Notas iniciais
Oi meninas!
MIL DESCULPAS pela demora!É que o mês de Agosto é super agitado,e minha rotina fica louca!Rs
Porém,eu tardo mas não falho!E aqui está um capítulo fresquinho pra vocês! Espero que gostem!
Capítulo dedicado a todas as fofas que deixaram review no último!Amei todos!
P.S:Narração de Renesmee! Reparem nos pequenos detalhes OK?
O mistério está em alta nesse capítulo! Quero só ver seus palpites!HAHA
BEIJOS GRANDES E ESPERO OS COMENTS!♥

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Capítulo 2 — Noite de Tormenta


Meus cachos ricocheteavam ao vento enquanto eu corria com todo o fôlego que restava em meus pulmões. Sentia o ar gélido de fim de tarde bater em meu rosto, enquanto as finas gotas de chuva tamborilavam sobre minha pele.

Grossas eram as lágrimas que encobriam meu rosto naquele momento; levando, muitas vezes, um gosto salgado a meus lábios.

Como ele pôde fazer isso comigo?, questionava-me internamente. Era tão difícil compreender o porquê daquilo tudo. Desde aquele momento, milhares de sentimentos começaram a fazer parte de mim: raiva, decepção, angústia, frustração e, por último, destacando-se, a humilhação!

Quem preveria o que estava a sobrevir. O dia mais feliz da minha vida se tornara um pesadelo. Ou pior, um filme de terror! Onde eu era a protagonista que acabara de presenciar um evento sombrio e traumático.

Acabei por voltar à realidade quando tropecei em um grande tronco e desabei, com tudo, no chão de terra. Percebi, então, que, até aquele momento, corria sem rumo algum. Não fazia ideia de onde estava. Havia saído tão desnorteada daquela Igreja que acabei adentrando a floresta, como se ela fosse reconfortar-me.

Olhei ao meu redor, buscando algo familiar que me ajudaria a identificar o lugar onde estava.

Minha visão estava meio turva, graças às lágrimas e à densa neblina que se formava por dentre as árvores. O aroma forte de terra molhada e madeira inebriaram-me por alguns segundos.

Isso era algo corriqueiro em Forks: sempre que a chuva atingia a cidade, uma bruma encobria todo o lugar; muitas vezes, dificultando a visão das pessoas em geral. A enorme quantidade de árvores, presentes nas imensas florestas, propiciava tal coisa. O forte nevoeiro sempre dava um ar misterioso e peculiar à cidade; e eu, definitivamente, era fascinada por aquilo. O verde musgo das frondosas árvores combinava perfeitamente com o branco algodão das nuvens. Amava as florestas de Forks. Talvez porque sempre me trouxeram boas recordações. Era quase impossível não me lembrar de minha infância e das diversas vezes em que meu pai e eu acampávamos nas imensas clareiras da região.

Eram nítidas as imagens que invadiam minha mente: minha irmã, Rayna, e eu fazendo trilhas pela mata, apenas por diversão. Ainda podia sentir a alta umidade graças às fortes chuvas que atingiam constantemente a cidade; o inebriante aroma amadeirado vinha das árvores; as densas folhagens dançavam ao ritmo do vento como ondas no mar; os bichos que, uma vez ou outra, cruzavam nosso caminho; a indescritível sensação de liberdade que a natureza proporcionara... Provavelmente, mesmo se mil anos se passassem, essas recordações manter-se-iam sempre vivas em minha mente.

Sem dúvida alguma a natureza encantava-me, e todo o universo mágico que a cercava. Sentia-me tão bem quando estava nas florestas ou perto do mar. Simplesmente amava o cheiro de maresia! A primeira vez que meu pai levou-me, juntamente com mamãe, Rayna e Riley, o meu irmão caçula, para assistir ao pôr do sol em um penhasco de La Push, ficará para sempre em minha memória. Aquela tarde o céu assumira um tom alaranjado e, em partes, misturava-se com um lilás sutil. O sol já sumia no horizonte como se o mar fosse um imã gigante e estivesse atraindo-o para seu campo magnético. Pouco a pouco, a noite chegara; e, nessa hora, o céu já estava em um tom azul escuro. Por sua vez, as estrelas já brilhavam, pontilhando-o por inteiro, como lanternas, em meio à escuridão. Meu pai resolveu, então, fazer uma fogueira para assarmos alguns marshmallows. Mais tarde, comemos todos com chocolates e biscoitos. Quando era pequena, era um de meus doces favoritos!

