So Close That I Cant Breath
4 That love of yours
Notas iniciais
- Todos os créditos e amores pela betagem para a MelKeigo, sempre! Dessa vez, levamos só 4 horas, uhul!
- Ah, queria abrir espaço e dedicar esse capítulo para a minha amiga Mari. Porque... Ai, ela lendo vai entender. Esse capítulo é todo seu, Mari! Aproveite, mas não abuse, hein LOL ♥
– Cheguei. – O britânico avisou assim que abriu a porta, encostando-a logo em seguida.
Baixei o livro que tinha sobre a face, só para olhá-lo. Ele segurava duas sacolas, uma provavelmente com as cópias que havia tirado para a faculdade. Já a outra, parecia estar com as compras para o jantar.
Mesmo assim, eu ainda me pergunto o que ele fizera para chegar às 20h em casa.
Ele havia saído às 15h, pelo amor de Deus.
Durante aquele tempo, ele poderia muito bem ter ido para algum outro lugar. Como... Como...
Como um Motel.
Apertei mais a capa do livro contra os dedos, ficando irritado.
Ele era uma pessoa de fazer essas coisas, afinal. Não me cobrava isso o tempo todo?!
– Cara, a fila lá na loja para fazer as cópias estava enorme. Isso que dá deixar para fazer essas coisas perto de época de prova. – Walker suspirou, coçando a cabeça. Bufei, sentindo-me um pouco aliviado. – Eu saí de lá eram quase 17h, acredita?! Ainda peguei a porcaria do mercado lotado.
– Em plena quarta-feira? – Indaguei, suspeito.
– Em plena quarta-feira! – Ele parecia extremamente surpreso. – Isso só pode ser muito azar. Bom, deixa de papo furado. ‘Bora fazer a comida antes que fique mais tarde.
Ouvi-o fazer o maior barulho para pegar as panelas. Suspirei, voltando a colocar o livro sobre o rosto, só para a luz não ficar direto nos meus olhos.
Um gosto amargo ainda estava na minha boca. Por mais que ele tivesse explicado, eu ainda não conseguia acreditar naquela história.
Essa sensação estava me deixando impaciente. E irritado.
Mais do que o normal.
– Kanda, você viu onde eu deixei o meu celular? – Walker perguntou. Bufei, quase xingando-o, tamanha era a minha irritação.
– Por quê? Estava esperando ligação? – Disse, amargo. Ele continuou fazendo barulho para colocar as panelas sobre o fogão e acendê-lo.
– Na verdade não, mas é que eu senti falta dele enquanto estava fora de casa. Queria te ligar e avisar que demoraria, mas quando notei, ele não estava comigo. – Suspirou. Uma sensação de remorso começou a me invadir.
Será que eu estava julgando tudo antes da hora?
Será que eu estava sendo injusto?
– Ah, deixa quieto. Acho que ele deve estar no quarto. – O britânico suspirou. – Vou fazer macarronada, ouviu? Espero que não reclame. – Suspirei, já não gostando da ideia. – Se você odeia tanto as minhas comidas, deveria pedir algo pronto para você.
– Não, obrigado. – Respondi, ríspido, virando-me de lado no sofá e deixando o livro cair.
– Ai, que horror. Algum bicho bem grande deve ter mordido você hoje, sinceramente. – Retrucou, abrindo a gaveta para pegar alguma coisa.
Depois disso, não trocamos mais nenhuma palavra. Walker ficou totalmente concentrado em preparar o seu macarrão enquanto eu liguei a TV e comecei a trocar compulsivamente de canal, para aquietar minha ansiedade.
E, apesar de não apreciar nada além do meu bom e velho sobá, aquele cheiro de molho vermelho estava corroendo meu estômago.
Tinha de admitir que, para cozinhar, o britânico mandava muito bem.
Passou mais um tempo e aquele aroma estava inebriando totalmente o ambiente, uma vez que a sala e a cozinha se dividiam só pelos balcões. Por mais que eu não gostasse, eu iria ser obrigado a comer aquela macarronada, antes que meu estômago resolvesse me devorar no lugar.
– Está pronto, se quiser comer. – Walker disse, quase cantarolando.
Ok, eu dou o braço a torcer. Só dessa vez.
Levantei e fui pegar um prato, servindo-me de uma dose até que boa de macarrão com aquele molho vermelho. Sentei-me de frente para o albino, o prato dele conseguindo estar bem mais cheio que o meu.
Bom, ele tinha um buraco no estômago. Eu não.
– Põe queijo. – Retrucou assim que eu ameacei colocar um pouco na boca.
– Não gosto de queijo.
– Ah, deixa disso. Põe queijo no macarrão! – Insistiu e eu senti aquela veiazinha chata saltar na minha testa.
– Cacete! Pra que eu vou por queijo no macarrão?! Que diferença faaaaz?! – Pestanejei, extremamente irritado.
De repente, Walker se levantou. Senti meus músculos se retraírem, esperando que ele quisesse começar uma briga comigo – o que era até bem frequente, para dizer a verdade.
Mas não. Ele esticou-se sobre a mesa e encostou os lábios com os meus. Arregalei os olhos, o coração acelerando, a respiração ficando descompassada.
