Notas iniciais
Oi meninas! Em primeiro lugar,peço mil perdões pela demora :x Ocorreu uns probleminhas e foi muito sacrifício pra conseguir termiinar o capítulo!
Mas cá estou eu com + um fresquinho pra vocês,espero que gostem ;)
P.S:AH! Pra quem curte Jogos Vorazes,dá uma passada na minha nova one:Just Close Your Eyes! Tá super fooofa *-* ,rs
http://fanfiction.com.br/historia/272796/Just_Close_Your_Eyes/

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Capítulo 4 — Bem Acordada

Bip... Bip... Bip... Bip... Bip...

Ouvia o som repercutir dezenas de vezes, sem cessar. Em alguns momentos, ele ecoava mais longo do que as outras.

Sentia um peso, sobre minhas pálpebras, surreal. Fazia um esforço enorme; mesmo assim, não conseguia erguê-las de maneira alguma. Aquilo estava me angustiando.

Um novo som integrou-se ao ambiente: era uma respiração pesada. E, não sei como, pude sentir que a última também estava carregada de preocupação. Ao mesmo tempo, uma mão macia e quente aconchegou alguns de meus dedos. Como se tivesse acabado de levar um choque, minha pele parecia sofrer vários espasmos com aquele simples contato.

Aquela sensação era... Maravilhosa! Sentia-me indescritivelmente acolhida naquele pequeno afago que recebia.

Na tentativa um tanto estressante de abrir os olhos, pude perceber que tive mais sorte desta vez. Minhas pálpebras pareciam mais leves; e, aos poucos, fui as erguendo lentamente enquanto uma claridade desconfortante instaurava-se por todos os cantos.

Com minha vista um pouco mais acostumada, comecei a notar detalhes no ambiente em que me encontrava: era de um completo branco com meros detalhes em um azul celeste. Ao lado, observei vários aparelhos como aqueles que faziam parte da decoração de um hospital. Meus olhos correram até um de meus braços, pois senti um leve incômodo no local em que uma agulha estava penetrada em minha pele, presa a um fino tubinho. Corri os olhos por este tubo; percebi que levava a um saquinho de soro e, pela primeira vez, comecei a tomar ciência de onde me encontrava.

"Deus, o que aconteceu comigo?" Questionei-me internamente.

Ainda estava meio zonza como se estivesse sob o efeito de álcool e, simplesmente, não me recordava de absolutamente nada. Sentia como se tivesse dormido durante anos após uma grave ressaca e, agora, estivesse acordando com uma dor de cabeça e com uma perda parcial de memória, coisa comum de acontecer com pessoas após um porre.

— Queria tanto que você estivesse acordada... — Uma voz rouca e máscula ecoou naquele cômodo, causando um rebuliço em todos os pelos de meu corpo. Só então, tive o vislumbre da pessoa que segurava minha mão.

O homem estava de cabeça baixa, encarando uma de minhas mãos que estava entre as suas, que eram grandes e aconchegantes. Seus cabelos negros e desgrenhados davam-lhe um ar mais despojado e naturalmente sensual. Mesmo não encarando seu rosto, algo naquele homem mexeu automaticamente comigo. Sua expressão corporal, o tom de sua voz, sua respiração pesada... Tudo me transmitia que algo estava lhe perturbando; e aquilo, de alguma maneira absurda; tendo em vista que eu nem, ao menos, o conhecia; deixava-me aflita. Por um momento, um tipo de instinto adormecido despertou dentro de mim; acarretando, involuntariamente, em uma fala que se soltou no ar:

— Eu estou bem acordada!— Minha voz saiu mais fraca do que o normal; porém, mais doce, bastante aveludada.

Não entendia ao certo por que senti a necessidade de respondê-lo automaticamente, mas algo dentro de mim estava desesperado para arrancar a angústia daquele homem. Queria, de alguma forma, reconfortá-lo expulsar aquilo que o afligia. Por algum motivo desconhecido, sentia como se fosse eu a causa de sua angústia.

Ao ouvir a minha voz; no mesmo instante, todo o seu corpo ficou rígido e tenso. Ele ergueu sua cabeça lentamente, aparentando amedrontar o que viria a seguir.

Quando nossos rostos estavam na mesma altura, seus olhos conectaram-se aos meus instantaneamente, como se algum tipo de imã estivesse os puxando. Ele parecia em transe; e meu estado, também, não estava muito diferente do seu.

Estava aturdida com a beleza incomum do homem que estava na minha frente. Sua pele morena, um tanto avermelhada, era de um tom diferente dos demais, o que dava um ar exótico a todo ele. Seus olhos... Ah, seus olhos! Por um momento, senti-me perdida naquele mar negro; tentando desvendar os segredos que ele, possivelmente, carregava escondidos ali. Seus olhos eram uma coisa! Tão intensos e profundos, transmitiam toda aquela seriedade e maturidade de homem e, ao mesmo tempo, possuíam um brilho singelo e ofuscante, demonstrando o menino que ainda residia em seu ser. Aquilo me encantou surpreendente e automaticamente, assimilando-se a uma espécie de magia que havia perdurado no tempo e se reacendido ali, no momento em que encarei seu olhar abrasador.

