Notas iniciais
Oi, amoras do meu coração *-*'
Aqui quem vos fala (-q) é a Letícia Silveira, a beta da fic.
A Gabi está sem net e, por isso, pediu para eu postar.
Espero que curtem o capítulo e que tenham uma boa leitura. Mergulhem nesse universo paralelo do Jake!
Seis mil palavritas para rechear o seu fim de semana!
Beijão :*

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Capítulo 3 — Olhos Abertos

O barulho dos pássaros e a brisa gélida do início de noite atingiam-me, trazendo à tona uma atmosfera suave e pacífica. O vento balançou alguns galhos do grande e único carvalho, que se encontrava à minha direita, causando o rebuliço de vários pássaros, que repousavam sobre a árvore. Eles saíram voando logo em seguida, em direção ao céu azulado.

Captava minuciosamente cada detalhe à minha volta; percebendo, agora, que estava em uma enorme campina, onde milhares de flores multicoloridas formavam um enorme tapete embaixo de meus pés. Bem mais à frente, pude observar as grandes árvores da floresta, sempre frondosas e com folhas extremamente verdes. Uma fina penumbra envolvia o local, tendo em vista que anoiteceria em breve. Toda aquela variedade de cores à minha volta estava esvanecida como em um sonho.

A curiosidade sobre aquele lugar atingiu-me de imediato. Não só sobre aquele local, mas também como fui parar ali. Não me recordava de absolutamente nada. Era como se tivesse ido dormir e, de repente, acordasse em pé, parado ali.

–Jake...–Ouvi um sussurro que ecoava naquela gigante campina.

A simples menção do meu nome, naquela voz, implicou um arrepio em todos os pelos do meu corpo. Olhei para os lados, buscando a origem daquele som, porém não encontrei nada.

Eu devo estar enlouquecendo de vez... – Pensei. Era a única resposta plausível para tal barulho. Aparentemente, os animais inocentes eram os únicos seres próximos a mim.

Comecei a caminhar pela ampla campina e acabei por tropeçar em uma enorme pedra que não havia visto por estar tão absorto em meus perturbados pensamentos. Nesse momento, o meu olhar foi direcionado para baixo, e pude observar as roupas estranhas que usava. Vestia uma espécie de calça caqui, porém bem envelhecida. Parecia que eu não pertencia ao presente, que eu não era desta época. Nos pés, usava borzeguins marrons, um tipo de bota, geralmente usada na era medieval. Estava com uma camisa de mangas longas, ligeiramente bufante, branca e com algumas amarras na região do peito.

–Jake...–Ouvi novamente aquela doce voz a chamar-me e, mais uma vez, quando busquei de onde vinha aquele som, nada encontrei.

Mas que diabos é isso? – Questionava-me internamente. A curiosidade açoitou-me no mesmo instante. Ter escutado a voz uma só vez era aceitável; porém, escutá-la novamente perturbava-me.

Toda aquela situação deixava-me transtornado. Um desconforto anormal instaurava-se em meu peito. Estava aflito. De alguma forma, eu precisava encontrá-la. Precisava encontrar a dona daquela voz esplendorosa. Sentia como se necessitasse daquilo para sobreviver. Tal coisa não fazia sentido algum; contudo, questionava-me sobre o que tinha nexo naquele momento.

Não sabia onde estava nem como havia conseguido aquelas roupas e, muito menos, o porquê de eu querer tanto encontrar-me com a dona daquela voz. Não havia explicação. Eu apenas sentia aquela necessidade, e, por mais que vivesse constantemente negando, o sentimento é uma força imensurável e, infelizmente, não está ao alcance dos seres humanos controlá-lo por completo.

–Jake...–Mais uma vez, aquele som melodioso insistia em assombrar-me.

Agora eu pude ter mais do que certeza: não estava louco, tinha realmente alguém chamando por mim!

Virei-me lentamente e mirei diretamente a floresta. Meu coração gelou quando avistei uma silhueta ao longe, encoberta pelas sombras.

Mesmo com a dificuldade para enxergá-la nitidamente, pude observar suas aparentes e sinuosas curvas delineadas por um belo vestido. Assim como eu, ela usava roupas medievais. O vestido era extremamente justo na área do tronco, deixando o volume de seus seios em evidência, enquanto a parte de baixo do vestido era volumosa e escondia boa parte de seu corpo esbelto. Subi um pouco meu olhar e pude observar longos cachos, em que não consegui distinguir a cor perfeitamente graças à penumbra, que caíam em cascata até a sua cintura afinada. Quando cheguei ao seu rosto, não consegui enxergá-lo. Sua face estava sob as sombras, onde a única coisa que eu conseguia ver perfeitamente eram seus olhos: duas bolas castanhas, cor de chocolate, fixadas diretamente em meus olhos como se estivessem conectados um ao outro.

No momento em que nossos olhares se encontraram, um frio intenso percorreu toda extensão da minha espinha. O olhar dela envolvia-me como se possuísse algum tipo de magia. Era doce e, ao mesmo tempo, intenso. Era como observar o céu de noite, pontilhado de estrelas luminosas, onde cada uma delas continha uma história milenar. Parecia que haviam perdurado no tempo; Eles carregavam tanta coisa... Talvez milhões de histórias e experiências de vida. Aquilo me encantava cada vez mais. A intensidade de seu olhar transmitia tantos sentimentos que chegava a ser difícil identificá-los.

