Smile
2 White Rose.
Acordou com os cabelos embaraçados e a rosa um pouco amassada, que havia se desprendido de seu cabelo.
— Uh... – Apoiou-se na cama, e sentou-se, um pouco encurvada. – Eu dormi.
Seu vestido estava completamente amassado, e sua cama, desarrumada. Seus olhos doíam um pouco.
Passou a mão pelos cabelos e não sentiu a rosa, uma breve agonia assolou-a, mas assim que a encontrou, voltou a sentir alívio. A ultima coisa que queria no momento, era se casar e perder a rosa branca.
A Rosa, era presente do irmão.
Não podia considerar a última lembrança do irmão, já que sua casa, seus jardins eram o seu próprio irmão, infestada de memórias, além de sua própria mente, que guardava milhares de momentos.
Mas a rosa... Era especial.
Tinha ganhado-a dele, como um presente de aniversário, enquanto os pais lhe davam jóias, e vestidos, Sean preferiu um presente mais singelo.
Uma rosa branca. As rosas brancas representam a pureza e a inocência e podem ser associadas com as grandes uniões e os novos começos, para Sean, Lucy sempre seria sua irmãzinha, pura e inocente.
Ela nunca mais tirou-a dos cabelos, depois da morte do irmão.
E nem pretendia tira-la.
Assim que pegou a rosa, se levantou da cama com a mesma em mãos.
Queria colocar a rosa nos cabelos outra vez, porém decidiu tomar um banho antes, já que adormecera na noite anterior sem toma-lo.
Sentia-se melhor tendo seu quarto como uma suite, não tinha que sair dele, porque no momento, não queria.
Entrou no banheiro e tirou o longo vestido, embaixo de seus olhos, eram perceptíveis leves olheiras, por causa de sua pele pálida.
"Que maravilha...". – Suspirou.
O dia estava frio, então tratou de entrar logo debaixo da água quente do chuveiro, não estava com paciência para esperar a banheira encher.
Rapidamente, estava com toalhas macias enroladas no cabelo e roupão, buscando o vestido que usaria nesse dia.
Abriu os armários e observou a fileira enorme dos variados vestidos.
Tradicionalmente, eram os criados quem colocavam as roupas nos amos, mas Lucy odiava esse tipo de prática, então trancava a porta e se vestia sozinha.
"Acho que este está tudo bem...". – Puxou o cabide de um vestido esverdeado, com detalhes brancos, e um pequeno laço preto, do lado direito do mesmo. – "Provavelmente um dos meus favoritos".
Vestiu a peça e tirou a toalha dos cabelos, que estavam ainda úmidos, logo em seguida.
Alguns pingos de água escorreram do seu cabelo para o chão e o molharam, enquanto Lucy ia até a penteadeira para escova-los e seca-los calmamente, para então colocar a rosa branca outra vez.
Estava pronta para o café da manhã.
Prendeu a rosa na parte de trás do cabelo, junto com algumas mechas, e caminhou até a porta.
Colocou seus sapatos de salto, que faziam alguns barulhos enquanto caminhava, mas não machucavam seus pés, ela estava acostumada a usa-los, devido à sua baixa estatura, em comparação com outras garotas de sua idade.
Desceu as escadas.
Entrou novamente no salão, como na noite anterior, e encontrou os pais, sentados e já servidos, e a grande quantidade de comida para poucas pessoas.
Era uma variedade inútil, já que pessoas normais não comem quatro tipo diferentes de bolos, ou mesmo pães que diferiam em um ou outro tempero num mesmo café da manhã.
— Seu casamento não irá tardar a vir, Lucy. Vão começar as preparações finais.
Sua mãe fora direta e rápida, para que a filha não tivesse tempo de fugir antes de ouvir tudo que tinha a ser falado.
Um criado puxou uma cadeira para Lucy, e quando ela sentou, empurrou-a para próximo da mesa.
— Obrigada. – Agradeceu a gentileza e serviu-se de uma pequena fatia de bolo. – ... quando vou conhecer meu noivo?
Sua voz soou em um tom entediado.
— Tudo depende de quando vocês quiserem se conhecer, filha. Mas, poderíamos organizar uma festa de noivado, não? Apresentando os dois noivos do reino. – A Rainha sorriu gentilmente, com demonstração de alegria pela filha.
Lucy cortou um pedaço de bolo com o garfo e levou-o até a boca.
— Se isto te deixa feliz. – Respondeu, depois de engolir o doce.
Aris, que permanecia em silêncio perante a conversa, manifestou-se.
— Acredito que seja melhor que ambos se conheçam o mais rápido possível, para que não existam desavenças durante a festa de noivado e nem durante o casamento. – Levou uma xícara de café até a boca.
Lucy cutucou o bolo com o garfo, era como se sua fome tivesse sumido.
— Claro...
— Semana que vem está tudo bem por você, Lucy?
Lucy soltou uma suspiro baixo, hoje era sábado.
— Sim...
— Oh, Miyuki, a mãe de Meguri, vai adorar saber disso! – O sorriso dela podia ser considerado contagiante, se o assunto não desagradasse tanto a Lucy.
— Que ótimo. – Cruzou os talheres em cima do prato, um sinal de que estava satisfeita. – Vou me atrasar para a aula de piano.
