Snow
9 Aulas
Notas iniciais
E esse capítulo vai para Julia Riddle pela sua recomendação, sálinda *o* Snow ficou muito, muito honrada de recebê-la, mil de milhares de obrigadas, Juh >< Todo seu o/
Fazia dois dias que Hades não voltava para casa.
Entre imprevistos, um de seus generais morto e muitas baixas em vários lugares que detiveram a sua atenção por horas, finalmente só voltou para casa de tarde, depois de conseguir manter as coisas um pouco estáveis, em seu máximo.
E o que menos esperava, após tomar banho, cuidar de seus ferimentos (que estavam ainda piores que os das outras vezes) e descer as escadas em direção ao local em que Shadow dissera que se encontrava Perséfone- juntamente ganhando um copo esfumaçaste de néctar e um pequeno potinho com ambrosia em cubos da sua empregada quase mãe-, era achar a deusa resfolegando, cada lufada que ela soltava ficando branco enquanto um dos espíritos mais... Densos (que podiam simplesmente tocar a pessoa sem passar por dentro, como Shadow) investia contra ela com uma grande espada, em movimentos calculados e básicos, mas com qual a mulher que vestia uma quente roupa que combinava blusa e calça azuis coladas (que deveria ser uma das que Shadow disse ter pedido para Afrodite trazer, uma vez que eram muito amigas, melhor, quem não era amiga daquela senhora?) parecia estar sofrendo muito para impedir tocar seu corpo.
Aproximou-se, caminhando calmamente pela lateral esquerda do grande salão acarpetado em que havia feito para Shadow, um pedido que não compreendia o uso até aquele momento vendo Perséfone vacilando com a espada de dois gumes grande demais na mão da mesma, e escorou-se na parede, a finalizar seus “aperitivos” para sentir-se melhor, uma vez que brigou com sua empregada de que não iria dormir e aguentou ela dizendo coisas maravilhosas sobre Perséfone ao mesmo tempo em que ela fechava cada mínimo corte que encontrava.
Claro, não teve o mesmo efeito das mãos da deusa de cabelos chocolate, mas foi o suficiente para que pudesse caminhar sem reclamar muito.
E acredite, ser mordido por uma daquelas bestas não era o que Hades chamava de bom.
Pé esquerdo fora do lugar, cotovelo muito baixo, analisava ele, sem dar alarde de sua presença para ver Perséfone tendo de girar, só que o que ela não esperava do outro lado era que o espírito que finalmente descobriu ser Aquiles, sim, o famoso filho de Zeus, passou a perna por baixo e então, lá estava a deusa caída no chão com a espada grega de fio duplo do grande lutador da Guerra de Tróia tocando o exato local em que o coração dela ficava.
E, para sua surpresa, só o que Perséfone fez foi rir, uma risada doce e viva que aqueceu dentro de seu coração gelado e que pareceu completamente errada naquele local frio, enquanto aceitava a ajuda do homem – que Afrodite dizia ser muito bonito – para erguer-se.
- Essa foi melhor que antes, não foi?
Em um grego clássico, o loiro respondeu:
- Durou mais que dois minutos.
- Considerando com quem eu lutava... – ela deu de ombros, agarrando a espada. -... Creio que fui muito bem. Poucos tem a chance de lutar com você, ou apanhar no meu caso.
Aquiles riu com a deusa, de um jeito descontraído que fez Hades franzir o cenho. Por que ela nunca ria assim consigo? Por que sempre estava chorando?
- Não apanhou, senhorita Perséfone, apenas não...
- Relaxe, Aquiles, não precisa ser cordial, eu aceito que perdi. E feio. Mas, então...
- Segunda rodada?
E, Hades achou que era a hora de mostrar-se, em passos calmo chegando mais próximo.
Assim que esteve no campo de visão do fantasma, o morto parou e o movimento levou Perséfone olhar para trás. E uma corrente estranha subiu pelo seu corpo ao vê-la sorrir e segundos depois estar correndo em sua direção, esquecida a espada e o aparente frio que fazia.