E, por mais que eu não quisesse, era impossível não corresponder àqueles lábios.
Seu gosto era tão extasiante, seu toque tão preciso, que era como um ímã.
Quando dei por mim, estava chupando alucinadamente aquela boca, sentindo sua língua se enroscar com a minha, o gosto de molho vermelho dando um tesão a mais ao beijo. Senti seus dedos em meu rosto, acariciando, contornando cada linha que marcava minha expressão.
Abri os olhos e deparei-me com os seus, tão próximos e tão cheios de um sentimento gostoso...
– “Macarrão sem queijo é como namoro sem beijo”. – Ele sussurrou, movendo os lábios sobre os meus, bem devagar. – Isso eu ouvi de um italiano uma vez. – Afastou-se, voltando ao seu lugar. – Então, ponha queijo no macarrão.
– Tsc. – Retruquei, pegando o pacote de queijo que ele havia deixado ali, colocando um pouco. – Mas não espere que vá me convencer de novo. – O britânico deu de ombros, como se não fosse grande coisa.
Voltamos à comida, ficando em silêncio. E mal bastou eu colocar a macarronada na boca para meu estômago começar a reclamar. Engolir a saliva já era difícil, imagine a comida.
A verdade era que, apesar de ter aproveitado aquele beijo, eu estava com remorso. Remorso porque não acreditava na história dele. Por achar que ele estava me enganando.
Por pensar naquela maldita que havia ligado.
Era coisa da minha cabeça. Tinha de ser. Mesmo assim...
Tão incontrolável.
– Quando terminar, deixa que eu lavo. – Ele disse, reparando que eu estava com dificuldades para comer. – Se não quiser também, deixa que eu termino.
– Já que insiste. – Empurrei o prato em sua direção, levantando-me da mesa. Sentia seu olhar questionador sobre mim, mas o ignorei.
– O que está acontecendo com você, hein? – Indagou, parecendo preocupado.
– Já disse um milhão de vezes: não está acontecendo nada. – Retruquei, indo pegar o livro que deixei no chão. – No sábado... Você tem algo para fazer?
– Sábado... – Walker pareceu pensativo, enfiando uma boa garfada de macarrão na boca. – Não que eu me lembre. – Respondeu de boca cheia mesmo. – Por quê?
– Só curiosidade.
– Estava planejando algo? – O albino pareceu eufórico, como se esperasse por algo.
– Não, nada. – Respondi, seco e sem animação, recebendo dele um olhar questionador. – Vou dormir.
– Kanda, o que tem de errado com você? Sério, não é possível, tem algo te incomodando! – Alegou, batendo as mãos na mesa.
– O que tem demais em dormir cedo, caralho?
– Você não dorme cedo sem motivo algum!
– Eu tenho prova de Direito Internacional amanhã, estúpido! Por isso vou dormir cedo. Vê isso? – Apontei o livro. – Era o que eu estava fazendo enquanto o senhor batia perna.
– Eu não estava batendo perna, Kanda! Eu estava fazendo coisas da faculdade. E de casa também!
– Dane-se o que você estava fazendo. – Walker me fuzilou com os olhos, mas eu pouco estava me importando. – Vou dormir. Vê se lava a louça direito, que eu não estou a fim de ficar esfregando panela de novo.
– Kanda, se você tem algum problema comigo, que tal vir e conversar?
– Eu não tenho problemas com ninguém.
– Para de fugir e vira homem! Olha na minha cara!
– Eu quero que você vá se foder, me entendeu? Eu só quero dormir para fazer a prova bem amanhã. Isso te incomoda tanto assim?
– O que me incomoda é você desse jeito, como quem esconde algo!
– Dane-se se eu escondo algo. Não é problema seu!
– É problema meu sim! – Pronto, eu já havia cruzado a cozinha para pegá-lo pelo colarinho, encostando-o contra a geladeira. – Olha na minha cara e diz que está tudo bem com você!
Olhei fundo nos olhos dele. Aquelas íris tão claras, tão límpidas, tão...
Acusadoras.
Amedrontadoras.
– Se está ou não está tudo bem comigo... – Larguei-o, dando meia volta. – Não é da sua conta.
Saí dali o mais rápido que consegui, fechando a porta do meu quarto à chave. Escorreguei e fiquei sentado no chão encostado a ela, a face enterrada entre as mãos.
Consegui ouvir os passos dele vindo até o meu quarto, as leves batidas na porta. Ignorei, como se não fosse nada.
– Você poderia ao menos confiar em mim, não acha? – Walker perguntou do outro lado. Não me dei ao trabalho de responder. – Eu vou deixar você quieto. Espero que assim você melhore. – Seus passos foram se afastando, ele provavelmente voltando para a cozinha.
Suspirei pesadamente. Eu o estava acusando sem provas.
Estava mesmo sem provas?
Tinha aquela ligação. Mas eu não poderia citá-la. Mesmo porque eu já a havia apagado.
– Que se dane tudo. – Sussurrei, levantando-me e me jogando contra a cama de solteiro.
Deitar e dormir. Era sempre o melhor remédio, não era?
