Sky

13 O massacre do pato não elétrico.


Notas iniciais
O título do capítulo é uma brincadeira por ser o capítulo 13. OTL
Me desculpem pelos erros, achei que esse capítulo não iria sair.
Boa leitura!

Seu olhar acompanhou Sandeul até ele sumir entre os convidados da festa, não sabia se deveria seguir o amigo ou se era melhor continuar onde estava. Não previu aquilo, se acontecesse qualquer coisa a culpa seria sua, porque ele jurou que aquela brincadeira era segura para ambos. Quando Zico voltou sorridente, viu que não era um bom sinal, mas manteve o silêncio que agora camuflava seu medo. Começava a achar que dessa vez ele tinha errado, uma sensação ruim invadia e preenchia seu peito, como se fosse sufocá-lo a qualquer instante, era angustiante não ter o mínimo controle da situação.

A garrafa rodou mais uma vez.

E Zico novamente sorriu.

- Vejo que você terá um destino melhor que o seu amiguinho. – O de dreads ditou vitorioso para GongChan.

- A pergunta é para mim, Zico. – L.Joe reclamou. – Deixe o garoto em paz e diga logo, quero consequência.

GongChan estranhou o fato de ser “ajudado”, ninguém naquela roda se importava com ele, principalmente depois de Sandeul ser arrastado por Baro até o armário. Pedia mentalmente para o amigo estar bem, mas algo lhe dizia que o loiro não seria capaz de bater ou fazer algo ruim para ele. O problema agora era o olhar que Zico lançava em sua direção, a malícia brincava em seus olhos, e o que lhe deixava mais tranquilo era não ser sua vez no jogo.

- Você agora é amigo dele? – Zico perguntou para o garoto que usava um tom de laranja berrante em seus cabelos. – Que bom, facilita mais a sua consequência.

- Diga de uma vez. – L.Joe disse impaciente.

- Quero que beije o ano... O GongChan na frente de todo mundo. – Sentenciou, cruzando os braços para assistir a cena de camarote.

O moreno apenas piscou várias vezes, sendo impossível assimilar o que estava acontecendo. Ele seria beijado? Por isso o sorriso de satisfação por parte de Zico? Deveria ser tudo armado, Sandeul seria o primeiro a ir contra, por isso tiraram seu melhor amigo da brincadeira, assim ele estaria sozinho e vulnerável. Olhou ao seu redor e viu que as pessoas cochichavam e aguardavam o desenrolar da cena, Krystal olhou preocupada como se dissesse um “não” mudo quase desesperado, seus colegas de sala também se mostravam apreensivos.

Quem sabe se JinYoung estivesse ali ele não poderia ajudá-lo? Ele já tinha o salvado uma vez, quem sabe ele não poderia acabar com tudo aquilo?

Quem sabe ele não poderia beijá-lo?

Não, JinYoung era seu amigo...

E amigos não se beijam.

- É só fechar os olhos, não vai doer. – ByungHun disse próximo demais, não tinha percebido que estavam quase um de frente para o outro.

Achou melhor seguir o conselho, estranhando a “delicadeza” das palavras e o tom de voz calmo do outro garoto. Pelo que se lembrava L.Joe era apenas mais um entre os garotos que colocavam apelidos maldosos e riam quando passava. “JinYoung, por favor... Apareça”, pediu mentalmente, já de olhos fechados e pronto para o seu destino inevitável.

A respiração batia quente e ansiosa contra sua bochecha, não restava mais tempo.

- Pare com isso, ByungHun. – Uma voz soou em meio ao silêncio de seu coração.

Era ele.

- Qual o seu maldito problema, JinYoung? – O de cabelo alaranjado reclamou, estava quase tocando nos lábios do mais novo.

- Eu que pergunto, enlouqueceu? – Perguntou, o que fez GongChan suspirar aliviado. Estava salvo.

Porém algo o incomodou.

JinYoung sorria, um sorriso debochado que ele nunca presenciou e suas próximas palavras confirmaram que o mais velho estava agindo diferente.

- Vai beijar esse esquisito? – Continuou, rindo descaradamente. – Achei que você fosse mais inteligente. – JinYoung cruzou os braços, ao ver que todos o observavam. – E Zico, achei que tivesse o mínimo de pena do nosso amigo... Fazer o ByungHun beijar o anormal? Não desejaria isso nem ao meu pior inimigo.

