Smother Me
1 Capítulo 1
When I\'m alone time goes so slow
I need you here with me
and how my mistakes have made
Your heart break
Still I need you here with me
So baby I\'m here
“Quando eu estou sozinho o tempo passa tão lentamente
Eu preciso de você aqui comigo
E como meus erros fizeram
seu coração quebrar?
Eu ainda preciso de você aqui comigo
E amor, eu estou aqui”
É um lindo dia. Os pássaros cantam próximos nas árvores. O sol brilha ameno, é primavera. Hoje faz cinco anos e as lembranças me fazem sorrir. Minhas mãos tremem um pouco, mas seguro com firmeza uma única rosa e um pedaço de papel. Não é um pedaço de papel qualquer, fico tentado a desdobrá-lo e lê-lo novamente. Para quê? Eu sei de cor o que está escrito. Mas o desejo de contemplar a caligrafia caprichada incomum me vence. Abro-o com cuidado, evitando que se rasgue. Leio:
“Gerard,
Eu não sei quando vai encontrar esse bilhete ou mesmo se vai encontrá-lo algum dia. Mas eu gostaria muito que encontrasse. Talvez assim você possa entender o que me nego a dizer diretamente. A essa altura, o que me resta é manter as aparências. Eu nunca fui muito sentimental e tudo isso tem me transformado em outra pessoa. Você sabe, só você sabe o quanto a nossa vida mudou de um ano para cá. E só eu sei como você pode ser doce e gentil, mais forte que qualquer pessoa que já conheci. Desde aquele dia... [uma mancha no papel]... me deu forças para continuar. Agora... eu não sei mais se consigo. Você fez tudo o que pôde, eu queria tanto poder agradecer! Entregar os pontos não é a melhor maneira de fazer isso, eu sei. Mas por mais que lutemos juntos e você diga que não, eu sei que tenho pouco tempo. Eu não posso continuar, me perdoa?
Não ligo mais se vai acabar hoje ou amanhã, um dia isso vai acontecer. Eu te amo tanto que a eternidade não seria o bastante para estar com você. Mesmo eu adorando a idéia de poder curtir um pouco mais. Tudo bem, eu não vou pensar nisso.
Desculpa se eu te magoei ontem, você não merece as minhas crises nervosas. Acho que ninguém merece *risos*. Quando você ler isso talvez não se lembre mais de mim chorando e gritando ‘eu quero morrer, me deixa morrer, Gee’. Eu fiz isso tantas vezes e você sempre me abraça e me acalma, eu me sinto protegido e amado. Ah droga, era para ser só um bilhete com meia dúzia de palavras e está virando uma carta brega, eu estou chorando feito um idiota agora. O papel está encharcado, mas não vou passar a limpo. O chorão aqui vai molhar tudo de novo.
Gee, eu te amo *quantas vezes já escrevi isso aqui?* Ah ok, você sabe. Eu sou péssimo com palavras bonitas, não sei nem terminar um bilhete com um pouquinho de originalidade. De qualquer jeito... [mancha]... vou sentir saudades, onde eu estiver. É a única coisa que eu sei.
Para sempre seu,
Bert.
[1 de Junho de 2005]”
Toco com um certo carinho as manchas no papel, é doce vê-las como um rastro dele, a marca das suas lágrimas. O papel também tem marcas de dobras, eu o li milhares de vezes e sempre descubro um detalhe novo, é como se eu pudesse ver Bert escrevendo, ao invés dos costumeiros garranchos, uma letra bem caprichada, redondinha.
Hoje é dia 11 de junho, me dói pensar nesse mesmo dia, cinco anos atrás. Era uma manhã como essa, o céu muito azul. Pulei da cama e fui me arrumar para ir visitar Bert no hospital. Ele tinha sido internado havia uma semana. Pela data na carta, ele a escreveu dois ou três dias antes de passar muito mal e termos de correr para o hospital.
