So Close That I Cant Breath

6 Things start to get worse


Notas iniciais
- Primeiramente, queria agradecer DEMAIS a MelKeigo, porque essa menina é um anjo ♥ Muito obrigada mesmo, Mel! Você merece um beijão enorme e bem estalado na bochecha *^* Ficar até 02h30 da manhã né brincadeira não USHDUSAHDUAS
- Segundo... Queria mandar um agradecimento especial a Bloody Tsuki, a Theury e a PCSPUzumaki por tão carinhosamente terem deixado, cada uma, uma LINDA recomendação nessa fanfic ♥ Obrigada mesmo, meninas! Vocês não sabem o quão honrada eu fico por isso, de coração!
- Ah, não menos importante... Eu tive de adicionar alguns outros avisos à fanfic. Se vocês acharem importante, por favor, deem uma olhada :)

– Tem algo que sempre me intrigou... – Comecei, fazendo com o que o albino voltasse seus olhos para a minha pessoa, o cesto de roupas nas mãos. – Isso. – Apontei para a sua cicatriz, vendo-o levar os dedos levemente até ela.

Ele virou o rosto para frente, deixando os dedos deslizarem suavemente sobre todo o entorno da marca, perdido em pensamentos, esquecendo-se da minha presença ali. Pigarreei para chamar sua atenção.

– Desculpe. – Disse surpreso, seus olhos retornando para a minha figura. – O que tem ela?

– Eu quem lhe pergunto. Como você a conseguiu? – Indaguei, vendo seus olhos se arregalarem levemente, voltando logo ao tamanho normal. Ele se virou, continuando seu caminho até a lavanderia. – Walker!

– Eu acho que hoje vai chover... Você não acha, Kanda? – Desviou o assunto, apoiando o cesto sobre a máquina para abrir a tampa, começando a colocar as roupas lá dentro. – Tem muitas nuvens escuras no céu. É, com certeza irá chover.

– Eu não quero saber se vai ou não chover. – Esbravejei, levantando-me da cadeira e indo até ele. – Eu te fiz uma pergunta, caso não tenha reparado... E quero uma resposta.

– Hã? O quê? – Ele olhou para mim novamente. Estreitei a vista, bufando, odiando a forma como ele estava se fazendo de desentendido. – Ah, desculpe... – Voltou novamente para a máquina, parecendo demorar a colocar as roupas de propósito.

Respirei bem fundo, esperando pela resposta que não veio. Senti aquela veia saltar na minha testa, os dedos fincando fundo nas palmas das mãos.

– Walker! – Esbravejei de novo, ele dando um pequeno espasmo devido ao susto, mas não olhou para mim. – A pergunta! Responda a pergunta!

– Que pergunta era mesmo? – Outra vez se fazendo de desentendido. Ah...

Eu gostava muito dele. Muito mesmo. Mas todos tinham um limite.

E o meu era bem curto, por sinal.

Walker. – Falei enfático, pegando-o pelo braço e forçando-o a se virar para mim. – Responda de uma vez onde conseguiu essa merda de cicatri– – Parei a fala na metade quando seus olhos cruzaram os meus.

O quê... Era aquilo?

Era... Vazio?

Os olhos de Walker estavam mesmo vazios?

Soltei seu braço, observando o resto de sua expressão. E, pela forma que seu semblante assumiu, eu só conseguia ver uma coisa: tristeza.

Uma tristeza tão funda que eu não saberia descrever.

Será que... Eu toquei em um ponto delicado demais?

– Desculpe. – O britânico disse, olhando para mim, um sorriso sem ânimo desenhando seus lábios, seus olhos ainda vazios. Pegou minha mão com delicadeza, acariciando sua palma. – Eu... Vou contar para você... Só que... Não agora, tá? – Baixou o rosto para logo desviá-lo, soltando minha mão e voltando ao que estava fazendo.

Mordi o lábio inferior, afastando-me dele devagar, indo para o sofá sentar-me. Atirei-me contra o móvel quando cheguei lá, encarando o teto branco, os braços cruzados atrás da cabeça.

Pensava que, nesses três meses e meio juntos, eu já havia visto todas as expressões de Walker.

Enganei-me terrivelmente.

Afinal... O quanto você conhece de uma pessoa em tão pouco tempo?

Praticamente nada, eu diria.

– Mas eu... Moro com ele há três anos. – Murmurei, fechando os olhos.

Não podia contar com aquele tempo. Porque, nesses três primeiros anos, o albino não passava de um mero colega aos meus olhos. Tudo começou a mudar três meses e meio atrás.

Eu... Realmente não conhecia nada sobre ele. Afora alguns hábitos cotidianos, não sabia de mais nada.

Quem era, quem eram seus pais, como agia antes, o que fez antes...

Sequer sabia sua data de aniversário, pelo amor de Deus!

– Tsc. – Virei-me para o lado, mais irritado ainda.

Sinceramente, minha vontade era de bombardeá-lo com todas essas perguntas e sanar todos os meus interesses, mas...

– No fim, tudo continua difícil como antes. – Murmurei novamente, chateado.

Senti dedos frios encostarem-se a meu rosto, fazendo-me virar para poder encarar o britânico. Assim que meu rosto ficou na direção do seu, ele se abaixou, tomando meus lábios em um beijo terno, chupando-os com carinho.

