Notas iniciais
♦ TheEvilQueen (EvilQueenGirl): Queria muito agradecer vocês pelas palavras de vocês pra mim ♥ Esse capítulo é dedicado a vocês que me desejaram melhoras ♥♥ Saibam que estou muito melhor *u* Obrigada, de verdade *---* ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Deixamos aqui o nosso obrigado à thayyweiss, que criou o nome para o nosso casal. Elliam é OTP, hahahah. Esperamos que gostem :)

— Elliott, você não quer jantar lá em casa? – William me perguntou com um grande sorriso no rosto, um sorriso de iluminar o dia de qualquer um.

Eu ainda não havia esquecido o fato de que eu o beijei. O que eu senti no momento em que o beijei foi simplesmente único. Tudo não passou de um demorado selinho, mas a inquietação em meu peito foi mais forte do que na primeira vez, então podemos dizer que Will tem um grande poder sobre mim. Nunca me encantei tão rápido por alguém.

— Já é! – Respondi animado.

Após o término das aulas e eu ter deixado William em casa, prometendo que voltaria mais tarde para jantar, segui o caminho para meu lar. Enquanto rolava as rodas do skate pelo chão, lembrava-me de quando ganhei esse meu transporte de todas as horas.

Lembro que era um dia quente de verão, eu tinha seis anos quando ganhei meu skate, mas só passei a usá-lo em todas as horas depois dos meus doze anos. Meu tio chegou em minha casa, cumprimentando a mim, meu irmão e meus pais. Meu irmão é dois anos mais velho que eu e no momento não está morando comigo, está na faculdade e morando em outro estado, ele faz Administração, inclusive.

Esse meu tio chegou com dois grandes embrulhos. Meu irmão gostava de ficar dentro de casa, já eu corria por tudo na rua, andando de bicicleta e tudo o mais. O embrulho para o meu irmão, Leon, era um videogame dos mais novos daquela época. Eu nem dei bola ou senti ciúme, não gostava tanto assim de videogames naqueles tempos.

Quando eu abri o meu pacote, encontrei o skate e prontamente pedi para sair andando, ou pelo menos tentando andar. Em uma semana eu esfolei o corpo inteiro e, durante a segunda semana, quebrei o braço. Isso me custou quatro anos sem que meu pai deixasse que eu andasse novamente. E eu acabei me adaptando a ficar dentro de casa, mas no momento em que eu voltei a andar de skate, nunca mais larguei.

Perdi esse tio quando tinha dez anos, tenho até a assinatura dele embaixo do meu querido transporte. Senti tanta dor quando o perdi que passei uns bons meses chorando apenas de subir no skate, mas hoje a dor da tristeza se tornou uma dor de saudade e é bom saber que durante os dez anos que o tive aproveitei ao máximo.

Ao chegar em casa agora pouco, deparei-me com minha mãe arrumando a casa. Ela me cumprimentou rapidamente e disse que estava indo trabalhar. Ela disse que só voltaria à noite com meu pai, então aproveitei e avisei que iria jantar na casa de um amigo. Ela pediu para que, caso ficasse tarde, eu dormisse na casa desse amigo e eu assenti, prometendo que levaria uma roupa extra na mochila.

Minha relação com meus pais nunca foi das melhores, mas piorou com o passar dos anos. Eu e Leon, meu irmão, sempre fomos amigos além de irmãos, talvez por isso eu sinta tanto a sua falta. Mas a questão é que meus pais sempre dizem que me amam, mas não dão atenção à mim ou ao meu problema, dizem que é frescura, besteira, bobagem. Dizem que não tem problema algum. Preferem me mudar de escola do que me levar para alguém que pudesse me ajudar a tratar isso de verdade.

De qualquer maneira, minha mãe e meu pai estão sempre trabalhando, raramente estão em casa quando eu me encontro na mesma. Ambos são advogados e tem o próprio escritório de Direito. Engraçado, eles têm dinheiro para pagar faculdade e apartamento para o meu irmão, mas um psicólogo para o filho mais novo eles não podem, porque o meu problema é apenas burrice, segundo eles.

