Notas iniciais
Olá meninas,olha eu aqui,com mais uma fic pra vocês! ^.^
Então,espero que vocês gostem de Sleeping Beauty e comentem muiiiito!
Prometo que romance e mistério não vão faltar aqui! E é claro,MUIIIIIIIIITO JAKE x NESSIE *---*'
É isso,fiquem com o primeiro capítulo!
1ª Dica:Preste bastante atenção nos pequenos detalhes,eles são cruciais para você entender ,mais tarde,o desenrolar da história ;)

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Capítulo 1 — À Primeira vista

Um novo começo, um novo começo... – Quase cantarolava a mim mesmo, repetindo como um mantra que se reitera aos religiosos. Tentava, pois, realmente acreditar naquilo. O início de algo poderia ser tão portentoso quanto sombrio.

Pela janela levemente aberta do carro, pude observar o cenário que estava acerca de mim: As árvores altas, parecidas com pinheiros, compunham a vegetação da extensa floresta que me prescindia de ambos os lados da estrada; e a paisagem estava um pouco embaçada, graças à névoa que encobria o topo das árvores, o que dava um ar de mistério àquele lugar.

Voltei meu olhar à estrada; sofrer um acidente definitivamente não fazia, por conseguinte, parte dos meus planos.

Vagarosamente, minha vista foi tomada pela imagem de algumas casas e lojas simples que começavam a aparecer, moldando-se à paisagem local.

A simpatia daquela região animava-me como se algo extremamente benéfico estivesse para acontecer. Entretanto, talvez fosse apenas ilusão ou ânsia por estar conhecendo um novo lugar. O frio em minha barriga e as minhas mãos segurando firmemente o volante poderiam comprovar a hipótese de nervosismo. Ri de mim mesmo por parecer um adolescente com reações tão infantis.

Fui reduzindo gradativamente a velocidade do carro conforme aproximava-me mais daquela diferente e instigante cidade.

Observava, com atenção, cada pequeno detalhe que me cercava. Sentia como se algo fosse capturar a minha atenção quando, verdadeiramente, queria apenas ter um pretexto para parar o carro e caminhar pelo vilarejo tão acolhedor.

As poucas pessoas nas ruas, em sua grande maioria vestindo trajes de frio, e as lojas com os letreiros um tanto envelhecidos passavam a impressão de que aquele local era o tipo de lugar que eu procurava. Era, todavia, muito mais do que eu poderia esperar...

A pouca movimentação nas ruas demonstrava que a maioria das pessoas que moravam ali era mais tradicional, o que significava que não havia adolescente fazendo alarido o tempo todo.

Perfeito! – Pensei -Ou quase... — Consertei a tempo.

A única coisa que me deixava receoso daquele local era o fato de que a maioria das pessoas que eu avistei andando pela rua usava algum tipo de agasalho, transparecendo a temperatura baixa do lugar, o que nunca fora algo que eu, de fato, gostasse.

Nascer em La Push e, depois de alguns anos, mudar-se para a Califórnia, um lugar quente e úmido, logicamente transformam qualquer pessoa em um amante do sol.

Dias ensolarados, com o calor emanado do sol esquentando o asfalto, com as garotas de biquínis e com as crianças brincando nas ruas, qualificavam um dia perfeito no meu ponto de vista. Talvez eu me sentisse assim porque essas coisas haviam virado rotineiras durante o longo período de tempo que passei na Califórnia. Talvez fosse apenas um costume adquirido lá. Ou talvez nem houvesse motivo concreto.

Porém, ao considerar-se que o meu objetivo principal era olvidara minha antiga vida; que, no momento, me trazia péssimas recordações (diga-se de passagem), era uma situação relativamente boa a diferença até mesmo no clima já que a minha intenção era ter o mínimo de recordações possíveis daquelelugar. Não da Califórnia em si (até porque era um lugar espetacular), mas sim da minha antiga casa.

Deus sabe o quanto eu supliquei-o para que as terríveis lembranças daquela casa simplesmente evaporassem da minha mente. Mas isso, por infelicidade, não veio a ocorrer.

Eram massacrantes as lembranças dos últimos dias de meu pai, as quais rondavam minha mente. Arrepiava-me apenas de lembrar-me por mais inevitável que fosse a recordação.

