Snow

15 Três anos depois...


Notas iniciais
Dps de tomar vergonha na cara, vim aqui postar, amores *o* Desculpem mesmo a demora, tinha esquecido q não tinha fechado essa fick ainda, anyway, agora vamos terminar, lembrando que esse é o penultimo capitulo >< poisé, só mais um >< enfim, esse capítulo vai para Queen Seelie e para Sarah Weasley *o* trilhares de obrigadas, garotas, por esse presente no penultimo capítulo dessa fick q foi muito gostosa de se fazer *-* Enjoy

Três anos depois...

Os dias passaram, as estações mudaram e todo inverno, Persefone sentava-se na escadaria do templo de sua mãe, por onde tinha morado e aprendido a lutar, e encarava os pequenos flocos de neve escorrer por sua pele.

Aquele era o seu modo de lembrar tudo o que havia acontecido naqueles meses que esteve lá embaixo, trancada em um castelo, tendo os melhores momentos de sua vida.

Suspirou, esticando a mão para a neve deslizar pelas costas dela, enquanto pensava no quão triste havia ficado.

Durante a guerra, onde de fato colocou em pratica todas as aulas intensivas que teve com Atena e nos dias livres com Ares, não pensou. Somente agia.

Pela primeira vez, havia matado e enquanto todos pensavam que ela ficaria ruim com aquela sensação, de ter tirado a vida de algo vivo, tudo o que Persefone fez foi dar de ombros e dedicar-se ainda mais as artes marciais. Era a sua forma de manter sua mente calada, sem pensar em como Hades estava, se Shadow ainda cozinhava daquela forma maravilhosa ou mesmo se Jack tinha sobrevivido.

Mas, seu fundamento principal, era manter-se sem sentir, fosse dor, fosse amor. Era um diamante, intacto, brilhando, mas não precisava compreender muito para achar bonita.

Com a vitoria do Olimpo, mais uma vez, o que ela pensou ser irônico, mas ao mesmo tempo aliviador, tentou se divertir ao máximo com Apolo, uma vez que ele e Artemis estavam de bem, assim como todos os demais casais do Reino dos Céus.

Saiam, em um grupo enorme, iam para as mais badaladas festas, divertiam-se com os mais diferentes humanos, contudo, tudo o que Perséfone sentia ao final, ao chegar em casa, era que se enganava.

Andava sempre se enganando.

Voce ainda o ama, sua tola, pensou tristemente, assistindo todos os campos de sua mãe se tornar um mar branco de neve. Estava como aquele clima.

Então, aquela era a sensação de ser negada? Ou de ter se enganada pelo amor?

Suspirou, que fosse, não ligava.

Escutou a risada melodiosa de Apolo aproximando-se.

- Ah, aqui está minha garotinha... – e o deus sol sorria, de mãos dadas com Artemis. – Uau, aqui não está um pouco frio?

Perséfone deu de ombros, dando um sorriso culpado.

- Está bom.

- E você não parece muito alegre. – disse Artemis, a encarando com aqueles belos olhos prateados. – Acho que não devia estar fazendo isso.

Artemis era a única que compreendia o porquê de fazer aquilo.

- Eu sei que não, Art, mas...

Apolo, que nada sabia, olhou as duas interrogativamente.

- Ok, não sei sobre o que dizer, mas, hey, Persé, tá a fim de ir com a gente? Vamos lá na França, tomar um café e comer uns croissants, o que acha? Está dentro?

Mesmo a alegria dele sendo absurdamente contagiante, tanto que a fez sorrir, Perséfone negou com um aceno de cabeça.

- Não estou no clima hoje, Apolo.

- Mas...

- Querido, deixe... – Artemis sorriu. – Sem problemas, Persé. Qualquer coisa, só aparecer por lá, ok?

- Lembrarei, Art.

Assim, com Apolo perguntando a Artemis o que tinha acontecido, Art o carregou para dentro da casa, onde provavelmente encontraria os outros e todos junto iriam se divertir.

Quem dera ela estar no clima para tal fato! Queria só dormir um pouco, desligar e depois ir cuidar de suas plantas.

Sorriu, triste para os flocos caindo.

- É, descansar. – sussurrou, já a se levantar. – Nada mais do que chocolate quente e cama.

Bateu as mãos nas suas calças jeans, afastando toda e qualquer sujeira que tivesse. Mas parecia tudo extremamente limpo, nem mesmo seu suéter azul claro parecia ter um respingo de terra ainda que tivesse ajudado sua mãe mais cedo.

Sabia que assim que entrasse em casa, estaria sozinha.

Contudo, antes que pudesse se virar para entrar, em um movimento comum de olhar para cima, o que a viu deixou-a paralisada por um segundo. Chegou mesmo a piscar os olhos, tendo a certeza de que o que via era real.

Só teve certeza assim que um homem alto parou bem a frente do seu templo.

