Sky

10 A nova loira do Tchan é linda.


Notas iniciais
Oi gente ~
Eu gosto desse capítulo. :3 Espero que também gostem, era pra eu ter postado mais cedo, só que há 3 dias a internet de casa está uma bosta.
Como de costume: Me desculpem pelos erros e boa leitura.
P.S: Capítulo dedicado pra Nina linda. ♥
E seja bem-vinda de volta Hélice. *-*

Atravessavam as ruas de Seul após o jantar, do lado de fora do automóvel a cidade brilhava e parecia não parar um segundo sequer, enquanto um silêncio aconchegante era mantido dentro do carro. Key observava algumas lojas durante o percurso até seu apartamento, o barulho do motor velho e o estofado gasto do carro pareciam não o incomodar mais e um pequeno sorriso adornava seus lábios.

O restaurante era excelente, seu estômago estava cheio de boa comida e totalmente satisfeito, e aquilo que julgava mais indigesto acabou não sendo uma experiência ruim. JongHyun com aquele jeito de garoto conseguia ser engraçado na medida certa quando queria, até mesmo conversar sobre vários assuntos ele poderia conversar, muito polido e estudado pelo que Key notou. Claro que por fora e na maioria das vezes ele mantinha a aparência de um ogro, porém ele conseguia ser bem agradável caso se esforçasse.

Key riu baixinho ao perceber que talvez, só talvez, a companhia do mais velho fosse bem-vinda, por mais que aquele jantar fosse uma enorme exceção, ele não ligaria de sair com o professor de educação física novamente. Antes ele daria algumas dicas para ele se vestir bem, porque JongHyun atraiu muitos olhares quando jantavam, a maioria das mulheres cochichava enquanto praticamente o devoravam com o olhar, só porque o depravado usava alguns botões da camisa abertos. Com certeza sem o mínimo de classe. Só um “bombadinho” para gostar de se exibir dessa maneira.

Perdido em pensamentos, olhou mais uma vez pela janela, estranhando o percurso que faziam, aquele não era seu bairro!

- Hey, está me sequestrando? – Perguntou exasperado.

- Claro que não. – JongHyun respondeu óbvio. – Só estou te levando para o meu apartamento, ainda é cedo para noite acabar.

- Não, não, não! Ficou louco? – Virou-se para o mais velho alterado. – O combinado não era esse! Eu quero ir para casa, agora...

- O combinado também era você não gostar da minha companhia. – Ditou vitorioso, durante o “falso encontro” pode notar que Key se soltava sem nem ao menos perceber. – Já estamos chegando, acalme-se aí.

- Eu vou ligar para a polícia. – Ameaçou já com o celular em mãos.

- Para de drama! – JongHyun riu do desespero do mais novo. – Viu, já chegamos. – Disse assim que estacionou o carro na frente de um prédio menos antigo que o do garoto ao lado.

- Não vou descer! – Cruzou os braços em sinal de protesto.

Por fora estava tentando se manter firme, mas por dentro Key estava... Decepcionado. Por alguns minutos achou que JongHyun fosse diferente, achou que ele pudesse ser um cavalheiro por trás da carcaça de músculos, mas não, ele era como todos os outros. Sentia-se um idiota por cogitar a hipótese de que eles poderiam se dar bem, assim como dez entre dez homens o mais velho também só queria se aproveitar da situação. A maioria das pessoas que se envolvia com ele estava interessada na sua influência e em toda fortuna que seu sobrenome carregava, e como ele fora “deserdado” após o escândalo só restava a segunda opção.

JongHyun estava sendo gentil por sexo.

Muitos já passaram por sua cama, ele não negava. Como uma forma de vingança contra sua família ele sempre descontava suas frustrações em festas, o que resultava em sexo, tanto com mulheres quanto com homens.

- Te trouxe aqui só para conversar um pouco. – JongHyun explicou-se, estava do lado de fora tentando convencer o mais novo.

- Aish, tudo bem. – Falou derrotado, saindo do carro e acompanhando o mais velho até a portaria.

Já que era sexo que JongHyun queria, ele teria e depois Key nunca mais olharia em sua cara.

- Seu apartamento fica perto da faculdade em que estudei. – Comentou assim que entraram no elevador, diferente do prédio em que morava o do “bombadinho” tinha ao menos um elevador.

