Sk8er Boy
11 Namorado?
Notas iniciais
— Desculpa, Will, não quis parecer um tarado nem nada, beleza? – Sentei-me melhor na cama, vendo o desespero do Will. – Eu só queria ajudar.
— Odeio ser um idiota assim. – Murmurou ele e eu o puxei para perto de mim. Ele acabou caindo sentado em meu colo.
— Ei, por que ‘tá se chamando de idiota? – Questionei, o abraçando de lado.
Estava sentindo uma forte dor nas costelas, principalmente o puxando para tão perto assim de mim e me esforçando para abraçá-lo daquela forma, mas eu não me importava se sentir dor se pudesse fazê-lo sorrir. Aquele sorriso era tão puro e doce, que eu queria mantê-lo no rosto de Will sempre.
— Porque uma hora ou outra isso vai acabar acontecendo e eu tenho que parar de ser tão envergonhado. É irritante corar por qualquer coisa. – Reclamou ele. Aproveitei-me da proximidade e dei uma leve mordida em sua bochecha.
— Eu que não devia ter invadido seu pijama, Wiil. Já cheguei me enfiando minha mão dentro da sua calça na primeira vez que dormimos juntos, isso foi meio que errado, não acha?
— Mas a minha atitude também foi. – Suspirou, olhando para seu próprio colo e em seguida me encarando. – E agora está doendo. Droga.
— Nunca passou por isso antes? – Achei graça, o vendo ficar um pouco tímido.
— Já, mas resolvi com banho frio. – Não me aguentei com aquilo e o beijei, o puxando pela nuca de um jeito meio torto, mas que logo se ajeitou.
Sentir suas mãos bem menores que as minhas apertando minha nuca ou puxando meus cabelos era enlouquecedor. Não podia negar que eu sentia sim vontade de arrancar as roupas dele e acabar com qualquer resquício de inocência que houvesse ali, mas como eu já disse, terei calma. Quando o momento chegar, então acontecerá naturalmente.
Mesmo que eu saiba que esse momento possa demorar, eu gosto de verdade do Will e não o desrespeitaria ao ponto de forçar a barra. Cada um tem seu limite e eu respeito o dele assim como ele faria se fosse o contrário.
Claro que foi difícil de me aguentar quando ele acabou se deitando sobre mim, porque eu sentia o volume no meio de suas pernas de encontro ao meu membro e sentia que aquilo estava me estimulando de uma maneira que não era apropriada para o momento. Mas eu não conseguia parar de beijá-lo e ele parecia insaciável em relação aos meus beijos.
Aquilo não prestaria, ainda mais quando eu coloquei minha mão por dentro da blusa dele e ele não fez nada além de me parecer ainda mais ofegante e tudo só piorou quando ele soltou um suspiro sofrido no momento em que o puxei para mais perto de mim.
— Meninos, o café da manhã está pronto! – A voz da minha mãe nos interrompeu. O susto foi tanto que William caiu para o meu lado, por sorte caiu na cama mesmo.
— Momento errado, mãe... – Murmurei, bufando de irritação por ter sido interrompido.
Não que eu realmente achasse que fossemos ir até o fim, mas tem outras coisas que poderíamos ter feito, assim talvez Will se sentisse mais à vontade, aos poucos, no tempo dele. Se bem que, já acho uma grande evolução o fato de ele não ter se afastado de mim no instante em que coloquei minha mão dentro da sua blusa.
Já é um começo, ora.
Eu não iria para a escola por estar com o pé quebrado, mas levantei igual para acompanhar Will no café da manhã. Quando descemos as escadas, meus pais já tinham saído para trabalhar. Will botou a roupa que estava no dia anterior, mesmo reclamando que estivessem um pouco amassadas e que odiasse repetir roupa dois dias seguidos.
Comíamos em silêncio, mas era agradável. Eu o observava, já sabendo de cor cada detalhezinho de sua pessoa, fosse em relação a sua aparência ou em questão de sua personalidade doce e gentil. Aquelas sardinhas o deixavam tão adorável, seu cabelo castanho sempre arrumadinho também era algo tão encantador. A sua mania de arrumar os óculos de armação preta e quadrada a cada poucos segundos era uma graça e o seu jeito tímido que corava o tempo todo, era uma das coisas que eu mais conseguia gostar.
Foi por esse Will que eu me apaixonei, não quero que ele mude. Gosto dessa timidez, gosto dessa inocência. É assim que eu o quero e eu o quero o tempo inteiro. É pedir demais? Se não tivéssemos sido interrompidos e ele não me parasse, eu teria levado tudo até o fim, mesmo sabendo que seria horrível por conta do meu braço quebrado e a dor nas costelas. Eu talvez nem pudesse fazer esforços assim, mas valeria a pena, não é?
Depois disso, um mês se passou sem que eu percebesse. Um mês desde o nosso primeiro verdadeiro beijo. O beijo da sala, não o selinho que o dei na outra noite. Estávamos cada vez mais próximos, passando cada vez mais tempo juntos. Eu acabei tirando o gesso do braço e fazendo três sessões de fisioterapia, já me sentia inteiro de novo e completo.
