So Close That I Cant Breath
5 Prediction
Notas iniciais
- MUITOS BEIJOS PARA A MINHA (noiva) BETA MELKEIGO ♥ Otsukaresama deshita, Mel! Conseguimos mais uma vez *OO* E seus surtos sempre são ótimos UASHDUASHDUSA
- Notas importantes no final da fanfic. POR FAVOR, LEIAM-NAS!
Não existia sensação melhor no mundo do que acordar de manhã sem o auxílio do despertador!
Rolei para o lado, espreguiçando-me. Depois, rodei para o outro, relaxando os músculos. Enfiei a mão por debaixo do meu travesseiro, alcançando o celular e constatando que eram 6h30min.
Em um dia normal, eu estaria atrasado. Mas, exclusivamente hoje, eu não teria aulas. Sorri bobamente, adorando pensar que teria uma manhã inteirinha só para me deleitar.
– Tão bom poder ficar na cama! – Cantarolei, afundando a face no travesseiro.
Em condições diferentes, eu ficaria na cama até umas 8h mais ou menos. Só que uma ideia mais interessante passou pela minha cabeça: preparar o café.
Afinal, só eu fui premiado naquele dia. Meu moreno querido, não.
Sentei-me à beira da cama, jogando o lençol para o lado, bocejando brevemente. Calcei os chinelos e levantei, abrindo a porta do quarto.
O resto do apartamento estava em uma leve penumbra, uma vez que as janelas estavam todas fechadas. Caminhei a passos de gato, leves e silenciosos, até a porta do quarto de Kanda, que estava entreaberta.
Estiquei o pescoço para ver como ele se encontrava, segurando o riso: metade do lençol no chão, exibindo parte de sua perna e todo o seu tronco. Os braços estavam atirados a esmo e, na face, havia um livro de Direito Constitucional.
E a melhor parte: ele estava roncando.
Mas roncava tão alto que era cômico de se ver.
Deu uma engasgada nervosa, fazendo-me recuar, crente de que tinha acordado. Mas tudo que o japonês fizera fora se virar, ainda em sono profundo, deixando o livro ir ao chão.
– Isso que dá não estudar antes. – Sussurrei, calmo, o sorriso atravessando meu rosto pela cena.
Só em vê-lo assim, minha vontade de preparar um lindo café para ele desfrutar aumentava.
Continuei meu caminho até a sala indo abrir as venezianas para que entrasse luz no lugar. Após tudo iluminado, segui para a cozinha, abrindo os armários para pegar as canecas para o café.
Uma delas, a de aço inox, eu enchi com água e coloquei sobre o fogão, acendendo-o. A segunda eu coloquei sobre a pia, abrindo o armário embaixo dela para pegar o suporte e o filtro para o café.
Tudo devidamente posto, deixei pronto o açúcar, colocando dentro do filtro uma colher e meia de pó de café.
Guardei o pó na geladeira e peguei lá dentro uma manteiga, junto de alguns frios, colocando-os sobre a mesa. Fui até outro armário e peguei o pão, colocando-o junto do resto. Parei um pouco para analisar o que mais poderia adicionar.
– Ah! Tem as bolachinhas. – Exclamei, estalando os dedos. Voltei novamente aos armários, pegando uma pequena travessa. No outro, peguei um saco bem grande com bolachas, colocando uma pequena quantidade no prato.
Iria virar-me, mas antes que pudesse pensar nisso, senti braços passarem ao redor da minha cintura, um nariz vindo de encontro com a minha nuca.
Desceu os lábios por ali devagar, passando a língua, indo para o meu ombro, as mãos subindo pelo meu tronco desnudo, os dedos pressionando suavemente a pele por onde passavam.
Senti-o beijar atrás da minha orelha, fazendo-me cosquinhas com os dígitos.
– O que é isso? Virei seu café da manhã? – Brinquei, ouvindo-o murmurar alguma coisa ininteligível , afundando o rosto no meu ombro. – Que tal o senhor me falar pelo menos um “Bom dia”?
Senti suas mãos virarem meu corpo, a travessa sendo esquecida sobre o balcão. Ele encostou-me ali, os lábios vindo até os meus, tocando com precisão, carinho, atenção. Ficamos uns bons minutos deixando as bocas deslizarem uma pela outra, até que ele finalmente parou e disse:
– Bom dia.
– É assim mesmo que eu gosto! – Passei os braços ao redor de seu pescoço, beijando sua bochecha, adorando a expressão de manha dele.
O mais engraçado em Kanda pela manhã era, definitivamente, seu rosto. Normalmente ele acordava com a cara inchada, os olhos orientais praticamente fechados, os cabelos esvoaçados, alguns fios espetados para cima.
Era praticamente impossível não querer brincar e apertá-lo desse jeito.