Aquele dia foi inesquecível para mim e tenho certeza que, igualmente para meus irmãos. Não só pelas brincadeiras infantis, os doces e a natureza que nos cercava. Mas também porque foi a primeira vez que nós ouvimos de nossa mãe como ela apaixonara-se por papai. Tinha apenas nove anos; porém, até hoje, a intensidade com que minha mãe retratava seus sentimentos me emociona. Naquela noite, seus longos cabelos acobreados cintilavam como rubi sob a fraca luz da fogueira; e, em seus olhos castanhos chocolate, emanavam o mais sincero amor e a sensação de felicidade que qualquer ser humano poderia sentir.

Havia algo irrevogavelmente tocante no tom de sua voz e na maneira com a qual ela narrara toda a história. Chegava a ser simplesmente romântico o jeito que ela retratava que os dois amavam-se o suficiente para encontrarem uma maneira de ficarem juntos, mesmo depois de tantos golpes que a vida lhe dera. Era um tanto cinemático aquilo tudo.

Mamãe contava aquela história de que, quando nós encontramos nosso amor eterno, não nos separaríamos nunca dele, não importavam as adversidades. No final, eles teriam de ficar juntos. Já estava escrito, não tinha como mudar. Suas almas necessitavam uma da outra. Lembro-me perfeitamente do termo que ela usara: "Almas gêmeas são como peças de um quebra-cabeça. Quando estão juntas, formam um desenho incrível. Porém, quando estão separadas,não passam de mais uma peça sem forma. Ficam incompletas".

Seria impossível não ficar emocionada com aquilo. Eu era apenas uma criança, e ouvir de minha mãe uma coisa daquelas havia enchido meu coração de certeza de que, um dia, teria o meu. A peça do quebra-cabeça que faltava para me sentir completa: o meu amor eterno.

Todavia, acabei descobrindo, da forma mais difícil, que aquilo não era uma fórmula livre de erros. Talvez, para alguns felizardos, desse certo essa estória de felizes para sempre. Entretanto, para outros, não se passava apenas de uma ilusão ou de um mito que não deveria ter saído dos contos de fadas infantis, nos quais realmente existem príncipes encantados para princesas em perigo.

Na vida real, as coisas não eram tão fáceis assim. Eu achava linda a história de minha mãe com meu pai. Porém, pude perceber que ela era única. Nem todos têm a chance de vivenciar um amor arrebatador como o deles. E, no momento, eu sentia-me fazendo parte dessa grande porção de seres humanos que não teria a chance de amar verdadeiramente.

Percebi que havia divagado demais em meus pensamentos após ouvir o ronco alto de um trovão, assuntando-me. Olhei à minha volta outra vez e pude notar que, agora, a floresta estava mais escura do que antes. Levantei-me, percebendo que ainda estava no chão com terra por todo meu vestido; que, um dia, fora branco.

Decidi dar mais uma olhada na região. Afinal, em que diabos eu havia me metido?

Conhecia toda aquela floresta como a palma da minha mão, graças às minhas aventuras na infância. Porém, parecia que nunca havia estado naquele lugar. Era como se fosse uma nova parte que eu não conhecia. Comecei a caminhar pela floresta no intuito de chegar à margem de alguma estrada.

Um clarão tomou conta do lugar, graças ao raio que cortava o céu. Logo depois, um forte ronco de trovão ecoava entre as árvores,acelerando meu coração. Provavelmente, uma tempestade estava por vir. À medida que escurecia mais, percebia-se que a noite chegaria em um piscar de olhos, e eu continuava perdida. Aquela situação era assustadora.