Em poucos passos, ela encontrava-se abraçando sua cintura, como uma criança quando vê o seu tio favorito, sentindo-a apertá-lo cada vez mais e mais. Não de uma forma ruim, mas tão agradável que se segurou para não retribuir o abraço.
Não podia mostrar nada, não tinha tempo para isso, ainda que sua mente recordasse que quase havia feito muito mais do que somente beijar a deusa e que ela se entregara a sua pessoa, não seria agora.
Somente ergueu uma sobrancelha para o rosto bonito e que ia perdendo a cor de mel pela falta de sol constante por ali no momento em que a mesma encostou o queixo em seu peito e os cabelos suavemente cacheados caíram como cascatas pelos ombros da mesma.
Já podia ver uma lágrima escorrendo pelo canto dos olhos multicoloridos pelas emoções da mesma.
Era tão fácil de lê-la, não precisava ser esforçar para compreender os singelos desejos dela. E o primeiro que teve, ao fitá-la foi que não queria mais vê-la chorando, queria-a sorrindo e rindo como quando esteve com Aquiles.
Falando nele, Hades levantou o olhar dos dela para encarar o resto do grande salão.
Só estavam eles dois, o fantasma havia sumido, deixando para trás somente a espada que Perséfone usara fincada no chão, ainda vibrando. Depois pensaria no caso dele voltar para o Elísio, era um bom lutador...
Mas por agora, olhou para baixo uma vez mais para se deparar com Perséfone verificando visualmente seu corpo. Parecia que ela tinha algum vicio nisso, como se cuidar de sua pessoa fosse muito importante e que estava ficando perigoso.
- Terminou?
Sua voz fria levou-a encarar seus olhos, as bochechas corando delicadamente. Ou talvez fosse o gelo que ela deveria estar sentindo naquela sala. Ordenou que a temperatura aumentasse.
- Não, ainda não.
E surpreendendo-o pela segunda vez, a mão pequena adentrou nos cabelos negros de sua nuca, prendendo-se ali, e puxou seu corpo para baixo.
Deixou-se levar, inclinando-se, para sentir a boca macia e quente com gosto de cerejas selvagens contra a sua, aceitando a textura e a forma com que ela guiava.
Era tranquila, um pouco ardente e extremamente... Significativa.
Não se sentia beijando-a somente porque gostava disso, porque queria uma mulher, mas porque ela começava a fazer alguma mágica maldita, algum poder que ela devia deter que aquecia seu coração daquele estranho modo que fazia seu coração pular agora.
As unhas dela arrastavam-se suavemente pelo seu maxilar quando a mesma afastou-se, suspirando, e encarou seus olhos, um sorriso que o desarmava por completo aparecendo nos lábios avermelhados, só não sabia se de frio ou pelo selinho que recebera.
- Sir Gelado.
E viu-se revirando os olhos para a brincadeirinha dela, mas então lembrou para o que viera. Tinha certeza de que não era para sentir a mão dela contra seu coração ou receber beijos.
- O que pensa que estava fazendo aqui?
De repente, ela pareceu se retrair com sua voz.
- Eu... Apenas... Pedi pra Shadow...
- Ela de novo. – trincou os dentes. Teria de dar um jeito com aquela mulher, só precisava saber como.
Perséfone pareceu perceber o que se passava na sua mente, pois olhou para ele desesperado.
- Fui eu... Eu quem pedi, na verdade...
- Perséfone.
- Tudo bem, eu ameacei ela de que iria entrar no seu escritório, foi isso. Ai, ela entrou em pânico e me disse uma frase que eu poderia chamar um espírito para me ajudar... – a deusa olhou para o chão, corada e mordendo o lábio, exatamente como odiava que ela fizesse. Era uma deusa, não devia se remeter, nem mesmo a ele. – Me desculpe, Shadow não teve nada a ver dessa vez... Eu só queria... Ajudar.
Isso o pegou de surpresa. Ajudar?
Ergueu o rosto pequeno pelo queixo e a forçou a olhar para seus olhos já que ela se negava. Lágrimas brilhavam. Ela sempre estava chorando.
Era delicada demais, como um pequeno dente de leão, que se movesse ou soprasse demais perdia todas as suas pétalas para o vento.
- Como?