– O café ainda não ficou pronto? – Ele resmungou, coçando a nuca, bagunçando mais ainda os cabelos.
– Não. – Estendi a travessa para ele, como quem dizia para que a colocasse sobre a mesa com o resto. Ele prontamente a pegou, obedecendo sem questionar.
– Nossa, mas que lerdeza. – Retrucou, puxando a cadeira e sentando-se.
– Seria mais rápido se um certo alguém não tivesse fodido com a cafeteira na semana passada, não é mesmo? – Fui até o fogão, desligando-o, uma vez que a água havia fervido.
– Eu não fodi com nada. Ela que encrencou. – Resmungou, a voz mais rouca do que o normal.
– Oh, claro. Sabe, eu também encrencaria, caso fosse um eletrodoméstico e você derrubasse um balde de água em cima de mim. – Ironizei, ouvindo-o murmurar.
Terminei de passar o café e coloquei a caneca junto do resto, sentando-me à mesa junto dele. Segurei a gargalhada que veio até minha garganta, vendo o moreno ter dificuldades até para cortar o pão.
– Se você não abrir esses olhos, japonês, não vai conseguir cortar nada. – Brinquei, recebendo a atenção de seus olhos negros que, agora, mal eram visíveis, de tão fechadas que estavam suas pálpebras.
– Fala isso, mas não ficou até tarde estudando pra prova de hoje. – Justificou-se, conseguindo abrir o pão para colocar os frios.
– Da próxima vez, estude um pouco antes. – Passei manteiga no pão que havia pegado, levantando para ir buscar as xícaras. – Eu sempre fiquei um passo a frente. Agora, não preciso me preocupar com notas. – Voltei à mesa, colocando um pouco de café em uma das xícaras. – Ó. – Ofereci a ele, vendo-o recebê-la de bom grado.
– Muito obrigado pela dica, senhor CDF. – Ele ironizou, enfiando o pão na boca e dando uma golada no café.
– Coma devagar que você tem tempo. – Sentei-me, servindo-me do café e começando a comer.
Meu maior desafio naquele momento foi conseguir comer algo sem ter um ataque de risos com o Kanda. Ele estava tão absurdamente desesperado que enfiava tudo o que podia na boca, às vezes mal conseguindo mastigar.
– Kanda, calma! Eu já disse que você tem tempo. Suas aulas não começam às 8h30min? – Perguntei, vendo-o quase se afogar com o que tinha na boca.
– Sim, mas eu ainda preciso ler um capítulo e meio. – Respondeu-me depois de tomar uma golada do café preto. – Obrigado pela comida. – Levantou-se, indo correndo para o banheiro.
Só consegui rir da displicência dele. Voltei a tomar meu café, calma e tranquilamente, enquanto ouvia o moreno fazer uma barulheira desnecessária para conseguir se arrumar.
– Os vizinhos vão reclamar... – Alertei, mordendo uma bolacha.
– Fodam-se eles! Não vão ter prova de Direito Constitucional. – Ele gritou de lá de dentro, fazendo-me revirar os olhos.
– A culpa é sua mesmo por não ter estudado antes, gatão. – Brinquei, vendo-o passar pela sala terminando de vestir a blusa, provavelmente procurando algo para amarrar os cabelos soltos.
– Tá, tá! Eu sei. Não venha atirar as coisas na minha cara. – Retrucou, achando o elástico por entre as almofadas do sofá, amarrando o cabelo.
– Ué, já vai sair? Mas são 7h agora! – Questionei, vendo-o ir buscar as coisas no quarto e depois voltar com o livro e a pasta que usava.
– Vou aproveitar e consultar umas coisas na biblioteca. – Foi se dirigindo para a porta. – Provavelmente voltarei tarde porque, depois da prova, vou pegar uns livros emprestados de lá e tirar xerox. Não estranhe, ok?
– Ok... – Fiquei observando-o pegar a chave, colocando-a na fechadura. – Ah, Kanda! Um minuto! – Ele parou, olhando surpreso para mim.
Levantei-me da mesa e fui correndo até sua figura, agarrando-o pelo pescoço e tomando seus lábios num beijo. O japonês arregalou os olhos, pego desprevenido, porém, no instante seguinte, passou a me corresponder, largando a chave onde estava.
Passou os braços pela minha cintura, colando meu corpo contra o seu. Massageei de leve sua nuca, adorando os murmúrios que ele deixava escapar. Passei a língua por seus lábios, sentindo-os abrirem espaço para que ela entrasse, encontrando-se com a dele, esfregando-se contra ela.
O beijo foi lento, mas ardente. Aos poucos foi parando, ele chupando meus lábios devagar, depois dando suaves selinhos, até que nossas bocas estivessem totalmente separadas, um pouco ofegantes.
– Beijinho de despedida. – Pisquei, travesso. – Boa sorte na prova!
