Notas iniciais
Mais uma vez eu venho sozinha postar... Mas nós dois desejamos uma ótima leitura a vocês ♥

Os primeiros dias sem Will ao meu lado, foram uma enorme tortura, uma tortura que mastigava lentamente cada parte de dentro do meu corpo. Tudo parecia doer, até as partes de mim que não faziam sentido doer por apenas saudade.

Saber que não tive a oportunidade de me despedir dele adequadamente e que, ainda por cima, ele tinha terminado comigo sem mais nem menos, era quase tão pior do que ter o visto triste sem poder consolá-lo.

Agora quem está triste sou eu e ele não está aqui nem para dizer que tudo ficará bem, por mais que talvez não fique.

Minha mãe sempre perguntava se eu estava bem, por mais que não aparentasse interesse na resposta, e eu apenas a dizia que não tinha como estar bem. Me sentia quase como se estivesse de luto. Por que doía tanto se nós nem passamos tanto tempo juntos? Oh, sim, porque mesmo que por pouco tempo, nossa relação foi tão verdadeira e intensa, que não havia maneira alguma de eu não sentir a falta do meu menino de olhos coloridos. Aqueles olhos fazem tanta falta.

Quando uma semana se completara, tudo estava indo de mal a pior. Se antes, por conta da dislexia eu não conseguia entender muita coisa na escola, agora eu culpava a distração que a ausência de Will me causava. Não havia um sequer segundo em que eu não pensasse naquele menino.

Aquelas bochechas sempre coradas, seu jeitinho tímido, seus beijos tão viciantes, sua maneira tão perfeita de falar, seus olhinhos coloridos, suas mãos que mesmo tão pequenas se encaixavam tão bem nas minhas. Tudo nele fazia falta para mim. Apenas sua presença antes me era o suficiente e agora nem isso eu já não tinha.

Dalton, que era meu amigo de outros tempos já, me viu abalado e começou a me ajudar com a escola. Todos os dias ele ficava horas na minha casa me explicando as matérias, mas meu rendimento nas provas ainda não era dos melhores.

Quando, dois meses depois do meio do ano letivo, eu estava dado como reprovado, eu decidi que precisava falar com Will. Não que nesse meio tempo eu não houvesse tentado, mas ele ignorava todas as minhas tentativas.

Fiz uma chamada de vídeo para ele e fiquei esperando que ele me atendesse. Já estava quase desistindo quando ele finalmente aceitou a chamada. Fazia tempo que eu não o via, nesse meio tempo eu me contentava com fotos nossas para matar um pouco a saudade. Mas vê-lo agora, mesmo que com uma tela nos separando, era quase mágico. Eu ainda o amo, isso não é segredo.

— Will... – Eu praticamente sussurrei. Seus olhos se encheram de lágrimas e, sem nem imaginar o motivo, também senti meus olhos marejarem. – Meu Will...

— Oi, Elli. – Ele abriu um pequeno sorriso. – Antes que diga qualquer coisa, saiba que eu não fiz por mal. Não terminei com você por vontade própria, fui induzido a isso, me perdoa, Elli. Tem sido tudo tão horrível em você aqui comigo.

— Eu fiz uma tatuagem em homenagem a você, Will. – Relatei, orgulho daquele desenho que agora ficava em meu pulso. – Olha. – Mostrei a ele, botando meu pulso em frente à câmera.

— Elliott... você tatuou os meus olhos em seu pulso? – Seus olhos novamente se encheram de lágrimas, mas dessa vez algumas caíram. – Eu já disse que você é o melhor do mundo? Eu ainda me arrependo daquelas coisas que eu te disse no outro dia.

— Já passou, amor. E você faz tanta falta aqui, meu coração dói só de pensar no quão longe estamos um do outro.

— Eu sei, meu peito aperta com isso e te vendo agora, piora um pouco a saudade. Mas, me conta, tem alguma novidade?

— ‘Tô reprovado. – Soltei um longo suspiro, me sentindo a pessoa mais burra do mundo. – Dalton me ajudou para caramba, só que eu sou burro demais para passar.

— Quais matérias você está reprovado?

— Tirando Educação Física e Artes, todas. – Me senti derrotado por admitir aquilo. – Tenho três provas amanhã e as outras na semana que vem.

— Ok, eu estou na casa de uma tia minha, porque a casa dela é mais perto da escola. Eu posso te ajudar a estudar para as provas.

— Vai ser difícil me concentrar. – Dei risada, levando-o a também rir. – Eu te amo, Will. Você ainda é o meu pequeno?

— Não basta ser seu menino, tem que ser seu pequeno? – Ele parecia estar fugindo do assunto, o que me preocupou. – Claro que sou. Só seu. E você?

— Ainda pergunta? Sempre teu.

