Slytherin Bitch

2 Pequena Troca Part 1


Notas iniciais
Olá, pessoal! Espero eu gostem desse capítulo, ele ficou bem longo. Na verdade ele iria ficar maior, mas aí eu achei melhor dividi-lo. No terceiro capítulo já teremos a nova vida da Charlotte- ou Alya- estabilizada.

Charlotte passou os olhos pelo quarto feminino da grifinória e viu que todas as suas colegas estavam em um sono profundo, onde provavelmente envolvia algum grifinório, lufano, corvino, ou até mesmo sonserino malhado enquanto fazia coisas, um pouco mais quentes.

Levantou-se delicadamente da cama tentando não emitir qualquer som, não queria ser questionada.

Finalmente nesses cinco anos em Hogwarts ela fora reconhecida, finalmente Lucas Marshall, o garoto mais bonito do quinto ano falaria com ela. Será que ele queria ter algo sério com ela? Essa era a explicação mais óbvia, afinal ela era bonita, inteligente, divertida, magra, charmosa e o mais importante: uma estudante da grifinória!

Encontre-me no Lago de Hogwarts. Venha sozinha e não conte a ninguém! Esse será o nosso pequeno segredo.

Lucas Marshall.

A garota encarou o papel com um magnífico sorriso nos lábios. Merlin ouvira suas preces! A garota mais popular namorando o garoto mais popular! Era perfeito!

Andou delicadamente até a porta, olhou para trás e mais uma vez viu que suas colegas estavam dormindo como pedra, uma até roncava!

Charlotte fechou a porta, e seguiu para fora da ala feminina. Depois atravessou o salão comunal da grifinória. Olhou para os lados e não viu ninguém.

A grifinória sem pausas desceu as escadas. Não foi fácil, já que o salão comunal da grifinória ficava no sétimo andar do colégio.

Já nos terrenos de Hogwarts, Charlotte avistou o Lago de Hogwarts. De frente para o lago e de costas para Charlotte, havia alguém com uma capa negra. Ela tinha certeza que era sua eterna paixão, Lucas Marshall.

A garota se encaminhou até a pessoa encapuzada tranquilamente, sem fazer um mísero barulho. O único som escutado, era a sinfonia de plantas e criaturas da Floresta Proibida.

–Olá. Lucas? – Charlotte perguntou hesitante.

–Não, algo melhor. Sentiu minha falta maninha?– Disse o desconhecido. Aos poucos foi tirando o capuz e revelando uma bela garota de rosto em forma de coração, olhos azuis, cabelos loiros lisos com lindos e leves cachos nas pontas. Era sua irmã, Alya.

–O quê? Como? Não é possível! Você me enganou! Sua vadia! – Charlotte se desesperou.

Antes que Charlotte pudesse fazer alguma coisa, Alya tomou atitude e iniciou seu plano. Jogou Charlotte no lago e pulou junto. A água estava fria como a noite, mas ela não se importava, o máximo que fazia era se arrepiar.
Procurou pelo local o corpo da irmã e quando finalmente o achou, depositou suas delicadas mãos na cabeça de Charlotte a empurrando para o fundo do lago. Ela estava afogando seus problemas.
A sonserina depositava todas as suas forças na cabeça da irmã, aquele momento era crucial. Charlotte se debatia desesperadamente, mesmo sabendo que aquilo só agravaria sua situação.
A grifinória mal conseguia respirar, seus pulmões provavelmente já estavam enchendo de água, e quando tentava , a única coisa que obtinha eram pontadas no peito.
Charlotte, com muito esforço, segurou os pulsos de Alya e se separou das mãos da irmã. Conseguiu sair das profundezas do lago, talvez ela pudesse se sentar na grama e respirar, mas não tinha tempo para isso.
Tomada pela raiva, segurou firmemente os cabelos da irmã que gritava e se debatia. A jogou na grama, era visível o sangue que escorria da boca de Alya. Colocou-se por cima da irmã e pousou suas mãos ágeis no pescoço depositando toda sua dor.
Charlotte tentava sufocar a irmã, enquanto gritava. O diretor da sonserina, Draco Malfoy, simplesmente chegou com Lucas Marshall em seu encalço, e como planejado por Alya, sua irmã fora culpada.

Você não merece a vida que tem! Eu mereço, eu mereço! Sua bruxa! Você vai morrer! Eu vou te matar! – Charlotte gritava.

–Pare com isso! Pare sua louca! – Gritava o Sr.Malfoy.

Lucas estava ajoelhado abraçando Alya, que balbuciava coisas incompreensíveis enquanto chorava. Charlotte os olhava com ódio. Como sua irmã foi tão baixa?