Corri meus olhos pelo resto de sua face. Sua boca agora formava uma linha rosada; e, em sua testa, havia uma ruga, expressando algum tipo de incompreensão com o que ocorria.

Ele parecia confuso e, ao mesmo tempo, encantado. Apavorado e, mesmo assim, contente. Temeroso, contudo ávido! Mas, acima de tudo, se obsevasse bem no fundo de seus olhos, o sentimento que exalava dali era algo parecido com devoção.

As divergências de sentimentos que suas expressões transmitiam, levaram várias questões à minha mente.

"O que diabos estava acontecendo comigo? Quem era esse estranho que despertava essas sensações em mim? O que ele queria comigo? O que ele fazia ali? Ou melhor, o que eufazia ali?" Após essa última pergunta ocorrer-me, o mundo real chamou por mim novamente, fazendo-me abandonar o que quer que fosse que estava acontecendo ali!

— Er... — Balbuciei com dificuldade. Não sabia que seria tão difícil pronunciar alguma palavra ao olhar diretamente para seus olhos hipnóticos. — Desculpe a indiscrição, mas quem é você? — Perguntei, franzindo a sobrancelha, confusa.

Ele abriu a boca levemente; porém, antes que alguma palavra escapasse, outra pergunta ecoou em minha mente, impedindo-me de refrear o impulso de fazê-la.

— O que eu estou fazendo aqui?... Ou melhor, onde eu estou?

— Renesmee, olhe, tente manter a calma, O.K.? É melhor você não sofrer nenhum tipo de estresse por hora; já que você acabou de sair, subitamente, de um longo coma e... — Ele sussurrou a última parte; no entanto, foi alto o suficiente para que eu pudesse ouvi-la e interrompê-lo.

— O quê? Eu estava em coma? O qu... Po... Por quê? Meu Deus! O que está acontecendo? — Questionava aflita com o que se passava. Não tinha respostas e não gostava nada daquela sensação. — Espere um instante... Como sabe meu nome? — Agora indaguei boquiaberta.


— Preste atenção. — Ele pediu enquanto segurava minhas mãos e olhava em meus olhos. Aquilo acalmou-me imediatamente. — Eu lhe explicarei tudo com calma, O.K.? — Indagou, e eu assenti. — Porém, você tem de me prometer que você manterá a calma. Promete?

— Prometo. — Falei balançando a cabeça positivamente.

— Tudo Bem. — Falou suspirando longamente; talvez, procurando a melhor maneira de iniciar aquele assunto. — Primeiramente, eu sou Jacob Black, seu médico, e esse é o motivo de eu saber o seu nome. Renesmee, você acabou de sair de um longo coma, e é extremamente normal sua memória e compreensão de espaço e tempo estarem um pouco destorcidas. Por isso, não se apavore se você estiver com dificuldade de lembrar o que aconteceu antes do coma, tudo bem? — Questionou como se pedisse permissão para continuar. Eu apenas meneei a cabeça positivamente. — Há um ano, um grupo de jovens caçadores a encontrou desmaiada em uma floresta.

— O quê? — Perguntei não acreditando no que ouvia. Senti meus olhos começarem a ficar marejados, já prevendo o pior.

"Eles me encontraram na floresta... Desmaiada... Meu Deus, o que pode ter acontecido?!" Questionava-me aflita, sentindo-me extremamente frágil e à mercê dos acontecimentos inesperados.

Ótimo momento para ficar sentimental, Nessie!

— Por favor, me deixe terminar de lhe contar; logo, se você tiver alguma dúvida, pergunte, O.K.? — Ele inquiriu calmamente, e eu assenti, passando a palma das mãos em meus olhos, livrando-me do volume extra de líquido naquela região.

— Pode continuar. — Permiti, e ele assentiu.

— Então, como eu ia dizendo...

Jacob passou uns 15 minutos desenvolvendo toda a história. Falou sobre como me encontraram, sobre o dia em que me trouxeram para cá, sobre a falta de ferimentos e até um trauma mais grave, sobre os inúmeros médicos que passaram pelo meu caso, sobre o fato de eu estar sendo conhecida na cidade como a "Bela Adormecida" e até sobre o nome do meu caso ter sido batizado de Bela Adormecida devido a isso...

Jacob também contou que, desde o momento em que eu cheguei até agora, estava dormindo, ou melhor dizendo, em coma. Exatamente, um ano. Um ano. Meu coração palpitou ao ouvir aquela data.

Por Deus, um ano é tempo demais!

Pela primeira vez, desde o pouco tempo que havia acordado, pensei em minha família e em como eles deveriam ter passado todo esse tempo. Nós éramos tão unidos...

Rayna e Riley. Os nomes dos meus irmãos ecoavam em minha mente. Eles deveriam estar preocupados, principalmente Ray.

