Notas iniciais
♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Por problemas pessoais, ficamos uma semana sem postar capítulo e hoje cheguei sozinho em uma quinta-feira para postar o capítulo cinco, deixando bem claro que amanhã sairá o seis junto com You Worth My Sacrifice. Esperamos que vocês gostem, pois hoje falo por nós dois aqui. Boa leitura.

Ter ido ao cinema com Elliott foi mesmo incrível. Nunca me senti tão bem na companhia de alguém como me senti com ele e de um jeito muito bom, muito agradável. Foi como se algo fosse despertado dentro de mim e eu não tivesse ainda a capacidade para enxergar o que era.

Apenas sei que Elliott é quase um anjo que apareceu em minha vida para torná-la melhor e mais divertida porque, convenhamos, minha vida é muito parada, não é? Ele a deixa mais... como posso dizer? Legal?!

Hoje é o primeiro dia que ele vai na minha casa para nós lermos o livro do nosso trabalho. A história base do livro é a seguinte: um casal se apaixona ainda na adolescência, mas quando estão terminando o ensino médio o caminho deles se separa, pois um vai para a universidade em uma cidade e o outro vai para uma cidade em uma direção totalmente oposta. Os dois tentam a todo custo uma transferência de universidade, mas acaba que eles passam seis anos separados, cheios de contratempos que os impediam de se encontrar.

Não sei o que acontece após isso, parei de ler quando o homem da história resolveu ir atrás da mulher que ele ama. Resolvi que leria o restante quando lesse para Elliott.

— Essa é a minha casa... sinta-se à vontade. – Eu disse simpático, fechando a porta assim que nós dois passamos. – Meus pais não estão em casa agora, eles estão trabalhando. Quer comer alguma coisa?

— Não, valeu. – Respondeu ele. – Sua casa é legal.

— Obrigado. – Uma timidez tomou conta de mim, nem entendi o motivo. – Vamos para o meu quarto, o livro está lá.

Confesso que foi um pouco estranho simplesmente convidar um garoto para ir até meu quarto, sendo que até meus pais entravam raramente ali. Era o meu cantinho, onde tudo combinava comigo, tudo. Eu tinha vergonha que alguém entrasse ali, mas sabia que Elliott seria a última pessoa a me julgar.

— Só não ria, ok? – Pedi, vendo-o arquear a sobrancelha do piercing, algo que até me deu agonia. – Eu sinto dor por esses piercings sendo que eles nem estão em mim, nossa.

— Mas eles não doem, não se preocupa. É só não puxar que não vai me machucar. – Riu ele, mas é claro que aquilo não me tranquilizou. – E eu não vou rir.

Assenti para ele, abrindo a porta do meu quarto e entrando, fechando-a assim que Elliott a atravessou. Fiquei escorado na parede, aguardando enquanto ele olhava em sua volta. Meu quarto não era nada grandioso, de tamanho ele até era grande, mas não tinha nada demais.

Um grande guarda-roupa ficava na parede do lado direito e, do lado contrário ao tal móvel, tinha uma cama de casal. Ao lado da minha cama tinha um criado-mudo e ao lado havia minha escrivaninha com meu computador. Tinha, em minhas paredes, pôsteres de bandas e cantores de quem eu era fã, principalmente da Avril Lavigne.

— Você gosta dela? – Elliott perguntou fazendo cara de nojo e eu apenas assenti, vendo-o revirar os olhos. – Não suporto.

— Por quê?

— Não quero falar disso. – Sua resposta foi um pouco rude então eu novamente assenti, sentando-me em minha cama e pedindo para ele também sentar. – É legal a história?

— É sim. É romance, não sei se gosta desse tipo...

— Eu não leio livros, William.

— Não precisa me responder desse jeito também. Não fiz nada. – Me defendi, já que estava levando corte atrás de corte.

— Me desculpa, eu não gosto de encarar a foto dela sem me lembrar de coisas que aconteceram. É ruim para cacete lembrar de certas coisas. Mas, dane-se, não ‘tô nem aí mais.

Mexi a cabeça para cima e para baixo, concordando com ele. Talvez fosse um assunto sobre o qual ele não queria discutir e era melhor mudar o tema para que não acabássemos brigando. Comecei a ler o livro, percebendo o olhar fixo de Elliott sobre mim. Eu até ficava nervoso com ele me olhando enquanto eu lia e por várias vezes me peguei errando certas palavras, confundindo-me inúmeras vezes.

