Snow

4 O Inimigo.


Notas iniciais
Mil desculpas pelo atraso :( Eu ia excluir ela, mas resolvi que vou terminar, custe o que custar u.u

Boa leitura

;*

Hades nunca correra tanto em toda a sua existência, nem mesmo durante uma batalha, como corria agora com a sombra ao seu redor para conseguir alcançar Perséfone em meio a tanto branco.

Seus pés mal batiam no gelo, sua respiração era nada e seu corpo tentava cada vez ser mais rápido.

Até que a viu.

No meio do branco, aquele ponto de cor.

De vida.

E, apesar do momento, não pode deixar de ver o quão linda ela estava.

Vestindo roupas de frio, usava um vestido bem ao estilo século dezoito, grande e pesado, que ele sabia que era para aquecer-se uma vez que só detinha aqueles em seu castelo de tempos atrás quando imaginara amar uma outra mulher e que o fez odiar-se por ser tão estúpido, mas que caíram lindamente na pela cor de mel da deusa. Usava um casaco por cima, que não se enganava ser de pele de urso e que parecia bem para ela.

Os olhos cor de chocolate, sempre inocentes e doces, se expandiram de surpresa ao ver sua pessoa para de frente a ela e ainda mais ao olhar para sua espada em suas costas.

– Para que isso?

– Shhh. – impediu-a de falar ao colocar a mão sob a boca da mesma que nem protestou ao encarar seus olhos, esse que tentava demonstrar todo o perigo que corriam.

Queria explicar para ela, para que não tentasse se debater, que não brigasse, mas não podia. Existiam monstros que haviam sido soltos sem sua permissão que andavam por ali, tão brancos e mutáveis quanto à neve que os rodeava naquela enorme campina esbranquiçada.

Poderia ter um ali mesmo, só esperando o momento certo de atacá-los.

E não poderia correr esse perigo com ela ali.

Aqueles bichos já lhe fizeram estragos demais, ainda que fosse um deus muitos forte, e com Perséfone seria como uma sobremesa que nem precisariam se dedicar muito.

Triste, mas era a realidade de quão jovem a mesma era.

Por um segundo, ficaram somente se encarando, com Hades atento a qualquer movimento, no momento em que decidiu que não estavam em perigo, não iminente.

Suavemente a puxou para perto, para seus braços e tentou se transportar-se para seu castelo... E não conseguiu.

Foi assim que abriu os olhos, espantado por se negligente, e virou-se, no exato instante em que um daqueles monstros, um dos que interferiam sua pessoa de ir de um lado a outro através da sombra por também usarem-nas, aparecia na beirada da campina.

Era enorme, de pelagem branca e vários fileiras de dentes amarelados por onde baba escorria. Parecia um urso que tinha crescido demais e que sua cabeça achatada para que sua boca fosse como um disco e bem grande. Mas que tinha garras enormes que se prendiam bem ao chão de gelo.

Em um minuto, puxava Perséfone pela mão, ambos a tentar correr da fera que se aproximava.

Não podia lutar com ela, não com a deusa ali ao seu lado quando podia haver outra para machucá-la, quando não podia protegê-la e ter a certeza de que sairia intacta daquela briga.

Não.

– HADES, O QUE É ISSO? – gritou ela, enquanto se esforçava para alcançar seu passo que parecia ser difícil com o vestido em que uma das mãos pequenas dela tinha de segurar a barra que se arrastava no chão. – Meus deuses isso...

– NÃO OLHA – gritou sabendo que se ela entrasse em pânico seria pior. – Não vai dar tempo.

– Tempo de que? Hades, o que está acontecendo?

– PRO CHÃO!

– O QUE?

E, sem perder tempo, jogou-a no chão ao escutar o ataque que viria e caiu por cima da mesma, prendendo-a debaixo de si para protegê-la do pulo que a fera dera.

Escutou a vibração do ar quando aquela imensa massa de puro poder passou por cima deles e sentiu Perséfone tremer, a respiração dela fraquejaste em seu pescoço.

Foi então que soube que não daria nem ser que uma chance de chegarem perto de seu castelo que era protegido magicamente contra qualquer um que ele não desejasse a presença.