Todos estranharam aquela atitude, alguém sempre tão atencioso dizendo palavras maldosas gratuitamente? JinYoung era conhecido por ser um garoto educado, e até mesmo doce pois sempre se preocupava com as outras pessoas, nunca apoiando seus amigos em seus ataques contra quem não era popular. Sempre se mantinha distante de confusões, e jamais abriu a boca para ofender alguém, mas aquilo não passou nem perto do que ele fez a seguir.

JinYoung se encaminhou até a roda, puxando GongChan pelos braços e o fazendo levantar assustado. Pequenas lágrimas se formavam no canto dos olhos amendoados do mais novo, e uma dor o rasgava por dentro. Achou que estava salvo, depois se viu mais vulnerável do que antes, e agora se preparava para o pior.

- Hey garoto, não sei o que está fazendo aqui. – JinYoung disse venenoso. – Esta festa é para pessoas normais, acho que sua diversão acabou por hoje.

- Boa ideia Jin! – Zico também se levantou, mais sorridente do que antes. – Vou aproveitar e soltar o namoradinho dele, o Baro deve estar cansado de enrolar aquele infeliz.

GongChan não viu quando Zico passou por ele, também não ouviu as risadas ao seu redor e muito menos sentiu Krystal o puxando para que eles saíssem dali. Seu olhar se manteve preso em JinYoung, tentando a todo custo entender o motivo dele lhe dizer aquilo, era cruel e desumano porque ele confiava plenamente em JinYoung. Eles eram amigos, não eram? Então a dor que o fazia sangrar por dentro era apenas passageira, não era? Ele iria acordar daquele pesadelo, eles ainda seriam amigos, JinYoung iria sorrir e dizer para ele “foi só um sonho ruim” e tudo ficaria bem.

Antes ele era um garoto que sempre quis ter amigos de verdade, viver emoções sinceras, ser aceito do jeito que era e ver tudo isso se tornando real, agora GongChan preferia que tudo fosse mentira. Queria ver aquela dolorosa lembrança se desfazendo no ar como fumaça, porém todos os seus sonhos foram quebrados segundos atrás por aquele que ele achou ser seu amigo.

- Você é como todos os outros. – Disse com a voz amarga, até falar doía. – Obrigado por me fazer de idiota.

Krystal vendo que o amigo estava quebrado, apenas o puxou com mais força para longe dali, tinha nojo de todas as pessoas que riram e apontaram, mas nada superava o ódio que ela sentiu por JinYoung e todo o grupinho de “populares”, se pudesse quebraria a cara de cada um deles. Só não o fez porque não valia a pena sujar as mãos com gente tão baixa.

Precisavam sair o mais rápido daquele pesadelo.

-

“Doía. Minha alma parecia partir em pedaços tão pequenos que jamais seria possível recuperá-los, como se o vento os levasse para bem longe. Eu era tolo por acreditar que alguém como JinYoung pudesse ser meu amigo, ele era intocável, inalcançável e agora estava ainda mais distante de mim. Por alguma ironia do destino eu cheguei a acreditar que poderíamos nos aproximar, sendo que na verdade nem ele queria essa aproximação. Éramos como sol e lua, jamais nos encontraríamos... Algo muito mais forte que a gravidade nos separava.”

-

x-x-x

A boca macia ainda se movia sobre a sua, a mão pressionando sua nuca não deixava o beijo acabar, seus olhos se recusavam a abrir e seu coração batia cada vez mais rápido. Não queria se separar do mais velho, estava gostando de ser beijado e tocado por aquele que dizia o odiar com todas as forças, por aquele que sempre o tratava tão mal, mas que agora o levava até a entrada do céu.

Baro usava a mão livre para fazer uma leve pressão bem no meio de sua coluna, deixando assim seus corpos colados em uma provocação involuntária. Nos primeiros segundos foi diferente beijar a boca do próprio primo, estar próximo como dois namorados, mas estranhamente tudo parecia estar em seu devido lugar após a sucessão de beijos e toques cálidos. Não sabia há quanto tempo estava ali, talvez alguns minutos ainda restavam, porque Baro só quebrava o contato para respirar minimamente, como se não pudesse desperdiçar um segundo sequer.