Vê-lo definhando sobre aquela cama, em que, cada dia que passava, esvaía-lhe cada vez mais as forças, era uma cena um tanto mórbida de assistir-se. Olhá-lo e não poder fazer nada não incomodava apenas devido à impotência da situação, mas também devido aos olhares incômodos de meu pai. Ele sentia-se culpado por causar-me pesares quando, na verdade, eu estava ali porque queria. Ele nunca gostou de sentir-se um fardo; entretanto, eu entendia o seu lado.

Todavia, o câncer que lhe roubou até o último suspiro de vida levou juntamente a minha felicidade. Esta parecia ser inalcançável desde então.

A morte de meu pai tornou-me uma pessoa cética, não fria. Transformei-me em um completo descrente dos prazeres que a vida poderia proporcionar. Talvez isso tenha acontecido; para mim, a mais vasta possibilidade de ser feliz estava, pois, teoricamente inalcançável. Eu precisaria de um milagre para crer novamente. Não apenas um milagre, mas também uma cura.

Desde queelese fora, eu afoguei-me na minha própria tristeza, sem conseguir, ao menos, um bote salva vidas, na tentativa de salvar-me do mar agitado que eram os meus sentimentos.

Minha irmã, Rachel, vivia importunando-me para que eu seguisse o rumo da minha vida. Era quase como uma religião para ela. Não importava quantas vezes, pois, sempre que nos falávamos, ela vem com as mesmas historinhas:“Jake, vá se divertir, a vida é curta!”, “Você se preocupa tanto com o trabalho que acaba esquecendo-se de você...”, “Qual é, Jake! Já conheceu alguma garota?”, “Quando você vai finalmente se casar?”.

Não havia escapatórias. Já tentara livrar-me desses diálogos tão incômodos e exaustivos, porém não obtive sucesso em nenhuma das minhas tentativas. Eu sabia, porém, que, por um lado, ela fazia isso porque apenas preocupava-se comigo. Por outro, é, no entanto, uma coisa extremamente azucrinante.

Cansado de tanto lutar contra as investidas de minha irmã, eu finalmente decidi mudar de rumo. Literalmente mudar, já que abandonei a Califórnia e vim para Forks, um vilarejo vizinho à La Push, lugar onde ela mora atualmente.

– Rua Túnel Verde...– Sussurrei, abandonando meus pensamentos ao finalmente deparar-me com uma placa. Nela, estava escrito o nome da rua aonde, a partir de hoje, eu moraria.

Agora tudo fazia sentido para mim. Parecia tão claro em minha mente quanto o Sol na mansidão do universo.

Semanas atrás, quando resolvi comprar uma casa em Forks, havia poucas disponíveis; e, graças a minha falta de tempo e disposição de vir até aqui, deixei Rachel encarregada de tudo. Ela procurou, escolheu, comprou, mobilhou e decorou a minha casa. Portanto, eu não me preocupei com absolutamente nada até porque confiava no bom gosto de minha irmã. A única coisa que achei um tanto estranha foi o nome da rua.

–Túnel verde? — Questionei a ela enquanto passava-me o endereço pelo telefone. — Mas que diabo de nome é esse?

–Relaxa, Jakezinho... –Falou em um tom irônico, com um sorriso que mantinha sempre nos lábios. — Quando você chegar lá, vai entender direitinho o nome da rua, e o porquê de eu ter escolhido esse lugar!

E Rachel tinha toda a razão. Ao finalmente deparar-me com a rua, passei a entender perfeitamente o seu nome, um tanto peculiar.

Árvores imensas e frondosas de ambos os lados uniam-se no topo, formando um tipo de envoltório por toda a rua; transmitiam, assim, sem dúvida alguma, o aspecto de um túnelverdegraças às densas folhagens.

O cheiro da rua estava ligeiramente agradável. Uma mistura de terra molhada, com um toque de aroma amadeirado, denunciava que, há pouco tempo, havia chovido naquele local. Todo esse fugaz contato com natureza havia instaurado uma paz interior em mim tão grande, que eu pressentia que algo extraordinário estava prestes a acontecer na minha vida.

