Smile

13 Her Perfection.


Há alguns mistérios que não precisam ser desvendados. Não por serem perigosos, ou conterem algo que você não quer saber.

Como a noiva de Meguri.

Ele afagou os cabelos da Princesa, em silêncio.

Lucy aceitou o gesto de carinho, mas continuou em silêncio.

Meguri voltou a desenhar minutos depois.

Mais rabiscos e o esboço estava pronto. Os cabelos negros de Lucy, a rosa branca, seus cílios longos, seus belos olhos.

Acima de tudo, seu sorriso e as pequenas covinhas perto de suas bochechas.

Tudo desenhado de forma simples e rápida, mas mesmo aquele esboço, mostrava a beleza tanto do desenho, como de quem foi desenhada.

Era um fato. Lucy tinha uma beleza invejável.

Agora, transformaria toda aquela beleza, num lindo quadro, quando tivesse uma tela e pincéis.

Meguri sentiu as bochechas queimarem quando Lucy encostou o queixo em seu ombro, a fim de ver o desenho.

A respiração quente dela, seus macios cabelos tocando o pescoço dele.

Conseguiu sentir as vibrações que a garganta dela fez, ao falar consigo.

— Ficou muito bonito. Minha mãe vai gostar. Ela estava falando comigo hoje sobre sorrisos.

Meguri virou seu rosto em direção a ela. Acariciou os lábios dela, almejando ver um sorriso.

Ela sorriu fracamente, o Príncipe não sabia se era com sinceridade.

Lucy estava com o rosto tão próximo ao seu... E sorrindo...

Beijou-lhe outra vez, sentindo os lábios macios da Princesa contra os seus.

Era uma sensação viciante aquela.

Lucy sentou-se no braço da poltrona em que Meguri estava, e pareceu pensativa.

— Depois que nos casarmos, quero que me desenhe com o vestido que escolhi. – Olhou para o lado. – Quero ter uma memória desse momento. Apesar de saber que minha mãe com certeza irá contratar bons pintores... Ou até mesmo um fotógrafo, mesmo sendo extremamente caro. E as fotos não são exatamente boas.

— Claro. Vai ser um prazer desenhá-la, Princesa. – Meguri riu. – Fazia tempo que eu não desenhava para alguém. Só desenhava quando estava sem nada para fazer, por diversão.

— Qual é mais divertido?

— Desenhar você.

Lucy riu de forma desconfortável, as bochechas queimando em vergonha.

— Aprendeu sozinho?

— Quando era criança. Era meio desocupado demais e comecei a tentar desenhar as paisagens fora do castelo.

— Entendo... Eu gostaria de desenhar assim. Mas, mamãe achava que seria melhor fazer aulas de dança e poesia.

— Você escreve poesia? – Perguntou, curioso. Quem sabe não poderia ler algo?

— Não. Você não pode ler. São horríveis, clichês e fracas.

— Isso do seu ponto de vista. Quem sabe eu não ache clichê e goste.

Lucy juntou as mãos de forma nervosa, mexendo os dedos agitadamente.

— Pode me mostrar. Não vou rir.

Lucy puxou-o pela mão, até a biblioteca do castelo. Onde guardava alguns de seus cadernos e livros de poesia. Lá também se encontravam vários quadros da infância dela.

E do Príncipe Sean.

Fez sinal com a mão para que Meguri a esperasse ali, onde havia sofás e cadeiras confortáveis.

Andou por entre as prateleiras até onde deixava seus cadernos e tirou de lá apenas um de vários.

Era anos de escrita.

Olhava para os quadros, encantado. Em uma das molduras, uma pintura do Príncipe.

Um rapaz sorridente, de fisionomia magra, olhos verdes e cabelos negros. Um sorriso gentil estampado em sua face.

Estava segurando um gato acinzentado em mãos, que tinha olhos azuis.

Em outra pintura, o Príncipe Sean levava a Princesa em suas costas. Ela era bem pequena e seus olhos eram expressivos demais. Alegria pura. Em um dia ensolarado, nas costas de seu irmão maior, que deveria ter quinze anos naquela pintura.

