Notas iniciais
#hopeyolikethis

[Se quiserem, escutem I Wont Give Up — Jason Mraz] [Aqui]


Lá estava Perséfone, a espera de Hades, a andar de um lado ao outro de tamanha impaciência ainda que seu vestido suavemente creme tão grande quanto qualquer outra que usara anteriormente, só que bem mais elaborado e luxuoso que os demais, pesasse.

Até mesmo haviam brincos negros em suas orelhas, uma pequena coroa que segurava o coque alto e sapatos de salto preto.

Estava agoniada que ele não chegasse enquanto escutava o fofocar dos convidados que só aumentava a cada vez que um novo se apresentava.

De acordo com o que Shadow havia lhe dito, sua família encontrava-se praticamente toda ali, naquele evento que até agora Perséfone não compreendia o porquê de estar ocorrendo.

Estava assim, mexendo nas luvas bege, no momento em que a porta do quarto se rompeu e o próprio Hades apareceu, em um smoking.

Por um segundo, só o que pode fazer foi encarar os olhos negros, ciente demais de que recordava do que haviam dito mais cedo até que correu até ele e não perdeu tempo em dar um suave abraço.

Soubera que ele esteve na guerra, lutando ao lado de seus capitães uma vez que algo saiu do controle e seu coração não parara um minuto de se preocupar.

E até aquele momento, sua inquietação só refletia o quão preocupada encontrava-se, finalmente podendo relaxar ao vê-lo e senti-lo bem abaixo de seu peito. O coração dele pulando ferozmente sob o seu enquanto apertava os braços entorno do pescoço do deus dos mortos.

– Você demorou – brincou, achando-se patética que deixava uma lagrima de pura felicidade e alivio escorrer por sua bochecha ao afastar-se para encarar aqueles olhos negros. – Temos que ir, todos já chegaram.

Hades franziu o cenho, curiosidade brotando no negro.

– Você estava... Preocupada?

Perséfone não era tão masoquista assim. Fez sinal de descaso.

– Estou apenas estranha, não ligue, eu sabia que você daria conta da guerra.

– Você ficou sabendo que fui pra guerra?

E viu que tinha soltado mais do que devia.

Mordendo o lábio, desviou o olhar.

– Podemos dizer que alguém me contou.

– Shadow. – escutou-o suspirar. – Ela não vai parar de se intrometer mesmo.

– Não brigue com ela, eu forcei, desculpa.

– Perséfone, não peça...

– Eu faço isso, ok? – encarou os olhos negros, suavemente. – Eu peço desculpas. Mas, teremos outros tempos para brigar. Você está aqui, você está bem... – apertou a mão enorme dele contra seu próprio rosto. -... Não importa. A guerra pode esperar um pouco, não acha? Você tem milhares de convidados para receber e eu para me passar como uma feliz e alegre noiva de acordo com o que me falaram.

Hades franziu a boca.

– Shadow te disse não foi?

– Que você vai me apresentar como sua noiva?

Ele suspirou.

– Olhe, é um pedido somente, só enquanto estou numa situação critica e preciso...

Antes mesmo dele terminar, sua pequena mão tocou delicadamente a boca firme do mesmo e seus lábios se abriram em um sorriso delicado.

– Eu vou ajudá-lo, porque sei pelo que passa, não precisa se explicar. – então, se surpreendendo, piscou ao apertar a mão dele que continuava em sua face, tão adoravelmente gelada. – Vamos, temos que enfrentar meu pai e meu tio.

Um pequeno sorriso de canto apareceu no rosto frio de Hades.

Um sorriso que foi o suficiente para ela saber que ele ria internamente do que dizia e que preencheu seu coração com uma deliciosa sensação de alegria.

– Adoro a minha família.

E rindo, Perséfone deixou-se ser guiada por aquele deus, sabendo que teria muito para provar essa noite.

[...]

Hades olhou em seus olhos no momento em que voltou para os braços gelados do deus.

Havia mais ou menos dez minutos que dançavam, sem dizer nada, uma forma que encontraram de evitar os convidados logo após ter recebido um por um, entre farpas que ameaçavam o bom humor que se instalara no salão principal tão clássico que Perséfone podia facilmente vê-lo em algum momento histórico dentro do século dezoito.