É óbvio que isso me machuca, mas não há muito o que eu possa fazer.

Subi as escadas e atirei minha mochila em minha cama, andando até o banheiro e parando na frente do espelho. Aproveitei e tirei fora minha camiseta, observando as minhas tatuagens. A primeira delas que fiz, foi no ombro, a palavra “Propósito”, a qual eu pronunciei errado quando fiz. Eu tinha dezesseis anos e fiz escondido dos meus pais. Quando eles viram, deram de ombros e disseram que o corpo era meu e eu fazia o que quisesse.

Hoje, dois anos e pouco depois, tenho mais de trinta tatuagens entre braços, ombros, costas, pernas e abdômen. O primeiro piercing que botei foi na sobrancelha, depois coloquei os alargadores e em seguida os aumentei um pouco, mas nunca mais os aumentei. Então coloquei o piercing no nariz, uma argolinha, aí coloquei no septo. Depois disso botei o no canto da boca, colocando em seguida o do freio, o da língua e o de baixo da língua.

Eu sei, muitas partes furadas e muitas partes tatuadas. Esse é o meu estilo. O primeiro piercing eu botei quando tinha quinze anos e o último botei uns dias antes de começar a estudar com Will.

Essas roupas largas, rasgadas e totalmente do meu estilo, sendo que eu mesmo rasgo as calças e tudo o mais, comecei a usar quando tinha de doze para treze anos. Não fiz para encantar ninguém, fiz por eu mesmo, mas a maioria das pessoas achava que eu queria chamar atenção. Eu nunca gostei de chamar atenção, eu sempre preferi ficar na minha, mas mesmo assim me enturmar, sabem?

Ao sair do banheiro e voltar para meu quarto, decidi deitar um pouco e talvez tirar um cochilo. Assim que atirei-me sobre minha cama acabei me lembrando da feição tímida e nervosa de William quando eu tirei seus óculos e me aproximei, puxando-o pelo queixo para um beijo inocente.

Não consigo me esquecer do quão boa foi a sensação. Nunca senti tanto por apenas um beijo. Foi uma explosão de sensações.

Só de lembrar disso acabei passando instintivamente os dedos sobre meus lábios, pensando que eu queria beijá-lo novamente. Queria muito.

[...]

Quando era oito da noite eu toquei a campainha da casa de William e aguardei que alguém abrisse. Resolvi me vestir um pouco melhor para jantar na casa dele: vesti uma camisa ao invés de camiseta, na cor preta; coloquei uma calça jeans das novas que eu ainda não havia rasgado e coloquei um all star. Não vivo sem meus all stars. Não vivo mesmo.

— Você veio mesmo! – William abriu a porta para mim, já abrindo espaço para eu entrar.

Observei-o com muita calma. Ele vestia uma calça jeans e uma camisa, assim como eu, porém na cor vermelha e em um tom escuro.

— Você pensou que eu não vinha? – Perguntei fingindo mágoa, fazendo-o rir.

— Até que pensei, sim.

— Mas aqui estou eu. – Abri os braços, fazendo ele sorrir.

— Mãe, pai, Elliott chegou. – Will disse um pouco alto e logo um casal se aproximou de nós.

Definitivamente, William era a junção daqueles dois. Eles eram iguais em todos os detalhes, até as sardinhas fracas nas bochechas. A única coisa que diferenciava William se seus pais eram seus olhos, porque de restante, não havia como negar o parentesco deles.

— Sou Elliott, podem chamar de Elli. É um prazer. – Eu disse de maneira simpática, tentando não cometer nenhum erro enquanto falava, não queria causar uma má impressão a eles.

— Meu nome é David. – O pai de William disse, também simpático, apertando minha mão em forma de cumprimento.

— E eu sou a Joanne. – A mãe dele me deu um apertado abraço, ao qual eu retribuí. – O jantar ficará pronto em breve, podem ficar no quarto que depois chamo vocês.