Em outra pintura, Sean estava sorrindo, segurando um buquê de rosas vermelhas. E existia outra pintura ao lado, feita por ele mesmo, um retrato da família, ele estava com as mãos nos ombros de Lucy.

Onde se esconderam todos aqueles sorrisos?

Provavelmente na cova dele.

Meguri observou cada uma com curiosidade.

Sean parecia gentil como Lucy descrevera.

Se perguntava com teria sido ao conhecer o irmão dela.

Se questionou como Sean agiria em relação a ele. Provavelmente agiria com mais proteção em relação a Lucy.

A Princesa colocou o caderno nas mãos de Meguri.

— Aqui. – Suas bochechas estavam avermelhadas.

Abriu e viu logo no começo, onde estava escrito que pertencia a Lucy. Em baixo, dizia para não ler sem permissão.

Como tinha permissão, continuou passando as páginas.

A Princesa sentou ao seu lado, sentindo a mesma sensação que ter ela ao seu lado, fazia-o sorrir instantaneamente.

Leu alguns versos de seus poemas.

Não era clichê como ela havia lhe dito. Eram suaves, como a pele dela.

Lucy olhava para os quadros, sentindo um aperto no peito.

Não ia muito a biblioteca por causa dos quadros.

As lembranças a envolviam e se sentia mal.

Preferia ficar nos jardins.

Lá, pelo menos as memórias não eram tão diretas.

Meguri leu as poesias em silêncio, estava gostando. Ele simplesmente apreciava leitura. E sua noiva escrevia muito bem.

Ela permanecia em silêncio ao seu lado.

Não sabia se estava lendo com ele ou não, estava concentrado demais nos poemas para dizer.

Suspirou em seu ombro, Meguri corou.

Achava, não, tinha certeza, de que todas essas reações eram de alguém apaixonado. Mas... ele realmente estava sentindo o coração bater mais forte.

Droga. O Príncipe realmente caiu nos encantos de Lucy.

Seria difícil não ter caído.

Mas Meguri sabia, e muito, que ter o amor correspondido não era algo fácil de conseguir.

A Princesa era demasiado obediente, e inocente. Como as mulheres deveriam ser, em uma visão machista.

Meguri não gostava do machismo. Fazia as mulheres parecerem demasiado tolas. Mas Lucy... Era... Diferente. Mesmo daquele jeito.

Ela não parecia tola daquela forma. A tornava mais encantadora.

Além de linda... Meguri caiu em seus encantos, o que a tornava ainda mais maravilhosa a seus olhos.

Quase podia ver os brilhos em volta de Lucy.

Seus olhos verdes que lembravam levemente os felinos, suas bochechas coradas...

Suspirou e desviou o olhar para o caderno dela.

Seus poemas eram muito bem feitos, e sua caligrafia era adorável.

Ah, as qualidades de Lucy pareciam tão ressaltadas para si...

Só esperava que Lucy pudesse se apaixonar por ele também.

O dia passou rápido, ficaram quase o tempo todo na biblioteca. Ao entardecer, Meguri voltou ao seu reino.

Seu castelo tinha fontes em sua frente, e um pequeno lago ao lado de um jardim, na parte de trás. Ele brincava no lago quando era menor.

Assim que chegou, planejava descansar ou não fazer nada.

Mas, sua mãe lhe veio com tarefas.

— Meguri, depois de amanhã será o casamento de vocês, e, Lucy virá morar conosco, ou seja, ela precisa de um quarto.

— Hum... Entendo. Bem, como casal, acreditei que dividiríamos um quarto, mas, se prefere desta maneira, mãe, podemos disponibilizar um quarto para ela, sem problema, o castelo é enorme, afinal.

A mulher assentia com a cabeça enquanto seu querido filho falava.

— Sim, querido. O que eu quis dizer é que, a sua missão é escolher o quarto de Lucy e arrumá-lo. Você passou algum tempo com a princesa, ao menos um pouco irá agradá-la.

Ele assentiu com a cabeça e virou para o corredor, caminhando em passos médios, levemente apressados.