Eu me lembro como se fosse hoje, eu estava feliz porque no dia anterior o médico comentara uma melhora significativa no estado de Bert. Mais alguns dias e ele já teria alta. Saí rapidamente de casa e deixei para tomar café lá no hospital. Eu não via a hora de conversar com ele, essa era a melhor parte do meu dia, quando ficávamos de mãos dadas fazendo mil planos loucos que não nos importavam se virariam realidade ou não. Sentia um certo alívio também, nos últimos tempos todos viam que Bert andava mais sorridente e eu atribuía isso à sua recuperação. Desde que ele tivera de cortar o cabelo eu não ouvia o seu riso doce.
Cheguei em alguns minutos no hospital, não estava no horário de visitas ainda, então fiz uma hora, comprei qualquer coisa para comer. Até que, finalmente, eu pude subir para vê-lo. Abri a porta cuidadosamente e fui saudado com um grande sorriso.
-Gee... – disse Bert. Seus olhos brilhavam, nunca vou me esquecer disso.
Sorri e corri para a sua cama, dando-lhe um suave abraço de urso e um beijo.
-Como é que é? Vai continuar aqui nessa boa vida e me deixar sozinho em casa? – cobrei.
-Já está sentindo a minha falta, é? – ele riu.
-Lógico. Aquela casa não é a mesma sem as suas coisas espalhadas por todos os cantos! – rimos juntos.
-Eu quero ir embora logo para casa... – reclamou, emburrado. – Não gosto daqui.
-Por quê?
-Eu me sinto preso aqui nessa cama, a comida não é boa e o meu enfermeiro não se chama Gerard... – rindo.
-Não se preocupe, o médico disse que você deve ter alta ainda essa semana. Quanto ao seu outro probleminha... eu conheço um Gerard, acho que posso te apresentar a ele... – pisquei.
-Ah, isso seria ótimo!
-Sabe o que seria mais que ótimo?
-O quê?
-Um superbeijo do meu aniversariante! – exclamei, abraçando-o com cuidado.
-Você se lembrou!
-Como eu poderia esquecer?
Ganhei o beijo dele de presente e então fomos ao presente dele. Tirei uma caixinha preta do bolso.
-Bem, eu... – pigarreei. – Erm... nós estamos juntos faz um bom tempo.
-Muito tempo. – concordou.
-E... eu sempre tive receio de... desse momento. – pigarreei de novo, nervoso. – Bert, você... quer se casar comigo? – abri a caixinha, onde tinha duas alianças.
Vi os olhos dele ficarem marejados, eu sabia no que ele pensava.
-Mas eu não vou...
-Apenas me diga isso. – pus um dedo sobre os seus lábios, interrompendo-o. – Você quer?
-Eu... não é justo com você, Gee...
-Tudo bem, eu vou ser mais romântico. – levantei-me e tirei de um vaso em cima da mesa-de-cabeceira uma das rosas que alguém lhe trouxera. Fiquei sério. – Bert McCracken, você é o amor da minha vida, a pessoa com quem eu compartilhei os momentos mais intensos, quem me fez enxergar o mundo com outros olhos. Eu quero ser seu para sempre. Casa comigo? – entreguei-lhe a rosa, que ele beijou, enquanto uma lágrima solitária descia pelo seu rosto.
Esticou o braço e me tocou. Agachei-me ao seu lado e ele secou a lágrima que eu também não pude conter.
-Gee, foi a coisa mais linda que alguém já me disse. – falou ele, com a voz embargada.
-Eu... não tinha um plano B, então... eu só disse aquilo que nunca tive coragem de dizer. – engasguei.
-Não sei dizer “não” para você, Gerard.
-O que isso significa? – perguntei.
-Isso significa “sim”. Eu aceito me casar com você.
Sorri, me sentindo o homem mais feliz do mundo e peguei a aliança.
-Não tem nenhum padre ou juiz aqui, mas não acho que precisemos disso. – rimos. –Então, Bert, só quero que nunca se esqueça de mim e do que nós vivemos. – murmurei e a coloquei em seu dedo.
Ele pegou a outra.
-Nunca vou me esquecer disso, nem do que fez por mim, Gerard. – disse, colocando-a em meu dedo.
Aquele dia certamente seria o mais feliz de toda a minha vida.
Let me be the one who never leaves you all alone
I hold my breath and lose the feeling
That I\'m on my own
“Deixe-me ser esse que nunca te deixa sozinho
Eu mantenho minha respiração e perco a sensação
De estar sozinho”
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