A deusa engoliu a seco e a voz que se seguiu foi tão baixa que o forçou a usar seus sentidos:
- Se eu aprendesse a lutar, eu poderia ir para a guerra. – olhos castanhos preocupados sobre os seus negros. – E não precisava ficar aqui, esperando para saber se você voltaria. Eu... Eu poderia evitar a morte de outras pessoas.
- E causa a sua, Perséfone – disse a realidade para ela de maneira suave. – Você não foi feita para lutas, deusa.
Lagrimas caiam.
- Eu não quero ficar aqui, sabendo que milhares de ajudantes seus podem não somente morrer, mas desaparecerem. Você... – ela pousou a mão em seu rosto. -... Você pode não voltar e eu nem precisei de muitos anos de vida para descobrir isso, Hades, deixe-me...
- Nem pensar. – cortou-a, sentindo que aqueles olhos conseguiriam tudo. – Sua morte está fora de cogitação, estou te protegendo, Perséfone, não posso de jogar no meio de uma guerra. Além do mais, você mal consegue segurar aquela espada.
A deusa apertou os lábios em uma fina linha, assentindo daquela forma de quem sempre concordaria com ele dizia. Daquela forma que vinha fazendo há alguns dias quando não conseguia se impor, que não o deixava nervoso e nem criava brigas.
Aquela forma de... Escrava.
Suspirou ao acariciar a face dela, deixando-a fitar o outro lado do salão.
- Você que aprender?
Aquilo chamou instantaneamente a atenção dela que encarou seus olhos. Ela estava magoada, mas sorria.
Uma linda boneca.
- Não precisa, eu...
Forçou.
- Você quer, Perséfone?
- Eu só estava me divertindo um pouco, não precisa, Hades. – acariciou seu cabelo. – Você tem muitas outras coisas para se preocupar, vou ficar bem.
Mas ele não queria deixá-la assim.
Sabia que no fundo daqueles olhos multicor de sentimentos como um caleidoscópio, ela desejava sim saber se proteger.
Por tal fato, colocando a mão para trás, fechou a mão sobre a base de sua espada e trouxe-a para frente, deixando-a se expandir ao máximo para então segurá-la de forma que a mão pequena dela conseguisse segurar.
Perséfone encarou seus olhos, pasma.
- Não, nem pensar, outros deuses não podem tocar nos símbolos de poder.
Odiava aquelas regras certinhas que Deméter havia colocado na mente da mesma.
- Vamos, pegue.
- Hades...
- Perséfone, eu vou deixar cair, no um, dois, três...
- NÃO.
Então, antes que soltasse, ela enrolou os dedos sobre a parte apropriada e usou um pouco de força para impedir o contato com o tapete.
No mesmo instante, sentiu-a através da lamina, o modo como o coração dela corria, aquela ligação que a arma permitia assim que ele deixasse outra pessoa tocar.
Era um modo de proteção contra sentimentos de inveja e vontade de roubá-lo. Mas, o que sentia, ao ver Perséfone tendo de afastar a pernas para segurar a espada, era apenas um sentimento doce.
Havia dor, tristeza por algo que não sabia, no entanto, assim que se colocou atrás da mesma arrumou-a de forma que não ficasse tão difícil de manter o peso da arma, enquanto praticamente a abraçava, algo novo passou pela espada.
Euforia seguido de timidez e ternura. Ela sorriu para sua pessoa. Quis franzir o cenho.
Como ela podia sentir ternura por sua pessoa? Que tipo de deus conseguia essa proeza?
- Hades, eu acho que...
- Shh, está vendo aqui, segure bem. Afaste um pouco uma mão da outra, essa é uma espada para segurar com as duas, isso. Pesada?
- Muito. Como consegue segurar isso em uma luta?
- Prática. Agora, flexione mais sua perna esquerda. Não, não tanto, menos... Isso. Até que está bem.
- Estou sentindo cada músculo meu tremer, isso é normal?
Ele sorriu contra os cabelos da deusa, sentindo que era verdade através do cabo da espada que era bizarramente grande para ela. Talvez devesse trocar.
Não, tinha de mostrar o quão difícil era.
