Sky

11 Meu alvo é você.


Notas iniciais
Oi gente. ♥
Gostaria de agradecer a Zumbideulle pela recomendação. Sky é muito especial para mim, obrigada pelo carinho. ♥
E obrigada a todos vocês lindos que me incentivam a continuar, faz muuuita diferença.
Me desculpem pelos erros, acabei de concluir o capítulo! Ficou estranha a estrutura dele. e_e
Boa leitura.

Contrariando todas as suas expectativas na segunda-feira lá estava ele. O cabelo solto, a franja desfiada cobrindo metade do rosto, o uniforme amassado e o semblante despreocupado, como se estivesse ali apenas como um objeto e não como um aluno. Enquanto fazia a chamada não conseguia desprender os olhos do fundo da sala, precisava verificar a todo instante a presença de TaeMin, ou o garoto desapareceria em um piscar de olhos.

Entretanto ele não iria desaparecer de uma hora para outra, MinHo sabia disso e simplesmente não conseguia deixar de encarar o aluno rebelde, que ao perceber que estava sendo avidamente observado riu baixinho. Pelo que seus olhos felinos notavam o professorzinho parecia abalado demais com a sua presença, se soubesse do efeito que provocava no mais velho teria voltado antes a frequentar as aulas de história, estava sendo mais divertido do que ele imaginava.

Durante duas aulas MinHo quase não deu uma pausa para os alunos, passou o conteúdo em slides e explicou detalhadamente como se fizesse parte daquilo, como se fosse a própria história. Quando esperava os alunos copiarem alguns tópicos no quadro, aproveitava para olhar TaeMin novamente, e nesses momentos sua alma era arrancada para fora do corpo sem o menor pingo de delicadeza, o garoto retribuía o olhar e parecia instigá-lo à algo. Ficou claro que era uma tentativa de provocação, aquela criança de dezessete anos de idade queria brincar com o seu psicológico enquanto seus colegas de turma ficavam alheios a tudo que acontecia ali.

Não era uma sala de aula lotada, para MinHo ela parecia estar ocupada por apenas uma pessoa além dele. E essa pessoa era uma mistura de um anjo com um demônio, duas personalidades tão opostas que brigavam para habitar um só corpo.

Naquele momento o demônio estava ganhando.

Quando o sinal indicou o término das aulas, o professor suspirou aliviado. Não aguentava mais um minuto no mesmo ambiente que TaeMin, rapidamente guardou seu material e aguardou todos os alunos saírem para fechar a sala. Porém um deles tinha algumas dúvidas antes de finalmente deixar o professor sozinho.

- Eu estou com uma dúvida. – Sua voz cortou o silêncio recheada de malícia. – E acho melhor o senhor me responder antes de sair. – Disse quase como uma ameaça, deixando o fundo da sala e se aproximando de MinHo em passos lentos.

MinHo acompanhava seus movimentos sem perdê-los de vista uma única vez, o corpo do menor serpenteava até ele, parecia querer dizer alguma coisa, ou melhor, parecia querer enfeitiçá-lo.

- A aula já terminou. – MinHo respondeu seco, temendo uma aproximação.

- Vai ser rápido. – TaeMin riu, se colocando de frente para o mais velho. – O que você quer de mim?

- Eu quero que você frequente minhas aulas, e seja um aluno como todos os outros. – Respondeu, cruzando os braços e encarando TaeMin.

- Como todos os outros? – O garoto pareceu achar aquilo engraçado, se aproximando mais um pouco, inclinando seu corpo o suficiente para dizer algo que só MinHo deveria ouvir. – Então por que o professor fica nervoso só com a minha presença? – Perguntou levando uma de suas mãos até a nuca de MinHo, que simplesmente não conseguia reagir ao ataque repentino. – Sabe, eu não sou burro... Sei que me deseja.

No instante em que as últimas palavras escaparam de seus lábios, TaeMin soube que estava certo, viu a pele do mais velho se arrepiar por estar tão próximo. Ele ditava as regras, não seria um professor novo que iria mudar algo que sempre funcionou bem. Teve vontade de rir ao ver alguém tão sério perder a sanidade por tão pouco. “A esposa dele deve ser uma morta na cama”, pensou ao ver alguém tão bonito ficar naquele estado por uma simples provocação. Estava brincando com MinHo no começo, mas até que poderia ser interessante continuar naquela brincadeira.

