Notas iniciais
♦ TheEvilQueen: Boa noite, gente o/ mais um capítulo muito amor para vocês ♥ ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Boa leitura a todos, haha

William e eu descemos no shopping e começamos a andar até a bilheteria do cinema. Não estavam passando muitos filmes interessantes, mas tinha um que era inspirado em um livro e seu cartaz chamou tanto a atenção dele que eu não tive nem coragem de dar uma outra opção de filme. Fui direto comprar nossos ingressos, entregando um a ele e vendo seu sorriso aparecer.

Os olhos coloridos me encararam com um brilho sem igual os estampando, acabei sorrindo por reflexo.

— Era esse que você queria olhar? – Perguntei a ele, concentrando-me nas órbitas coloridas que estavam fixas em mim. – William?!

— Ah, sim, é, eu queria sim. – Vi ele se perder nas suas palavras e apenas consegui aumentar meu sorriso. – É muito interessante, tem muitas referências de belos lugares e da história do mundo.

Eu apenas fui assentindo conforme William me explicava sobre o que o filme falava, já que ele já tinha lido o livro anteriormente. O brilho em seus olhos era incrível, a sua empolgação me contagiava e eu não conseguia parar de sorrir, mesmo que não estivesse entendendo boa parte do que ele estava me contando.

William ainda me disse que ninguém nunca presta atenção quando ele quer contar essas coisas de seus livros e filmes e me agradeceu por eu ter o escutado. Eu apenas afirmei a ele que sempre poderia contar comigo, sempre que precisasse. Se quisesse me chamar em qualquer dia que fosse apenas para falar sobre o assunto que desejasse eu estaria ali.

— Quer pipoca? – Parei ao seu lado e perguntei.

— Não quero que gaste ainda mais comigo. – Tentou fugir, mas eu apenas neguei com a cabeça enquanto ria.

— Doce ou salgada?

— Eu não gosto de comer na frente dos outros. – Percebi a timidez em sua voz, além da cor rosada que atingiu suas bochechas. As apertei e continuei na fila, andando conforme a mesma diminuía.

— Ninguém vai ver. – Dei de ombros. – Dentro da sala é escuro.

Ele sussurrou, de maneira bem baixa, que queria salgada e, como também era minha preferida, comprei uma no tamanho família para dividir com Will. Comprei também um refrigerante para mim e um suco de laranja para ele – já que foi isso que ele escolheu. Ainda comprei um chocolate, porque se era para ir ao cinema, que fosse para comer doce e pipoca.

— Garoto, não pode entrar de skate na sala do cinema. – O homem que pegava os ingressos me advertiu.

— E onde eu largo?

— Pode deixar comigo, eu guardo para você. – O homem sorriu.

Eu só concordei porque estava com William, porque a vontade era desistir de olhar o filme e ir embora. Ninguém tocava no meu skate, ele estava sempre comigo. Nem quando pegamos o ônibus para virmos até o shopping eu o larguei e nem os seguranças daqui me barraram. Por que justamente o guarda do cinema foi me parar? Que inferno, até parece que vou sair andando de skate pelo cinema.

Entramos na sala escura e nos sentamos. Ambos colocamos as mochilas entre as pernas no chão. Eu segurava o refrigerante e o meu doce, enquanto Will segurava o nosso enorme balde de pipocas – era um balde mesmo, era tão grande que não cabia em um pacote.

Enquanto esperávamos pelo começo do filme, permanecemos conversando. Quer dizer, Will conversava e eu me perdia encarando seus olhos coloridos. Como aqueles olhos podiam deixá-lo tão lindo? Eu estava mesmo encantado, não negava isso e, se ele me perguntasse, seria honesto. Era a verdade, afinal.

Queria entender como o conjunto de detalhes que haviam nele, quando juntos, conseguiam ser tão naturalmente incríveis. Seus olhos, um azul e um castanho. Seu sorriso tímido, ou seu sorriso mais aberto que mostra seu aparelho com as borrachinhas azuis claras. Seu cabelo sempre arrumadinho em um topete. Seus óculos ficavam caindo e, a cada cinco segundos, ele os arrumava no lugar.

Eram detalhes que, se eu visse em um outo alguém, usaria a expressão: “tão Will”. Mesmo, obviamente, sabendo que ninguém teria características tão únicas quanto as dele.

— Você consegue ver sem óculos? – Questionei, encarando-o com uma provável interrogação no rosto.

— Sim, mas eu prefiro ficar com os óculos para não forçar meus olhos. – Respondeu-me e eu assenti.

— Posso ver? – Ele lentamente balançou a cabeça afirmativamente e tirou os óculos, me entregando em seguida. Coloquei-o no rosto. – Nossa, você é cego, William!

Eu usei minha inteligência pelo menos uma vez na vida. Eu não queria colocar os óculos dele, eu queria era vê-lo sem essas lentes no rosto. Queria ver ele de uma forma mais natural, por assim dizer. E mesmo que ele fique adorável de óculos, sem ele fica ainda melhor. Ainda vou me apaixonar por esse menino, porque meu coração é fraco ao ponto de já ter me feito fazer papel de trouxa umas mil vezes.

Já me apaixonei várias vezes e me decepcionei em todas, não queria mais uma decepção para minha vida. De azar já me basta a dislexia.

— Eu não sou cego. – Reclamou Will, pegando de volta o acessório que ainda estava em minhas mãos. – Eu tenho astigmatismo e meu grau nem é tão alto, é só o necessário para melhorar minha visão.

— Não quis te ofender. – Acabei fazendo um bico e ele riu tímido, desviando seus olhos para a tela. – Perdoa eu?