E aquela feras sem duvida, agora, enquanto afastava-se para encarar os olhos cheios de medo de Perséfone, estavam no topo da lista de personas indesejadas.

– Fiquei aqui. – ordenou seriamente, já a erguer-se para então apanhar a espada de suas costas.

Quando presa, era menor, mas deixou-a crescer até o tamanho máximo, mais alto que si mesmo e tão cruel quanto seu poder o era. Sabia o que ela via, um homem ainda mais cruel possível, contudo, aquela era uma guerra.

E ninguém ganha guerras com estrelinhas de “boa pessoa”.

Disso tinha certeza. E não teve duvida quanto a isso no instante em que a fera locomoveu-se em sua direção.

As pernas musculosas tremiam a cada passada poderosa, as garras arrancavam tufos e mais tufos de gelo a cada vez que se aprofundavam na camada de neve e voltavam para dar mais um passo e a baba caia, baba de pura raiva visíveis nos olhos vermelhos de sangue.

Era uma criatura feito para matá-lo, tão cruel como qualquer outro vampiro deveria ser, e que fez Hades preparar-se para o ataque.

Rápido, ágil e forte, a besta branca pulou em sua direção.

Esperou.

Um.

Dois.

Três segundos e então ergueu a espada.

Foi só uma.

Direta.

A lamina negra dividiu ao meio o bicho, banhando sua pessoa e o gelo de sangue completamente vermelho, um tom rubro de rosa enquanto a fera se debatia até morrer e transformar-se em pó. Sua lamina voltou suja e segura ao transferir a alma daquele animal para si, como sempre acontecia a fim de ter poderes nela, mas qualquer coisa saiu de sua mente ao escutar o grito de medo de Perséfone nas suas costas.

Virou-se rapidamente, pronto para próxima, no momento em que viu a deusa ainda deitada na cama de gelo com uma mão estendida na direção do bicho que tentava alcançá-la, parecendo bastante faminto para comê-la, só que não conseguia, pois havia uma raiz segurando-o pelo pescoço e grama prendendo-o no local.

E mesmo assim, as garras pareciam próximas de tocarem o rosto delicado que parecia perplexo com o que fazia.

Autoproteção.

Contudo, Hades não tinha tempo para ficar admirado com a força daquela deusa, por tal fato, não demorou a decepar a fera e empurrá-la para o outro lado, onde não cairia sobre Perséfone.

Ela o olhou no primeiro momento que teve, ainda no local que a deixara, o vestido antes bege agora tão vermelho de sangue que dava dó ver aqueles olhos no meio daquilo tudo.

Escutava mais dois rugidos, esses um pouco mais longes, ao colocá-la de pés e pegá-la no colo em seguida, logo após ter guardado sua espada ainda suja nas costas.

Surpreendente, ela não disse nada, somente segurou-se mais contra seu pescoço e deixou-se levar, claramente em choque pelo que vivia.

Outra vez mais, viu-se correndo como nunca, usando as sombras uma vez que os bichos achavam-se longe ou assim pensava até ter que jogá-la em um monte mais macio de neve, prometendo que se desculparia por isso depois e virar-se para encarar os bichos.

Não estavam tão distantes assim do castelo, talvez um quilometro, ou menos, mas dali já dava para ver a grande construção em negro.

E foi, após retirar sua espada no ultimo segundo para matar o primeiro de quatro daqueles bichos, que teve de gritar:

– VAI PRO CASTELO, AGORA.

Não se virou para ver se ela seguia suas ordens, muito mais preocupado em não deixar nenhum deles ir atrás da mesma e se concentrarem somente neles.

Mas, ao que parecia, Perséfone era deliciosa demais até para as bestas em que uma tentou passar por ele para apanhar a deusa.

Só teve a certeza de que o ouvira ao ter que se virar para cortar ao meio o bicho que conseguira passar por sua pessoa e vê-la se afastando a correr com aquele maldito vestido pela neve, como havia ordenado. Relaxou mais e tentou terminar logo com aquilo.

Mais três morreram em sua mão, os cinco que haviam aparecido liquidados, deixando-o pingando sangue que nem se quer era seu.