Ao observar aqueles olhos coloridos, lembrei-me daquilo que senti quando o vi pela primeira vez. A sensação de o chão ter saí debaixo dos meus pés, aquele sentimento estranho que acelerava meu coração, a maneira que eu quase babei o admirando.

E quando o beijei pela primeira vez, um leve tocar de lábios que fez meu coração ir dar uma volta pelo resto do meu corpo, batendo tão rápido que chegava a assustar. O nervosismo que eu sentia cada vez que o olhava de perto, ainda estava presente. Quando o beijei de verdade pela primeira vez, me senti tão completo, tão apaixonado por aquele menino doce, ingênuo e gentil.

Todas as vezes que ficávamos abraçados e ele se deitava sobre o meu peito, abraçado em mim e eu o acariciando os cabelos, ombros e costas. A nossa primeira vez, onde tive tanta paciência, onde ele era a minha prioridade, eu queria dá-lo prazer, dar a ele uma boa lembrança.

E agora, por um erro idiota do destino, estamos separados.

— Elli, você está chorando. O que aconteceu? – Encarei a câmera e em seguida a tela, me deparando com aquela feição preocupada que o meu pequeno carregava no rosto.

— ‘Tava me lembrando.

— Do que?

— Quando te vi pela primeira vez. – Meu sorriso apareceu, mas logo deu lugar a uma melancolia sem fim. – Quando nos falamos, quando te beijei... nossa primeira vez. Tudo me veio agora. É bom lembrar, mas é tão ruim, porque você não ‘tá aqui, não dá para repetir essas coisas.

— Eu ainda vou voltar, Elliott, eu só não sei quando.

— Vou ficar te esperando. Para sempre, se precisar.

— E eu vou continuar pertencendo a você, Elli. Essa é uma promessa que eu fiz a mim mesmo e eu vou cumprir.

Ainda ficamos conversando até a madrugada, porém paramos de falar sobre nós e ele começou a me ajudar com os estudos. No dia seguinte, fiz as provas que eu precisava para recuperar a minha nota, ou não adiantaria continuar estudando que não iria passar de maneira alguma.

As provas foram tranquilas, consegui tirar a média que era necessário e, logo após isso, mandei uma mensagem para Will, avisando-o que eu tinha conseguido passar. Ele respondeu apenas “parabéns”. Com aquela simples palavra eu percebi que tinha algo errado e acabei ligando para ele, mesmo correndo o risco de ele não atender.

— Will! – Eu quase gritei quando ele atendeu. – O que aconteceu? Por que me respondeu daquele jeito?

— E-eu... eu beijei outro garoto, Elliott.

Então todas as lembranças voltaram em minha mente.

Meus fones ainda estavam em meus ouvidos quando cheguei na sala de aula e eu sabia, naquele instante, que tudo iria mudar e sabia que seria para melhor. A música que eu ouvia nunca mais seria apenas uma música, pois eu tinha certeza de que eu nunca mais a ouviria sem lembrar daquele que estava bem na frente dos meus olhos.

Foi ali que eu soube que Let’s Hurt Tonight se tornaria um hino para nós dois. E pode parecer exagero, mas olhando para ele eu enxerguei o futuro. Um futuro com ele. Eu nunca senti nada parecido com isso, nem nunca pensei que fosse algo tão maravilhoso de se sentir.

Olhei para o lado, o menino que eu observei ao entrar na sala estava completamente concentrado nos exercícios. Seus cabelos castanhos muito bem arrumados para cima eram de dar inveja. Seus óculos eram arrumados em seu rosto a cada cinco segundos. Ele parecia ser mais baixo que eu, não deveria ter nem 1,70.

Quando percebeu que era observado, olhou em minha direção e foi aí que eu vi algo nele que era realmente lindo. Seus olhos. Um azul e um castanho. Eu nunca tinha visto ninguém com olhos tão lindos quanto os daquele menino. Nossa, ele era tão lindo.

Seu olhar para mim era indecifrável, mas eu podia jurar que ele estava pedindo para eu não encará-lo. Eu não consegui prestar atenção, eu me prendi naqueles olhos e fiquei os encarando apenas pensando no quão lindos eles eram. Ele tinha um olho de cada cor, tem como alguém não achar isso bonito? É perfeito!

— Oi, menino. – Cumprimentei-o, sorrindo. – Sou o Elliott, mas pode me chamar de Elli se quiser.

[...]

— Como foi seu primeiro beijo? – Interrompi-o. – Você está vermelho que nem um tomate, William. Que engraçado.

— Não é engraçado ler sobre o primeiro beijo de uma garota quando o nome do menino é o mesmo que o seu. – Ele disse cheio de vergonha.

— Tudo bem. Mas como foi seu primeiro beijo? – Corou mais ainda.

— Ainda não aconteceu.

— Por que não? – O encarei estarrecido.