– Não... Temos tempo pra nenhuma rodada antes da faculdade, hein. – Brinquei, sentindo seus lábios se curvarem em um sorriso, diferente do anterior.

– Mas como é besta. Como se eu vivesse só de sexo. – Walker revirou os olhos, debochado. Endireitou o corpo, indo até o quarto para pegar suas coisas.

– Devo te lembrar de quantas vezes nós já transamos nesse tempo que estamos juntos? – Falei um pouco mais alto para que ele pudesse ouvir de lá de dentro, no mesmo tom de deboche que ele usara anteriormente.

– Aproximadamente umas 75 vezes. – Passei a mão pelo rosto, apertando meus lábios. Minhas contas não haviam dado um número tão alto.

– Tem certeza de que foi tudo isso mesmo? – Indaguei, desconfiado. Ouvi-o gargalhar no quarto.

– Acha muito? Poderíamos ter feito mais. – Voltou com o riso ainda estampado na face. – Pena que na semana de provas você estava só o bagaço da laranja, senão teríamos aproveitado melhor.

– Melhor? – Arqueei as sobrancelhas, vendo-o erguer minha pasta para que eu a pegasse. – Walker, eu ainda não vou para a faculdade.

– Ah, o senhor vai sim. – Olhou-me torto, fazendo com que eu arregalasse os olhos.

– Era... Sério aquilo que você me disse?

Uma semana atrás, Walker teve a brilhante ideia de querer me acompanhar para a faculdade. E vise-versa. No começo, pensei que fosse só uma brincadeira dele, pois ele costumava fazer muitas delas.

Mas pelo visto era sério mesmo.

– Você só pode estar de zoeira comigo. – Enterrei a face nas mãos, descrente.

– Não estou. Agora vamos, porque eu vou me atrasar. – Reclamou, puxando um de meus braços.

– O que diabos eu vou fazer lá uma hora antes de eu entrar?! – Pestanejei, sendo levantado por ele do sofá.

– Que tal estudar na biblioteca? Assim o senhor não precisa ter overdose em cima dos livros antes das provas. – Revirei os olhos, desgostoso com o comentário.

Só que até que não era má ideia. Eu já estava mesmo atrasado com a matéria.

– Não vá se acostumando com isso, cabeça de chantilly. – Zombei e quase tomei um tapa dele, desviando por pouco. – Walker... – Rosnei, vendo-o devolver o meu olhar irritado à altura.

Rapidamente nos entendemos depois daquilo. Mesmo porque, nem eu, muito menos ele, estávamos a fim de pegar um ao outro pelo colarinho logo de manhã. Isso poderia ficar para mais tarde.

Foi somente o tempo de fecharmos tudo e deixarmos a máquina de lavar roupas trabalhar para sairmos, trancando o apartamento.

xxx

– Olha só quem eu encontrei! – A morena cantarolou, abraçando nós dois pelo pescoço. – Bom dia!

– Bom dia, Lena! – Walker cumprimentou-a reluzente.

– Tsc. – Foi tudo o que eu consegui dizer, virando o rosto para o lado. Tomei um beliscão do britânico, devolvendo o ato com um cutucão.

E, por pouco, nós não nos pegamos de novo, em pleno corredor da faculdade. Só não fizemos isso porque a chinesa começou a rir de nós e eu fui obrigado a parar, antes que ficasse ainda mais irritado.

– Brigando desse jeito, nem parecem namorados. – Ela cochichou. – Brigam assim na cama também? – Manteve o mesmo tom, fazendo meus cabelos saírem do lugar pela pergunta.

– Na cama a gente briga de outro jeito. – Walker piscou e eu senti mais fios do meu cabelo se arrepiarem, a sensação de me enfiar num buraco e nunca mais sair de lá.

– Deveria costurar a boca de vocês, para nunca mais falarem isso. – Murmurei, fazendo os dois começarem a gargalhar alucinadamente. – Ah, calem a boca!

– Que fofoooo! Kanda tem vergonha de falar essas coisas!

– Quem vê nem pensa que ele é quase um animal embaixo das cobertas. – Atirei minha pasta contra o albino pelo comentário desnecessário, mas ele só começou a rir mais. – Calma Kanda, é só brincadeira. E a Lena é praticamente da família.

– Que família, seu animal? – Ele me sorriu malignamente. Desviei o rosto para o lado, cansado de encará-lo.

Estava a um passo de sumir da frente daqueles dois.

– Né, Allen, você vai ter aulas de laboratório a semana toda? – A chinesa mudou drasticamente de assunto, para meu alívio.

– Sim. Não sei se digo “feliz” ou “infelizmente”. – Walker suspirou, enquanto eu só ouvia a conversa.

– Ué, por quê? Aulas de laboratório sempre são legais!

– Não quando você vai ter de cortar animais... – Ele murmurou e eu me retorci, sentindo o café pular no meu estômago.

Realmente, não era uma boa ideia quando você tinha que cortar algo.

– Ah, vamos até a biblioteca, porque eu preciso pegar uns livros antes da minha aula! – Lenalee disse, praticamente nos puxando pelos braços.

– Eu só acompanho vocês até lá, depois sigo para o meu curso.

– Tsc. – O britânico me olhou feio e a chinesa só riu, sabendo que eu não era lá muito adepto a esse tipo de socialização.

