Sleeping With Ghosts

1 Capítulo 1 - Beautiful eyes


Não sinto mais medo dos fantasmas. Eles já se tornaram meus amigos. Faz um tempo que nenhum vem me Atormentar. De verdade digo, pelo menos pararam de me jogar contra a parede. Meu nome é Janine. Tenho 16 anos. Convivo 16 anos com fantasmas. Não sou frustrada. Eu fui avisada quando me mandaram para a Terra que eu iria ser amaldiçoada graças a meus pais fanáticos por dinheiro. Minha mãe morreu no meu parto e meu pai se matou enforcado. Claro que eu teria que arcar com as conseqüências. Foi só por isso que eu vim. Cruzei com meus pais na passagem do submundo para cá. Minha mãe não me reconheceu. Estava pálida, com olheiras e seu cabelo loiro estava bagunçado. É minha única lembrança dela. Voltando aos meus únicos amigos – os fantasminhas nada camaradas – antes eles até me assustavam, mas hoje não. A propósito, moro com uma tia. Ela nunca ligou para mim. Fica o dia todo fora e quando volta não fala comigo. Antes até falava para dizer: arrume essa casa, quero minha janta. Geralmente não há janta, devido a ela estar desempregada e não haver dinheiro para comprar mantimentos. Claro, um dia trabalho de prostituta acaba. Fico pensando se ela nunca me obrigará a me prostituir. O sinal da escola toca e eu corro para a sala. Ninguém me nota. Será eu um fantasma também? Quando vou colocar a mochila na cadeira em que sempre sento, lógico que a ultima no canto, há alguém nela. Estou tão acostumada a sentar nela que nem olho pra ver se alguém esta nela.

- Desculpe! – Sussurro e vou para a mesa ao lado. Ei, eu não durmo bem por 16 anos, mal sei como estou viva. Lógico que tenho que ser a excluída da sociedade. Mas não sou frustrada. Eu acho.

- Não tem problema – O garoto responde. Ele possui cabelo grande até a nuca e olhos escuros. Sua pele é pálida como a minha. Não posso deixar de notar a camisa de botões que ele usa. Também não deve se aplicar aos calouros do segundo grau. – Sou Thor.

Ele estende a mão e espera que eu faça o mesmo, a aperte e diga meu nome, mas eu apenas olho para ele, digo “Olá” e olho para o professor de biologia. Ele recolhe sua mão, morde os lábios e responde “Olá” também. O resto da aula se seguiu silencioso. No intervalo, vou para debaixo da árvore de sempre. No meu canto. Ouço alguém se aproximar atrás de mim. Fico assustada. Ta legal que fantasmas me perseguem, mas isso nunca aconteceu na escola. Fico rígida e hesito em olha para trás. Fecho os olhos sabendo que o fantasma me pegara eu fechando os olhos ou não. Fico esperando uma jogada contra a outra arvore, rostos assustadores, mas só ouço alguém dizer:

- Te assustei?

É uma voz de homem. É Thor, o garoto novo. Claro que é novo. Eu já teria o visto por aqui antes.

- Não – minto

- Ahã – Ele responde desconfiado

- O que você deseja?

- Sentar aqui, pode?

Dou de ombros

- Aqui é publico eu acho. Não comprei o espaço.

Ele ri e se senta.

- Qual o seu nome?

- Qual o interesse em saber?

- Curiosidade? As pessoas esperam que as outras se apresentem quando fazem o mesmo.

Os lábios dele são incrivelmente lindos apesar de finos. E são beijáveis, com certeza.

- Esperam? Desculpe-me, sou meio anti-social, eu não sei dessas coisas.

- Agora que sabe...

- É Janine.

- Ah.

- Mais alguma coisa?

- Não sei, quer falar mais alguma coisa?

- Eu estou bem, você que chegou aqui. Você quer saber mais alguma coisa?

- Pra ser sincero, sim. Quantos anos você tem?

- Eu tenho dezesseis, dã.

- Não diga “dã”. Eu tenho dezoito. Repeti duas vezes.

- Hum.

Me enganei, ele é sim do tipo de meninos que não estudam e só se interessam em outras garotas.

- Mas você parece ser do tipo de garota certinha que estuda tudo direitinho

- Sim, não tem outra coisa pra fazer, então tanto faz.

- Claro. Não existe shopping, festas, raves...

- Não, para mim não existem. Como é o shopping? – Eu nunca fui em um.

- Haha, que engraçado.

- Falo sério. – Digo séria – Como é? Dizem que é um lugar cheio de patricinhas a procura da roupa perfeita.

- Bem, é mais ou menos isso. Há loja de roupas, Mc Donald’s...

- Mc Donald’s?

- Vai dizer que não sabe o que é?

- Onde vendem uns sanduíches não é?

- Hum, é. – Sua expressão é de confusão. Não me admiro. Todos já foram ao menos uma vez ao shopping.

- Legal, e é bom?

- Muito. É viciante na verdade.

- Ah.

- Agora vamos parar de brincar com a minha cara, certo?

- Se eu estivesse brincando – Digo baixo

- O que disse?

- Nada

Ele da um gole em seu refrigerante

- Você não come? – Ele pergunta

“Se eu tivesse dinheiro” penso.

- Não estou com fome.

- Nossa. Você é... Diferente.

- Estranha

- Eu não disse isso

- Não ser estranha é ser igual a todos?

- Acho que todos nós somos estranhos. Veja Scarlet – Ele aponta para a rainha das patricinhas – Ela parece ter o mundo em suas mãos, mas... Algo a assombra, no fundo ela só quer mandar em todos para parecer forte, mas ela é frustrada. É estranha. Bipolar.

- E como você sabe de tudo isso?

- Eu? Uma questão de... Pensar. E olha só o jeito que ela usa sua franja. Longa e lambida. Muito lisa.

- Ah, agora cortes de cabelo influenciam na personalidade da pessoa?

- Não exatamente. São os cuidados que as pessoas têm com seus cabelos.

- Hum. E o meu?

- Eu não sei dizer. Seu cabelo não bate com sua roupa.

Claro, eu visto trapos. Uma camiseta branca, um casaco cinza surrado, calça jeans surrada e rasgada nos joelhos e tênis rasgado.

- Ah é?

- Deixe isso para lá, não sei nada sobre cabelos.

- Acho que percebi.

Ele sorri e eu forço um também, mas que acaba não saindo. Meu Deus, ele fica lindo sorrindo. Pela primeira vez, Scarlet lança um olhar para minha direção. Na verdade, na direção de Thor. Ela o fita sem querer disfarçar, mas ele não percebe. Está olhando em volta, analisando direito a escola. Depois ela olha para mim, demonstra nojo. Eu olho para o chão. Recolho minhas coisas e saio andando para o meu armário. Thor vem atrás de mim e grita: “Espera”, mas eu ignoro. Nem sei por que ele estava falando comigo. Ele consegue me alcançar.

- Ei, o que deu em você?

Agora que estamos um do lado do outro, de pé, vejo como ele é alto. E forte.

- Eu tenho que pegar minhas coisas. – Pego a apostila de Inglês.

- Ah sim, tenho certeza que este foi o motivo de você pegar suas coisas e sair correndo do nada.

- Foi porque aquela Scarlet estava me encarando, isso não é legal, ok? – Digo olhando em seus olhos

- Seus olhos são tão lindos e você é tão… Não se explicar.

- Obrigada – Desvio meu olhar para o chão. – Você também tem belos olhos.

Primeiro elogio que recebo em toda a minha vida.

Notas finais
espero que gostem *-* e mandem reviiiiiiiiewwws o/