Principalmente ao perceber que o cheiro do mais velho lhe agradava.

- Eu vi como você me olhou durante a aula. – Continuou ao perceber que o outro não falaria nada. – Praticamente me comeu com os olhos na frente de todos os alunos. – Riu, não conseguindo controlar a excitação que pulsava em suas veias por finalmente estar no controle. – Seu casamento deve estar frio como uma geleira, mas nós podemos esquentar um pouco se você quiser. Acho que sua esposa não vai se importar de você me comer na cama na qual vocês dormem...

Ao terminar sua sentença, a única reação que obteve de MinHo foi expressa de forma rápida e sonora.

Um tapa.

- Ficou louco? – TaeMin quase gritou, o lado direito do seu rosto ardia.

- Não, você ficou. – Respondeu tentando se manter sério, seu corpo tremia por dentro, parecia que iria se desfazer ali mesmo.

- Nunca ergueram um dedo contra mim. – O garoto atordoado sibilou de raiva. – Quem você pensa que é?

- Estamos empatados, porque eu também quero saber quem você pensa que é. – Ficou firme. – Não ouse se referir a minha esposa novamente, entendeu? Eu não sei de onde tirou tamanha liberdade para falar comigo dessa maneira, como seu eu fosse um desses seus amigos da rua.

- Eu vi como você me olhou, não tente negar. – TaeMin acusou.

- Você não viu nada. – MinHo o segurou pelo braço. – Agora saia da sala, e sinceramente? Se não quiser aparecer aqui nunca mais me faria um grande favor.

TaeMin ainda o olhou pela última vez, em um misto de surpresa e ódio. Juntou suas coisas e partiu sem falar mais nada, deixando um MinHo completamente desnorteado para trás.

O barulho da porta se fechando foi o limite para o professor, que caiu sentado na cadeira sem acreditar no que acabou de fazer. “Eu bati em um aluno”, murmurou para si mesmo, temendo seu descontrole em uma provocação tão óbvia. TaeMin queria desestruturá-lo, não bastava entrar em sua vida como um furacão, o menor precisava ter certeza de vê-lo destruído. E o que mais temia era ceder. Porque por mais que tentasse negar sentia algo fora do comum quando perto do aluno rebelde, ao mesmo tempo em que sabia que era melhor se afastar, fingia não ver o abismo bem à sua frente.

E por um segundo de lucidez não se atirou nele.

-

“A situação estava fora do meu controle. O significado de certo ou errado quase se desfez em meio a suas provocações. Porque fiquei literalmente cego por ele, reprimindo um desejo tão profundo que até mesmo meu corpo não aguentaria segurar meus instintos por muito tempo. Eu não era mais o professor que queria ajudar um aluno. Sentindo minha mão formigar devido ao tapa, percebi que precisava mais de ajuda do que ele. TaeMin ainda tinha o ódio para camuflar todos os seus sentimentos, eu não tinha nada.”

-

x-x-x

A biblioteca se encontrava parcialmente vazia, poucos alunos tiraram a tarde para estudar ou ler algum livro, a semana seria agitada por causa do festival de primavera que aconteceria na sexta, muitas turmas preparavam uma atração especial, cada uma delas era responsável por uma barraca e era a oportunidade perfeita para os clubes conseguirem seguidores. Com o clube de teatro não era diferente, a atração do professor de artes seria o ponto alto do evento, e ele esperava envolver a maioria dos alunos e com isso conseguir mais membros para o clube.

Como os preparativos já estavam adiantados GongChan e Sandeul foram dispensados da reunião extra que aconteceria naquela segunda-feira, e eles já tinham marcado de fazer o trabalho de biologia e simplesmente não poderiam mudar a data.

Os amigos e a garota rebelde, que agora eles conheciam um pouco melhor discutiam sobre a apresentação, apesar da face sempre emburrada Krystal tinha ótimas ideias e estava disposta a apresentar um bom trabalho, ainda mais depois de ter perdido a paciência com o professor de biologia, um velho chato em sua opinião. A quarta integrante do grupo ainda não tinha aparecido, e de minuto em minuto Krystal olhava para cadeira vazia, afirmando que se a garota demorasse mais cinco minutos eles deveriam riscar o nome dela do trabalho.

