Slave to Love

3 Em algum lugar no tempo


Notas iniciais
Em algum lugar do tempo, o amor se foi, para fazer moradia em outros universos contados em versos. Em algum lugar atemporal, ele voltará a habitar seu coração. E não haverá mais dor e nem sofrimento. Pois o amor, por si só, é completo e benévolo.

Em algum lugar no tempo,

Eu procurei um amor

Que me trouxesse toda a glória do viver.

Em algum lugar do tempo,

Eu procurei um amor,

No qual eu pudesse me doar com toda minha alma.

Em algum lugar no tempo,

Eu procurei um amor,

Que me trouxesse paz e equilíbrio ao meu espirito.

E, em algum lugar do tempo,

Eu encontrei tal amor.

Porém, só não sabia, que em algum lugar,

Nesse lapso de tempo,

Eu encontraria um amor, que me causasse tanta dor.

Mas, as vozes da noite vieram me visitar

E não tardaram a chegar para me atormentar.

O medo foi tomando conta de mim,

Foi dando abertura para futuras decepções.

Os dias foram passando, e "elas" foram crescendo,

Transformando-se em grandes frustrações.

Eu estava tentando adiar o inadiável.

Estava enterrando todas as minhas mágoas e inseguranças.

Tamponando as paranoias.

Mas, a intuição é cruel às vezes.

E, quando ela se instala e ousa a fazer moradia,

Nada é capaz de fazê-la ir embora.

Ela só te abala.

Ela fica latente até um novo amanhecer.

Fica repousando no peito doente de angústias,

fazendo o pranto de todas as noites brotar novamente,

para regar o travesseiro.

Relutante com o amor que está escorregando,

e , aos poucos, partindo

Os dedos ficam gelados, lisos e escorregadios.

E não há como segurá-lo por muito tempo.

Ah, sim! Em breve, ele morrerá.

Assim como tudo nessa vida. Não há como escapar.

Ele sofrerá o desgaste do tempo,

Sofrerá com o desgaste inevitável das coisas.

Então, o amor, será só mais um conto para ser contado aos desconhecidos.

E se me perguntarem do que ele morreu. — Eu direi:

— Morreu prematuro. De causa desconhecida.

Mas, antes que ele morra,

Eu vou deixá-lo voar.

Não há o que fazer.

Não adianta nem mesmo lutar.

Ele não dá sinal de vida. Não está sendo persistente.

Acho que está em fase terminal.

Com as asas da luz, eu o deixarei voando

e perpetuando em algum lugar do tempo.

Agora, esse amor se foi.

Foi parar em algum canto.

E, em algum lugar do tempo,

Ele foi causar desencanto.

Está cada dia mais difícil de conviver com as feridas e o buraco deixado.

Não há retalho que tampe o dano causado.

Se ele volta? Eu não sei dizer.

Mas, quem sabe um dia, em algum lugar do tempo,

Eu o o encontre renovado.

Mas, talvez, ele caminhará errante,

Em algum lugar do tempo,

Causando novas dores e sofrimento.

Mas, enquanto isso, ficarei com as lembranças e palavras

que ele deixou.

A noite fria fará morada em mim,

carregando consigo as memórias inalteradas.

Afinal, foi a única coisa que me restou.

Notas finais
Espero ter-lhes proporcionado uma leitura gratificante! Voltem sempre, queridos leitores!