- Um pouco normal, seus músculos não estão preparados para esse poder, afinal, você não é nenhuma deusa de guerras, batalhas ou algo assim se me recordo bem.
- Não significa que posso mudar. – e ela pareceu notar que foi rude, pois quis se virar. – Me desculpe, isso não foi delicado...
- Perséfone, concentração, escuto palavras mais pesadas que essas, pode ter certeza.
- De quem?
- Deusa...
- Me desculpe, está me distraindo. Podemos começar, por favor, não sei quanto tempo aguentarei segurá-la.
- Ok, aguente mais um pouco.
E agarrou a espada que Perséfone usava antes. Era menor, na verdade, bem menor, mas era o suficiente para que ela não cortasse seu corpo sem querer.
E era isso que importava. Posicionou-se na frente da mesma. Os olhos castanhos pareciam fazer muita força para suportar a grande espada negra na mão da mesma.
- Vamos, Perséfone, me ataque.
- É o que?
- Assim, olhe.
E calculou de um modo que não a machucasse muito se pegasse, mas antes que pudesse chegar perto do ombro da mesma, ela desviou-se até que com muita habilidade apesar da respiração alta.
Ele deu uma curva.
As espadas arrastam o metal um no outro. Forçou-a mais um pouco, mas ela parecia determinada a mostrar para sua pessoa que conseguia. Assim, a deusa soltou-se e tentou desferir um golpe em seu braço bom.
Segundos passaram-se para no ultimo instante, afastá-la, abaixando-se calmamente. Era como brincar, contudo, muito mais divertido ao ver as caretas que ela fazia quando não conseguia.
Até que ao notar que ela estava cansada demais, que o sentimento que predominava nela era a exaustão, resolveu finalizar.
Com um golpe bem dado, jogou a espada negra para o outro lado e empurrou-a para ir ao chão atapetado. Só com o que não tinha contado era que ela também sabia se defender.
E, no instante em que ela desequilibrou, puxou sua mão com toda a força que tinha e foi forçado a soltar a lamina para não atravessá-la, caindo ao seu lado com um estalinho assim como caiu sobre a mulher.
A primeira coisa que fez foi afastar-se um pouco para ver se a deusa estava machucada em algum lugar por causa da lamina quando a linda garota, com os braços ao redor de sua cintura, riu, um pouco suada pelo esforço que a espada exigia e com os cabelos espalhados como um leque pelo carpete.
Os olhos castanhos encaravam o seu com carinho, apesar de não poder mais sentir o que ela sentia. E viu-se sorrindo de volta.
- Perdi rápido demais. E você nem se quer suou.
Ela passou os dedos quentes pela lateral de sua face.
- Faço isso todo dia, Perséfone.
- Admita que não usou toda a sua habilidade.
- Não seria agradável matá-la, creio.
- Não. – mas ela sorria. – Não mesmo. Porque, morta, eu não teria algo...
- E o que seria? – perguntou, deixando-a sentir o peso de seu corpo e abaixando-se um pouco.
Ela engoliu a seco.
- Acho...
- Sim?
- Hades.
Mordiscou o pescoço da deusa, finalmente recordando do que havia prometido a ela.
- Sim, Perséfone?
- Me beija.
- Era esse o pedido?
- Não, mas esse serve.
E, não perdendo tempo, ela prendeu as mãos em seus cabelos negros, as unhas arrastando-se levemente no couro, assim que levantou o rosto para fitá-la e a deusa colou sua boca a dela, com força, com aquele sentimento estranho que ele não entendia.
Mas que o fez retribuir com a mesma intensidade, empurrando-a contra os fios macios, apropriando-se da cintura da mesma, sua mão prendendo-se aquela parte do corpo da mulher a sua frente.
Perséfone suspirou assim que aprofundou o beijo, a sentir o gosto de frutas selvagens na sua língua, o perfume de flores e o que os humanos chamavam de verão a cada vez que aspirava com força pela falta de ar.
Então, Perséfone fez algo que ele sabia que ela nunca tinha feito pelo simples fato de estar tremendo: tentar abrir os botões da sua blusa social enquanto a boca não deixava a sua, aquele beijo inocente e inexperiente comandado pelos instintos que ela detinha dentro daquele coração. Sorria ao ajudá-la, puxando por cima da cabeça, e permitindo-a tocar sua pele.