De repente, imagens aleatórias dos noticiários locais invadiram minha mente e das poucas vezes em que houvera estupros e homicídios pela região. Era raro, mas acontecia. E a maioria dos casos ocorriam à noite, em algum lugar isolado da cidade, ou nas florestas...

Aquele simples pensamento fez um frio percorrer toda extensão da minha espinha.

Forks não era um vilarejo violento, mas, como em todo lugar, havia seus casos. Pensar naquilo fazia meu coração apertar-se mais e mais a cada segundo. Foi, então, que a sensação de estar sendo seguida começou a assombrar-me. Talvez, estivesse apenas assustada demais já que a floresta ficava mais escura a cada minuto, e posto que eu não encontrava a estrada. Mas era inevitável. Sentia algum tipo de presença ali. Sabia que era algo ou alguém. Qualquer barulho já me deixava em alerta máximo. Uma hora ou outra, notava pequenas movimentações com o canto dos olhos. Porém, quando me virava, deparava-me com algum animal. Todavia, eu não conseguia livrar-me da incômoda sensação de estar sendo observada. Aquilo estava ficando terrificante demais.

Apertei o passo, andando o mais rápido que pude. A chuva começou a descer incessante, e o vento balançava os galhos das árvores de um lado para o outro.

Notei uma pequena movimentação com o canto dos olhos. Desta vez era maior do que as demais; e, logo em seguida, ouviu-se o barulho de um galho quebrando-se. Virei-me rapidamente para trás, porém apenas me deparei com um esquilo, fugindo da tempestade. Soltei um longo suspiro de alívio. Talvez fossem apenas coisas de minha mente cansada.

Voltei meu corpo para frente, na tentativa de voltar à minha caminhada; no entanto, a cena que vi, em seguida, fez meu coração perder uma batida.

Avistei uma silhueta ao longe, ainda um pouco oculta graças à escuridão, à névoa e às largas gotas de chuva, que impediam uma visão nítida daquela pessoa. Mesmo de longe, pude perceber que, um manto preto, encobria-a, deixando apenas seu rosto à mostra. Era como aqueles fantasmas de filme de terror. A bruma que envolvia o local deixara tudo mais sombrio. Uma longa trovoada fez os pelos de minha nunca arrepiarem-se. Mesmo com a distância, meu olhar encontrou-se diretamente com o daquele ser. Meus batimentos cardíacos aumentaram consideravelmente quando encarei um brilho diferente nos olhos do desconhecido.

O medo tomava conta de mim; porém, eu simplesmente não conseguia me mover. Estava presa a algum tipo de feitiço que mantinha meus pés grudados ao chão.

Pude perceber um sorriso zombeteiro formar-se em sua face. Parecia algum tipo de gozação como se dissesse que, não impostasse quanto esforço eu fizesse, eu não conseguiria sair dali.

Um medo descomunal apoderou-se de mim. E, agora, o que eu faria?

Não conseguia mover um músculo. Aquela recente sensação de ter, aparentemente, meus pés grudados ao chão e o transe, em que me encontrava, deixavam-me apavorada.

A pessoa aproximava-se de mim lentamente, sem pressa alguma, como se pressentisse que eu não conseguia mover-me. Toda aquela tranquilidade deixava-me cada vez mais acuada.

Um estrondo de mais um trovão fez-me, finalmente, despertar para a realidade de toda aquela situação; e, como em um passe de mágica, minhas pernas começaram a mover-se instintivamente.

Corria. Sem nem, ao menos, dar-me ao luxo de olhara para trás.

O caminho estava parcialmente bloqueado por uma dúzia de troncos caídos graças à forte tempestade. A lama estava grossa e viscosa, dificultando mais ainda a minha fuga. O ar frio e minha respiração entrecortada formava uma nuvem branca toda vez que eu conseguia soltar o ar, que se mantinha preso em meus pulmões.