Um dos trechos me deixou um pouco tímido de ler, mas ainda assim eu li. Era estranho, porque a menina se chamava Caitlin e o menino se chamava Elliott. Por que diabos tinha que ser bem o nome dele, não é?

“Quando seus lábios se afastaram dos meus senti uma enorme falta de tocá-los. Queria trazê-lo de volta para mim, mas aos quatorze anos pouca coisa eu sabia sobre o amor. Sabia, inconfundivelmente, que amor era o que eu sentia quando estava perto de Elliott. Ele me fazia rir até nos momentos mais importunos, me fazia corar com seus milhares de elogios e com seu péssimo hábito de elogiar os meus olhos. No instante em que ele me beijou, meu coração se acelerou como um trem-bala. Meus lábios sentiram um leve formigamento, meu estômago se encheu das famosas borboletas e meus olhos se fecharam em puro êxtase. Desejava tocar seus lábios novamente, mas não tinha coragem para puxá-lo, não tinha a coragem que ele tinha, mas tinha a necessidade de provar mais e mais daquele paraíso que acabara de me ser apresentado. E foi então que descobri que eu só podia estar apaixonada pelo meu melhor amigo de infância e eu desejava com todas as forças estar para sempre ao seu lado.”

— Como foi seu primeiro beijo? – Interrompeu-me Elliott. – Você está vermelho que nem um tomate, William. Que engraçado.

— Não é engraçado ler sobre o primeiro beijo de uma garota quando o nome do menino é o mesmo que o seu. – Eu disse cheio de vergonha.

— Tudo bem. Mas como foi seu primeiro beijo? – Corei mais ainda, tenho certeza.

— Ainda não aconteceu.

— Por que não? – Elliott me encarou estarrecido.

— Você deve imaginar o motivo. Não sou nenhuma obra de arte, sou apenas o patinho feio. Ninguém além de você acha graça nos meus olhos coloridos e eu tenho essa cara de nerd, uso aparelho nos dentes, sou estranho... ninguém iria querer beijar alguém como eu. – Elliott ainda parecia inconformado com o que eu lhe disse. Ele tirou meus óculos de mim antes que eu pudesse impedi-lo. – Por que tirou meus óculos?

— Para poder fazer isso...

Elliott se aproximou lentamente de mim, meu coração se acelerou assim como era descrito no livro. Elliott me puxou lentamente pelo queixo e selou seus lábios no meu em um longo e demorado selinho, demorado o suficiente para eu fechar meus olhos e quase segurá-lo para manter o contato por mais tempo. Nos afastamos lentamente e as minhas bochechas queimavam em vergonha.

— Por que me beijou?

— Porque você é incrível, Will... William. Você é lindo, para de dizer que não. Não fala essas coisas ruins de você, porque é tudo mentira. – Precisei sorrir com o que ele dizia. – E o primeiro beijo merece ser especial, ainda mais quando você é especial e o meu primeiro beijo foi uma vergonha, queria que o seu fosse diferente. Se eu não deveria, desculpa.

— Não, tudo bem... – Eu disse ainda desnorteado. – Ah, antes que eu esqueça, pode me chamar de Will.

— Até que enfim, Will. Se eu soubesse que só precisava te grudar um beijo eu já tinha fazido antes. – Acabei rindo com o que ele disse. – Quando eu tinha treze anos eu já me vestia desse jeito e 'tava sempre em cima do skate fazendo minhas traquinagens por aí, arrastando as rodas pelo chão e aprontando. Até aí tudo bem, aí tinha uma menina que eu 'tava afim e ela era o estilo patricinha e me tratou bem até me beijar, só que quando ela conversou comigo começou a rir do meu jeito de falar e tudo o mais, me chamou de burro e me humilhou na escola. Aí teve um show de talentos e tocou Sk8er Boy da Avril Lavigne e ela fez questão de humilhar de mim mais ainda e eu quase chorei em público, só que não chorei, fiquei na minha. Só que doeu. Desde então eu tenho raiva dessa mulher.

— Só que isso não é culpa da Avril, muito menos da música dela. – Ponderei, vendo-o assentir fracamente. – E, sendo honesto, ela foi uma idiota por não te querer. Perdeu um grande partido.

Deixei Elliott tímido pela primeira vez. O vi sorrir um pouco mais abertamente, mas praticamente não mostrava seus dentes no sorriso. E, olhando-o tão de perto, eu podia concordar com a ideia de que ele realmente era muito bonito. Até demais, aliás.