E achou estranho que eles não estivessem tão fortes assim. Nas outras vezes, demorara muito mais que cinco minutos para acabar só com um. Em menos de três, havia matado cinto. Algo estava errado, sentia isso ao ir atrás de Perséfone.

E teve a certeza ao ver que quem eles desejavam não era sua pessoa.

E sim a deusa.

Foi então que compreendeu.

Eles queriam ver o quanto ela é importante.

Era clara sua tática agora. E só o que pode fazer foi xingar mentalmente ao tentar se aproximar mais rapidamente que as três feras que a seguiam.

Conseguiu matar a primeira ainda em movimento, um pouco longe dela.

A segunda, já se achava puxando a deusa pela cintura para ser mais rápida, e desferiu o golpe lateralmente, partindo em dois a cabeça do bicho. Escutou um arfar de surpresa ao seu lado, e não pode deixar de pensar o quão estranho deveria estar sendo a ela. Sem duvida, Perséfone nunca participara de uma guerra.

Nem deveria, pelo simples fato de que teria um homem para protegê-la, porque quem diria não se aqueles olhos assustados lhe pedissem ajuda?

Pensava nisso, grato de só escutar as passadas de uma fera, no momento em que conseguiram entrar nas portas do castelo e o bicho se desfez ao tentar ultrapassar a sua barreira, morrendo automaticamente.

Pararam os dois, sem ar, no hall.

Ele encharcando a entrada com o sangue dos bichos que matara, sua espada ainda aberta e pesando em seu punho pelo mau jeito que dera para conseguir matar o bicho.

Ela assustada, encarando seus olhos, com uma das mãos no peito.

Estavam acabados.

E, pela primeira vez, sentiu uma raiva estranha crescer em seu peito. Um sentimento que só vira pelos olhos sempre amáveis de Shadow, que incrivelmente, ainda não havia aparecido para dizer o que eles deveriam fazer. E que o fez agradecer por isso.

Precisava conversar com Perséfone. A sós.

Em dois passos, achava-se a segurar o rosto delicado em suas palmas, deixando para lá a espada que cairá com um estalido de metal vibrando, e a aceitando o abraço que ela lhe dava, os braços pequenos a se passarem ao seu redor em uma procura de uma base. Uma fortaleza fixa que ele deixava ser naquele momento, a encarar aqueles olhos cheios de pânico.

– Não saia. – sussurrou, surpreendendo-se ao ser mais cuidados nas palavras e menos frio. Procurou algo naqueles líquidos olhos cor de chocolate. – Não precisamos de mais uma morte, certo?

Dando um sorrisinho de canto, ela assentiu, ainda meio tremula.

– Eu não sabia... Eu... Eu não imaginava que...

– Shhh. – a trouxe para seu peito, abraçando-a enquanto acarinhava os cabelos castanhos de um modo que nunca fizera antes, mas que se achava fazendo com naturalidade. Tão fácil. – Eu sei que não sabia. Não tem porque se desculpar.

Ficaram assim, calados, tentando acreditar no que havia acabado de acontecer, tanto no fato de bichos os terem atacados quanto pelo fato de, como inimigos, acharem-se abraçados, a procurar de acalmarem-se quando Shadow apareceu na porta do hall que levava a todos os demais aposentos.

O primeiro a vê-la foi Hades, pelo ombro de Perséfone. Ela continuava de olhos fechados e com o rosto contra seu peito, sem nem ligar para o sangue ou para as roupas dela que ele notaram estar molhadas, e Shadow deu um sorriso mínimo antes de se transformar em preocupação.

– O que aconteceu? – perguntou ela, finalmente aproximando-se e levando, diretamente, Perséfone afastar-se de seus braços com um olhar envergonhado e as bochechas corando, provavelmente pelo fato de ter ficado ali por tanto tempo. Hades ergueu uma sobrancelha para a deusa, sem compreender, mas nada adicionou ao desviar de olhos dela, sabendo que ela encontrava-se sem graça e bem comovida com tudo o que haviam passado.

Sem duvida, aquela era a primeira grande aventura. Não tão boa, mas que a marcaria por um tempo.

– Hey, estou falando com vocês.

E, antes que pudesse dizer algo, foi Perséfone quem falou, na sua voz doce para tranquilizar a senhora que cuidava de ambos.