–Seus pais tomarão providências. Mas antes falaremos com o diretor Weasley. – Disse severamente o Sr.Malfoy olhando Charlotte com nojo.

Ela não havia feito nada! Mas de duas coisas ela sabia: seus pais acreditariam nela e Alya pagaria muito caro.

******************

O primeiro som ouvido por Charlotte, fora o tique-taque do relógio. Isso queria dizer que o tempo estava passando, ou seja, o momento de ir para um hospital psiquiátrico.

Seus pais ao saberem o que aconteceu naquela noite, chamaram médicos para diagnosticar as filhas. Alya se comportou bem e se lamentou por sua irmã nunca aceitá-la, já Charlotte insistiu que sua irmã que tentou afogá-la, Ela que começou isso, ela quer que eu vá embora. Infelizmente ninguém acreditou na garota. Ela foi diagnosticada com Esquizofrenia paranoide. Coube aos seus pais tomarem a decisão. Entre lágrimas, seus pais decidiram que Charlotte iria para uma instituição para doentes mentais – um hospício.

Charlotte levantou da cama e encarou a janela aberta. Diferente daqueles passarinhos voando livres pela imensidão do céu, ela ficaria engaiolada, porque ela era louca, pelo menos para sua família. Ela queria ser livre assim como eles, não ter que viver naquela família caótica, não ter que viver com sua irmã como se estivesse em um jogo de sobrevivência. Ela queria ficar em Hogwarts, mas não poderia. Ela teria que literalmente ser outra pessoa... Outra pessoa? Um pensamento maligno rondou sua mente, ela poderia dar um castigo à irmã. E finalmente ser livre. Não totalmente, mas pelo menos ficaria em Hogwarts.

Impulsivamente, Charlotte correu para fora do quarto, foi até as escadas e viu que ninguém subiria até lá. Correu de volta para o corredor e silenciosamente entrou no quarto da irmã, que cantava no chuveiro.

Charlotte andou sorrateiramente até a cômoda da irmã e abriu uma pequena caixa roxa, nela havia um anel negro com uma caveira, o pegou e do mesmo modo que entrou saiu. Correu para o seu quarto e lá se trancou. Foi até sua mala e escondeu o anel, ao colocá-lo na mala, pegou rapidamente seu livro de feitiços. Ela não iria para um hospício.

****************

Charlotte abriu os olhos lentamente. Levou um susto ao ver que aquele não era seu quarto. Era o quarto de Alya. Paredes lilases com desenhos de pássaros negros, móveis de madeira branca, lençóis escuros, fotos de colegas sonserinas na parede. O plano havia dado certo.

Na noite anterior, Charlotte aprendera um feitiço de troca de corpos, o Inversionum Corporus. Os corpos só voltariam ao normal quando uma das partes morresse, ou seja, Charlotte não iria para o sanatório, mas passaria a vida inteira sendo Alya. Não era tão ruim assim.

Charlotte olhou o quarto mais uma vez e resolveu se levantar. Foi em direção ao banheiro e se despiu, tomou um longo e confortante banho. Logo após se encaminhou de volta para o quarto e procurou uma roupa que sua irmã usaria. Optou por um micro-short preto, uma camiseta larga cinza e um par de All star’s pretos. Deixou os cabelos loiros soltos e não usou nenhuma maquiagem. Ela era uma perfeita Alya.

Desceu as escadas lentamente e se dirigiu à cozinha, essa seria a prova dos nove. Será que seus pais perceberiam?

–Olá querida. Dormiu bem? – Perguntou a Sra.Black

–Sim mãe. O que temos para o café da manhã? – Perguntou Charlotte imitando o jeito inseguro da irmã quando estava perto dos pais.

–Temos torrada, ovos, bacon e suco de laranja. O seu preferido. – Disse a mãe sorridente. O que Jéssica Black não sabia era que Alya não tinha tal comida como sua predileta, ela preferia uma simples e cheia tigela de cereais.

Charlotte se sentou à mesa e começou a se servir. Uma pessoa já havia acreditado em sua mentira, faltavam apenas duas. E ela morria de medo do que poderia ocorrer.

Cada garfada em sua comida era um medo que ela tentava engolir e esquecer. Tudo daria certo, não haveria falhas.

–Olá filha. Está bem? – O Sr.Black disse enquanto beijava o topo de sua cabeça. Charlotte gelou com o contato. Seu pai nunca fora amável com a irmã.

–Claro pai. – Charlotte respondeu docemente. Ela já estava se acostumando em fingir ser Alya.

Poucos segundos após o pequeno diálogo, Sirius entrou na cozinha. Seu semblante mostrava cansaço, tristeza e decepção. Provavelmente passara a noite inteira chorando.