– Acho que eu esqueci uns três capítulos com isso. – Reclamou, coçando a cabeça. – Obrigado. – Virou-se, abrindo a porta e trancando-a logo após fechá-la.
Suspirei, relaxando os ombros. Agora seria só eu e a casa durante toda a manhã e, quem sabe, à tarde também.
– AAAh. – Olhei em volta, desanimado. Não era a mesma coisa sem ele por perto. – Tenho que aguentar, não é? – Dei de ombros. – Vou terminar o café, depois limpo a casa e vou ao mercado... Quem sabe isso me distrai.
Depois de definidas as minhas tarefas, fui terminar o café.
Aquele seria um longo dia.
xxx
Eu quem pensava que as horas não iriam passar. Quando se tem um dia de folga, elas parecem voar!
Perdi a manhã toda arrumando a casa praticamente. Fiz tudo o que podia: passei aspirador, limpei os carpetes, lavei as roupas, troquei as camas, limpei as janelas e os banheiros.
Quando dei por mim, já eram 13h! Precisei preparar um almoço rápido, para não sair muito tarde para o mercado.
Mas... Quem disse que consegui?
Pois aqui estou eu, quase 15h30min, ainda fazendo compras. O lado bom foi que eu consegui passar na casa da Lena e pegar o CD que ela queria me emprestar.
No momento eu estava passeando pela seção de bebidas, admirando a variedade de vinhos que tinha ali. Eu estava com dinheiro extra esse mês, então me daria ao luxo de comprar uma garrafa.
Vinho sempre cai bem com a comida.
– Eu posso aproveitar e tomar com o Kanda, também... – Murmurei, enquanto segurava uma garrafa de vinho tinto nas mãos.
Estava começando a me perder em pensamentos, quando senti dedos grandes tocarem meu ombro com uma estranha delicadeza. Virei-me, desconfiado de quem poderia ser.
Meus olhos quase saíram da cara ao avistar aquela figura alta, morena e de longos cabelos castanhos enrolados, sorrindo displicentemente para mim, exibindo lindos dentes brancos.
– Yo, boy! – Piscou, amigável. – Incrível como o mundo é pequeno, não acha?
– Eu quem deveria dizer isso. – Olhei-o da cabeça aos pés, não acreditando que estava bem a minha frente. – De todos os lugares no mundo, vou te encontrar justo no mercado?
– Irônico, não? – Passou a mão pelos cabelos, presos em um rabo de cavalo. – Fiquei surpreso também! Lembra meu nome?
– Tyki Mikk. – O sorriso no rosto dele só aumentou.
– Waah! Pelo visto, tem boa memória.
– Com um nome estranho desses, quem iria esquecer? – Debochei, mas o sorriso no rosto dele não se desfez.
– Digo o mesmo para a sua aparência, boy. – Cocei a nuca, sem graça. – Mas e aí, se resolveu com o seu bonitão lá?
– Opa. Estamos melhores do que nunca agora. – O sorriso que surgiu no meu rosto não tinha explicação. Tyki pareceu divertir-se com isso.
– Que bom pra você! Assim não fica carente. – Ele ajeitou melhor a cesta de compras que tinha em mãos. – Eu também me engracei agora, então pode ficar tranquilo.
– Hee, garotão feito você, engraçado com alguém? Wow hein.
– Garotão nada! Estou quase beirando os trinta.
– Mas hein?! – Tive de segurar mais forte a garrafa de vinho para que não caísse. Tyki riu da minha descrença. – Mentira. Você deve ter minha idade, por volta de 21 ou 22.
– Tenho 28, gatinho. – Piscou pra mim e eu mal conseguia manter minha boca fechada, de tão espantado que estava. – Deixando isso de lado, você mora aqui perto? Ou estuda?
– Os dois. Sabe a faculdade que fica umas quatro quadras daqui? Eu estudo lá!
– Ooh... – A face dele escureceu de repente, deixando-me desconfiado. – Que bom. – Sorriu novamente, mas algo estava errado.
– Tem... Algum problema nisso? – Perguntei, arqueando uma das sobrancelhas.
– Seu namorado... Estuda com você lá? – Tyki respondeu-me com uma indagação, dessa vez totalmente sério.
– Sim. Novamente: algum problema com isso?
– Bom... – Aproximou-se, o rosto ficando próximo do meu ouvido. – Digamos que lá existam pessoas nada... “Amigáveis”. Se que é me entende. – Sussurrou.
– “Amigáveis” em qual sentido? – Devolvi no mesmo tom, suspeito.
– Eles não são muito tolerantes... Principalmente com pessoas como nós. – Afastou-se e, conforme ele se endireitava, eu pude reparar em uma ponta de cicatriz que surgia em seu ombro, pelo corte da blusa. – Por isso, é bom ficar esperto. – Completou, de volta à sua postura normal.
