Notas iniciais
♦ TheEvilQueen (EvilQueenGirl): Voltamos o/ Esse capítulo tá meio tenso por conta do final, mas enfim, não vou dar spoiler ♥ Nós precisamos botar uma música aí no capítulo, mas eu juro que não vai ter mais nenhuma, só precisamos colocar essa :D E esse capítulo é dedicado à Gabriela, minha ciumenta preferida ♥ ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Espero que gostem e que não queiram nos matar. Como a Fabi disse, esse capítulo é dedicado à Gabriela, que deu um apelido tão fofo para o nosso William. Boa leitura a todos.

Após Elliott ter se inscrito para participar do show de talentos, tudo que ele falava era referente a isso. Mas eu não conseguia me importar, porque sua alegria contagiava qualquer um que o visse.

Um dia antes da tal apresentação, para a qual até eu já estava ansioso, as apresentações individuais sobre o livro que lemos seriam feitas. Por ser em ordem alfabética, eu era um dos últimos, mas Elliott estava entre os primeiros quinze alunos que se apresentariam.

Eu o ajudei a escrever uma síntese e o ajudei a decorá-la, não queria que ele tivesse problemas na hora de se apresentar em frente à turma. Fiz dois trabalhos, realmente, mas pelo menos eu o ajudei. Ele disse que ficaria constrangido e seria vaiado caso não conseguisse falar na frente de todo mundo e eu, compadecido – e derretido com sua carinha –, o ajudei.

No instante em que seu nome foi chamado, o vi ir com as mãos trêmulas para a frente da nossa turma. Sorri para ele como se quisesse tranquilizá-lo e percebi que suas mãos estavam tremendo cada vez mais enquanto ele segurava sua folha. Ele não a leria, mas precisávamos entregar uma parte escrita.

— Para que você pegou uma folha? Você não sabe ler. – Uma garota novata começou a rir. E quando eu digo novata, quero dizer que ela começou hoje a estudar aqui. – E ainda por cima vai participar do show de talentos. Que tal uma nova humilhação?

— Talitha? – Ouvi a voz de Elliott e juntei os pontos. Era ela, a garota que o esnobou e humilhou. – Mas...

— Apresente-se, Lincoln, sei que vai ir mal. – Riu ela.

Como eu me sentava na frente do professor, me aproximei mais dele e pedi para que eu apresentasse meu trabalho com Elliott, afinal havíamos lido juntos e tudo o mais. Como o professor era compreensível com os alunos, ele permitiu, então me levantei e fui até Elliott, sussurrando em seu ouvido:

— Dê o seu melhor, apenas te apoiarei aqui. – Disse de uma maneira confiante, tentando passar essa confiança para Elliott, que apenas abriu seu típico sorriso e começou a apresentação.

Foi incrível, Elliott não errou nenhuma palavra, não se atrapalhou ou se perdeu, nem atropelou as palavras falando rápido. Senti um certo orgulho dele, porque enquanto treinávamos sua apresentação, ele ficou rindo por vários minutos e tentou me beijar inúmeras vezes. Mas, felizmente, tudo deu extremamente certo e ele foi muito bem.

Acabou que eu e ele fomos os únicos a tirar a nota máxima no trabalho.

As aulas foram se passando normalmente depois disso. Encontrei Elliott novamente no horário do almoço quando ele sentou-se afoito ao meu lado e começou a rir loucamente.

— O que houve? – Perguntei com certo receio, um pouco assustado com a atitude dele.

— Talitha veio dizer que ela sentia muito pelo que fez comigo cinco anos no passado. – Explicou-me. O encarei sem expressão, sentindo uma pontinha de ciúmes até. – Como se eu ainda quisesse ela.

— Não quer? – Meu tom foi o de alguém que estava perguntando por perguntar, mas na verdade não era bem o que eu sentia.

— Não. – Respondeu Elliott, ainda sorrindo. – Tenho maior interesse em um menino de olhos coloridos que encontrei por aí.

Minhas bochechas ficaram quentes e provavelmente adquiriram uma coloração avermelhada. Eu sentia muita raiva de Elliott cada vez que ele me fazia corar desse jeito, mas eu não conseguia pedir que ele parasse, pois uma parte de mim gostava muito para impedi-lo.

Quando eu finalmente decidi falar alguma coisa, o sinal tocou e todos os alunos foram encaminhados para o ginásio da escola para o tal show de talentos. Vários e vários alunos se inscreveram para se apresentar, mas eu resolvi que apenas assistiria. Meu único talento é ficar sozinho e ler enquanto escuto música. Nada além disso.

Fiquei sentado com Elliott observando todos que iam se apresentando. Alguns alunos cantaram, outros dançaram, alguns cantaram e dançaram. Teve gente que tocou algum instrumento e teve até uma mini peça de teatro, que foi muito boa.