- Eu estudei educação física lá, por isso moro aqui. – Respondeu assim que entraram no apartamento. – Dividia o aluguel com um amigo meu, e depois de nos formarmos acabei ficando.

- Folgado como sempre. – Key não poderia deixar de implicar com algo. – Então estudamos na mesma faculdade e nunca nos encontramos? – Riu. – Sorte a minha.

- Ah, que engraçadinho. – O mais velho fez uma careta. – Aposto que adoraria dividir um apartamento comigo, ou melhor, dividir um quarto bem pequeno.

Key mostrou a língua em um gesto infantil, o lugar não era tão ruim assim. As paredes eram pintadas de branco, tudo por incrível que pareça combinava com a decoração do lugar, algo masculino, porém organizado. Havia um sofá e duas poltronas em um tom de cinza, uma estante com a televisão e algumas fotos e objetos, uma mesinha de centro e quadros na parede oposta a da televisão, na mesma paleta de cores que a decoração simples da sala. A cozinha ficava logo ao lado, com um balcão e uma mesa pequena, mas suficiente para quatro pessoas, fogão, geladeira e na parede próxima a pia outros quadros, mas com galinhas em vez da arte abstrata presente na sala.

O morador já pensava em algo para preparar, apesar da comida excelente do restaurante queria algo para beliscarem enquanto jogavam conversa fora. Olhou para sala onde Key observava uma foto sua com seu antigo companheiro de apartamento e melhor amigo, mas um braço se mantinha afagando o outro, como se quisesse aquecê-lo, foi a deixa para encontrar algo para beberem.

- Aceita um chocolate quente? – Perguntou da cozinha que era separada da sala por um balcão.

- E você sabe cozinhar alguma coisa? – Key indagou suspeito.

- Claro, meu cardápio é muito variado e melhor do que qualquer restaurante de Seul, sou um mestre da cozinha ocidental aliás. – Se gabou, procurando os ingredientes necessários.

- E muito humilde também... – Riu balançando a cabeça em negação. Não, não poderia apreciar estar próximo do outro professor.

Resolveu deixar o profissional da cozinha trabalhando e se encaminhou para a pequena varanda, dava para enxergar boa parte da cidade de lá. A antiga faculdade, alguns lugares que frequentava em volta e se forçasse sua visão poderia enxergar até mesmo o condomínio luxuoso onde morava. Estava vendo seu passado como um filme em sua mente, mas estava ali bem diante dos seus olhos, tão palpável que ele sentiu vontade de tocar cada ponto de luz com os dedos.

- Um chocolate quente pelos seus pensamentos. – JongHyun surgiu na varanda minutos depois, com duas xícaras com a bebida quente, servindo uma para Key.

- Só estava lembrando do meu tempo de faculdade. – Respondeu, experimentando a bebida lentamente, e ao sentir o sabor do chocolate em sua boca teve que admitir, estava delicioso.

- Sou dois anos mais velho, então chegamos a frequentar a faculdade no mesmo período, claro que você devia ser apenas um calouro. – Riu tomando um gole da bebida, além de saborosa também aquecia seu corpo por dentro.

- Bom, se nos cruzamos eu não me lembro. – Avaliou, realmente não se lembrava de ter encontrado com JongHyun antes. – Um monte de massa muscular é fácil identificar. – Provocou pela milésima vez naquela noite, bebericando seu chocolate.

E em meio a provocações, risos e lembranças eles ficaram ali, sentindo o vento gelado da noite. Conforme os minutos se passavam um ficava mais a vontade com o outro, chegaram a descobrir que frequentavam os mesmos lugares, que até mesmo foram nas mesmas festas, porque a turma de educação física era bem animada no quesito “eventos” da faculdade, e a turma de calouros de artes adorava participar de todos eles.

Quando Key percebeu que as horas haviam passado mais depressa do que ele imaginou, JongHyun encerrando sua cota de cavalheirismo do dia tratou de levar o mais novo de volta ao seu apartamento, onde novamente Kibum aproveitou o silêncio do carro – velho — do colega de trabalho.

- Bom, está entregue. – JongHyun falou um pouco sem graça, já estavam na calçada do prédio do professor de artes. – Espero que tenha gostado do restaurante e até mesmo da minha companhia. – Coçou a nuca se aproximando de Key.

