Slytherin Past

12 Mansão Malfoy


Eu percebi, já com o suor frio escorrendo pela minha testa, que os Comensais não estavam me reconhecendo de imediato. Achei aquilo esquisito, pensei que Voldemort estava louco para me achar, considerando que eu era o último link dele com a vida trouxa que ele tanto abominava. Não que eu esteja reclamando, apenas estranhando.

Reconheci Thorffin imediatamente da casa dos meus pais, ele saberia quem eu era, apesar de não fazer ideia do porque Voldemort estava atrás de mim. Como previsto, vi seu olhar trancar nos meus e não ousei desviar.

— Ora, ora, Elizabeth Miller. O Lorde das Trevas vai amar essa novidade. – ele falou enquanto andava na minha direção, ignorando os olhares confusos dos outros Comensais.

— É mais uma sangue-ruim? Vamos acabar logo com ela! – um deles berrou. Finalmente consegui desviar o olhar e reconheci o lugar que foi minha casa por tanto tempo. Estava irreconhecível, já não se parecia a loja de artefatos das trevas que eu conhecia e amava.

Em cada canto, havia artefatos de guerra, estações de poções e tinham instalado pelo menos mais umas três entradas conectadas na rede de flu. Cheguei a conclusão rápida de que o que eu estava procurando não poderia estar ali, era quase como se todos os objetos das trevas tivessem sido transportados de propósito, para protegê-los.

Voltei a olhar para os Comensais me encarando, não reconhecia nenhum — e nem poderia, já que estavam usando uma máscara sinistra. Honestamente, eles precisavam de toda essa estética "oi, sou obviamente do mal"? Já não bastava as tatuagens de fã? Tinham que se vestir de preto e usar máscaras bizarras, tipo uma banda de heavy metal de garagem?

Quase ri com o pensamento da banda fictícia "Voldemort e Os Comensais", mas me contive bem a tempo. Rabastan tinha me ensinado bem a hora de rir e a de não. Ele com certeza iria achar engraçado... Será que estava entre os Comensais disfarçados?

— O Senhor das Trevas quer essa para ele. – Thorffin respondeu, claramente contrariado. Ele obviamente queria acabar comigo.

— Isso não significa que não podemos brincar com ela um pouquinho. – outro falou, seguido de vários risos pela sala. Nojentos.

Admito que o meu plano improvisado não surgiu tão rápido quanto eu esperava.

— Malfoy quer vê-la antes de qualquer coisa. – pseudo-CeCe exclamou de repente, quando os Comensais já estavam sacando suas varinhas para me torturar ou tirar minhas roupas, sei lá.

Malfoy? Aquele Malfoy? Meu ex-namorado-que-me-abandonou-e-foi-para-o-lado-dos-nazistas Malfoy? Varri o aposento de novo com o olhar para checar se eu tinha ignorado uma cabeleira loira platinada previamente. Não tinha. Óbvio que não, eu sempre o achava afinal, ele não estava ali.

Não sabia se ficava aliviada ou não.

— Ela só está falando isso porque é amiga da sangue-ruim! Vamos, Rowle!

Eu estava odiando muito esse Comensal mascarado.

— Eu que a trouxe aqui, Travers. Podia muito bem ter ido ao Beco e desaparatado sozinha para a Mansão e ficado com toda a glória. Já estou ficando cansada de mostrar a minha lealdade, se quiserem eu a levo sozinha.

Eu não sei quem era que estava segurando meus braços, mas certamente não era Beatrice. De qualquer forma, estava me ajudando e não era hora de questionar suas intenções, já que seu argumento fez efeito nos Comensais que ainda estavam prestando atenção.

Espera, Travers? Reconheci o sobrenome da minha outra amiga e engoli um seco. As minhas amigas realmente tinham famílias bem ruins. Bom, não que eu possa falar nada, considerando que eu sou sobrinha do maior bruxo das trevas de todos os tempos...

Alguns murmuraram, outros bufaram e Thorffin se aproximou ainda mais, agora fuzilando a minha possível amiga com o olhar.

— Você a trouxe, Beatrice, porque você responde a mim e sabe que é minha função levar Miller para o Lorde das Trevas. – mesmo com o tom de voz ameaçador, ele parecia um pouco idiota. Não que todos os Comensais não parecessem, é que o primo de CeCe tinha um quê especial de burrice.