Logo, a morena largou nossos braços, simplesmente andando entre nós, acompanhando o ritmo dos passos. Eu já estava começando a ficar mais tranquilo, porque o silêncio se instalou entre nós.

E, por mais que eu quisesse mudar, existiam coisas que simplesmente estavam encravadas na minha personalidade.

Falar pouco era uma delas.

Tudo estava indo bem até que uma dupla de idiotas resolveu trombar comigo, fazendo minha pasta voar longe.

Se fosse só isso, não teria problema algum. O problema foi o que veio logo em seguida...

– Qual o seu problema? Não vê por onde anda não, retardado? – O que trombou comigo disse, como se estivesse na razão.

– Como... É? – Perguntei, sentindo aquela veiazinha maldita saltar na minha testa, meus dedos já começando a estalar em antecedência.

– É isso aí! Japonês maldito, não sabe nem por onde anda. Vai fazer uma cirurgia pra abrir esses olhos, seu viado! – Ele continuou e eu senti uma segunda veia saltar.

Minha vontade foi de partir para cima dele e encher sua cara de porrada, mas senti uma mão segurar meu braço firmemente. Virei-me e pude perceber Walker olhando fixa e intensamente para mim.

– Deixa eles, Kanda. – Disse, categórico. Iria retrucar, mas algo dentro daquelas pratas não me permitiu.

– O que é?! Não vai vir pra cima não, seu bunda mole? – O rapaz continuou provocando, o que obrigou Walker a afundar mais os dedos na pele do meu braço.

Endireitei minha postura, andando somente para pegar a minha pasta e voltando para perto do britânico e da chinesa. Sem trocarmos uma única palavra, continuamos o caminho até a biblioteca. O maldito ainda soltou uma última provocação:

– Mas é um covarde mesmo.

Mordi o lábio, realmente com vontade de voltar lá e esmagar a sua cara contra a parede. Mas essa sensação desapareceu quando a mão de Walker voltou ao meu braço, pressionando de leve.

Respirei fundo e me acalmei. Ainda olhei de relance para a face do albino, encontrando-a não muito boa. Com certeza ele também não havia gostado de nada do que o outro rapaz dissera, mas achou melhor não retrucar.

E, por instinto, eu resolvi acatar a sua ideia. Talvez brigar ali não fosse realmente resolver nada.

Provavelmente, só iria terminar de estragar o meu dia.

– Aqui eu me separo de vocês! – O britânico anunciou, parando à frente da biblioteca conosco. – Bom proveito para os dois. E, Kanda... Não arranje brigas, ok? – Pediu, pegando discretamente na minha mão.

Não respondi. Eu não pretendia fazer isso, mas também não poderia garantir absolutamente nada.

Aos poucos Walker foi se afastando de nós. Ainda o esperei sair da minha vista para entrar na biblioteca acompanhado da chinesa.

xxx

Eram quase 10h20 da manhã. Eu estava no meu intervalo de aulas e aproveitei para ir até a lanchonete comprar alguma coisa para comer.

O albino disse qualquer coisa de chegar mais tarde hoje, por isso eu teria de fazer o almoço ou pedir algo.

Como não estava a fim de nenhum, nem outro, resolvi mordiscar algo já, para não precisar fazer nada extraordinário no almoço.

Havia acabado de comprar um x-burger, quando outro rapaz esbarrou em mim, fazendo-me derrubá-lo no chão.

– Você de novo, seu japonês viado? – Ah, aquela veiazinha tão conhecida na minha testa. – Você é muito lesado mesmo, pra nunca olhar por onde anda. Tá querendo brigar, é?

– Oh... Já que você insiste... – Murmurei, estalando os dedos, sentindo minhas pupilas dilatarem em ansiedade.

O pior que era o mesmo infeliz de hoje cedo. Ele estava realmente pedindo para apanhar de mim.

Estava a um passo de avançar para cima dele, quando um braço passou ao redor do meu pescoço, puxando-me para trás.

– Kanda! – Assustei-me ao reconhecer a voz de Walker. – Que sorte achar você por aqui! Precisava mesmo te contar uma coisa.

– Hey, Walker, seu intervalo não era daqui a 20 minutos? – Indaguei, surpreso. Ele estava praticamente me dando uma chave de braço. Virou meu corpo, abaixando minha coluna, fazendo minha cabeça quase se encostar a seu peito.

– Eu dei uma escapada entre uma aula e outra para comer algo. – Disse, zombeteiro. – Ele sente muito por ter esbarrado em você, viu? – Disse ao rapaz, em um tom que para qualquer um ao redor soaria sincero.

Mas, aos meus ouvidos, ele foi bem falso.

– Tch. – Debochou o moleque, caminhando para fora dali. Nesse mesmo instante, Walker soltou-me da chave de braço, e eu endireitei minhas costas com um pouco de dificuldade.

– Que merda deu em você? De onde você saiu? – Cochichei para ele.

– Em mim deu sanidade. E eu saí da barriga da minha mãe, assim como você. – Disse, sarcástico como só ele sabia ser. Bufei, irritado. – Eu te compro outro. – Puxou-me pela blusa, seu semblante não muito satisfeito.

Ele parecia... Desconfiado.

– Walker... Você não está escondendo nada de mim? – Perguntei, estranhando.

– Não estou. Pode ter certeza disso. – Foi me puxando, passando da lanchonete, eu estranhando sua ação.