Aproximei-me lentamente na tentativa de observá-la melhor; porém, a cada passo que eu dava, ela parecia mais distante. Avancei com mais algumas passadas, e sua silhueta recuou mais ainda. Eu estava perdendo-a.

Nessa altura, eu já estava correndo, tentando alcançá-la de alguma maneira. Porém, de forma alguma, chegava à região onde ela encontrava-se. Eu corria alucinadamente, sentia como se estivesse em plena maratona e já tinha percorrido metade do caminho. Mesmo com todos os meus esforços, a situação parecia a mesma. Eu, parecendo que não havia saído do lugar; e ela, intacta no mesmo ponto da floresta.

Aquilo era extremamente angustiante. Não importava o quanto eu havia corrido, eu não chegava até ela, nunca chegaria.

Já estava ofegante. A falta de ar que se instaurava em meus pulmões era evidente. Parei de correr, convencendo-me de que aquilo não me levaria a nada. Inclinei meu corpo para frente, apoiando minhas mãos em meus joelhos, ainda com a respiração entrecortada.

Mas que tipo de loucura era essa? Eu queria tanto ter essa estranha perto de mim, com uma intensidade surreal e não conseguia aproximar-me dela de maneira alguma. Isso era doentio. Só podia ser algum tipo de pesadelo. Não existia outra palavra para descrevê-lo.

Uma voz melodiosa, como de sinos, ecoou pelo ambiente, tirando toda a angússtia que estava encravada, como um prego, em meu peito e trazendo-me uma paz interior indescritível.

–Está tudo bem, Jake... -Sussurrava. -Logo nós estaremos juntos novamente conforme você prometeu!-Continuou; e, em seguida, uma gostosa risada misturou-se aos sons do ambiente e acabou por aquecer meu coração. –Você vai sempre me encontrar, lembra?-Questionou; e eu, involuntariamente, assenti. Parece que uma parte de mim sabia sobre o que ela estava falando. –Então, nos vemos em breve, meu amor... -Falou gentilmente. -Mas, antes de ir, eu te peço que não te esqueças de que estou perto de você, sempre estive, Jacob, e agora mais do que nunca... -Dito isto, sua silhueta desapareceu como se tivesse virado fumaça e evaporado pelo ar.

Um enorme desespero tomou conta de mim. Ela havia sumido, e eu não tive nem a chance de ver o seu rosto. Comecei a correr em direção à floresta, onde ela estava há alguns minutos; porém, diferentemente de antes, eu consegui sair do lugar onde estava.

Adentrei a floresta velozmente, procurando-a de uma maneira alucinada. Queria gritar por ela, chamá-la de volta, mas eu não sabia, sequer, seu nome. A sensação de não a ter no meu campo de visão era sufocante. Eu precisava vê-la, necessitava cuidá-la.

Voltei-me à minha corrida alucinada novamente. Sentia que, de alguma forma, poderia encontrá-la. Talvez ela ainda estivesse por perto.

A frase que ela dissera há alguns minutos, agora, ecoava como uma melodia perfeita em minha mente.

Você vai sempre me encontrar, lembra?

Isso seria algum tipo de sinal? Talvez fosse verdade. Provavelmente eu poderia encontrá-la. Um novo sentimento tomou conta de mim: algo parecido com esperança. Era isso. Ainda havia esperança.

Eu encontrá-la-ia. Tinha toda a certeza disso.

Abandonei meus pensamentos quando tropecei em um enorme tronco de árvore. Fui direto de encontro ao chão. Tudo ao meu redor começou a escurecer, e minhas pálpebras nunca pareceram tão pesadas. Eu iria desmaiar, já estava sentindo o buraco negro puxando-me.

Relutei o máximo que pude; todavia, a escuridão foi mais forte e levou-me ao seu encontro.

[...]


Acordei ofegante, e dei um pulo da cama. Passei ambas as mãos pelo cabelo e corri os olhos por todo o local. Estava em meu quarto. Suspirei aliviado.

–Foi apenas um sonho. Só mais um sonho.–Constatei para mim mesmo.

Direcionei-me até o banheiro e passei um pouco de água gelada em meu rosto. Levantei meu olhar para o espelho, que ficava no armário acima da pia.

Eu tinha um semblante cansado; e algumas olheiras, agora, ocupavam meu rosto. Provavelmente, devo ter sonhado a noite inteira. Joguei mais um pouco de água gelada em meu rosto e acabei perdendo-me em meus pensamentos, lembrando-me do sonho extremamente real que tive.

Estava tendo sonhos como este todas as noites desde que comecei a trabalhar no hospital de Forks. Eu não compreendia o porquê de tal coisa, mas, de alguma forma, sempre que dormia, eles voltavam a aparecer. Tinham o mesmo cenário: eu, vestido com roupas de outra época, fazendo algo na floresta ou conversando com pessoas que nunca, sequer, vi na vida.

Entretanto, hoje, algo foi diferente. Ela apareceu. Desde então, nunca a havia visto nesses meus sonhos. Aparentemente, ela queria me dar um aviso ou algo do gênero. Talvez, fosse apenas meu subconsciente querendo informar-me algo. Estudei um pouco sobre essas coisas na minha especialização em neurologia, quando fiz uma pequena pesquisa na área de neurociência. O cérebro humano é um órgão esplendoroso, afinal é dele que vêm todos os tipos de sentimentos do homem. Ele exerce poder absoluto sobre os seres humanos.