- Você não deveria beijar tão bem. – A voz amolecida voltou a falar. – Onde aprendeu a beijar desse jeito? – Perguntou levemente malicioso, prendendo o lábio inferior do mais novo entre seus dentes.

- Eu não sei. – Sandeul respondeu ofegante, assim que Baro o soltou.

- Então eu quero outro beijo, pato zumbi. – Ditou a última palavra divertido, tudo rodava e os beijos amenizavam o efeito do álcool.

Sandeul vacilou por um momento, deveriam ter um ou dois minutos até a porta do armário ser aberta, seu primo estava realmente bêbado e com certeza se arrependeria de cada palavra e de cada beijo. Mas ele não estava bêbado, um pouco inebriado pela ternura daquele gesto, algo inimaginável à exatos sete minutos atrás, só que ainda sóbrio não sabia se deveria beijá-lo por contra própria.

Então respirou fundo, tomando coragem e aliviando a pressão em seus pulmões. Tocou a face do mais velho, que apenas sorriu e se inclinou mais para facilitar o contato, depois acariciou levemente suas bochechas, queria sentir que Baro era real. Umedeceu os lábios secos de ansiedade, fechando os olhos lentamente, pronto para mais um beijo, dessa vez porque realmente queria. “Eu vou mesmo beijá-lo?”, se perguntou mentalmente ao sentir o aperto da mão de Baro em sua nuca, que parecia mais ansioso do que ele.

Quando seus lábios se encostaram no mesmo instante se afastaram abruptamente, ou melhor, Sandeul se afastou porque ouviu o som das risadas. O que estava acontecendo? Apenas a imagem de GongChan veio à sua mente, como se tudo fizesse sentido. Claro, ele não iria ser preso com Baro a troco de nada, deveria existir algum plano por trás de tudo aquilo e ele tinha caído literalmente como um “patinho”.

- Por que eu estou aqui? – Sandeul perguntou nervoso, batendo na porta e pedindo para ser solto. – O que seus amigos estavam planejando?

Baro deu de ombros, pequenos pontos coloridos brilhavam na sua frente e ele não sabia qual era o mais interessante. Tudo que Sandeul falava não fazia sentido, ele estava esperando por mais beijos adocicados enquanto tudo ao seu redor ficava mais quente, ouviu as risadas sem entender nada. Pensou em perguntar para o “pato-zumbi-beijoqueiro”, mas achou melhor ficar quieto porque ele parecia nervoso, talvez devesse acalmá-lo com outro beijo ou um bom chupão no pescoço.

Estava prestes a perguntar quando iriam se beijar de novo, mas a porta se abriu e Zico o puxou dali, dizendo algo sobre pudins... Ou eram bolos? Não importava, estava alegre ao ponto de em um piscar de olhos se encontrar na cozinha, sendo acompanhado por Sulli. Zico o levou até lá? Não sabia, agora só queria descansar um pouco e esperar tudo parar de brilhar.

- Você é um pato também? – Ele perguntou, tomando o suco que a namorada oferecia.

- Não! – A garota riu. – Chega de beber por hoje, ok? – Afagou os fios descoloridos. – O que ficou fazendo no armário, ein? – Perguntou esperando Baro tomar todo o suco.

- Fiquei observando as estrelas. – Riu mais uma vez, se inclinando e deitando sobre o balcão da cozinha.

Observando estrelas e beijando patos.

-

A primeira coisa que fez quando a porta se abriu foi procurar GongChan, estava apreensivo principalmente porque a música voltava a ficar alta e pelo jeito o jogo havia terminado. Não precisou procurar muito, com apenas um passo avistou Krystal saindo da festa como um raio, arrastando o moreno pelo braço como se o tirasse do próprio inferno. O sentimento inexplicável que o asfixiava desapareceu no mesmo instante, os beijos e a troca de carinhos com Baro se tornou algo ridículo perto do que viu.

GongChan estava chorando.

Correu o mais rápido que pode, os alcançando na calçada sem saber o que fazer. Pegou o amigo pelos ombros e o encarou, toda alegria que queria compartilhar se dissipou ao ver o estado do amigo, olhou para o lado e Krystal revirava a bolsa aflita em busca do celular.

- Precisamos achar um táxi, precisamos tirar o Channie daqui! – Disse nervosa enquanto digitava os números no teclado do pequeno aparelho. – Droga! Está ocupado.