Senti a pressão do meu braço piorar e quis pedir para que quem quer que fosse, pegasse leve.

— Claro. – ela respondeu e me segurei muito para não revirar os olhos. Mas desde que ninguém estivesse me torturando, eu estava feliz.

Antes de que os outros Comensais pudessem fazer qualquer coisa, Thorfinn tomou a posição de CeCe, com ela logo atrás e me arrastou para fora da Borgin & Burkes. Admito que já estava cansada de ser levada de um lugar para o outro, meu braço com certeza ia ficar dolorido por dias.

— Você é burra, garota? Falar de glória na frente dos outros?! – ele bufou na cara de CeCe, enquanto nos levava cada vez para mais longe. Tentei olhar para trás para ver se estávamos sendo seguidos, mas parecia que os Comensais respeitavam Rowle o suficiente para deixa-lo cumprir sua missão em paz.

— Vocês iam a torturar e eu sei que Malfoy ia ficar extremamente irritado. – ela respondeu. – Era o único jeito.

Mas Thorffin não estava ouvindo, ficou a xingando durante o caminho todo, enquanto descontava a raiva no aperto dos meus pobres braços. Quando finalmente saímos da Travessa do Tranco, ele finalmente reconheceu a minha existência e disse:

— Qualquer coisa que iriamos fazer com você não ia ser pior do que cair nas mãos dos Malfoys, garotinha. – seu sorriso sádico e sinistro quase me fez esquecer que um dos Malfoys era meu ex-namorado e não ia deixar ninguém encostar em mim. Certo? Certo?

Respirei fundo e esperei a aparatação que eu sabia que viria. Quantas vezes já falei que odeio aparatar? Vou falar de novo só para enfatizar: eu odeio aparatar.

Quando abri os olhos, estávamos na frente de um par de portões enormes de ferro que pareciam guardar uma fortaleza e não uma casa de família.

— Deixa que eu toco dessa vez... – CeCe falou e se aproximou do metal, que se contorceu de forma grotesca em um rosto assustador.

— Diga seu propósito! – uma voz ressonou do portão, ecoando por todo o campo.

— O ultimo inimigo a ser vencido é a morte.

Que porcaria de lema é esse? Os portões se abriram e Thorffin me empurrou para frente, eu queria muito reclamar, mas eu precisava continuar jogando.

Eu não vi nenhuma casa. Em vez disso, só uma grande estrada de pedra que não parecia ter fim.

— Quem é essa? – uma mulher loira apareceu do nada com uma varinha acesa e eu reconheci seus olhos como reconheceria os meus, mesmo na fraca luz. Era a mãe do Draco. Uma pontada involuntária apertou meu coração, mas eu ignorei. Prioridades, Liz, prioridades.

— Viemos com Miller. – o Comensal falou, como se fosse óbvio.

A mãe de Draco apontou a luz para mim e olhou de cima a baixo, depois encarou CeCe e murmurou mais para ela do que para Thorfinn:

— Por aqui.

Queria dizer que eu conseguia andar, muito obrigada, mas eu sei que não iria adiantar, Thorfinn só ia continuar me arrastando, fazendo meus joelhos arrastarem na pedra do chão. Esse plano estava se tornando mais idiota a cada minuto e eu me perguntava se pseudo-CeCe realmente sabia o que estava fazendo.

Vai ver ela fosse mesmo um traidor disfarçado, mas se fosse tudo para um plano de captura, por que ainda estava como CeCe?

Respirei fundo, tentando não demonstrar minha total confusão e descontentamento com o desenrolar de eventos quando lembrei para onde estava indo. Mansão Malfoy. Onde a real CeCe teoricamente estava. Onde Draco morava. Eu certamente não estava pronta para vê-lo e agir como um ser humano normal, ainda mais um ser humano com um plano secreto.

Pela primeira vez em todos aqueles meses eu me permiti pensar nele de novo. Será que ele estaria em casa ou em Hogwarts? Se estava na escola, o que estava fazendo? Maltratando crianças trouxas? Sendo o queridinho do Snape tirano? Doía demais pensar nisso depois de todo o progresso que fizemos ano passado. A dor era tanta que quase me fez esquecer o sangue do meu joelho.

Eu nem sabia em que mês estávamos, talvez fosse algum feriado e ele estivesse em casa. Como ele podia ficar no quartel general dos Comensais da Mortes e não torturar alguém? Não mostrar interesse pela morte de trouxas inocentes? Mesmo se seu coração ainda estivesse puro no fim do ano passado, eu sabia que era impossível ele ter sobrevivido esses meses.