Em uma dessas minhas "pesquisas de campo”, descobri que a linguagem dos sonhos é uma linguagem natural, simbólica e de difícil compreensão, pois muitos deles originam-se no inconsciente pessoal, isto é, dizem respeito a problemas cotidianos, relações interpessoais. Porém, além disto, tive a oportunidade de estudar, também, toda a mitologia por detrás dos sonhos, mas nunca acreditei nesse tipo de coisa. Para mim, era obviamente impossível sonhos significarem mensagens, tanto do passado quanto do futuro. Ficava boquiaberto quando ouvia pessoas conversarem sobre isso: algo como algum antepassado ter comunicado-se com ela por um sonho.

Sou o tipo de homem que só acredita naquilo que a ciência pode provar. Há uma hipótese de que tenha adquirido esse jeito descrente graças à doença de meu pai. Vê-lo definhar aos poucos fez-me pedir aos céus uma solução mágica para toda aquela situação. Contudo, tal coisa não veio a acontecer, e isso me despertou para a realidade da vida: não vivemos em um mundo mágico e colorido, onde as soluções dos nossos problemas caem do céu.

É claro, como existe a ciência, também existe o inexplicável, tanto é que passei toda a minha vida tentando conciliar os dois. Mas, de uns tempos pra cá, passei a lidar com a realidade, zombar da tão falada magia e sentir pena dos crédulos que gastavam seu tempo com coisas inexistentes.

Mas agora, mesmo em meio a todas essas coisas, quando entrei nessa cidade, senti como se uma chama tivesse reacendido em mim. Não sei bem o que poderia ser, porém sentia como se estivesse prestes a encontrar o que procurava. Quando a vi pela primeira vez, senti uma conexão instantânea e única com ela. Sabia que Renesmee tinha algo diferente que mexia comigo de uma maneira estranha e, de jeito algum, conseguiria negar este fato. Mesmo assim, aquela antiga história de amor à primeira vista estava irrevogavelmente fora de cogitação. Além de nunca acreditar nisso, era algo praticamente impossível de acontecer, tendo em vista que nem acordada ela estava. Mas, então, o que seria? Mesmo quando estava longe, sentia algo me ligando a ela. Algo como uma corrente de aço inquebrável.

Era como se ela estivesse sempre presente. Sempre ao meu lado, mas só agora tivesse percebido a sua existência.

Pensando nisso, lembrei-me da mulher misteriosa de meus sonhos. Agora ainda tinha mais essa.

Aqueles olhos, cor de chocolate ao leite, simplesmente não abandonavam minha mente. O jeito como ela olhava-me, sua voz suave e doce...

Por um lado, estava aliviado por aquilo não ter se passado de um sonho, pois, se fosse realidade, aquela mulher provavelmente seria minha perdição. Ainda assim, por outro lado, queria, de alguma forma, encontrar-me ela. Não sabia exatamente o porquê, mas sentia como se precisasse dela.

Como um sonho pode ser capaz de despertar tantos sentimentos?

Abandonei meus devaneios e encarei novamente meu reflexo no espelho. Soltei um riso debochado.

–É, Jacob Black! Você está ficando louco!-Falei para o reflexo e, logo em seguida, apaguei a luz do banheiro, voltando ao quarto.

Sobre a pequena cabeceira, peguei o meu antigo relógio, talhado à madeira, que marcava exatamente seis horas e meia da manhã. Se demorasse mais um pouco, provavelmente atrasar-me-ia para o trabalho.

Hoje era o meu dia de prestar plantão, o que significava ficar de sete às sete atendendo pessoas com problemas nos neurônios. Ri internamente da minha piada de neurologista. Provavelmente, só eu achava graça da tal. Se bem que, na realidade, procurava uma maneira de divertir-me na tentativa de afastar toda a apreensão e pressão que pairavam sobre mim no dia de hoje.

Há uma semana, resolvi tomar a frente do caso Bela Adormecida. No início, fiquei embevecido com a oportunidade de ser o primeiro médico a encontrar a solução para o curioso caso de Renesmee. Porém, com o decorrer da semana e com uma série de exames feitos nela, comecei a perder as esperanças; afinal, tudo em suas estruturas aparentava perfeita ordem e nenhum defeito. Aquilo era angustiante. Não o fato de ela estar bem; na verdade, estava em seu mais perfeito estado, diga-se de passagem. Mas angustiava-me o fato de não encontrar o porquê de seu coma tão longo e repentino.

Hoje sairia o resultado de outra série de exames dela. Estava ávido e, ao mesmo tempo, temeroso, pois não falava de qualquer tipo de exame, como aqueles rotineiros, mas sim os que podiam mudar a vida daquela garota. A tensão atingiu-me imediatamente após aquele pensamento. Precisava relaxar.

Decidi tomar um banho quente e comer um café da manhã reforçado para aguentar o batente de hoje. Peguei uma toalha dentro do armário e corri para o banheiro.

Joguei a camisa em qualquer canto. Logo em seguida, retirei minha calça de moletom e minha cueca, jogando ambas no cesto de roupa suja. Mais tarde, teria de procurar alguma lavanderia pela região.

