Slytherin Bitch
1 O Ódio Reina
Notas iniciais

A família Black sempre fora influente no mundo bruxo, sempre preservando o seu digníssimo sangue-puro. Tanto, que não foi surpresa aos bruxos que a filha de Sirius Black, que até então era desconhecida, havia se casado com um primo da França.
Daquele casamento arranjado, nasceram três lindos bebês : as duas imãs gêmeas não idênticas Charlotte e Alya. Mas isso não quer dizer que não eram parecidas.
Longos e lisos cabelos loiros, olhos grandes e redondos azuis como o mar, rostos angelicais e lindos sorrisos doces. Todos se encantavam com elas.
Quando tinham seis anos andavam com suas bicicletas rosa no quintal cantando a música do Chapéu Seletor, e brincavam de carrinhos com o irmão um ano mais novo, Sirius. Aos sete ajudavam uma a outra para ler os antigos livros de magia da biblioteca. Mesmo cada uma tendo seu quarto, preferiam colocar colchões na sala e dormir juntas enquanto a mãe contava as histórias do mundo bruxo. Charlotte prometera à Alya que seriam melhores amigas para sempre, mas promessas vêm e vão. Mentiras são contadas e frases são jogadas ao vento. E certas promessas, são simplesmente enterradas e esquecidas.
No primeiro ano das irmãs em Hogwarts as coisas começaram a mudar. Charlotte fora para a Grifinória e Alya para a Sonserina, e daí começaram as provocações. Eram coisas pequenas, um empurrão, um olhar malicioso, um suspiro de deboche, indiretas sobre a casa em que Charlotte pertencia. Mas no segundo ano as coisas ficaram piores.
Sirius havia entrado para a Lufa-Lufa, os pais dos irmãos deixavam clara a preferência por Charlotte e tratavam Alya como ela fosse o Lorde das Trevas no meio dos trouxas. A pequena bruxa ficava indignada! Como seus pais que se diziam seguir as velhas tradições bruxas apoiavam seus filhos serem da grifinória ou da lufa-lufa? Que pais repudiavam uma filha sonserina?
Mas tudo andava de mal a pior. Charlotte fingiu ser Alya para os filhos dos novos vizinhos, os pais achavam que Alya estava com ciúmes e obrigou a irmã a se passar por ela, mas Charlotte não poderia querer ser desejada como a irmã era?
De repente no terceiro ano, Charlotte e Alya estavam brigando no Salão Principal. Charlotte trancando a irmã no banheiro feminino e Alya beijando o namorado de Charlotte em uma festa da alta sociedade bruxa.
O estopim, foi quando nas férias de natal do terceiro ano, a mãe das garotas revelou que considera Alya apenas um estorvo e Charlotte era a única filha que ela tinha. Depois disso a guerra e o teatro se iniciaram. Na frente da sociedade bruxa eram a família perfeita, longe dos holofotes uma podridão.
Afinal, assim era a família Black, como uma espiga de milho. Por fora é revestida pela casa, uma linda espiga. Por dentro todos os grãos estão podres.
Bem vindo a família Black!
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A única coisa que Alya via era uma multidão de famílias se despedindo de seus filhos que iriam para Hogwarts. Os nascidos-trouxas estavam irritando Alya com aquela animação toda. Eles apenas iriam para Hogwarts! O quê há de mais nisso?!
Ela olhou em torno do local. A plataforma nove três quartos situada atrás da parede da estação King’s Cross era enorme. Milhares de pessoas transitando com seus filhos, o barulho das corujas, alguns meninos correndo atrás de um sapo, bruxos conversando, e seus pais se despedindo dos seus dois filhos.
Uma onda de raiva foi se apoderando do corpo de Ayla, e a única coisa que a faria se acalmar era estragar o dia de alguém, já que sua vida era totalmente podre, por quê ela não poderia simplesmente estragar um mísero dia de alguém?