Encontrava-me cada vez mais ofegante devido ao longo trajeto que percorri. No meio do caminho, havia perdido um par de sapatos, porém, mesmo assim, não parei. Não podia parar. Ainda me encontrava aterrorizada em total estado de pânico e sentia como se, a qualquer momento, fosse vomitar. Apenas a adrenalina e o medo impediam-me de fazer tal coisa.

A essa altura, a chuva era torrencial. Galhos batiam em meu rosto e em meus braços, provavelmente fazendo cortes e arranhões. Em meio às dificuldades de percurso, tentava não diminuir minha velocidade. Todavia, a cada passo que dava, estava mais cansada, e ficava praticamente impossível manter aquele ritmo frenético.

Em um momento de fraqueza, olhei para trás. Estava sendo seguida. A pessoa corria tanto quanto eu, como se me alcançar fosse necessário para sua sobrevivência. E, como em um pesadelo, virei-me para frente no intuito de continuar a corrida e tropecei em meu longo vestido branco, derrapando com a barriga na lama. Tentei levantar-me; porém, quando me pus de pé, uma dor aguda atingiu meu tornozelo, fazendo-me desabar no chão novamente.

O terror tomou conta de mim como nunca antes; e, pela primeira vez desde que vi aquela figura nas sombras, deixei que as lágrimas escapassem dos meus olhos no mais puro ato de pavor. Eu estava perdida.

Tentei arrastar-me pelo chão, mas praticamente não havia saído do mesmo lugar. Olhei para trás, tentando perceber a que distância estava do meu perseguidor. Tive sorte de estar no chão, pois, se estivesse de pé, provavelmente tombaria de novo ao deparar-me com aquela pessoa, assim... Tão perto.

Um clarão tomou conta do céu enquanto um sorriso de contentamento fez parte do rosto daquela senhora.O manto não encobria mais sua cabeça. Sua pele estava enrugada (talvez por conta da idade) e continha várias cicatrizes parecidas com algumas marcadas por garras gigantes. Meu corpo tremeu por inteiro ao imaginar que tipo de animal havia feito aquilo. Seus cabelos eram brancos como a mais alva neve. Seus olhos azuis cintilavam como um rio de águas cristalinas.

–Renesmee!-Falou com louvor, como se se pronuncia a mais bela melodia. -Você não faz ideia de quanto tempo eu te procurei! -Completou agora com um sorriso que tomava um terço do seu rosto.

–Por favor, me deixe em paz!-Choraminguei com medo, arrastando meu corpo para trás, fazendo com que minhas costas fossem de encontro ao longo caule de uma árvore.

–Não há nada que deva temer, criança! Eu só estou aqui para lhe fazer bem!-Falou, amostrando aqueles dentes amarelados novamente. Aquela fala não havia convencido-me em nada.

–Eu não quero saber o que você veio fazer. Só não se aproxime mais de mim! Por favor!-Estendi minhas mãos em um sinal para que ficasse longe. Aquilo soou mais como uma ordem do que um pedido.

De onde eu havia tirado toda aquela coragem?

–Espere um instante!Como você sabe meu nome?-Questionei perplexa e visivelmente assustada após perceber que ela havia falado "Renesmee". A mulher soltou uma estrondosa gargalhada, implicando meu encolhimento contra a árvore. -E-Eu quero respostas!Fale-me logo!-Amaldiçoei-me mentalmente por ter gaguejado. Ela apenas lançou-me um sorriso irônico.

–Querida Renesmee, a partir de hoje, você vai perceber que nem todo mundo tem todas as respostas e que a vida é mais misteriosa do que imagina... –Respondeu-me tranquilamente, fazendo-me franzir o cenho. -Agora, por favor, chega de pirraça! Assim eu não consigo ajudá-la, menina!Achei que Bella havia lhe dado uma educação melhor... -Desdenhou, fazendo outro ponto de interrogação surgir em minha mente.

–Então você conhece minha mãe?-Questionei, arqueando as sobrancelhas; e, mais uma vez, ela voltou a gargalhar. Aquilo já estava dando-me nos nervos.