Seu coração bateu mais rápido, o medo aparecendo e tudo o que conseguiu fazer foi correr na direção de onde ele estava. Sabia quem era, reconheceria em qualquer lugar.

Assim que pode, depois de lutar bravamente com a neve que encharcava suas botas de couro, jogou os braços ao redor do pescoço dele não conseguiu deixar de rir.

- Perséfone. – ele afastou-a um pouco para fitar seu rosto. – Como você está diferente!

Ela revirou os olhos, ansiosa.

- Jack, como é bom te ver... O que faz por aqui? Não me diga que veio comprar frutas das ninfas.

Mas ambos sabiam de quem se tratava e Jack não fez o favor de esconder.

A mão dele parou sobre seu ombro. Sempre parecia tão pequenina. Vê-lo ali era como se fosse a prova de tudo o que viveu não tinha sido um sonho. Que fora real.

Seu coração bateu ainda mais rápido.

- Infelizmente, não vim comprar frutas, Persé.

Franziu a testa.

- Jack, aconteceu algo? Por favor, me diga logo!

Ele sorriu.

- Não, ele está vivo.

O alivio percorreu seu coração com tanta força que lágrimas escorreram de seus olhos. Lagrimas de pura felicidade de saber algo concreto de que ele tinha sobrevivido a guerra que lutava.

- Hades está vivo. – uma vez mais abraçou o Jack – Eu poderia te comprar qualquer coisa que você quisesse agora. Você sabe que...

- Que ninguém soube de verdade o que tinha acontecido. Olhe, eu demorei estes três anos porque estava terminando e arrumando os últimos detalhes que a guerra traz.

- Está perdoado, garanto que me trouxe uma das melhores noticias. – sorriu ainda mais antes de olhar o monte de neve a volta deles. – Venha, vamos tomar um café e implorar para a minha mãe não ter feito biscoito de gergelim.

Ele riu.

[...]

Perséfone serviu dois copos de café antes de sentar-se a frente do homem loiro, o melhor amigo de Hades, logo depois de ter trocado de roupa e deixado bem mais a vontade.

Jack sorriu de aprovação após tomas um gole.

- Sua mãe faz um café delicioso.

- Uma das melhores coisas que ela faz. Mas, conte-me, como foi à guerra?

Jack deu de ombros.

- Assim que você foi embora, Hades arrumou outro tipo de tática, uma em que consistia em trazer todos os homens para dentro e matá-lo, como era de se esperar. Já que não tinha ninguém que eles quisessem, além do próprio Hades, enfrentar de frente era o melhor lema. E até que foi divertido... – sorriu. – Acabamos com alguns quadros preferidos dele, desculpas por suas roupas que se rasgaram e até Cérbero se divertiu de pega o grego.

Persefone não pode deixar de rir da alegria com que Jack descrevia da guerra.

- Espero que tudo já esteja melhor.

- Podemos dizer que Hades virou literalmente um demônio assim que... Er... Você sabe.

Ah, sim, ela compreendia. Depois de mandá-la embora com Apolo. Fitou sua própria xícara, pensando naquilo mais uma vez.

Todos os dias, antes de dormir, se perguntava como teria sido se ele não tivesse a entregado a Apolo. Por vezes, imaginava que ele o fizera para protegê-la, não apenas para mantê-la longe da guerra, mas em outras, não sabia se era o medo que ele sempre detinha daqueles sentimentos que ela havia entregado a ele.

Suspirou. Nunca saberia.

- E como ele está? – perguntou tão baixo que não soube se ele escutou.

Mas a mão de Jack pousou sobre a sua, chamando sua atenção para os olhos confiáveis de um dos militares de Hades. Parecia angustiado com sua pergunta.

- Acabada a guerra, ninguém mais ouviu falar de Hades. Só sabia-se de suas ordens, de seus planos para reconstruir e a ascensão de Dédalo para cuidar dos últimos detalhes. Nem mesmo vejo Shadow hoje em dia.

Persefone franziu o cenho, preocupada.

- Ele se machucou gravemente? Algo assim?

Jack negou.

- Não, simplesmente não saiu mais. Trabalha vinte quatro horas por dia, ou então ninguém sabe quando ele dorme.

- Mas voltou ao normal?

- Não, desde que... – suspirou. -... Desde que você foi embora, ele não foi o mesmo Persefone. E é por isso que eu estou. Para lhe pedir um favor.

- Qualquer um, se eu puder ajudar.

Jack sorriu, tristonho para seu concordar.

- Fale com ele, por favor... – apertou sua mão quando abaixou os olhos. -... Voce é a única a quem ele houve, Persefone, ninguém mais consegue falar com ele, nem mesmo eu que sempre estive por lá ou mesmo Shadow. Ele não que falar com ninguém. Ninguem, entende?

Persefone suspirou, fechando os olhos.

- Eu não posso, Jack. Eu já havia feito uma promessa de que aceitaria a escolha dele. Jamais a quebraria, independente do que acontece.