Como qualquer outro, haviam lindos candelabros presos aos tetos abobadados e que combinavam bem com as incríveis janelas que davam visão ao exterior gelado e intocado.

E, incrivelmente, coube todos os integrantes do Olimpo e mais alguns deuses inferiores e pessoas que não conhecia, até aquele momento.

Fora delicada, sensível, amigável...

Até mesmo quando sua mãe praticamente partira para cima de Hades e teve de acalmá-la um pouco para evitar uma discussão ali no meio. Seu pai fora imparcial, pois, assim como a filha, não gostava de escândalos.

Seu tio, Poseidon, apareceu sorridente ao lado de uma Atena sociável e alegre, mas sabia que analisava sua pessoa com aqueles olhos todas as vezes que ria agradavelmente ou segurava a mão de Hades, que durante toda aquela noite, mostrava-se bem receptivo, apesar de claramente encontrar-se preocupado com a guerra.

Não lhe disse isso em palavras, não pronunciando nenhuma vez, no entanto, não precisava ser um gênio para notar o quão agoniado encontrava-se com aquele assunto inacabado.

E que o deixava daquela forma distante e estranha naquele momento em que aceitava os dedos gelados apertando os seus pequenos gentilmente e abraçava a sua cintura, rodando-os em passos elegantes que nem sabia que ele dançava.

Claro, como um deus, não deveria se surpreender muito, mas encontrava-se adorando aquele momento.

Sorriu, um pouquinho, ao escutar o delicioso som do violino na música lenta.

E, apesar do clima estar bom, principalmente por achar-se o encarando sem qualquer barreira ou sem terem brigado ainda, via no negro a preocupação, o isolamento dos pensamentos para concentrar-se em outras coisas que ela tinha certeza de se referir à guerra.

– Sabe? – começou ela, chamando-lhe a atenção que pareceram finalmente vê-la ali. – Não precisamos dançar, quer dizer, vejo que está precisando pensar e posso segurar as pontas por um tempo para que você lide com seus capitães, eu não me importaria.

Hades puxou seu corpo para mais perto, como que com aquela informação pudesse estar indo, e só o que pode fazer foi sorrir ao olhar para cima, para o rosto distante enquanto sentia o forte coração dele bater contra seu ombro.

– Estou tão desligado assim?

Suavemente, apertou os dedos dele. Eletricidade. Calor.

– Só um pouco. Mas acho que ninguém desconfia, não ainda.

Hades suspirou.

– É só que...

– A guerra está ocupando sua mente. – finalizou, compreensiva. – Tem certeza de que não precisa de ir ao escritório?

– Precisar até precisava... Mas não posso deixá-la sozinha.

Suas bochechas coraram ante o olhar mais concentrado dele em sua face que a levou a desviar o olhar para ao redor do salão.

Contudo, não demorou muito para encontrar-se o encarando outra vez mais, aquele poder que ele exercia sobre si de sempre que se encontravam juntos.

Um que fez sua pele formigar no instante em que a pele gelada tocara parte das suas costas nuas no vestido, parecendo bastante confortável ali aquela palma sobre sua coluna, às vezes afagando-a.

– Se for o caso de que eu fuja...

Os cabelos negros moveram-se fracamente, caindo um pouco, assim que Hades negou com a cabeça, sem retribuir aos seus sorrisos suaves.

– Você não poderia sair daqui, o colar não deixaria.

Sentiu-se enrugando levemente sua testa.

– Então, por que estaria com medo de me deixar aqui sozinha? Não há lobos.

Um sorriso, mais divertido que já havia visto nele, apareceu nos lábios firmes.

– Apenas a nossa família.

– É... – sorriu mais singelamente ante aquilo. – Creio que são piores que uma alcatéia.

– Não há dúvidas disso, Perséfone.

Um tremor, delicioso, fez seu sorriso vacilar um pouco ao escutar seu nome ser pronunciado daquela forma: como se fossem cúmplices de algo que não gostavam, de dividirem alguma piada interna e estarem rindo juntos por dentro enquanto se fitavam, ainda a deslizar pelo enorme salão, seu vestido parecendo-lhe cada vez mais pesado com o tempo.