Ri de mim mesmo ao perceber como minha irmã tramara bem as coisas. Ela realmente queria o melhor para mim, e senti-me acolhido com o sentimento de que eu ainda tinha em quem confiar. Meu pai não era, pois, a única pessoa no planeta. Sorri largamente ao constatar que as coisas poderiam melhorar naquele lugar.

Rachel sabia que eu era o típico amante da natureza, e qualquer contato com a sua esfera, totalmente benéfica em minha opinião, fazia-me um bem imensurável. E isso era tudo o que ela queria no momento: fazer-me sentir bem.

Dirigi lentamente pela rua para captar cada detalhe. Era incrível a maneira como essa pequena cidade deixava-me cada vez mais curioso e atento. Como algo poderia ser tão mágico a ponto de iluminar o meu coração adormecido? Ah, se eu, ao menos, soubesse a resposta...

As casas não muito pequenas, nem tão grandes tinham um tamanho razoavelmente perfeito para alguém que mora sozinho. Assim como todo o resto da cidade, elas tinham uma aparência simpática e acolhedora.

Algumas das casas tinham sua pintura um pouco envelhecida e vastas varandas na parte da frente, com algumas imperfeições. Provavelmente eram construções antigas; que, na época, deveria ter sido um lugar deslumbrante; porém, como acontecia com muitas propriedades em cidades pequenas, o tempo e a natureza conspiravam contra elas. Eu tinha de admitir, entretanto, que o lugar possuía um encanto próprio.

– Número 57!- Comemorei ao encontrar finalmente aminha casa.

Peguei algumas caixas no porta-malas do carro, no qual se encontravam alguns de meus pertences, e caminhei em direção à porta, observando um pouco a casa. Na varanda, havia um balanço talhado à madeira e alguns vasos com variados tipos de plantas.

– Coisas de Rachel! – Pensei.

Subi os pequenos degraus presentes na varanda, e o antigo assoalho rangeu um pouco.

Está precisando de umas reformas, hein? — Comentei dando leves batidas com os pés, no piso envelhecido.

Com certo nível de dificuldade, graças às caixas presentes em meus braços, abri a porta letamente. Ela rangeu, mas nada que uma boa reforma não ajeitasse.

Dei um longo suspiro, pois, ao abrir aquela porta, sentia como se tivesse aberto uma nova página, cujo livro era minha vida...

[...]

– Jacob? — A garota de cabelos longos e loiros deu um tempo para que eu continuasse.

– Black... – Completei sorrindo.

– Jacob Black... Jacob Black... – Ela falava enquanto seus olhos rapidamente passeavam pela tela do computador. Travei o suspiro involuntário que queria sair do meu peito devido à lentidão com que ela teclava.

Fazia exatamente uma semana desde que me mudei para Forks, e estava prestes a começar meu plantão no grande hospital, que se encontrava no centro da cidade.

– Ah, achei! Jacob Black, médico Neurologista! — Comemorou ao provavelmente achar minha ficha no sistema. — Sua ficha chegou semana passada ao hospital, e todos ficaram impressionados, que currículo impecável Doutor Black... — Ela falou lançando-me uma piscadela.

– Obrigado... — Respondi timidamente, retribuindo-lhe o elogio com um leve sorriso torto. Graças ao meu tom de pele, não aparentei ter corado.

– Você é novo por aqui?- Ela questionou com certo nível de curiosidade, deixando-me um pouco confuso.

– Mas não é óbvio que eu sou novo por aqui? — Pensei em dizer, mas seria uma grosseria da minha parte.

– Digo, aqui em Forks! — Completou, aparentemente percebendo minha confusão, que devia estar evidente como uma estampa em meu rosto. — É que Forks é uma cidade pequena, e é bem difícil encontrar um rosto não conhecido... — Ela falou sorrindo. Claro que ela estava de tal modo, pois o seu sorriso nunca abandonava os seus lábios.

– Sim, me mudei na semana passada... — Respondi-lhe de uma maneira educada.

– E já conseguiu emprego assim tão rápido? — Ela perguntou boquiaberta.

– Na realidade, eu trabalhava em um hospital da mesma rede desse, só que era na Califórnia. Então, antes mesmo de me mudar, já havia pedido a transferência para acelerar o processo... — Falei fazendo umas caretas.