– Oe, onde você pensa que... – Virou em um canto qualquer, sem movimento algum, roubando um beijo de meus lábios. Arregalei os olhos, indo para trás. – Walker! Estamos num lugar público, pelo amor de Deus! – Exclamei, indignado.

– Desculpe. – Ele disse, seus olhos novamente tomando aquele tom... Vazio. – Mas me prometa que não vai arranjar brigas, está bem? – Agarrou-se contra mim, meus músculos tencionando-se.

E se alguém aparecesse?

Seus braços apertaram ainda mais a minha blusa e eu não tive como não corresponder ao abraço. Era algo terno, quase fraternal.

– Eu... Vou tentar me controlar. – Anunciei, beijando o topo de sua cabeça. Ele se desencostou de mim, sorrindo que nem um bobo.

Mais do que já era.

– Obrigado. – Puxou-me pelo braço para fora dali, largando-o assim que voltamos ao corredor principal. – Agora deixa que eu compre outro lanche para nós.

– Se você vai fazer essa gentileza...

– Com certeza! Aproveito e compro uns três pra mim e... – Larguei de ouvir a lista enorme de coisas que ele pretendia comer.

– E sua aula, feijão branco? – Indaguei, vendo-o me olhar indignado.

– Você está me dando apelidos demais para um dia só! – Reclamou e eu tive de segurar para não rir. – E eu posso matar a próxima aula. Meu estômago é mais importante. Não posso absorver matéria alguma se estiver morrendo desnutrido, não é?

– Falta muito pra você morrer desnutrido, sua onça. – Ele fez um gesto de deboche com a mão, e eu revirei os olhos para a sua infantilidade.

Apesar de tudo, ele só teve tempo de comprar um sanduíche para cada um de nós e logo saiu correndo para a próxima aula. Suspirei, balançando a cabeça negativamente. Ele era CDF demais para matar aulas assim.

Durante todo o intervalo, que não durou muita coisa mesmo, eu me senti observado por alguém. Olhei discretamente ao redor, mas não consegui identificar quem era o abusado que estava me secando.

E não era aquele secar de uma garota interessada. Nada disso. Era algo diferente, quase desafiador. Alguém querendo brigar.

Mas eu havia prometido que não faria nada, então simplesmente ignorei, seguindo para a minha próxima aula assim que o sinal tocou.

Passei o resto da manhã com aquela sensação de ser observado. Apesar da vontade enorme, decidi que, por enquanto, não faria absolutamente nada.

Esperaria, como um bom caçador, até que minha presa se apresentasse de boa vontade para as minhas garras.

xxx

Bocejei demoradamente, colocando a mão sobre os lábios. Em seguida, espreguicei-me, relaxando os músculos.

Por que o caminho da faculdade até o apartamento parecia ser tão longo antes do almoço? Seria culpa da fome?

Mas eu nem estava com tanta fome assim. Estava com muito mais sono. Isso porque eu estava desgastado espiritualmente.

Não é tão simples aguentar alguém lhe observando o tempo todo. Eu só queria descobrir quem era o maldito que estava torrando o resquício de paciência que eu tinha.

Mal esse pensamento me passou pela cabeça, pude sentir braços fortes passarem por meu pescoço, fazendo-me quase desequilibrar para trás.

– Sentiu saudades? – O sonso disse, aquele sorriso retardado transpassando sua face, a cabeleira branca toda esvoaçada, o suor escorrendo levemente por sua testa.

– Nem um pouco. – Respondi, honesto, desvencilhando-me de seus braços. Ele deu um tapa de leve no meu ombro, apoiando-se nos próprios joelhos em seguida, tomando fôlego. – Você não iria ter mais uma ou duas aulas ainda hoje?

– Conjugou certo: iria. Não terei mais. – Endireitou-se, passando o braço pela testa, limpando o suor. – Corri que nem um condenado pra ver se te alcançava. Você anda rápido demais.

– Você que é muito lento. Não é à toa que é um feijão mesmo. – Tentou me dar um murro, mas estava tão desprovido de forças que só me fizera cócegas. – Anda, já, já nós estamos no mercado e eu te compro uma água. – Puxei-o pelo braço, fazendo-o voltar a caminhar.

Comecei a andar um pouco mais devagar, para não forçar muito para ele. Não demoramos a chegar ao mercado. Sem perder tempo, fui direto até uma das geladeiras, pegando uma garrafa de água e logo a passei pelo caixa, atirando na direção do albino.

Walker a pegou com uma habilidade invejável, abrindo e tomando longas goladas. Quando chegou à metade, tampou-a e a atirou para mim. Segurei sem qualquer dificuldade.

– Está começando a ficar muito quente. Não gosto disso. – Comentou, entrando também no estabelecimento.

– Estamos perto do verão. É natural que esteja quente. – Observei-o adentrar mais, parecendo sentir-se melhor com o ar condicionado de lá. – O que pretende fazer? – Perguntei, estranhando.

– Comprar nosso almoço? – Disse, sarcástico. Fiz uma expressão de deboche, bufando. – Pode ficar aí, se quiser. Não vou demorar muito. – Comentou e logo desapareceu pelos corredores.

Encostei-me contra a entrada da loja, esperando-o. E, tal como havia dito, o britânico não demorou quase nada. Foi somente o tempo de eu dar uma “pescada” e ele já estava no caixa pagando o que havia comprado. Levei a mão até os olhos, esfregando-os e bocejando mais uma vez.