Entrei no box e liguei o chuveiro, sentindo aquela água quente descer por todo o meu corpo. Aquela sensação era extremamente relaxante. Não sentia apenas as impurezas saírem com a água, mas também todo o estresse e a tensão. Um banho quente resolvia muitos problemas em minha opinião.

Fiquei por um longo tempo assim, apenas sentindo aquela água gostosa tamborilando por todos os cantos da minha pele. Depois de alguns minutos de puro relaxamento, ouvi um estalo; e, logo em seguida, a deliciosa água quente, havia transformado-se em um manjar do ártico. Não estava fria, mas sim em pré-estado de congelamento.

–QUE MERDA!-Gritei, dando um soco na parede. -MAS QUE MERDA!-Gritei mais uma vez, agora mais forte, já sentindo a dor atingir minha mão que tinha os dedos vermelhos a essa altura.

Desliguei o chuveiro com raiva e amarrei a toalha na cintura. Com certeza, o disjuntor havia desarmado graças ao longo tempo que passei com o chuveiro ligado no quente. Casas antigas contêm disjuntores com pouca capacidade de voltagem; sendo assim, não aguentam muito tempo com objetos que consomem muita energia ligados. Graças a Deus, eu tinha uma mera noção de eletricidade, e o mais breve possível modificaria a fiação daquela casa.

Desci as escadas, procurando pelo disjuntor, para ligá-lo novamente. Como era uma construção antiga, deduzi que ele estaria do lado de fora.

Abri a porta da frente e desci os degraus que havia na varanda, chegando até a lateral da casa, aonde encontrei o disjuntor, como havia previsto.

Estava ligando-o novamente quando ouvi um murmúrio atrás de mim. Franzi minha testa em curiosidade e virei-me para trás para ver do que se tratava.

Havia três jovens no jardim da casa vizinha, observando-me e cochichando algo umas com as outras. Provavelmente moravam na casa ao lado. Seus olhares pairavam sobre o meu traje. Naquele momento, lembrei-me de que usava apenas uma toalha e garanto que, se não fosse moreno, estaria corado de vergonha.

–Er... Bom dia... -Cumprimentei, lançando-lhes um sorriso amarelo, completamente sem jeito.

–Ótimo dia... -A loira de cabelos longos respondeu com um sorriso travesso nos lábios, deixando-me ainda mais envergonhado.

–Você é Jacob Black, não?-Questionou outra menina. Essa tinha cachos acobreados na altura dos ombros e olhos castanhos chocolate, assim como os da mulher dos meus sonhos. Mesmo assim, não chegavam à mesma intensidade dos dela. Aliás, os orbes da pessoa de meus sonhos eram incomparáveis. Tão belamente exóticos...

–Sim... -Respondi-lhe receoso. -Como sabe meu nome?-Questionei um tanto assustado, e ela soltou uma risada.

–Não sei o porquê do seu espanto! Forks é uma cidade pequena, e não ocorre um acontecimento novo há tempos!Você é o que temos de mais novo aqui. -Gesticulava. Ela parecia bem animada. –Acredite, todos sabem o seu nome!-Falou sorrindo, e eu retribui-lhe com outro sorriso. -Prazer, sou Hannah! — Ela falou estendendo a mão do outro lado da cerca. Eu aproximei-me para cumprimentá-la. — Hannah Cullen! — Completou, fazendo menção do seu último nome. Inevitavelmente, sentia como se já tivesse ouvido-o em outro lugar. -E essas são Penélope e Samantha, que, à propósito, são suas vizinhas!-Falou apresentando as amigas.

–Bom, como todo mundo sabe o meu nome, poupa-me de apresentações... – Brinquei, e todas sorriram. -Olha, foi ótimo conhecer vocês, mas tenho que me apressar, pois se não me atrasarei para o trabalho. Novamente, tenham um bom dia!-Falei e virei-me de costas em seguida.

–Igualmente. -Responderam ao mesmo tempo, perfeitamente cronometradas. Parecia que havia sido planejado. Ouvi um toque de celular, e a voz de Hannah atendendo-o.

Quando estava prestes a abrir a porta da frente, lembrei-me de perguntar uma coisa às garotas, provavelmente elas saberiam me responder.

–Er... Meninas!-Chamei; e, automaticamente, as duas loiras viraram para fitar-me, enquanto que Hannah parecia concentrada em sua ligação. -Vocês, por um acaso, sabem aonde eu encontro uma lavanderia aqui, em Forks?-Questionei esperançoso. Seria algo lastimável se não houvesse nenhuma pela região.

–Ah, mas é claro!-A loira de cabelos longos, Samantha, respondeu-me. –Tem uma ótima mais ao centro da cidade e... -Samantha foi interrompida por Hannah.

–Sam, tenho de ir! Hoje é dia de visita no hospital, e minha mãe quer que eu vá com ela ver minha tia. Ela disse que tenho que ir pra casa me arrumar imediatamente! Tinha me esquecido desse pequeno detalhe!-Falou fazendo uma careta.

–Tudo bem, Hannah! Eu aviso ao Dani que você teve uma “emergência familiar”!-Ela falou em um tom brincalhão, e Hannah abraçou-a, sorrindo abertamente. Por mais peculiar que fosse, havia algo estranhamente familiar em Hannah.