Sandeul apenas ria do jeito da garota, ele e GongChan conseguiram arrancar algumas informações dela, onde morava, do que gostava e ela até mesmo contou um pouco de como era sua vida em São Francisco e o motivo de ter voltado a morar em sua terra natal. Foi assim que eles descobriram o que existia por trás da raiva contida no semblante da garota, era tudo por causa da irmã perfeita, Krystal a vida toda fora comparada com ela e vivia sobre pressão da família por não ser um terço do que Jessica era.

Já eles gostaram dela exatamente daquela forma, com a cara de poucos amigos e tudo.

- Vocês não imaginam a novidade. – Qri chegou toda agitada, já se sentando na cadeira vazia, falando de algo que não era relacionado ao trabalho.

- Você está atrasada. – Krystal ditou como um trovão. A futilidade da companheira de equipe a irritada.

- Mas foi por uma boa causa! – Qri afirmou mostrando três convites para os colegas. – Peguei para vocês. – Estava tão empolgada que mal conseguia controlar sua voz no ambiente de estudo.

- Fala baixo, quer tomar uma advertência? – Krystal mais uma vez dava uma bronca na loira.

Sandeul alheio a discussão das duas pegou um dos convites, era pequeno e parecia ser feito as pressas, algo feito só para manter o controle da entrada de convidados, mesmo que não fosse algo sofisticado penetra nunca era bem-vindo.

- O HimChan vai dar uma festa na casa dele, e convidou quase todo o colégio. – Explicou, apontando para os convites. – As festas do terceiro ano são incríveis, e pela primeira vez eles estão convidando quem não é popular como eles.

- Que coisa chata, eu não vou. – Krystal deu de ombros. – Vocês vão? – Perguntou para GongChan e Sandeul que se mantinham calados.

Um olhou para o outro buscando a resposta. Será que eles deveriam ir? Terceiro ano significava Zico e seu grupo, e eles estarem tão receptivos não poderia ser algo bom. GongChan olhou para o convite por um tempo, talvez não seria ruim arriscar pelo menos uma vez, ele nunca tinha ido em uma festa como aquela, e provavelmente Sandeul também não.

- Ah, não sei. – Sandeul respondeu pensativo. – O que acha, Channie?

GongChan olhou para Sandeul por um tempo, tentando ver algo que outras pessoas não veriam. E quando viu soube da resposta.

- Nós vamos. – Disse assim que se virou novamente, deixando o amigo confuso. – E você também vai, Krystal.

- Eu? Por quê? – Indagou, não tinha nada a ver ela ir naquela festa.

- Porque você já foi em várias festas, nós não. Precisamos de companhia. – GongChan explicou. – Obrigado pelos convites, Qri.

- De nada. – A garota riu, contente por todos irem.

- Agora podemos terminar o trabalho? – Krystal interrompeu a animação da loira, querendo terminar de uma vez aquele martírio.

Passaram o resto da tarde na biblioteca, mais conversando do que estudando, mas conseguiram terminar boa parte do trabalho e cada um sabia o que falar na apresentação. Agora o que inquietava Sandeul era a tal festa, ele não sabia o que esperar dela, e tinha medo de tentar imaginar.

x-x-x

Estava a mil por hora com os preparativos do festival, os figurinos já estavam prontos e faltavam pequenos detalhes para serem checados, teria uma barraca e uma pequena atração para chamar a atenção de todos os alunos, principalmente porque o vencedor seria premiado. E quando se tem algo a ganhar as pessoas costumam gostar de participar.

O grupo de teatro em perfeita harmonia já sabia bem o que fazer no dia, revezariam na barraca porque o evento começava de manhã e terminava no finalzinho da tarde, portanto não haveria aulas na sexta-feira. Key só precisava fechar com seu fornecedor e poderia ir embora mais cedo, pois durante todo o dia evitou circular livremente pelo colégio, uma tentativa clara de fugir de um certo professor bombadinho, que provavelmente estaria a sua procura. Ele não poderia fazer nada, era irresistível afinal.

