Snow White

1 Prologue


Notas iniciais
E eu tenho o poste compulsivo! Mais uma história original para vocês ^^ Espero que gostem.

Os corredores da escola estavam vazios, todos estavam nas arquibancadas esperando que o jogo começasse. Todas as salas também estavam vazias. Quase todas, menos uma.

Dois jovens estavam nela. O garoto, moreno de olhos azuis, usava vestes do time de futebol da escola, estava sentado em uma cadeira fitando à namorada que estava com os olhos vermelhos.

– Amy, me fala, o que aconteceu? – indagou levantando-se e a abraçando.

– Eu... – ela terminou a frase em um sussurro – estou grávida.

“Eu estou grávida”. Aquelas palavras foram suficientes para o abraço ser quebrado. Ele analisava a barriga da garota, o silêncio instalou-se ali em questões de segundos. Ele queria dizer algo, porém não encontrava a sua voz, era como se ela houvesse se perdido em seus pensamentos que estavam embaralhados. Mais lágrimas rolaram pela face da alva de Amy Snow.

– Não se preocupe, John, esta é a última vez que irá me ver, você... Eu irei ter esse bebê, o aborto é a última coisa que eu quero pensar, e assim que ele ou ela nascer nós... – a garota permitiu que uma lágrima escorresse por sua face alva e com um suspiro terminou – Você pode seguir sua vida – Amy desatou a correr da sala, não se importava se os demais vissem as lágrimas que rolavam por sua face, ela sabia que nenhum iria barra-lá e perguntar o que houve.

John Campbell continuava parado, tentando assimilar tudo aquilo. Ele seria pai! Um sorriso brincou em seus lábios, mas logo fora desfeito por lembrar-se das últimas palavras da garota.

“Não se preocupe, John, esta é a última vez que irá me ver...”

Ele saiu correndo da sala, sem ao menos notar a presença de alguém que ficara escondida observando tudo no mais absoluto silêncio com um sorriso vencedor em sua face. John começou a gritar por Amy, mas sabia que já era tarde, ela era muito rápida, podia muito bem está há metros de distância dali agora. Ao chegar aos portões da escola, foi que realmente se deu conta do que aconteceu. Ela havia ido para nunca mais retornar. Permitiu que todos aqueles sentimentos, e principalmente a frustração por perder a garota que amou fosse liberada por lágrimas incessantes e silenciosas.

– Nós sabíamos que um dia ela iria te deixar – a voz de Melissa Parker soou ao seu lado. – Ela não é como nós, John, ela nunca seria – o garoto adquiriu outra reação indecifrável. Medo. Raiva. Tristeza, tudo junto. – Vem, vamos sair daqui – ela segurou a sua mão e o puxou de volta para a escola. Agora, a cada local pelo qual passavam ele a via com seu livro.


***

Amy Snow continuava a correr pelas ruas. Suas lágrimas misturaram-se com as gotas de chuva que caíam, e por fim, cessaram com estas. As roupas da garota estavam completamente encharcadas e coladas ao seu corpo, demonstrando suas curvas e um leve inchaço na região abdominal.

– Agora somos somente nós – murmurou com a voz embargada e acariciando a barriga.

Amy deveria preocupar-se com outras coisas como por exemplo: o que sua avó iria dizer? O que iria acontecer?

Provavelmente a avó iria querer que a criança nascesse. Mas como Amy iria cuidar de um bebê, de sua avó e de seus estudos?

Amy resolvera contar primeiro para a avó sobre a gravidez, depois tomaria outras decisões. Mas ela não iria voltar para aquela escola.


A princípio a avó não gostara muito da ideia de sua neta está grávida, ainda mais sem a criança ter um pai presente. Mas assim como a neta, a possibilidade do aborto fora ignorada. A velha Sra. Snow não gostou muito disso, mas Amy a convenceu que isso seria o melhor, então depois de um longo diálogo, a Sra. Snow acatou a ideia.

Amy subira as escadas afim de tomar uma ducha, para que a água morna escorresse pelo seu corpo e levasse embora uma parte daquilo.