Os nomes Elliott e Dalton foram chamados no microfone e os dois se dirigiram até o meio do ginásio. Elliott deixou seu skate repousado sob meus pés para que eu tomasse conta do mesmo. Incrível como Elli trata esse skate como se fosse seu filho. Fiquei me sentindo meio solitário por permanecer sozinho na primeira fileira da arquibancada, me acostumei a ter sempre Elliott ao meu lado e era estranho que ele não estivesse ali.

Elliott pegou o microfone e sentou-se em um banco enquanto Dalton também estava sentado, com um violão em mãos. Ele tocaria e Elli cantaria, pelo que me falaram. Uma vergonha tomou conta de mim quando Elliott começou a falar no microfone:

— Essa música eu vou cantar para o meu amigo, que eu queria que fosse mais que amigo, mas que respeito muito e gosto muito também. – Começou ele, olhando fixamente para mim. – Will, meu menino do S que não é de Shake... essa é para você.

Senti meu rosto inteiro arder, como se eu estivesse com febre. Todos os olhares se voltaram a mim, como se, de repente, todos soubessem quem eu era.

Vontade de matar esse idiota que eu não consigo nem ficar irritado com, pensei, resolvendo ignorar todos esses pensamentos e prestar atenção no que Elliott cantaria.

I think it’s time that I told you (Eu acho que é hora de te contar)

I’m a fan of your universe (Que eu sou fã de todo o seu universo)

And every shade that you offer (E de cada sombra que você oferece)

It’s different but I know it works (É diferente, mas eu sei como funciona)

I’m addicted to the magic (Eu sou viciado na mágica)

And the glow of the city lights (E no brilho das luzes da cidade)

I felt it in my veins just didn’t know how to say it right (Eu os sinto nas minhas veias, eu só não sabia como dizer direito)

Nunca pensei que Elliott cantava tão bem, mas vendo-o, totalmente desinibido em frente a todos, vejo o quão bom ele consegue ser. Não nego que, ao ouvi-lo cantar, pensei no quão bom seria dormir ouvindo sua voz pertinho do meu ouvido, sussurrando uma música qualquer. Cair no sono ouvindo aquela voz me faria sonhar até com anjos.

A voz dele era calma, aveludada, doce e sútil. Era como ouvir a melhor melodia possível, com a voz mais cheia de doçura que você possa imaginar.

She said do you see me in black and white (Ela disse: Você me vê em preto e branco?)

Do you need me every day and night (Você precisa de mim todos os dias e todas as noites?)

I said I don’t wanna dance with another (Eu disse: Eu não quero dançar com mais ninguém)

We could feel this darkness with each other (Nós podemos sentir essa escuridão juntos)

A maneira profunda que Elliott me encarava me deixava ainda mais nervoso e tímido. Minhas mãos estavam suando e tremendo ao mesmo tempo. Ele gostava mesmo de mim, estava admitindo isso ao cantar tal música, sendo que a dedicou a mim. Ele estava, de certa forma, se declarando.

O mais interessante, é que, nas atuais circunstâncias, eu poderia dizer que estava sentindo o mesmo que ele. Mas nós nos conhecemos faz tão pouco tempo. Será que uma paixão pode acontecer assim tão rápido? Eu nunca me apaixonei. Na verdade, nunca me interessei por ninguém e então Elliott chegou, quase que tropeçando na minha vida e eu passei a ver tudo com uma perspectiva totalmente diferente.

O que está acontecendo comigo?

Cause when I look at you I see colors (Porque quando eu olho pra você, eu vejo as cores)

When I look at you I see colors (Quando eu olho pra você, eu vejo as cores)

Lembrei-me do momento em que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Elliott estava entrando na sala, seu skate em mãos, fones os ouvidos e o Diretor ao seu lado. Ele ficou me olhando fixamente, fazendo-me corar já no instante em que nos conhecemos. Quando ele se sentou ao meu lado, eu queria encará-lo para reparar melhor em como ele era, mas como senti seus olhos me fitando, fiquei envergonhado demais para fazer algo.

Elliott não tem vergonha de ser quem é, ele é ele mesmo e goste dele quem quiser. Quem não gosta, não faz falta na vida dele. Esse é praticamente seu lema de vida. Queria eu concordar com isso e ser assim também, mas continuo sendo o menininho de dezesseis anos que é tímido demais para qualquer coisa que seja, até mesmo para admitir para eu mesmo que acho sim Elliott interessante e, até mesmo, atraente.

Everyone’s got their own light (Todo mundo tem sua própria luz)

Some shine and they fade away (Alguns brilham e desaparecem)

Everyone’s got a story (Todo mundo tem uma história)

Those change every single day (E elas mudam a cada dia)

Elliott permanecia me encarando e sorrindo, cantando serenamente. Era uma tranquilidade tão grande, que ouvi-lo cantar era como ser abraçado por alguém que você gosta muito.