"Ela deve estar surtando", pensei. "Ó, meu Deus! E minha mãe! Como ela estaria? E meu pai? Meus avós? Meus tios?"

Eram tantas perguntas que, a qualquer momento, meu cérebro poderia explodir com tantos questionamentos. Estava sendo doloroso, a mim mesma, admitir que, nesse longo ano, deveria ter dado muito trabalho à minha pobre família.

Odiava essa sensação. Sempre quis ser livre e independente. É claro, amava minha família mais do que tudo, éramos realmente muito unidos, porém, não gostava de dar trabalho a ninguém. Não gostava de ser responsabilidade de ninguém. Ser um fardo. Na realidade nunca gostei.

E pensar no que eles poderiam ter aberto mão por mim nesse ano não estava ajudando em nada a minha consciência, que começava a pesar. Tantas pessoas têm suas vidas mudadas em um ano. Algumas ingressam em universidades, arrumam empregos, começam relacionamentos, têm filhos... Casam-se...

Casam-se...

Casam-se...

O último pensamento ecoava em minha mente como uma marcha fúnebre, trazendo à tona, como uma enorme avalanche, as lembranças pesarosas que aquela palavra trazia-me.

As imagens invadiam minha mente em fleches rápidos e certeiros; lembrando-me, gradativamente, do que aconteceu antes do coma.


[...]

Alice ajeitava o véu em minha cabeça, tentando não desarrumar o difícil penteado que ela levara horas para preparar.

Eu sorri abertamente com a imagem que contemplava no grande espelho a minha frente. Vi minha imagem refletida e senti orgulho da mulher que havia me tornado.

Não era perfeita, mas sabia que tinha minhas qualidades, e estas sobrepunham à maioria dos meus defeitos. Sempre batalhei por tudo na vida; e, se tinha um emprego e um teto para descansar, foi graças à minha perseverança. E, hoje, era uma grande prova disto. Consegui, sem desistir, romper as barreiras e dificuldades que se encontravam no caminho e estava prestes a casar-me com o homem que amava.

— Está feliz? — Tia Aly questionou, abrindo um pequeno sorriso e olhando o nosso reflexo no espelho.

— Mais do que qualquer outra! — Sussurrei.

— Que bom... Todos estão felizes por você Nessie! — Um sorriso pequeno expressou-se em seus lábios. Eu sabia que ele era sincero, e eu amava a sinceridade das pessoas; contudo, Senti que algo estava errado, pois Alice nunca era tão... Simples assim. Minha tia sempre fora espalhafatosa. Sempre quando ela estava genuinamente feliz, o ambiente era tomado por gargalhadas, palminhas, gritinhos e até mesmo pulos de sua parte.

Todos da família já estavam acostumados com esse seu jeito Alice de ser. Até gostávamos disto; afinal, Alice, na maioria das ocasiões, trazia aquele espírito alegre que contagiava a todos. Era simplesmente uma sensação gostosa ficar ao lado dela. Ela era aquele tipo de pessoa agradável por natureza, que não media esforços para deixar todos ao redor felizes. Porém, hoje, era inevitável não notar que algo a perturbava. Mesmo assim, decidi não entrar no assunto, pois não queria que nada acabasse com o momento maravilhoso que estava vivendo.

— Você está linda. Uma verdadeira princesa! — Completou, fazendo-me sorrir em resposta e virar-me para fitá-la face à face.

— Você acha? — Indaguei curiosa.

— Absolutamente. Está ainda mais linda do que sua mãe quando se casou e olha que ela estava exuberante! — Falou sorrindo. — Não é para menos: fui eu quem a arrumei... — Lançou-me uma piscadela, e eu sorri em resposta.

— Por falar em minha mãe, onde está ela? — Questionei curiosa e olhei em volta daquela sala, percebendo que não havia mais nenhuma mulher da nossa família ali, com a exceção de tia Alice. — Ou melhor, onde estão todas elas? Em que momento elas saíram, e eu não percebi? — Inquiri, arqueando as sobrancelhas.

Minhas tias, minha avó, mãe, prima, cunhada... Todas as mulheres de minha família há poucos minutos estavam à minha volta, mimando-me e sussurrando como eu estava linda e maravilhosa naquele vestido de noiva. E, naquele momento, todas sumiram sem eu notar.

Eu não estava tão inerte, devido à emoção, assim; estava?

— Não se preocupe Ness. Sua mãe saiu, pois seu pai a chamava. Amy foi atrás de seu irmão, pois Riley precisava falar urgentemente com ela: era caso de vida ou morte! — tia Aly falou, fazendo uma careta, e eu entendi bem o porquê. Riley tinha tendências graves a ser dramático. — Rosalie e Esme foram conferir se o fotógrafo já havia chegado, e Rayna acabou de sair com Hannah porque Daniel chegou! E você sabe como Richard fica quando aquele garoto está perto de Hannah, não sabe? — Inquiriu, e eu sorri. Richard era superprotetor. Eu e Ray achávamo-lo idêntico ao papai na época em que eu arrumei meu primeiro namorado.