Assim que a água entrou em contato com sua pele ela sentiu seus músculos relaxarem. Sua mente vagueava para diversos momentos diferentes e por mais que quisesse evitar não conseguia deixar de pensar em John, e lembrar-se dele era torturante, saber que não poderia ficar mais ao lado dele. Ela balançou a cabeça com o propósito de tirar aquilo da sua cabeça. Deveria tomar decisões, e a primeira era que iria procurar um trabalho logo cedo de manhã.



***

Nove meses depois

Nove meses é um longo período, e em um longo período, muitas coisas podem acontecer. Devem acontecer.

Amy conseguira um emprego como garçonete em uma lanchonete, a “Conny’s Lunch”. O dono, Jerad, colou o nome em homenagem a sua mulher, Conny. Ele era um cara baixo, rechonchudo e muito gentil. Desde o falecimento da avó de Amy, ele a tem tratado como se esta fosse sua filha, já que teve cinco, e todos eram garotos. Cory, o mais velho, apesar de ter seus quatro anos irritava-se facilmente; Mattew, ele tinha três anos, era prestativo e doce; Alex, tinha dois anos, porém vivia dormindo; e os gêmeos: Josh e Chord, com dois meses, Josh era alegre e vivia sorrindo de um modo encantador, já Chord tinha um olhar curioso, ele sempre procurava diversos objetos com seus olhos.

Todos eram magros e altos, como a mãe, Conny Salling, porém possuíam cabelos castanhos (com exceção de Alex e Chord que eram loiros como ela) e olhos acinzentados do pai.

Amy estava servindo um freguês, quando sentiu pontadas na parte inferior de sua barriga, no começo as ignorou, mas depois elas começaram a ser mais fortes e vinham em intervalos de tempo menores.

Amy fechou os olhos e enterrou as unhas no balcão, esperando que logo passasse.

– Amy? – a voz gentil de Conny soou, assim que pôs uma mão nos ombros da garota. – Tudo bem, querida?

Amy assentiu, mas no mesmo instante a dor voltara, a morena comprimira os lábios afim de reprimir um grito, mas as pálpebras estavam fechadas, o cenho franzido, e os lábios crispados. O cenho de Conny franzira-se ao observar aquela cena, até saber do que se tratava.

– Oh Deus! – murmurou. – Jared! Jared! – gritava.

– O que aconteceu? – Jerad apareceu com Mattew rindo em cima de suas costas.

– Ligue o carro, a pequena Liz está querendo vir ao mundo! – exclamou feliz.

Logo todos os Salling estavam dirigindo-se ao hospital, dentro daquela van preta, acompanhando Amy que suspirava pesadamente e era bombardeada por perguntas dos meninos que riam.


***

Ao descerem do carro, mal notaram a enorme mancha de sangue que havia ficado sobre o assento onde a jovem havia sentada, ela poderia ser considerada normal dada às circunstancias, caso não viesse acontecendo repetidamente.


***


Amy já estava há um bom tempo na sala de cirurgia, enquanto do lado de fora os garotos brincavam com carrinhos no corredor do hospital e Conny andava de um lado para o outro dizendo que já dera a luz quatro vezes e que nenhuma demorara tanto, nem mesmo a dos gêmeos que agora descansavam.


***

Do outro lado da porta, enfermeiros corriam de um lado para o outro buscando gazes e outros equipamentos.

Amy estava mais pálida que o normal, as dores não cessavam nunca e os minutos passavam lentamente. O eletrocardiograma mostrava os lentos batimentos de seu coração.

Perguntas como: ‘Isso é normal?’, ‘Será que ela iria morrer?’, ‘Será que iria morrer sem ao menos conhecer seu bebê?’

Ela fora puxada de volta à realidade pelo choro de um bebê. Sua visão estava turva, escutava os sons distantes. Mas aquele som...

Seus olhos encheram-se de lágrimas instantaneamente ao ver o pacotinho que a enfermeira vinha trazendo ao seu encontro.