Talitha passou por mim e quase caiu ao tropeçar no skate do Elli. Ela me fitou como se quisesse me matar e, logo em seguida, seguiu caminhando como se nada tivesse acontecido. Honestamente, qual o problema dela para ter dispensado Elliott apenas pena maneira que ele fala?

Eu não consigo entender como alguém teria coragem de ferir uma pessoa como ele. Uma pessoa tão ‘para cima’, tão sorridente, sempre preocupada com os outros. Alguém otimista, que não se preocupa com aparência e que faz de tudo para arrancar um sorriso de alguém. Como alguém consegue não gostar dele?

She said do you see me in shades of grey (Ela me disse: Você me vê em tons de cinza?)

Do you need me like I need you that way (Você precisa de mim como eu preciso de você o tempo todo?)

I say I don’t wanna lay with another (Eu disse: Eu não quero me deitar com mais ninguém)

We could feel this quiet with each other (Nós podemos sentir essa quietude juntos)

De início eu fiquei tão assustado com a aproximação do Elli que eu quis mesmo afastá-lo, mas agora já me arrependo de ter desejado isso. Não me arrependo de ter permitido que ele se aproximasse, gosto de sua companhia. Ele me faz rir, faz com que eu me sinta bem e especial.

Elliott é como aqueles príncipes que vivem nos contos de fada, só que ele é ainda melhor, porque ele é real. Ele é de verdade e está em minha frente, cantando uma música para mim. Isso parece tão irreal...

Cause when I look at you I see colors (Porque quando eu olho pra você, eu vejo as cores)

When I look at you I see colors (Quando eu olho pra você, eu vejo as cores)

I see, woo, colors (Eu vejo, woo, as cores)

I see, woo, colors (Eu vejo, woo, as cores)

A música acabou ainda doce e eu fui um dos primeiros a levantar para aplaudi-lo. Minha vontade era descer da arquibancada e ir até ele para abraçá-lo apertado, mas senti uma certa vergonha de fazer isso na frente da escola inteira.

As próximas pessoas foram chamadas para cantar e eu resolvi sair do ginásio. Peguei minha mochila e a do Elli e peguei também o skate dele e fui ao seu encontro, o entregando suas coisas em seguida.

— Gostou? – Elliott parecia tímido, algo adorável de se ver, já que normalmente o tímido era eu e apenas eu.

— Se eu gostei? – Um enorme sorriso apareceu em meus lábios. – Essa foi a coisa mais linda que alguém já fez para mim. Eu amei, Elli.

— Que bom, eu estava nervoso ali cantando e... – Eu o interrompi com um selinho rápido.

Eu precisava ficar na ponta dos pés se quisesse beijá-lo, mas valeu a pena por sua feição. Desviei meu olhar do seu e apenas disse um “vamos embora daqui”, vendo ele assentir lentamente e me seguir para fora da escola.

Assim que colocamos os pés fora da escola, o barulho das rodas do skate de Elliott indo de encontro ao chão pôde ser escutado e eu apenas revirei os olhos. Tão previsível, tão Elliott. As ruas estavam vazias naquele horário, então ele andava pelo meio da grande avenida.

— Elli, sai do meio da rua, por favor. – Pedi, sentindo uma inquietação estranha em meu peito, como um pressentimento muito ruim. Ele apenas riu e continuou andando. – Sério, Elli, por...

Um forte barulho atingiu meus ouvidos, mas eu senti minha visão escapando de mim aos poucos quando me deparei com aquela cena. Eu só consegui ouvir o barulho do freio de um carro, um vidro se quebrando e o meu próprio grito horrorizado. Alguém começou a gritar por socorro, mas eu não conseguia raciocinar.

Eu senti alguém me sacudir e dizer que eu precisava ligar para uma ambulância, mas meu coração parecia não bater mais e meus pulmões já não faziam seu trabalho como deveriam. Respirar se tornou impossível, ainda mais com as lágrimas que surgiram de repente.

Peguei meu celular como se fosse um verdadeiro robô, não entendendo direito o que eu estava fazendo. Eu apenas sabia que precisava fazer aquela ligação. Logo a moça com quem eu rapidamente falei me disse que estavam a caminho. Eu não estava distinguindo o que era real do que não era, como se eu tivesse batido a cabeça com força contra a parede ou qualquer superfície que fosse dura.

Aproximei-me de Elliott, seus olhos quase se fechando se encontraram com os meus e sua mão alcançou meu rosto. Ele estava chorando, eu estava chorando, até a carona do carro estava chorando. Segurei sua mão com força e sussurrei a única coisa que podia, ainda que não tivesse certeza daquilo:

— Vai ficar tudo bem com você, Elli, eu prometo!

Notas finais
♦ TheEvilQueen (EvilQueenGirl): A música é Colors do OneRepublic ♥ Gostaram, gente? Nos conte aí nos comentários ♥ ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Devem estar querendo nos matar, somos maquiavélicos quando queremos (e queremos quase sempre). Basta agora saber o que vocês acharam, nos vemos por aí, haha.