– Não tenho motivos para me envolver com gente assim.
– Eu sei que não. Só que eles não são do tipo que buscam motivos. – Ele coçou a nuca, para diminuir a tensão. – De toda forma, antes que me pergunte... Um antigo namorado meu estudou lá. Tivemos algumas desavenças com esses caras. Por isso eu sei.
– Que bom que sabe ler minha expressão. – Arqueei ambas as sobrancelhas, quase debochado. Tyki sorriu para a minha reação.
– Bom, boy, não vou mais te irritar. Mesmo porque eu já estou atrasado para o meu compromisso. – Ele esticou a mão, pegando uma garrafa de vinho na prateleira mais alta. – Aqui, esse é muito bom. – Ofereceu-o a mim, pegando a outra garrafa que eu segurava e colocando-a de volta na prateleira. – Tenho certeza que você e seu gato vão aproveitar bastante ele.
Deu uma piscadela, seguindo em direção ao final do corredor. Ainda pude vê-lo sumir após virar à direita, provavelmente indo buscar algo na parte de açougue.
Olhei atentamente para o frasco em minhas mãos. Ele não parecia ser alguém que fizesse chantagens.
– Vamos experimentar, né. – Coloquei a garrafa na cesta, junto com o resto das coisas. – Jesus, olha a hora! Preciso me apressar, antes que o Kanda volte e tenha um ataque por não me pegar em casa. – Disse após olhar no relógio, seguindo direto para o caixa.
E, mesmo que toda aquela conversa parecesse de outro mundo, as palavras de Tyki ecoaram na minha mente durante todo o trajeto de volta.
Por via das dúvidas, eu só ficaria mais atento.
xxx
Cheguei a casa e a primeira coisa que eu vi fora a mensagem de Kanda no meu celular – que, grandiosamente, eu havia esquecido sobre o balcão da cozinha. Nela, ele dizia que se atrasaria mais um pouco, porque estava esperando o pessoal da loja reabastecer as impressoras com tinta.
Respondi a mensagem, dizendo que não havia problemas. Depois foi a guerra para guardar as compras.
Guardar as compras sempre é um saco. Principalmente quando se está sozinho.
– Aleluia, guardei tudo! – Desabafei, passando a mão pela testa.
Agora, eu estava com tempo de sobra para fazer o que eu quisesse.
– Talvez experimentar aquele vinho junto de uma música não seria nada mal. – Sorri, contente com a ideia.
Fui até os armários, pegando de lá uma taça meio gordinha, deixando separada uma segunda, caso Kanda quisesse um pouco também quando chegasse. Depois, voltei-me para a garrafa de vinho, indo abri-la.
Feito isso, enchi até o primeiro terço do copo, deixando a garrafa sobre o balcão. Peguei o CD que Lenalee havia me emprestado, seguindo em direção ao aparelho de som no canto da sala, os meus dedos nunca largando a taça.
Coloquei-a sobre uma das caixas de som, olhando bem para a capa do CD. Era bem bonita, uma peça digna de colecionador, quase.
– Alejandro de Pinedo. – Arqueei as sobrancelhas. – Quem será que deu isso a ela? – Dei de ombros, abrindo a caixinha e pegando o CD, colocando-o no aparelho, apertando “play”.
Não demorou e a primeira música começou a tocar. Peguei o copo, rodando-o um pouco para, logo em seguida, degustar do vinho.
– O que é isso? Chill-out, sério? – Fiz uma expressão perplexa. – Desde quando a Lenalee gosta desse estilo? – Virei-me para o aparelho de som, como se ele fosse responder a minha pergunta. – Ah, ok. Não é totalmente meu gosto, mas ainda sim não é desagradável.
Dei de ombros novamente, indo sentar-me no sofá. O vinho era realmente maravilhoso, apesar de a música não acompanhar tão bem.
Fui degustando dele lentamente, mais concentrado em absorver as diferentes melodias. A coletânea variava entre o pop e o chill-out, mesmo. Nem todas as músicas eram legais, mas algumas me agradavam.
Principalmente algumas com saxofone.
– O que é isso? – Fui tirado totalmente de meus pensamentos pela voz grossa do moreno. – Que raro você usar essa coisa. Nem sabia que tinha CDs. – Comentou, fechando a porta.
– Peguei emprestado da Lenalee. Ela disse que fazia um pouco meu estilo. – Levantei-me, deixando a taça novamente sobre a caixa de som, baixando um pouco o volume para algo mais tolerável. – Como foi lá com as xeroxes?
– Estressante! – Ele disse, deixando a pasta junto com um monte de sacolas perto da mesa da cozinha. – Juro, nunca mais deixo essas coisas para a última hora. Só dor de cabeça.