– Jura? Você morava na Califórnia? — Questionou animada, e eu apenas acenei positivamente. – Nossa! Meu sonho é conhecer a Califórnia! Como é lá? É realmente quente como dizem na TV? Bom, porque eu sempre imaginei que...

– É, dá licença, mas qual é seu nome? — Perguntei interrompendo sua tagarelice. Tentei não ser grosso, porém. Mesmo assim, acho que fracassei.

– É Evy! — Falou mais animada ainda. Não pude evitar de aliviar-me, pois não cheguei a chateá-la.

– Evy... — Pronunciei seu nome sorrindo amigavelmente. – Sabe, no email que eu recebi daqui do hospital, falava que meu plantão começava hoje, ás 7 da manhã, e já são 07h05min, e eu estou tecnicamente atrasado! Então, se você não se importar, Evy, você poderia me informar o número da minha sala e os pacientes que eu terei que atender hoje? — Perguntei com o máximo de cautela possível para que ela não se sentisse ofendida. Na realidade, o que eu queria mesmo era apenas um pretexto para sair dali.

– Mas é claro! — Falou sorrindo. Parece que nada abala o humor dessa garota. — Está aqui, Doutor Black. O nome dos pacientes, os horários das consultas... Ah! E sua sala é no terceiro andar, número vinte e dois! — Finalizou com uma simpatia que chegava quase a ser palpável.

– Muito obrigado, Evy! E me desculpe por não podermos conversar agora... — Disse meio sem jeito.

– Sem problemas, Doutor Black! — Falou com o mesmo sorriso de antes no rosto.

Distanciei-me da recepção e fui em direção ao elevador. Quando as portas estavam prestes a fechar-se, um médico, aparentemente desesperado, segurou-a.

– Espere! — Gritou ele enquanto entrava no elevador. – Ai, graças a Deus que eu consegui pegar esse elevador! — Ele suspirou, encostando-se a parede. — Caramba, sabe o que é você acabar de chegar das suas férias, e uma de suas pacientes te ligarem às seis da manhã para dizer que entrou em trabalho de parto? — Ele questionou com os olhos esbugalhados, fazendo-me rir de sua expressão. — Posso te garantir, não é uma das melhores sensações! — Falou revirando os olhos.

– Por isso, o meu professor sempre me dizia para nunca me tornar um obstetra. Lidar com uma mulher só já dá trabalho, agora imagina várias delas e com os hormônios totalmente alterados de brinde? – Brinquei, e ele riu.

– Homem muito sábio esse seu professor... — Ele falou balançando a cabeça, e nós dois rimos. — Prazer, sou Richard Conor, o obstetra! — Apresentou-se, estendendo a mão de uma maneira brincalhona, e eu ri.

– Jacob Black, o neurologista! — Imitei sua brincadeira, e foi sua vez de rir. -Boa sorte, então, com a sua paciente em trabalho de parto, Richard! — Falei ao perceber que o elevador havia chegado no 3º andar. — Nos esbarramos por aí... — Bati em seu ombro, e ele acenou positivamente.

Saí do elevador e caminhei pelos corredores tranquilamente. Observei, assim, um pouco o hospital. O branco impecável das paredes acusava que ele havia sofrido reformas ultimamente. Toda a decoração do hospital era um misto de branco e azul, tons um tanto pacíficos para dar calma e refrigério aos pacientes (é claro, em minha opinião). Estava, então, muito bem conservado o ambiente.

Em algumas paredes, intercalavam-se, às vezes, algumas janelas de vidro com cortinas persianas, o que fazia os médicos terem uma vista razoavelmente boa do paciente, mesmo de fora da sala.

Permiti-me espiar cada paciente que estava nos quartos por onde passara. Primeiro, avistei uma senhora que tinha vários tubos ligados a ela, sendo que sua aparência não era nada boa. Como estava longe dela, pude deduzir que ela tinha por volta de setenta anos de idade. Seu corpo magro não ocupava nem metade da cama assim como sua pele demasiadamente pálida e seus lábios em um tom gravemente arroxeado; que denunciavam que seu estado era, no mínimo, alarmante.

Suspirei. A minha profissão trazia muitas tristezas, mas, quando se tratava de salvar vidas, as alegrias eram infinitas. Sorri ao imaginar uma salvação àquela senhora por mais difícil ou complicado que fosse o seu quadro. Isso era o que eu mais gostava na minha profissão de neurologista: o inimaginável ou o impossível tornava-se real e verdadeiro.