–Você é dez, Sam!-Falou apertando ainda mais a amiga. -Ah... Desculpe interromper, Jacob!-Dirigiu a fala, finalmente, a mim, percebendo minha enorme cara de tacho. Eu não entendia, afinal, nada do que se passava ali. -Tchau, Pen!-Acenou para a outra garota. -Até mais, Jacob... -Falou para mim enquanto corria em direção a um volvo prata, estacionado na garagem a céu aberto da casa. Limitei-me a acenar com a cabeça.

–Então, como estava dizendo... –Samantha reiniciou a conversa, atraindo minha atenção novamente. –Há uma lavanderia mais ao centro da cidade. O nome é Leen’s, fica na rua White e abre às dez horas! Por incrível que pareça, é bem mais vazia aos sábados!-Falou, dando de ombros.

–Perfeito!-Sibilei. -Obrigado, Samantha... -Agradeci educadamente, direcionando-me à minha casa.

–Não foi nada... -Respondeu com extrema simpatia. -E Jacob!-Chamou, fazendo-me virar para encará-la. -Sempre que precisar, estamos às ordens!-Lançou-me uma piscadela, e retribui com um sorriso amarelado, captando a ambiguidade em sua frase.

Direcionei-me para varanda da minha casa e adentrei a sala rapidamente, já preocupado com o horário.

Joguei sobre meu corpo a primeira roupa que encontrei no armário. O típico jaleco branco já estava no carro.

Menos uma coisa para me preocupar!–Pensei

Olhei o relógio novamente. Seis horas e cinquenta e cinco minutos! Arregalei os olhos a fim de expressar meu desespero e xinguei várias vezes mentalmente.Com a mesma certeza de que o céu é azul e as nuvens são brancas, eu chegaria,inevitavelmente,atrasado hoje.

Antes de sair, passei rapidamente na cozinha e mordisquei uma maçã.

–Lá se vai minha ideia de um café reforçado!Graças a um estúpido disjuntor!Resmunguei antes de sair.

Tranquei a casa e fui em direção ao meu carro, estacionado ao lado, no enorme quintal daquela casa arcaica. Joguei minhas coisas no banco do carona e comecei a tatear o lado do volante à procura das chaves.

–Droga, droga, droga!-Rosnei, dando uma leve batida no volante.

Desci, bufando do carro. Procurei a chave por todos os cantos da casa e não a encontrava de maneira alguma. Olhei o meu relógio de pulso e vi que marcava sete horas e dez minutos.

Maravilha!Já estou atrasado!

Era incrível como, agora, eu compreendia a extrema genialidade de Murphy ao pronunciar aquela sua antiga lei, que fazia mais do que sentido pra mim: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível!”

Depois de revirar toda a minha casa, acabei por encontrar as chaves do carro embaixo da cama. Questionei-me internamente sobre o porquê daquele objeto encontrar-se ali, mas rapidamente abandonei minhas divagações, concentrando-me no meu objetivo principal.

Precisava chegar ao hospital! De preferência vivo!

Repeti o mesmo processo. Fechei toda a casa e direcionei-me ao meu carro, e, quando estava prestes a dar a partida, uma chuva torrencial rompeu o céu, deixando a pequena Forks branca, graças às espessas gotas.

Bufei, revirando os olhos juntamente.

Hoje seria um longo dia.

[...]


Assistia a Richard gargalhar, logo após eu ter contado-lhe sobre a minha manhã tumultuada.

Nós estávamos, cada dia, mais próximos, talvez graças à rotina massacrante do hospital. Mesmo quando não estávamos de plantão, as consultas começavam de manhã e transcendiam à tarde, quase tomando um pouco de tempo da noite. Ver a mesma pessoa por todo esse tempo acaba criando laços de amizades aos poucos.

Era até engraçado. Em Richard, via o irmão que eu nunca tive.

–Continue rindo!-Incentivei-o em um tom de deboche. -Isso é porque não foi com você!

–Desculpa, cara, mas é que sua situação é, no mínimo, coisa de filme de comédia!-Falou e voltou a rir. Eu apenas rolei os olhos e soltei uma risada de lado. -Você tem uma noite tumultuada por pesadelos, perde a hora de acordar, toma um banho gelado graças ao disjuntor quebrado, perde as chaves do carro e ainda pega uma tempestade antes mesmo de sair com o carro... Tudo isso em um intervalo de quê? Menos de uma hora?!Esqueci alguma coisa?-Questionou irônico.

–Não. Acho que você citou tudo!-Respondi, fingindo pensar no assunto.

–Quer saber o nome disso?-Questionou. -Carma!-Respondeu antes que eu mesmo tivesse chances.

–Ah, mas é claro... -Desdenhei.

–Ué, vai ver você foi um homem muito ruim em outra vida e, nessa, vai ter que pagar por todos os seus pecados... –Brincou com os olhos semicerrados, fazendo-me rir.

–Olha, até que essa sua hipótese faz sentido em Richard... -Concordei falsamente, fazendo-o rir logo depois por notar a minha intenção.

–Mas e aí, cara? Tá de plantão hoje?-Indagou. -Quer dizer, é melhor tomar cuidado, essa sua onda de má sorte pode fazer mal aos pacientes, hein?

–Nem brinca com uma coisa dessas que eu vou acabar sentindo-me culpado se algo acontecer!-Falei sério.

–Foi mal!-Levantou as mãos em forma de defesa.

–E sim, eu estou de plantão. -Respondi a outra pergunta que havia feito, agora mais relaxado.