– Eu avisei você... – Kanda bufou, indo em direção à garrafa de vinho, observando-a. – Deixei uma taça para você, caso queira.
– Não bebo de estômago vazio. – Explicou-se.
– Tudo bem. Mas não deixe de experimentar. É muito bom. – Disse, apoiando os braços na caixa de som, próximo à taça. Só vi o moreno concordar de leve com a cabeça, colocando a garrafa onde ela estava antes.
Nesse ínterim, a música havia trocado de novo. Uma batida suave, mais sensual, começou a encher o ar. E, logo em seguida, entrou o saxofone, triunfal como só ele sabia chegar. Fechei os olhos para me deleitar com a música, adorando o tom meio baixo e sedutor.
– Qual o nome dessa música? – Kanda perguntou, parecendo ter algum interesse. Arqueei ambas as sobrancelhas, incrédulo.
– Deixe-me ver. – Peguei a capa do CD, virando-o de costas. Fiz uma rápida passagem de quantas músicas já haviam tocado, achando qual ele queria saber. – “Sax 4 sex”. É a quinta música do CD.
– “For sex”, é? – Ele indagou, passando as mãos pela minha cintura, a boca praticamente colada na minha orelha. Senti um arrepio passar por todo o meu corpo quando seu hálito quente tocou minha pele, quase derrubando a caixinha.
– Não me assuste assim, por favor! Não quero quebrar nada. – Pedi, meio desconcertado, colocando a caixinha sobre o aparelho de som.
– Não quis te assustar... Só quis... Me aproximar. – Disse em um tom mais sensual que o de costume, o nariz roçando pela minha nuca, descendo meu pescoço. – Eu gostei dessa música.
– Por que será, né? – Debochei, sentindo as suas mãos circundarem minha cintura, apertando precisamente cada pedaço dela.
Kanda foi descendo a boca pelo meu pescoço, beijando cada parte dele, até alcançar meus ombros. Seus dedos foram subindo pelo meu tronco devagar, acariciando, sentindo cada parte dele. Mordi os lábios, meio ofegante.
Devagar ele foi colando o corpo contra o meu, pressionando de leve. Joguei os braços para trás, para conseguir alcançar seu cabelo, sentindo seu nariz se encaixar na curva do meu pescoço. Tombei a cabeça para o outro lado, dando mais espaço para que ele o beijasse, deslizando os lábios e a língua por ele.
Afrouxei um pouco o elástico que prendia seus fios negros. Ele logo tirou minha mão dali, fazendo-me virar de frente. Chacoalhou a cabeça, os cabelos indo de um lado para o outro, até que o elástico saiu, deixando-os soltos sobre seus ombros, uma parte caindo sobre suas costas.
Meus olhos se encheram de vontade com aquela visão.
Kanda aproximou o rosto do meu, passando as mãos por ele, fazendo-as descer ao meu pescoço, os lábios se encontrando com os meus no meio do caminho. Começamos a chupar a boca um do outro, as línguas logo vindo fazer companhia, enroscando-se, massageando-se, dançando.
Suas mãos foram descendo até encontrarem lugar para entrarem novamente por minha blusa, arranhando levemente minhas costas. Já as minhas seguiram até os fios negros que eu tanto adorava, perdendo-se por entre eles, os dígitos se enroscando ali, puxando, acariciando.
O moreno começou a descer mais os dedos, passando-os pela minha bunda, apertando de leve, fazendo um gemido escapar por entre os meus lábios. Tirei as mãos de seus cabelos, passando os braços por seu peito, entregando-me ainda mais ao beijo e aos seus toques.
Suas mãos continuaram o caminho, passando pelas minhas coxas, vindo para a parte da frente do meu corpo.
E, quando eu menos percebi, ele a passou pelo meio das minhas pernas.
Descolei os lábios dos seus, surpreso, apertando os olhos e gemendo baixinho conforme ele enchia a mão na minha excitação.
– Já está duro assim, é? – Kanda disse em um tom sensual, mordendo minha orelha.
– Não duvido que você também esteja. – Rebati, apertando os dedos em sua blusa.
– É bom não duvidar mesmo, porque eu estou. – Respondeu-me, sussurrando ao pé do meu ouvido, dando uma ênfase quase desnecessária no final da frase, fazendo um murmúrio escapar pelos meus lábios, só pela forma como ele falou.
Foi me empurrando devagar, até que eu estivesse encostado contra a caixa de som. Seus lábios vieram de encontro aos meus mais uma vez, as mãos desenhando minha virilha, subindo pela minha pelve, até acharem a barra da blusa, trazendo-a para cima conforme suas mãos iam desenhando meu corpo.
Ergui os braços para que ele pudesse tirá-la, jogando-a para qualquer canto da sala. Seus lábios vieram até minha bochecha, depois começaram a descer lentamente, passando pelo meu pescoço, meus ombros, até chegarem ao meu peito.