- O que aconteceu? – Perguntou sem entender o que estava acontecendo, GongChan já o abraçava com toda força, tentando se livrar da dor.

- O JinYoung, aquele idiota! – Krystal praticamente gritou. – Ele... Ele disse coisas horríveis. – Respondeu fazendo um sinal de que era melhor não tocar no assunto. – Conhece o número de algum táxi?

Sandeul acenou com a cabeça negando, ele só tinha o número dos tios, do primo e de alguns colegas de sala. Não sabia direito o que estava acontecendo, mas percebeu que ficar ali só pioraria a situação.

- Channie, por favor me escuta. – Sandeul disse calmo. – Você precisa se acalmar, tudo bem? Eu estou aqui agora e ninguém vai fazer mais nada contra você, entendeu?

GongChan permanecia calado, controlando a vontade de se desmanchar em lágrimas. Tentava assimilar as palavras doces que JinYoung sempre lhe disse, com as amargas que mais pareceram um tapa contra seu rosto. Deveria ter alguma explicação, JinYoung não era uma má pessoa, ele era especial... Não era? Era seu amigo...

- Tenta se acalmar. – Ouviu Sandeul pedir novamente. – Hoje você dorme em casa, vou ligar para os seus pais e inventar uma desculpa.

Mas ele não tinha forças nem para responder, sentiu os braços do amigo se soltarem do seu corpo, passando o celular para ele porque não conseguiria falar com sua mãe normalmente. Esperou que Sandeul resolvesse o problema, realmente não queria ir para casa naquele estado, seus pais sempre tão preocupados entrariam em desespero ao ver como ele estava abalado, e com certeza não conseguiria mentir para eles.

- Krystal, está tudo bem? – ShinWoo também saiu da festa em busca de informações.

- Você não deveria perguntar isso para mim, seu idiota! – Indignou-se, quem estava mal ali não era ela.

- Estão precisando de alguma coisa? – Perguntou dessa vez para Sandeul, não sabia o que dizer para GongChan que permanecia parado na calçada.

- Precisamos de um táxi, mas antes o GongChan precisa se acalmar. – Respondeu assim que terminou a ligação. – Sua mãe deixou você dormir fora hoje, não se preocupe que eu vou cuidar de você. – Disse para GongChan que continuava sem reação.

- Sandeul, se quiser eu levo vocês. – ShinWoo ofereceu, mesmo com o olhar mortal que Krystal lhe lançava. – Depois eu volto para festa porque o seu primo está bêbado e vai dormir na minha casa.

Baro.

Sandeul por alguns minutos havia se esquecido dele. Sua situação era tão incerta quanto a do melhor amigo, torcia para que o primo se lembrasse de tudo, mesmo sabendo que seria melhor para ambos que tudo fosse esquecido. Agradeceu pela ajuda de ShinWoo, voltando a abraçar GongChan para que ele reagisse de alguma maneira. A única coisa que ouviu foi uma risada baixa saindo pelos lábios do mais novo, pois Krystal e ShinWoo estavam discutindo mais uma vez.

Foi aquela risada que o aliviou.

x-x-x

Era como se estivesse em uma praia, além dele só a imensidão do mar à sua frente e o tapete de areia debaixo de seus pés. Enquanto caminhava sobre o tapete fofo e morno, suas pegadas deixavam rastros de sua passagem por ali, mas logo o mar avançava sobre a areia apagando cada uma delas, apagando tudo que ele construiu até então. Se sentia um idiota por ter tomado uma atitude como a de minutos atrás, ele não era aquele JinYoung que julgava as pessoas e principalmente que dizia coisas tão horríveis.

Ele era o JinYoung bobamente apaixonado.

Entrou na cozinha logo depois que GongChan foi embora sendo arrastado por Krystal, precisava tomar algo forte para amenizar a culpa e a raiva que sentia de si mesmo, por ser um covarde e preferir machucar quem ele ama ao invés de tomar uma atitude. Viu que alguns alunos pegavam latinhas de cerveja no freezer e resolveu tomar uma também, mesmo que odiasse qualquer tipo de bebida alcóolica precisava de uma no momento.

- JinYoung, não faça isso. – Ouviu a voz amolecida de Baro e só então reparou que ele estava na cozinha junto com Sulli.

Claro, ele poderia saber de alguma coisa e responder algumas perguntas que talvez amenizassem sua culpa.