Amanhã ele poderia não estar ali. Poderia ser outra pessoa comigo; poderia ser outra pessoa com ele. Tudo poderia estar diferente.
Tão diferente, que eu não reconheceria.
Mas ela estaria lá. Disso eu tinha certeza.
Eu e a minha insegurança.
xxx
Nos últimos dois dias, tudo que nós fazíamos era brigar.
E o culpado era eu certamente.
Porque não conseguia confiar em nenhuma das palavras que ele me dizia.
Dois meses... Dois meses e já estávamos desse jeito.
– Nem sei onde diabos eu estava com a cabeça para começar tudo isso. – A latinha de refrigerante caiu no suporte e eu a peguei, abrindo-a e começando a tomar.
No fim das contas, estava dando graças a Deus que teria a festa hoje de noite.
Pelo menos eu poderia... Pôr um fim em tudo aquilo.
Talvez fosse melhor desse jeito mesmo.
– Kanda! – Olhei para o lado e avistei Rosangela, vindo com um sorriso enorme na minha direção. – Quanto tempo! Soube que você deu uma cortada na Lisa, é verdade?
– É... Mais ou menos... – Fiquei fitando a minha latinha de refrigerante, que parecia bem mais interessante do que olhar para Rosangela.
– Poxa... Mas e aí, você vem pra festa hoje, não vem? – Ela passou a mão pelo meu braço, subindo para o meu ombro. – Sabe, eu estou com muita saudade de você. – Ela sussurrou ao pé do meu ouvido. – Vai ser ótimo se você vier hoje. – Deu um beijo na minha bochecha. – A gente se fala! – Ela saiu quase saltitante, provavelmente indo para a próxima aula.
Suspirei pesadamente. O que eu estava fazendo com a minha vida, afinal?
Será que eu já havia me acostumado com aquilo?
Promiscuidade...
– É sempre mais fácil, afinal. Sem compromissos, sem questionamentos, sem... Corações partidos. – Apertei a lata em minhas mãos.
Não havia mais jeito. Era um caminho sem volta.
E o erro começou lá atrás, nos meus quinze anos.
– Já é tarde para mudar certas coisas. – Joguei o refrigerante inteiro fora, indo para a saída.
Fodam-se as aulas. Eu estava cansado.
Iria para casa e... Esperaria o desfecho da noite.
xxx
– Seu mal é falta de se divertir. – O britânico retrucou, conforme entrávamos na faculdade.
Já era mais de meia-noite e os corredores principais estavam todos vazios. Mas era possível ouvir o som alto vindo do local onde eles prepararam a festa.
– Desde que nós começamos a sair, não tivemos tempo de ir a lugar nenhum. Talvez isso tenha te estressado. – Ele dizia, andando lado a lado comigo.
Do caminho de casa até aqui, eu não havia respondido nada – somente concordado. Já estava certo do que iria fazer e não tinha arrependimentos.
Estava tudo acabado, mesmo.
Mal bastou entrarmos no local para encontrarmos o típico ambiente de uma balada. Tivemos de nos espremer entre algumas pessoas para achar um canto um pouco mais espaçoso para ficarmos.
– Veio bastante gente, até. – Walker comentou, olhando em volta. – Eu vou pegar umas batidas para a gente, pode ser?
– É. Tanto faz.
– Que desânimo, Kanda! Poxa vida. Aproveita pelo menos isso. – Ele deu um empurrãozinho amigável no meu ombro. – Espera aí que eu já volto.
Pude vê-lo desaparecer no meio daquele monte de gente, costurando as pessoas para poder chegar onde estavam servindo as bebidas. Suspirei.
Apesar de estar certo do que faria, uma parte de mim sentia-se mal por ser dessa forma.
Olhando assim, Walker parecia ser uma pessoa muito boa...
Muito boa, é?
Alguém com amantes é alguém bom?
– Tsc. – Encostei-me contra a parede, fechando os olhos.
Senti uma mão feminina agarrar meu braço. De prontidão fui olhar quem era e não me surpreendi nem um pouco ao ver Rosangela com um enorme sorriso no rosto.
– Bonito o seu amigo. – Ela disse. – Me apresente a ele depois, sim? – Não demorou dois segundos para ela vir se roçar contra mim.
Era agora ou nunca. O que eu decidisse aqui poderia mudar toda a minha história, por mais simples e idiota que fosse.
Uma vida certa ou incerta. Aceitar os medos ou superá-los.
Tudo isso estava em jogo. Ninguém sabia, somente eu.
Os lábios dela chuparam a minha bochecha e, tão logo eu notei, já estavam sobre os meus.
Por mais que eu tentasse, não conseguia resistir. Cedi ao pedido dela, aprofundando o toque, agarrando sua cintura com certa força, apertando a carne mesmo sobre a blusa fina decotada.
– Hey. – Ela me parou, parecendo irritada. – Vai devagar, assim você me machuca.
Arregalei de leve os olhos. Eu não a havia pegado tão forte.
Havia?
– O que aconteceu com você, hein? – Rosangela acariciou meu rosto. – Perdeu a sensibilidade nesses meses que ficou sem ninguém, foi? – Seus lábios roçaram os meus e num piscar estávamos nos beijando novamente.