Deslizou a língua por ali, vez ou outra arranhando os dentes, fazendo-me arfar só pela visão que eu tinha de seu rosto. Foi até um de meus mamilos, começando a brincar com ele usando a boca, uma das mãos dando um jeito no outro. Não se demorou e começou a descer os dedos pelos meus músculos, como se os desenhasse; passava-os por cada curva, cada mínimo desvio.
– O que você quer? Me matar com essa visão? – Ironizei, sentindo meu corpo todo arrepiado, um sentimento de desespero tomando conta dos meus músculos, para poder tocá-lo logo.
– Não. – Respondeu-me, soltando meu cinto, baixando meu zíper. – Só estava querendo te seduzir, mesmo. – Desceu um pouco minha calça, passando a língua por minha ereção, ainda confinada na peça íntima.
O gemido que escapou de meus lábios, naquele instante, não podia ser descrito com palavras.
Eu ainda ficava muito desconcertado quando Kanda começava a agir assim. Fazia um mês e meio desde aquele infeliz incidente, mas, de lá para cá, ele havia se soltado de uma forma que conseguia surpreender até a mim.
Remexi-me um pouco enquanto sentia-o dar leves beijos na minha excitação. Em seguida, colocou só a cabeça entre os lábios, chupando-a ainda por cima da peça de roupa. Levei uma das mãos até seus cabelos, afundando os dígitos ali, apertando-os entre eles.
– Kanda, não faça isso comigo. É tortura. – Choraminguei, vendo-o rir da situação.
– Depois você fala que eu sou o desesperado. – Baixou minha peça íntima, deixando-a ir ao chão junto com a calça, a qual eu fiz questão de chutar para bem longe dali.
Não esperou mais e deixou que minha ereção deslizasse para dentro de seus lábios, fazendo-me soltar um gemido alto e acentuado, enunciando seu nome. Fez longos movimentos de vai e vem, mexendo precisamente a língua entre eles, uma de suas mãos vindo até minha bunda, as unhas sendo cravadas ali sem dó.
Comecei a arremeter o quadril em sua direção, querendo ir mais fundo dentro de sua boca. Ele levou as mãos até os lados do meu corpo, segurando firmemente, impedindo-me de continuar os movimentos. Deixou minha excitação escorregar para fora de sua boca, indo mordiscar de leve minha pelve.
Forçou-me a dobrar os joelhos, eu caindo sentado em seu colo. Gemi, sentindo sua ereção roçar em minha bunda, ainda totalmente confinada dentro da calça jeans.
Aliás, ele estava com peças de roupa demais para aquela situação.
Enquanto ele se ocupava em lamber e beijar meu peito, brincando com meus mamilos, tratei de puxar a barra de sua blusa, dando um chá de sumiço nela instantes depois. Kanda levou a mão até meu rosto, fazendo-me encará-lo.
Foi um respirar para estarmos nos beijando novamente, as mãos afoitas passeando pelos peitos desnudos, as costas, até mesmo os rostos e cabelos.
Ele foi arrastando-se pelo tapete, comigo ainda em seu colo, até achar o sofá, encostando-se contra ele. Separei os lábios para começar a descer por seu peito, beijando, chupando e fazendo questão de marcá-lo.
Soltei seu cinto num piscar, puxando para baixo a calça e a peça íntima, livrando sua ereção do confinamento. Não tardei a colocá-la na boca, fazendo rápidos movimentos de vai e vem, desesperado para senti-lo. Em resposta, Kanda gemia de forma entregue, deliciado com minha maneira de chupá-lo.
Levou os dedos até meus cabelos, acariciando-os, puxando-os quando via necessidade. Tirei a boca de sua excitação, indo beijá-lo, sendo recebido de bom grado. Comecei a me esfregar contra ele, friccionando as ereções, gemidos escapando por entre o beijo afoito, necessitado.
Kanda me fez parar quando colocou as mãos em meu quadril, trazendo-me para mais perto, para que pudesse me abraçar. Deixamos os lábios escorregarem um pelo outro, chupando-os, puxando o ar toda vez que víamos uma brecha.
– Tem... Camisinha na sua carteira? – Perguntei antes que ele tomasse meus lábios uma vez mais.
– Não. Por que deveria ter? – Indagou, mordendo meu lábio inferior e o puxando de leve.
– Para situações como essa. – Revirei os olhos, reparando que minha blusa havia ido parar no encosto do sofá. – Veja só que sorte. – Estiquei-me para tentar alcançá-la, sentindo Kanda se aproveitar da situação para beijar mais minha barriga e minha pelve.
Com um pouco de custo, alcancei a carteira no bolso da blusa, pegando o preservativo de lá e dando um fim nela. Chacoalhei o pacotinho em frente aos olhos negros, vendo-os praticamente seguir o movimento.