–Que pena. Hoje eu saio meio dia!-Falou com um sorriso esnobe, e eu ri. –Queria levar a minha gata pra almoçar, mas ela vai passar o dia inteiro aqui no hospital!-Revirou os olhos.

–Por quê? Ela está doente?-Perguntei enquanto já podia sentir as rugas de curiosidade surgindo em minha testa.

–Não, é que hoje é dia de visitas aqui no hospital, e sabe como é, não é? Minha esposa está com a irmã internada há tempo demais nessa joça! A família toda está desolada, sentido saudades noite e dia dela, e, sempre quando têm essas oportunidades de visita, eles vêm pra cá e ficam praticamente acampados aqui para aproveitar o máximo tempo possível com ela... -Ele falou com o semblante um tanto triste e preocupado. -A situação é complicada...

–Nossa! Que coisa difícil!-Lamentei, e ele assentiu com a cabeça. -Desculpa perguntar, mas qual o nome da irmã dela?

–Ah, você deve conhecê-la!Todos a conhecem!-Ele falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. -O nome dela é Renesmee Cullen, sabe?A do famoso caso da “Bela adormecida”?-Ele perguntou.

No momento em que ele proferiu o nome de Renesmee, minha boca escancarou-se em forma de um “O”. Eu ouvi um clique logo depois dele falar Renesmee Cullen. Neste momento tudo começou a fazer sentido para mim.

Hoje de manhã quando conheci Hannah: ela frisou o sobrenome Cullen.

Cullen! Assim como o de Renesmee! Elas eram parentas!

–Espere um instante!-Comecei a cair na real, e apenas uma pergunta formou-se em minha mente. -O nome da sua esposa é Hannah?-Questionei com os olhos esbugalhados; afinal, Hannah aparentava ter por volta de seus 16 para 17 anos. É raro encontrar meninas dessa idade casadas hoje em dia.

–O QUÊ?-Ele exclamou surpreso. -Não!Não, Jacob! Hannah é minha enteada, filha da minha esposa, Rayna!-Esclareceu agora mais calmo e sorridente como sempre.

–Ah, sim!-Concordei. -Nossa, você tem uma enteada?Nós temos quase a mesma idade, e eu nem namorada tenho...

–Para você ver como umas pessoas evoluem mais do que as outras!-Brincou, e eu ri. -É brincadeira! Rayna engravidou quando tinha 14 anos. Foi uma experiência difícil para ela, já que o pai da Hannah abandonou-a, e ela era apenas uma adolescente!-Contou, e eu surpreendi-me com a história. -Quando ela tinha dezoito anos, nós nos conhecemos. Foi amor à primeira vista, sabe?-Falou com um olhar sonhador, e eu sorri. Por mais que não acreditasse muito nessas coisas, uma vez que nunca as vivenciei, achava incrível como esse sentimento mexia com as pessoas. –Logo depois, conheci Hannah e vou te confessar: me apaixonei por ela também!-Falou sorrindo. -Desde então a trato como minha própria filha! Ela é uma garota maravilhosa.

–Ela parece ser uma boa menina... -comentei.

–Ah, era isso que queria te perguntar!Como conhece Hannah?-Questionou com aquela típica curiosidade paterna. Tive de rir com aquilo. Ainda não conhecia esse lado de Richard.

–Na verdade, foi hoje de manhã quando meu disjuntor desarmou!-falei. -Ela estava no quintal da minha vizinha. Devia ter ido a uma festa do pijama ou algo do tipo.

–Ah, claro! Estava na casa da Samantha!-Ele falou, e eu concordei. -É a melhor amiga da Hannah. Às vezes, a envolve em alguns problemas, mas também não é uma menina ruim. Apenas um pouco atirada demais para a idade... -Comentou revirando os olhos, e eu concordei.

–Richard, por que não me contou antes que era cunhado de Renesmee?-Questionei mudando o assunto.

–Bom, por que nunca veio ao caso. Mas por que o interesse?-Questionou franzindo o cenho.

–Por que estou à frente do caso dela!Pensei que soubesse...

–Nossa! Que notícia maravilhosa!-Falou sorrindo abertamente. –Quem sabe um médico competente como você consiga descobrir o mal que a assombra.

–Estou confiante que sim!-Falei sorrindo também. -Não costumo deixar meus pacientes na mão.

–Rayna vai adorar saber disso!Ela não via a hora daquele espírito de porco do Tedy largar o caso de sua irmã. -Fez algumas caretas. -O cara foi o quinto médico que passou pelo caso e era um completo zero à esquerda! Parecia ter comprado o diploma de medicina!Não fez absolutamente nada por Renesmee! O caso não evoluiu uma vírgula!-Falou aparentemente irritado. -Mas algo me diz que, com você, as coisas podem mudar!

–Tomara... -Falei apreensivo. -Bom, por falar em Renesmee, tenho de buscar o resultado dos seus últimos exames!-Falei, e toda aquela tensão de mais cedo pareceu apoderar-se de mim novamente.

–Doutor Jacob!-Evy apareceu no saguão do nada. -Coloquei o resultado dos exames de Renesmee na prancheta do quarto dela. -Falou como se advinhasse sobre o que falávamos há poucos minutos.

–Obrigado, Evy!-Respondi surpreso. Que eu saiba, a função de Evy é apenas na recepção.