E, por mais caloroso que fosse aquele momento, eu sentia que estava faltando alguma coisa.
Mas o quê? O que faltava?
Senti as suas unhas arranharem meu braço, meus dedos subindo para dentro de sua blusa.
“Dane-se o que falta” , foi o que eu pensei.
Até ouvir aquele barulho de vidro quebrando.
Tanto eu quanto Rosangela nos assustamos, olhando para a origem do som. Qual não fora a minha surpresa ao ver Walker bem ali, olhando-nos com uma fúria que daria medo em muita gente.
Só que não era nisso que eu estava reparando, mas sim na sua mão sagrando desnecessariamente.
– Você é um desgraçado. – Por um segundo, jurei que ele fosse me bater. Porém tudo que ele fizera fora respirar bem fundo e se virar, saindo dali.
Eu preferia que ele tivesse me batido.
Talvez eu não estivesse tremendo tanto.
– Que rapaz louco. Será que ele estava de olho em mim? – Rosangela riu, descrente. – Deixa ele pra lá, Kanda, vamos continuar... – Os dedos dela passaram pelo meu rosto, me convidando a virar para si.
Mas eu não podia. Eu não...
Ele vai escapar.
Escapar por entre os seus dedos.
Tudo vai se perder.
De novo.
De novo.
Foi um quarto de segundo para eu empurrar Rosangela com toda a minha força e sair correndo atrás dele.
– Kanda! O que diabos foi isso? Kanda! – Ela gritou, mas eu sequer prestei atenção.
Saí costurando todas as pessoas, empurrando mesmo, às vezes até chutando alguns, só para não perdê-lo de vista.
Eu ainda podia enxergar a sua cabeleira branca. Era inconfundível, mesmo com tantas luzes diferentes.
Precisava alcançá-lo. Eu precisava.
Senão ele iria escapar.
Iria sumir dos seus braços.
Tudo iria se repetir de novo.
De novo.
Nós já estávamos no corredor, mas ele ia rápido demais até para mim. Corri o máximo que consegui, agarrando seu braço.
– Oe, espera um minu- – Mal o segurei, ele virou-se e meteu os cinco dedos da mão na minha face.
Foi quando eu pude ver seus olhos direito. As íris prateadas, que eu tanto achava lindas, que eu tanto temia.
Odiavam-me. Repulsavam-me. Questionavam-me.
Banhadas em lágrimas.
O britânico se desvencilhou do meu braço, voltando a andar depressa.
– Oe, Walker, espera um minuto! – Repeti, mas ele não pareceu ouvir. – Espera só um minuto, por favor. – Falei com mais ênfase. Ele parou.
– Esperar o quê? Você me chifrar de novo? – Virou-se, dessa vez cerrando os dentes. – Você me trocar de novo? Você ficar com outra vadia de novo? – Berrou a plenos pulmões, sua voz ecoando pelo corredor vazio. – Eu confiei em você, mesmo sabendo que não poderia dar certo. Eu cri que você mudaria! E o que você faz?! – Ele estendeu os braços, indignado. – Vai se agarrar com a puta. Então vai lá, vagabundo. Vai lá ficar nos braços dela. Seu puto desgraçado! – Virou-se mais uma vez e se pôs a andar.
E, dessa vez, ele não iria se virar. Não mais.
Eu... O perdi.
De novo.
Vai deixar acontecer tudo de novo.
Deixar escapar o que você mais preza...
Por medo de sentir.
Por medo de admitir.
Medo de amar.
Ele vai fugir.
Vai te abandonar.
Você precisa fazer algo.
Precisa fazer algo.
Qualquer coisa.
Mas não o deixe escapar!
Não o deixe escapar!
Tirei forças sabe Deus de onde e corri até ele, pegando-o pelo braço com agressividade. O britânico se virou e, nesse segundo, peguei seu outro braço, começando a empurrá-lo contra a parede, até senti-lo bater contra ela.
– O que pensa que está fazendo?! – Ele se debateu, tentando se livrar de mim. Passei os braços em volta dos seus, apertando fortemente contra o meu peito. – Me solta agora, Kanda! – Rosnou, furioso.
– Não. – Sussurrei, apertando-o mais contra mim. – Não vou te soltar. Não vou deixar você fugir.
– Cala a boca! Você quem me traiu, está balbuciando o quê agora? Me larga.
– Não. – Sussurrei de novo, fincando os dentes nos meus lábios.
– Kanda, se você não me largar, eu vou...
– NÃO VOU DEIXAR VOCÊ FUGIR! – Gritei, apertando-o contra mim e a parede. – Não me importa se você me odeia, não me importa se você vai me espancar depois, não importa se você me acha um puto desgraçado... – Respirei, sentindo o ar ficar mais pesado, os braços fraquejarem. – Não importa se você me usou, se tem amantes ou o caralho que for. NÃO vou deixar você sair daqui.
– Amantes? Usar? Você ficou louco? – Surpresa na sua voz, junto com a indignação. A certeza de que eu realmente tinha algum problema.
É, eu deveria ter mesmo.
