pessoas, eram um grupo de espiões amadores. Depois de ser espancada e estrupada por Kevin, a morena sempre se escondia no quarto, durante dias, todos sabiam o que acontecia, mas ninguém comentava e nem tentavam parar o que acontecia, a não ser Carolina. Nesse mesmo dia depois dos abusos da parte de Kevin, a morena havia se mantido no quarto como sempre fazia, mas diferente dos outros dias, quem dessa vez havia ido levar comida para ela no quarto havia sido Carolina. A ruiva ficou horrorizada com a cena do rosto dela roxo, de como ela ela estava encolhida no chão, agarrada ao próprio corpo. Em pouco tempo se tornaram amigas, Kevin não gostava de carolina e não suportava a ideia delas serem amigas, um vez ele havia a espancado apenas por ter dado bom dia para a ruiva, ainda lembrava da dor, de como ele havia quebrado o braço dela, assim como o pai de Clint fizera, sorrindo como um doente. Depois de alguns meses Carolina arranjou uma passagem de avião para num lugar que ela sabia que Kevin não a procuraria, no Brasil. Ela partiu sem que ninguém soubesse a não ser Carolina, lá conheceu Marie e depois recomeçou mais uma vez, só voltou a ver Kevin novamente no dia em que o matara, que tinha deixado ele morto no galpão.
Não era hora de pensar em Kevin, ela tinha apenas que pegar o avião e voltar, assim como fizera da primeira vez, deu um sorriso triste olhando a janela a fora, a imagem da menina assustada ainda em sua mente. Ela, assim que havia chegado ao Brasil, tão assustada, perdida no lugar. Quando se deu conta, já estava em frente ao aeroporto, pagou o táxi e caminhou rapidamente até o balcão de embarque, lá pegou a passagem reservada e foi para a sala de espera, depois de alguns minutos enfim embarcou, sentou ao lado da janela e viu quando o avião decolou, o chão ficando cada vez mais pequeno, e as nuvens se aproximando, colocou os fones de ouvido, pôs os óculos e adormeceu.
...
NY (10:30 da manhã) Aeroporto.
Já havia desembarcado, dormiu grande parte da viajem, agora caminhava pelo aeroporto que ela tanto conhecia, saiu do mesmo e viu as ruas de NY mais uma vez, dando um pequeno sorriso fez sinal para mas um táxi que parou quase rapidamente, ela entro no mesmo e informou o destino, iria para o apartamento dela e de Marie, pelo o que Thor havia contado, Clint e a mulher estavam passando algum tempo lá.
....
NY- Cafeteria (11:00 da manhã)
Eles haviam saído para tomar café fora, já havia terminado e agora Clint deixava o dinheiro sobre a mesa. Saíram abraçados sorrindo com Bob ao lado, Clint naquele dia se sentia mais feliz do que o normal, ele sentia algo bom.
–Temos que passar no mercado, tenho que comprar algumas coisas, a dispensa está vazia e como vamos passar hoje o dia em casa temos que ter comida.-Marie falou andando junto dele que apenas assentiu sorrindo. Eles foram no pequeno mercado que havia a um quarteirão do apartamento dela e compraram o que ela lembrava de estar faltando caminharam até em casa conversando e pegou as bolsas de Marie assim quando ela parou para conversar com o porteiro, um senhor de meia idade que adorava a moça, Bob ficou para trás. No elevador ele sentia o coração aos saltos, mas ele resolveu ignorar, deixou uma das sacolas no chão enquanto pegava a chave no bolso das calças, abriu a mesma enquanto voltava a pegar a sacola de papel no chão. Fechando a porta com o pé, ele caminhou até a mesa ao lado do sofá deixando o chaveiro lá. Na cozinha deixou as compras sobre a banqueta e andou até a geladeira para pagar uma garrafa de água, abriu a mesma e deu uma volta pela sala, enquanto dava um longo gole na água, acabou por reparar nas cortinas pretas que estavam fechadas, mas lembrou que quando ele e Marie saíram, a mulher havia feito questão de deixa-las abertas. Olhou por toda a sala, sabia que alguém estivera ali, mas quem? E o que queria? Procurou pela arma mas esqueceu que havia deixado a mesma no quarto, ouviu um barulho vindo da sala de jantar, as portas estavam fechadas, mais uma coisa, ele pensou caminhando lentamente, quando saíram mais cedo com Marie a porta tinha ficado aberta, continuou a caminhar, olhou em volta mas não tinha nada que pudesse usar como arma, haveria de ser corpo a corpo, concluiu arrumando as mãos em frente ao corpo, em punhos.