— Sei bem como ele é...

— A cópia perfeita do sogro. Chato feito Edward! — Revirou os olhos, e eu sorri.

— Ah, tia! Dê um desconto ao meu pai, vai! Duas filhas? Muitos enlouquecem apenas com uma, imagina duas! Além disso, some toda aquela fase de hormônios à flor da pele na adolescência e multiplique o fato da Ray ter engravidado nessa mesma fase... Bom, aí está a equação perfeita de como Edward virou um superprotetor comigo, não é? É muita coisa para um homem só, tia. — Expliquei, e ela riu. — Então, ele acabou descontando um pouco em mim...

— Um pouco? O.K., garotinha do papai! — Aly brincou, e eu sorri. Desde pequena, tinha esse instinto com meu pai. Sempre que alguém falava algo a seu respeito, eu intrometia-me na conversa. Não aceitava desaforos sobre ele. A meu ver, ele era o homem mais perfeito do mundo. — Bom, você está prontinha! — Falou dando os toques finais na minha maquiagem. — Agora quem está demorando mesmo é o seu noivo! Parece que inverteram os papéis!

— Ele ainda não chegou? — Questionei boquiaberta. — Mas nós marcamos de nos arrumar nas salas da Igreja! O que deve ter acontecido? — Perguntei mais para mim do que para Alice.

— Ele deve ter pegado um pouco de trânsito, nada demais... — Fez uma careta, balançando a cabeça negativamente.

— Trânsito? Em Forks? — Questionei com as sobrancelhas arqueadas, e ela ficou um tanto desconcertada. Aquela sensação de que algo a incomodava havia voltado a assombrar-me. -Ai meu Deus! Você acha que aconteceu alguma coisa? — Perguntei aflita, sentindo um pânico começar a bater dentro do peito.

— Não... Não... — Alice negou, mas, pela sua expressão, pude notar que ela mentia. Ela era péssima nisso assim como eu. — Ó, por Deus! Fique tranquila, Ness! Nada de ruim vai acontecer! — Acariciou meu rosto.

Percebi por seus atos que sua intenção era acalmar-me. Contudo, não pude deixar de notar mais uma vez que algo a incomodava, e toda aquela situação estava me deixando cada vez mais nervosa.

— Eu não sei não, tia! Está tudo indo tão bem na minha vida. Às vezes, quando as coisas vão bem demais, algo ruim acontece para acabar com a alegria alheia. Não sei o porquê: talvez algumas armadilhas do destino, mas... Sabe, eu estou sentindo algo estranho. Como se alguma coisa me avisasse que algo ruim está por vir, entende? — Questionei, franzindo o cenho enquanto ela olhava-me com complacência.

— Besteira, Nessie... — Balançou a cabeça negativamente como se afastasse algum pensamento. — Tudo está dando certo para você, porque tem de ser assim! Você, mais do que ninguém, merece toda a felicidade desse mundo. E convenhamos que você batalhou muito por isso, não é? — Indagou, e eu assenti. — Então? Isso é tudo coisa da sua cabecinha estressada, querida, vai dar tudo certo. Não há com o que se preocupar. -Terminou com um sorriso amarelo.

— Tia, tem algo que queira me contar? — Perguntei mais com o intuito de pressionar do que de perguntar.

— Renesmee, você acha que eu estou lhe escondendo algo? Que loucura, Ness! Eu nunca seria capaz de fazer isso! — Forçou uma falsa ofensa e virou o rosto. Eu irritei-me por alguns segundos e, logo, bufei.

— Não, Aly. Eu não acho, tenho certeza! — Falei, ficando frente a frente dela. – Tia, tanto você quanto tia Rose são como mães para mim, e eu as conheço como ninguém. Agora, eu posso, com toda certeza, lhe dizer que você está escondendo algo de mim. Então, por favor, vamos parar com as formalidades, pois você mesmo sabe que isso não existe entre nós duas, e vamos logo ao que interessa. O que está acontecendo, tia? — Indaguei; e ela soltou um longo suspiro, derrotada.

— Eu tive um daqueles pressentimentos hoje pela manhã... — Ela contou apreensiva, mordendo os lábios.

— ALICE! — Exclamei aturdida com a sua revelação.

Desde que nasci, meus pais sempre me contaram que algumas pessoas de minha família tinham um “dom especial”. E o de Alice era algo parecido com ver o futuro; porém, com algum tipo de pressentimento em vez de imagens concretas.

Para muitas pessoas, isso seria uma estupidez. Literalmente coisa que só um mentecapto, em seu pior estado, seria capaz de acreditar. No início, eu mesma achava que era bobagem e lembro-me de que, uma vez, na adolescência, cheguei a pensar que isso era algo que ela e meus pais tramavam para assustar-me e tentar, de alguma forma, intimidar minhas ações impensadas.