– Dos meus braços você não sai. – Sussurrei, encostando a testa no seu ombro. – Foda-se o que você pensa. Se me odeia, se quer me ver fodido; foda-se tudo. Daqui, você não sai.
– Kanda, o que deu em você? Te drogaram, foi? – Ele questionou, agora mais calmo. – Eu nem sei de onde você... Kanda. – Ele parecia realmente surpreso agora. Eu também estaria. – Você está chorando?
Eu estava. Tão pesadamente que nem eu acreditava.
Quantos anos fazia desde que eu me senti assim?
Perdido.
Amedrontado.
Quebrado.
Desolado.
Comecei a soluçar e isso, junto com as pesadas lágrimas, sendo a única prova de que eu realmente estava chorando. Conseguia sentir o cheiro inebriante da pele dele no meu nariz, o calor de seu corpo em meus braços.
Tudo que eu queria estava ali.
Eu precisava de alguém.
Alguém que me ensinasse:
a amar,
a sentir,
a vencer meus medos.
Só precisava de alguém que me aceitasse.
“Nem que fosse na marra”, pensei, sorrindo sarcástico, o gosto salgado das lágrimas finalmente chegando aos meus lábios.
Meus braços estavam fracos. Walker poderia sair dali facilmente se quisesse.
Mas ele não o fez.
– Kanda, olha pra mim. – Obedeci, desencostando de seu ombro e olhando fundo naqueles olhos.
Os olhos que eu tanto amava, que eu tanto receava.
– Tinha realmente algo errado com você. – Disse, como se constatasse o óbvio. Fechei os olhos bem apertados. – Eu não disse para você desviar. Olhe pra mim, Kanda.
Abri novamente os olhos, vendo as íris prateadas lerem cada pedaço da minha alma.
Eu estava assustado.
Porém, ao mesmo tempo, encantando.
– Não me olhe assim. – Pedi, apertando novamente os olhos. Não gostava que me lessem dessa forma, só com um olhar.
Parecia que eu era tão... Pequeno.
– Abra os olhos, Kanda. – Recusei-me a abri-los, sentindo seus dedos em minha bochecha. – Vamos Kanda, olhe pra mim. Eu estou mandando. Abra os olhos e olhe para mim.
Quando eu abri os olhos e o fitei, nossos lábios se juntaram. E, novamente, eu vi ali aquele sentimento gostoso de outro dia. Aquelas pratas maravilhosas estavam banhadas com ele, como se fossem o mar, convidando-me a mergulhar e nunca mais sair dali.
Sentia-o chupar de leve a minha boca, eu sendo incapaz de ter aquele domínio que era tão costumeiro. Deixei que ele me guiasse num ritmo lento. Nossos lábios só escorregavam, bem devagar, uns pelos outros. Depois veio sua língua, desenhando minha boca, adentrando nela, encontrando-se com a minha.
Encostei-o na parede, bem devagar, enquanto sentia ele explorar cada centímetro da minha boca. Quando ele fechou os olhos foi que eu pude finalmente mergulhar de cabeça naquela sensação maravilhosa, ciente de sua total aprovação da situação.
Aproximei-o de mim, as mãos passando por sua cintura, apertando, subindo pelos lados de seu corpo enquanto eu me enterrava mais e mais fundo dentro de seus lábios, enroscando-me com sua língua. Seus dedos vieram até meus cabelos, fazendo aquela carícia que eu tanto gostava, podendo sentir seus dígitos massagearem de leve a minha nuca.
Tudo era tão bom. Era tão... Certo.
E eu acho que descobri o que estava faltando antes.
Paixão. Desejo. Amor.
Ah, como era bom ser desejado daquela forma.
– O que é isso?! – A voz esganiçada de Rosangela ecoou pelo corredor, interrompendo tudo.
Rompi o beijo mais lentamente do que a cena permitiria, deixando meus lábios escorregarem para longe dos dele.
– Ka-Kanda você... Você...! – Parecia que ela havia visto um fantasma, pela palidez de seu rosto e a forma como tremia as mãos. – Eu não...
– Ah... Então... – Walker tentou dizer algo, mas estava tão travando quanto a garota.
E, de repente, ligou um botão de foda-se na minha mente.
– Ignora ela. – Sussurrei para ele, fazendo-o voltar seu rosto para mim com as mãos.
– Ma-mas...! – Calei-o com um beijo e, tão logo nossos lábios se encostaram, nós já estávamos perdidos naquelas sensações alucinantes de instantes atrás.
Tudo que eu pude ouvir fora o barulho dos saltos correndo de volta para o local da festa. Sorri em meio ao beijo, uma sensação maravilhosa preenchendo todo o meu interior.
Só fui obrigado mesmo a parar quando o britânico passou a mão pela minha bochecha e eu senti algo molhado.
Bem molhado.
– Puta que pariu! – Separei-me dele, segurando seu pulso. – Sua mão ainda está sangrando!
– Ah, foi do copo que eu quebrei. Acho que entrou caco...
– COMO ASSIM, FILHO DA PUTA?
– Ó a minha mãe, Kandaaa!
– Tá, tá, desculpa. – Passei a mão pela testa, indignado. – Vamos para um hospital, antes que isso fique pior.
