Snow
5 Madrugada.
Notas iniciais
Era de madrugada, muito mais fria do que o dia fora, ao ponto de fazer seu corpo estar dormente ao se mexer, quando Perséfone acordou, meio grogue ao sentir a cama mover-se sob um novo peso.
Não ligando, na verdade, pouco percebendo o que poderia ser, virou-se para o lado que havia e um pequeno protesto a fez abrir os olhos, surpresa, ao encontrar Hades encarando seu rosto com um xingamento.
– Meus deuses. – e então se deu conta de que não era para ele estar ali. – Você acabou de chegar?
Ele se remexeu no colchão antes de concordar, o rosto frio ainda mais indiferente que antes e visivelmente com quem sentia dores.
– Sim. Perséfone, poderia parar de se mexer, por favor?
– Oh, sim, desculpe.
Ficou quietinha, como ele pedira, ainda a sentir frio, mas hipnotizada pelo modo como a beleza dele estava fazendo-a pesar que talvez ele não fosse tão ruim assim.
Claro, uma pequena hipótese que sua mente regida por sentimentos e não pela razão impunha. Igual uma bonequinha, manteve-se sem mover nenhum músculo enquanto encarava o perfil de Hades.
Era lindo. Sem duvida que o era.
Tinha o tipo de face que lhe traria segurança, assim como daria medo aos inimigos e que a fazia se perguntar como ele seria rindo. Nunca o vira fazer isso. Na verdade, duvidava muito que alguém o tenha visto.
Talvez Shadow, brincou com um sorriso em seus lábios.
Seria uma risada muito estranha, disso ela tinha certeza, o tipo de risada meio envelhecida pelo tanto que não a usava. Um tipo de risada que levaria os amigos a rir mais, igual quando seu pai fazia isso e todos riam juntos.
Pensava nisso, em como seria se ele risse e em como ficaria a face dele, quando o escutou xingar baixinho mais uma vez e finalmente desceu os olhos pela gaze que se encontrava no ombro dele, cheia de sangue.
A guerra. Ele tinha de fato estado nela.
– Hades...
– Perséfone, se não se importa, eu quero dormir agora.
Ela mordeu o lábio ante resposta fria e com tom de ordem.
Sabia que não devia testá-lo, como prometera a Shadow, que ele estava no ápice de raiva, ainda mais agora que se achava machucado, mas não pode deixar de dizer:
– Eu posso ajudá-lo. – e tentou tocar o local em que o peito dele encontrava-se machucado.
Então, antes que se quer triscasse, ele havia virado, em um movimento rápido demais para seus olhos não adaptados a escuridão, e encontrava-se em cima de si, fazendo-a sentir pequena ao ter o corpo dele prensando o seu contra o colchão em um jeito de prendê-la e evitá-la de se mover.
Mas, se essa era a ideia inicial dele, não poderia ter contado com a outra.
Perséfone sentiu seu peito, estranhamente, aquecendo-se embaixo dos músculos do deus. Assim como não achou desagradável o poder que ele exercia em seus olhos simplesmente paralisados nos dele, nem mesmo o fato da mão forte encontrar-se em seu pescoço, parecendo bastante furioso, ou por sentir cada parte daquele magnífico corpo, principalmente na parte em seu vestido havia escorregado e o quadril gelado dele tocava sua perna.
Era algo que não conhecia. Algo que seus poucos anos não compreendiam ainda ao ter sua respiração fraca como se tivesse corrido toda a pista de Hermes em um segundo ou porque sua mão desejava ardentemente pousar nas costas que ela lembrava serem malhadas e fortes.
Hades aproximou seus rostos, mas havia apenas raiva e frio naquela face ao dizer:
– Não me toque, eu já te avisei.
E viu-se o respondendo, suavemente.
– Eu posso te ajudar.
– Não quero sua ajuda.
Milagrosamente, sua mente não arquivou aquele insulto, ao contrario, fez o favor de ignorá-lo, e aquela sua mão que quase criava vida própria finalmente tocou o meio das costas dele, suas unhas suavemente passando-se pelas vértebras que tremiam enquanto não deixava de fitar aqueles olhos negros como tudo a sua volta, até chegarem ao machucado.
Não teve dificuldade em puxar a gaze, ainda que o visse soltar um xingamento baixinho ao ser arrancado e delicadamente pousou suas mãos sobre os cortes.
Em segundos, no local em que antes havia um corte profundo, agora a pele era lisa, inquebrável e forte.