- Acredite se quiser, mas eu gostei. – Sorriu. – Do restaurante e da companhia. Obrigado. – Agradeceu sincero. – Um dia de trégua não faz mal a ninguém.

- Aish, vai me tratar como antes? – Perguntou, recebendo um aceno em afirmação por parte de Key. – Então posso ter um pedido nesse finalzinho de trégua?

- Pode. – Respondeu não pensando nas consequências.

- Eu quero um beijo. – Foi direto, enlaçando o corpo magro com facilidade, prendendo Key de uma forma que ele não se soltaria tão facilmente.

O mais novo tentou ir para trás devido a seriedade do pedido, mas estava realmente preso. Sem ter como lutar com o que viria, apenas fechou os olhos esperando ser beijado.

Só voltou a encarar o mais velho quando sentiu os lábios dele desgrudando lentamente de sua testa.

- Te vejo na segunda, boa noite.

JongHyun se despediu com um sorriso torto nos lábios, deixando Key ali parado, sem reação alguma.

-

“Eu imaginava que ele seria como todos os outros, chegando até mesmo a sentir o gosto de seus lábios contra os meus, porém ele não o fez. A lua era testemunha de como meu coração pareceu saltar do peito quando ele foi embora, deixando comigo apenas a lembrança sutil de seu toque. O único beijo que me fez tremer daquela forma em toda minha vida foi o dele, um beijo doce em minha testa. Como se pela primeira vez alguém se importasse comigo.”

-

x-x-x

Em plena manhã de sábado lá estava ele, com seus cabelos compridos presos em um rabo de cavalo alto, a calça justa como se fosse uma segunda pele, coturnos pesados em um dia de sol, e para finalizar uma camisa de alguma banda inglesa. Andar por aí apreciando a paisagem nunca fora seu forte, preferia ficar em seu quarto dormindo até tarde. Isso de se socializar, tomar sol, e ver as crianças brincando lhe dava náuseas, não tinha motivos para sorrir como a maioria das pessoas naquele parque, só estava ali porque foi obrigado.

- O que eu disse sobre “vista roupas adequadas”? – A psicóloga perguntou, ao contrário do mais novo ela vestia roupas próprias para corrida. – Pelo menos um tênis!

- Não faz meu estilo. – TaeMin respondeu, ele não se importava realmente com aquele tipo de coisa. – Eu estou caminhando da mesma forma, não estou?

- O combinado era correr, é bom se exercitar, sabia? – TaeYeon suspirou derrotada.

A loira achou que era uma boa ideia correr ao ar livre, o parque que ficava próximo de seu consultório era perfeito, possuía uma quadra poliesportiva, área de recreação para crianças, e uma ótima pista de caminhada e corrida. O plano inicial era levar seu paciente para exercitar-se, mas ao se deparar com TaeMin com roupas inapropriadas para praticar algum esporte eles apenas davam voltas em torno do local, enquanto conversavam é claro.

- Noona, depois vamos tomar sorvete. – TaeMin murmurou, mudando completamente do assunto “roupas apropriadas para dar uma de maratonista no parque” e para passar pro assunto “estou com fome de sorvete”.

- Sorvete? – TaeYeon o olhou ameaçadora. – Era só o que faltava! Sorvete... Só se você se comportar bem.

- Me comportar? – Fez bico. – Ah, eu estava louco para derrubar algum castelinho de areia desse bando de remelentos, que vocês adultos chamam de “crianças”.

- Adultos? E o senhor Lee é o que? Criança também? – Indagou divertida. TaeMin conseguia ser mais infantil que qualquer criança no parque.

— Não, sou um adolescente rebelde. – Cruzou os braços, fazendo pose.

TaeYeon riu, mas ao mesmo tempo era um sorriso triste, eram raros os momentos que o mais novo se soltava e esquecia todo o ódio preso em seu coração, ela por um lado se sentia realizada por proporcionar esses momentos, e por outro se sentia frustrada porque eles não permaneciam por muito tempo. Enquanto caminhavam a passos lentos – TaeMin adorava parar para chutar pedrinhas no chão – iam conversando sobre coisas triviais como o tempo ou até mesmo sobre piadas de loira, o que era uma provocação clara do menor.

- Quando inventarem piadas sobre adolescentes magrelos você vai ver... – Jurou vingança, o que provocava risos em TaeMin.

Que de repente ficou sério.