William assentiu, já subindo as escadas comigo logo atrás dele. Ao entrarmos, encostei a porta e sentei na cama ao lado do meu amigo.

— Seus pais fizeram uma cara legal para mim. Será que gostaram da minha aparência? Todo mundo me zoa pelo meu jeito, não que eu ligue, mas não queria que eles pensassem errado de mim. – William sorriu quando me ouviu falar, negando com a cabeça e se escorando na parede ao lado da cama.

— Você está mesmo nervoso com isso? Meus pais são tranquilos com essas coisas, não precisa se preocupar. – William, talvez por reflexo, acabou colocando sua mão sobre a mim. – Você está com as mãos frias. Isso é de nervosismo?

— Não me julgue.

— Você está agindo como se estivesse conhecendo a família de alguém muito importante, Elliott. Pelo amor de Deus, fica calmo.

— Eu estou, Will. Você é importante. – Ele desviou seu olhar do meu, o que me fez sorrir. – E-eu... eu posso te beijar?

— Me beijar?

— Meninos! Venham jantar! – A mãe de William gritou do andar debaixo.

Tentei aproximar-me mais dele, mas ele logo se desvencilhou de mim e saiu da cama, saindo do quarto logo em seguida. Entendi aquilo como um recado para eu não forçar a barra e de fato eu não iria forçar. Se fosse para acelerar as coisas, tentaria beijá-lo sem pedir antes, mas fui educado o suficiente para pedir.

De qualquer maneira, levantei frustrado da cama e o segui, descendo para a sala de jantar.

A família de William era bastante acolhedora e conversaram muito comigo. Eu acabei pedindo desculpas antecipadamente caso eu falasse algo errado e eles sorriram, dizendo que aquilo não era um problema e que isso não me definia. O pai de William até falou que minhas tatuagens eram interessantes, já a mãe dele fez a mesma pergunta que o próprio Will, querendo saber se não sinto dor por conta dos piercings que uso.

O que mais fiz durante o jantar foi rir. Após comermos e ainda saborearmos uma deliciosa sobremesa, ofereci ajuda inúmeras vezes para a mãe de Will, porém ela negou todas as minhas tentativas e mandou que eu fosse ficar junto do meu amigo.

Sentamo-nos no gramado do jardim, nos fundos de sua casa e por ali nós ficamos, observando as estrelas em silêncio.

Só começamos a conversar uma meia hora depois, então esquecemos do que tinha acontecido no quarto e falamos sobre inúmeras coisas. Até comentamos sobre o livro que Will estava lendo para mim para o nosso trabalho.

Quando eu falei uma piada sem graça qualquer, William disse que eu era uma pessoa adorável, se esticou e beijou minha bochecha. Mesmo com a pouca claridade eu pude perceber que ele corou por ter feito aquilo. Não me aguentei e puxei seu rosto com a mão de maneira calma, ele não estava usando seus óculos naquele instante e, no reflexo de seus olhos, eu me enxergava junto com o brilho da lua e as estrelas, e foi naquele instante, naquele gramado, que eu senti algo que eu não sentia há certo tempo.

Eu estava apaixonado.

E foi desse jeito, que eu mergulhei naqueles olhos coloridos e me afoguei na delícia que era a junção de seus lábios. Não o beijei, mas roubei outro demorado selinho dele. É óbvio que eu queria beijá-lo até que ambos perdêssemos o fôlego, mas eu respeitava ele e queria que ele mesmo abrisse uma brecha para que eu tomasse atitude.

Engraçado como com ele eu tinha a maior paciência do mundo.

E continuaria a ter por quanto tempo fosse necessário... Isso é o que uma paixão é capaz de fazer.

Notas finais
♦ TheEvilQueen (EvilQueenGirl): E aí? Agora estamos em dia com vocês ♥ Mais uma vez obrigada a vocês e nos vemos nos comentários, seus lindos, que mesmo sendo poucos nos alegram muito ♥♥ ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Obrigado a quem leu. Vemos vocês nos comentários, haha. Até sexta-feira que vem (ou mais tarde, ou amanhã, com You Worth My Sacrifice).