— Você está perdoado. – Respondeu sem nem me olhar, mas ainda sorrindo.

Não me aguentei e me aproximei, beijando novamente sua bochecha da mesma forma que havia feito quando estávamos no ônibus. Vi ele se encolher e corar, mas não falou nada contra o meu gesto. Era um beijo de carinho, eu não via problema nenhum em relação ao beijo, mas talvez ele visse e não quisesse mais que eu fizesse aquilo.

Me mantive em silêncio, obrigando a mim mesmo a ficar quieto. Queria conversar, queria falar com ele e desenvolver um assunto qualquer apenas para não ficarmos sem falar nada, mas não quis pressionar a situação ainda mais.

O filme não demorou a começar e é claro que eu permaneci em silêncio. Mas não prestei tanta atenção assim naquilo que passava na tela, estava mais preocupado em prestar atenção em Will. Ele mantinha um pequeno sorriso nos lábios e um brilho sem igual em seus olhos.

— Quer chocolate? – Perguntei enquanto abria a embalagem, Will virou lentamente para mim e me encarou.

— Eu já nem aguentava mais tanta pipoca, você ainda quer que eu coma chocolate? – Precisei rir com o espanto na voz dele.

Reforcei minha pergunta, questionando se ele queria ou não, mas ele disse que não estava com vontade de comer mais nada.

[...]

— E sorvete, você quer? – Passávamos na frente da sorveteria quando perguntei isso.

Após o filme nós saímos e caminhamos pelo shopping, mas agora estávamos andando pela rua, decidindo ir caminhando ao invés de ir de ônibus. Eu estava sobre meu skate, mas William andava ao meu lado.

— Não, obrigado. – Sorriu. – Já caiu muitas vezes andando de skate?

— Algumas, mas nem me doeu. – Acabei rindo. – Quer andar?

— Eu não sei andar. – Pareceu incerto e, nesse momento, desci do meu veículo, como eu mesmo nomeei. – E nem pense nisso, eu não vou subir nessa coisa.

— Essa rua está vazia, você não vai ser at... hum... nenhum carro vai passar por cima de você.

— Atropelado? – Inquiriu e eu assenti, envergonhado por não ter conseguido dizer a palavra. – Não precisa ter vergonha. Lembre-se que a aberração de nós dois sou eu.

— Você não é isso aí que você falou. Você é muito maneiro. Esses teus olhos aí são muito interessantes. – Ele acabou rindo, o que me fez sorrir novamente.

Mas era a verdade, pelo menos para mim. Eu realmente achava seus olhos interessantes, lindos, incríveis, assim como o seu conjunto completo, como eu já havia dito anteriormente.

Obriguei Will a subir no meu skate após largar nossas mochilas no canto da calçada, a rua estava deserta. Ele aparentava estar com medo, por isso eu fiquei ao seu lado e segurei a sua mão enquanto o guiava por ali. No momento em que ele disse que queria tentar sozinho, ele andou cinco centímetros e escorregou. Por sorte eu estava prestando atenção e impedi que ele se arrebentasse no chão.

Nós dois começamos a rir sem parar da situação e acabou que Will desistiu de andar de skate, disse que se sentia mais seguro andando a pé. Só que eu quase me matei de rir no momento em que ele tropeçou no chão.

— É mais seguro andar a pé, certo? – Debochei, vendo ele me encarar com os olhos quase pegando fogo de tanta raiva. – Onde você mora? Vou ir com você para evitar que você se arrebente no chão.

— Para de rir, Elliott. – Eu conseguia ver que ele estava envergonhado e o fato de eu estar gargalhando sem parar não ajudava muito. – Eu vou te derrubar se você não parar.

— Eu duvido. – Desafiei-o e, em seguida, fui empurrado e me desequilibrei, mas não cheguei a cair. – Não conseguiu.

— Outra hora eu consigo. – Achou estar completamente certo, mas eu apenas ri dele. – Esse seu piercing na língua não machuca?

— Nem o da língua, nem os dois do nariz, nem o do canto da boca, nem o da sobrancelha, nem os alargadores, nem o outro da boca. Nenhum dói, só doeram um pouquinho para colocar, mas agora eu já me acostumei. – Expliquei e vi ele me observar. – As tatuagens também não doeram.

— Você tem quantos anos? – Indagou, parecendo estar pensativo.

— Dezoito. E você?

— Ah, tenho dezesseis. – Sorri para ele, meio sem jeito.

— Eu reprovei dois anos na escola. – Acabei o explicando e o vi assentir.

Levei William até sua casa e me despedi dele com um beijo no rosto, que mais uma vez o deixou corado. Ele era uma graça, não acham? Eu queria apertar aquelas bochechas, mas por conta de ele usar aparelho nos dentes eu me mantive quieto, sei como dói usar aparelho e alguém apertar suas bochechas, minha mãe vivia fazendo isso em mim e eu sempre ficava com a boca dolorida.

Fui para casa pensando em Will e pensando nas coisas que ele me fazia sentir. Sempre foi meu defeito me encantar rápido pelas pessoas, até porque era mais certo de eu apressar tudo e sair machucado. Queria que dessa vez fosse diferente, queria levar tudo na calma.

Será que eu consigo fazer isso?

Notas finais
♦ TheEvilQueen: Esse Elli é tão doce, to apaixonada por ele ♥ ♦ TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Infelizmente hoje vamos ficar devendo You Worth My Sacrifice para vocês, mas semana que vem teremos capítulo na sexta e no sábado para compensar, tudo bem? Abraços!