– Eita, mas que sono, hein? – Brincou, bagunçando meus cabelos. Empurrei sua mão para longe, irritado. – Você fica mais insuportável quando está assim, sabia?

– Não enche. – Retruquei, mas ele só sorriu em retorno.

Voltamos à nossa caminhada, mais calmamente. Apesar do meu cansaço, o caminho do mercado até o apartamento pareceu-me bem mais curto, provavelmente pela presença do albino junto a mim.

Já havia reparado nisso há algum tempo: a sua presença às vezes me tranquilizava.

Às vezes.

Quando chegamos, eu quem destranquei a porta, uma vez que o britânico estava com as mãos ocupadas pelas sacolas do mercado. Dei passagem e ele foi direto para a cozinha, deixando as coisas sobre a mesa, já desempacotando algumas.

– O que você vai fazer para o almoço? – Perguntei após trancar a porta, arqueando uma sobrancelha quando vi o pacote de feijão que ele tirara da sacola.

– Ontem eu comprei bacon e fiquei pensando em como poderia usá-lo... Então, resolvi fazer com feijão. Aproveitei e comprei arroz vermelho também. E, ah, vou fazer salada! Não posso me esquecer dela! – Exclamou, passando a língua sobre os lábios, parecendo realmente empolgado em fazer aquilo.

– Quantos... Milênios isso vai demorar? – Encolhi os ombros, descrente.

– Besta. Vou fazer o feijão na panela de pressão. O arroz eu faço naquela panela elétrica que você tem. O bacon já está temperado, é só fritar e depois colocar quando o feijão estiver quase pronto... Vou aproveitar e deixar as cenouras e as beterrabas cozinhando junto do feijão. Aí eu lavo as alfaces e... – Revirei os olhos, já entendendo que ele tinha tudo organizado.

– Vou guardar suas coisas enquanto isso, ok? – Disse, pegando a sua pasta da mesa e indo para o quarto. Walker só concordou com a cabeça, indo preparar as panelas pra sua “maratona” na cozinha.

De lá de dentro eu conseguia ouvir o barulho desnecessário que ele sempre fazia nessas ocasiões. Enterrei a face na mão, suspirando. Eu realmente só não reclamava disso, porque o albino cozinhava maravilhosamente bem.

E se essa barulheira toda era parte do ritual dele, eu poderia conviver com isso.

Terminei de colocar as coisas em nossos quartos, seguindo novamente até a cozinha, passando pelo albino para ir direto até a lavanderia. Baixei o varal e abri a tampa da máquina, começando a pendurar as roupas lavadas ali.

– Era sua vez de fazer isso? – Ele perguntou, esticando o pescoço.

– Não, mas você vai fazer o almoço, então pode deixar que eu faço isso daqui. – Ele fez um sinal de “ok” com os dedos, voltando a se concentrar na cozinha.

Minhas mãos não iriam cair de pegar nas cuecas dele. Eu já pegava em outra coisa, mesmo.

Acabei mais rápido do que imaginei apesar da quantidade de roupas. Suspirei, aliviado. E, de repente, uma moleza abateu meu corpo, como se finalmente tivesse relaxado depois de toda a tensão que havia passado durante o dia.

Passei pela cozinha, pensando em ir deitar-me no sofá, mas ver o albino de frente para o fogão com o avental me deu uma outra ideia um pouco melhor.

Aproximei-me devagar, escorregando as mãos por sua cintura, a boca indo até a curva de seu pescoço, chupando levemente, só para dar um gostinho.

– Kanda, eu não sou seu almoço. Sério. – Brincou, encolhendo-se todo conforme eu o beijava e mordiscava. – Kanda, chega! A panela, eu preciso prestar atenção na panela! – Continuou reclamando, conforme eu subia os dedos pelos lados do seu corpo. – Ah! – Virou-se, ameaçando-me com a colher de pau que tinha nas mãos. – Vaza daqui que eu preciso terminar o almoço. Anda, vai!

Resmunguei, afastando-me e caminhando até o sofá, jogando-me ali. Do jeito que ele estava, era bem capaz de me bater com a colher mesmo.

Pensei em ligar a TV e assistir a alguma coisa, mas havia me ajeitado tão bem no móvel que não tive coragem para sequer me mexer. Comecei a fechar os olhos devagar, sentindo o sono chegar aos pouquinhos.

Quando estava começando a ficar gostoso, eu senti dedos apertarem de leve o meu nariz. Abri só um pouco os olhos, quase sendo cegado pelo sorriso enorme na cara daquele tonto.

– O almoço está pronto. Vamos comer, depois você descansa. – Disse, dirigindo-se para a cozinha.

Espreguicei-me lentamente, levantando do sofá e indo atrás do albino. Como sempre, seu prato era algo que daria para três pessoas comerem.

Ele não engordava de ruim.

Peguei um prato e me servi. Primeiro, um pouco de arroz, depois uma concha de feijão com bacon e, por fim, uma boa porção de salada.

Apesar de ser longe da minha comida favorita, dava para enganar o estômago muito bem.

Sentei-me ao lado dele e, durante toda a refeição, nós comemos em silêncio – ou quase, porque Walker às vezes parecia um animal comendo. Outra das coisas com que eu havia aprendido a conviver durante aquele tempo.