Piscou, marota, para o deus dos mortos do qual se achava gostando de estar. Mais do que com sua mãe que brigaria de tudo, disso, tinha certeza.

– Mas acho que daria conta deles, por algum tempo... Pelo menos, até meu pai ver que você sumiu ou meu tio, mas... – deu de ombros. – Eu creio que seria o suficiente para que fosse lá, se certificasse de que está nos conformes e voltasse. Se quiser.

Então, ele parou seu corpo logo que a música acabou, sem deixar encarar seus olhos com aqueles negros que pareciam calcular, até o mesmo dar um sorriso, pequeno, mas o suficientemente grande para fazer seu coração pular mais forte e ver-se encantada com a beleza que ele tinha ao estar mais feliz.

Queria o assim, sorridente e brincalhão consigo, sem qualquer carranca ou machucados.

Queria apenas... Aquele Hades.

Ao menos enquanto ele mantivesse sua pessoa por ali para ser agradável aquela sua estadia, ainda que não soubesse quando voltaria.

Seus pelos se arrepiaram no instante em que ele curvou-se em sua direção, uma das mãos geladas deslizando de sua mão para seu rosto, segurando-o com suavidade ao mesmo tempo em que se encaravam, aqueles olhares mais profundos do que imaginava serem, até senti-lo respirando, tão próximos, o nariz gelado encostando-se ao seu.

Sua barriga tremendo pelas borboletas que se sacudiam de pura ansiedade, parecendo-lhe mais cientes do que aconteceria do que si mesma.

E que, inclusive, incitaram-na a devagar, para poder encará-lo até o final, aquele negro que estava tão perigosamente calmos e suaves, os seus olhos a se fecharem para apreciar o polegar dele sobre sua maçã do rosto, o braço forte que tocava suas costas nuas e, acima de tudo, o maravilhoso cheiro de menta que vinha sempre que o mesmo respirava tão absurdamente controlado que lhe dava agonia por achar-se quase sem ar.

Escutou-o rir baixinho, uma risada que aqueceu tudo dentro de si, e fez seus dedos sob o ombro dele se apertarem suavemente, dando-lhe a confiança que nem sabia que ele havia conquistado com tão pouco tempo.

– Obrigada, Perséfone.

E então, muito vagarosamente, tocava a sua boca em um selinho calmo, mas que fizeram seus lábios se abrirem um pouco para receberem mais daquele contato que nunca havia sentido antes.

Aquele delicioso ar gelado que indicava a chegada do inverno, que indicava algo que não compreendia e que se achou gostando da sensação do queimar assim que Hades puxou seu rosto para mais perto, prendendo-a aquele peito e aquele sentimento que desconhecia.

E, surpreendendo-a ainda mais, fazendo seu coração pular mais do que achava ser possível, o deus dos mortos que um dia fora tão cruel consigo afagava sua pele, a respiração dele finalmente desestabilizando-se e tornando-se como a sua.

Agitada, Desejosa. Necessitada.

Que a fizera pousar uma mão sobre o peito do homem bonito a sua frente, logo acima do seu coração e deixar-se ser inclinada para aproveitar o máximo.

E, no outro segundo, tudo tinha acabado e o toque daquela boca se afastava e seus olhos se abriam, ainda meio perplexos com aquela troca de algo que desconhecia na frente de milhares de convidados dos quais não precisava ser necessariamente Atena para saber que encaravam os dois, juntos, se beijando.

Então, a verdade se abateu.

Hades havia lhe beijado.

Terna e carinhosamente.

Seus olhos castanhos caçaram algo no negro enquanto o via erguer-se a toda altura, naquela pose impiedosa e imponente de quem não precisava de muito para se impor.

E, de fato, agora que sua mão tremia fracamente ao puxá-la para longe, de repente corando, sabia que ele não necessitava de muito para ter suas ordens cumpridas por sua parte.

Na verdade, por seu coração que traia que deveria estar odiando-o, mas que a fazia sorrir carinhosamente na direção do deus que beijava sua mão delicadamente naquele momento, sob as luvas beges e do anel negro que dava mais veracidade ao fato de ser a noiva dele.

– Eu vou lá, Perséfone, qualquer coisa, fuja.