— Você deve imaginar o motivo. Não sou nenhuma obra de arte, sou apenas o patinho feio. Ninguém além de você acha graça nos meus olhos coloridos e eu tenho essa cara de nerd, uso aparelho nos dentes, sou estranho... ninguém iria querer beijar alguém como eu. Por que tirou meus óculos?

— Para poder fazer isso...

Me aproximei lentamente, puxei-o pelo queixo e selei meus lábios nos dele em um longo e demorado selinho, o suficiente para que ele fechasse seus olhos e me fizessem me encantar ainda mais por ele.

Quando nos separamos, suas bochechas estavam incrivelmente vermelhas.

— Por que me beijou?

— Porque você é incrível, Will... William. Você é lindo, para de dizer que não. Não fala essas coisas ruins de você, porque é tudo mentira. E o primeiro beijo merece ser especial, ainda mais quando você é especial e o meu primeiro beijo foi uma vergonha, queria que o seu fosse diferente. Se eu não deveria, desculpa.

— Não, tudo bem... Ah, antes que eu esqueça, pode me chamar de Will.

— Até que enfim, Will. Se eu soubesse que só precisava te grudar um beijo eu já tinha ‘fazido’ antes.

[...]

Quando eu falei uma piada sem graça qualquer, William disse que eu era uma pessoa adorável, se esticou e beijou minha bochecha. Mesmo com a pouca claridade eu pude perceber que ele corou por ter feito aquilo. Não me aguentei e puxei seu rosto com a mão de maneira calma, ele não estava usando seus óculos naquele instante e, no reflexo de seus olhos, eu me enxergava junto com o brilho da lua e as estrelas, e foi naquele instante, naquele gramado, que eu senti algo que eu não sentia há certo tempo.

Eu estava apaixonado.

E foi desse jeito, que eu mergulhei naqueles olhos coloridos e me afoguei na delícia que era a junção de seus lábios. Não o beijei, mas roubei outro demorado selinho dele. É óbvio que eu queria beijá-lo até que ambos perdêssemos o fôlego, mas eu respeitava ele e queria que ele mesmo abrisse uma brecha para que eu tomasse atitude.

[...]

Ao ver ele morder o primeiro e permanecer me encarando, fiquei perdido naqueles olhos coloridos e larguei o meu chocolate, levando a mão até os óculos dele e os tirando de si. Eu o adorava de óculos, mas também amava admirar seus olhos sem aquelas lentes refletindo qualquer claridade que ficasse próxima.

Me aproximei e roubei um dos quadradinhos que ele segurava em sua mão. Ele sorriu ao ver o que eu fiz e, sem quebrar o contato, colocou um dos dois que sobraram entre os dentes, se aproximando mais de mim para que eu pegasse o outro. Quando eu fiz isso, nossos rostos ficaram tão próximos. Era uma oportunidade que eu não podia perder e, de certa forma, ele já tinha praticamente dito que eu poderia beijá-lo caso quisesse. E eu queria. Muito.

Segurei seu rosto, deslizando minha mão até sua nuca e o puxando para ainda mais perto de mim. Quando senti sua respiração se misturando com a minha, senti meu coração saltitando dentro do meu peito e senti sua mão trêmula se depositar em meu ombro. Sorri com aquilo e o encarei, vendo ele fechar seus olhos e então, ao encaixar minha boca na sua dando início a um selinho, também fechei meus olhos.

Dessa vez eu não estava disposto a me afastar tendo dado apenas um selinho nele, a não ser que ele me empurrasse, claro. Como eu já disse, sempre vou respeitar o tempo dele. Quando se trata de amor e paixão, não há porque ter pressa. A pressa é inimiga da perfeição, certo?

Apertei um pouco mais a nuca dele, mas nem perto de fazê-lo se incomodar com aquilo, porém ele entreabriu os lábios para soltar um suspiro e aquela foi a deixam aquele foi o sinal. Grudei minha boca mais ainda à sua – se é que isso era possível – e o beijei com todo o desejo que eu sentia praticamente desde a primeira vez que eu o vi.

Senti as mãos de Will se enrolarem em meus cabelos, aumentando a preciosidade daquele delicioso momento. Eu sabia que era o primeiro beijo dele, mas aquilo era tão, tão, tão bom. Ele era tão bom. Bom até demais para mim.

Aprofundei o beijo, vendo ele parecer um pouco ofegante e emaranhar suas mãos mais ainda em meus cabelos, me puxando para o mais perto possível. Eu nem mesmo senti o instante em que ele foi parar sentado sobre minhas pernas, deixando uma de cada lado do meu corpo.

E tudo isso caiu em cima de mim como um banho de água fria. Eu não podia acreditar que o meu menino, o meu pequeno, tinha beijado outra pessoa.

Ele quebrou sua promessa.

Notas finais
O que acharam? O final foi escrito por inteiro, em uma parte só, mas resolvemos dividi-lo ♥ Esperamos que tenham gostado ♥