– Apenas encontramos alguns bichos estranhos, Shadow, nada que Hades não soubesse lidar. Não precisa se preocupar, está tudo bem.

Se antes ela havia o surpreendido por abraçá-lo, agora ainda mais ao protegê-lo dos sapos que sua empregada daria nele. Teria de agradecê-la depois, só não sabia como.

Mas foi visível que Shadow não acreditou.

– Vocês estão cheirando a cachorro molhado e Hades está com o terno completamente sujo de sangue. Então, não querem que eu fique louca aqui?

A risada de Perséfone foi doce, diferente da sua interna, mas que os fez se olharem por um segundo, algo que ele não compreendia acontecendo antes da mesma segurar as mãos da fantasma entre as delicadas e avermelhadas pelo sangue da deusa que ele imaginou ter sido do momento em que a mesma apertara seu terno na parte de trás.

– Hades deu conta e ainda conseguiu me manter intacta. Não tem com o que preocupar. – e não a deixando dizer mais, Perséfone sorriu. – Hades precisa de sua ajuda, Shadow, está machucado.

– Não estou. – protestou ele.

Perséfone somente ergueu uma sobrancelha e apontou na direção em que um lindo e profundo corte aparecia em seu bíceps. Não disse um “Isso daqui é o que então?” que ele sabia que desejava falar, mas se limitou em dar um sorriso suave e doce para então dar um aceno nobre.

– Shadow vai cuidar de você, Hades. Eu vou tomar um banho.

– Vem, que você está muito encrencado.

Hades revirou os ao assistir Perséfone ir se distanciando. E a chamou quando a mesma esteve quase no ultimo degrau. Ela virou-se, delicadamente a segurar a borda do longo vestido e esperou o que teria de dizer.

Dando um sorriso malvado, piscou:

– Você também está machucada.

E a deixou fitando-se, onde havia um corte, no antebraço da mesma, não se deixando preocupar com ela por tê-lo colocado em uma enrascada com uma brava e maldosa Shadow.

Era sua vingança.

[...]

Mas, Hades viu que toda aquela calma e delicadeza era uma farsa assim que entrou em seu quarto e escutou-a soluçando, encolhida entre as peles de urso que eram seus cobertores, sentada na pequena parte em que havia um sofá na janela.

Ou fosse lá como aquilo se chamasse.

Nunca ligara muito, sempre tivera aquilo para que pudesse olhar para seu reino enquanto estava sentado, assim como ela fazia, e que parecia tão infeliz ao estar praticamente afundada no cobertor que a rodeava, só com o belo rosto não escondido.

Não deu alarde de que se encontrava no quarto, não até sentar-se perto dela, só para vê-la correr para esconder todas as lágrimas que escorriam pelas bochechas rosadas pelo frio.

Hades deixou-a quieta, a sentir algo estranho naquele sorriso falsamente feliz que ela usava em troca, e nada disse, também a apreciar a paisagem.

Dali, a visão do seu reino era linda.

Até onde os olhos podiam ir, era tudo branco pela neve que caia desde que criara esse local, no inverno mais cruel que haveria de existir, que exemplificava bem seus sentimentos.

Gelo.

E, apesar de não dizer isso a ninguém, sabia que Perséfone não era burra para não compreender aquilo. Estava começando a achar que ela era inteligente.

Até por demais.

Escutou-a suspirar ao seu lado.

– Quer?

Ele olhou para saber do que dizia e viu-a estender um pedaço da enorme coberta dele. Se limitou a um negar com a cabeça antes de agradecer ao virar os olhos para onde ocorria a guerra mais silencio do mundo.

Não queria, de fato.

Se perguntava todos os dias porque aquela guerra resolvia acontecer agora. Naquele exato momento em que todas suas alianças pareciam estar tremendo. Em que não podia se dedicar a nada alem de seu reino e na qual Perséfone aparecia.

Suspirou.

Nada estava saindo do jeito que desejava. Seus capitães encontravam-se sempre a procura de uma saída, de um ponto fraco, e cá estava ele, meio perdido em que fazer no momento em que aquela voz suave o tirou dos devaneios se como poderia atacar o inimigo e o encarou com os olhos cor de chocolate mais inocentes e perigosos que existiam.