Sem os pais, os irmãos e ninguém daquela plataforma perceber a estripulia da garota, Ayla rogou a Azaração do tropeço em um nascido trouxa que não parava de tagarelar sobre seu primeiro ano como um bruxo, o tombo do garoto foi no mínimo hilário.
Ela voltou os olhos para a sua “família” e se sentiu melancólica. O quê ela estava fazendo ali? Ninguém se importava com ela! A filha deles era Charlotte e não ela!
Sem olhar para trás Ayla pegou suas malas e as levou para o trem por meio do Wingardium Leviosa.
Ayla andava pelo trem de forma única. Ereta, os braços delicadamente postos ao lado do corpo sem se movimentarem muito e apenas o quadril rebolando.
Vários alunos a olhavam. Garotos admirando sua beleza e meninas a invejando e a chamando de promíscua. Ayla não se importava.
-Hey! Estava te procurando por todos os lados! Onde se meteu? Eu te procurei na plataforma mas só estava a família Adam’s! Sua irmã me olhou com nojo, aquela vadia! Já disse que sua mãe quase me fez dormir lá fora? Sério! Ela ficou falando, falando... – Dizia uma garota morena sem nenhuma pausa para respirar. Alya nunca esqueceria aquela voz.
-Calma! Respira criatura. – Alya riu – Eu que os deixei lá. Aquela bajulação estava me dando náuseas! E deixe a Charlotte perfeição em paz. Esqueceu-se que não ligamos para lixo? – Riu Alya com escárnio.
-E para não passar em branco, você está maravilhosa! Mais linda do que Afrodite! – Disse a morena.
A Black olhou para suas vestes. Sapatilhas pretas com um laço preto e pequeno de cetim em cada uma, meia-calça marrom com desenhos pretos, um vestido bege um pouco acima dos joelhos, onde a barra com várias camadas entre o bege, branco e preto. Por cima do vestido uma bela capa marrom que ia até a metade de seus braços. Os cabelos loiros lisos com ondulações nas pontas caíam como cascata.
As duas amigas começaram a caminhar em silêncio pelo trem. A morena havia conseguido uma ótima cabine!
-Quer falar sobre as suas férias? – Perguntou a garota morena em tom solidário.
Definitivamente Alexandra Lestrange era uma ótima amiga. Além de ser compreensiva, amorosa, calma, inteligente e confiável, ela sabia decifrar Alya como ninguém, além de ser muito fiel à amiga.
-Você está linda. Amei os sapatos! – Disse Alya – Mas eu prefiro não falar sobre isso.
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-Você está perfeita hoje! Deslumbrante!
-Obrigada Potter! – Sorriu Charlotte.
-Acha que vai conseguir a bandeira?
-Claro que vou Weasley. Eu sou uma Black, e os Black’s não desistem tão fácil! – Charlotte disse docemente.
A Cápsula do Tempo havia se tornado uma tradição após a guerra de Harry Potter e Voldemort. O antigo diretor havia criado a competição para limpar a melancolia que estava instalada no castelo depois da guerra. A brincadeira era simples : quem encontrasse um dos pedaços da bandeira de Hogwarts deveria enfeitá-la e não deixar que ninguém a roubasse, já que o furto dos pedaços era permitido, no fim os alunos que conseguissem o pedaço da bandeira seriam homenageados, trariam pontos para suas casas e ficariam imortalizados na história da Cápsula do Tempo que era reaberta à cada cinquenta anos.
Charlotte respondia as perguntas de todos sem hesitar. Ela amava essa atenção, fazia sentir-se amada e querida, era uma pena que Alya não estivesse ali...
Mas se Charlotte tivesse simplesmente virado e ido conversar com a irmã, ela poderia ter evitado uma grande tragédia que acarretaria mais tragédias.
Se Charlotte fosse conversar com a irmã talvez Alya não sentiria tanto ódio e inveja da vida perfeita que a irmã tinha, talvez o ódio não teria se apoderado do corpo da jovem bruxa, e apenas só talvez Alya não teria criado seu plano de deixar até Voldemort com inveja da garota.
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