Todavia, após certo episódio desastroso, comecei a crer nesse dom de tia Alice. Todos meus amigos de faculdade haviam marcado uma viagem de férias, na qual iríamos para Califórnia. Como estava muito em cima, todos resolveram pegar carona no carro de uma amiga. Naquele dia, caía uma chuva torrencial, e, como de costume, Forks estava com uma nevoa branca, extremamente densa. Logo pela manhã, antes da viagem, tia Aly teve um de seus pressentimentos: ela sentiu que eu não deveria fazer aquela viagem, pois as coisas não ocorreriam bem. Como a boa adolescente rebelde que era, ignorei aquele seu aviso e decidi ir.

Mais amigos meus apareceram de última hora, e o carro estava lotado. Graças a isso, fui de carona na moto de Derek, um ex-namorado meu.

Tudo o que aconteceu naquele dia fez-me sentir naquele filme "Premonição". O carro de minha amiga envolveu-se em um acidente com um caminhão, o que acabou matando dois amigos meus. Eu e Derek derrapamos na pista extremamente molhada pela chuva, e a moto chocou-se contra uma árvore, acabando por prensar uma de minhas pernas contra ela. Os celulares de todos estavam ou destroçados, graças ao acidente, ou fora de área. Não conseguimos ajuda o dia inteiro, pois era feriado e as ruas de Forks pareciam inabitadas.

Depois de longas horas, um carro apareceu na estrada; conseguindo, por fim, ajudar-nos.

Quase perdi minha perna naquele dia. Tenho uma cicatriz enorme até hoje, devido a isso. Quando Aly viu-me no hospital, debulhou-se em lágrimas e reiterou centenas de vezes as seguintes frases: "Eu te avisei, Renesmee! Você é uma irresponsável! Poderia ter morrido, sabia?".

Nunca ouvi tantas reclamações em um dia só. Toda minha família entrou em colapso quando isso aconteceu comigo; e, depois desse dia, passei a crer fielmente nos pressentimentos de tia Aly. E, com o tempo, percebi que havia feito o certo: eles nunca falharam.

— Ai, me perdoa, Nessie! — Ela pediu aflita, fazendo-me abandonar meus devaneios.

—Tia, você devia ter me contado! — Falei. — E agora? Será que aconteceu alguma coisa com Filipe? —Indaguei aturdida com a possibilidade de algo ruim ter acontecido com Filipe.

— Eu sei, devia ter te contado antes, mas pensei que não era um pressentimento, sabe? Talvez fossem coisas da minha cabeça, já que os bebês mexem com a nossa mente... — Brincou, acariciando o seu barrigão de sete meses. Não pude deixar de sorrir com aquilo, porém ainda estava tensa. — E, Ness, se acalme, tudo bem? Filipe deve estar a caminho. Talvez tenha se atrasado por alguma bobagem.

— Vou tentar me acalmar, tia.

— Bom, vou dar uma olhada lá fora para conferir se está tudo nos conformes! — Brincou mais uma vez, tirando um sorriso verdadeiro de meu rosto. — Você vai ficar bem? — Indagou, e eu apenas meneei a cabeça positivamente.

— Então, está bem. Logo, estarei de volta. — Comunicou, saindo da sala.

Sentei-me no banquinho, em frente ao espelho e suspirei, olhando minha imagem.

Cinco minutos haviam se passado; e, nenhum sinal de Alice. Aquilo já estava me dando nos nervos.

"Por que será que ninguém vem me dar notícias de Filipe? Ou melhor, onde será que Filipe se meteu?".

Já estava prestes a abrir a porta e buscar informações quando, de repente, vi o visor de meu celular acender em cima de uma mesinha.

Cheguei mais perto e, quando vi, no identificador, quem era, meu coração gelou.

Filipe.

— Alô? — Balbuciei, sentindo meu café da manhã rastejar, nervosamente, por meu estômago.

— Nessie? — Ele falou, ofegante, do outro lado da linha. Sua voz continha um misto de desespero e, ao mesmo tempo, alívio.

— Filipe! — Gritei. — Onde você está? Esqueceu-se do nosso casamento? -Questionava furiosa.

— Não, Ness, não me esqueci. Já estou a caminho. — Informou. Senti o ar finalmente sair de meus pulmões com aquela declaração. — Houve um pequeno imprevisto, e eu me atrasei um pouco. Perdoe-me.

— Tudo bem, Filipe. Agora, por favor, chegue logo. Não quero que meus convidados pensem que fui abandonada no altar. — Brinquei, e ele riu.

— Pode deixar! Estarei aí em segundos, você verá! — Tranquilizou-me. — Nessie? — Chamou, e pude perceber que sua voz tinha assumido um tom mais sério agora.

— Oi?

— Me faça um favor? — Pediu.

— Pode falar, Filipe. — Respondi, sentindo a aflição crescer dentro de mim.

— Peça para Alice não ligar, de jeito nenhum, aquele telão! — Falou um tanto nervoso.

— Ora, mas por que não? — Perguntei, sentindo uma ruga de confusão surgir em minha testa.

O telão, logo acima do altar, transmitiria fotos nossas no decorrer do casamento, e não via motivo algum para ele ser desligado.