Continuei andando pelo corredor, entretanto, dessa vez, vi uma enfermeira com um garoto que devia ter, no máximo, uns oito anos de idade. Ela estava lendo uma história para ele, e o mesmo sorria como se tivesse acabado de ganhar o melhor presente do mundo. Seus olhos castanhos claros brilhavam de tal maneira que fariam a lua sentir-se ofuscada mediante ao seu olhar tão radiante.

Sua cabeça raspada fez apenas uma doença passar-se pela minha cabeça. Um grande nó formou-se em minha garganta diante da perspectiva de apenas imaginar que um ser tão jovem poderia passar por um sofrimento tão grande queessa doença proporcionar-lhe-ia. Eu sabia o quão destruidora aquilo poderia ser e não desejava o mesmo a ninguém. Não machucava apenas aquele que sofria, mas também aqueles que eram próximos do sofredor. Balancei minha cabeça na tentativa de espantar esses pensamentos assombrosos e continuei minha caminhada pelo grande corredor.

Ao avistar a outra sala, senti o meu coração falhar uma batida graças à cena que ocupava minha mente, preenchia os meus olhos e aquecia o meu coração.

Deus, como um ser poderia ter tamanha perfeição?

Seus cachos eram de um tom acobreado e estavam espalhados ao redor de seu rosto. E que rosto! Sua pele alva contrastava perfeitamente com seus lábios levemente avermelhados, e suas bochechas eram como pétalas de rosas. Seus traços angelicais passavam uma sensação de serenidade, como se ela não sofresse de doença alguma e estivesse ali apenas... Dormindo. E como eu queria que ela acordasse para que eu pudesse ver o que seus olhos diriam de mim! Mergulharia neles e gostaria de afogar-me ali...

– Ela é linda, não é mesmo? — Ouvi uma voz vinda detrás de mim; e, logo, uma enfermeira apareceu ao meu lado.

Visualizei-a para, então, voltar o meu olhar àquele anjo que repousava sobre a cama. Era inacreditável como alguém poderia aproximar-se tanto da perfeição.

– Ah... Sim, claro, claro... – Respondi um tanto sem jeito após ela descobrir que eu observava aquela menina. A mulher sorriu para mim.

– A maioria das pessoas que passa por aqui acaba se deslumbrando com a menina... — Ela falou olhando admirada para a bela jovem que estava naquele quarto sobre a maca.

– Mas o que ela faz aqui? — Questionei um tanto curioso. — Quer dizer, sua aparência é tão pacifica que me faz questionar se ela realmente está sofrendo de algum mal. — Falei fitando a enfermeira.

– Bom, meu filho, contrariando seus questionamentos, ela sofre de “algum mal” sim, e é grave... — Ela falou abaixando o olhar tristemente.

–Ué, mas, então, o que ela tem? — Perguntei ansioso. O desejo de saber parecia preencher o meu ser; não conseguia, entretanto, compreender tal sentimento súbito.

– Esse é o grande mistério... — A mulher falou olhando para mim. — Há um ano, essa jovem foi encontrada no meio de uma floresta, aqui mesmo da região, por um grupo de caçadores... — Ela continuou, e senti que a curiosidade aumentava cada vez mais dentro de mim.

Era estranho como a minha pele parecia corresponder àquelas palavras. Arrepiava-se cada vez mais ao mesmo tempo em que o sangue parecia parar a sua circulação. Era extremamente intrigante aquela história toda; e, involuntariamente, eu queria envolver-me nela.

– Segundo eles, ela estava com uma espécie de seringa entre as mãos, aparentemente vazia... — A senhora continuou seu discurso lentamente. — A primeira hipótese, que os médicos daqui tiveram, era de que a menina havia se drogado. Porém, logo foi deixada para trás após alguns exames executados pelos mesmos. A segunda hipótese foi de que ela poderia ter sofrido um acidente e tido um trauma muito grande, o que a deixou desacordada. Mas essa hipótese também foi deixada para trás, pois havia ausência de qualquer tipo de ferimento na garota... — Ela continuava a discursar enquanto uma dúvida descomunal instaurava-se em minha mente.

O que será que realmente aconteceu com essa garota?

