Notas iniciais
Boa leitura a todos!

Quando se é diferente, você deseja mais que tudo que ninguém te note. Você deseja, com a sua alma, que ninguém perceba que você existe, mas, por algum motivo, em algum momento alguém aparece para tirar você das sombras e, assim, todos notam que você esteve ali o tempo inteiro sem ser percebido. Para mim, as coisas sempre foram justamente assim, até que, sem que eu percebesse, uma pessoa chegou e derrubou todas as barreiras que tanto demorei para construir. Até agora não sei se isso é bom ou não. Vai ver, o meu azar é justamente amar o fato de tudo isso ter acontecido. Ou, de repente, posso chamar isso de sorte.

De fato, posso considerar isso uma sorte sem igual. Sem Elliott ao meu lado, eu teria me matado no instante em que perdi meus pais. Nunca vou conseguir pedir perdão o bastante pelas palavras cruéis que eu acabei dizendo a ele, palavras das quais me arrependo imensuravelmente. Ele não merecia ouvi-las, principalmente vindo de alguém como eu, que sempre o dava o carinho que ele merecia.

Mas quando eu recebi uma notícia dos meus avós, que tinham vindo para Orlando para me ver após o acontecido, eu desabei em lágrimas abraçado em minha avó, porque eu não podia fazer o que eles queriam, mas também não tinha outa escolha, afinal sou menor de idade.

Disse a Elliott que passaria aquela noite na casa dele e que precisávamos conversar, eu apenas não o contei que já estava de malas prontas e que iria embora. Queria contar isso pessoalmente, embora soubesse que me doeria dizer adeus ao garoto skatista que eu tanto amava e que tanto sentiria falta.

Cheguei em sua casa perto das oito, sua mãe já me puxou para a cozinha para jantar com eles e assim eu fiz. Elliott tinha um pequeno sorriso para mim, o qual ele sempre mantinha no rosto, provavelmente para me ver melhor.

Já se passaram duas semanas desde o funeral dos meus pais e foram poucas as vezes que sorri depois disso, ainda mais pela dor que eu sei que causei em Elli. Após jantarmos, ficamos no quarto de Elliott e eu estava literalmente deitado sobre ele.

— Preciso te contar algo. – Murmurei, encarando-o.

— Você ‘tá estranho, amor, o que houve? – Elliott começou a acariciar meus cabelos e eu me derreti naquele ato, começando a chorar em seus braços e sentindo ele apertar-me fortemente no meio de seus braços. – Pode me contar, Will. O que aconteceu?

— Vou ir morar com meus avós. – Choraminguei, começando a chorar ainda mais.

— Isso não é bom? Assim você não fica sozinho. – Encarei-o sem muita coragem, negando com a cabeça. – Não se dá bem com eles?

— Eles moram em Chicago. Eu vou ir embora, Elli, vou morar em Chicago com eles.

Elliott ficou alguns minutos em silêncio, ainda me acariciando, mas aparentando ter perdido força para tal ato. Me senti péssimo por causar nele essa tristeza, porque ele dizia tanto me amar e agora eu iria embora, sem mais nem menos, eu apenas iria, sem escolha.

— Me perdoa, Elli, eu queria mesmo ficar aqui, ficar com você, mas eu não tenho escolha, não quando eles são a única família que eu ainda tenho e eu sou menor de idade...

— É... isso só não faz doer menos, não é? – Tinha lágrimas em seus olhos.

— Por isso vim aqui com você, para termos uma última noite juntos, já que amanhã eu já vou embora. – Murmurei, triste com a situação em que eu havia sido colocado. – Eu te amo, Elli.

— Eu te amo mais, meu menininho de olhos coloridos.

— Eu amo mais, meu homem tatuado. – Ri para ele, percebendo que só ele era capaz de ainda me fazer sorrir após tudo o que aconteceu e estava por acontecer.

Elliott sentou-se na cama, mantendo-me sobre suas pernas, logo juntando nossos lábios de um jeito doce. Queria fingir que aquilo não era uma despedida, mas não tinha como, era nossa última noite juntos, por um longo tempo, até eu ter idade o suficiente para voltar.

Sentiria falta dele em todos os momentos, sentiria saudade de cada detalhe seu, suas tatuagens, os piercings, sua maneira de me fazer corar. Tudo faria falta, tudo.

Precisei me segurar para não chorar, pois não queria deixa-lo ainda pior do que ele provavelmente já estava. E eu também estava destruído, primeiro perdi meus pais, agora estava perdendo ele também. O que mais poderiam tirar de mim?