- O que foi? Eu disse alguma coisa errada? – A loira perguntou preocupada.

- Não, é o chato do meu professor... Ali. – Apontou para o outro lado da pista, onde MinHo conversava animadamente com uma mulher muito bonita. – Ele caminhando feliz da vida com sua esposa acha que tem moral ou vivência para se meter na minha vida.

- Ele é casado? – TaeYeon observou o homem que TaeMin disse ser seu professor. Então aquele era o famoso MinHo? Era muito bonito.

— Nunca mencionei a aliança enorme que ele usa? – O mais novo deu de ombros, aquilo não era nada, ele não deveria se sentir tão incomodado.

Ele não deveria mesmo se sentir irritado ao ver MinHo com uma mulher. Mas simplesmente não controlava sua vontade de ir lá e dizer poucas e boas para o mais velho. “Aquele engomadinho pensa que tem o direito de se meter na minha vida, também tem um casamento bem sucedido... Usufrui de uma vida sem problemas, claro que se meteria com os meus”, pensou com raiva.

- Não, mas isso faz diferença? – TaeYeon perguntou, seu lado psicóloga dizia que qualquer expressão do mais novo valeria ouro naquele momento.

- Claro que não! – Tratou logo de esclarecer. Era só o que faltava, ele se importar com o metido do professor de história. – Agora vamos logo tomar sorvete, cansei de tanto caminhar. – Impôs segurando TaeYeon pelo braço, arrastando ela para bem longe daquele maldito parque.

- Cansou? Nós andamos por uns vinte minutos! – Tentou argumentar em vão. – Não precisa me puxar, já estou indo. – Bufou indignada, TaeMin era muito infantil. – Você que vai pagar o sorvete.

O garoto não respondeu, apenas continuou puxando sua psicóloga – e melhor amiga – pelo pulso. Não ficaria nem mais um minuto observando a ceninha de amor do casalzinho muito, mas muito irritante. Ele saiu irritado e TaeYeon com dúvidas a mesmo. Tudo estava claro como o céu daquela manhã.

TaeMin sentia algo pelo professor, que ele ainda não sabia.

Quando soubesse ela teria outro problema em mãos.

x-x-x

Apesar de acreditar na existência de Deus não era muito religioso, mas apelaria para todos os santos se fosse necessário. Torcia para Baro estar dormindo tão profundamente que ouvir qualquer movimentação no quarto seria impossível, ele só precisava da fração de segundos necessária para deixar sua bolsa, pegar algumas coisas e sair em busca do emprego. O jornal não ficava muito longe, e na volta da casa de GongChan foi inteligente o suficiente para comprar um mapa de Seul, agora ele poderia se localizar na cidade.

Por falar no melhor amigo, há muito tempo não se divertia tanto, ou melhor, não se lembrava de dar tantas risadas em intervalos tão curtos de tempo. A mãe de GongChan o acolheu calorosamente em sua casa, preparou pratos variados e queria que Sandeul experimentasse todos eles, e claro, estavam deliciosos, ela era uma excelente dona de casa, não só pela organização do ambiente, mas pela criação do filhos. Passaram a noite toda conversando, o pai do amigo também era muito simpático, contou várias estórias de sua adolescência e até mesmo como ele e a mãe de GongChan se conheceram.

Vendo uma família tão unida, acabou se lembrando de seus tios sempre tão amorosos e do contraste enorme que era o tratamento que Baro lhe dava. “Ele está se acostumando aos poucos” pensou enquanto GongChan tentava adivinhar a mimica que o irmão fazia. Queria ter uma relação assim com Baro, se divertirem e se compreenderem como irmãos.

Mesmo que ás vezes ele sentisse uma necessidade além do normal de estar com o mais velho.

- Te peguei no flagra, seu pato fujão! – Baro saltou por de trás do sofá, assim que Sandeul colocou os pés na sala.

Com o susto Sandeul quase caiu para trás, teve que se apoiar nos próprios joelhos para acalmar a respiração acelerada, tinha tomado um grande susto.

- Eu não fugi, você que me expulsou, lembra? – Argumentou, afinal era verdade o que dizia. “Ele é um esquilo voador para surgir assim do nada?” se perguntou, vendo Baro o analisando. – O que foi? – Indagou.