- Baro, me diz qual era o plano! – Segurou o amigo pelo ombro, já que o loiro estava quase tombando novamente no balcão. – O que o Zico planejava?

- Eu não sei. – Deu de ombros, começando a ficar enjoado. – Não estou brincando de missão impossível para ter “planos”. – Riu da própria piada que só ele achou engraçada. – Eu seria o Baro Cruise. – Concluiu sorridente.

JinYoung bufou de raiva dando um soco no balcão, ele não era alguém descontrolado, mas a aproximação forçada entre L.Joe e GongChan era muito estranha, ou melhor, suspeita e aquilo não fazia sentido. Não adiantava perguntar nada para Baro, porque na condição em que se encontrava ele não era capaz de formular uma frase corretamente. Olhou para o lado e o casal discutia, porque Baro bêbado falou que eles poderiam fazer igual o Tom Cruise na vida real.

“Você quer se separar de mim? É isso?”, ouviu a garota reclamar e achou melhor deixar os dois sozinhos, mas antes de sair quem ele menos desejava ver entrou na cozinha.

- Parabéns, me livrou de um trabalho enorme. – Zico agradeceu irônico pegando uma lata de cerveja. – Sinceramente não esperava tanto de você.

Sabia que JiHo estava sendo sarcástico em cada palavra, mas achou que depois de ter humilhado GongChan não restaria nenhuma desconfiança sobre ele. Estava muito enganado porque aquilo não convenceu Zico por um segundo sequer, queria tirar a todo custo a atenção que o veterano depositava no garoto, porém parecia impossível convencê-lo de deixar GongChan em paz.

- Qual o seu problema com ele? – Perguntou exaltado, o sorriso debochado o deixava com mais raiva.

- Acho que você deveria fazer essa pergunta para si mesmo. – Respondeu seco. – Eu vi vocês dois no festival como se fossem velhos amigos, acha que esse teatro me convenceu?

Claro, só um idiota para achar que convenceria Zico. Por ter se aproximado do mais novo o interesse do veterano praticamente dobrou, como se agora provocasse GongChan para na verdade atingir JinYoung. O de dreads odiava que outras pessoas se intrometessem com os seus brinquedos, então agora todos iriam jogar também.

- Pare de implicar com o garoto, eu já fiz o que você queria! – Praticamente gritou, ignorando que Baro e Sulli ainda estavam na cozinha.

- Não, você não chegou nem perto do que eu vou fazer. – Alertou. – E lamento informar, mas nosso amigo ByungHun está bem interessado no esquisito...

Era só o que faltava, GongChan também teria que lidar com um dos maiores canalhas do colégio? Muitos não sabiam que L.Joe carregava uma lista de conquistas e que se quisesse poderia ser ainda pior que JiHo. Tinha mentido na frente de todo colégio praticamente, machucou quem considerava ser especial e agora teria que lutar muito para convencer que ele tinha feito tudo por impulso, tudo por um desespero incontrolável.

Jamais permitiria que alguém beijasse GongChan.

- Como assim? – Precisava confirmar se o outro estava blefando ou não.

- Pergunte para ele. – Riu mais uma vez. – Você perdeu pontos com o anormal porque quis, eu não lhe pedi nada. – Aproximou-se perigosamente, querendo falar algo só para JinYoung ouvir. – Você fez isso por ciúmes.

- Você deveria agradecer pelo que ele fez no primeiro ano. – Disparou só para atingir Zico. – Se GongChan não tivesse aparecido naquela hora, você iria matar aquele garoto de tanto bater!

- Eu só estava dando uma lição nele... – Explicou enquanto apertava o braço de JinYoung, sentia vontade de quebrá-lo. – Eu não machuco as pessoas... Não muito. – Soltou o braço que agora estava dolorido.

- E o que você vai fazer? – Fez a última pergunta, iria atrás de GongChan para esclarecer tudo antes que fosse tarde demais.

- Eu? – Riu, tomando um bom gole da cerveja que começava a ficar quente. – Eu não vou fazer nada, você mesmo fez um bom estrago por mim... – Ergueu a latinha de cerveja. – Um brinde a sua estupidez.

Sua respiração pesada era o único som que permaneceu ali, em algum momento da conversa Sulli arrastou Baro para longe, porque o clima na cozinha não era nada agradável. Quando Zico o deixou sozinho pode deixar o ar escapar de seus pulmões, seu braço doía devido ao aperto, mas nada se compararia a dor que sentia por dentro. E se ele se sentia daquela maneira, GongChan deveria estar muito pior.

