Snow White
2 Level One - Complete
Notas iniciais
Dezesseis anos depois
John Campbell. Presidente das "Corretoras de móveis Campbell". Casado com Melissa Parker Campbell, ex-colega de classe. Sem filhos com esta. Tem uma vida bastante agradável, se tirasse o fato de que realmente ainda sentia-se culpado por ter deixado o amor de sua vida ir embora e não mover um dedo com medo da represália dos demais.
No momento ele estava em seu escritório esperando pelo detetive que contratara para saber sobre o que aconteceu com Amy. Onde ela estava? Porque nunca mais deu notícias? Ela tinha se casado novamente, assim como ele? O lápis que segurava batia em um ritmo frenético em sua mesa. Constantemente levantava a visão para ver se já estava tão próximo assim o horário do detetive vir. Cada ponteiro movia-se lentamente, como se quisesse o fazer sofrer e esperar pacientemente algo que ele não poderia.
"O que devo fazer?", pensou. "E se ela ainda estiver na cidade? Eu... eu acho que devo conhecer meu filho ou filha. Nem para me dizer o sexo, nem ao menos uma carta em dezesseis anos".
– Senhor? — a voz de sua secretária soou o tirando de seus pensamentos, ele ergueu o olhar para encontrar a jovem sorrindo amigavelmente, ele correspondeu. — Você tem visitas.
– Mande entrar, por favor — ela assentiu saindo da sala.
Momentos depois a porta da sala fora aberta e um homem a atravessou. Ele aparentava ter cerca de quarenta anos, usava um sobretudo preto que dificultava a visão de suas vestes. Ele apresentou uma mão para John em forma de comprimento, que a apertou firmemente e indicou a cadeira a frente de sua mesa para o detetive sentar-se.
– Então? Alguma... — o detetive Thompson fez um gesto com a mão indicando para o homem parar de falar imediatamente. Um longo suspiro escapou pelos lábios de Thompson, fazendo com o que o cenho de John se franzisse levemente.
– As notícias que trago não são as melhores, John — Richard falou. — A Amy, ela faleceu — um meio sorriso confortador surgiu na face de Richard. Ele sabia o quanto o amigo gostava de Amy e que ainda não havia a esquecido.
– Fa-faleceu? — gaguejou John.
– Sinto muito. Ela faleceu ao dar a luz a sua filha, John. Algum tipo de hemorragia — Richard disse. John continuava estupefato, definitivamente ele nunca mais iria a ver, era isso a única coisa que conseguia pensar. John sentira as lágrimas que queriam formar-se em seu rosto por saber que havia perdido em um jogo muito maior do que ele poderia pensar. Um jogo em que não há revanche. Um jogo, onde somente um pode ganhar. E vencedor fora a ceifadora. Ele perdeu a pessoa amada para algo maior do que ele.
Sentia as lágrimas formarem-se em seus olhos, mas ele não poderia deixar que ninguém o visse assim, nem mesmo Richard, o seu amigo de infância. Mas eram involuntárias. Era como se elas tivessem vida própria, elas tomavam a visão de John e queriam mostrar o quão fraco era. O quão estúpido fora, por deixar as diferenças e o medo do que o seu pai poderia fazer o afastar de Amy. Se ele tivesse procurado por ela mais cedo, talvez ela ainda estivesse ali, com ele...
– Ficar se culpando não irá adiantar em nada, John — Richard falou como se lê-se a mente do amigo. — Acho que você sabe que só há uma coisa que você queira fazer no momento, e creio que você não quer, por julgar ser fraco se a fizer.Lágrimas não demonstram fraqueza, John! Elas representam aquilo que você está sentindo, elas vêm para ajudar-lo a amenizar o que sente.
– Mas eu não gosto de chorar! — John exclamou com a visão borrada. Richard balançou a cabeça.
– Muitos não gostam, mas isso não significa que eles não chorem — Richard deu de ombros. E esperou que John falasse algo. Depois de minutos em silêncio, foi que John murmurou algo com a voz embargada.
– Em qual cemitério ela foi enterrada?– John fitou o amigo com os olhos vermelhos, sendo que de cada um, uma lágrima silenciosa percorria a face.
– Cemitério Baudelaire — Richard respondeu automaticamente. John assentiu.
– E a minha filha? Você tem algum tipo de informação dela? Onde mora? Com quem? O nome? — John indagou. Ele já sabia que a garota deveria ter cerca de dezesseis anos.