E ela teve de revirar os olhos para a primeira brincadeira que ele fazia, ainda que mantivesse o sorriso nos lábios avermelhados.

– Acho que consigo lidar, só não prometo pela noite toda.

– Não será necessário, volto rápido. Faça seu papel, noiva.

Um calorzinho subiu por seu corpo com aquela palavra ao assentir para o mesmo e deixá-lo ir embora, assistindo-o se locomover com graciosidade entre os pares que bailavam em seu smoking, sabendo que retirara um peso dos ombros do mesmo.

Sorriu.

Ajudá-lo, por menor que fosse, era bom. Era realmente gratificante. E fazê-lo sorrir, era ainda mais.

– Então, quer dizer que o noivado é real?

A voz do deus que sempre a atormentara, por ser o único a saber de sua existência e o único homem com quem tivera contato até a festa que sua mãe fizera e Hades a roubara, era agradável ao seu lado, com o sorriso de sempre nela que se acostumou.

Virou-se, com uma expressão divertida, para encarar Apolo em um smoking, aparentemente deixando Artemis para que as mulheres tivessem o grupinho intacto, sem nenhum cara por perto.

– Meio inusitado, mas, sim, real.

Ao menos, até que esteja tudo bem por aqui. Apolo pareceu cético.

– Odeio não poder ver o que acontece com meu tio.

– E eu agradeço por isso. – brincou a aceitar a mão dele estendida para uma dança. – E como vai seu casamento?

Os olhos dourados do deus praticamente tornaram-se o elemento que o exemplificava: dois sóis.

Giraram um pouco, dentre os convidados sem muita pressa, antes dele responder:

– Vai bem, Artemis está com quatro meses e meus dias estão contados para morrer de tanto escutá-la brigar comigo. Mas o amor continua.

– Compreendo.

E viu alguém chamando sua atenção.

Era ninguém menos do que Hades, chamando com a mão, para que fosse à direção nele. Não compreendeu, mas, no entanto, sabia que era importante.

Sorriu para Apolo.

– Licença, só um minutinho.

E, afastou-se de Apolo, para correr elegantemente até onde Hades encontrava-se.

No primeiro momento em que esteve próximo dele, sem acreditar que ele não fora, o deus segurou seu braço e abaixou-se para sussurrar em seu ouvido.

– Estamos com um problema. Venha comigo.

E Perséfone deixou-se levar, sem saber o que o deixava tão furioso.

[...]

– Isso é... Impossível de se fazer agora, Hades. – negou Perséfone, parada de frente ao deus, praticamente tremendo do terrível frio que sempre fazia, ambos no corredor em que ficava o quarto onde eram guardadas as incríveis romãs do mesmo, sem acreditar no que ele lhe pedia.

Simplesmente, não podia, não agora.

Cruzou os braços ao suspirar.

Cada vez, mais e mais, a temperatura caia por causa da fúria do deus inquieto e visivelmente irritado com o que não podia lidar.

– Perséfone, eu não tenho saída.

Seus olhos apanharam os dele, os negros nervosos.

– Não, você não vai pra essa guerra no meio dessa maldita festa que você fez que eu nem sei o porque.

As sobrancelhas dele se franziram.

– Isso é um ordem, Perséfone?

E, apesar de tudo o que haviam passado e inclusive do calor que o beijo dele acordava ao simplesmente recordá-lo, sabia que não devia forçá-lo, não podia levá-lo ao extremo.

Da ultima vez que o fizera, acabou em cima de uma cama sem ar, e nem fora no sentido bom. Hades era capaz de coisas cruéis quando nervoso.

Como ele está agora.

Suspirou.

– Não, Hades, eu não posso te ordenar a nada.

– E nem tente. – aquilo pareceu gasolina para a maquina de matar que trabalhava dentro daquele peito. – Eu vou lá, só te chamei para avisar que vai precisar segurar os convidados por mais tempo.

– Meu pai já está notando, vai ser inútil.

– Agora ele deve estar pensando que você está se agarrando a mim – um sorriso cruel apareceu naqueles lábios ante os pensamentos perversos que a fez corar, ao pensar que seria bem melhor do que estar ouvindo que ele iria lutar mais uma vez naquele dia. – Entretenha-os. Faça algo.