Agora tinha certeza que existia algo por trás de todo aquele ódio que Zico sentia, viu como o outro vacilou quando falou do garoto que ele quase matou de tanto bater. Talvez GongChan soubesse de alguma coisa além do que o próprio JinYoung conhecia, tudo que aconteceu naquele dia estava espalhado por meio de boatos que ele não sabia se eram verdadeiros ou não. Quem sabe aquilo não poderia ser algo a seu favor?

Porém, independente de tudo ele precisava se explicar com GongChan.

-

Quando abandonou a festa achou que não encontraria GongChan, tinha perdido tempo demais com Zico e talvez fosse essa intenção do veterano. Mas para sua surpresa lá estava ele...

Frágil, parecia uma pintura em tons de azul e cinza. Muito diferente do garoto sorridente que conhecia, já que por mais que ele fosse tímido quando estavam juntos, um pequeno sorriso sempre adornava os lábios bem desenhados. Agora a expressão serena e doce fora substituída pelas lágrimas. Eram pequenas, como o orvalho que amanhecia nas folhas das árvores, sutis e ao mesmo tempo intensas, pois havia um sentimento muito grande por trás delas.

Que JinYoung imaginou por um momento ser raiva. Porém o anjo era incapaz de odiar alguém, até mesmo depois de tudo que ele disse.

Não sabia como se aproximar, viu que a garota que acompanhava o mais novo anteriormente o olhava com raiva, ShinWoo tentava acamá-la a todo custo, mas ela gesticulava e xingava JinYoung de todos os nomes possíveis. Resolveu ignorar, porque de alguma forma bizarra os dois pareciam se entender, então concentrou seus passos para chegar até GongChan, que estava abraçado com Sandeul e até então não tinha notado sua presença.

Sentiu um pouco de ciúmes ao vê-los tão próximos e ao mesmo tempo se sentiu aliviado, Sandeul estava cuidando de GongChan, algo que JinYoung deveria estar fazendo porque a situação só chegou naquele ponto por sua causa. Tentou formular algumas frases mentalmente, algum pedido de desculpa que amenizasse a dor que o outro estava sentindo, ele era muito delicado ao se aproximar das pessoas, talvez se arrependesse de dar uma chance a JinYoung.

- GongChan... – Chamou baixo, o que fez o moreno se soltar do abraço e encará-lo. – Nós precisamos conversar.

O mais novo ao ver quem o chamava sentiu um nó em sua garganta, que o sufocaria até que o ar lhe faltasse. Não imaginava que o outro viesse falar com ele, achava que estava tudo acabado entre eles, porque já tinha sido humilhado o suficiente. A princípio pensou em responder, mas um rancor amargo dançou por sua boca, então achou melhor ficar calado já que não tinha mais nada para conversar com JinYoung. Mas não adiantou, o mais velho continuava insistindo e GongChan magoado como estava passou a andar para longe dali.

- Eu te peço, me escute. – JinYoung vinha logo atrás, então começou a andar mais rápido. – Não foi algo planejado, eu juro. Agi por impulso! – Confessou.

Ao ouvir aquilo GongChan parou, vendo que estavam alguns metros longe de seus amigos, começava a se sentir mais fraco só por estar perto do mais velho, e não achava que era um bom sinal. Não reconhecia o garoto amável e atencioso enquanto encarava JinYoung de volta, aliás, não reconhecia absolutamente nada no mais velho. Ele sempre fez parte de sua vida como uma incógnita e só se tornava mais confuso.

- Agiu por impulso? – Perguntou, sentindo vontade de chorar novamente. – Por impulso você quis me humilhar na frente de todo mundo?

- Não! – Controlou-se para não gritar. – Eu estraguei tudo, mas foi por uma boa causa. – Se aproximou, puxando GongChan pelos ombros.

Sentir o mais novo tão próximo era como uma agradável tentação, queria poder abraçá-lo e finalmente dizer o que sentia, mas agora teria que ir com calma para recuperar a amizade que se abalara por causa do seu egoísmo cego. GongChan praticamente tremia em seus braços, a voz saia cortada do fundo de sua garganta, como se até ela estivesse machucada, e os olhos vacilavam na hora de encará-lo. “O que eu fiz?”, perguntou-se mentalmente ao ter a noção completa do estrago que fez.