- Finalmente encontrei você. – JongHyun surgiu em sua sala todo sorridente, esbanjando uma confiança que para Key era irritante. – Está fugindo de mim?

- Não, estou na sala mais afastada de todas apenas por diversão. – Retrucou o outro como de costume.

Mas existia algo diferente entre eles, talvez uma parceira invisível, que nem ao menos os dois percebessem, o sorriso de Key não era irônico ou debochado igual antes, era divertido, como se estivesse conversando com um velho amigo sobre suas brincadeiras de infância. JongHyun notou um pouco a diferença no ambiente, e aquele lado ácido do professor de artes era um charme somado a sua personalidade arredia.

- Preparado para o festival? – JongHyun perguntou, tentando ler o que Key tanto anotava.

- Claro. – Riu. – Irei arrecadar muito mais lucro do que você.

- Já sabe qual é a minha atração? – Puxou uma cadeira para perto de Key. – Estou me referindo ao que vou fazer no evento, e não ao meu magnetismo que te enlouquece.

- Menos Kim JongHyun, bem menos. – Key riu, aquele homem era patético. – E não, eu não sei. O que é? – Perguntou encarando Jjong.

- Se-gre-do. – O moreno sibilou rindo, levantando em seguida porque Key atirava todas as canetas do estojo em sua direção.

- Suma daqui, JongHyun! – Gritou bravo. – Estou tentando trabalhar.

- Já estou de saída. – Respondeu tentando escapar do ataque de canetas. – Só quero ver sua cara de inveja na sexta!

Key o olhou como se pudesse matá-lo em um piscar de olhos, o que fez efeito porque JongHyun praticamente correu do professor de artes, deixando ele sozinho com seus pensamentos mais uma vez.

Que agora estavam todos voltados para ele.

- Maldito JongHyun, esqueci o que estava fazendo. – Bufou de raiva, tentando se lembrar.

Retomar o rumo de seus pensamentos após sair com JongHyun estava ficando mais difícil do que imaginava.

x-x-x

O vento displicentemente balançava a copa das árvores, o clima era agradável e o sol indicava que o dia seria longo, mas muito bonito. Os astros pareciam rendidos a grande festa, e as flores usadas na decoração deixavam o ambiente ainda mais colorido e perfumado.

O colégio estava todo enfeitado, no pátio principal várias barracas estavam espalhadas, cada uma com uma atração ou comida diferente, os alunos formavam fila na maioria delas, tanto para participar de alguma brincadeira quanto para encher a barriga com alguma comida gostosa que estava a venda. O lucro de cada barraca seria do clube responsável por ela, o dinheiro seria usado para compra de novos equipamentos ou até mesmo para viagens, que era o caso do clube de atletismo que participava de competições em outros locais.

Aquela sexta-feira amanheceu realmente acolhedora, o cenário perfeito para o desenrolar de muitas estórias.

- Eu quero aquele urso enorme! – MinWoo pediu choroso, puxando o melhor amigo em direção a barraca de tiro ao alvo.

- Aish, nós já gastamos muito. – HyungShik reclamou, o amigo praticamente gastou todas as suas economias em poucas horas. MinWoo comia por vinte pessoas!

- Acho melhor pegar o urso para ele. – Sandeul que vinha logo atrás com GongChan aconselhou. – Sabe como ele fica deprimido quando não ganha algo que quer.

- Sandeul, quer me falir? – HyungShik perguntou indignado, aquilo era uma armação contra ele.

- Depois eu te pago com o que quiser! – MinWoo garantiu sem perceber a dualidade de suas palavras.

- Tudo bem. – Concordou, seguindo MinWoo até a barraca.

O urso desejado era realmente enorme, o prêmio mais difícil entre todos, pois só poderia errar uma vez em quatro tentativas, e caso não conseguisse teria que comprar outra ficha e seu dinheiro não nascia em árvores. Ele não poderia errar, se quisesse seu prêmio teria que conseguir em uma única ficha, era sua oportunidade de pedir para MinWoo algo que estava tirando seu sono ultimamente, e ele queria ali mesmo, no festival.

Precisava acabar com a dúvida que o corroía por dentro.