Suas hábeis mãos adentraram minha camiseta e passearam por minhas costas, senti minha pele se arrepiar com seu toque e também coloquei as minhas mãos por debaixo da sua camiseta, levantando-a para cima para poder retirá-la. Empurrei Elliott para trás e me inclinei sobre ele, mais uma vez juntando nossos lábios, logo nos separando para que ele pudesse retirar minha blusa.

Peça por peça, sem pressa alguma, nos despimos. Quando senti ele me preparar, senti o mesmo nervosismo da primeira vez, mas agora eu já estava muito mais entregue a ele. Ele perguntou se eu não queria trocar de posição, para assim eu não me sentir tão desconfortável, mas eu queria permanecer sentado em seu colo, com as mãos em volta de seu pescoço, olhando em seus olhos e o beijando.

Encaixei meu corpo sobre seu membro e deixei que ele me adentrasse, os lábios de Elliott alcançaram meu pescoço e, quando nossos olhares se cruzaram, eu pude sentir a tristeza que predominava dentro deles. Ele estava triste, era perceptível não só na forma que ele me olhava, mas também na maneira que suas mãos me seguravam, com uma força de quem queria que eu não fosse embora, como se naquele instante ele quisesse me prender a ele e me manter ali.

Eu movia meu quadril e sentia meus olhos enchendo-se de lágrimas.

Última vez...

E se nós não nos víssemos de novo? E se ele encontrasse outra pessoa enquanto eu não estiver aqui? E se ele se apaixonar tão perdidamente por um outro alguém e acabar me esquecendo? São tantos os “e se”, que eu apenas neguei com a cabeça e o beijei profundamente. Não era hora de ficar pensando nisso.

Acelerei o ritmo dos nossos movimentos, segurando-me em seus ombros e tendo suas mãos depositadas em minha cintura, me apertando com uma obsessão sem igual. Eu pertencia a ele de todas as formas possíveis, me apaixonei de repente, sem nem perceber, e agora meu coração doía por pensar em abandoná-lo.

Senti sua mão fechar-se em meu membro e me tocar de uma maneira deliciosa, fazendo com que não demorasse muito para que eu me derretesse em seus braços. No entanto, continuei me movimentando até que ele também chegasse ao seu ápice, o que também não demorou.

Ainda tomamos um banho juntos antes de deitarmos abraçados para dormir.

— Will... Foge comigo. – Elliott disse de repente. Aquela ideia acelerou meu coração, era tentadora. – Ninguém sentiria minha falta, meus pais não estão nem aí para mim.

— Elli, isso é tentador, mas eu não posso.

— Pode sim, é só querer. Por favor, Will, você é a única pessoa que gosta de mim e que eu também gosto. Não posso ficar sem você.

E as lágrimas que ele tanto pareceu ter segurado, agora escorriam sem parar por seu rosto e, sem querer, também comecei a chorar. Me abracei nele e fiquei assim com ele, até que ambos adormecemos.

Eu até mesmo sonhei com a ideia de fugir. Era um bom plano...

...Elliott Lincoln...

Acordei-me sentindo um vazio enorme naquela cama. Will não estava ao meu lado, nenhum vestígio seu permanecia ali, apenas a lembrança da nossa noite restava. Me senti só, pela primeira vez desde que começamos a nos conhecer melhor.

Quando vi que havia um bilhete no meu criado-mudo, comecei a chorar sem nem mesmo lê-lo. Sabia o que era aquilo, sabia que Will tinha ido embora, sabia que não tinha chance alguma agora de fazermos dar certo.

Peguei o papel e comecei a ler o que dizia ali.

“Querido Elliott,

Eu realmente sinto muito por estar fazendo isso com você. Eu levantei quatro horas da manhã e fui para a minha casa buscar minhas coisas, já que eu já havia arrumado as malas. Eu estava disposto a fugir com você, por isso fui tão cedo, mas meus avós me pegaram nesse meio tempo e eu não tive como escapar.

Acredite, foi muito difícil convencê-los a permitir que eu viesse novamente aqui e te deixasse esse bilhete, mas eu não poderia ir embora sem te dizer adeus. Eu te amo, você sabe disso, sentirei sua falta o tempo inteiro, mas eu não posso te deixar preso a alguém que vai estar muito longe de você durante um tempo que é incerto.

É por esse motivo, que com toda a dor do mundo, eu acabo o nosso relacionamento. Eu fui fraco, covarde, não tive coragem de te acordar para fazer isso, porque sabia que se eu olhasse em seus olhos eu iria te abraçar e não iria fazer o que era certo.

Me perdoa por isso, meu amor, por favor.

Eu te amo, sempre vou amar.

Do seu menino de olhos coloridos,

William Sebastian Mackenzie, o seu Will.”

Notas finais
O que vocês acharam? Nos contem *-*