–Ah, linda, linda Renesmee! Tão jovem, mas tão inocente... -Olhou-me com superioridade, e uma expressão raivosa surgiu em meu rosto. -Venha, vamos cuidar de seu tornozelo!-Falou, levantando-me do chão e colocando um de meus braços sobre seus ombros.

–Mas eu não vou a lugar algum com você!-Falei indignada, desvencilhando-me de seus braços. Porém, uma dor aguda atingiu meu tornozelo, fazendo-me cair por terra novamente. A mulher balançou a cabeça negativamente como se reprovasse meu ultimo ato.

–Renesmee, você ainda não percebeu que lutar contra a minha ajuda não vai te levar a lugar nenhum?-Questionou, arqueando suas sobrancelhas grisalhas. -Venha comigo!-Chamou-me estendendo a mão. Bufei irritada, porém rendi-me à sua “ajuda”. Precisava, de alguma forma, entender o que ali se passava. Como aquela mulher sabia meu nome e o de minha mãe? E talvez assim conseguisse.

–Para onde estamos indo?-Questionei receosa.

–Espere, e você verá!-Respondeu, saindo pela tangente mais uma vez.

–Por que você é tão evasiva?Nunca me dá uma resposta concreta!

–Você ainda não está preparada para saber as respostas, Renesmee. -Respondeu-me tranquilamente. -Entenda que tudo nessa vida tem seu tempo; e, no momento, você não está no tempo de fazer perguntas. -Ela respondeu olhando para meu rosto, e eu revirei os olhos em resposta.

Odiava a sensação de impotência, na qual eu encontrava-me no momento. Aquela ardilosa senhora, simplesmente, tinha-me em suas mãos. Ela, aparentemente, transparecia saber muita coisa a meu respeito. E eu não sabia absolutamente nada sobre ela.

–Chegamos. -Informou-me, empurrando alguns arbustos que haviam ficado na passagem. A chuva ainda caía, mas, agora, com menos intensidade do que antes.

Olhei para frente e deparei-me com uma casa de madeira, extremamente pequena e envelhecida. Um caminho de cascalhos levava-nos em direção à porta, também de madeira. O telhado continha alguns buracos e telhas quebradas, dando um toque final. Aquela, provavelmente, era uma antiga construção e estava um tanto devastada graças ao constante contato com a imprevisível natureza. Aquilo era mais uma cabana no meio da floresta do que uma casa.

Ela abriu a porta lentamente, e o objeto rangeu. Provavelmente, as dobraduras estavam enferrujadas.

–Sente-se aí, e me espere!-Ela praticamente ordenou isso a mim, apontando para o pequeno sofá que se encontrava na minúscula sala de estar.

Como se eu pudesse ir para outro lugar!, pensei.

–Vou trazer algumas coisas para fazer um curativo em seu tornozelo, você deve tê-lo deslocado quando saiu correndo feito uma desesperada... -Falou zombeteira, e eu recusei-me a encará-la.

Ela retirou-se da minúscula sala, adentrando mais ao fundo da cabana em um tipo de corredor mal iluminado.

A noite estava extremamente escura devido à chuva, tornando metade da sala sombria e metade iluminada pela luz de dois abajures.

Observei, por alguns instantes, aquele pequeno recinto. As paredes eram cobetas por papéis de parede floridos: um pouco amarelados graças à idade, eu presumi. Havia alguns quadros pendurados com temas de paisagens; uma mesa, mais ao canto, perto de uma janela que tinha a cortina um tanto manchada; e duas cabeceiras, uma de cada lado do sofá.

Estranhei o fato de não haver televisão, rádio ou nenhum outro aparelho eletrônico. Parecia que aquele lugar havia parado no tempo.

Já estava ficando agitada demais devido à demora daquela mulher.