— Acho melhor voltarmos para o primeiro beijo da Caitlin e o Elliott. – Sugeri, observando um sorriso maroto se abrir nos lábios dele. – O que foi agora?

— Você me responde do seu primeiro beijo agora. Não pode dar a desculpa de que não aconteceu.

Uma vermelhidão provavelmente tomou conta do meu rosto, além de eu sentir meus lábios tremerem tanto quanto minhas mãos e meu coração se tornar uma verdadeira orquestra tocando a sinfonia mais "agitada" da qual eu tivesse direito.

— É brincadeira, fica calmo. – Riu sem parar em seguida, me deixando ainda mais nervoso.

— Vou ler logo esse livro, estamos recém no oitavo capítulo e são mais de trinta. – Disse já pegando o livro de volta e também os meus óculos.

— Que bom, mais dias para eu passar a tarde com você.

[...]

— Will, olha! – Elliott berrou no meio do corredor quando estávamos indo para a sala de aula. – Um show de talentos na escola.

— Legal. – Rebati sem ânimo algum, vendo ele revirar os olhos para mim, algo comum de ele fazer.

— Legal?! – Parecia incrédulo e eu apenas dei de ombros. – Eu vou cantar.

— Certeza?

— Absoluta! E você estará lá me olhando, vou cantar exclusivo para você.

Assenti para ele, sorrindo de maneira tímida. O pensamento de ter alguém cantando para mim foi o suficiente para eu ficar com as pernas bambas. Será que Elliott gostava de mim? Talvez por isso tenha me beijado, não? Talvez por isso ele esteja tão próximo de mim, não é?

Ele pareceu feliz quando permiti que ele me chamasse de Will, mas não fiz isso por ele ter me beijado. Fiz isso porque estou permitindo que ele se aproxime, já que aparenta tanto querer se tornar pelo menos meu amigo. Embora possa ter tido segundas intenções no seu ato, não vi malícia alguma no beijo que ele me deu. Talvez essa seja a razão de eu ter tido tanta vontade de segurá-lo perto de mim por mais tempo.

Confesso que se ele tentasse novamente me beijar eu talvez não permitisse, mas não por não querer e sim por talvez estar gostando demais dele. Não quero me apaixonar, não quero.

Não por ele ser um garoto, não vejo problema algum nisso. A questão é que eu gosto do meu mundinho afastado, da minha bolha única. Eu já permiti que ele atravessasse uma das camadas que eu criei e não queria que ele fosse capaz de invadir o resto, porque eu sei que ele está muito perto de conseguir fazer isso.

Elliott é uma das pessoas mais fofas, carinhosas e interessantes que eu já conheci. Todas as coisas que os outros acham de estranho nele é o que mais me encanta. Sabem a fissura dele por meus olhos? É mais ou menos isso que eu sinto quando observo seus olhos brilhantes, seu cabelo desajeitado, suas roupas rasgadas e largas, seus inúmeros piercings e até suas tatuagens.

— Você está bem, Will? – Elliott estava estalando os dedos em minha frente, algo que me despertou de meu transe.

— Sim, por quê? – Indaguei ainda confuso.

— Você 'tava aí parado encarando meu braço.

— Ah, perdão, eu estava olhando suas tatuagens. – Respondi, provavelmente corado. – Acho lindo, mas não tenho coragem de fazer.

— Mas deveria fazer para perder o medo. É tão maneiro ter os braços desenhados. Eu gosto.

— É... Quem sabe um dia. – Sorri para ele.

Sorrir para Elliott estava se tornando um gesto corriqueiro, não? Talvez eu devesse me afastar ou pedir para que as coisas fossem mais devagar, mas... será que eu não consigo lidar com tudo nessa velocidade?

A quem eu quero enganar? Elliott não é de desistir, não posso simplesmente me afastar. E, além do mais, não quero me afastar, não quero ficar longe. Ele se tornou um bom amigo.

— Elliott, você não quer jantar lá em casa?

Notas finais
♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Pessoal, a nossa outra autora não está bem... por favor, mandem energias positivas para ela, peço isso com todo o carinho do mundo. E como sei que ela vai ler isso aqui depois, meu anjo, te cuida e fica bem :). Por hoje é isso, vemos vocês nos comentários e estaremos de volta amanhã.