– É, eu concordo. – Ele disse, sorrindo. Revirei os olhos, puxando-o pelo pulso para fora dali.
E um sorriso também se formou em meu rosto conforme nós caminhávamos, juntos, até a saída.
xxx
– Deixa eu ver se entendi... – Walker começou, encarando-me enquanto estava sentado no braço do sofá.
Depois do hospital – e dos belos pontos que ele tomou na mão – nós voltamos para casa. No caminho, eu tentei explicar o que aconteceu durante aquela semana.
Mas eu não era muito bom com palavras.
– Você tem todo esse problema de aceitação social desde... Sempre. – Arqueei as sobrancelhas. – Tá, que seja. Desde a adolescência. E tem um histórico bem dramático de namoros mal sucedidos e promiscuidade. – Fiz uma careta para a palavra. – E tudo começou a se acumular e... Você pensou que a Lenalee fosse minha amante?! – Ele parecia mais indignado com a última parte do que qualquer outra coisa.
– É, eu pensei.
Ele desatou a rir.
Mas ria, ria, ria que parecia uma hiena de tão esganiçado que era. Teve até de se ajoelhar para não cair.
– Eu não sou palhaço para você rir assim. – Retruquei, realmente ficando chateado.
– Não, é que essa é a melhor parte. Jesus, Lenalee, minha amante. – Ele segurou a barriga, como se ela fosse cair. – Só em uma mente perturbada como a sua.
– Walker...
– Ok, desculpe. Mas é muito engraçado mesmo. – Ele limpou as lágrimas dos olhos, respirando fundo. – Vamos fazer assim... Eu te apresento a ela, pode ser? Aí não te sobrarão dúvidas da impossibilidade disso acontecer.
– Não tem problema mesmo? Vocês vão ter um “encontro”...
– Encontro o cacete! A gente vai é ver roupa. – Arqueei as sobrancelhas, descrente. – Enfim, o melhor a fazermos agora é irmos tomar banho e dormir.
– Então me deixa usar seu banheiro!
– Não. – Ele disse na maior arrogância.
– Me responda só uma coisa... – Ele assentiu. – Por que você é tão contra a ideia de eu usar seu banheiro?
– Por que eu vou usar ele? – Respondeu como se fosse o óbvio.
– Sua anta-anã, eu estou perguntando se você tem algo contra nós tomarmos banho juntos! – Rosnei, ficando irritado já.
– Você disse que queria usar meu banheiro, não tomar banho junto comigo! – Levantou os braços como atestado de inocência. Bufei, virando o rosto.
De repente, seus braços passaram em volta do meu pescoço. Olhei para seu rosto, vendo-o com um sorriso reluzente, as mãos passando pela minha bochecha.
– Você pode tomar banho comigo a hora que você quiser. – Colou os lábios com os meus, passando a língua sobre eles. – Pode me tocar a hora que quiser. Do jeito que quiser. – Encostou a testa com a minha, soltando meus cabelos. – E precisa me dizer o que pensa, o que sente. Caso contrário, eu não vou conseguir adivinhar o que se passa pela sua cabeça oca.
– “Cabeça oca” o seu rabo.
– Cabeça oca sim. – Reforçou, fazendo uma falsa cara de bravo. – Meu cabeça oca. – Beijou-me, fazendo aquele sentimento gostoso surgir novamente em meu peito.
Foi me puxando bem devagar, guiando-me até seu quarto, até seu banheiro. Chegando lá, o mais complicado foi ele conseguir achar o interruptor para acender a luz sem desgrudar dos meus lábios.
– Ah, mas que saco. – Walker retrucou, tendo de me largar para conseguir ligar a luz. – Justo quando estava ficando bom.
Olhei em volta, observando o ambiente. Apesar de morar há três anos naquele apartamento, essa era a primeira vez que eu pisava no banheiro dele. Curiosidade eu tinha, mas respeitava o espaço que fora delimitado previamente.
Não invadia a privacidade de ninguém.
O britânico ligou o chuveiro, mesmo que ainda estivéssemos com as roupas no corpo. E, tão logo eu me toquei desse fato, ele começou a se despir, primeiro pela blusa, depois pela calça e, por fim, a peça íntima.
Virei o rosto para o outro lado, sentindo um arrepio passar pelas minhas costas, o rosto arder em vergonha.
Mesmo com aqueles dois meses, ainda era um pouco complicado vê-lo nu, principalmente em situações em que eu estava mais concentrado, fora daquele turbilhão de toques que ocorria entre nós durante o sexo.
– Acho bom você não demorar muito, senão eu vou sair e deixar você sozinho. – Brincou, depois de entrar no box e encostar a porta de vidro. Por conta da temperatura da água, ele já estava todo embaçado, impossibilitando que eu visse algo além de sua silhueta.
Respirei bem fundo, para ver se me acalmava. Para conseguir mudar, eu precisava dar o primeiro passo.
E esse seria não ficar excitado só de vê-lo respirar, talvez.
Despi-me com rapidez, abrindo a porta do box bem lentamente, ainda relutante. Não era costumeiro eu tomar banho com outra pessoa. Mesmo com minhas namoradas anteriores eu evitava fazer isso.