Estiquei meus braços para alongar um pouco a coluna e acabei por derrubar algum objeto. Olhei para o chão, procurando pelo que eu havia derrubado, e encontrei uma pequena e delicada caixinha de música, toda talhada a madeira. Era um objeto e tanto. Tinha traços delicados, parecia que um verdadeiro artista houvesse feito-a. Não resisti à curiosidade e abri a pequena caixa.

Uma música, parecida com uma canção de ninar, extremamente melódica e envolvente, começou a ser tocada. Dentro da pequena caixa, havia também talhado à madeira, um lobo e uma garotinha. Uma estranha sensação de deja vú aponderou-se de mim. Aparentava-me que eu já tinha visto, alguma vez, aquele objeto.

De repente, imagens invadiram minha mente como fleches. Eram como se fossem memórias minhas; cujas reminiscências, de algum jeito, eu não as tinha. Porém estava sempre presente ao lado de um homem. Mas era impossível distinguir seu rosto.

Forcei o máximo que pude, vasculhando minha memória em busca daquele rosto. Porém, parecendo ter acabado de acordar de um sonho, aos poucos, as imagens foram esvaindo-se de minha mente. Senti-me estranhamente confusa com tudo aquilo.

Uma trovoada fez-me abandonar meus devaneios. Meus ombros tremeram um pouco devido ao susto.

–Tem medo de tempestades, Renesmee?-Perguntou a mulher sarcasticamente, entrando na sala com uma pequena mala. Eu não me importei em respondê-la.

Ela veio em minha direção e sentou-se no chão, aos meus pés.

–Deixe-me ver seu tornozelo. -Pediu, levantando um pedaço de meu vestido. -Nossa, isso está bem inchado. Acho que você deslocou, ou algo assim. –Falou analisando-o.

–Sério?-Questionei, apoiando-me sobre meus braços para olhar meus pés. -Será que vai doer?Porque... AAAAAH!-Gritei enquanto sentia um puxão no pé e escutava um barulho de ossos roçando um no outro. Uma dor lancinante veio em seguida. -VOCÊ É LOUCA?-Esbravejei enquanto a tal dava uma risada, divertindo-se com toda a situação.

–Fique calma, Renesmee. Isso ficará bom antes mesmo de você acordar... -Ela falou, mas não entendi muito bem devido à dor que me deixou alucinada. -Agora só falta mais uma coisa... -Ela sussurrou, tirando um frasco com um líquido rosado e extremamente brilhante de lá.

Meus olhos fixaram-se naquele líquido peculiar. Parecia uma mistura de suco de morango com cristais milimétricos. O brilho era latente. Fiquei tão hipnotizada com aquilo que, mais um pouco, não perceberia a seringa que ela retirou da mala.

–O que é isso?-Questionei franzindo o cenho.

–Pode se dizer que um tipo de antídoto... -Falou, enquanto colhia um pouco do líquido com a seringa.

Antídoto?-Repeti sua palavra. — Antídoto para quê?- Indaguei mais curiosa a cada segundo. Ela demorou alguns minutos para responder. Parecia medir as palavras que viriam.

–Para um coração partido!-Murmurou intensamente, fazendo uma corrente elétrica passear sobre minha espinha.

–Mas o quê?Que tipo de loucura é essa?-Perguntava incrédula do que acabara de ouvir.

O medo começou a apossar-se de mim assim como sentira na floresta. Mas que tipo de pessoa ela era? Algum tipo de bruxa? Não havia outra explicação para aquilo. Ela sabia meu nome e o de minha mãe; agora, tinha mais essa de “antídoto para coração partido”! Isso era demais para mim.

–Quem é você?-Perguntei com o medo evidente em minha voz, já esperando pelo pior.

–Digamos que... Sua fada madrinha!-Falou; e, automaticamente, um sorriso de lado brotou em sua face.

–Sério?Você não se parece nada com uma fada madrinha... -Respondi analisando-a. A cicatriz em forma de garras ainda me assustava.