Pagou pela vez na barraca, a arma de pressão em mãos. Três alvos para derrubar, sempre teve uma ótima mira e precisaria muito dela naquela hora.

Um. Dois. Três tiros.

Certeiros.

Ouviu os gritos de todos que estavam em volta da barraca, e até mesmo os responsáveis por ela ficaram surpresos por ele ter acertado sem errar nenhuma vez. Sandeul e GongChan o parabenizaram, mas seu prêmio só foi entregue segundos depois.

Os braços de MinWoo o rodearam em um abraço nada contido, o perfume do melhor amigo invadiu suas narinas e tudo a sua volta rodou, ele permitiu-se abraçar verdadeiramente aquele que tanto lhe causava problemas, mas que ao mesmo tempo era seu confidente de anos.

- Obrigado! – MinWoo disse sincero, assim que soltou HyungShik para pegar o urso, que nem ao menos cabia em seus braços. – Nossa, vai demorar uma vida para eu te pagar por isso.

Aquela frase foi o seu limite, precisava de bem menos que um ano, poucos segundos seriam suficientes para saciar um desejo de meses. Algo que nutria desde o primeiro ano, quando percebeu que o amor se diferenciava de várias maneiras.

Se despediu dos amigos e puxou MinWoo entre o fluxo de alunos, sem olhar para trás nenhuma vez. Estava acostumado a ser sempre puxado, mas agora era diferente, ele puxaria MinWoo para o seu mundo, e não ao contrário. Quando encontrou uma sala vazia entrou trazendo o loiro consigo, que mal teve tempo de formular alguma pergunta.

- Eu quero que me beije. – HyungShik foi direto, aquela frase ecoando em sua mente finalmente ganhava vida ao ser pronunciada em voz alta.

- Ficou louco? – O loirinho riu. Que ideia maluca era aquela? – Nós somos amigos, esqueceu? Amigos não se beijam.

- Apenas por alguns segundos. – Pediu. – Eu preciso tirar uma dúvida.

- Dúvida? Que dúvida? – MinWoo disse gesticulando em sinal de nervosismo. – Por acaso ficou com alguém e falaram que você beija mal? Não sei se sou a melhor pessoa para ensinar.

- Não é nada disso! – Se aproximou, tirando o urso de pelúcia das mãos do amigo, tomando o lugar antes ocupado pelo prêmio, deixando MinWoo bem preso entre seus braços. – Eu só preciso te provar um pouquinho. – Sussurrou.

- Você realmente enlouqueceu... – Murmurou mais para si mesmo do que para o moreno, sentindo suas bochechas arderem pela primeira vez em sinal de vergonha.

HyungShik não aguentou, a face corada do melhor amigo era um convite, fechou os olhos assim que viu o outro fazer o mesmo, indo devagarzinho conforme suas respirações se mesclavam. Sentindo os lábios tão macios por alguns segundos...

Que se tornaram minutos.

E que por ele durariam horas.

Beijar o melhor amigo tinha o gosto puro de sua infância, MinWoo tinha o mesmo sabor da bala que gostavam quando eram garotos. O loiro nunca deixou de gostar delas, e agora o moreno também não deixaria.

Mesmo que ao se separarem tudo ficasse estranho entre eles, agora HyungShik tinha sua dúvida esclarecida.

MinWoo era exatamente o que ele imaginou, era exatamente feito para ele.

x-x-x

Sandeul ficou sem entender o que se passou ali, só viu os amigos sumindo entre a multidão em um piscar de olhos, e ao olhar para o lado viu um GongChan sorridente demais, então concluiu que tudo estava bem. O sorriso do amigo sempre indicava se algo estava certo, era sua anestesia em situações difíceis, enquanto a fileira de dentes brancos ficasse a mostra, ele estaria tranquilo.

- Acho que vou tentar. – Disse se referindo a barraca. – Quem sabe eu não ganho um prêmio?

- Ah, não custa arriscar. Bom, custa. – Riu. – Mas tente, hm. – GongChan incentivou.