Após terminarmos, o britânico retirou toda a mesa, guardando o que sobrara na geladeira, deixando a louça toda em cima da pia.

– Você quem vai lavar? – Perguntei, desmotivado a me oferecer pela quantidade de panelas.

– Sim. Mas não agora. – Ele sorriu, vindo à minha direção. Baixou-se um pouco, o nariz roçando no meu. – Agora eu quero ficar com você.

– Hmm... – Passei a mão por seu rosto, levando-a a seus cabelos, fazendo uma carícia leve. – Mas no sofá. Aqui, não. – Disse, levantando-me e o puxando comigo.

Caí sobre o móvel, trazendo-o para se aninhar ao meu corpo. Nós ainda nos reviramos um pouco, até que eu me ajeitasse de barriga para cima e ele deitado sobre praticamente meu corpo todo.

Levou os dedos até minha franja, enrolando-a. Depois, soltou-a e enterrou os dígitos em meus cabelos, fazendo um leve cafuné, praticamente me convidando para um tentador cochilo.

– Né... Kanda... Aquele cara te irritou mais depois daquilo? – Walker perguntou.

– Não. Mas... – Ele começou a beijar minha bochecha, fazendo-me passar as mãos por sua cintura. – Eu senti que alguém ficou me observando o dia todo. Aposto que era ele.

– Sério? – Seu tom era preocupado. Tanto que seus dedos pararam. – ... – Suspirou, baixinho, parecendo desconfiado de algo.

– Você sabe que eu sei me cuidar, Walker. Qualquer coisa, eu dou umas porradas nele e tudo se resolve. – Afirmei, esperando tranquilizá-lo.

O resultado foi totalmente oposto.

– Nem tudo se resolve no braço, Kanda! – Ele exclamou, fazendo-me arregalar desnecessariamente os olhos. – Essa gente é perigosa. Nunca se sabe o que eles podem tramar. Sério. – Baixou o tom de voz, enterrando o rosto em meu peito. – Promete que não vai arranjar briga com quem quer que seja?

– Walker...

– Por favor, Kanda! – Olhou para mim com uma expressão que eu simplesmente gelei. Seus olhos não estavam repreendedores, como normalmente eram nessas situações. Dessa vez, eles estavam... Pedindo, quase implorando para que eu não fizesse nada.

– O-ok... Eu vou tentar. – Afirmei depois de um tempo. Ele beijou meu peito com carinho, abraçando-me.

– Obrigado.

Ficamos vários minutos em silêncio. Vez ou outra eu acariciava seus cabelos, ele acariciava os meus, nós trocávamos um beijo ou algo parecido. Eu estava quase adormecendo quando ele voltara com aquele cafuné gostoso. Mas, não sei por que diabos, Walker me vem com a seguinte pergunta:

– Kanda, quando nós vamos inverter?

Ainda demorei alguns segundos para processar o que ele dissera. Quando isso aconteceu, arregalei meus olhos, respondendo em alto e bom tom:

Nunca!

E, por algum motivo que eu desconhecia, Walker começou a rir. Mas ele ria exageradamente, começando a me irritar.

– Oe, cabeça de feijão, do que você está rindo? – Perguntei, puxando de leve seus cabelos. Ele continuava com aquele ataque desenfreado, quase perdendo o ar. – Walker! Eu estou falando com você! Oe–

Ele selou meus lábios antes que pudesse terminar a frase. Puxei de leve os cabelos de sua nuca, fazendo o beijo se romper.

– Oe! Do que estava rindo?

– De você. – Ele disse, mostrando todos os dentes. Fechei a cara, irritado. – É que... Parece que você tem medo.

– Medo uma pinoia! – O albino beijou-me novamente, depois abraçou meu pescoço, a face se escondendo ao lado dele, quase na almofada em que estava apoiado.

– Sabe... Eu realmente queria que sua primeira vez fosse comigo. Seria a prova extrema de que você confia em mim. – Declarou, acariciando meus cabelos. – Mas... Tudo bem. Eu vou esperar. Se eu for a pessoa certa, você me dirá. Com certeza.

Permaneceu da forma que estava, ainda acariciando meus cabelos. Dei graças aos céus, porque dessa forma ele não poderia ver o vermelho em minha face, indo de orelha a orelha. Apertei os olhos, mordendo os lábios.

Droga.

Senti-o se mexer e dei um leve espasmo. O albino deu um beijo na minha testa, depois se levantou, indo lavar a louça que havia deixado para trás, sem dizer mais nenhuma palavra.

Aproveitei que ele tinha saído e me virei de encontro ao encosto do sofá, escondendo o rosto ali, para que ele não reparasse na minha expressão, muito menos em meus olhos.

Eu já tinha muita coisa com o que me preocupar. Poderia pensar sobre esse assunto depois. Ele entendia isso, claro.

E aconteceriam tantas outras coisas que esse assunto acabaria sendo deixado de lado por um bom tempo...

xxx

Respirei bem fundo e soltei o ar devagar, em uma bufada quase animal.

Fazia umas duas semanas que eu estava sendo provocado e observado. Todos os dias. Sem qualquer exceção.

Naturalmente eu já não possuía paciência. Com esse estresse psicológico, ela havia sumido definitivamente.

Fiquei encarando a estante de livros na biblioteca. Deveriam ser por volta das 15h, não sabia ao certo. Mas eu ainda tinha algumas coisas para anotar, antes que pudesse sair da faculdade.