– Vou tentar, mas não prometo.

– É o suficiente. Agora tenho que ir, meus comandantes estão chamando por ajuda, não posso deixá-los morrer por estar conversando com você.

Perséfone assentiu, sem dizer nada, somente a encarar o chão enquanto pensava em como diabos manteria aquele pessoal concentrado em outra coisa que não fosse no fato do noivo — e sequestrador – não encontrar-se entre eles quando sentiu que havia de algo muito errado nisso.

Hades deveria estar ali, com ela, fingindo para manterem olhares curiosos longe e lá estava ele, afastando-se a passadas militares em direção as sombras ao tempo em que se achava trinindo com o frio que se abatia, parada como uma idiota ali, no meio do nada, a espera de que ele sumisse para sua guerra.

Algo em si não gostou nada daquilo.

Foi quando sabia o que seu coração queria.

Correu, a segurar a barra do vestido ao mesmo instante em que chamava o nome do deus dos mortos, sem ligar para o que seu maldito destino queria avisar, sem notar que lágrimas desciam por seu rosto ou que se achasse arfando dentro daquele corpete até parar na frente do deus, claramente com pressa de ir embora.

– Idiota.

E, sem perder tempo, passou seus braços pelo pescoço dele e, com uma de suas mãos enluvadas travando-se dentro dos cabelos negros e macios, o puxou para baixo, nem ligando para o pouco protesto que ele fazia, usando aquela sua força divina que só conseguia alcançar em casos extremos para tocar seus lábios aos dele, ansiosa por sentir alguma segurança, alguma promessa de que o mesmo voltaria bem, de que estaria ali depois e que conseguiria lidar com o mundo.

Aquele choque acelerou seu coração ao frio e quente tocarem-se, ao sentir a firmeza daqueles lábios contra os seus, ao conseguir segurá-lo ali pelos fios cor de ônix, onde mais desejava.

E, quando notou que os braços gelados passavam-se por sua cintura, finalmente retribuindo seu beijo, deixou-se deslizar por aquele corpo, amolecendo-se para apreciar a força que ele tinha e a segurança que emanava.

Então, segurava o rosto do mesmo, acarinhando-o até que se viu sem ar e o momento perfeito para encarar aqueles olhos negros através da cortina molhada que toldava seus olhos por causa das lágrimas de pura preocupação que escorriam pela sua face.

E, pela primeira vez, deixou-o ver o tamanho do medo que tinha dele se machucar, do quanto queria evitar aquilo, mesmo sabendo que não poderia, que o reino dele necessitava mais de proteção do que sua pessoa.

– Perséfone, você...

– Shhh – não queria ouvir que se encontrava tosca por deixar aquilo acontecer, por tal fato, seus lábios calaram os dele em um beijo rápido e mais suave, cheio de um sentimento que não compreendia, que, no entanto, levou seus dedos a contornarem o formato que as pouco visíveis olheiras acumulavam-se sob os bonitos e perigosos olhos negros — Tome cuidado, por favor.

Sabia que ele não diria nada, como nunca deixava que ele o fizesse, nem mesmo quando ele deveria, igual aquele instante em que se achava tão completamente aberta e preenchida por aquele sentimento que só sentia com o mesmo, por tal fato, somente deixou seus braços aos poucos irem folgando até os terem ao lado de seu próprio corpo e Hades ter dado um passo para trás, sem falar nada, além de encarar seus olhos que finalmente conseguiam o ver enquanto a dona tentava secar a face, a saber que provavelmente encontrava-se em frangalhos.

E sorriu para o deus.

– Eu vou manter o pessoal por lá.

E virou-se para ir embora, voltando a sentir o clima frio que sempre havia por ali, no instante em que ele puxou seu braço, muito delicadamente, e fez seus olhos encararem os dele, para saber que havia o atingido sem nem mesmo ter planejado.

Que o fizera desmontar um pedaço da armadura de gelo.

– Eu volto.

Ela sorriu ante tais palavras.

– Eu sei que vai, Shadow me disse que você não cai tão cedo. E eu acredito em você, Hades.

Então assim, apressou-se em ir divertir os deuses no andar debaixo, onde deveria sorrir enquanto queria mais que o deus não fosse para guerra.