Era como triscar pólos diferentes, criando uma corrente em seu peito.
Já sua pessoa, não precisou muito para deixá-la somente de sutiã na parte de cima, enquanto abaixava-se para colar um beijo na barriga dela que se encolheu ao mesmo tempo em que a sentia, sem perceber, curando seus machucados a cada lugar que aquelas mãos tocavam, até mesmo quando arranhavam sem querer.
A palma da deusa parou em seus braços.
E, usando aquilo, ela puxou-o para cima e Hades deixou-se ser ordenado, para beijá-la outra vez.
O que era para ser somente um modo de ensiná-la – e indiretamente afastar Aquiles -, acabou tornando-se o que ele esteve tentando evitar.
Pois sabia que não conseguiria parar.
Deixando-a por cima, Hades girou, suas mãos apertando as pernas da deusa, aproximando-os, ao mesmo tempo em que Perséfone mostrava-se sem saber o que fazer, somente o beijando.
Era uma deliciosa bandeira de paz.
Nunca ninguém havia feito aquilo a ela. E seu instinto masculino adorou ser o primeiro ao abrir o botão da calça da mesma, logo em seguida puxando-a e deixando Perséfone vestida lindamente com calcinha e sutiã cor de sangue. Talvez não fosse a intenção dela ser tão atrativa ou maravilhosa com aquela cor, mas agora, ali, tinha saído-se muito bem, aquecendo-lhe ainda mais o sangue.
Foi assim pensando que abaixou o rosto, permitindo-a descobrir o primeiro corpo masculino com qual tinha contato, e beijou o vale entre os seios não muito grandes da mesma, perfeitos para serem cobertos por suas mãos como acontecia naquele momento, ainda sobre o tecido.
Perséfone contraiu a barriga.
- Hades.
E foi quando lembrou onde se encontravam.
- Vamos para o quarto – sussurrou sob o ouvido da mesma, sua voz saindo rouca até mesmo para si mesmo, ao erguer-se com ela em seu colo, a pele quente da deusa se arrepiando ao frio do mundo Inferior.
Mas, antes que conseguisse subir o primeiro lance de escadas, pararam rindo, segurando-a contra a parede por escutarem os passos quase imperceptíveis de Shadow que gritava atrás dos mesmos.
Perséfone encarou-o com olhos carinhosos, os braços entorno de seu pescoço, um sorriso de cumplicidade antes de beijá-lo mais uma vez, o que o fez empurrá-la, desejando aprofundá-lo e terminar aquele desejo que tinha por ela ali e agora. Queria. De mil maneiras.
E viu-se com uma mão nos cabelos dela enquanto subia as escadas, ela praticamente não pesando nada em seus braços, suas bocas tocando-se, brigando, soltando-se, e pele dela começando a aquecer a sua.
- Hades... – sussurrou assim que fechou a porta de seu quarto, trancando-a mentalmente, para finalmente conseguir jogá-la sobre a cama.
Uma maravilhosa puma deitada, fitando seus olhos com aqueles castanhos, ofegando e aceitando seu peso logo que se deitou sobre a mesma, podendo, como desejava, tirar o resto das roupas que cobriam aquele lindo corpo.
Ela suspirou ao sentir sua mão sobre o seio, entregando-se a ele de um modo que nenhuma outra mulher o fizera, permitindo-o fazer o que quisesse e quando aproximou os lábios perto, um tremor subiu pelas costas femininas.
Então, ela pediu para ser beijada.
E ele não podia negar nada que ela pedia.
Mostrando a ela o desejo que sentia, o quanto queria aquilo enquanto notava as palmas dela em seus ombros, sua boca lutando contra dela, contra aqueles pedidos inconsequentes que poderiam levá-la a morte, amainando a preocupação que sempre via naqueles olhos e retribuindo algo que não compreendia, mas que o fez ser mais delicado com ela, sentiu as pequenas mãos descendo pelo seu peito e batalhando contra o botão de sua calça.