— Realmente. – Aris olhou para o relógio que estava na parede. – A professora provavelmente chegará logo.
— Se me permitem, estou indo para a aula. – Largou o pedaço de bolo invocado, e uma xícara de chá pela metade.
— Mas, Lucy... Você nem comeu, filha! E ontem mal jantou. – Mary protestou ao ver o prato ainda cheio.
— Não me sinto com fome, mãe. – Virou-se de costas.
O castelo era realmente enorme, existiam salas diferentes para tipos de aulas diferentes que Lucy tinha durante a semana. Dança, poesia, piano, por exemplo.
"Ugh, eu realmente, não me sinto com fome". – Pensou, dirigindo-se até a sala do piano. – "Eu não consigo... não consigo sequer imaginá-lo de forma humana. Nem sei a idade dele!".
Olhou para o lado.
"E SE FOR UM VELHO?". – Sentiu como se seu espirito quisesse sair pela boca, em desespero. – "Tenho que me lembrar de perguntar qual a idade de Meguri".
Em seu rosto se formou uma expressão de medo.
"Pelo menos se vou me casar com alguém, que seja bonitinho". – Abriu a porta da sala do piano e entrou, a mulher dos cabelos grisalhos estava sentada próxima ao instrumento.
— Está atrasada, Princesa. – Um sorriso gentil se formou em seu rosto.
— Desculpe. – Murmurou num tom audível, sem retribuir o sorriso. O tom de voz de Lucy raramente mudava do neutro.
Sentou-se em frente do piano, esperando as lições do dia começarem.
Depois, iria para as aulas de ciências e inglês. Mais tarde, francês. No dia seguinte, próximo ao horário do almoço, aula de dança, a rotina era sempre a mesma.
— Você melhorou bastante de uns tempos para cá, Lucy. – A professora observou a Princesa tocar o piano, em total silêncio, ela sequer cogitava desviar o olhar da partitura.
— ...Obrigada. – Suspirou, encerrando a música. – É bom saber isso. Sean tocava muito bem. Quero ficar boa como ele era.
— Você é talentosa, tenho certeza de que com treinos frequentes, poderá ser até melhor que seu irmão.
Lucy concordou com a cabeça.
— A aula está encerrada, então? Tenho mais aulas a seguir.
— Claro, nos vemos amanhã, Alteza. – A mulher se levantou.
Lucy levantou-se logo em seguida.
— Sem tantas formalidades, só "Princesa", como chama as vezes, está bom. A senhora me conhece antes mesmo de eu nascer.
— Tudo bem, Princesa. – Sorriu. – Até amanhã.
A Princesa acenou e se afastou, e o resto de seu dia, se passou dentro de diferentes salas de aula.
Caminhou em direção ao quarto para um banho.
Tirou os sapatos altos e trancou a porta do quarto. Retirou o vestido e entrou ao banheiro.
Repetiu o processo da manhã de escovar os cabelos, se vestir e colocar a rosa outra vez. Calçou novos sapatos e saiu em direção ao salão outra vez.
Queria perguntar algumas coisas a sua mãe sobre seu noivo, dúvidas que surgiram durante o dia.
Já sabia que recusar não daria certo, então podia pelo menos, estar informada dos detalhes que sua mãe tanto se empolgava.
Sentou-se no confortável sofá da sala de estar e se serviu de um pouco de chá, este, era de hortelã.
— Boa noite, querida. – A Rainha sorriu, seus olhos reluziam um pouco por causa do fogo da lareira, mesmo que as luzes estivessem acesas. – O que quer conversar? Sou toda ouvidos.
— Ah... – Segurou a xícara e suspirou. – É sobre o casamento.
— Oh, sim! Diga, querida. – Mary sorriu gentilmente.
— Eu quero mais informações sobre quem vai me casar.
— Claro! Assim, ele já não vai ser um desconhecido. E falar que não irá casar com um desconhecido não vale mais.
— Isso não quer dizer que eu vá gostar dele. – Cruzou as mãos em cima das pernas.–Bem, antes de tudo, quantos anos ele tem?
— Você está com dezessete, certo, querida? Meguri tem dezoito. – Sorriu. – É um bom rapaz, de boas raízes.
"Ah. Ele é uma árvore agora". – Revirou os olhos.
— Aparência? – Meguri poderia muito bem ter cara de velho, mesmo com dezoito anos.
— Os cabelos dele são iguais aos seus...
— Compridos? – Questionou com uma expressão confusa.
Mary riu.
— Não, você não me deixou terminar de falar. Os cabelos são pretos também, e ele é bem alto. Acho que o tamanho dos seus saltos vão ter que ficar maiores, filha. – Mary riu outra vez.
— Hum... Certo. – Olhou para a lareira, tomando mais um pouco de chá. – E os olhos? Ele é uma pessoa gentil?
A Rainha sorriu um pouco mais.
— Os olhos dele são inacreditavelmente bonitos. – Juntou as mãos. – São dourados, com leves tons de amarelo.
Lucy suspirou.
— E minha outra pergunta? – Serviu-se um pouco mais de chá.
— Bem, não sei como responder você, em questão de sua outra pergunta.
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