Smile
1 Sigh.
O reino era muito bonito por si só, fartas plantações e vendas dos burgueses, mas o que mais roubava o brilho, era o prepotente castelo, em seu jardim, varias flores desabrochavam belamente, e ao lado deste, uma mesa de chá, onde sua bela Princesa, se encontrava no momento.
Os cabelos negros se mexiam levemente com a brisa, enquanto a Princesa tomava calmamente, uma xícara de chá.
Os olhos verdes observavam as coisas ao seu redor com atenção.
O brilho intenso dos mesmos, podia deixar transpassar um sentimento de desconfiança, mas ela não estava preocupada com nada, realmente, apenas estava tomando chá e olhando as flores, como fazia com frequência.
A rosa branca, fazia um perfeito contraste perfeito com seus cabelos negros.
O vestido sem cores chamativas, e a pele pálida, combinavam com a flor.
Lucy bebeu outro gole de seu chá, quando uma das criadas veio até ela.
— Está na hora do Jantar, Alteza. O Rei e a Rainha a chamam.
— Agradeço. – Deixou a xícara em seu devido pires e afastou-se da mesa.
Os sapatos de salto que usava, faziam barulhos quase que imperceptíveis contra o chão, não incomodava-a, em realidade.
Caminhou por um dos longos corredores do castelo, em total silêncio, seus pensamentos também se mantinham assim.
Chegou à sala de jantar em pouco tempo, e sentou-se ao lado da mãe.
— Boa noite, mãe, pai. – A voz se manteve neutra.
— Boa noite, Lucy. – A Rainha sorriu, seu nome era Mary, seus traços eram idênticos aos de Lucy, rosto fino com olhos verdes e cabelos negros.
— Boa noite. – O homem que era considerado Rei, de nome Aris, possuía olhos azuis e cabelos negros, e uma expressão sempre séria. – Está atrasada.
— Desculpe, não irá se repetir. Estive observando as flores e não notei que estava tão tarde. – Se serviu de uma pequena porção de comida, enquanto os pais faziam mesmo.
Lucy não se sentia com fome, mas sabia que deveria comer.
Seus pais estavam um tanto quanto quietos, durante o jantar, na maioria das vezes, eles costumavam conversar muito sobre os burgueses, os criados do castelo, sobre tudo.
A Princesa se sentiu um pouco incomodada em relação a isso.
No entanto, seria rude de sua parte, perguntar o por quê.
Sua mãe havia terminado de comer, tomou alguns goles do vinho.
— Lucy... Eu e seu pai queremos lhe dizer algo.
— Estou ouvindo, o que é? – Levantou seu olhar para a mãe. – Diga, por favor.
O Rei e a Rainha se entreolharam, e Mary soltou um breve suspiro.
— Estamos planejando-te um casamento arranjado. – Não desviou o olhar, manteve-se firme.
Lucy sentiu uma pontada de raiva aparecer em si, no entanto, continuou séria.
— Não estou pronta para casar.
— Você sabe... Lucy. É uma boa proposta, seria burrice recusar. – Os cabelos negros dela estavam perfeitamente penteados em um coque, destacando seu rosto fino.
— Eu não quero me casar, mãe. Ainda mais com um desconhecido.
— É uma boa pessoa. Não permitiríamos alguém que quisesse fazer mal à você.
— Claro que não... – Olhou para o lado. – Eu tenho alguma escolha?
— Já está arranjado, Lucy.
Suspirou, ela sabia que quando a mãe disse "Estamos planejando", tudo já estava feito.
— Estou satisfeita. – Se levantou, alisou o vestido e saiu.
Ouviu a voz de sua mãe lhe chamando, mas ignorou.
Odiava fazer isso, então, subiu as escadas com pressa e dirigiu-se até seu quarto, tirando os sapatos e deitando-se na cama.
"...Não". – Olhou para o teto, que era pintado com diversos desenhos. – "Não quero me casar".
Não queria passar a vida presa a alguém.
Mas... Se um dia sentisse vontade de casar, queria alguém que gostasse.
— Que clichê... Um casamento arranjado e os noivos não se conhecem e são contra... Mas, afinal, quem quer casar a partir do nada? – Suspirou e virou de lado.
Sentou-se na cama e encarou o chão, tinha certeza que em algum momento, sua mãe viria falar com ela.
"Tch". – Suspirou. – "Eu não pedi pra ser protagonista de clichê".
Ouviu batidas na porta.
— Lucy... Sou eu, temos que conversar. – Sua previsão se concretizou em tão poucos minutos que Lucy ficou espantada.
— Conversar sobre o quê, se você já decidiu tudo sozinha?
Ela olhou para os olhos verdes da mãe, que eram idênticos ao dela, quando ela abriu a porta.
— Pode me dizer pelo menos o sobrenome dele? – Bufou. – Ou decidiu o sobrenome dele, também?
— Akiyama. – Deu uma pausa. – Não se interessa pelo nome?
— Não. E não diga meu nome para ele. – Seu olhar estava um pouco entediado.
— Por ser o noivo, ele tem que saber seu nome, Lucy. – A mulher bufou um pouco. – O nome dele é Meguri Akiyama, não finja ignorância. No fim você pode gostar dele.
— Duvido muito. Pode me deixar um pouco sozinha?
A mulher saiu do quarto e fechou a porta, suspirando.
"Ela é realmente... inflexível". – Soltou a maçaneta e caminhou pelo corredor.
Lucy voltou a se sentar na cama.
"Meguri Akiyama... Argh. Nunca ouvi falar dele." – Sabia que sua mãe voltaria outra hora. E logo logo, ela estaria lhe contando sobre todo tipo de coisa sobre o casamento.
Os dias seriam cheios de coisas fúteis.
Coisas fúteis que a deixariam entregue ao seu futuro.
Lucy sabia que ia se casar em algum momento, ela tinha essa certeza desde a morte de Sean.
Depois que seu querido irmão faleceu graças uma enfermidade, aquele castelo não era mais no mesmo, ela não era a mesma.
Aquele castelo pareceu vazio e maior do que já era. Ela também se sentia meio vazia.
E sorrisos... Lucy esqueceu como sorrir.
Já não havia motivos para sorrisos.
Sentia falta de brincar com seu irmão mais velho no jardim, subir em suas costas e passear com ele pela vila dos burgueses, sem os pais perceberem.
Os dias agora, pareciam todos iguais.
Ela não era triste nem algo do tipo, mas também, não conseguia se sentir alegre sem a presença de seu irmão, era ele a unica pessoa de quem ela gostava de verdade.
Suas memórias com ele, tremulavam em sua mente a todo momento, quando olhava pela janela, quando passava pela porta de seu quarto, quando via uma espada de esgrima.
Lucy se perdeu em pensamentos por horas, e acabou adormecendo da mesma forma como estava no dia anterior.
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