Baro não respondeu, caminhou até o primo dando uma boa analisada no material. Aparentemente ele estava vivo e inteiro. Certo, vivo era óbvio que o menor estava. Mandou o primo dar algumas voltas, é tudo que as roupas cobriam estava em perfeita ordem, mas e o que elas escondiam?

- Hey, pare de tentar tirar minhas roupas! – O mais novo gritou exasperado, Baro tentava a todo custo erguer sua camiseta.

- Para de se mexer, isso é apenas uma revista padrão. – Baro explicou, conseguindo levantar a camiseta do primo, expondo sua pele sem nenhuma imperfeição.

Rins: Ok!

- E por que está me revistando? – Sandeul perguntou com as bochechas mais vermelhas que o boletim do MinWoo.

- Você passou a noite fora de casa, sabe se lá os perigos que rondam as ruas de Seul, poderiam ter arrancado um dos seus rins sem nem perceber! – Baro explicou. – Passei a manhã toda procurando rins de pato no Ebay pra ver se algum era seu. – Apontou para o notebook em cima do sofá. – Mamãe me faria comprar e minha mesada inteira iria nisso!

- Tudo bem com você? – O mais novo perguntou, mas uma pontinha de alegria insistia em lhe cutucar a alma. Baro estava preocupado com ele, de um jeito bizarro, mas estava.

- Tudo, mas agora deixe essa mochila aí porque nós vamos sair. – Ditou indo calçar seu tênis que estava na entrada do apartamento.

- Sair? Eu tenho uma... – Começou a explicar.

- Meu amigo ShinWoo trabalha em uma Pet Shop, e estão procurando alguém para ajudar na sexta e no sábado, dias de maior movimento, e até as cinco então é tranquilo. – Levantou-se já pronto para sair. – Você vai se sentir em casa lá. – Riu debochado.

Sandeul nem se deu ao trabalho de responder, correu até o quarto, largou sua mochila na cama e voltou para alcançar o primo que já o esperava com o elevador aberto. Sua tia estava no consultório e seu tio na academia, o que era bom, contaria mais tarde que estava em busca de um emprego. Foi então que percebeu algo errado. Como Baro sabia que ele estava à procura de um emprego? E exatamente naqueles dias da semana? Ele só havia contado para GongChan e era impossível o amigo contar para o primo, mesmo que agora o garoto soubesse da ligação que unia Sandeul e Baro.

O caminho até a clínica veterinária que também funcionava como Pet shop era fácil, seria necessário pegar apenas um ônibus que passava um quarteirão do seu suposto local de trabalho. Cada um sentou em um canto do ônibus, Baro evitava que fosse vistos juntos e Sandeul preferia ignorar o comportamento do primo. Quando chegaram ao destino escolhido fizeram o percurso em silêncio até avistarem o imóvel de dois andares, embaixo funcionava a clínica e loja e em cima com certeza era habitado pelo proprietário do local.

“Não diga uma palavra e apenas me siga”, Baro avisou antes de entrarem na loja. O ambiente era espaçoso, havia gaiolas com alguns pássaros, produtos e remédios em geral, coleiras, rações, animais a venda e tudo que se pudesse imaginar para um lugar como aquele. Ao passarem pelos filhotes em exposição Sandeul logo se identificou com os pequenos, que latiam animados devido a atenção recebiam, Baro praticamente puxou o primo para que chegassem até o balcão.

- E aí ShinWoo. – Cumprimentou o amigo que estava no caixa naquele sábado. – Conversou com o seu chefe?

- Conversei e está tudo certo, o Hyung só quer conhecer o seu primo. – Explicou, olhando por cima do ombro do amigo e vendo o rosto conhecido de Sandeul. – Ele é o seu primo?

- É, não puxou a beleza da família. – Fingiu indignação. – Então é o que temos pra hoje.

- Por isso você pediu segredo. – Disse apontando para Sandeul que só sabia admirar os próprios pés. – Você é primo do namoradinho do tal GongChan, quem diria...

- Eles não são namorados! – Esclareceu. – Eu também fui pego de surpresa, não tenho culpa. Agora vai chamar seu chefe...

ShinWoo atendeu o pedido do amigo, se encaminhando para os fundos da loja onde o consultório ficava instalado, o veterinário e dono do lugar acabava de aplicar vacina em uma remessa de filhotes, eram seis cães no total.

- Hyung o amigo que está procurando um emprego já chegou. – Disse enquanto ajudava o outro funcionário a levar os cachorrinhos até a mãe. – Ele parece gostar de animais.