Se ele começava a achá-la um perigo? Sem duvida, ao poucos, aqueles tons carinhos e palavras doces poderiam fazer algo que ele não desejava e do qual já provara antes.

Sua dose única de dor.

– Hades?

Ergueu uma sobrancelha.

– Sim?

Ela pareceu sem graça. Ou talvez nervosa aos seus olhos enquanto acarinhava com as unhas rosadas o pelo da pele de urso. Um carinho que ele gostaria de saber como seria se o fizesse em seus cabelos da nuca ao beijá-lo.

Se concentre, Hades, sem viagens.

Ela deu um sorrisinho de canto, nada divertido.

– Por que você fez isso?

Olhou-a, fingidamente confuso.

– Isso o que?

Os incríveis olhos castanhos se reviraram.

– Me sequestrou, roubou... Enfim, me trouxe para cá. – suspirou. – Por que me tirou de lá?

E ele nunca quis tanto contar algo quanto desejou naquele instante ao encarar aqueles olhos sinceramente tristes com o que havia feito.

Algo dentro de si pediu para que falasse foda para todo o trato que havia feito com Zeus, que explicasse e que a deixasse ir embora. Essa, era aquela estúpida parte que o fez se dar mal da ultima vez.

E que ele prometera nunca mais escutá-la.

Por isso, deixando aquela parte sentimental de sua mente de lado, ele somente deu de ombros.

– Porque eu quis.

Por um tempo, se olharam, e ele assistiu uma lágrima solitária escorrer do rosto dela. Uma cena que estava achando tornar-se comum e estranhamente ruim.

– Só porque quis?

– E por que seria diferente?

Mas ela não respondeu, apenas encarando sua face por alguns segundos, para então pegá-lo de completa surpresa e desarmado.

Os dedos, gentis e delicados da deusa que sorria tristemente, pousaram em seu maxilar, afagando de leve sua pele gelada com aquela quente que criaram um corrente sob o choque térmico ao tocarem-se.

Não sabia o que fazer alem de olhá-la se aproximar, o pequeno corpo vindo parar a sua frente e os olhos tornando-se deliciosamente líquidos, sem mexer um músculo se quer. Enfeitiçado por aquela mulher. Ou talvez só estivesse não querendo mais machucá-la.

E, ao ver o que a mesma fazia, parou-a, no meio do caminho, com suas bocas quase se tocando ao colocar suas mãos nos ombros da doce garota que somente encarou-o, sem compreender.

Nem ele compreendia o que fazia. Só sabia que não seria beijado por alguma chance dela encontrar-se implorando para não machucá-lo. Ou algo meramente semelhante.

Então, ao escutar mentalmente seu capitão lhe chamando para uma guerra que haveria naquele minuto, só o que pode fazer foi beijar o topo da cabeça da mesma e alisar-lhe os cabelos com uma ternura que nunca havia sentido antes.

– Vá dormir, teve um dia e tanto hoje. – sussurrou no ouvido de uma Perséfone que ele sabia que chorava ainda que não visse. – Não precisa disso, eu vou lhe dar o respeito que deveria ter dado antes. Esse quarto será o seu, irei dormir no outro... – suspirou ao senti-la abraçando-o pela segunda vez naquele dia. – Shh, está tudo bem. Eu sei que não é o que queria, mas por enquanto, vai ter que ser assim.

– Por que não me conta? – a voz era baixa pelo choro.

Uma vez mais, suspirou.

– Porque não posso. – e beijou a testa dela suavemente. – Eu tenho que ir agora.

Foi como dizer que sumiria. Os olhos castanhos, marejados, encararam os seus, com medo.

– Aonde vai?

Sorriu-lhe, um sorriso que nem sabia que ainda detinha e que ainda um dia poderia usá-lo. Mas que claramente a acalmou.

– Eu tenho uma guerra para lutar, Perséfone.

E, assim, afastando as mãos dela de seu rosto e seus olhos daquele castanho perigoso demais, Hades sumiu na escuridão, deixando-a sozinha.

Se perguntando por que diabos a levara para lá.

Notas finais
Desculpem por não estar respodendo os recados, juro que estou arrependida, vou dar um jeito.

Beijinhos e espero que tenham gostado :)