– Às vezes eu te acho uma graça, sabia? – Brinquei, abrindo a embalagem.
– Só às vezes? – Ironizou, assistindo eu colocá-lo sobre seu membro com cuidado. – Oe, você vai mesmo fazer sem...?
– Lubrificante? – Completei a frase dele, fazendo-o concordar com a cabeça. – Ah, não tem problema uma vez ou outra. – Fiz um gesto para que ele escorregasse um pouco pelo tapete, para ficar mais deitado. – Só que... – Fui até o pé da sua orelha, sussurrando: – Você vai precisar ter um pouco de paciência comigo.
O moreno concordou levemente com a cabeça. Beijei sua bochecha com carinho. Fui me ajeitando melhor sobre o seu corpo, até sentir sua ereção roçando em mim. Aproveitei seus joelhos dobrados como apoio, direcionando sua excitação para a minha entrada.
Respirei bem fundo e fui descendo devagar, apertando um dos olhos. Kanda trouxe as mãos novamente ao meu quadril, dando-me mais sustentação, para que não acabasse errando o ritmo. Suspirei aliviado quando consegui fazê-lo entrar totalmente dentro de mim.
Sem delongas, ele endireitou-se, ajudando-me a trançar as pernas em volta de sua cintura. Colou os lábios nos meus mais uma vez, sua mão descendo para a minha excitação, masturbando-a com precisão.
Achava impressionante a forma como Kanda fazia aquilo. Ele acertava o ritmo exato para me masturbar. Dizia que era fácil, porque nós éramos muito parecidos nesse aspecto.
Descolou os lábios dos meus, descendo-os pelo meu pescoço, chupando e marcando aquela região. Fui com as mãos até seus ombros, empurrando-o um pouco para que desencostasse.
Kanda parou tudo o que fazia naquele instante. Apertei levemente seus ombros conforme me mexia, bem lentamente, primeiro para cima, logo depois para baixo. Aumentei o ritmo progressivamente, adorando a forma como ele conseguia deslizar aparentemente sem muitas dificuldades.
Novamente suas mãos vieram até minha cintura, ajudando-me a acertar o ritmo das estocadas. Em segundos eu já estava arremetendo alucinadamente contra seu corpo, adorando a forma como, naquela posição, ele conseguia acertar tão bem a minha próstata.
– Isso mesmo, Kanda...! Assim, assim mesmo! Urgh. – Eu gemia tão alucinadamente que era bem provável que eu estava desconcertando-o mais do que o normal.
E, apesar de supostamente ser eu no comando, quem estava ditando o ritmo era ele.
Queria ir mais rápido e que ele fosse com um pouco mais de força, mas a posição não permitia. Como se fosse um chamado mútuo, Kanda me parou, deitando-me devagar sobre o tapete, nossos quadris nunca descolando.
Após me deitar totalmente sobre a tapeçaria, voltou a investir, dessa vez no ritmo que eu estava querendo: rápido e forte. Não acertava minha próstata com tanta frequência, mas quando conseguia, eu praticamente via estrelas de tão boa que era a sensação.
Enfiou uma das mãos por entre nossos corpos, achando e massageando minha ereção com desespero. Retorci-me, sentindo o ápice bem perto.
– Isso Kanda! Desse jeitinho, vai. Só mais um pouco...! – Suplicava, depois de ele ter achado o ponto exato como acertar minha próstata repetidas e repetidas vezes. Levei as mãos até o tapete, arranhando as unhas ali, tentando segurar em algo. Em vão.
Não demorou quase nada para eu atingir o orgasmo depois daquilo. As mãos precisas dele em meu membro e suas estocadas foram demais para que eu pudesse retardar.
Depois de me aliviar, Kanda ajeitou sua postura, para conseguir investir melhor contra mim. Continuou no ritmo que estava, aumentando pouca coisa conforme sentia o orgasmo chegar.
Não consegui contar quantas vezes exatamente ele arremeteu contra meu corpo, mas não demorou muito tempo para que gozasse também. Percebi, pois a velocidade das estocadas foi diminuindo até que ele parasse, o corpo caindo sobre o meu.
Conseguia ouvir sua respiração ofegante em minha orelha, seus braços se fechando em volta de meu corpo, num abraço terno. Passei os meus braços por suas costas, apertando-o contra mim, adorando sentir seu cheiro.
E, naquele momento, ele estava cheirando a sexo. Não sei por que, mas eu adorava aquele cheiro nele. Principalmente porque ele fazia comigo.
– Walker. – Meus pensamentos foram cortados pela voz dele em meu ouvido. – Faça-me um favor, sim?
– Se eu conseguir...
– Pegue mais CDs emprestados da sua amiga. Sério. – Não contive a gargalhada, tendo de tampar a boca para que não ficasse tão escandalosa.