- Certo, termine de ajudar o DongJun com os filhotes que eu já estou indo. – O mais velho respondeu, tirando as luvas e lavando as mãos na pequena pia da sala onde realizava suas consultas.

O garoto rapidamente devolveu os filhotes para a mãe, que logo já procuravam um espacinho para se alimentarem do leite que era oferecido, sorriu com a imagem. Era apaixonado por animais, e seu chefe era como um ídolo, não só porque também queria se tornar veterinário, mas porque conhecia Onew desde muito novo.

Em um dia ensolarado uma pequena movimentação na rua onde morava parecia agitar o restante dos moradores, era uma nova família que chegava na casa ao lado da sua. Na ponta dos pés tentava enxergar quem seriam seus vizinhos, mas a cerca gigantesca de sua casa não permitia que ele enxergasse sequer o topo da cabeça deles. Odiava ser tão baixinho. Seus colegas de turma eram maiores do que ele, o que o frustrava de tal forma que chegou a jurar para sala toda que cresceria mais que o pé de feijão do famoso João, personagem de um conto infantil contado por uma professora que viveu anos fora da Coreia.

Enquanto esse dia não chegasse ele insistiria em investigar sobre os “invasores”, analisava tudo enquanto as caixas surgiam de dentro do caminhão, porém durante a sua missão de se esconder acabou sendo descoberto por um garoto mais velho.

Ele foi pego pelo sorriso mais brilhante que até mesmo o sol sentiria inveja.

A partir de então descobriu quem eram os novos vizinhos, mas estava feliz é por ter ganhando uma amizade. E por ter crescido, é claro.

- Vamos? – O mais velho o tirou de seus pensamentos e os dois saíram para atender um Baro muito impaciente.

- Hyung este é o Sandeul. – Apontou para o garoto que se curvou em sinal de respeito. – E Sandeul, lhe apresento seu chefe... Lee JinKi.

- Ai ShinWoo, sem formalidades, vai assustar o garoto. – Sorriu, estendendo a mão para o menor, recebendo um aperto tremule, mas firme. – Sandeul, você pode começar semana que vem.

- Só isso? – Baro se metia na conversa. – Ele está empregado?

- Olá para você também, Baro. – Onew riu divertido. – E aliás Sandeul, pode me chamar de Onew hyung, se quiser.

- Sim, hyung. – Se curvou mais uma vez em sinal de respeito. – Vou passar por algum tipo de teste?

- Você ficará responsável pelo banho dos animais, vou divulgar o pet shop essa semana, espero ter muitos clientes, ou seja, muito trabalho para você. – Disse colocando uma de suas mãos no ombro de ShinWoo, que se mantinha como uma estátua ao seu lado. – O meu dongsaeng aqui vai ajudar no que for necessário, combinado?

- Combinado! – Foi Baro quem respondeu. – Muito obrigado, ele não vai decepcionar, não é mesmo Deullie? – Disse, puxando o primo e sorrindo como se fossem melhores amigos. Sandeul apenas disse um “não” para confirmar a palavra dada pelo primo.

- Amo fazer negócios. – Onew ditou musicalmente. – ShinWoo olho na loja, um gato rabugento me espera... – Virou-se andando de volta para sua sala, seus pés tocavam o chão como se fosse flutuar. – Até sexta! – Gritou já longe para seu novo funcionário.

Lee JinKi era bem singular em sua personalidade.

- Viu, ele é incrível. – O moreno de óculos disse orgulhoso. – Sandeul então você começa semana que vem... E Baro, guardarei segredo sobre isso. Zico odiaria saber que você é primo do namo... Amigo do GongChan.

- Ele não tem nenhuma doença. – Sandeul disse cansado de tanta confusão.

- Eu sei. – ShinWoo deu de ombros. – É ridículo o que fazem com ele, mas diga isso para o Zico, não pra mim. – Riu. – Gostei de você, tem atitude ao menos para defender um amigo.

- É, atitude até demais. – Baro puxou Sandeul pelo pescoço. – Vamos Deullie, estou morrendo de fome! – Começou a andar puxando o mais novo pela gola da camiseta. – “Tô” te devendo um favorzão ShinWoo, me cobra depois, ok?

- Ok. – O maior respondeu, ainda querendo rir da situação.

