Smile

12 Talented Prince.


Lucy esperou a mãe começar a falar, em silêncio.

— Ah, nada de importante. Não tão importante assim, quero dizer. Como vai você, minha filha? Responda sinceramente.

— Mesmo? Melhor que antes?

— Provavelmente. Qual o motivo disso, mãe?

— Ah, minha filha... – Suspirou. – Sabe que te ver chorar não vai sair de minha memória tão cedo.

Lucy deslizou os dedos pelas finas pétalas da rosa que estava em seus cabelos.

— Se quer saber... Não tenho motivos para chorar como antigamente.

— Sei que está se esforçando, querida. – O Sorriso de sua mãe, sempre era gentil.

Lucy suspirou, voltando as mãos para o lado do corpo e o olhar para espadas de esgrima.

— Sim... Esforçando.

— Obrigada, Lucy.

Voltou a olhar para a mãe.

— Pelo quê?

— Por ter dado se dado a chance de viver. Estar viva e viver são duas coisas diferentes. E desde que Sean... Você estava viva. Mas agora, está vivendo.

Lucy entendeu perfeitamente o que a mãe queria dizer. Mas duvidava que realmente estivesse vivendo.

— ...Foi o Sean mesmo... Que me deu vontade de continuar vivendo. – Abraçou a mãe calorosamente. – Eu não vou te deixar sozinha. Você não vai perder mais ninguém, mãe.

A mãe apertou a filha no abraço correspondido.

Por mais que a dor de perder um filho fosse enorme, e agora, sua outra filha, iria se mudar.

Mesmo assim, como uma boa rainha, deveria sorrir.

Lucy afastou-se da mãe, um sorriso pequeno era mostrado por seus finos lábios.

— Sean não gostaria de ver nenhum de nós triste.

Lucy chacoalhou a cabeça em resposta positiva.

— Sim. – Lucy sabia o quanto sua mãe estava preocupada com ela, mesmo sorrindo.

Então, levantou os lábios de leve, num pequeno sorriso e olhou para a mãe.

Mary sorriu também, mais aberto.

Lucy era linda sorrindo, mesmo que timidamente. Era um sorriso tão discreto.

Ela tinha leves "covinhas", próximas as bochechas. Quando era criança, passava a maior parte do tempo, sorrindo e rindo, o que resultou nestas pequenas marcas em seu delicado rosto.

Não era esforço nenhum, sorrir. Podia fazer quantas vezes quisesse.

Não é como se sentisse trauma ou coisas do tipo.

Só... Era raro sentir vontade de sorrir. Mas por sua mãe, alguém que amava tanto, podia se esforçar.

Não se sentia triste a todo momento, mas tinha quedas em seus sentimentos.

— Espero que Meguri te faça sorrir, também.

— Ele é gentil.

A mãe riu.

— Então isso já é motivo para sorrir. Fico tão aliviada em saber que estou casando você com alguém que te merece, querida.

— Sim... – Voltou seu olhar para o chão.

Miyuki olhou para Meguri, em silêncio, ele estava rabiscando algumas coisas em um caderno qualquer, sentado no sofá.

Fazia isso quando estava entediado.

Tirava um minúsculo caderno no bolso e um lápis, e rabiscava desenhos por horas.

Seus rabiscou atuais formavam uma rosa.

Começara a prestar mais atenção nelas depois de perceber como Lucy apreciava rosas.

Ele tinha talento.

A rosa, sombreada nos pontos certos, estava lindamente desenhada.

Era a rosa dos cabelos de Lucy.

Prestava atenção nesses tipos de detalhes.

Desceu alguns traços finos até o final da página. Os cabelos dela.

Seus olhos que lembravam levemente os de gato, com seu formato, eram ótimos de serem desenhados.

Rabiscou-os rapidamente, formando os olhos, o nariz, a boca, desenhara o rosto todo.

Estava tão distraído ali, desenhando.

Não sabia com que velocidade o tempo passou, mas logo sentiu alguém atrás de si.

— Você desenha bem... – Lucy comentou.

O lápis tombou em sua mão, porque se assustou com a fala repentina da Princesa.

Olhou para Lucy, assustado.

Ficou surpreso em ser pego a desenhando. Se sentiu levemente envergonhado.

— Obrigado...?

— Você tem outros desenhos nesse caderno, ou só há folhas limpas?

Sentou-se ao seu lado.

— Sou eu neste desenho, não? – Sua fala parecia mais animada.

— Sim... É você. – Meguri respondeu, observando como a expressão de Lucy pareceu ter mudado um pouco desde que fora falar com a mãe. – E respondendo sua pergunta anterior,eu tenho mais desenhos neste caderno.

— Mesmo? Posso ver?

— Hum... tudo bem. – Estendeu-lhe a mão, com o caderno.

Lucy segurou com cuidado.

Abriu o caderno, folheando as páginas devagar, pegando os detalhes e apreciando os desenhos feitos por Meguri.

Lucy nunca teve uma boa mão para desenho, mas seu irmão pintava muito bem. As telas dele sempre deixavam a Princesa admirada.

Meguri ficou em silêncio.

Os desenhos eram muito bem caprichados. Mas Meguri insistia lhe em dizer que eram passatempo e não estavam tão bem feitos.

A Princesa olhava-o de relance e continuava folheando o caderninho. Dizendo-o que ele tinha talento, e que não deveria menosprezar uma arte tão bonita de tal maneira.

— Ei, Meguri, posso encomendar uma arte sua? – Virou para ele. – Quero dar de presente a minha mãe. Estava em busca de um bom pintor, e, você tem talento.

— Eh? – Questionou, confuso.

— Quero que faça um desenho para mim. – Lucy repetiu.

— Tudo bem... – Suspirou. – Mas o que?