— Apenas... Faça o que eu lhe pedi, está bem? — Questionou. Podia sentir Filipe tenso do outro lado da linha: estava, pois, acontecendo alguma coisa.

— Filipe, o que está acontecendo?

— Renesmee, por favor, faça agora o que eu lhe pedi! — Ordenou um pouco alterado. — Depois eu lhe dou as devidas explicações, mas, por hora, apenas peça para Alice desligar o telão, O.K.?

— O.K.... — Concordei um tanto contrariada. Odiava o fato das pessoas esconderem-me a verdade.

— Desculpe por ser rude com você. É que... Aconteceram uns problemas, me atrasei para o nosso casamento e... Bom, essas coisas estão tirando minha paciência!

— Tudo bem, Filipe. No momento, apenas preocupe-se em não perder seu casamento, tudo bem? — Perguntei divertida na tentativa de amenizar o clima que se instaurou entre nós.

"Imagine, uma briga antes do casamento?".

— O.K.. Veremo-nos daqui a pouco. — Desligou sem, ao menos, dar-me a chance de despedir-me. Algo estava absurdamente errado.

Decidi, por fim, fazer o que ele pediu-me para evitar conflitos futuros.

Estava até imaginando a cara de Alice quando eu pedisse para desligar o telão: ela ficaria uma fera. A coitada passara uns dois meses só preparando montagens para este telão, e o pior era que Filipe sabia disso; então, por que ele queria tanto mantê-lo desligado? Aquilo tudo não fazia sentido algum para mim, e ficar questionando sobre isso também não ajudava em nada.

Abri a porta do pequeno quarto e fui em direção ao corredor que dava direto ao altar. Coloquei apenas minha cabeça para fora, tentando espiar a multidão de pessoas que estavam naquele recinto.

Minhas vistas treinadas varriam todo o local à procura de Alice. Ela não era uma baixinha difícil de encontrar, dada as circunstancias de que era sempre tão espevitada!

Gradativamente, percebi que algo estava errado. Todos os rostos que habitavam no local estavam contorcidos em caretas de espanto e horror, olhando um local fixo, acima do altar: o telão.

Segui o olhar das pessoas e arfei quando me deparei com a cena mais repugnante de toda a minha vida: dois corpos movendo-se suntuosamente sobre uma cama; suados, com todos os músculos flexionados e escandalosamente tomados por prazer. Ouvia-se nitidamente os gemidos da mulher esbelta, uma loira com curvas sinuosas. Aos poucos, fui reconhecendo a mulher: era Loren, minha melhor amiga Loren, protagonizando uma cena digna de filmes eróticos.

Agora ela clamava pelo nome de seu parceiro, um nome que fez todos os pelos da minha nuca arrepiarem-se: Filipe.

Senti as lágrimas queimarem minha face conforme elas desciam em formas de cascatas grossas, ensopando meu rosto com aquele mar salgado e recheado de dor.

Como ele pôde fazer tal coisa comigo? Trair-me? Trair-me com minha melhor amiga? Expôr o videozinho dos dois no nosso próprio casamento? Como ele pôde?

Agora tudo fazia sentido em minha mente: a urgência de Filipe para desligar o telão. Ele sabia do vídeo. Cretino! Mas por que a vontade de desligá-lo?Talvez tenha se arrependido. Pena que agora fosse tarde demais.

Meus olhos varriam o local novamente, agora à procura de um novo rosto: o dela, o da traidora. Foi fácil encontrá-la. Loren estava na primeira fileira, assistindo ao seu showzinho de camarote com um sorriso repulsivo nos lábios.

Não medi meus atos e simplesmente corri ao seu encontro. Minhas mãos voaram em sua face enquanto gritava todos os insultos mais promíscuos que eu conhecia.

Senti um par de mãos grandes envolverem minha cintura enquanto tirava-mw de cima daquela vadia. Comecei a debater-me e gritar, enquanto a pessoa que não havia reconhecido ainda, devido a toda minha fúria, tentava imobilizar-me.

— ME SOLTA! — Esbravejei. — EU VOU MATAR ESSA DESGRAÇADA!

— Acalme-se, Ness, agir de cabeça quente não adianta nada. — Ouvi a voz conhecida do meu “imobilizador”. Era tio Emmett. Agora, ciente de quem me segurava, senti-me a mais frágil das criaturas em seus braços e simplesmente desabei, deixando toda minha dor esvair-se de mim.

Sentia-me um lixo. Uma idiota. Um nada.

As duas pessoas em que eu mais confiava traíram-me daquela maneira. Aquilo não podia ser real.

Mais calma, olhei para Loren, que agora tinha meia dúzia de pessoas por perto, tentando arrumar os ferimentos que causei em seu rosto.

Não conseguia mais olhá-la como antes. Simplesmente, não enxergava minha melhor amiga naquele pedaço de carne. Agora ela era a mais repulsiva das criaturas no meu mundo: era um monstro que destroçou meu coração.

A Igreja eram puros murmúrios e olhares compadecidos. Nunca me senti tão envergonhada em toda minha vida. Queria sair dali. Precisava sair dali.