Voltando a Will e eu, não passamos para nada além de beijos. Beijá-lo era bom? Sim, era ótimo, incrível e eu sempre sentia a mesma aceleração no coração, o mesmo ritmo desenfreado das borboletas no meu estômago e o formigamento na minha pele onde quer que ele tocasse, só que a questão é que também era um pouco desanimador tudo isso. Ele não deixava eu fazer nada além de o beijar. Dizia que não se sentia pronto.
Mas quando estamos mesmo prontos? Raramente estamos prontos para algo e fazemos mesmo assim. Mas volto a dizer: não vou pressioná-lo. Eu posso aguentar, não posso? Claro que posso.
Will e eu estávamos sentados na sala da minha casa quando meus pais chegaram. Eles estavam cheios de sacolas, mas negaram nossa ajuda quando a oferecemos.
— Boa noite, William. Vai ficar para jantar com a gente? – Minha mãe perguntou de seu jeito de sempre.
Não é como se ela fosse sem educação com as pessoas, ela guardava sua maneira arisca para quando estávamos sozinhos. Claro que ela não destrataria Will, isso apenas não significa que ela gosta do mesmo.
— Ele é meu namorado, mãe, é óbvio que ele vai ficar. – Eu só percebi o que tinha dito, após as palavras me terem escapado e eu tenho certeza, que dessa vez quem corou foi eu.
— Namorado? – Meu pai, minha mãe e Will perguntaram juntos.
Me senti petrificado, travado em gestos e palavras. Eu e Will éramos praticamente namorados, não éramos? Estávamos tecnicamente juntos há um mês, andávamos de mãos dadas, nos beijávamos o tempo inteiro. Só não tínhamos um status de relacionamento.
— Fico feliz por você, filho. – Meu pai disse, mesmo meio frio parecia mesmo feliz.
— É, eu também. – Minha mãe concordou, sorrindo. – Podem ficar lá em cima enquanto eu faço o jantar. Quando ficar pronto eu chamo vocês.
E eu nem esperei um minuto para levantar e puxar Will comigo, entrando com ele em meu quarto e trancando a porta. Estava envergonhado, ainda mais por ele ter ficado com aquele semblante paralisado quando o apresentei como namorado. O encarei como se perguntasse de maneira silenciosa o que ele pensava sobre aquilo, então percebi que talvez o que faltasse fosse um pedido oficial de namoro.
Talvez ele quisesse que eu pedisse. Sentei na cama e dei um tapinha no lugar ao meu lado para ele também sentar. Sentou-se parecendo receoso e deu um pequeno sorriso quando entrelacei sua mão na minha. Sua mãozinha era tão pequena perto da minha. Na verdade, Will é bem menor que eu em vários aspectos, eu consigo segurá-lo no meu colo sem me esforçar muito.
— Você ficou sem jeito quando falei de namoro. – Meu tom sai baixo, ainda um pouco tímido e com medo de levar um fora daqueles. – Fui precipi...
— Precipitado? – Will me completou e eu assenti, envergonhado por inúmeras vezes me atrapalhar com as palavras.
Mesmo que a dislexia não afete diretamente a fala, por eu não conseguir ler ou escrever corretamente – eu escrevo muito errado mesmo e não é de propósito e eu leio mais errado ainda – eu acabo falando de maneira errada também, me atrapalho com palavras mais elaboradas e misturo termos que não deveria misturar, aí minhas frases saem confusas.
— Isso, isso mesmo. – Anuí, admirando o lindo sorriso que ele abriu. – Não fui?
— Não, Elli, não foi precipitado. – Apertou mais a minha mão, a acariciando.
— Will, você aceita namorar comigo? – Minha voz saiu bem manhosa, embora não fosse o que eu tivesse planejado.
Seu sorriso era majestoso, senti vontade de apertar suas bochechas como fazia de vez em quando, mas levava cada tapa forte daquelas mãos pequenas por conta disso, que acabei evitando. Ele me dava tapas ao ter as bochechas apertadas porque dizia que isso doía por causa do seu aparelho. E eu entendia que doía, mas fazia para irritá-lo.
— Mesmo que eu já tivesse aceitado sem você nem pedir, eu aceito sim, Elli. – E aquele sorriso em seu rosto apenas aumentava. – Elliott, posso te perguntar uma coisa?
— Claro, Will.
— Você não está incomodado comigo? Por eu não ter feito nada além de te beijar ainda... – Seu rosto demonstrava preocupação, acabei sorrindo com a pergunta.
— Vou ser sincero, Will, quando a gente acaba se beijando daquele jeito e você acaba ficando em cima de mim, é bem difícil parar, mas eu me seguro porque respeito o meu menino.
— Sou o seu menino, é? E você é o que meu? Meu menino também?
— Não. – Neguei, rindo. – Sou o teu homem.
Will começou a rir com a minha leve brincadeira e eu também ri com ele. Ficamos ali no quarto, conversando e rindo, até que minha mãe nos chamou para jantar. Jantar esse, que foi tranquilo e sem nada que valha a pena narrar. Minha mão estava entrelaçada com a de Will por baixo da mesa e, de vez em quando, eu arriscava em colocar a mão em sua coxa e lhe acariciar e, ao ver que ele estava agindo normalmente, pensei que talvez ele estive ficando mais solto comigo.
Quando voltamos de volta para meu quarto, tranquei a porta a batendo com certa força ao grudar Will contra ela.
— Will, você não quer tentar algo diferente?
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