- Boa causa? – O moreno riu fraco. – Trair a minha confiança é uma boa causa?

- Quando eu vi o ByungHun tão perto de você, eu enlouqueci. – Confessou, trazendo GongChan mais para si, abraçando o mais novo como tanto desejava. – E eu queria tirar as desconfianças que Zico tinha sobre nós. – Suspirou. – Eu não quero que ele faça da sua vida um inferno.

- Ele já faz. – Disse envolvendo seus braços no pescoço do mais velho.

Manter qualquer contato físico com JinYoung doía, sentia como se sua pele queimasse por estarem tão perto. Se não fosse pela jaqueta que o outro usava não aguentaria permanecer naquela posição por muito tempo, como se fosse proibido estarem juntos e seu próprio corpo repelisse o contato. Porém, precisava se livrar da dor que preenchia seu coração, substituí-la por outro tipo de punição parecia ser a melhor forma de esquecê-la. Não sabia se deveria confiar em JinYoung ou não, mas aquele abraço era uma anestesia que relaxava todos os seus sentidos.

- Mas eu não me importo com isso. – Voltou a falar. – Eu não ligo para as humilhações que a maioria dos alunos faz comigo.

- Eu... – Não sabia o que falar, sentia as lágrimas do mais novo molhando sua bochecha.

- Não interessa quantas vezes eles me xingam ou me olham com desprezo. – Revelou. – Porque eles não são especiais para mim. – Tentou controlar o choro, mas parecia impossível, sua voz quebrava a cada sílaba. – Mas você... Você é especial, JinYoung.

JinYoung sentiu seu coração pesar, aquelas palavras eram um fardo que ele não conseguiria carregar. Existia uma sinceridade tão pura, que só conseguia aumentar a sensação de ser um lixo comparado ao anjo que chorava em seus braços. Afastou-se minimamente, apenas para secar as lágrimas que insistiam em molhar o rosto bonito, tocando cada gota com os polegares e as empurrando para longe. Encarou GongChan por alguns segundos, tentado controlar a vontade de beijá-lo, porque era essa vontade que o motivou a fazer tamanha besteira.

- Eu não poderia deixar que ele te beijasse. – Voltou a se explicar. – Chame de ciúmes ou do que quiser, mas o L.Joe jamais seria digno de lhe tocar. – Suspirou. – Por favor, não acredite em nada do que eu disse na festa, você não é um anormal... Mas sim a pessoa mais incrível que eu já conheci.

GongChan parou de chorar, não sabia ao certo o que pensar porque não conseguia entender JinYoung, mesmo que se esforçasse para isso. Olhava seus traços tão bem desenhados, seus olhos que não lhe diziam nada e sua boca que agora movia-se para dizer palavras agradáveis. Era por isso que achou seguro ir à festa, JinYoung estava fora do seu alcance, era imune ao seu sentido apurado sobre as pessoas.

- JinYoung! – Uma voz animada surgiu interrompendo o momento, o que GongChan agradeceu. – Ah, você está aí!

- Oi para você também, TaeMin. – Disse derrotado, o outro estava bêbado e andava quase caindo pela calçada.

- Opa! Cuidado para não me derrubar. – O garoto riu quase caindo no colo do amigo. – O que está fazendo? – Perguntou curioso e de forma infantil.

TaeMin tinha acabado de sair da festa, suas bochechas estavam coradas devido a quantidade de álcool que ingeriu, ele ria e gesticulava achando tudo engraçado, completamente diferente do que era normalmente. Seu alvo sempre era JinYoung, porque era o único amigo que aguentava todas as suas reclamações e também o único que tinha paciência com ele.

- Jinnie. – Chamou manhoso. – Você está com esse garoto bonito? – Riu novamente, se jogando nos braços do seu alvo. – Eu conheço ele...

- É, você conhece. Ele faz parte do clube de teatro, lembra? – Perguntou vendo que TaeMin estava distraído demais com GongChan.

- Vocês estão namorando? – Perguntou inocentemente para o mais novo, que corou no mesmo instante. – Sorte que o Jinnie é um bom garoto. – Fez um pequeno bico com os lábios. – Nunca, mas nunca se interesse por um professor metido a espertinho. Eles são ridículos e...

