Sleeping With Ghosts

2 Capítulo 2 - Lonelier


Ao fim da aula, vou para casa andando em recusa a uma carona oferecida por Thor. O que será que ele quer comigo? Com certeza suas intenções não são boas, afinal, ele é lindo. E eu sou a esquisitona da escola. De qualquer modo, não posso deixar de confessar que me senti muito bem com ele. Infelizmente chego em minha casa. Vazia, nem sinal da minha tia há uns dois dias. Mesmo assim, arrumo a casa. Abro a geladeira que contém apenas garrafas de água e um vidro de ketchup vazio.Fecho a geladeira e vou para o meu quarto fazer o dever de biologia.

A noite chegou. Infelizmente. Ouço o barulho da porta de baixo se abrir. Alguém chegando, se não for minha tia, sabemos o que é. E como eles estão dois dias atrasados, terão que recuperar seus dias ausentes com dose triplicada no terror. Desço as escadas e ouço um barulho na cozinha, alguém abrindo a geladeira. Entro na cozinha devagar e de olhos fechados. Alguma coisa põe a mão no meu ombro e eu sinto uma intensa dor nas pernas e abaixo tentando abafar um grito, mas sem sucesso. Abro os olhos e não vejo nada a não ser a minha cozinha escura. Tento me levantar para fugir, mas ele agarra minha perna e me puxa me jogando contra a parede. Eu caio de cara no chão e dou um grito meio espremido por causa da dor. Me levanto de vagar e digo:

- Por favor, eu não tenho nada a ver com eles, eu sei que nasci pra isso, mas eu não tenho nada a ver com eles – Sinto lágrimas escorrerem – Eu tenho um coração, eu sinto dor, mas por que eles saem ilesos e eu tenho que sofrer? Por quê? Eu nem os amo, nem os conheci.

Meu cabelo é agarrado, sinto muito frio e estremeço. Um menino com a cara coberta de sangue aparece em minha frente e eu grito de pavor. Sou arremessada para a pia e minha cabeça começa a sangrar. Eu pego um pano que esta em cima da pia e coloco na ferida tentando interromper o sangramento.

- Por favor, me deixe em paz, por favor!

Então eu desmaio. Quando eu acordo ainda esta escuro. Minha cabeça lateja e me sinto fraca. Sento na pia e olho para baixo. No chão há pernas, braços, cabeças e mãos despedaçados. Me encolho de novo e tampo minha boca pra interromper um grito. Respiro fundo e apoio a mão em meu lado. Ao invés de sentir o toque duro e gelado da pia, sinto uma pele fria. Retiro minha mão rapidamente e sei que é uma mão. Fecho os olhos e me abraço esperando algo me pegar. Como estou de olhos fechados, os fantasmas enviam imagens para mim. Agora vem um garoto de cabelos loiros imundos. Sua pele esta suja e cheia de sangue. Há marcas roxas também. Seus olhos são verdes. Apesar de horripilante foi o fantasma mais bonito. Menos medonho,quero dizer. O fantasma chega perto de mim, começa a acariciar meu cabelo e a mumurar algo que faz meus ouvidos doerem e eu começo a gritar. Sinto perder as forças, como se o fantasma tivesse arrancado-as. Então eu deito na pia retirando algumas partes de corpos que estavam em cima dela. Respiro fundo e a cozinha fede. Então eu durmo. Eu queria ter morrido.

De manhã eu levanto e a cozinha esta normal de novo. Tomo um banho bem quente e vou para a escola. Meu estômago ronca de fome. Chegando na aula de Biologia, Thor está em meu acento novamente. Reviro os olhos e sento ao seu lado. Novamente. Estou com capuz para esconder a ferida que dói muito em minha cabeça.

- Bom dia! – Diz Thor.

- Oi – Eu digo. Minha voz soa mais brava do que eu estava. Não havia motivos para estar brava, mas eu estava de mau-humor. Eu sou humana e preciso de boas noites de sono para ficar de bom-humor. Ah e para alcançar um 10 na média também. Minha maior nota foi 8.0.