– Ok, pode deixar.
Eu mal havia reparado que o CD já tinha acabado. Depois de recuperar o fôlego, Kanda saiu de dentro de mim devagar. Assisti-o retirar o preservativo e ir jogá-lo fora no banheiro de seu quarto.
Quando retornou, eu ainda estava atirado contra o tapete, exausto.
– Eu não te desgastei tanto assim, vai. – Disse, vindo ajudar-me a levantar.
– Não, mas... – Ronronei, agarrando-me em seu pescoço. – Né, Kanda, vamos tomar banho juntos! Pra eu aproveitar você só mais um pouquinho...
Seus olhos se arregalaram com meu pedido, mas logo voltaram ao normal, um sorriso surgindo em sua face.
– Tudo bem, mas eu quem vou lavar você. – Concordei com a cabeça, conforme era arrastado pelo braço até meu banheiro.
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– Não acredito nisso! – Exclamei, incrédulo. – Eu perdi minha novela!
– Haa? – Kanda exclamou, provavelmente fazendo alguma daquelas caretas estranhas dele.
Depois do longo banho que tomamos, eu ainda preparei o jantar, o qual nós aproveitamos com uma boa taça daquele vinho tinto. Só fui me tocar da novela depois de ter guardado toda a louça e arrumado a cozinha.
Mas já era tarde demais.
– Tá vendo só, Kanda! Tudo culpa sua. – Reclamei, chateado. – Podia perder tudo, menos a minha novela!
– Ah, a culpa foi minha? – Ele debochou, enquanto se atirava contra o sofá. Pude perceber pelo barulho das almofadas.
– Foi sua sim! – Virei-me para ele, fazendo bico. – Se você não quisesse transar àquela hora, eu não teria perdido!
– Oh, claro. E o senhor nem queria transar, também. – Continuou debochando, apoiando o cotovelo no braço do sofá e a face na mão.
– Eu não queria, não. – Choraminguei, fazendo o moreno revirar os olhos. Ele estendeu a mão, como quem pedia o controle. Dei a ele.
– Sério? Não foi isso que seu corpo me disse... – Ironizou, começando a trocar compulsivamente de canal, parecendo entediado.
Sentei-me também no sofá, mas não esperei sequer um segundo para deitar a cabeça em suas pernas, ajeitando melhor meu corpo no restante do móvel. Seus dedos logo vieram até minhas mechas brancas, acariciando-as, vez ou outra as enrolando.
De repente, o silêncio instalou-se entre nós, quando Kanda parou em algum canal de filme de ação. Estava com a atenção totalmente voltada para a tela da TV, tanto que até havia parado o carinho em meus cabelos.
– Né, Kanda. – Chamei-o, mas nada dele responder. – Kanda! – Chamei outra vez. Sem reação. Inflei as bochechas que nem criança, irritado. – Kanda!
– Ai, como você é chato, moleque! – Ele apertou meu nariz, fazendo-me abrir a boca para respirar. Nesse instante, tomou-a para si em um beijo.
Conforme nossos lábios iam dançando, ele foi soltando meu nariz, sua mão acariciando minha bochecha, outrora meus cabelos, as línguas se enroscando, massageando, as bocas se chupando, tudo na maior calma.
O beijo foi ficando mais lento, tornando-se só um tocar de lábios. Depois, alguns selinhos, até que finalmente paramos.
Quando meus olhos cruzaram com os dele, eu sorri, encantado pela forma como eles brilhavam.
– Um mês e meio, e você já está assim, apaixonado? – Brinquei, arrancando um sorriso dele.
– Eu sempre estive, tonto. – Voltou seu olhar para TV, mas dessa vez fazendo cafuné em mim. – Eu só não sabia como expressar isso direito.
– Acha que melhorou?
– Consideravelmente. – Ajeitou-se melhor no encosto do sofá, perdendo-se nas imagens que passavam na tela.
– Que bom. Porque eu também acho. – Comentei, mas ele não mais estava prestando atenção.
Nem me dei ao luxo de virar e olhar para a TV. Eu estava cansado e os dedos dele em meus cabelos eram um belo convite para tirar um cochilo ali mesmo. Kanda reclamaria depois de ter de me levar para o quarto, mas era irresistível.
Depois de tanto brigar, finalmente nossa relação estava andando bem.
Infelizmente, as coisas não ficariam tão bem quanto eu estava desejando.
Notas finais
- ISSO DAQUI É IMPORTANTE: o capítulo 6 pode atrasar um pouco, ok? Isso porque ainda essa semana que entra, eu estarei enrolada com as aulas de volante. Vou tentar adiantá-lo durante o final de semana, mas não é promessa. Então, tenham muita calma, tá? Obrigada pela atenção!
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