- Chega por hoje, você não sabe o que está falando. – JinYoung interrompeu antes que TaeMin falasse mais alguma coisa para GongChan. – Eu, eu vou ter que levá-lo de volta. – Explicou.

- Tudo bem, eu também já estou indo. – O moreno disse por fim.

- Nos falamos depois? – Perguntou, temendo pela resposta.

O mais novo apenas assentiu e foi primeiro, deixando JinYoung perdido em pensamentos com um garoto bêbado nos braços.

- Jinnie, você vai contar pro HeeChul que eu bebi? – Indagou assim que JinYoung começou a arrastá-lo de volta para festa. – Eu fiquei com uma garota tão linda... – Suspirou. – O nome dela era Ren, diferente não acha? – Riu se lembrando da garota da festa.

JinYoung apenas suspirou pesadamente, segurando TaeMin com mais força e o arrastando de volta para mansão. O garoto de cabelos compridos ainda insistiu na conversa, falava rápido e alegremente sobre o seu tutor ser a Lady Gaga ou algo parecido, não estava prestando atenção nas bobagens que ele dizia.

Só conseguia pensar em GongChan.

-

“Eu não sabia como ganhar sua confiança novamente, mas faria de tudo para conquistá-la. Agora mais do que nunca eu estava disposto a fazer tudo por ele, porque ao ter GongChan em meus braços percebi que era meu maior desejo. Seu cheiro, sua voz doce e sua face serena, todo o conjunto que o fazia perfeito me conquistou. Fraco e tomado pelo ciúmes eu até me arrependia de minhas atitudes impensadas, mas eu faria tudo de novo para deixar meu anjo imaculado longe de quem quer que fosse. Eu o amava e estava completamente perdido nesse sentimento.”

-

x-x-x

Já era tarde quando GongChan finalmente dormiu em seus braços. Estavam deitados em sua cama, segurava a mão do melhor amigo que parecia uma pintura de tão suave que era seu sono, se não fosse pelo peito subindo e descendo indicando que respirava, qualquer um poderia dizer que ele era um boneco de tão belo. Sorriu ao ver que ele estava melhor, tinha passado por muita coisa naquele dia e quem sabe depois de descansar ele não ficaria bem?

Por outro lado, Sandeul não conseguia dormir. Estava zelando pelo sono do moreno, mas ao mesmo tempo acabava se lembrando dos beijos trocados com um certo loiro irritadinho. Eles eram primos, aparentemente se odiavam e por sete minutos se beijaram, como se no dia seguinte tudo não desmoronasse sobre eles. “Como se ele gostasse de mim...”, pensou levando a mão livre até seus lábios, podendo sentir o restinho do gosto do beijo em sua boca.

Ficou pensando na voz amolecida, no cheiro, nos toques e principalmente no que aquilo significava em sua vida. Quando os primeiros indícios de sono começavam a deixar seu corpo relaxado, ouviu o celular vibrar na mesinha de cabeceira, se esforçando ao máximo para atender a ligação sem que GongChan acordasse.

- Alô. – Sua voz saiu baixa e trêmula.

Do outro lado da linha o motivo da sua insônia parecia zangado.

- Eu me lembro de tudo, pato safado! – Baro grunhiu de raiva.

- Mas... – Começou sem saber o que responder.

- Vá preparando as suas malas, porque eu vou fazer de tudo para me livrar de você. – Seu tom era calmo, mas carregado de ódio. – Eu vou te apagar da minha vida, Lee JungHwan.

E desligou.

-

“Se eu dissesse que não estava com medo, estaria mentindo. Aquela ligação mexeu comigo de tal forma, que pedi baixinho para que o dia nunca mais amanhecesse. Não era a ameaça que me deixou em pânico, era o que existia por trás dela. Ódio. Ele com certeza estava arrependido e faria de tudo para apagar nossos beijos de sua memória, enquanto em mim aquele contato único estava marcado como uma cicatriz em minha pele. Porque o idiota apaixonado ali era eu, não ele.”

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Notas finais
Yay, não foi fácil escrever esse capítulo. Não ficou como imaginei ele tantas e tantas vezes.
Enfim, comentem meus bbs lindos, respondi todo mundo do capítulo anterior, ok? Ok.
Beijos!
P.S: Próxima fic a ser atualizada... Realidade Paralela.