–Eu tinha um tempo livre e sabia o quanto você queria o resultado desses exames, então fiz questão de levá-los para você!-Sorriu abertamente.

–De novo, muito obrigado, Evy!-Repeti. Ainda mais surpreso com sua atitude simpática.

–Não foi nada!Sempre quando precisar sabe onde me encontrar!-Saiu, não sem antes lançar-me uma piscadela.

–UAU!-Richard falou em um tom que eu não consegui distinguir.

–O que foi?-Questionei.

–Nunca vi Evy tão simpática... -Comentou balançando a cabeça. Girei os olhos e sorri, percebendo sua intenção.

–Para de palhaçada... -Reclamei, dando um soco de leve em seu ombro.

–O quê?A garota dá em cima de você descaradamente, você banca o inocente desentendido, e eu que sou o palhaço aqui, não é?-Ironizou, e eu ri.

–Vou deixar o palhaço sozinho!-Falei, levantando-me. -Agora tenho que ver os exames de Renesmee!-Comentei, sentindo a apreensão voltar.

–Ok!-O tom sério, raramente visto, apoderou-se de Richard igualmente. -Depois, conte-me os resultados.

–Tudo bem... -Concordei, direcionando-me ao elevador.

O corredor que levava ao quarto de Renesmee nunca pareceu tão longo.

Pude avistar as mesmas pessoas que vi da primeira vez, as mesmas que via todos os dias. Porém, agora, de uma forma lenta e angustiante.

Via a senhora a definhar vagarosamente. Podia ver o abaixamento e levantamento de seu tórax conforme ela respirava. Seus lábios, antes arroxeados, agora adquiriram uma tonalidade lilás, o que significava que seu estado estava tão mal quanto antes. A cena era de partir o coração.

Olhei o quarto da frente e vi o pequeno garoto dormindo. Suas feições não expressavam inquietação alguma. Estava sereno e absorto em seus mais puros sonhos, com a inocência da criança que era. Um sorriso inesperado brotou em meus lábios. Sempre fora apaixonado pelo universo infantil, mas o que me deixava encantado era que, para crianças, não importava a circunstância, tudo estaria sempre bem... Sempre bem. E era essa a pureza que deveria ser preservada dentro de cada homem. No entanto, eram raras as vezes que isso acontecia.

Caminhei mais um pouco e avistei o quarto de Renesmee. Estranhei o fato das cortinas estarem fechadas, porém não questionei tal coisa. Estava tão ansioso pelo resultado de seus exames que entrei rapidamente em seu quarto, ignorando aquela mera formalidade.

Toda a minha angústia e ansiedade evaporaram quando vi seu corpo repousado sobre aquela maca.

Como se fosse à primeira vez, a imagem daquele anjo invadiu meu campo de visão, deixando-me maravilhado com aquela beleza excepcional!

Era impressão minha ou ela estava ainda mais bonita?

Seus cachos acobreados esparramavam-se sobre o travesseiro, contrastando perfeitamente com aquela pele clara e uniforme. Seus lábios estavam ainda mais avermelhados se comparados à última vez que a vi; tornando-se, assim, extremamente convidativos.

Era incrível a simetria de seu rosto. Seu nariz afinado, sua boca vermelha e carnuda, suas sobrancelhas delineadas, a grossa camada de cílios em seus olhos... Componentes perfeitos para compor aquela bela obra de arte que eu estava a admirar. Tudo nela tornava-a extremamente sexy, mas de um jeito natural e ingênuo.

De repente, a estranha necessidade de aproximar-me mais dela apoderou-se de mim. Com cuidado, sentei-me à beira da cama, ao lado de seus braços imóveis. Seu corpo sobre a maca, desprotegido e vulnerável, trouxe-me uma sensação de que era a minha obrigação mantê-la segura.

Era normal ter essa ideia de que eu era responsável por manter meus pacientes em segurança; já que eu era, em grande parte, responsável por suas vidas.

Mas com ela era diferente. Tinha algo a mais que eu, simplesmente, não conseguia compreender.

Sentia como se ela chamasse por mim; como se enviasse, involuntariamente, um pedido de socorro. Porém, o que me deixava abismado comigo mesmo era que eu sentia que não conseguiria ficar longe dela. Como se vê-la, estar perto dela, fosse a melhor parte do meu dia. Mas o pior era que eu sentia como se a minha vida dependesse da sua.


E eu não gostava nem um pouco daquela sensação.

Dependência.

Eu não precisava depender de ninguém. Eu não queria. Porém não conseguia afastar esse sentimento novo que Renesmee implantara em meu ser.

Deus, como isso é possível? Como uma pessoa, ainda por cima sem dizer palavra alguma, pode despertar tais sentimentos em mim?

Encarei seu rosto de porcelana mais uma vez. Sereno como de costume. Lembrei-me de meu principal objetivo ali: o resultado dos exames!

Estar tão perto de Renesmee fez-me esquecer de tais testes. Essa era outra coisa que ela despertava em mim: o contínuo e contante transe hipnótico em que eu me encontrava quando a seu redor.

Sem levantar da maca, peguei a prancheta, que estava na cabeceira do lado.

Minhas mãos trêmulas seguravam de mau jeito o envelope com os resultados. Era a hora da verdade. Rasguei sem pudor algum o envelope. A angústia tomava conta de meu ser. Lia cada palavra escrita naqueles papéis com o máximo de atenção possível, não permitiria nenhum detalhe passar em branco.