Abriu uma das portas lentamente, tentando não fazer barulho, entrou na sala e viu que estava tudo escuro, tateou a parede em busca do interruptor, mas assim que ouviu a voz congelou durante segundos. Não, ele tinha certeza de que não era ela, ela havia morrido e ele havia visto, ele estava lá. Tinha visto o corpo dela sumir em meio as águas da cachoeira em Istambul. Talvez fosse coisa da cabeça dele, pensou passando a mão no rosto e ligando o interruptor, mas assim que viu a imagem paralisou arregalando os olhos.
–Não acredito.-desacreditado esfregou os olhos, não acreditava no que via, quem via.
–Sabe que essa foi a mesma coisa que disse quando me viu na Shield?-dando um pequeno sorriso ela se levantou a mesa que estava sentada.
–Andressa?-perguntou incrédulo, a observando, a olhando de cima a baixo.
–Eu mesma irmãozinho. Qual é, não vai vim me dar um abraço?-ainda paralisado ele a observava, ela ria como da primeira vez, os lábios vermelhos, os cabelos soltos caídos pelo ombro e aquele mesmo ar. Sem dizer mais nada ele caminhou em direção a ela a abraçando com forço, sentiu os braços dela em volta dele o apertar também.
–Como... Como?-gaguejou completamente confuso ainda agarrado a ela.
–Longa história mano.-sentindo as lágrimas nos olhos, o abraçou com mais força. Os dois permaneceram assim por longos minutos, chorando silenciosamente e matando a saudade.
–Eu pensei que você estivesse morta, Andressa, pensei que havia te perdido mais uma vez, sem ao menos tentar impedir.-dando um sorriso triste a soltou para olha-la.-Eu ainda me lembro perfeitamente a cena, quando o tiro te acertou e você...-sentiu o nó na garganta, deu meia volta olhando o teto, ainda tinha a mente confusa.-Por que não voltou? Por que deixou a gente acreditar nisso.
–Não podia voltar, Clint.-disse secando o rosto molhado pelas lágrimas.
–Aonde estava e, porquê não podia voltar?-a voz estava grave e alta.
–Espanha, estava lá. Não podia voltar por que estava ferida, fiquei em coma durante três semanas.-explicou prendendo o cabelo em um coque com o mesmo.-E também para te proteger.
–Me proteger?-gritou com ela.-De que?
–Rachel. Você sabe...
–Que ela queria você, sim é claro que sei, mas... Não podia ter feito isso, decidido as coisas dessa forma, só pensou em você.
–Me desculpa.-disse simples, em grande parte do que Clint havia falado ele não estava errado, ela sabia.
–Sabe o quanto eu me culpei por ter deixado aquilo acontecer?-ele andava de um lado para o outro, inquieto, passando as mãos sobre os cabelos.
–Eu não pensei apenas em mim, eu pensei em você e todos os outros.-dessa vez quem gritou foi ela.
–Então por que voltou? Por que voltou se apenas queria nos proteger.-ficando de frente com ela a encarou com frieza.
–Por que eu já fui embora uma vez, e me dei conta de que não posso deixa-los mais uma vez para trás, não fugir quando as coisas ficam feias, eu nunca fui assim e não vai ser agora que vou mudar.-caminhou até ele segurando o rosto do mesmo o olhando nos olhos.-Não posso... Deixar você, você é minha família.- viu quando as lágrimas rolaram dos olhos dele e sentiu as dela sobre a face, se abraçaram mais uma vez.
–Senti sua falta.-dando um beijo na testa a viu sorrir.
–Também senti sua falta. Me desculpa, mas eu não podia voltar.
–Quero que me explique essa história, como se salvou... Como que tudo aconteceu.-desfez o abraço e a viu assentir. Ouviram o barulho de passos se aproximando, logo o som da porta se abrindo e o latido de Bob.
...
Marie ainda sorria da piada que o porteiro havia contado, ela adorava conversar com ele, era um senhor tão simpático. Ainda no elevador, tinha algumas cartas na mão, contas de luz, água entre outras, saindo do elevador viu Bob correr até a porta.