À medida que ela proferia as hipóteses, o meu peito apertava-se com tais.

Achava um desperdício as pessoas drogarem-se, entregarem-se ao suicídio devido à falta de força de vontade para lutar. Se elas entraram porque queriam, deveriam sair porque queriam. O problema era, porém, o ato de querer sair do meio. Muitos não o faziam e acabavam desperdiçando vidas e futuros propícios.

Entretanto, a ideia dela ter-se machucado em algum lugar machucava-me internamente. Era peculiar o sentimento que apossava o meu peito assim que eu pensava em um possível derrame cerebral.

Em qualquer situação, doía-me ver alguém tão novo sofrendo. Desperdiçar a própria vida em um coma não era o melhor sentimento que alguém poderia ter.

– Com várias hipóteses deixadas para trás, o tempo foi passando, e os médicos começaram a se desesperar por não encontrar as respostas certas... — Ela falou como se estivesse lembrando-se de algo. — Então eles pegaram o óbvio e falaram para os familiares que a menina estava em estado de coma visto que ela não acordava. Eles afirmaram isso sem nem ao menos saberem o motivo para ela se encontrar em tal situação. Para mim, o que eles queriam mesmo era se livrar desse “caso difícil” e fingir ter achado uma solução para a garota... O que, infelizmente, não aconteceu como você pode observar... -Ela falou, e nós dois olhamos ao mesmo tempo para a jovem sobre a maca. –Olha, nos meus 20 anos de enfermagem, eu nunca vi um caso tão... Misterioso como esse! Na próxima semana vai fazer exatamente um ano que essa linda mocinha está ai, dormindo...

– Mas você não falou que ela estava em coma? — Questionei olhando a antiga e simpática enfermeira ao meu lado.

– Pois é! Porém, eu e a maioria das pessoas daqui de Forks costumamos falar que ela dorme. É bem menos “invasivo” do que falar a palavra coma... — Ela falou fazendo umas caretas, e eu sorri, virando-me mais uma vez para encarar aquele ser tão belo.

Ao admirar mais uma vez aquele rosto livre de qualquer imperfeição, tive a ligeira impressão de que já a conhecia. Ri de mim mesmo. Como poderia tê-la conhecido se essa era a primeira vez que a havia visto? Louco, era isso que eu estava tornando-me desde a morte de meu pai.

Não entendi bem o porquê, porém, quanto mais tempo eu passava encarando-a, sentia que aquele rosto era unicamente familiar. Assim, isso já estava me causando certo desconforto.

– Er... Qual é o nome dela? — Perguntei franzindo o cenho.

–Renesmee... — Falou a enfermeira com primor, o nome que nem eu mesmo sabia, que ansiava tanto ouvir. — Porém, ela é mais conhecida como a Bela Adormecida... — Ao proferir aquelas palavras, senti uma fisgada na espinha, e um arrepio percorreu todo o meu corpo.

Aquele nome trazia-me lembranças que eu não conseguia alcançar. Era simplesmente angustiante a sensação de déjà vuque tive ao apenas ouvir aquelas palavras.

Ao mesmo tempo em que existia a angústia, existia a euforia. Não entendia o motivo (afinal, estava cercado de mistérios nesse mundo), mas eram inevitáveis aqueles sentimentos. Talvez fossem apenas, mais uma vez, os sentimentos joviais despertando em meu peito. A liberdade podia, pois, estar ocupando demais a minha cabeça.

Como um iceberg, eu não conseguia medir o tamanho daquele caso e das possíveis consequências que ele poderia trazer. Aliás, era muito mais do que isso: eram as consequências que ela poderia trazer para a minha vida.

À primeira vista, alguma coisa me dizia que, finalmente, havia encontrado a solução dos meus problemas. Ou apenas o início de todos eles...



Notas finais
E ai,o que acharam???Eu sei que algumas coisas ficaram sem os "pingos nos I's"
porém,nessa fic vocês teram que desvendar os mistérios pouco a pouco rsrs...
Um Beijo Grande!
E COMENTEEEEM!
P.S: Pra quem ficou imaginando como era a Evy e o Richard,tá aqui os nomes dos atores que me inspiraram para criar os personagens:
EVY(Sara Paxton),Richard (Channing Tatum)