Mas chegar a casa, nem sonhando. Ainda precisava fazer uma coisa no centro da cidade hoje. Não poderia adiar mais. Iria para lá sem falta, mesmo que fosse às 20h!

Estava prestes a pegar o livro, quando senti um toque suave em meu ombro. Virei-me abruptamente, com cara de poucos amigos, encarando o britânico logo atrás de mim.

– Né, Kanda... Você vai mesmo para o centro hoje? – Ele perguntou baixinho para não atrapalhar os demais.

– Vou. Só vou consultar mais uma coisa e estou indo. – Respondi no mesmo tom, abrindo o livro e procurando para ver se era ele mesmo de que eu precisava.

– Não quer me esperar e eu te acompanho? Já são 16h, mais uns vinte minutinhos e minha turma me libera... – Retrucou, parecendo preocupado.

Ele disse... 16h?

– Já são 16h?! – Exclamei, não muito alto. Ele assentiu com a cabeça. – Foda-se essa merda, eu vou agora. – Coloquei o livro na estante, saindo dali para buscar minhas coisas sobre uma das mesas.

– Kanda, me espera só mais um pouco, por favor! – Walker choramingou, realmente querendo ir comigo. Seguiu-me até a mesa, ainda insistindo: – Vamos Kanda! Meia hora não vai te fazer diferença...

– Walker... – Virei-me, dizendo categoricamente: – Meia hora vai me fazer diferença. Eu precisava ter ido faz quase uma semana. Não fui por conta da sua neurose sem sentido!

– Não é sem sentindo, Kanda! – Retrucou, mas eu fiz um gesto de dispensa, caminhando para fora dali. – Kanda!

– Encontro você em casa. – Disse, saindo da biblioteca. Sequer me dei ao luxo de virar para ver se ele iria me seguir. Não tinha tempo.

Saí da escola a passos rápidos, virando à direita e seguindo o caminho reto. Andei por mais ou menos umas quatro quadras e dobrei novamente à direita, caindo em uma rua principal. Continuei por ela por um bom tempo até dobrar à esquerda, caindo agora em outra rua tão movimentada quanto a anterior.

A essa altura, o Sol já estava começando a se pôr devagar. Apressei o passo para ver se conseguia chegar antes do anoitecer.

Só que... Além da pressa convencional, outra coisa estava me fazendo querer ir mais rápido.

Eu estava sendo seguido.

Acelerei mais, quase correndo, costurando entre as pessoas. Mas, quem quer que fosse, estava conseguindo me acompanhar muito bem. Dobrei mais algumas ruas, alternando entre as vias secundárias e a principal.

As luzes da rua começaram a se acender, o Sol estava praticamente sumindo no horizonte, dando espaço para a noite.

Parei em frente a um semáforo, olhando para trás. Avistei um moleque de jaqueta de couro e um boné azul. Estreitei a vista, desconfiado.

O semáforo abriu e eu continuei seguindo, sentindo aquela pessoa me perseguir. Mais alguns metros e tinha uma entrada para um beco.

Para mim, bastava. Iria colocar um fim nessa história de pega-pega agora.

Virei rapidamente, entrando no beco. Ele era formado por prédios bem altos, de fachadas sujas, alguns varais sendo estendidos entre uma janela e outra, bem altos. Isso, mais o fato de estar de noite, deixavam aquele local bem escuro.

Parei, como se estivesse perdido, deixando minha guarda aberta de propósito. Senti que a pessoa se aproximava e, quando percebi que estava perto o suficiente, virei-me, pegando seu braço bem na hora que ele iria encostar-se a mim.

– Oh. Então, é você, não é? – Sorri, percebendo ser aquele mesmo moleque que esbarrara em mim semanas atrás. – Veja agora eu dar o troco em você.

Puxei-o pelo braço, dando-lhe uma cotovelada no meio do rosto. O dito cambaleou para trás, mas eu o peguei pela gola da camisa antes que caísse, dando-lhe uns três socos bem no meio da fuça. Ele ainda tentou pegar o meu braço, mas o segurei e empurrei contra a parede.

– Então, que tal o senhor me dizer qual o seu problema comigo? – Indaguei, com um olhar de poucos amigos. Apertei mais seu pescoço, forçando seu corpo contra a parede. Ele engasgou. – Vamos, diga!

– He... Hehehehehe... – Ele começou a rir que nem um idiota, fazendo o resto da minha paciência ir para os ares.

– Vou encher sua cara de porrada, depois você me fala. – Estendi o braço para começar a socá-lo, mas um imprevisto aconteceu.

E esse imprevisto foi uma sensação de quando algo perfura sua pele sem dó. Senti todos os meus músculos se retesarem, meu ombro começando a fervilhar em uma dor tão absurda que era indescritível para as palavras.

Como reação, meti a mão contra o ombro, largando o maldito do boné à minha frente. Mal consegui me virar e senti um murro na cara, ficando zonzo e perdendo o equilíbrio. Um chute nas costas e eu caí de boca no chão, sentindo minhas mãos serem tomadas por alguém, torcendo-as para trás do meu corpo.

– Seu... – Iria retrucar, mas o maldito me pegou pelos cabelos, raspando minha boca no chão antes de levantar meu rosto. – Você... Tinha um... Cof... Comparsa?