–Bom dia pai, mãe. – Disse o garoto em um tom monótono – E bom dia pra você Aly...

Charlotte paralisou. Seu irmão era a única pessoa que se importava com Alya, ele saberia dizer a ordem de roupas no guarda-roupa da irmã, o que cada sorriso significa, quando ela estava mentindo e quando ela não estava bem. Mas ele não percebeu que ali era Charlotte, a irmã que não precisava de tanta atenção dele.

–Sairemos agora. Vamos conversar com o psicólogo de Charlotte. Voltaremos daqui duas horas pra levá-la. Têm galeões, sicles e nucles no cofre para o caso de alguma emergência. – Disse a mãe cansada. – Fiquem bem.

**********

Dez minutos haviam se passado desde que os pais de Charlotte foram ao psicólogo. Para ela pareciam inúmeras horas. Desde que saíram ela estava sozinha, Sirius fora visitar um amigo, Charlotte estranhou pois eram os únicos que não estavam em Hogwarts. Doce Hogwarts... Charlotte nunca mais poderia ir dormir no dormitório da casa dos leões, ela teria que dormir no meio das cobras. Falando em cobras, Alya ainda não havia descido. Será que ela teria...? Não! Era impossível, Charlotte ainda estava no corpo da irmã.

Foram ouvidos passos firmes e rápidos na escada. Charlotte prendeu a respiração por impulso. Havia chegado o momento da batalha.

–Olhe o que você fez! Devolva-me o meu corpo, sua vadia! Concerte agora! – Alya urrou – Me tire desse corpo imundo!

–Você merece Alya... – Charlotte sussurrou friamente.

–Sua vaca! Desfaça, desfaça! – Alya gritou agudamente.

–Não, eu não vou. – Charlotte fez birra.

–Você vai me pagar sua vagabunda. – Alya sussurrou em um tom de amedrontamento — Eu. Vou. Te. Matar!

Alya teve a chance de mudar aquela história toda. Se assim como Charlottte ela tivesse ouvido Sirius chegar, talvez a confusão fosse desfeita.

–Me solte Charlotte! Pelo amor de Merlin! Solte-me vadia! – Charlotte berrava. Até porque para todos os efeitos ela era Alya.

–Parem! Charlie a deixe em paz. – Sirius disse duramente.

–Está do lado dela?! Olhe para mim! Eu não sou Charlotte, eu sou Alya! Eu sou Alya! – Gritou a garota agarrando o rosto do irmão. – Diga-me Sirius, quem eu sou.

–Você é a Charlotte, e você é louca. – Sirius sussurrou — Vou chamar os nossos pais. Agora vá para o seu quarto. – Alya ficou congelada. Como seu irmão pode? – Eu mandei ir para o seu quarto Charlotte!

Alya olhou Sirius com ódio estampado pela sua face, antes de correr para o seu “quarto”, empurrou o irmão em uma mesinha o fazendo derrubar um prato de cerâmica com o horizonte de New York pintado.

–Poderia ter evitado isso Aly... Tome cuidado, ela é perigosa. – Disse o irmão antes de sumir pelas escadas.

Charlotte encarou a janela. Seu irmão não percebera que ela não era Alya, seu irmão não percebeu que ela não era a irmãzinha amada dele. Talvez essa era a prova de que ninguém ali se importava com os outros. Foi quando algo chamou sua atenção.

Quatro meninas atrás dos arbustos sussurrando. Elas pareciam ter a mesma idade que Charlotte, mas isso não quer dizer que eram tão bonitas quanto ela. Logo Charlotte as reconheceu. Eram alunas de Hogwarts, umas das únicas que admiravam Alya. Quero dizer as únicas que admitiam admirá-la.

–Eu cheguei aqui primeiro. Quem vai levar as guloseimas para ela sou eu. – Dizia firmemente uma garota com as mãos nos quadris. Ela era ruiva e tinha algumas sardas pelo rosto, usava um short roxo de quadribol, uma camiseta branca, seu cabelo estava preso em um firme e alto rabo de cavalo. Charlotte percebeu que ela, assim como as outras, segurava uma cesta que estava coberta por um pano.

–Eu estava aqui antes de você, Rose – Disse uma garota loira e gordinha. Ela usava uma camiseta laranja que marcava suas gordurinhas, a camiseta estava suja do que possivelmente seriam farelos de salgadinhos, usava uma calça moletom e segurava sua cesta firmemente, como se sua vida dependesse disso.

A terceira menina deu um passo a frente com sua estranha bota de camurça roxa – Fique quieta Dominique, eu estava aqui antes de você. Eu vi você sair da sua casa a poucos minutos atrás!