Thor se vira para mim e levanta uma sobrancelha.

- Tudo bem com voce?

- Tudo – Eu não ia perguntar para ele. O sorriso em seus lábios já me dizia tudo. Ele sempre estava com um meio-sorriso ou um sorriso na boca. Em todas as aulas.

As aulas seguiram-se tediosas como sempre. Thor tentava puxar conversa e eu o parava com minha anti-socialidade. No intervalo ele ofereceu-me uma maçã verde, fiz questão de aceitar, já que eu estava morrendo de fome.

- Mas então, voce mora aonde?

- Logo ali. – Não apontei.

- Ali. Aonde? – E respirou fundo

- Ali por ali – Olhei para ele e dei um meio sorriso. Um raro meio sorriso.

- Ok. – Ele prendeu os lábios e mais uma vez respirou fundo. – Quer uma carona hoje para casa?

- Não, obrigada!

- Por que?

- Porque gosto de caminhar ao ar livre, acalma a alma.

- Você veio caminhando?

- Sim, por que?

- Nada – E olhou para mim. Seus olhos me impinotizaram. Depois olhei para minhas mãos que brincavam com o resto de maçã. – Seus olhos são realmente lindos. – Disse ele

- Balancei a cabeça positivamente e involuntariamente – Obrigada! – Ele sorriu.

Ao chegar em casa, havia roupas espalhadas por todo o chão. Minha tia esteve aqui provavelmente. Conforme eu andava, eu pegava as roupas. Abri a porta do quarto da minha tia e ela estava no telefone. Ao me ver fez sinal para mim sair e eu sai. Fui para meu quarto, sentei em minha cama e dobrei suas roupas. Joguei minha mochila no chão e fiquei em pé escorada em meu guarda-roupa. Minha tia abre a porta e começa a berrar:

- Escute aqui sua menina inútil, eu cuidei de voce por anos, nem sei quanto de tantos, uns vinte talvez...

- Tenho 16 – Eu a interrompi.

Lembro de cinco aniversarios em que ela comemorou com festinhas. Lembro de como ela era doce e de como ela se estragou quando eu tinha nove anos.Foi depois de conhecer Heitor. Ele a levou para o mundo da prostituição e das drogas, desde então ela me maltratava. Não havia mais a quem abraçar depois dos pesadelos com fantasmas. Fiquei um ano me afundando nos estudos, a casa era uma completa bagunça, minha tia me batia... Não gosto de lembrar. Foi então que tomei providencias. Comecei a arrumar a casa, aprendi a fazer comida e comecei a me dedicar ao estudo. Depois a comida foi acabando e minha tia de vez em nunca comprava por obrigação.

- Foda-se! Enfim pirralha, finalmente me livrarei de você por uns... tres meses. Vou para lá Paris. – Soltou uma gargalhada e começou a dançar e cantarolar, depois parou. – Espera, se voce tem 16 anos, como vou deixar você? Porra, voce só fode minha vida

Fiquei quieta e olhando para meus pés, então Sabrina agarrou meus cabelos.

- Escuta aqui sua fedelha mimada, se algum conselho tutelar, alguma merda dessas aparecer por aqui, diga que esta tudo bem entendeu?

- Entendi – Disse por entre os dentes

- Acho bom! – Ela me soltou – Diga que estou trabalhando ou sei lá. Melhor, se der, nem fale de mim. Fale que seu pai viajou e não voltou mais. Sei lá, voce não deve ser tão burra.

Ela saiu e foi para seu quarto. Depois de um tempo ouvi a porta de baixo se fechar. Suspirei e fechei os olhos. Agora eu estava literalmente sozinha. Nem mandar calar a boca alguem ia me mandar mais.

Notas finais
eu tentei dar medinho, mas acho que nao consegui UHUAHUASUA . Bom , a historia é mais romance e drama .-. bjs :*