Pensou que deveria ter usado moletom, mas já era tarde, então, teve de ajudá-la. Assim que o som do zíper estalou no quarto, deixou-a terminar, pois estava muito preocupado em brincar com os seios da deusa, fazendo-a arfar e arquear-se em sua direção para que pudesse passar uma mão para as costas da mesma.
Logo, tocavam seus corpos sem interrupção, Hades sentia tremendo, beijando seus lábios de forma faminta, que decidiu que seria à hora. Posicionando-se, parou de tocar sua boca a dela e mordeu de leve o pescoço da deusa que tinha descido as mãos para suas costas, abraçando sua cintura.
- Tem certeza?
- Hades.
- Passe suas pernas ao redor da minha cintura.
E, seguindo sua ordem, ela o fez, e encarou seus olhos.
Nunca, em toda a sua existência, viu aquele tom nos olhos de alguém.
Eram líquidos, não no sentido normal, mas de uma forma que somente ela conseguiu deixá-los, tão ternos e doces que o fez apreciá-la por alguns segundos. A boca vermelha. Os olhos como os de um felino, prontos para um ataque. A respiração saindo em lufadas. E então, aquela mescla de cores.
Seu coração tremeu.
- Hades...
Sussurrou ela, tocando seu rosto, para em seguida erguer-se e colar sua boca em um suave selinho, não demorado, mas tão cheio de significados que o fez acariciar a costas da mulher, compreendendo que aquela era o passe livre, que ela de fato entregava-se a sua pessoa, que era sua não somente pelo colar, mas também porque o queria.
E foi assim pensando, fitando-a, que se aproximou.
- Se doer, me fale.
Ela apenas assentiu.
E Hades tentou ser o mais delicado possível, empurrando-se aos poucos, vendo-a segurar os arfares que queria soltar. Pouco a pouco conseguia, mas ela achava-se se segurando demais, então, pensou que tentaria outra tática.
Pois a desejava e não negar isso.
- Shh... Relaxe – disse baixinho ao beijá-la, acariciando as pernas dela que se apertavam demais a sua volta. – Perséfone...
- Hades, não.
- Hey, olhe pra mim. – os olhos castanhos o encararam. – Acalme-se, sou só eu.
- Mas...
E, calou a boca da mesma beijando-a, demorou um tempinho, tendo de segurar-se para ela se adaptar, sentindo pelas suaves mordidas que ela dava que doía, até que recebeu a iniciativa dela, ao ter as mãos pequenos empurrando o final de suas costas, dizendo silenciosamente para acabar com aquilo.
Foi assim que se empurrou por completo e engoliu o arfar da deusa, apertando suas bocas, acariciando o rosto da mesma com uma de suas mãos para então começar a movimentar-se, transformando para ela aquilo que era dor em algo prazeroso, em algo bom e que o desarmava até mais do que imaginava.
Viu-se mordendo o pescoço da deusa, marcando-a, enquanto deslizava pelo corpo pequeno e macio, tão quente que sentia suor escorrendo pelas suas costas, suas diferenças de temperatura provocando tal fenômeno.
Havia uma mão dela em seus cabelos, incitando-o a continuar beijando o pescoço da mesma, enquanto a outra afundava as unhas no meio de sua coluna, suaves sons saindo da boca da deusa de olhos fechados.
E ele nunca esteve tão ligado a alguma pessoa como se sentia naquele momento, escutando-a chamar seu nome, percebendo-a se entregar, aceitando-o dentro de seu corpo, e, acima de tudo, demonstrando tanto carinho e sentimento por ele mesmo que estivesse um pouco não lúcida pelo prazer.
Perséfone beijou o seu maxilar quando ele aumentou a velocidade, fazendo ambos arfarem e suarem antes de beijar sua boca.
E, Hades viu-se segurando o rosto da mulher, com as mãozinhas dela em sua face também, mas enquanto a sua era rude logo abaixo do maxilar, a da deusa era suave, acariciando-o como se fosse algo raro. Em um nível que não compreendia.
Até que, ainda a beijá-la, ele sentiu um tremor subir por sua coluna e escutou-a suspirar, ambos perdidos em um redemoinho de sensações e dopor.