Porque... Tudo sempre acabava em sexo.
Ainda tinha minhas dúvidas de como aquilo acabaria, também.
Senti-o puxar meu braço, fazendo-me colar contra seu corpo, enquanto ele encostava a porta com a outra mão.
– Não fique parado admirando. O gostoso é ficar debaixo d’água. – Disse, puxando-me junto dele para o chuveiro, meu corpo estremecendo levemente em contato com a água extremamente quente.
– Você tem problemas de temperatura, por um acaso?! Isso está fervendo! – Retruquei.
– Para com isso! Você quem deve tomar banho de água fria, pelo jeito. – Ele passou os braços em volta da minha cintura, encostando o nariz em meu peito. – Arg, você está com o perfume daquela biscate no corpo.
– Eu não me agarrei tanto assim com ela. – Saí em minha defesa, só pela expressão de desgosto que ele fez.
– Eu sei, mas ficou impregnado. – O albino pegou o sabonete líquido, colocando um pouco nas mãos e massageando levemente uma na outra. – Agora se afaste um pouco da água e só aproveite. – Disse, um sorriso surgindo em sua face.
Obedeci de prontidão, afastando-me para logo sentir suas mãos deslizarem sobre meu peito, com calma, ensaboando. Foi descendo os dedos lentamente, desenhando cada músculo meu, subindo para os ombros depois, massageando-os.
Com um gesto fez com que eu me virasse, descendo os dígitos por minhas costas, apertando levemente o local por onde eles passavam. Senti-o circundar minha cintura, as mãos descendo pelas minhas coxas. Suspirei, adorando a carícia.
– Agora você faz o mesmo em mim. – Ele cantarolou e eu arregalei os olhos.
A pergunta era: será que eu conseguiria?
Antes de qualquer coisa, Walker me puxou para baixo do chuveiro, tirando toda a espuma do meu corpo. Depois, foi a vez dele se afastar da água, para que eu o ensaboasse. Posicionou-se de costas, como quem dizia para eu começar por ali.
Peguei um pouco do sabonete, passando pelas mãos e, com cuidado, comecei a massagear suas costas, sentindo seus músculos relaxarem ao meu toque. Fui fazendo tudo muito devagar, aproveitando cada segundo para poder mapear seu corpo.
Então eu percebi que, em dois meses, eu praticamente não o havia tocado. Não com essa atenção toda.
Os toques normalmente eram eufóricos, descontrolados, impensados. Tudo no calor do momento; na hora do sexo.
E, por incrível que pareça, um tesão diferente estava me consumindo naquele momento. Era a euforia da descoberta, do novo.
A sensação de senti-lo de verdade.
Em um impulso, levei os lábios até seu pescoço, beijando-o ali, sentindo seus pelos se arrepiarem com meu toque. Fui descendo as mãos até sua cintura, passando-as por ali, sentindo a pele sob meus dedos, apertando-a contra eles.
Fui subindo o nariz até seus cabelos, enfiando-o ali, adorando o aroma e a textura que eles tinham. Aproximei-me mais, colando nossos corpos, roçando minha virilha em sua bunda.
Quando eu menos esperava, já estava praticamente excitado, apertando-o contra mim.
– Droga. – Praguejei, já prevendo aquela situação.
Aquilo era impossível para mim, mesmo.
– Por que ficou tão irritado? – Walker perguntou, soltando uma risada.
– Não está sentindo minha ereção roçar em você não? – Perguntei, mais frustrado do que irônico.
Walker se virou num piscar de olhos, ficando de frente para mim, colando nossos corpos. Soltei um gemido quando senti sua ereção ser pressionada contra a minha.
– Acha que você é exclusivo? – Sussurrou, colando os lábios com os meus. – Por favor, Kanda. Somos homens. A coisa mais natural é se excitar... – Mordeu-os levemente, para logo em seguida tomá-los em um beijo ardente.
Não esperamos muito para começarmos a roçar as línguas, chupar as bocas, as mãos acariciando o corpo um do outro com precisão, apertando cada músculo, cada pedaço de carne. Aos poucos caminhamos até o chuveiro, a água quente agindo como um calmante, fazendo os toques perderem um pouco da euforia.
Quando eu menos esperava, tinha as mãos dele em meus cabelos, massageando-os, enquanto ele continuava chupando meus lábios, deixando-os escorregar sobre os seus bem devagar, a respiração se misturando com a minha. Encostei a testa com a sua, para poder olhar mais de perto aqueles olhos prateados, querendo mergulhar dentro deles.
– Eu gosto desse brilho no seu olhar, sabia Kanda? – Disse, levando a mão até o registro e o fechando. – É tão... Reconfortante.
Não sabia dizer como estavam meus olhos naquele momento. Mas, se tivesse de chutar, diria que eles estavam banhados em encanto.
Encanto e paixão.
Saímos do box e o britânico foi buscar toalhas no quarto para nos enxugarmos. Voltou com uma amarrada na cintura e duas nas mãos, ambas para mim.