Charlotte passou a língua pelos dentes. Elas estavam brigando só para dar guloseimas à Alya? Que idiotas! Se soubessem que Alya era louca por doces, simplesmente se uniriam para dar todos aqueles doces. E elas deixaram escapar dois nomes : Rose e Dominique. As primas Weasley’s.

Rose é filha de Rony Weasley e Hermione Granger. Ela é a cópia da mãe, mas que foi uma surpresa para a família ela ter caído na corvinal em vez da velha grifinória, isso foi.

Já Dominique é filha de Gui Weasley e Fleur Delacour, mas Dominique está longe de ser como a mãe, até porque sua mãe nunca fora gordinha, mal vestida, depressiva ou teve cabelos tão sebosos.

Charlotte olhou por cima do ombro para a sala. Pedaços do horizonte de New York estavam espalhados pelo chão, e logo seus pais chegariam. Sua irmã iria se opor em ir à clínica e diria o que Charlotte havia feito. Então seus pais nunca mais a tirariam de lá. Ao menos que Alya estivesse conversando amigavelmente com garotas impopulares. Não seria Charlotte, já que a garota só agradeceria os elogios e as deixaria falando sozinhas, pois muitas vezes Charlotte reclamava como odiava a bajulação daquelas garotas.

Era isso. Ela seria Alya. Seria a garota vadia que quando recebe atenção não larga mão dela. A primeira coisa que deve fazer, Charlotte disse a si mesma, é canalizá-la. Ninguém acreditará em você se não agir como uma vadia. Então fechou os olhos e canalizou Alya. Uma linda vadia. Uma rainha manipuladora. Uma atriz bruxa. A garota que estava arruinando sua vida.

Isso não seria difícil. Por anos, enquanto sua irmã apenas tinha o posto de rainha da sonserina e a admiração de poucos colegas de outras casas, Charlotte era a rainha de Hogwarts. Governava um grupo de garotas, era a melhor aluna em poções, sempre tinha o melhor lugar na mesa da grifinória no salão principal, controlava a TV que tinha no salão comunal, e sempre fazia todos se encantarem por ela. Sempre foi assim. As pessoas a amavam mais do que sua irmã. As pessoas sempre se sentiam a vontade com ela, sempre era a primeira a ser escolhidas nas brincadeiras, a preferida a ser escolhidas nos trabalhos da escola, e recebia mais presentes de dia dos namorados do que qualquer pessoa de Hogwarts. Alya, no entanto, intimidava todos. Era agressiva, e intensa. Gritava com as crianças quando não havia adultos por perto, fazia beicinho e manha quando não ganhava o presente que queria e uma vez até chutou os sapatos gatinho que uma garota um dia tentara mostrar a ela. Sim, Alya era linda. Muito mais que Charlotte, mas isso não a fazia mais amada. Por isso trabalhou tanto para tirar a irmã do seu caminho. Ela queria ser a única estrela.

Charlotte avistou os saltos altos de sua irmã na porta e os calçou. Ela empurrou a porta de tela e saiu para o quintal, e viu as garotas nos arbustos discutindo. E logo se calaram ao notar a loira.

–Podem sair. – Charlotte gritou tentando soar confiante – Eu já vi vocês. Vamos saíam!

As garotas não se moveram.

–Sério, eu sei que tem alguém aí! – ela disse impaciente – Se vieram roubar minha bandeira, perderam o tempo de vocês... – Charlotte ponderou, lembrando-se da Cápsula do Tempo. Sua irmã ficara se vangloriando o tempo todo.

Rose foi a primeira a sair dos arbustos e logo as outras imitaram o seu ato. E a mágica aconteceu. Elas acreditaram que estavam falando com a verdadeira Alya, e negaram estarem atrás do pedaço da bandeira. Disseram que tinham sido incumbidas por seus diretores de casa à levarem doces para ela. Fizeram perguntas à ela e respostas inventadas escorreram feito água na cachoeira pela boca de Charlotte.

A Sra.Black viu a filha conversando com garotas de Hogwarts, como não era muito próxima de Alya, não saberia dizer se era normal ou não. Então apenas resolveu aceitar o fato que sua filha preferida era louca e que Alya era completamente sã. A porta se fechou e dez minutos depois se ouviram gritos e a verdadeira Alya estava sendo levada para um hospício.

E essa seria a nova vida de Charlotte.

Notas finais
O próximo capítulo só na próxima semana, pois eu tenho que atualizar O Manual Das Vadias Suburbanas e divulgar Slytherin Bitch. Bem, espero que tenham gostado do capítulo.