Hades deixou-se cair sobre a deusa que respirava em lufadas contra seu ombro, abraçando seu peito, tentando colocar uma ordem em sua mente que só pensava na deusa abaixo de si.
Ficaram assim por algum tempo, ele sentindo os cabelos grudados na sua nuca pelo suor e o queixo de Perséfone em seu ombro, ambos calados, curtindo o frio que se apropriava do local que antes estivera tão quente, quando percebeu que deveria estar pesado demais para ela.
Era certa que Perséfone nunca tivera tanto peso sobre si. Não precisava ser gênio para saber disso. Ainda mais que fora o primeiro dela.
Pensando nisso, que ela se sentiria cansada, Hades caiu ao lado da deusa, de barriga pra cima. E fez algo que nunca fizera antes.
Passando os braços pela cintura fina, puxou-a para perto até ter o pequeno rosto deitado em seu peito, uma de suas mãos possessivamente no quadril da mesma enquanto começava estranhos desenhos ali e sentindo a palma contra seu coração.
Perséfone suspirou, mole e cansada.
- Hades...
- Shh. – acarinhou os cabelos dela. – Pode dormir.
- Eu não estou com... – bocejou – Sono.
Ele sorriu.
- Imagine. Relaxe, Perséfone, não irei sumir.
- Promete?
- Prometo.
Mas ele não estava o falando de verdade.
Pela primeira vez na vida, achava-se com medo. E não era nem de um mega monstro ou de uma guerra, era por aquilo que sentia ao tê-la ao seu lado depois de compartilhar muito mais que uma cama com a deusa virgem.
Se era para ela ser uma das damas, felizmente ele não havia deixado. E isso também implicava no fato dela, tão carinhosa, estar começando a sentir algo. Ou sua pessoa também.
Fosse como fosse, queria que ela dormisse sem preocupar-se, para que pudesse pensar.
Então, pegando-o de surpresa pela terceira vez, Perséfone subiu um pouco e colou seus lábios muito levemente. Ela sorria ao se afastar, os olhos cansados, mas tão líquidos quanto estiveram antes.
- Se pensar demais, não vai dormir. Não quero te ver cansando.
- Não vou, prometo.
- Boa tarde, Hades.
Ele sorriu ao pensar que deveriam ser cinco da tarde.
- Boa tarde, Perséfone.
E, acarinhando os cabelos um pouco úmidos dela e senti-la respirando contra suas costelas calmamente, como se não tivesse nada que pudesse atrapalhá-la depois de estarem cobertos com o pelo de urso, deixou sua mente voar para aqueles momentos atrás, aqueles poucos minutos atrás.
Os sorrisos. Os olhares. Os carinhos.
Tudo nela estava destruindo algo dentro de si, aquele gelo espesso que demorara anos para construir, sendo somente tocado pelo calor daquelas palavras alegres ao vê-lo chegar da guerra ou sorrindo por qualquer coisinha engraçada que ele falasse.
E achava-se com... Medo.
Pensava assim, muito tempo depois, não conseguindo dormir por preocupação, quando a sentiu aconchegar-se melhor a lateral do seu corpo, murmurando algo.
Primeiro, pensou que fosse somente sonhos. Felizes sonhos pelo sorriso que ela detinha. Mas, depois, no momento em que Perséfone suspirou, sentiu-se travar.
Eram palavras claras. No começo, sem sentido.
E, segundos, se tornavam uma frase.
A voz dela era doce e baixa ao dizer:
- Hades... Amor... – suspirou. – Eu te amo.
E decididamente estava certo de que precisava dar um jeito naquilo.
Precisava afastar.
Mas não só pelas palavras.
Não só pelo tom ou pelo carinho.
E sim, pelo simples fato de quando, trouxe-a para mais perto, sentiu a vontade de corresponder. De dizer aquelas mesmas três palavras. Aquela mesma frase que negou há tanto tempo. Da qual fugia. Ainda que fosse Perséfone. Sua deusa que fazia tudo o que ele queria, que sorria mesmo triste, que ganhava o coração de todos e, inesperadamente, de fato trazia paz para todos que conviviam a volta dela.
Sua Perséfone.
E soube que tudo estava perdido.
Fale com o autor