— Emmett, ponha-me no chão. — ordenei. — Prometo que não irei matá-la! — Sussurrei.

Ao desvencilhar-me dos braços de Emmett, corri em direção à porta da igreja.

Precisava pensar. Esfriar a cabeça. Chorar um pouco. Sentir-me acolhida, segura e, ao mesmo tempo, sozinha. E sabia que só um lugar poderia me dar isso: o meu refúgio particular, minha segunda casa, a floresta.

[...]


As lembranças daquele dia infeliz acertaram-me em cheio, trazendo-me as mesmas sensações indesejadas. Meu último dia antes de apagar havia sido um desastre.

Sem que eu percebesse, algumas lágrimas escorreram pela minha face, graças àquela triste lembrança. Tentei limpá-las antes que Jacob percebesse; porém, minha ação ocorreu tarde demais.

— Renesmee, está tudo bem? — Indagou visivelmente preocupado.

— Está. — Funguei logo em seguida. — Está sim. É só que essa situação me deixa um pouco emotiva. Nada demais.

— Compreendo. — falou, balançando a cabeça positivamente.

— Jacob, quanto tempo mais eu terei de ficar aqui? Queria muito ir para casa.

— Bom, provavelmente mais uns dois dias. — respondeu-me. — Temos de fazer uns exames de rotina antes de mandá-la de volta para casa. Não é nada muito espetacular. É só para ter certeza de que tudo está bem com você.

— Uhum... — Concordei, balançando minha cabeça positivamente.

Por mais que as dolorosas imagens do dia do meu casamento estivessem ainda acesas em minha mente, preferi ignorá-las alguns instantes, focando em algo que, no momento, era mais importante: eu.

— Jacob? — Chamei-o novamente.

— Pode falar.

— Eu estava aqui pensando... Estive tanto tempo em coma, e, como você me contou, vários médicos passaram pelo meu caso e não resolveram nada. Então, justo você, que acabou de chegar à cidade e ao hospital, conseguiu me acordar. — Conclui, sorrindo. — O que você fez para conseguir tal façanha? —Indaguei. No momento, pude perceber que minha pergunta causou-lhe um incômodo assustador. — Está tudo bem?

— Er... Está, está sim, não se preocupe! — Falou, sorrindo amarelo. Acabei de conhecê-lo, mas não precisaria muito tempo para notar que ele estava mentindo. Havia algo que o aturdia.

— Tem certeza? — Insisti.

— Tenho, tenho sim. — Ele falou de uma maneira engraçada, como se quisesse convencer a si mesmo de que aquilo era verdade.

— O.K.... — Respondi, rindo um pouco.

— Do que está rindo? — Perguntou confuso.

— Você é engraçado quando mente. — Falei, e ele lançou-me um sorriso de lado, sem graça.

Fiquei alguns minutos observando-o. Como na primeira vez em que olhei o seu rosto, pensei na única palavra que veio a minha mente para descrevê-lo: lindo de uma forma exótica e diferente. Tinha um jeito que me deixava instigada a descobrir mais sobre aquele homem.

E, quando seus olhos elevaram-se e encontraram-se com os meus, senti aquela corrente elétrica passar por todo meu corpo, e aquela estranha sensação de deja vú tomou posse de mim novamente. Será que eu já havia o visto em outro lugar?

Jacob sorriu de lado mais uma vez. Ele notara que eu observava-o. Corei por isso. Descrição não era uma palavra que se encontrava facilmente em meu dicionário.

— Bom, você ainda não respondeu minha pergunta, doutor. — Falei, sorrindo. — Como o senhor me acordou?

— Bom, foi... Er... Eu... — Jacob tentava formular uma frase completa até que a porta atrás dele abriu-se, revelando uma Rayna, totalmente eufórica e abismada, olhando para mim.

— Ó, MEU DEUS! RENESMEE? — Gritou, correndo até a maca. — VOCÊ ESTÁ ACORDADA! ESTÁ MESMO! EU NÃO ACREDITO! — Abraçou-me fortemente enquanto grossas lágrimas corriam-lhe o rosto.

— Nessie! — Ouvi a voz de minha sobrinha ecoar na sala. Assim como Ray, ela estava surpresa, mas não tão eufórica como a mãe. Agradeci a Deus por Hannah ter nascido com o dom de controlar seus sentimentos. — Riley! — Ouvi-a chamar por meu irmão, saindo do quarto. Meu coração deu um salto no peito perante a expectativa de revê-lo.

— Ai, Nessie, você não sabe como ficamos preocupados com você! Pensamos que íamos te perder.— Ray falou entre soluços, acarretando que minhas lágrimas escapassem juntamente com as suas. — Mas agora você está aqui. Acordada. Comigo! — Ela falou, abraçando-me mais uma vez e virando-se para Jacob, que se mantinha em pé ao lado da maca como uma estátua. — Muito obrigada... — Sussurrou, mandando um olhar de agradecimento a ele, que apenas concordou com a cabeça positivamente.