Sorriu para a cara de surpreso do mesmo.
– Eu avisei que poderia lhe ajudar.
E, sem entender de onde viera aquela vontade ou aquele instinto, Perséfone prendeu os dedos aos fios dos lisos cabelos negro da nuca do deus e o puxou para baixo até tocar suas bocas no beijo que ela não sabia que queria tanto.
Hades correspondeu na mesma hora ao seu investimento que rendeu a ambos um choque, a empurrar um pouco sua cabeça contra o travesseiro e aprofundar o que ela havia somente começado.
Se ela imaginara, na primeira vez que tivera aqueles lábios gelados contra os seus, ele fosse indelicado, esteve completamente errado. Era a mistura mais provocante que ela nunca tinha conhecido de raiva, dor, desejo e uma briga que ele estava levando a ela, mostrando por sua boca tudo o que sentia e passava. Tudo, sem deixar de ser delicado.
Enquanto praticamente a convidava para lutarem com seus lábios se tocando, soltando-se, na mordidas dele, as mãos demonstravam outra coisa ao subirem por sua perna, somente afagando-as com a ponta dos dedos gelados.
Era o rude ao afastar os lábios para morder seu pescoço, fazendo-a sentir algo que nunca sentira antes, algo que fez seu corpo se mexer embaixo do dele de um modo que sabia ser provocante, e delicado ao brincar com os fios de cabelos de sua nuca, aproximando ainda mais suas respirações ofegantes, seus narizes que tocavam e, acima disso, de apertá-la ainda mais contra aquele corpo forte do qual nem sabia que podia ser tão curiosamente cuidadoso com o seu.
Foi então que teve tempo de respirar, de olhos fechados, para sentir os lábios gelados de Hades descer por seus ombros e sentir as mãos perto de seus seios, algo que nunca imaginara que gostaria e que se viu soltando um som estranho de prazer.
O que era aquilo que Hades fazia com sua pessoa?
E, teve sua resposta, no momento em que ele ergueu o rosto, uma face que ela não conseguia mais achar tão amedrontador assim quando se encontrava com aquele sorriso de canto, e encarou seus olhos com algo que movia aquele negro.
Desejo.
Era isso.
Agora Perséfone sabia o que era.
Aquela vontade estranha de sentir algo que não sabia ainda era desejo. Um desejo por Hades. Era estranhamente... Cômico, sentir vontade de beijar o inimigo. E viu-se sorrindo em troca até ver que a razão dominava novamente aquela mente.
Algo dentro de si a avisou o que viria em seguida e, sinceramente, ela não se surpreendeu ao vê-lo parar, pasmo com o que fazia, e tornar-se imparcial.
Sabia que era bem provável que isso acontecesse, mas seu coração não sabia disso. Aquele órgão que praticamente pulava de pura alegria, foi esmaecendo e esfriando como a temperatura entre eles que a finalmente a fazia sentir o quão gelado estava o clima ao assisti-lo sair de cima de si e rolar para o lado, a cama tremendo um pouco sob aquilo, para então levantar-se.
Seus sentimentos foram mais rápidos que sua razão, como sempre o eram, e viu-se segurando a mão gelada dele, os dedos muito mais longos que o seu soltando-se vagarosamente.
– Hades...
– Não. – a voz era cortante como um gume de espada e a fez se retrair. – Isso nunca aconteceu. A partir de agora, não me toque mais, Perséfone, nunca.
E ela não compreendia.
Ele a beijara com tanto desejo, talvez até mais que si mesma, e agora a descartava como uma cadelinha? Era isso que ele imaginava que ela era? Só porque dera uma coleira de brilhantes a mantendo no reino dele achava que podia tratá-la do mesmo modo que tratava Cérbero?
Estava completamente enganado.
Soltando a mão dele, na verdade, quase a jogando para lá, Perséfone se limitou a um “Boa Noite” e virar para o outro lado, sabendo que aquelas palavras dele atacariam mais profundamente do que imaginava, que a atormentariam até conseguir dormir.
E demorou a conseguir fazê-lo ao saber que Hades dormia em um divã ali do lado. Só não entendia o porquê, quer dizer, aquele lugar deveria ter milhares de quartos com camas tão boas quanto a que se encontrava deitada, e ele estava em um pequeno sofá.
Mas, ela impediu-se de sentir-se culpada e forçou-se a dormir, sabendo que ainda teria uma grande briga com ele ainda.
Notas finais
Espero que tenham gostado ^^
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