–Jovens... Tão preocupados com a aparência... -Riu revirando os olhos. –Renesmee, eu vou lhe explicar de uma maneira que você entenda, tudo bem?-Ela questionou, e eu balancei a cabeça lentamente em sinal de resposta. Estava um tanto receosa com aquilo tudo. -Esse antídoto vai te curar! Vai fazer você esquecer-se de tudo o que esse homem lhe fez. E te abrirá uma porta para uma nova vida... –Ela falou, pela primeira vez, com um sorriso gentil em seu rosto.

–Eu não sei... –Sussurrei, abaixando o olhar em direção a minhas mãos. Ela ergueu meu queixo para que ficasse olhando diretamente em seus olhos.

–Confie em mim... -murmurou, e eu apenas balancei a cabeça positivamente.

Não sei o que havia dado em mim. Não era eu que liderava meu corpo naquele momento. Mas sim uma força maior. Como se aquilo fosse realmente me ajudar a começar uma nova vida e a encontrar a parte que, por mais que negasse, sabia que faltava em mim.

Em um movimento rápido, ela puxou minha mão e espetou meu dedo de leve com aquela seringa, injetando todo o liquido rosado que ali havia.

Uma estranha sensação começou a manifestar-se em mim. Parecia que haviam roubado meu chão, e eu estava sobre as nuvens. Era maravilhoso. Libertador. Sentia-me mais livre do que nunca. Aquilo deveria ser algum tipo de droga sintética. Não havia outra explicação. A essa altura, eu não tinha explicação para mais nada.

Porém, de repente, as maravilhosas sensações foram substituídas por um grande incômodo no meu peito. Terrível e angustiante. Sentia-me sufocar lentamente. Estava hiperventilando. Pouco a pouco, fui perdendo o controle de meu próprio corpo e acabei caindo lentamente do sofá. A mulher apenas levantou-se e saiu do meu caminho, acarretando no contado direto do meu corpo com chão.

Olhei para ela, tentando enviar-lhe um pedido de socorro. Porém, para minha maior surpresa, ela tinha em seu rosto uma expressão de contentamento, parecendo estar feliz ao ver a desgraça que acontecia comigo.

–Você mentiu... Você mentiu para mim... -Balbuciei com a voz extremamente rouca, graças ao pouco de ar que ainda havia em meus pulmões.

Ela abaixou-se,ficando equilibrada sobre suas panturrilhas.Fez um carinho de leve em minha cabeça enquanto eu lutava em uma guerra interna na tentativa de sugar todo o ar possível.

–Não minha linda, Renesmee. Tudo o que te falei era verdade. Mas, para uma coisa boa acontecer, precisam haver sacrifícios... -Ela falou, ainda acariciando minha cabeça. Mesmo com a falta de ar, eu olhava-a perplexa. Como ela podia estar tão tranquila?Será que ela não via?Eu estava morrendo!-Como eu mesma te disse, você ainda não está preparada para ouvir todas as respostas... Ainda não...–Sussurrou enquanto minha visão ficava esmaecida, conforme ocorre em um sonho. -Renesmee... -Ouvi uma voz chamar ao longe. -Não se esqueça!A primeira pessoa que você avistar quando acordar será a resposta para todas suas perguntas...-Sussurrou em meu ouvido.

Minha visão ficou extremamente turva. Tudo o que eu via não se passava de vultos. Uma força sobre-humana puxava-me para um túnel escuro e vazio.Eu lutava, debatia-me.Usava toda minha força para tentar escapar.Porém,nenhum movimento era realizado por meu corpo.

Cansada de tanto lutar, senti um sono profundo tomar conta de mim. Fechei meus olhos lentamente, lembrando-me das últimas palavras daquela mulher infeliz: “A primeira pessoa que você avistar quando acordar será a resposta para todas as suas perguntas...”.

Assim, a inconsciência apossou-se de mim, e caí nos braços da mais densa escuridão.

Notas finais
ficaram confusas?Esse era o objetivo!HAHA
Esse capítulo antecede o coma de Renesmee...É só pra não deixar vocês na curiosidade total!HAHA
Quero ver perguntas e reviews hein?
Beijo do Core ;*