Talvez ele tivesse se engando, Baro parecia apenas querer ajudar o primo. E quem diria que justo o novo alvo de Zico seria parente de Cha SunWoo.

-

- O-obrigado. – Foi a primeira palavra que saiu de sua boca desde que pisaram para fora da loja de animais, estavam caminhando até o ponto de ônibus.

Baro soltou um sonoro “hm” pelos lábios, o que significava que ele estava ouvindo, mas que não ligava para os agradecimentos de Sandeul. Apenas uma quadra andando e chegariam ao destino desejado, se não fosse por Baro parar no meio do caminho.

Em frente a uma loja de cosméticos.

- Fique aí, já volto. – Baro ditou, entrando na loja.

Sandeul aproveitou para memorizar bem o caminho, era fácil e não poderia ter encontrado um lugar melhor para trabalhar. Por dentro pulava de ansiedade, o primo tinha feito tudo aquilo por ele, sendo que ainda achava ser odiado. Baro poderia muito bem mudar, se acostumar com a sua presença, a mínima possibilidade de se aproximarem já era o bastante para arrancar um sorriso seu. Poderia até mesmo desistir de fugir...

- Pronto. – O moreno retornou cumprindo a palavra de que não iria demorar, carregava uma sacola aparentemente cheia de produtos para cabelo. – Você irá fazer um serviço quando chegarmos.

Serviço? Com certeza Baro estava aprontando alguma para o seu lado.

x-x-x

Aguardava o primo sair do banheiro, suas unhas estavam curtas de tanto roer em sinal de nervosismo. Se tivesse feito tudo errado seria um garoto morto, não era nenhum especialista em tintura, como aquela loucura poderia dar certo? Baro que era irresponsável por ter feito um pedido daqueles, se seus cabelos caíssem durante o banho a culpa que sempre caia no mordomo, iria cair nas mãos dele.

Primeiro porque eles não tinham um mordomo.

Segundo porque foi Sandeul quem descoloriu o cabelo do primo.

- Está tudo bem aí? – Achou melhor perguntar, se aproximando da porta do banheiro lentamente. – Baro?

- Eu estou mais lindo que o normal. – O mais velho abriu a porta de repente, com o cabelo ainda molhado e os fios totalmente loiros. – Ainda bem que comprei um produto para tirar o amarelado, ficou bom, não ficou?

- O que fizeram com o seu cabelo? – MinKi passou como um raio pela porta, indo até Baro para ter certeza do que estava vendo. – Você enlouqueceu? – A mulher desesperou-se.

Sandeul engoliu em seco, com certeza Baro jogaria a culpa nele.

- Eu só quis mudar um pouco. – Baro deu de ombros, secando os cabelos com uma toalha enquanto observava a mãe andar de um lado para o outro no quarto.

- Eu falei pro seu pai não passar no consultório para nós almoçarmos juntos, olha no que deu deixar vocês sozinhos. – A mulher levou uma de suas mãos a testa, secando o suor invisível que havia ali. – Vou lá na sala chamar seu pai...

- Mas ficou bonito, tia. – Sandeul disse sem pensar, levando uma de suas mãos até a boca.

Ele acabou de dizer que Baro ficou bonito?

- É, pensando bem até que ficou... – MinKi suspirou derrotada. – Mas mesmo assim, quero saber o que seu pai acha dessa mudança, entendeu mocinho? – Apontou para Baro, saindo do quarto em seguida.

Quando seu tio viu o estado do cabelo do filho, apenas riu e disse um sonoro “adolescente são assim mesmo, vivem mudando”, o que deixou ele e Baro aliviados.

Ao ficarem sozinhos um silêncio desconfortável se instalou entre eles.

E Sandeul queria se jogar no vulcão mais próximo.

Até a lava queimaria menos que suas bochechas naquele instante.

-

“Foi sem pensar, mas ele ficou realmente bonito loiro. Eu não sei se ele percebeu o quanto minhas bochechas ficaram coradas após eu dizer aquilo. Meu corpo parecia anestesiado por ter passado um dia agradável com ele, por mais que Baro me tratasse mal, eu ainda o enxergava com um brilho nos olhos, aparentemente sem motivo algum. Estava sendo ingênuo, pois logo descobriria a razão de todos os sentimentos que ele me causava.”

-

Notas finais
Beijos e até o próximo. o/