Quando aconteciam festivais em seu antigo colégio sempre se sentia sozinho, uma vez sua mãe foi junto e apenas naquele ano ele arriscou ganhar algum dos prêmios oferecidos pelas barracas de jogos. Do contrário ele sempre ficava sentado em um dos bancos do pátio, observando as outras crianças correndo por todos os cantos, sempre acompanhadas de seus amigos. Não era sempre que conseguia se aproximar de outras crianças da sua idade, era muito querido pelos mais velhos por ser sempre atencioso, o que lhe garantia comida a mais que ofertavam por suas bochechas gordinhas e seu sorriso de menino.

A última vez que saiu com sua mãe viva, foi também em um festival.

Porém, mesmo sem a companhia quase angelical de sua mãe, ele se sentia mais em casa porque não estava mais sozinho. Ele tinha um amigo afinal.

- Qual você quer ganhar? – GongChan perguntou animado, entregando a arma de pressão para Sandeul.

- Não sei, o que eu conseguir. – Riu, arrumando a mira em direção ao primeiro alvo.

Que ele errou.

Por duas vezes.

- Aish, desse jeito não vou ganhar nem um chaveiro! – Bufou decepcionado, pronto para o terceiro tiro.

- Com licença, isso é para profissionais, não para armadores. – Alguém o empurrou, tomando a arma de suas mãos e já mirando em um dos alvos.

- Baro? – Assustou-se ao ver quem era. Claro, toda aquela delicadeza era bem familiar.

Mal teve tempo de reclamar pela intromissão, o novo platinado do colégio já tinha acertado os dois tiros restantes, o que garantia um prêmio menor.

- Toma garoto, combina com você. – Jogou um bicho de pelúcia na sua direção. – Amarelo e gay. – Riu, indo embora acompanhado de ShinWoo que achou a situação bem engraçada.

Baro era um idiota por fingir que não conhecia o próprio primo.

- Ele pegou um pato pra você! – GongChan disse surpreso. – Sandeul, está me ouvindo?

- Estou. – Respondeu sem muita certeza, apertando o pato em seus braços. Não era muito grande, mas era o suficiente para deixar Sandeul feliz.

- Eu tenho certeza que seu primo não te odeia. – GongChan comentou assim que se afastaram do tiro ao alvo e foram em direção a barraca de bebidas, que estava sobre a responsabilidade do clube de teatro.

- Ele fez aquilo só para me humilhar. – Respondeu olhando atentamente para o pato, era realmente amarelo e gay.

Quando estavam chegando lá viram Key quase matá-los com o olhar, eles estavam atrasados e deveriam ir correndo se arrumar porque o professor já ia anunciar a atração do clube de teatro, eles precisavam ser rápidos na hora de trocar o figurino, então não esperaram o mais velho mandar duas vezes, saíram em disparada em direção ao camarim do teatro.

-

“Eu vi a cara de surpresa que ele fez quando eu cheguei, não era porque me preocupava ou porque queria ganhar algo por ele. Sandeul era sempre tão lento a ponto de me deixar nervoso, ele nunca conseguiria acertar aquele maldito alvo, então só apressei as coisas, pois não aguentava vê-lo de longe na companhia daquele esquisito. Eu precisava interferir de alguma forma e mostrar que estava presente, e aquele pato-sonso-gay combinava perfeitamente com ele. Assim como mais para frente eu perceberia que Sandeul combinava perfeitamente comigo. O meu alvo ali era ele.”

-

x-x-x

Com todo o seu manual de boas maneiras em mente, subiu ao palco com a postura de um rei. Adorava estar em um pedestal acima das outras pessoas e falar ao microfone era um de seus dons, sempre se saia bem em discursos, palestras, diálogos... Do alto poderia ver seu negócio vendendo – literalmente – como água, a venda de bebidas sempre dava mais lucro e toda a renda seria destinada a uma instituição de caridade.

O seu apartamento.

E ainda faltava o dinheiro do jogo que iria propor aos alunos, que com certeza lhe renderia uns bons trocados, no mínimo conseguiria fazer uma limpeza de pele, porque realmente estava precisando.

Mas primeiro ele precisava embolsar o dinheiro.

- Com licença. – Disse ao microfone. – Preciso de um minutinho da atenção de todos vocês. – Quando viu que todos o observavam prosseguiu. – Eu sou o professor Kibum, responsável pelo clube de teatro. As inscrições ainda estão abertas, a Vic está recolhendo nomes na barraca das bebidas.