– A branca você usa para enxugar os cabelos. – Disse. Obedeci sem questionar, enxugando o corpo com a toalha escura e jogando a outra sobre os cabelos. – Espera aí que eu vou pegar uma cueca no seu quarto. – Ele desapareceu pela porta, enquanto eu enxugava as mechas escuras, só para tirar a umidade.
Voltou rapidamente, rodando minha roupa de baixo nas mãos. Fitei-o com um olhar nada agradável, mas Walker só sorriu, extremamente bobo. Peguei a peça de suas mãos e a vesti, observando-o fazer o mesmo em seu quarto. Jogou-me a toalha, para que a pendurasse ali no banheiro.
Deixei as coisas mais ou menos arrumadas e apaguei a luz. Walker havia ido até a sala apagar o resto das luzes da casa e, quando retornou, encostou a porta atrás de si, um sorriso em seu rosto, iluminado somente pela meia luz do abajur.
– Vai me prender aqui? – Perguntei, arqueando as sobrancelhas. Ele sorriu mais.
– Ora, depois de tomar banho comigo, você precisa dormir comigo. – Foi a sua resposta. Ele caminhou calmamente até mim, passando os dedos pelo meu peito.
Nós fizemos um pequeno movimento circular, só para eu ficar mais próximo da cama. Nem dois segundos depois, o albino me empurrou levemente, deixando-me cair sobre o colchão macio. Veio subindo o meu corpo, aquele sorriso nunca largando seu rosto.
– Vou te dar um ótimo motivo para a cena de hoje nunca mais se repetir. – Sussurrou, os lábios úmidos colados aos meus, os olhos prateados faiscando com um sentimento ardente.
Iniciamos um beijo bem calmo, só com os lábios. Logo, nossas línguas saíram das bocas, se enroscando ali fora, para rapidamente se aconchegarem dentro quando unimos novamente os lábios. Elas brincavam devagar, enroscando-se, explorando-se, quase dançando.
O ritmo foi diminuindo aos poucos, até quase parar. O start up de tudo foi quando Walker chupou meus lábios e nossos olhos se fitaram uma segunda vez. Nesse instante, eu passei as mãos por sua cintura e rolei com ele na cama.
Sim, ele deu-me bons motivos para o erro daquela noite nunca mais se repetir.
xxx
Eu conhecia muito bem aquele olhar.
Ela estava me secando na maior cara dura.
Engoli levemente a saliva, meio incomodado.
Não era novidade aquilo, mas isso vir da amiga dele era... Constrangedor.
– Cahém. – O britânico pigarreou, mas a garota de cabelos escuros pareceu não ter dado muita atenção.
Já da minha parte, não estava sabendo como esconder a surpresa que eu tive ao encontrá-la. Em minha mente, ela era bem parecida com garotas como a Lisa ou a Rosangela: um corpo extremamente chamativo, usando roupas tão chamativas quanto.
Senti-me até mal quando coloquei os olhos sobre ela. A garota estava usando uma saia que era somente alguns centímetros acima dos joelhos, uma blusa baby look cor de rosa e seus cabelos – que eu imaginava serem compridos – iam só até os ombros.
Não se parecia em nada com a imagem que eu havia formado dela quando a ouvi pela mensagem no telefone.
E aquele olhar... As mãos sobre os lábios...
Aquilo já estava me tirando um pouco do sério.
– LENALEE LEE!– Walker gritou, surpreendendo-me e parecendo fazer a jovem despertar de seu “transe”. – Parou de secar meu namorado, não é?
– A culpa é sua mesmo! – Ela o fitou irritada. – Você me disse que ele era bonito, mas... Mas... – Ela olhou novamente para mim, suspirando. – Assim já é demais!
– Ah, ah! – Ele entrou na minha frente, como se para bloquear a visão dela. – Parou! Você já tem o Lavi. Se quer ficar admirando algo, vá admirar a bunda dele!
– Allen Walker, quem disse que o senhor tem direito de falar assim do corpo do meu namorado?!
– O mesmo direito que a senhora tem de ficar secando o corpo do meu namorado!
AAh, AAAAAh, eles começaram a discutir que nem crianças.
Era disso que eu estava com ciúme?
– Tá bom, chega de papo agora. – A morena olhou no relógio em seu pulso. – Meio-dia já. Vamos indo, senão eu não chego em casa a tempo de sair com o Lavi!
– Você pretende o quê? Comprar uma blusa ou levar o shopping todo?! – O britânico perguntou, alarmado.
– Ai, Allen, fica quietinho, vai! Você é tão ruim pra fazer compras quanto eu. – Ela fez um gesto de dispensa com a mão e os dois começaram a rir.
É, eu estava com ciúme disso.
– Como eu não quero ficar segurando vela. – Lenalee cantarolou, indo ao lado de Walker e passando o braço pelo dele. – Nós vamos andar os três assim, coladinhos!
Não pude nem pensar e Walker já havia trançado o braço no meu e, de prontidão, os dois começaram a andar, arrastando-me.
Minha real vontade era de desaparecer dali, tamanha era a minha vergonha.
Mas ao olhar o sorriso estampado no rosto do britânico, eu mudei totalmente de ideia.
É... Assim eu posso ficar, sem problema algum.
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