— Onde ela está? — Ouvi a voz de Riley ecoar pelo corredor até que minha visão foi tomada por sua imagem na porta. Ele permanecia o mesmo: belo e esbelto. Porém, sempre que eu o via, não conseguia tirar a imagem daquele bebê gordinho que ele fora um dia. Meu irmãozinho. O caçula que eu protegeria com a minha própria vida se fosse necessário.

— Riley! — Gritei assim que o vi. Ele correu ao meu encontro, abraçando-me tão apertado quanto Rayna.

— Senti tantas saudades... — Ele sussurrou. — Foi tão difícil sem você... — Completou, ainda sussurrando, tomando o devido cuidado para que Ray não o escutasse.

Eu, Ray e Riley sempre fomos muito unidos. Porém, com a gravidez de Ray e a chegada da adolescência de Riley, eles afastaram-se um pouco, talvez devido à diferença de idade. Ainda se davam bem, mas a relação de Rayna e Riley nem se comparava à minha com ele.

— Eu sei, eu sei, mas agora eu estou aqui, O.K.?

— Tudo bem... — Concordou, sorrindo e abraçando-me mais uma vez.

Ficamos assim por algum tempo. Eu, meus irmãos, minha sobrinha e a Amy, namorada de Riley, só matando a saudade.

Ray ligava para todos da família para dar a feliz notícia à medida que Jacob continuava no quarto, agora, agendando alguns exames para mim.

Ray e Riley foram buscar os outros no estacionamento, enquanto Amy que estava sentada na cadeira ao lado da maca e Hannah contava-me algo animadamente. Não entendia muito bem o assunto. Acho que ela falava alguma coisa sobre um garoto. Daniel era o seu nome se não me engano. Não estava dando muito atenção, pois mantinha meus olhos cravados em Jacob.

Eu conhecia-o. Sim, com toda a certeza, conhecia-o. Mas de onde, afinal? Não conseguia lembrar-me de forma alguma. Provavelmente, era só coisa da minha cabeça, já que ele nem de Forks era.

Mas, então, por que seu rosto não me era estranho?

Várias perguntas rondavam pela minha mente, deixando-me tonta e inerte ao ambiente que me rondava.

Perguntas, perguntas, perguntas... O grande problema das perguntas era que cada uma delas exigia uma resposta. Resposta... Um fleche atingiu minha memória, e uma frase cintilava, como uma estrela tremeluzente, em minha mente: "a primeira pessoa que você avistar, quando acordar, será a resposta para todas as suas perguntas...”.

As imagens do que ocorrera na floresta acertaram-me fortemente.

A correria., o meu medo, a senhora, o líquido rosado e brilhante, a injeção, meu coma.

Este foi o motivo, o motivo do meu coma: o líquido que aquela mulher injetou em mim. Aquilo causou tudo isso na minha vida.

Todavia, quem acreditaria em mim? Eu podia ser uma mulher mentalmente perturbada após um período de coma profundo, o que era relativamente normal.

De qualquer forma, toda aquela história soaria como um convite para o manicômio para mim. Já estava prestes a abandonar a ideia de contar o ocorrido para alguém, até que aquela frase brilhou novamente em minha mente.

“A primeira pessoa que você avistar, quando acordar, será a resposta para todas as suas perguntas...”.

Era ele a primeira pessoa que eu vi. Jacob tinha as respostas que eu tanto procurava.

Uma força sobrenatural fez meu corpo levantar-se da maca. Podia ouvir algumas palavras aleatórias saindo da boca de Hannah e Amy, mas apenas soavam como um sussurro para os meus ouvidos.

Estava tão inebriada em meu próprio universo que acabei ignorando qualquer manifestação no mundo real e voltei meu olhar apenas para ele: Jacob.

Ele olhava-me com a expressão assustada, provavelmente tentando imaginar o porquê de eu ter me levantado da maca de repente.

Percebi que ele caminhava lentamente na minha direção. Sorri involuntariamente com isso.

— Renesmee... — Ouvi chamar por mim. Mas, estranhamente, sua boca não fez movimento algum. E, logo depois, pude notar que aquela também não era sua voz, aquela voz rouca e máscula que fez todos os pelos de meu corpo responder imediatamente a ela.

Não era a voz de Jacob que me chamava. Ela vinha da direção da porta. Girei meu corpo lentamente, e meu coração falhou uma batida assim que minha vista foi tomada pela imagem da pessoa que estava na porta: a única pessoa que poderia fazer-me sair de meu transe, abandonando meu mundo dos sonhos; a única pessoa que me fez cair com força no concreto, fazendo-me voltar para a realidade; a única pessoa a que eu realmente entreguei-me de coração aberto.

Era Filipe.








Notas finais
E ai,curtiram???
Deixem reviews,por favor!
AH! Queria agradecer as lindas recomendações! Obrigado Jana Godoy,Reeh Bertília ,Drik Lautner e Beatrizs2! Simplesmente amei demais *-* Vocês me motivaram a escrever esse capítulo bem grande!HAHA