Sorriu simpático apontando para a loira de origem chinesa que estava no caixa no momento.

- Primeiramente eu gostaria de agradecer a presença de todos, desde o primeiro ano até o terceiro, todos participaram para que este belíssimo festival acontecesse. – Falou sentindo o sangue da família Kim correr em suas veias. – E agora anuncio a atração que o clube de teatro preparou... Uma caça ao tesouro!

Os alunos gritaram ao ouvir a atração, um tesouro significava um prêmio e todos ficaram interessados nesse detalhe.

- As pistas estão com os nossos piratas! Mas cuidado, nem sempre elas são verdadeiras. – Explicou, no mesmo instante que cinco piratas subiam no palco. – Cada pista tem um valor, e o prêmio... Bom, só o ganhador terá essa resposta! – Sorriu ao ouvir os alunos gritarem novamente. – Há pistas por todo o colégio e a primeira delas é que o tesouro não está enterrado, então... Boa sorte!

Rapidamente os alunos começaram a se espalhar, todos em buscas de pistas para completar aquela charada. Um tesouro que não está enterrado? Que tesouro era aquele então? Key sorriu satisfeito ao ver que todos estavam participando, os piratas também se espalharam pelo colégio dando as pistas verdadeiras e as falsas. Sempre cobrando por elas como todo bom pirata trapaceiro.

Baro se animou com a ideia, estava com Sulli no momento em que Key subiu ao palco, e claro que iria participar daquela busca por um tesouro. Adorava desafios, adorava tesouros e adorava o kimbap que sua mãe preparava.

Certo, isso não vem ao caso nesse momento.

“Preciso achar o idiota do Sandeul para descobrir o que é esse tesouro”, pensou assim que viu o primo vestido de pirata sumir entre os alunos. Se despediu de sua namorada e simplesmente saiu correndo atrás do único barbudo com cheiro de amaciante, encontrando todos os seus amigos no meio do caminho, que claro, tinham o mesmo objetivo que ele.

- Sandeul, vem aqui. – Se escondeu atrás de uma árvore assim que avistou o primo distribuindo as pistas.

- O que você quer? – Correu até onde Baro estava escondido, já se preparando para negar qualquer pedido de pista extra para o mais velho.

- Quero saber o que é o tesouro. – Puxou Sandeul atrás da árvore para que ninguém os visse.

- Eu não posso contar! – Explicou. – Tem muita gente querendo saber.

- Eu sei, eu sei. – Bufou impaciente. – Até o Zico quer achar esse tesouro. – Comentou tentando puxar a bolsinha onde Sandeul guardava as dicas.

- O Zi-Zico? – O mais novo tremeu ao obter aquela informação. Baro apenas assentiu. – Ele não pode encontrar o tesouro. – Disse em pânico.

- Por que? Qual o seu problema? Está branco igual um cisne, e você não é um cisne, é um pato! – Chacoalhou o primo para verificar se estava tudo bem. – Sandeul, está me ouvindo?

- O GongChan é o tesouro. – Disse de uma vez.

Então Baro entendeu todo aquele desespero.

Eles precisavam fazer alguma coisa.

- Sandeul, calma! – Pediu ao primo, segurando em seus braços, verificando se ele estava bem. – Fique aqui que eu vou procurar o JinYoung, ele é o único que não se importaria em receber o seu amigo esquisito como prêmio, ele é bonzinho demais para isso, entendeu? – Sandeul afirmou com a cabeça. – Ele vai poder te ajudar, mas fique aí! – Avisou soltando o mais novo.

Que segurou sua mão por um instante.

- Obrigado. – Agradeceu sincero.

-

“Pela primeira vez eu tomei a iniciativa de tocá-lo. Em meio ao medo de que algo acontecesse com meu melhor amigo, Baro foi quem me trouxe paz. Foi quem de um jeito torto me reconfortou, naquele momento congelado pelo tempo nossas mãos ficaram unidas. E com aquele toque eu soube que tudo ficaria bem.”

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Notas finais
No próximo tem JinChan, ok? Ok.
Beijos e até lá. ♥