Quando cheguei ao final, não senti nada além de decepção. Mais uma vez, os resultados comprovavam o mal que afringia a bela Renesmee: nada! Absolutamente nada!

Em um instinto involuntário, lancei a papelada ao chão, frustrado.

–Mas que droga!-murmurei. -Vamos, Renesmee!Por favor, não faz assim!Ajude-nos a descobrir o que se passa com você!-Sussurrei angustiado, segurando-lhe os ombros e de olhos fechados.

Tolo!-Pensei.–Como se ela escutasse o que você diz!-bufei.

Estava irritado e, ao mesmo tempo, derrotado. Minha esperança esvaía-se de mim como o suor em um dia ensolarado. Isso era algo que nunca havia acontecido no pouco tempo de minha carreira prestigiada e promissora.

Estava desorientado. Tudo que havia planejado, pensado e arquitetado em minha mente estava errado. Era como se tivessem arrancado o meu norte. Agora, teria que começar do zero, do ponto inicial.

A sensação de angústia dobrava de tamanho a cada segundo dentro de mim. E se eu recomeçasse os exames? Mas e se, mais uma vez, não acusassem nada?

Eram tantas perguntas que se formavam em minha mente, e saber que eu não encontrava respostas para elas era terrífico.

Estava prestes a jogar as mãos para o alto e, simplesmente, desistir de tudo. Porém, ao abrir meus olhos e deparar-me com aquele rosto perfeito, fez-me retroceder na minha decisão.

Agora, um pouco mais calmo, pude notar os milímetros que separavam nossos rostos. Meu coração começou a bater instantaneamente mais rápido. Meu hálito afagava-lhe a face. Deus, como aquela boca clamava pela minha!Sentia como se um imã gigante estivesse puxando-me para o encontro dela.

Um lado de mim, talvez o sensato, repreendia-me, mostrando o quanto aquilo era errado. No entanto, havia outro lado: um lado mais forte e que dominava boa parte de mim. Este lado foi o que me impulsionou a colar meus lábios nos dela de uma maneira rápida e involuntária. Mesmo que eu quisesse, não conseguiria frear este instinto.

Quando meus lábios tocaram os seus; de rompante, senti o que parecia ser uma corrente elétrica passando pelas minhas veias, tomando o lugar que deveria ser do meu sangue. Meu corpo inteiro entrou em colapso, com apenas aquele toque suave em seus lábios doces, macios e imóveis. Era indescritível a sensação que sua boca proporcionava a mim ainda que estivesse imóvel. O mundo poderia acabar ali, naquele momento, que eu seria a pessoa mais feliz do mundo.

O “beijo” não durou muito, pois, como se tivesse caído em mim, afastei-me dela, repreendendo a mim mesmo por um ato tão impensado e infantil.

E se alguém tivesse visto isso?O que seria de mim?

Soltei um longo e alto suspiro com esse pensamento.

Agora meu conflito interno estava em seu ápice. Eu só poderia ser mais um louco vagando por este mundo. Quem em sã consciência beijaria uma estranha que, ainda por cima, estava em coma? Eu, somente eu, Jacob Black, um neurologista pancada da cabeça!

Abaixei meu olhar, que agora pairava sobre uma das pequenas e delicadas mãos de Renesmee. Mais uma vez, aquele instinto, que até então estava adormecido em mim, dominou-me novamente, fazendo com que eu trouxesse sua mão de encontro as minhas. Sua mão era quente, macia e aconchegante. Parecia ter sido feita a meu molde ou para encaixar-se perfeitamente nas minhas.

Naquele momento, senti como se outra pessoa estivesse no meu corpo,coordenando todas minhas ações.

–Queria tanto que você estivesse acordada... –Sussurrei involuntariamente, acariciando-lhe a mão. A maneira como meus atos eram impensados ao lado dela era de apavorar. Eu não tinha mais controle sobre mim mesmo. Agora as coisas que fazia ou até mesmo falava estavam proporcionalmente ligadas à Renesmee.Era como se estivesse conectado a ela de alguma forma.

–Eu estou bem acordada!-Uma voz doce e fraca ecoou pela sala, fazendo-me abandonar meus devaneios e gelar instantaneamente. Aquilo não era possível.

Com medo do que poderia ver, ergui meus olhos para que ficassem à altura de sua face. Temia encarar seu rosto e ter a certeza de que eu realmente havia ficado louco.

Se antes eu tinha gelado, agora eu estava em transe. Aquilo não era possível.

Meus olhos estavam conectados aos seus. Conectados a seus olhos abertos. Olhos castanhos chocolates tão profundos e ao mesmo tempo doces. Olhos intensos, firmes e, ao mesmo tempo, suaves.Eles eram tão contraditórios.

Olhos esses que eu reconheceria em qualquer lugar do mundo, não importaria quanto tempo se passasse.

Naquele instante, uma onda de sentimentos invadiu meu ser; e, juntamente com eles, veio apenas uma certeza berrante em minha mente: era ela.

Renesmee era a mulher do meu sonho.



Notas finais
E aí? Gostaram? A Gabi merece reviews?
Poxa, a menina passa horas no PC, escrevendo 6 mil palavras (o que não é rápido!), e vocês nem para deixar uma palavrinha ali embaixo?
Vamos bombar essa porra!!! /hehe, beta se empolgando.
Beijão ;*