— Eu quero algo que deixe minha mãe feliz. Não pensei muito à respeito.

— Um sorriso seu. – Virou-se para ela, sorridente.

— É uma boa ideia. – Lucy respondeu. – Você consegue desenhar até o dia do casamento?

— Claro! – Exclamou. – Mas vou precisar de você, sorrindo, enquanto eu a desenho.

— Hum... – Olhou para o lado. – Tudo bem. Me ajude com isso.

— Ajudar como?

— Me faça sorrir.– Pediu, singelamente, como se não fosse algo que todos queriam fazer.

Meguri pensou seriamente em que faria Lucy sorrir.

Nada do que já fizeram. Já que ele nunca a viu sorrir.

— Qual o jeito mais fácil de fazer você sorrir?

Ela deu de ombros, olhando para ele.

Meguri aproximou as mãos dela, fazendo garras. Ia enchê-la de cócegas.

Lucy não percebeu a princípio o que Meguri estava fazendo.

Só se deu conta quando as mãos estavam em sua cintura.

Já era tarde.

O formigamento e as cócegas irradiaram por seu corpo. As bochechas avermelharam e ela sentiu a vontade de rir.

As risadas de Lucy eram extremamente fofas. E contagiantes.

Tentou afastar as mãos dele de seu corpo, mas não conseguia, ria em demasia.

Se contorcia e remexia na cadeira, tentando se libertar de Meguri.

Tentou falar e as risadas saíram mais altas.

Segurou-o pelos pulsos, respirando de forma descompassada, entre as risadas intermináveis.

Meguri tinha descobrido naquele momento.

O sorriso e a risada de sua noiva, eram os mais bonitos de todos.

Queria ouvi-los sempre. Por muito tempo.

Parecia que cada segundo que ela passava na expressão monótona, tornava a cada segundo, seu riso, mais bonito.

Meguri a beijou, porque realmente queria fazer isso. Mas não teve retribuição. Lucy apenas apertou seus pulsos, por causa do súbito movimento.

Decididamente, o Príncipe não queria esquecer aquele sorriso.

Guardaria aquele sorriso com seus lábios.

E aguardaria em silêncio, o dia que seria retribuído.

Separou-se de Lucy, e o aperto em seus pulsos afrouxou.

Lucy estava corada, tanto pelas risadas em excesso, quanto pelo beijo repentino.

Meguri sentou-se no sofá e pegou o caderno, as mãos rápidas, passariam a desenhar.

— Já vai começar? – Perguntou curiosa.

— O esboço. Enquanto os detalhes ainda estão frescos.

— Entendo. – Colocou as pernas em cima do sofá, esticadas.

Seus pés descalços, já que estavam doloridos, eram tão pequenos...

Mesmo em saltos baixos, seus pés ficaram cansados.

A maioria de seus sapatos eram tão desconfortáveis...

Fechou os olhos, relaxando enquanto ouvia os rabiscos do lápis no papel, ao seu lado.

Droga. Ele estava nervoso. E Lucy ficava tão bonita daquele jeito.

Serena. Com a respiração tão calma, de olhos fechados.

Os olhos verdes eram lindos, mas escondidos, o rosto de Lucy não deixava ser encantador do mesmo jeito.

Queria beijá-la outra vez.

Definitivamente... Ele estava feliz por ser noivo dela.

Se uma garota como aquela caísse em mãos erradas...

Não. Chacoalhou a cabeça. Não queria nem pensar nisso.

Só de lembrar em todos aqueles homens falando coisas tão... Nojentas...

Agradava-lhe tanto a ideia de passar o resto da vida com Lucy. Mas se questionava se ela seria feliz ao seu lado.

Não sabia se ela amava outra pessoa.

Nunca havia perguntado, e nem ela comentado, mas, talvez ela tivesse. E não quisesse sorrir, por saber que seu futuro era casar com Meguri.

Imaginou como isso deveria ser triste. Se ela realmente estivesse apaixonada por alguém... E estivesse sendo obrigada a se casar. Sendo beijada por alguém que não amava e dormindo ao lado desta mesma pessoa.

O pensamento fez suas pernas parecerem gelatina.

E se... Estivesse forçando Lucy a tudo aquilo?

Enquanto pensava em querer beijá-la, Lucy podia estar sofrendo.

Parou os rabiscos.

— Lucy... Sei que talvez soe um pouco evasivo, mas... Está apaixonada por alguém?

Levantou a cabeça para olha-lo, algumas mechas de seu escuro cabelo, caindo sobre seu rosto.

— Por que esse tipo de pergunta tão repentinamente? – Colocou as mãos sob as pernas, por cima do vestido.

— Eu pensei que talvez, você podia estar odiando tanto o casamento por amar outro alguém.

Ela desviou o olhar para o lustre de cristal, como se estivesse pensando.

— Não. – Suspirou. – Não estou apaixonada por ninguém. Não se preocupe. Não estou sofrendo.

"Por ninguém", ecoou em sua mente.

Meguri suspirou mentalmente.

Sua expressão se suavizou.

— Ainda bem...

Lucy colocou seus pés descalços no chão frio.

— Nosso casamento está chegando. – Suspirou.

Não sabia o que pensar sobre Lucy sempre encarar o vazio como se fosse algo comum.

Talvez fosse comum para ela, se perder em seu mundinho.

Talvez a mente dela fosse mais tranquila do que as pessoas desconfiassem que fossem.

Muitos acreditavam que a Princesa tinha problemas com as próprias idéias e mente conturbada. Mas ela sempre parecia tranquila.

Se fosse tão diferente assim, ou perturbada, Lucy não seria calma daquele jeito.

Ela era apenas misteriosa.

Uma pequena noiva misteriosa.