- Quem fez a promessa? Você ou ele?

- Eu fiz a mim mesma. Não suportaria mais.

- Mas, Persefone, estou te implorando... – e ergueu seu queixo, olhando em seus olhos. – Se você o ama, de verdade, como sempre demonstrou, como o fez rir até de bobeiras, por favor, engula suas palavras e converse com ele.

- Mas...

- Nem mesmo Shadow com ele, compreende a profundida disso?

Persefone apertou os lábios.

Colocando daquele modo, ela realmente conseguia compreender o que ele queria dizer, ainda mais que durante todo o tempo que esteve por lá, Shadow era a mais próxima dele, só não sabia em qual grau de intimidade ela estava com Hades.

Suspirou.

- Quer que eu engula meu orgulho?

- Sim, Persefone.

- E as minhas promessas?

- Eu sei que é muito, mas, por favor, faça algo. Ele é o deus dos mortos, não um deles.

Suavemente, Persefone abriu os olhos e assentiu, dando um pequeno sorriso de lado.

- Tudo bem, vou pensar sobre isso.

E Jack sorriu de volta.

Por dois dias inteiros, Persefone pensou, considerando a proposta de Jack.

Não se importava com sua honra, não mesmo, não quando falava de amor. Era tão a favor de sentimentos quanto Afrodite e não seria nenhuma dificuldade se fosse por alguém que amava.

E só de pensar em como Hades deveria estar, seu coração se contraia. Solitário em um modo mais complexo, mais do que ele já era quando o conheceu. Isolado. Não querendo conversar com ninguém.

Suspirou, fechando os olhos. Mesmo aquelas imagens eram demais para sua pessoa.

Alguem assim era como o...

- Inverno – sussurrou com carinho. Sim, era hora de alguém trazer o verão a ele. Era a hora de fazê-lo respirar a brisa da primavera.

Então, não pensando, muito menos avisando sua mãe, Persefone correu para seu guarda-roupa e vestiu as roupas mais quentes que tinha. Estava indo para o Inverno.

Para o Mundo Inferior.

[...]

O castelo era exatamente do jeito que lembrava. Grandes portas de carvalho, muitos vitrais, grandes torres que quase alcançavam o que parecia ser o céu daquele local e neve por todo o canto.

Sorriu enquanto caminhava na direção da entrada principal com costume e intimidade. Não havia ninguém lá dentro, por isso, teve que si mesma empurrar a grossa porta com suas mãos enluvadas, querendo rir ao ver outra vez mais seu ar condensar a sua frente.

Parecia que tinha milhares de anos que não aparecia ali, como se fosse em outra época, em outra vida. E muito menos que caminhava por aqueles corredores.

- Nova decoração.

Como Jack havia bem dito, muitas coisas haviam se perdido, muitos quadros, que ela sabia que Hades poderia ter reposto se desejasse e isso atiçou sua curiosidade, assim como o medo de perguntar isso diretamente a ele.

Sua barriga se contorcia de ansiedade enquanto ia na sagrada direção da cozinha, abaixando o capuz no caminho. Sentia-se invadindo uma propriedade abandonada pelo dono, mas cuidada pelos criados.

Tanto que se surpreendeu ao entrar na verdadeira e bela cozinha de Shadow e não ver nada além de alguns biscoitos guardados em vidros, pedaços de bolo também guardados, mas nada sendo feito na hora.

E nem a sombra de Shadow.

- Shadow? – chamou, adorando a lufada de ar condesado. – Shadow, sou eu, Persefone... Cade...

Antes que pudesse terminar, braços fantasmagóricos abraçavam sua cintura e não conseguiu segurar o riso ao ser envolvida por aquela senhora.

Olhos que um dia foram azuis sorriam para ela, tanto que imaginou que chorariam se ainda estivesse viva.

- Querida. Oh, como você está linda.

- Que saudade de você, Shadow.

- Tambem estávamos com saudades de você. – Shadow apontou para cima, levando as ondas da barriga de Perséfone ao máximo de ansiedade. – Mesmo que alguns não digam.

Sorriu, dando de ombros.

- Acontece... Hum... Então... Eu vim aqui conversar com ele.

Shadow arqueou as sobrancelhas.

- Foi Jack não foi?

- Foi.

- Aquele moleque, Hades o mataria por isso, mas admito que ele fez algo certo na vida dele. – Shadow acenou para a cadeira de frente a mesa – Sente-se ai, vamos conversar enquanto preparo uma comida para levar a ele. Primeiro, devemos conquistar um homem pela barriga e acho que já faz muito tempo que ele não come nada. – suspirou. – É uma dádiva ver você de novo.

Persefone apertou os lábios.

- Espero que ele também pense assim.

Shadow sorriu, suavemente batendo em seu ombro.

- Há, vai sim, querida, pode apostar. Então, o que acha de uma torta de maça para ele?

(Continua)