–O que foi? Está com pressa para entrar sendo que fica latindo durante o dia para sair.-caminhou olhando o cachorro que continuou com o olhar fixo na porta.-Tudo bem, calma.-abrindo a porta, o observou entrar um pouco e latir, segundos depois o viu correr até a porta para a sala de jantar, ouviu latindo mais ainda e caminhou até lá viu Clint parado de costas para a porta, ele sorria com as mãos dentro do bolso da calça, andou mais até que viu finalmente Bob deitado no chão com as patas para cima, mas assim que viu que acariciava a barriga do cachorro perdeu o folego.
–Andressa?-chamou a amiga que levantou os olhos de Bob olhando para ela.-Não. Clint...-confusa olhou para o arqueiro que assentiu com a cabeça, Marie correu em direção a morena a abraçando com força.-Você, é você mesmo?-tocou os rosto de Andressa que riu assentindo.-Como... Eu vi, Clint viu... Todos viram você... O tiro... Seu corpo não foi encontrado.-confusa abraçou a morena novamente.
...
Marie estava sentada com um copo com água na mão, enquanto Clint falava ao telefone convocando uma reunião com os outros na base. Andressa havia subido e tomava banho rapidamente, era bom voltar, concluiu dando um pequeno sorriso enquanto se olhava no espelho depois do banho, mesmo esse pouco tempo. Saiu do quarto ainda enrolada da toalha e lá encontrou Bob que caminhou até ela abanado o rabo.
–Senti tanta falta de você, amigão.-abaixou até ele o abraçando e beijando a cabeça do cachorro que não parava de abanar o rabo.-Agora, amigão, tenho que me arrumar e ir na base, tenho que provar que estou viva.-levantou e correu até o Closet. se vestiu rapidamente, com um jeans preto e uma blusa da mesma cor. Prendendo o cabelo em um rabo de cavalo, sentou na cama pondo novamente os saltos pretos, pegou os óculos e voltou a descer com Bob atrás.-Podemos ir?-perguntou a Clint que agora estava sentado ao lado de Marie.
–Podemos.-levantou junto de Marie, que ainda se mantinha calada.-Tem certeza que quer ir?-perguntou a mulher que assentiu olhando para Andressa.
–Tenho.-disse por fim e os três saíram levando Bob.
...
Eles ainda não haviam entendido o porque de Clint pedir uma reunião de ultima hora, até mesmo Fury estava impaciente, já que o mesmo andava de um lado para o outro segurando as mãos atrás das costas. Os deuses estavam lá, mas já sabiam do que se tratava tudo aquilo, Loki ria olhando todos, as caras apreensivas, a cada minuti que passava as coisas ficavam mais interessantes, e ele estava simplesmente adorando tudo aquilo, mas uma pessoa no canto da sala tirava a atenção dele. Hill. A mulher estava no cato oposto da sala sozinha, com os braços cruzados olhando o nada, dando um sorriso divertido ele enfiou as mãos na calça que usava, observou por minutos até o olhar deles cruzarem e ela desviar os olhos no mesmo instante, dando mais um sorriso olhou mais uma vez pela sala. Thor aguardava ansioso, queria ver a morena, tinha sentido ela distante no dia anterior, sabia que era por conta de voltar.
Bruce estava sentado numa das cadeiras da mesa que havia na sala avaliando mais um projeto, Tony estava do lado do mesmo se perguntando o que diabos levava Barton a fazer uma reunião em cima da hora com eles. Natasha estava de um lado da sala conversando com Roz, e Steve, Jason e Carolina também estavam sentados na mesa, calados apenas observando a movimentação.
A sala ficou em silêncio total assim que viram Clint, logo atrás dele Marie e por ultimo Andressa. Tony se levantou no mesmo instante logo em seguida Bruce e Steve, Carolina e Jason permaneceram sentados rindo cúmplices um para o outro, Natasha e Roz deram um passo a frente, Hill estava de boca aberta com os olhos arregalados, Fury também estava paralisado, os deuses sorriam presenciando a toda cena. Clint e Marie entraram na sala e Bob estava atrás, por ultimo ela entrou sorrindo, o som dos saltos contra o piso, os lábios pintados de vermelho.
–Espero que tenham sentido a minha falta.-ninguém disse nada. Do outro lado da sala Roz olhava a morena, se perguntando como aquilo era possível, caminhou sem pensar na direção dela a abraçando sem dizer nada.
A sala permaneceu em silêncio.
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