Quando o que pareceu ser uma eternidade passou, finalmente estávamos dentro da luxuosa mansão.

Eu estava suada e meu cabelo estava grudado na minha testa, o que me impediu de ver qualquer coisa com muita atenção, mas o suficiente para perceber que todo o lugar parecia um museu de artefatos das Artes das Trevas. Ótimo, achar uma pequena esfera negra seria super fácil.

Ignorei o meu pessimismo e foquei no momento em questão.

— Lúcio e Bela estão ocupados agora, deixe-a nas celas por hora e depois cuidamos disso. – a mulher falou, apontando para uma porta no canto.

Eu nunca fui rica, então não saberia descrever o aposento em que estávamos nem se quisesse. Vou chamar de sala de estar, mas tenho certeza que não era ali que a família ficava no tempo livre. Por falta de palavras melhores, era enorme, luxuoso e cheio de decorações que eu só tinha visto em filmes sobre a realeza.

— Opa, Narcisa, quer dizer, Sra. Malfoy, – ele corrigiu ao ver o olhar impenetrável e intimidador da outra. – nós queremos crédito por ter trazido a moça. Foi um pedido do próprio Lorde das Trevas para a nossa família.

Se fosse possível, Narcisa teria matado Thorfinn só com um olhar,

— Rowle, você tem que aprender a medir as suas palavras. Se Bela estivesse aqui, ela diria que você se importa mais com recompensas do que com a causa em si. – sua voz era fria e cortante – Você não quer que o Lorde das Trevas saiba que estamos questionando a pureza da sua lealdade, não é?

Se Sonserina fosse uma pessoa, ela seria Narcisa Malfoy.

— Não, senhora. – ele respondeu, imediatamente. Se eu amei vê-lo aterrorizado? Sim.

— Também não preciso te lembrar da última vez que você falhou com o Senhor das Trevas, não é mesmo? – ele acenou freneticamente, obviamente impactado — Então me obedeça e não teremos problemas. Eu já estou bem aborrecida por ter sido incomodada a essa hora da noite. Não irei abrir o portão de novo agora, acredito que vocês estão familiarizados com os quartos que usamos para abrigar os Comensais novos. Não quero ver a cara de vocês pela manhã.

Alguns segundos depois de Narcisa diminuir a temperatura do cômodo em dez mil graus com sua presença e voz, Thorfinn me empurrou para a porta que ela tinha apontado. Ele claramente estava infeliz de não poder ficar e receber o seu devido crédito, mesmo sendo teoricamente CeCe que me capturou. O que também nem foi o que aconteceu para começo de conversa, mas enfim.

Depois de descermos um grande lance de escadas – o qual devo dizer não ajudou em nada na situação dos meus machucados no joelho, o Comensal abriu uma das celas e me jogou sem remorsos dentro. Foi tudo tão rápido que não conseguir dar uma olhada nos meus colegas prisioneiros. Quem mais será que estaria ali? Alguém que eu conheci na resistência?

Preferi não pensar nisso, apenas olhei para CeCe suplicando: quando vamos por o plano em prática? Eu tinha certeza que ficar encarcerada não ia ajudar em nada nos meus objetivos. Quando eu já estava prestes a perder as esperanças e confirmar a minha teoria de que a pseudo-CeCe era uma traidora afinal, ela disse:

— Vai em frente, Thorfinn, quero dar uma palavrinha com essa sangue-ruim antes de ir dormir.

Thorfinn estava tão deprimido que nem se deu ao trabalho de argumentar, apenas acenou de leve e saiu das masmorras, deixando a chave da cela com CeCe.

— Que raios de plano é esse? – berrei, quando vi que ele já não estava mais ao alcance.

— Os Malfoy colecionam artefatos mágicos das trevas, eu tenho certeza que você vai achar o artefato aqui. – ela disse, antes de crescer 5 cm e seu cabelo encurtar e mudar de cor.

Notas finais
Gente!!!! Eu não tenho desculpas para a minha demora, foi um mix de viagens, trabalho, desmotivação e bloqueio. Mas cá estou humildemente postando! Espero de coração que tenham gostado. Juro que não vou mais demorar tanto assim de novo, como já disse, nunca abandonarei uma fic sem terminá-la. Beijão ♥