– Tenho poucas informações sobre ela, mas creio que seja o suficiente para você. Ela se chama Elizabeth Snow...
– Campbell– John interrompeu o outro.
– Mais ou menos. Seu sobrenome não foi posto no dela, somente o da mãe. Por isso: Elizabeth Snow. Parece que ela vive com uma família dona de uma lanchonete, a "Conny's Lunch", os donos empregaram a mãe dela quando esta ainda estava grávida, depois que ela morreu eles meio que adotaram a garota, que é criada com mais cinco garotos. Eles são filhos biológicos do casal, sendo que dois deles têm a mesma faixa etária de Elizabeth — John apenas assentia a cada informação revelada sobre o paradeiro de sua filha.
– Mais alguma coisa? — perguntou John.
– Sim — Richard abriu um largo sorriso. — Achei que iria gostar disso — ele retirou das vestes um envelope amarelo e o entregou para John.
– O que é isso? — John perguntou confuso observando aquele pacote amarelo em suas mãos.
– Isso,é um presente — Richard falou, observando o amigo retirar o conteúdo do envelope. — Se é que se pode chamar de presente — John ainda estava estupefato observando aquelas fotos.
– É ela? — perguntou John. Richard assentiu. Logo um sorriso abriu em sua face, acabando com os vestígios das lágrimas. As fotos de sua pequena estavam em sua mão. Ela era extremamente parecida com a mãe, fisicamente, e aquilo fez com que John lembra-se de Amy mais ainda, desde a época de escola. Elizabeth era uma cópia perfeita da mãe, mas havia algo que a diferenciava dela. Os olhos. John aproximou a foto para ter mais certeza de que seus olhos não pregavam-lhe uma peça. Os olhos da garota eram como os seus. Azuis.
– E agora vamos ao pai coruja — Richard falou sorrindo ao ver a expressão de John.
– Não, não agora — os dois riram.
– Acho que o meu trabalho por aqui já acabou — Richard falou levantando-se. John ergueu a mão com o envelope em que as fotos constavam, pronto para entregar para Richard. — Não, são suas — ele falou.
– Obrigado — John falou. Eles trocaram um aperto de mão antes do detetive Thompson partir novamente. John sentou-se na cadeira e retirou as fotos novamente para fitá-las. — Elizabeth Snow, minha filha — murmurou fitando a jovem que sorria nas fotos sem ao menos se dar conta de que estava sendo fotografada.
***
Em uma outra sala, em um outro lugar, mais precisamente no conforto de sua casa, Melissa Campbell, observava o marido trabalhando por meio de suas câmeras infiltradas sem o consetimento deste. Ela bebia uma taça de champanhe enquanto observava ele bater o lápis sobre a mesa em um ritmo frenético, como se estivesse nervoso. Melissa estranhou aquilo, estava levantando-se para pegar um casaco e ir ao escritório, mas interrompeu-se ao ver uma figura entrar na sala. Ela acomodou-se escutando a conversa 'privada' de seu marido.
Então aquela história que ela inventou para a garota Snow de nada adiantou, nem aquelas ameaças para ela afastar-se de John? Pelo menos ela estava morta, o que já era um ponto para Melissa. Quem diria que aquele dia na escola seria o último dia que ela veria Amy, pois é, somente ela veria Amy, afinal, ela estava escondida observando e escutando atentamente a conversa que ela estava tendo com John e contou para ele que estava grávida, o que no momento, Melissa pensara que fora apenas para afastar o garoto, mas ela realmente estava. Ela precisava fazer algo para continuar com sua fortuna toda para ela, e nada de herdeiros de John, claro, a não ser que estes viessem de seu ventre. O que era o pouco mais díficil, afinal, era estéril, mas John não sabia disso.
Primeiro ela deveria fazer algo para tirar da uma peça de seu jogo. Elizabeth Snow. Ela dirigiu-se para seu closet, e logo abriu uma porta escondida, que somente ela e mais ninguém sabia da existência. Assim que abriu a porta, pegou um pequeno frasco que tinha como tampa, uma miniatura de uma maçã feita a mão, muito delicada, o conteúdo era líquido roseo. Ela destampou o frasco e levou ao nariz para sentir o cheiro adocicado que o líquido exalava. Muito tentador. Mas seria apenas uma gota, e o veneno da maçã iria destruir quem quer que fosse.
Melissa voltou a fechar o frasco e sorria para o vazio.
– Primeira fase: completa– murmurou.
Notas finais
Gostaram? Reviews? *-* Então, no próximo talvez a Amy apareça.
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