– Claro. Quem seria idiota de pegar alguém sozinho? – Ele disse, limpando o rosto com o braço. – Você soca pra caralho, seu viado de merda.

– Seu... – Pensei em tentar me soltar do cara que me segurava, até eu perceber um objeto prata brilhante ser colocado à minha frente.

Era uma faca. E, na ponta dela, estava o meu sangue.

O outro cara, cujo rosto não pude ver, encostou-a a meu pescoço, sussurrando contra meu ouvido:

– Se mexa um centímetro e você morre. – Engoli a saliva, sentindo meu corpo congelar.

Meu ombro estava ardendo como fogo devido à perfuração. Com ambos os braços torcidos para trás, sendo prensados firmemente contra as minhas costas pela mão livre do maldito da faca, eu estava totalmente dominado.

– Tch. – Foi tudo o que eu consegui retrucar, minha mente entrando em branco total devido à situação.

E, como se já não me bastasse isso, o idiota à minha frente meteu um chute no meu rosto, fazendo-me cair para o lado. O comparsa puxou-me novamente pelos cabelos para que eu ficasse com o rosto levantado e o moleque de boné pudesse dar-me um murro idêntico ao que eu havia dado nele segundos atrás.

– Você é uma bicha, sabia? – Ele disse, agachando-se para ficar com o rosto próximo do meu. Puxou-me pelo couro cabeludo, trazendo meu rosto para mais perto. – E isso me dá nojo. Gente como você deveria sumir da face da Terra. Imundo. – Cuspiu na minha cara, meus músculos se retesando somente na vontade de socá-lo.

Mas com a faca tão próxima, eu não poderia arriscar.

O de boné me largou, levantando-se, olhando de cima para mim.

– Você gosta de uma rola, não é seu viado? – Rosnou, parecendo enojado. – Então, que tal eu dar uma rola pra você, hein? – Começou a desafivelar a calça, descendo o zíper.

Ah... Estava de brincadeira, né?

Ele... Não iria fazer isso. Iria?

O comparsa puxou-me pelo rabo de cavalo, para que eu ficasse ereto, na altura da pelve do maldito à minha frente. Ele colocou o pau dele pra fora, vindo à minha direção. Mordi os lábios, numa tentativa de evitar que ele o colocasse para dentro.

Em vão.

– Opa, quem disse que você podia fazer isso? – O comparsa sussurrou na minha orelha, apertando minhas bochechas com força, a faca roçando de leve na minha testa. – É pra abrir a boca e colocar pra dentro, ouviu? Sua bicha de merda. – Esperou até que o outro colocasse aquilo dentro da minha boca para largar.

Ah, que sensação de... Repudia.

Queria enfiar os dentes bem ali e fazê-lo pagar por isso, mas eu sentia o objeto metálico novamente no meu pescoço, atento a qualquer reação minha.

O moleque do boné começou a se mexer para frente e para trás, começando a ficar duro dentro da minha boca.

– Você tá com cara de quem está gostando, hein viadinho. – O comparsa sussurrou na minha orelha, arranhando a faca na minha bochecha, fazendo um corte de leve.

Além de ter de lidar com o nojo, a ânsia de vômito, o gosto e cheiro ruins daquele maldito, precisava aguentar a dor insuportável no meu ombro e, agora, a ardência dos cortes na testa e na bochecha.

Ele puxou o pau da minha boca rápido. Aproveitei e cuspi para o chão, para ver se aquele gosto diminuía.

– Ajeita ele aí. Anda, rápido. – O de boné disse e eu não entendi.

Não precisei de segundos para compreender. O comparsa jogou minhas pernas para frente, deixando que o de boné as pegasse. Arrisquei me debater, mas eles me seguraram com facilidade por eu estar debilitado devido a dor intensa do ferimento da faca.

O moleque à minha frente começou a desafivelar minha calça e a puxá-la para baixo.

Senti meu coração acelerar e, por alguma razão, eu me lembrei de Walker naquele instante.

Lembrei-me justamente daquele momento, duas semanas atrás, quando ele me dissera que queria ser o primeiro...

O... Primeiro...

– Ah, nem ouse se debater. – O comparsa disse, provavelmente sentindo meus músculos do braço se enrijecerem, colocando a faca bem rente ao meu pescoço.

Eu estava totalmente sem saída. A única coisa que me restava era...

– Own, a princesa vai chorar? Que gracioso. – Eles começaram a rir, zombeteiros.

E eu realmente queria chorar.

De raiva, de repulsa, de nojo.

Eu queria que acontecesse qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Menos que eles terminassem o que vieram fazer.

Qualquer coisa estaria bom.

Mas o que aconteceu em seguida eu realmente não esperava ver na vida.


Notas finais
NÃO ME MATEM PORQUE SE VOCÊS ME MATAREM A FANFIC NÃO CONTINUA E O KANDA TERMINA DESSE JEITO AÍ. É, é isso XDDDDDDDDDDD Tirando esse "pequeno fato" incomodo, o que vocês acharam desse capítulo? O que mais agradou (o que menos eu já suspeito rs)? O que vocês acham que vai acontecer daqui para frente? O que vocês esperam? Ainda esperam algo? A história continua no mesmo ritmo? Isso, junto com todo e qualquer comentário, será muito bem vindo! Adoro cada review que vocês me mandam e leio todas com um carinho enorme! ♥