Ela sabia que aquela era a última vez que veria a sua menina, uma voz bem no seu interior lhe informava. Sua filha era linda!

Pele alva como a neve que caí durante o inverno...

Lábios vermelhos como sangue que corre por nossas veias...

E cabelos negros como a escuridão habitada no mais profundo do nosso interior.

Aquela era Elizabeth Snow, que tanto assemelhava-se com Amy, exceto os olhos, que eram azuis como o céu, que pertencia ao seu pai, mas aquilo não importava no momento.

Sua visão estava turva, os movimentos na sala evoluíram, mas nada disso parecia ser importante ao por seus olhos na pequena Liz. E com uma última lágrima ela murmura para o bebê que estava nas mãos da enfermeira:

– Mamãe te ama, Liz – então seu olhar ficara vago no mesmo momento no qual o eletrocardiograma indicava que já não havia vida naquele corpo.


***

O médico atravessou às portas com um olhar triste, Conny e Jerad logo se puseram de pé, esperando as notícias.

– Nós fizemos o que podíamos – ele falou. Conny enroscou-se no marido e começou a chorar. – A criança está bem, mas a garota... Ela tinha uma hemorragia, nós não conseguimos fazer nada. Eu sinto muito pela sua filha – ele mandou um sorriso reconfortador. – A menina já se encontra na maternidade, caso queiram vê-la.

– O que foi, mamãe? – Cory perguntou aproximando-se de sua mãe.

– Nada, meu anjo – ela respondeu limpando as lágrimas. – Quem quer conhecer a Liz? – ela tentou fingir um tom animado, enquanto os meninos gritavam “eu!”.

Ela guiou o carrinho duplo aonde os gêmeos estava dormindo, até a maternidade, sendo seguida pelos filhos e pelo marido. Jerad dera um espaço para ela, ele sabia que para Conny, Amy era sua filha. Quando chegaram na janela da maternidade, viram muitos bebês.

– Qual dele é a Liz? – Alex perguntou.

– Acho que é aquela – Jerad falou indicando a enfermeira que aproximava-se com um bebê no colo, que tanto assemelhava-se com Amy.

– Jerad, nós iremos...

– ... Cuidar dela como se fosse nossa filha – falou completando a linha de pensamento de sua esposa.


***

O funeral de Amy fora algo simples, sem muita movimentação. O padre pregara sobre como deveriam seguir sua vida sem aquela jovem seguidora de Cristo, e que agora, ela havia partido e deixado um pedaço de si no mundo. Estavam presentes alguns colegas de trabalhos, ex-colegas de classe (não todos). Mas o que deixou a todos emocionados fora quando Alex observou ao longe a garota que estava no caixão e perguntou:

– Por que ela está dormindo durante o dia? Nem eu durmo.

– Por que ela está cansada, Alex – Mattew respondeu fazendo com que todos ali chorassem. – E daqui a pouco ela irá acordar, não é mãe? – Conny manteve-se em silêncio com os olhos marejados. – Pai? – a voz do garoto estava embargada. Jerad também ficou calado, deixando a mostra seus olhos vermelhos.

– Ela vai acordar Matt! – Cory berrará com lágrimas. Ele gostava muito de Amy, a tratava como uma irmã. – Ela vai acordar! Ela... Vai... Acordar... – agora repetia as palavras mais para si do que para terceiros, como se quisesse aceitar o fato de que ela iria acordar a qualquer momento e iria abraça-lo, brincar com ele, lhe contar histórias. Ele sentou-se no chão e deixou que lágrimas lhe escapassem do rosto. Matt e Alex depois de compreender aquilo, também derramaram lágrimas que foram consoladas pelos pais.

O fato é que Amy nunca mais acordou desde a última vez que fechara os olhos. A sua cortina fora fechada, mas uma parte dela ainda vivia, e ela tinha nome e sobrenome. Elizabeth Snow.

Notas finais
Entoces? Eu me emocionei nesse final com os garotos.
Kisos, e até mais.